"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher
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quinta-feira, 19 de abril de 2012

19 de Abril - Dia do Índio: mais motivos para lamentar do que comemorar

O 19 de abril, Dia do Índio, deveria ser de comemoração, no entanto, a população indígena brasileira não tem muito que celebrar. Passaram-se 20 anos e as terras tradicionais ainda não foram demarcadas, falta assistência nas áreas de saúde e educação, falta respeito à cultura e à tradição indígena, as taxas de assassinatos e suicídios não são baixas. Além disso, persiste a criminalização das lideranças.
Em meio a este conjunto de problemas, Edina Pitarelli, conselheira do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Regional Norte I, aponta um motