"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Em seu 2º programa, Assange entrevista Zizek e Horowitz: “Esquerda e direita no século 21"


No segundo programa de “The World Tomorrow”, da Russia Today, Julian Assange entrevista o esloveno Slavoj Zizek e o ex-radical de esquerda David Horowitz
Julian Assange: Hoje, temos conosco dois intelectuais superstars. O filósofo esloveno Slavoj Zizek, ex-dissidente e anticomunista, que hoje se autodescreve como  “comunista”. Convidamos também David Horowitz, ex-radical de esquerda, aliado dos Panteras Negras, hoje ardente direitista. Quero saber o que pensam sobre o futuro da Europa e dos EUA. A conversa esquentou. Zizek teve de ser fisicamente contido. Gritaram, discutiram, depois falamos mais tranquilamente sobre nazistas e palestinos, os Panteras Negras, Obama, Romney e Stálin.

David [para Horowitz], você se autodescreve como conservador. Zizek, você se autodescreve como comunista. Apesar disso, os dois têm [tiveram?] retratos de Stálin [o telefone toca na casa de Horowitz, que atende: ‘Não posso falar agora. Estou numa conferência internacional’. tz


Zizek [ri]: “É Stálin. Telefonou p’rá dizer: não mexam comigo!” [Risos. Horowi volta à câmera do computador.] 

Assange: David, pode dizer o que entende por ‘conservador’ e por que tem [teve?] um retrato de Stálin?

Horowitz: O retrato de Stálin apareceu no meu escritório depois da morte dele. E sou conservador porque os esquerdistas, os utopistas, não têm ideia do que é a natureza humana. Por isso, quando chegam ao poder, enfrentam o grande problema de as pessoas não seguirem o programa deles, e eles as matam ou as metem nos gulags. O problema da ideia utopista é a ideia.

Assange [para Zizek]: E você?

Zizek: Primeiro, sobre o retrato de Stálin. [Está lá] precisamente para lembrar-me, e talvez, mesmo num nível marginal, você concorde, dos riscos, dos perigos, de experimentos políticos radicais.

Horowitz: Não sei o que Slavoj diz, quando diz que Stálin o faz lembrar os riscos dos experimentos totalitários aos quais a ideia utopista pode levar, porque ele apoia todos os movimentos totalitários do mundo. Você apoia o que temos de mais próximo dos nazistas, das ideias utopistas, no Oriente Médio. Você apoia os palestinos. Não sei que diferença há, entre os palestinos que querem matar judeus, e os nazistas.

Zizek: Mas, você alguma vez visitou a Cisjordânia? [Horowitz intromete-se: ‘Não. Nunca estive em Israel’. Ininteligível] Posso garantir que é absolutamente seguro para judeus. Eu estive lá com meus amigos judeus e posso garantir. Não estou dizendo, quero destacar isso: acho ruim essa ideia de o que os nazistas fizeram aos judeus, os judeus fazem agora aos palestinos. Concordo: é ruim, não faz sentido. Mas, me desculpe, os palestinos lá são ferrados. Muito ferrados.

Horowitz interrompe: ‘São ferrados pelo Hamás! [Zizek tenta responder: ‘Não, não’] Horowitz insiste: ‘São ferrados pela OLP! São ferrados pela Arábia Saudita! São ferrados pelo Egito!’]

Zizek [tenta concluir a resposta]: Tenho de discordar. São ferrados pelos israelenses. Os israelenses humilharam Arafat e outros e tal, e as políticas israelenses abriram caminho para a influência do Hamás. Em segundo lugar...

Horowitz: Ah, sim, agora vai culpar os judeus pelo Hamás! Ótimo!

Zizek: Ah, meu deus, você está vendo?! Isso é que eu não gosto em você. Qualquer coisa que eu diga, estou culpando os judeus?! [Assange interfere, para acalmar Zizek. Horowitz ri. Parece estar satisfeito por ter conseguido o que queria com a provocação.] Por favor, só uma coisa, agora, a sério. Vejam uma coisa. Vejam a situação das mulheres, agora, no Iraque. 

Horowitz: Slavoj, e quem é o responsável por isso?

Zizek: Os EUA e sua política de intervenção.

Horowitz: A esquerda internacional e o [partido] Democratas nos EUA que foram à guerra por Saddam e contra George Bush, quando Bush atacou o Iraque. Deveríamos ter resolvido aquilo, deveriam ter acertado suas diferenças... Quero dizer... Deveríamos ter ocupado por muitos anos...

Assange: Essa é uma declaração incrível...

Horowitz: Deveríamos ter atacado a Síria, depois deveríamos ter atacado o Irã. Mas Bush recebeu tal ataque... Houve verdadeira sedição, dos grandes partidos nos EUA. Todos apoiaram a guerra. Nem todos, mas as lideranças apoiaram a guerra, votaram no Senado a favor da guerra. Mas depois se voltaram contra a guerra, e mentiram, dizendo que Bush mentiu. Bush não poderia ter mentido sobre a inteligência sobre a guerra, porque Kerry e Rockfeller e Feinstein e todos os Democratas estavam comprometidos com a inteligência. Tinham inteligência melhor que Julian [Assange].

Assange: No trabalho que fazemos, no trabalho que WiliLeaks faz, estamos forçando adiante os limites de um certo tipo de liberdade, que dizemos protegida pela 1ª. Emenda, a liberdade para revelar a verdade sobre o mundo, proteger os registros históricos de qualquer interferência etc. Vi aquele pôster incrível, que o exército americano produziu. É um pôster de Jefferson, uma grande estátua de Jefferson, dizendo que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Esse é o preço da liberdade. E mostrava um grande esquema de interceptação, gente armada e olhando para o mar com binóculos. Interpretaram a frase de Jefferson, que significa que, para conter o estado forte, temos de ser vigilantes, como se significasse que temos de ter estado forte, estado agressivo, estado de vigilância, para preservar a liberdade.

Horowitz: Acho lastimável que o Estado seja tão grande, que nossa Defesa tenha de ser tão grande, é absolutamente lastimável, mas é real. Gostaria de voltar à ideia de liberdade e igualdade. Claro que se as pessoas são desiguais, se as pessoas têm talentos desiguais, inteligências desiguais, nesse caso, querer fazê-las iguais é retirar-lhes a liberdade. Não há outro modo de produzir igualdade, sem tirar a liberdade. Claro que, portanto, há um conflito entre a liberdade e a igualdade.

Zizek; Ouça, eu não sou idealista, em contraste ao que você diz. Não sou pela liberdade total, tudo deveria ser feito publicamente. Mas acho que o que WikiLeaks faz não é isso. O que estou dizendo é que no poder das grandes potências sempre se alcança um certo grau de hipocrisia. Assim, como dizer... Nós somos sempre convocados a confiar no poder do Estado, no sentido de, sinto muito, mas temos de fazer certas coisas discretamente, melhor ninguém saber. E concordo: temos de jogar esse jogo. Não sou estúpido a esse ponto. Mas, obviamente, quando essa confiança é traída, mal usada... WikiLeaks pode desempenhar um papel muito positivo nisso tudo. Desculpe, mas não vejo aí nenhum perigo de colapso...

Assange: Se tivéssemos uma nova revolução no governo, e WikiLeaks tivesse acesso aos documentos do atual governo e publicássemos tudo, eu estaria acuado contra a parede?

Zizek: Não posso resistir a uma piada. É muito difícil responder essa pergunta agora. Mas quando eu estiver no poder, nesse seu governo revolucionário, mandarei minha resposta para a sua célula no gulag da Sibéria [risos].

Horowitz: A ideia é que não se pode ordenar que alguém seja livre. Não pode haver liberdade mandada.

Zizek: Mas a liberdade é ordenada, num certo sentido.

Assange: David, o lema da baía de Guantánamo é “Honra é defender a liberdade”. No Iraque há um campo de prisioneiros chamado “Liberdade”. Parece-me mau uso da palavra “liberdade”. Quero saber de você se realmente pensa que o Estado tremendo que está crescendo nos EUA é inteiramente necessário para combater os concorrentes que os EUA têm, a China, a Europa, ou já é hoje um sistema que se retroalimenta? 

Horowitz: O problema é as pessoas. Pessoas são gananciosas, elas mentem, elas enganam, elas manipulam, elas são perigosas, são egocêntricas. Gente no poder é a mesma gente perigosa, com mais poder, Por isso temos de ter os controles e equilíbrios. Sou a favor de mais vigilância, mais investigação, o que for. Vivemos em contexto. Os EUA – isso é real – estão sob ataque da esquerda internacional, que é muito poderosa. De todos os ditadores latino-americanos, amigos de Slavoj, dos islamo-fascistas. E vivemos numa época em que há armas nucleares, químicas e biológicas. Acho que, por causa disso, estamos ante uma catástrofe, no século 21, muito maior que as catástrofes do século 20. 

Assange: Você não vê que a criação de um enorme burocracia do segredo, do sigilo, que vive de trocar favores, a porta rotatória entre empresas e estado, não lhe parece que tudo isso é muito parecido, talvez, com o que ocorreu na União Soviética?

Horowitz: Você não pode eliminar a competição. Ponha um esquerdista na Casa Branca. O sujeito foi treinado e formado por comunistas, toda sua carreira política foi na esquerda política. Mesmo assim, a competição não muda. Se preferir, são várias máfias, todos uns na garganta dos outros. E é isso que nos mantém mais ou menos em segurança.

Zizek: Com licença, bem rapidamente, e sem nenhum antiamericanismo...

Horowitz: O problema são países como a Rússia, onde calam a oposição.

Zizek: Ah, já sei: a Rússia de Putin. A Rússia é Putin. Não é aquele sujeito que falou com Bush e Bush, quando encontrou Putin, você se lembra? Bush disse ‘olhei nos olhos de Putin e vi que é homem em quem posso confiar’. Mas, esqueça. Não é importante.

Horowitz: Foi uma das estupidezes que Bush disse [risos]

Zizek: Você diz que os comunistas gostam de calar a verdadeira oposição. Você deve saber que os comunistas chamam de “fascistas” todos que lhes fazem verdadeira oposição. Se você for modestamente democrático, já é a contrarrevolução fascista. O que me preocupa, é que você usa a palavra “comunista” de modo muito parecido. Qualquer pequena crítica ao establishment  conservador americano, já é comunista. Assim, claro, Obama é comunista...

Horowitz: Calma. Eu não falei de Barack Obama[1]. Você não tem ideia de quem, na verdade, é Barack Obama, do passado dele, para dizer isso. 

Zizek: Não me interessa o passado de ninguém. Stálin tem passado de poeta religioso. Escrevia poemas religiosos e tenho alguns deles. Deixe-me continuar, rapidamente. Você não acha que o grande fracasso das políticas da presidência não inteligente de Bush – e não vou usar a palavra “agressiva” –, o resultado da década Bush, foi que os EUA efetivamente se aproximaram de perder a posição de potência mundial? No governo Bush, os EUA perderam o controle efetivo da América Latina etc. Não estou dizendo com ânimo esquerdista, “uh-uh, afinal conseguimos”. Em certo sentido concordo com você, que estamos nos aproximando de um mundo multipolar muito perigoso. Todos os sonhos de que os EUA possam de algum modo reconquistar o controle estão, para mim, acabados. 

[Horowitz tenta interromper: “O estado natural do homem é a guerra”.]

[Zizek prossegue] Vamos encarar os fatos. E, por isso, muitos esquerdistas me acusarão de eurocentrismo ou coisa que o valha. Mas o sonho do estado europeu de bem-estar é mais inclusivo que o sonho dos EUA, se me permite esse elogio à Europa. Não teria sido aquele o único período na história humana, depois da II Guerra Mundial, quando muita gente vivia com segurança, liberdade? Quero dizer: não riam tanto da Europa.

Horowitz:  Desastre, só desastre. A Europa é uma ‘Disney’ da cultura. Não tem importância alguma. Foi período de desastre. Isso é que o estado de bem-estar trouxe à Europa. 

Assange: Tenho alguma experiência de primeira mão com o paraíso socialista sueco, e posso dizer que não é o que diz a publicidade.

Zizek: Antes desses trinta anos. Insisto nisso. Alguma coisa quebrou, lá.

Horowitz: Os suecos não têm moral.

Assange: David, a busca adiante, de um mundo melhor, a busca de uma posição melhor que as pessoas têm de ter, mesmo que essa posição seja a liberdade, é busca de mais liberdade. Podem-se avaliar os eventos contemporâneos pela direção dos ideias, das esperanças. Será que hoje abandonamos essa busca, pela religião?

Horowitz: As pessoas, a maioria das pessoas, não consegue viver com a ideia de que a própria vida não tem sentido algum. Que nascem, morrem e são esquecidas. Se você é religioso, há uma divindade que oferece uma saída depois da vida, uma redenção. Se você não é religioso, você quer a redenção nessa vida. A esquerda é isso: é um movimento religioso, e não por acaso sempre houve utopismos, comunismo, fascismo, nazismo...

Zizek [interrompe]: E o liberalismo!. Também é uma utopia.

Horowitz: As pessoas querem alguma coisa melhor. É preciso muita ambição, para fazer uma pequena mudança. Fico pensando no que você quer fazer, e os meios radicais podem terconsequências muito destrutivas.

Zizek: Mas há momentos em que você tem de ser radical. Há Hitler e o Holocausto e você não chega e diz a um líder nazista ‘vamos ser amigos’, fazer as coisas com modéstia. Há momentos em que você tem de ser agressivo.

Horowitz: Você tem toda a razão.

Zizek: Concordamos nesse ponto. E sobre a utopia, minha posição é modesta. Eu vejo, como todos vemos, que estamos nos aproximando de situações de catástrofes. E só estou dizendo que temos de enfrentar essas catástrofes com plena consciência. Sem utopias, essas merdas de utopias liberais, comunistas ou quaisquer outras. 

Horowitz: Deixe-me resumir essa conversa...

Zizek: Ele é que é o Stálin, secretário-geral, sempre querendo fazer, ele mesmo, o resumo da conversa! Ele é o comunista, aqui.

Horowitz: Em resumo, a guerra é a condição natural da humanidade. Sempre foi, desde o início. A paz só ocorre, quando há um poder conservador, uma força única que consiga intimidar os possíveis agressores. Pergunto: quem você quer que seja esse poder, se não forem os EUA?

Zizek: Não sei, mas, para mim, os EUA já não são mais nem candidatos.

Horowitz: Sim, por isso estamos a um passo dessas catástrofes, mas vocês estão contribuindo para as catástrofes, dando força aos esquerdistas. 

Assange: E dar responsabilidades ao Estado, não é ter um mercado livre nos EUA?

Zizek: Você quer dizer, com outras opções políticas?

Assange: Sim, com outras opções. E quem não gostar das condições num estado pode mudar-se para outro, mudar seus bens, o patrimônio, a família?

Horowitz: Os EUA não estão equipados. Os EUA não estão preparados. Já se viu no Iraque. Não conseguimos nem ocupar um país. Mal conseguimos fazer uma guerra de quatro dias. Imagine uma guerra de seis semanas. Esse é um país onde há tantas oportunidades. As pessoas só pensam em se divertir. Não querem ir à guerra. Os americanos não querem ir à guerra.

Assange: Os americanos têm de ser enganados, para irem à guerra...

Horowitz: Quem disse, acho, foi Tony Blair: que os EUA estão encolhidos, em boa parte, porque o comandante-em-chefe é esquerdista.

Zizek: Sério. Permita-me discordar, com todo o respeito. Se os EUA ainda tem algum atrativo para o mundo, lamento informá-lo, é por causa de gente como Obama.

Assange: A primeira ordem de ataque de drones, quatro dias depois de Obama assumir o governo, foi contra o Paquistão. Você acha que Obama realmente decidiu alguma coisa?

Horowitz: Quando ele assumiu o governo, a guerra estava em andamento. Sabia que os militares não o apoiavam. Então escolheu o Paquistão. Obama já matou mais civis. E a esquerda nada lhe cobra, porque a esquerda é uma força religiosa. Nada tem a ver com princípios. A esquerda não se incomoda com asiáticos sendo mortos por drones... [Assange: E o que você quer fazer?] Ir para as ruas protestar contra o que Obama está fazendo no Afeganistão, no Paquistão. Já não tenho nenhum respeito pela esquerda, porque já não tem princípios.

Zizek: Aqui há uma diferença entre nós. Nós dois criticamos Obama. Você critica Obama, porque pensa que ele é esquerdista, comunista? Eu critico Obama porque, bem ao contrário, acho que ele não é esquerdista escondido, criptoesquerdista. O problema é que ele finge que é de esquerda, mas não é.

Horowitz: Você nem sabe o que está dizendo, Slavoj. Devia ouvir o que diz Tarik Ali. Ele odeia o que Obama está fazendo.

Zizek: São os seus velhos amigos esquerdistas. Tarik Ali não é meu amigoNão engulo essas bobagens democráticas esquerdistas, local, movimentos de base, simples democratismo básico. O que estou dizendo é que o problema que fez crescer o comunismo continua aqui, entre nós. Tenho medo do que pode acontecer, se não encontrarmos uma solução.

Horowitz: Não, nada disso. Os problemas sempre estarão aí. Meu ponto de vista é realista.

Assange: Senhores, temos temas demais.

Zizek: Nós dois somos fanáticos e ele é liberal. Temos de unir forças e livrar-nos desse liberal.

Assange: Temos muitos temas por discutir e quero falar sobre outras coisas. Você, Horowitz, esteve no Partido dos Panteras Negras …

Horowitz: Eu? Nunca fui membro desse partido. Só arrecadava dinheiro para eles.

Assange: Você os ajudava. Esteve envolvido com as atividades deles e os apoiava.

Zizek: Você é como aqueles banqueiros que ajudaram Hitler, se puder usar essa metáfora.

Horowitz: Não acho.

Assange: E você esteve hospedado na casa da contadora da revista Ramparts, da qual você era o editor, Betty Van Patter. Você recebeu uma carta em que se lia: “Na minha opinião, você é responsável pela morte de Betty. Mandá-la acertar as contas e a contabilidade dos Panteras Negras naquele momento, foi como vesti-la no camisolão branco da Ku Klux Klan e mandá-la para a rua…”

Horowitz: Julian, essa é só uma carta de calúnias, de um sujeito que esteve envolvido com os Panteras Negras antes de mim, e que jamais dissera coisa alguma. Os esquerdistas sacrificam qualquer um e nesse caso o sacrificado fui eu...

Assange: Aquela tragédia, inclusive um assassinato, deve ter influenciado seu ponto de vista sobre o mundo. Acha que passou a ver a realidade com outros olhos? Como influenciou suas opiniões?

Horowitz: Betty foi assassinada... o corpo foi encontrado em fevereiro de 1975. Em seguida, passei nove anos sem me envolver em política. Em 1984 votei em Reagan e foi quando me tornei conservador. Sofri ataque muito violento da esquerda, mas não respondi. Naqueles nove anos, não tive nenhuma atividade política contra a esquerda, mas me sentia traído, me sentia culpado pelo movimento que havia apoiado. Esperei até me acalmar. É uma coisa de caráter, não importa o quanto se está apaixonado ou não…

Assange: Depois da morte de Betty Van Patter, você escreveu biografias de grandes famílias norte-americanas, dos Rockefeller e outras. Você entrevistou membros dessas famílias bem relacionadas?

Horowitz: Entrevistei.

Assange: E seu círculo social mudou, depois daquelas biografias?

Horowitz: Nada mudou. Minha vida foi sempre a mesma. Perdi todos os amigos da esquerda e na maturidade reconstruí minhas amizades. Acho que um fator que prende as pessoas na esquerda é que sabem que, se pisarem na linha, todos os amigos desaparecerão. [O telefone toca.] Com licença.

Zizek: Fique à vontade. Sou a favor de comunismo humano, que deixa atender o telefone.

Horowitz: Não quero menosprezar o ativismo em geral, mas tenho de ter guarda-costas para ir às universidades, por causa da esquerda fascista dos EUA... 

Assange: E eu estou ameaçado de morte por todos os lados.

Zizek: Nessa sala, só eu fui fisicamente atacado pela direita por ser comunista; e pelos comunistas, por ter traído os nacionalistas.

Horowitz: Não acredito! 

Zizek: Verdade. Estou falando sério.

Assange: David, você votará em quem, nas eleições?

Horowitz: Ainda não há candidatos.

Assange: Dentre os possíveis candidatos...

Horowitz: Romney, me parece, tem melhores condições para derrotar aquele sujeito.

Assange: Para derrotar Obama?

Horowitz: É. Não estou satisfeito com coisa alguma.

Zizek: Nisso, concordamos. É trágico e pode até ser mau para a vitalidade dos EUA, no longo prazo, que os Republicanos não consigam produzir candidato com carisma. É triste. Não é coisa que me alegre.

Horowitz: Concordo. Não é bom, de modo algum.

Assange: Obrigado, David.

Zizek: Pior que comunista, é socialista com cara humana. É a forma mais inferior de vida. São sapos que se arrastam por aí

Assange: Obrigado, senhores.

Zizek: Acho que você terá de cortar coisas, fazer um pouco de trabalho de Stálin. Foi uma loucura. Você entendeu o que quero dizer.

1º de Maio – OIT considera situação do desemprego extremamente alarmante


Nesta segunda-feira (30), véspera do Dia Internacional do Trabalhador – 1º de Maio - a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou o Relatório sobre o Trabalho no Mundo 2012: Melhores empregos para uma economia melhor. O documento faz uma análise da situação do emprego no mundo e aponta que ela está se deteriorando sem indicativos de que deve melhorar em curto prazo.
Desde o ano passado, os mercados laborais vêm sendo afetados pela desaceleração do crescimento mundial. A isto se soma o fato de que estes mercados ainda não estavam totalmente recuperados da crise econômica que despontou em 2008. O resultado é que hoje faltam 50 milhões de empregos no mundo se comparado com a situação que se tinha antes da crise econômica mundial de quatro anos atrás.
"É pouco provável que durante os próximos dois anos a economia mundial cresça a um ritmo suficiente para reduzir o atual déficit de emprego, e oferecer trabalho a mais de 80 milhões de pessoas que se calcula que entrarão no mercado de trabalho durante este período”, avalia o relatório da OIT.
Mesmo com o crescimento econômico apresentado por algumas regiões, a situação pode ser definida como extremamente alarmante. A OIT alerta que está surgindo uma nova e mais intensa fase de crise mundial do emprego. Isto se deve a uma soma de fatores. O primeiro é a combinação entre austeridade fiscal e drásticas reformas trabalhistas, plano adotado por governos com economias avançadas.
"A excessiva importância que muitos países da eurozona estão dando à austeridade fiscal está aprofundando a crise do emprego e poderia inclusive conduzir a outra recessão na Europa, explicou Raymond Torres, diretor do Instituto Internacional de Estudos do Trabalho e um dos autores do relatório.
Outro fator é a perda de competência e desmoralização das pessoas que buscam trabalho em países com economias avançadas. A OIT também esclarece que as pequenas empresas estão tendo dificuldade em acessar crédito, situação que impossibilita a criação de novos postos de trabalho. Dessa forma, nos países que adotaram este plano, em especial nos países da Europa, não se vislumbra uma recuperação do emprego antes de 2016.
O relatório também acrescenta que a crise mundial do emprego é reforçada pela criação de empregos precários. Em 26 das 50 economias pesquisadas, as chamadas ‘formas não convencionais de emprego’ se incrementaram nos últimos anos.
"No entanto, alguns países conseguiram gerar empregos e ao mesmo tempo melhorar a qualidade do trabalho, ou pelo menos um de seus aspectos. Por exemplo, no Brasil, Indonésia e Uruguai as taxas de emprego aumentaram e a incidência de trabalho informal diminuiu. Isto se deve à introdução de políticas sociais e trabalhistas adequadas”, explica o informe.
Mais um fator que colabora para a crise do emprego mundial é a degradação do clima social e o consequente aumento das tensões. No Índice de Tensão Social apresentado no relatório, em 57 dos 106 países analisados o risco de tensão social cresceu em 2011 se comparado com 2010. As regiões com maior incremento foram África Subsaariana e Oriente Médio e África do Norte.
Além da crise do emprego, estas medidas provocam consequências como o aumento da taxa de pobreza na metade das economias desenvolvidas e em um terço das economias em desenvolvimento e o crescimento da desigualdade na metade dos países desenvolvidos e em um quarto dos países em desenvolvimento.
O desemprego juvenil também aumentou 80% nos países desenvolvidos e dois terços nas economias em desenvolvimento. Já em 26 dos 40 países dos quais se tem dados foi possível constatar que a quantidade de trabalhadores amparados por acordos coletivos de trabalho diminuiu entre 2000 e 2009.
Para combater esta deterioração cada vez mais séria do emprego e suas graves consequências a OIT propõe a adoção de uma combinação de políticas favoráveis à criação de emprego, baseada em impostos e no aumento dos investimentos públicos e benefícios sociais. Desta forma, ao menos nas economias avançadas seria viável a criação de cerca de dois milhões de postos de trabalho.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

¿Una nueva etapa de los movimientos sociales del Ecuador?


Por definición los movimientos sociales no son simples medios del cambio social ni la expresión pasiva de tendencias sociales de cambio, sino actores que se involucran activamente en el curso de los acontecimientos con el fin de influir sobre el desarrollo de los mismos.

Estos movimientos surgen como una respuesta desde la sociedad civil ante la vulneración de derechos y fracturas estructurales y son consecuencia de tensiones sociopolíticas, que no han sido asumidas como áreas de intervención por parte de las organizaciones políticas de perfil clásico. En este sentido, las organizaciones sociales representan una alternativa de acción política frente a las carencias existentes en las organizaciones de corte convencional.
La Marcha por la Vida, el Agua y la Dignidad de los Pueblos que arrancó desde el cantón El Pangui (Zamora Chinchipe) el pasado 8 de marzo y terminó en una multitudinaria movilización el 22 del mismo mes en Quito, muestra que más allá del apoyo recibido por las organizaciones políticas a la izquierda del oficialismo, los movimientos sociales se encuentran en una fase de recomposición tras varios años de crisis.

El 22 de marzo marca un punto de inflexión en la política ecuatoriana. El llamado gobierno de la revolución ciudadana ha dejado de tener el dominio total de la iniciativa en el escenario político nacional, reposicionándose la movilización social como un factor insoslayable, a pesar de su relativa ausencia desde la llegada de Rafael Correa al Palacio de Carondelet. Dicha movilización vuelve a emerger reeditando fórmulas de conducción colectiva en las que están fuertemente implicados los movimientos sociales progresistas y combativos existentes.
Esta nueva realidad actúa en contraposición a las lógicas desarrolladas por el frente político del gobierno, el cual se han caracterizado desde el inicio de su gestión por intentar captar ideológica y clientelarmente a todo tipo de tejido social existente en el país.
La movilización del pasado 22 de marzo es el resultado de un proceso que tiene su inicio en la campaña por el No en el Referéndum/Consulta del 7 de mayo de 2011, donde el gobierno nacional ya recibió una advertencia que ignoró o no supo entender.
 
Antecedentes inmediatos
Los movimientos sociales han marcado la historia del Ecuador durante la segunda mitad del pasado siglo, disputando su espacio de influencia política en las transformaciones socioeconómicas e institucionales que se han ido dando en el país. Son identificables diferentes momentos o etapas en función del protagonismo de los actores sociales: movimientos campesinos en la década de los 50 y 60; movimientos estudiantiles en los años 70; movimiento obrero en las décadas de los 70 y 80; y el surgimiento de los nuevos movimientos sociales a partir de los 90, con el protagonismo indiscutible del movimiento indígena.

El protagonismo político y social del movimiento indígena como paradigma de los nuevos movimientos sociales que se reproducían por otras áreas del planeta, les llevó incluso al acceso al poder en el año 2003 y a su correspondiente contradicción consecuencia de la crisis de legitimidad del sistema político ecuatoriano. Lo indicado con anterioridad generó la pérdida de centralidad política del movimiento indígena e impacto a lo interno de la organización, provocando una crisis en el movimiento de la cual aun se está en fase de superación.
La aparición en febrero del 2006 de Alianza PAIS y el posterior desarrollo del fenómeno correísta, generó aun más contradicciones al interior de las organizaciones sociales. Gran parte de las reivindicaciones históricas de los movimientos sociales se veían plasmadas en el Plan de Gobierno del Movimiento PAIS 2007-2011, condición que inhabilitó en parte el quehacer cotidiano de este espectro político no institucional.La convocatoria de la Asamblea Constituyente en 2007 y la gestación de la actual Carta Magna ecuatoriana a través de un importante proceso de participación social, conllevó que los movimientos sociales posicionaran estratégicamente su eje de acción en torno a dicho proceso.
La metodología aplicada para la elaboración de la Constitución permitió que las organizaciones sociales introdujeran gran parte de sus postulados en los debates constituyentes, satisfaciendo las pretensiones de la mayoría de estas .Así, se plasmaron en la Constitución de 2008 gran parte de las agendas de lucha de las organizaciones sociales en el ámbito ambiental, económico, sociopolítico, laboral, ciudadano, cuestiones de género, participación social o la reivindicación de plurinacionalidad.

Esto significó que en la campaña por la aprobación de la Constitución, referéndum que tuvo lugar el 28 de septiembre de 2008, coincidieran la mayoría de movimientos sociales junto a organizaciones políticas como Izquierda Democrática, Partido Socialista – Frente Amplio, Pachakutik, Movimiento Popular Democrático, Partido Comunista y el oficialista Alianza PAIS.

La subsidiaridad de los movimientos sociales a la lógica política que se desarrollaba en ese entonces no ayudó a la reconstrucción y empoderamiento de estos, dejándolos en una posición subalterna respecto a la política institucional.
El operativo represivo en Dayuma y todo lo referente al tema ambiental y la gestión de recursos naturales, incluyendo el debate sobre la consulta previa, fueron los temas más conflictivos en la relación entre los movimientos sociales y la nueva institucionalidad correísta durante ese período.
Las fracturas comenzaron a volverse más evidentes, a medida que el gobierno avanzaba en el tratamiento de varios proyectos de ley. A poco más de año y medio en funciones, en noviembre de 2008 el gobierno presentaba la Ley de Minería en la comisión legislativa, desatándose a partir de entonces una serie consecutiva de movilizaciones que conducirían al distanciamiento sin retorno de diversos movimientos sociales, en particular el movimiento indígena, respecto al oficialismo.
Revitalización de los movimientos sociales en la coyuntura actual

La recomposición y reempoderamiento de los movimientos sociales toma fuerza a partir de que deja de ser creíble para la izquierda organizada, tanto política como social, el proceso de transformación; visibilizándose que el posneoliberalismo ecuatoriano es en la práctica el proceso de modernización más serio que ha tenido el Capital y el Estado en toda la historia del país. En ese proceso tiene un rol fundamental lo Público, de igual manera que lo tuvo en el periodo de postguerra en Europa, cosa que desconcierta a cierta intelectualidad autodefinida como progresista que aun mantiene postulados afines al régimen.

Sin embargo y citando a Touraine, “para que se originen esos movimientos no basta con que se opongan a determinada forma de dominación; es necesario, por el contrario, que reivindiquen también determinados atributos positivos[1]. Es en ese sentido en el que retoma toda su actualidad el concepto del Buen Vivir -formulado en las constituciones de Bolivia y Ecuador-, el cual más allá de sus debates teóricos, articula su fuerza en las prácticas de los pueblos indígenas y movimientos sociales, así como en la construcción política de alternativas al desarrollo entendido como progreso o el reclamo de otra relación con la Naturaleza (Acosta y Gudynas, 2012).
Movimiento social de mujeres
A partir de 1995, de manera particular desde las mujeres indígenas y campesinas empobrecidas, toma fuerza la idea de la Defensa de la Tierra, el cuidado de la semilla, la defensa de los mercados locales y la exigencia de no firmar el TLC con EEUU.

A finales de los 90 se incorporan a la lucha feminista mujeres provenientes del movimiento indígena y los sectores populares. Esta situación hace que se conjuguen tres factores diferentes que tendrán afectación en este ámbito: movimiento de mujeres, movimiento indígena y defensa de la Naturaleza (encuentro entre clase, género, étnia y ecología).
Esta situación es fruto de la confrontación entre dos perspectivas encontradas en la cuestión de género: por un lado el feminismo institucional de entonces y por otro, un nuevo feminismo radical anti-neoliberal. Con la llegada al gobierno del correísmo, se vuelve a reconfigurar el escenario político feminista, saliendo del Estado el feminismo liberal y entrando sectores populares de mujeres al gobierno. La nueva institucionalidad conformada en torno al correísmo busca desarrollar entonces su crítica al neoliberalismo desde la afirmación de la necesidad de que las mujeres accedan a mayores condiciones de equidad en la esfera del desarrollo económico y se empoderen en el sistema político económico dominante.
De esta manera el Estado incorpora en su dialéctica institucional discursos importantes desde la perspectiva de género: economía del cuidado, reconocimiento de las mujeres en sus esferas de opresión, división del trabajo, equilibrio de cuotas, etc. Las instituciones públicas hacen suya una parte importante de la retórica feminista, las cuales se plasman en leyes y documentos institucionales, dándose cabida a la visión de género desde el ámbito institucional. Esta nueva práctica institucional, permite que las mujeres se vean favorecidas en ciertos espacios, aunque es visible también que el trasfondo de dichas políticas se limita a la búsqueda de una mayor capacidad de consumo -empoderamiento económico- dentro del sistema.

El discurso del nuevo oficialismo en materia de genero, se articula sobre la lógica del desarrollismo y los derechos de la mujer, legitimándose contradictoriamente sobre la reafirmación del Estado patriarcal y capitalista, en este caso, con pretensión de que tenga un rostro más humano. Así, asistimos a un modelo que impulsa la reactivación intensiva de la fuerza de trabajo femenina hacia áreas de la economía que van ganando preponderancia de acuerdo al modelo de desarrollo, cuyos incentivos serían el trabajo y ciertas medidas de protección del Estado, las cuales no van a poder detener las derivas estructurales propias del capitalismo patriarcal, ni eliminar el empobrecimiento y la sobre-explotación de las mujeres y de la Pachamama.

Esta situación sigue generando una fuerte tensión entre mujeres y hombres, mujeres y Estado, mujeres y Pachamama; dando pie a la conformación de organizaciones de mujeres y feministas que posicionan su lucha por el Sumak Kawsay y una Economía para la Vida, en confrontación con el neo-extractivismo y por la defensa de la Naturaleza; contexto en el cual se denuncia el empobrecimiento de la población, la contaminación y la destrucción de los recursos naturales de los territorios (Aguiñaga y Flores, 2011).
Es en ese contexto donde se empoderan organizaciones de mujeres que podríamos definir como feminismo radical fuera del Estado, en confrontación con el feminismo social redistributivo con amplias vinculaciones con el Estado o formando parte de este. Destacan en la línea radical organizaciones como Luna Creciente, CONFEMEC, Asamblea de Mujeres Populares y Diversas o las secciones de mujeres organizadas dentro de las estructuras indígenas.

Movimiento obrero 

En la actualidad el Ministerio de Relaciones Laborales desarrolla roles que históricamente fueron destinados al sindicalismo. A través de los funcionarios públicos se resuelven conflictos laborales en los cuales la función del Estado no es la defensa de los puestos de empleo, sino que los trabajadores cobren adecuadamente sus indemnizaciones en caso de despido. Esta situación es perniciosa para las y los trabajadores dado que ha dejado sin defensa adecuada los puestos de empleo.

Reconociendo que el Mandato 8 sobre Tercerización, desarrollado por la Asamblea Constituyente, ha permitido el establecimiento de aproximadamente 500.000 puestos de trabajo que anteriormente estaban tercerizados; y que los incrementos salariales en la era Correa han sido sustancialmente superiores a los de otras épocas, el menosprecio institucional hacia las organizaciones de trabajadores ha derivado en que el respeto al derecho a la Negociación Colectiva brille por su ausencia.
Por su parte, los sindicatos se ven incapaces de afrontar la nueva forma de intervención institucional, mostrándose inútiles a la hora de aplicar estrategias de intervención que les permita recuperar lo que debería ser su rol protagónico en el mundo laboral.

La nueva institucionalidad vigente desprecia el rol organizativo de los sindicatos, considerándolos innecesarios así como herramientas de un mundo que consideran ya superado, el cual se articulaba en el ámbito del conflicto de clases.
Si bien el movimiento obrero ecuatoriano ya había perdido su protagonismo político en el transcurso de los años 80, la ruptura de determinadas centrales sindicales con el régimen ha hecho que en varios sectores haya organizaciones de trabajadores que han retomado cierto dinamismo y protagonismo social.

En la actualidad, fruto de las agresiones gubernamentales sobre los funcionarios públicos, hay acciones dirigidas a construir en el ámbito del sindicalismo crítico una Unión Sindical del Sector Público. Esta nueva estructura sindical pretende agrupar a los sindicados de la administración pública sin discriminación y hacerle frente a la ofensiva de los despidos masivos y la conformación de un nuevo sindicalismo oficialista y no combativo. Por otro lado se desarrollan acciones también dirigidas a unificar sindicatos con el fin de construir una Central Unitaria de Trabajadores. Los sindicatos que mayor incidencia están teniendo en esta propuesta son CEDOCUT y UGTE.

Movimiento ambientalista

Históricamente el modelo de desarrollo dirigido a la explotación de los recursos naturales se ha convirtió en generador de conflictos socio-ambientales. Esta realidad tiene como característica común la degeneración de dinámicas y tejidos sociales locales dado el tipo relación impuesta entre empresa y comunidad, con marcada ausencia del Estado en los territorios afectados, así como los problemas ambientales derivados de la actividad extractiva en dichos territorios, los cuales son sufridos por las poblaciones locales.

Los conflictos socio-ambientales involucran a compañías extractivas, Estado y actores sociales. Entre estos últimos cabe distinguir tres grupos: indígenas, campesinos colonos y organizaciones ambientalistas. A medida que se fortalece la capacidad de organización y movilización de estos actores, se conforma un complejo sistema de alianzas que desde la ética política cumple con la función de legitimación social de la lucha.
De esta manera, mientras el Estado valoriza el derecho público nacional a través de interpretaciones forzadas de los contenidos normativos de la Constitución y las leyes de protección del ambiente; la acción de las empresas valoriza el derecho privado y el libre mercado;y las organizaciones sociales –comunitarias, ambientalistas e indígenas- valorizan el derecho internacional, los derechos colectivos y el Buen Vivir.

En este tablero de juego encontramos dos tipos de alianzas entre los actores implicados. Por un lado, el Estado y las empresas extractivas, buscando el primero sacar provecho de sus recursos, mientras los segundos buscan la obtención de ganancias y ampliación de su área de influencia. Por otro, las organizaciones campesinas, indígenas y ambientalistas, articulan lógicas de protección ambiental, respeto a las comunidades y autodeterminación.
Citando a Marx y haciendo alusión a la histórica extractiva del Ecuador, cabe recordar que “los hombres hacen su propia historia, pero no la hacen a su libre arbitrio, bajo circunstancias elegidas por ellos mismos, sino bajo aquellas circunstancias con que se encuentran directamente, que existen y les han sido legadas por el pasado. La tradición de todas las generaciones muertas oprime como una pesadilla el cerebro de los vivos”.[2]

En todo caso, no podemos definir la existencia de un movimiento social organizado en torno a la temática ambiental en el Ecuador. Sin embargo, la conflictividad socio-ambiental cada vez es más relevante a nivel nacional consecuencia de las políticas neo-desarrollistas del régimen correísta.
Las luchas sociales entorno a la problemática ambiental en los diferentes territorios del país son cada vez mayores. Sin embargo, es necesario señalar, que hasta ahora no existe más conexión entre ellas que la presencia generalizada de la CONAIE en estos conflictos y de alguna que otra organización ambientalista, careciéndose de una coordinadora que agrupe a las organizaciones sociales y políticas de carácter nacional y local que pelean por la defensa de los derechos de la Naturaleza.

El hecho de que hasta ahora la mayor parte de los conflictos socio-ambientales se dan en territorio amazónico, responde a que es en la Amazonía donde se encuentran la mayoría de los recursos naturales que están siendo extraídos por transnacionales y compañías estatales, y que en este territorio se da la existencia de alto índice de población indígena, biodiversidad y ecosistemas altamente sensibles y actores políticos no favorables a las posiciones gubernamentales.
El gobierno nacional ha ido desarrollando en los últimos cinco años estrategias con el fin de doblegar a las poblaciones locales a sus intereses, generando clientelismo en territorios y comunidades donde esta práctica política ha formado parte de su historia. De igual manera el Estado ha impulsado políticas rupturistas al interior de las resistencias al proyecto neo-desarrollista, bajo la promesa de brindar apoyos para el desarrollo territorial y repartir los excedentes. Los excedentes petroleros se calculan en este momento sobre los 318 millones de dólares y en el caso del Proyecto Mirador –explotación minera recientemente concesionada a la transnacional ECSA bajo control chino- se ha negociado el anticipo de regalías por un valor de 100 millones de dólares, las cuales serán utilizados con idéntico fin.

Movimiento estudiantil

Aunque su protagonismo social se da en la década de los 70, en la actualidad se mantienen dos estructuras de notable potencialidad: la FESE como representante de los estudiantes de secundaria y la FEUE en el ámbito universitario.
Ambas estructuras estudiantiles han sido fuertemente golpeadas por el oficialismo en los últimos años, aunque mantienen una importante capacidad de movilización, estando sus organizaciones más importantes en la órbita política del MPD.

En términos generales, los movimientos juveniles, ya sean de estudiantes o no, se mantienen como la base para el reclutamiento de militantes activos, con capacidad de articulación común y manejo de Tecnologías Información y Comunicación, y relaciones con movimientos antiglobalización de otras partes del planeta.
El actual proceso de reformas en el sistema educativo y la enseñanza superior hace que esté por verse como se reformulará la capacidad de acción de estas organizaciones. Sin embargo, aun es constatable su capacidad de acción y visibilización, tanto en las temáticas que abarcan estrictamente a su sector como en otro tipo de reivindicaciones de carácter más general.

Movimiento indígena

Partimos de la premisa que a pesar de la crisis que atraviesan las organizaciones indígenas, este sigue siendo el movimiento social más importante del país, y su centralidad es claramente identificable como eje sobre el cual orbitan otras múltiples organizaciones sociales de índole diversa.

El desencuentro entre el régimen correísta y la CONAIE (principal organización del movimiento indígena) se agudizó a partir de la aprobación de la Ley de Minería, lo cual sumado al conflicto en torno a la Ley del Agua, supuso el desenlace de múltiples movilizaciones sociales en los últimos tres años.
En la Sierra Central se visualiza con claridad la existencia de movimientos impulsados desde el gobierno que buscan la división en la ECUARUNARI, columna vertebral de la CONAIE, a través de la captación de líderes históricos y políticas clientelares aplicadas sobre determinadas comunidades.
De forma paralela, la firma de conflictivos convenios de pax social entre el Ministerio Coordinador de la Política y determinadas organizaciones amazónicas muestran la capacidad de incidencia gubernamental sobre algunos dirigentes locales. La gravedad del asunto gira en torno al distanciamiento entre determinadas dirigencias y sus bases, lo cual genera un problema serio para la debida articulación del movimiento indígena en la Amazonía.
Por su parte, la CONAICE (organización indígena de la Costa) posicionada a favor del diálogo con el Gobierno, plantea los Planes de Vida de sus comunidades como la base para el diálogo institucional. Sin embargo hasta la fecha las cuatro nacionalidades (Awas, Eperas,Tsachilas y Chachis) al igual que los tres pueblos (Manta, Huancavilcas y Pucros) que componen la organización no tienen desarrollados dichos planes de vida, limitándose estos hasta el momento al esbozos de líneas teóricas.
A pesar de lo anteriormente descrito, algunos elementos han de considerarse como fortalecedores del momento actual que atraviesa la CONAIE.

Por un lado, la CONAIE se ha involucrado de forma activa en la reconstrucción de una coordinación a nivel nacional de las diferentes luchas emprendidas desde los sectores sociales, condición que dio origen a la exitosa movilización desarrollada entre el 8 y el 22 del pasado mes de marzo. También es destacable la involucración de esta organización en elementos de naturaleza diversa vinculados a aspectos que van más allá de lo que estrictamente podríamos considerar problemáticas del mundo indígena. Un posicionamiento fuerte ante la Onceava Ronda de Negociación Petrolera, la cual tendrá afectación sobre el 100% del territorio de los Andoas, 100% del territorio de los Záparas, 100% del territorio de los Shivias, 93% del territorio de los Achuar, 73% del territorio de los kichwas amazónicos y el 38% del territorio de los Shuar.
La elaboración de una propuesta coherente de Ley de Tierras, contemplando en ella no solo el acceso a esta, sino también el derecho territorial. La reconstitución de los territorios de los Pueblos y Nacionalidades Indígenas, lo que colateralmente significa también recuperar la iniciativa en materia de Circunscripciones Territoriales Indígenas, iniciativa actualmente en manos del ECORAE con escasos avances hasta el momento -a esta iniciativa se incorpora también la CONAICE, posicionando el tema de los CTI también en la Costa-. Reposicionamiento desde los territorios de las reivindicaciones en materia de lengua, cultura y demás derechos asociados. Planteamiento de la nacionalización de las tierras, hay mucho capital extranjero en las tierras ecuatorianas, debate que hasta el momento brillaba por su ausencia. Y recuperación de la iniciativa en torno a Ley de Aguas, situación quedó paralizada tras las movilizaciones del 2009.
La incorporación de organizaciones como la FEINE a la movilización del pasado 22 de marzo en Quito y generación de una agenda común con la CONAIE, así como el descontento generalizado en la FENOCIN consecuencia de la inacción gubernamental en materia de reforma agraria, permiten un panorama alentador para la rearticulación ya en marcha del principal movimiento social ecuatoriano.

Conclusiones

La movilización social es un proceso de organización social que se realiza a través de formas múltiples y mecanismos varios, que busca objetivos plurales, resignificando socialmente las instituciones, los sujetos y la democracia participativa. La movilización en la práctica es la única forma efectiva de participación para diversos sectores sociales, ciudadanía y sus representaciones sociales. Sin movilización estos sectores carecen de mecanismos efectivos para intervenir en aquellos asuntos de los cuales venían siendo excluidos.
Desde esa perspectiva, para un gobierno revolucionario, propiciar condiciones para la movilización social y política de los sectores organizados de la sociedad, debería ser un objetivo institucional en la búsqueda de conformar mayores niveles de autonomía, organización y participación de la población.
Lejos de esta visión, el correísmo se ha caracterizado por domesticar organizaciones sociales, anulando su capacidad de movilización, entendiendo esta como un elemento de desestabilización política.
El resurgimiento de la movilización social aparece como un elemento de presión política a la izquierda del gobierno, lo cual es una novedad en la actual etapa política ecuatoriana. Los movimientos sociales, en especial la CONAIE, han hecho una relectura del contexto político nacional, reformulando sus estrategias de intervención. Se pasa del corte de carreteras y de las acciones locales ha protagonizar movilizaciones en la capital del país, desarrollando estrategias que tienen como objetivo posicionar en el debate nacional los ejes de lucha.
La construcción de una agenda conjunta por parte de los movimientos sociales, tal como es el mandato plurinacional nacido de la Marcha por la Vida, 19 puntos que abarcan desde la oposición a la megamineria hasta el respeto al ejercicio de los derechos sexuales y reproductivos, hace que estos actores recuperen la esencia de su rol social.
Que el polo político de izquierdas que se está construyendo en torno a la Coordinadora Plurinacional entienda adecuadamente cual es el rol de los movimientos sociales, con la finalidad de no repetir errores del pasado y superar los recelos que puedan existir en estos espacios a ser nuevamente instrumentalizados por poder político, es también fundamental. Esta condición toma especial importancia en un momento político que es coincidente con un período pre-electoral.

La construcción de contrapoder es fundamental para impedir las consecuencias históricas que para el Ecuador ha constituido el uso y abuso del poder. El objetivo central del proyecto político correísta es el monopolio de la vida política, lo cual le ha llevado a pasar de la utilización instrumental de lo popular al desprecio y control sobre todo tipo de articulación social. Para Gramsci, hegemonía es una composición de dominación y dirección, lo cual significa presencia ideológica en la sociedad y el Estado, así como el control sobre la dirección económica (control de los medios de producción). Sin embargo, el correísmo confundió hegemonía con el monopolio de la vida política, si en algún momento se logró lo segundo, está lejos de construir una nueva hegemonía.
En la medida en que Alianza PAIS se ha constituido en máquina electoral y agencia de colocación para sus afiliados en las estructuras del Estado, la organización dejó de ser un espacio de elaboración de un proyecto político en el seno de la sociedad, careciendo de espacios de debate y generación de participación política. En la actualidad el correísmo más que generar debates importantes en la sociedad, los intenta obstruir, tal y como es el caso de la minería a gran escala o el Buen Vivir como elemento de superación del concepto convencional de desarrollo.

El actual momento político que se vive en el planeta ha abierto un debate acerca de la necesidad de transformar las estructuras políticas en organizaciones programáticas, realmente democráticas y no meramente en instituciones cuyo objetivo fundamental es la perpetuación en el poder como un fin en sí mismo. En ese sentido retoma actualidad, si es que alguna vez la perdió, las estructuras sociales como elementos superadores de los partidos políticos estrictamente electorales.

Bajo este criterio, se puede afirmar que sin movilización social no habrá profundización y radicalización en los procesos de cambio, esto se demuestra claramente en la falta de transformaciones estructurales en el modelo de acumulación: en la actualidad, los grupos económicos poderosos nunca estuvieron mejor, y en todo caso los sectores más excluidos nunca estuvieron menos mal.
El rol de los movimientos sociales en la actualidad es constituir contrapesos ideológicos a un modelo socioeconómico que a pesar de sus logros sociales, reproduce y expande un modelo ideológico lesivo respecto al principio del Buen Vivir, los derechos de la Naturaleza y la democracia radical.

[1]Touraine, Alain. ¿Cómo salir del liberalismo? Editorial Paidos Mexicana. México, 1999. Pag. 55.
[2]Marx, Karl. El 18 Brumario de Luís Bonaparte. 1852. Centro de Estudios Latinoamericanos “Justo Arosemena” (CELA). Panamá, 2006.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Segundo turno na França: quem pode tirar voto de quem


Hollande parece estar numa posição melhor do que a de Sarkozy para a disputa do segundo turno no dia 6 de maio. Pode ser que Le Pen venha a apoiar o atual presidente. Mas suas primeiras declarações indicam que pode estar mais disposta a disputar a liderança do conservadorismo com Sarkozy


Tão importante, no segundo turno francês (06 de maio), quanto saber quem pode dar voto a quem, é saber quem pode tirar de quem. Nesses termos, Hollande parece estar numa posição melhor do que a de Sarkozy.

O candidato socialista tirou votos do candidato mais à esquerda, Jean-Luc Mélenchon, na reta final. Uma parte dos que potencialmente votariam neste, no primeiro turno, preferiram votar direto em Hollande, para impulsionar desde já seu favoritismo no segundo. Criou-se um ambiente favorável ao “voto útil” desde já. A estratégia teve sucesso: Sarkozy tinha, como objetivo na reta final, chegar na frente (“mesmo que fosse por um fio de cabelo”, dizia ele) no primeiro turno para dar força à perspectiva de uma reviravolta na rodada final. 

Não conseguiu. Aposta agora em debater até o esgotamento com Hollande até o 6 de maio, pondo suas fichas em seu desempenho espetaculoso diante do mais comedido de Hollande. Há um duplo sentido nisso: de um lado, Sarkozy quer sobressair; do outro, marcaria pontos se conseguisse enfurecer Hollande, fazendo-o sair do sério e cometer deslizes.

Outro ponto a favor de Hollande é o imediato apoio que recebeu de Mélenchon, sem pré-requisitos. Isso vai arrastar para sua votação a esmagadora maioria dos 11% que o candidato das esquerdas recebeu. Um efeito colateral desse movimento seria a contrapartida de projetar Mélenchon como um vetor decisivo no segundo turno, caso a vitória de Hollande se confirme. A esquerda sairia das cinzas (ou das traças) a que está jogada nesta erupção vulcânica da crise financeira européia.

Já do lado de Sarkozy as perspectivas são mais complicadas. Em primeiro lugar porque o maior fator a roubar votos de Sarkozy foi o próprio Sarkozy. Votos que potencialmente seriam seus se dispersaram, uma parte em direção a Le Pen, outra em direção a Bayrou e até mesmo em direção a Hollande, como testemunha o fato de que Jacques Chirac, o ex-presidente conservador, preferiu apoiar o socialista.

Sarkozy se deu mal num país que já teve como presidentes os carismáticos De Gaulle, à direita, e Mitterand, à esquerda. Faltou-lhe manter o “aplomb”, ou seja, o decoro da presidência. Suas incontinências iniciais, comemorando demasiadamente sua vitória anterior com um corte de “mais ricos”, foram-lhe tão fatais, quanto sua falta de coerência final, sassaricando em várias direções, indo desde tornar-se o parceiro menor da dupla Merkozy (coisa difícil para a direita francesa engolir) até rejeitar o apoio da chanceler alemã e entregar-se a arroubos nacionalistas de última hora.

Sarkozy terá de continuar sendo o boneco de molas que foi no primeiro turno, pressionado por ter de captar votos mais ao centro (eleitores de François Bayrou e seu Movimento Democrático – 9%) e mais à direita, os de Marine Le Pen, cujos 18% se dividem entre a direita tradicional, burguesa ou pequeno-burguesa, e um cortejo de neo-desempregados, jovens ou não, devido à crise. Prova disso é que Le Pen saiu-se melhor no nordeste da França, região em processo de desindustrialização, onde tirou o segundo lugar. Também na Bretanha ela saiu-se bem, como na região do Gard, “pays d’oc”, junto ao Mediterrâneo, onde chegou em 1º. Tradicionalmente, nessa região, os socialistas predominavam nas votações. Esses votos podem retornar à casa de onde, eventualmente, saíram.

Pode ser que Le Pen venha a apoiar Sarkozy. Mas num primeiro momento, pelo menos, os 18% que obteve subiram-lhe à cabeça, e por suas declarações iniciais ela parecia mais disposta a disputar a liderança do conservadorismo francês com Sarkozy do que fazer uma união ideológica com este contra a esquerda. Ou seja, sua votação expressiva pode continuar roubando votos de Sarkozy.

Enquanto isso, a Bolsa de Valores de Paris amanheceu na segunda em queda. Paradoxalmente, isso é bom, num primeiro momento, para Hollande, pois é um sinal de que os tão temidos “Mercados” estão de fato temendo a vitória do socialista e sua promessa de rever os acordos fiscais e de austeridade da Zona do Euro.

Do outro lado do Reno, Angela Merkel tem, de fato, razões para se preocupar.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Moradora da Rocinha acusa PMs de abuso sexual e agressão no Rio


A Polícia Civil está investigando denúncia de abuso sexual e agressão cometida por policiais militares do Batalhão de Choque contra uma moradora da favela da Rocinha, na zona sul do Rio. O suposto ataque teria acontecido na terça-feira (17).
A mulher, autora da denúncia, foi presa por furtar a bolsa de outra moradora da comunidade. De acordo com seu depoimento, ela teria sido amarrada por um PM. Em seguida, ainda de acordo com o depoimento, ela acusa outro PM de agredi-la sexualmente e de atingi-la com socos, chutes e golpes com toalha molhada.
Ela foi encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal). Um laudo preliminar aponta resultado positivo para lesão corporal e para ato libidinoso diverso de conjunção carnal. A autora das denúncias confessou ter roubado uma bolsa e está presa na carceragem da 14ª DP (Leblon).
No início da noite, a Polícia Militar informou que afastou do serviço os PMs envolvidos na denúncia e determinou a abertura de um inquérito policial militar para investigar o caso.
A CGU (Corregedoria Geral Unificada) da Secretaria de Segurança Pública também participa das investigações. Em nota, a CGU afirma que o secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, determinou o máximo de rigor nas investigações relacionadas a esse caso.
Antes apontada como principal ponto de vendas de drogas do Rio, a Rocinha está ocupada pela Polícia Militar desde novembro do ano passado para a implantação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

quinta-feira, 19 de abril de 2012

19 de Abril - Dia do Índio: mais motivos para lamentar do que comemorar

O 19 de abril, Dia do Índio, deveria ser de comemoração, no entanto, a população indígena brasileira não tem muito que celebrar. Passaram-se 20 anos e as terras tradicionais ainda não foram demarcadas, falta assistência nas áreas de saúde e educação, falta respeito à cultura e à tradição indígena, as taxas de assassinatos e suicídios não são baixas. Além disso, persiste a criminalização das lideranças.
Em meio a este conjunto de problemas, Edina Pitarelli, conselheira do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Regional Norte I, aponta um motivo para celebrar. "Precisamos comemorar a relação carinhosa que os povos indígenas têm com a natureza, a Mãe Terra. Precisamos parabenizá-los por isso, pois sem eles a situação ambiental estaria mais grave”, lembra. Fora isso, Edina afirma que encontra mais motivos para lamentar, já que a situação indígena se deteriora cada dia mais e piorou bastante nos últimos anos.
"Hoje, temos que lamentar o fato de que 50% das terras indígenas ainda não foram demarcadas, o que deveria ter acontecido com todas até o ano de 1992. Temos que lamentar e repudiar a PEC 215, que quer passar do Executivo para o Congresso Nacional a responsabilidade sobre a demarcação de Terras Indígenas e que fere os direitos dos indígenas. Temos que lamentar ainda o modelo de educação que não respeita a forma própria de se organizar dos povos indígenas”, critica.
Segundo Edina, outro problema grave está na área da saúde. A Conselheira revela que nos dois últimos anos a situação piorou consideravelmente. No Vale do Javari, em Atalaia do Norte, município do Amazonas, por exemplo, a população indígena está morrendo por falta de atenção médica. Uma epidemia de hepatite tomou a região e infectou 87,5% da população indígena local.
A assistência à saúde deveria ser dada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), mas isto não acontece. O Governo Federal está em dívida com os povos indígenas e não vem prestando a atenção devida. A falta de prevenção e controle de algumas doenças permitiu que a malária, a tuberculose e até as verminoses - doença de fácil tratamento - se espalhassem entre adultos e crianças.
A situação ambiental e o investimento em grandes obras, temas discutidos no mundo todo, também afetam diretamente os povos indígenas, que estão vendo suas terras serem ocupadas por empreendimentos como hidrelétricas e minas. Ao reivindicar seus direitos territoriais, líderes indígenas são atacados, criminalizados e até mesmo assassinados, como ocorreu no Mato Grosso do Sul, com o cacique Nísio Gomes, atacado a tiros por pistoleiros em novembro de 2011.
Neste contexto de grandes obras, Edina afirma que uma das grandes demandas dos povos indígenas é a consulta quando houver obras que afetem suas terras.
"Os povos indígenas querem respeito aos seus direitos. Querem que a Convenção 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho] seja cumprida, mas hoje o que se vê é que o Governo ignora totalmente e não leva os direitos em consideração. O Governo Federal, nos dois últimos anos, nem sequer colocou em pauta as questões indígenas, o mesmo acontece no Judiciário. Junto a isso, a força articulada do Legislativo representa uma violência contra os povos indígenas”, critica.
Sobre a data
O Dia do Índio foi instituído por meio do Decreto-Lei nº 5540, em dois de junho de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas. A data 19 de abril foi escolhida para relembrar o primeiro Congresso Indigenista Interamericano, em 1940.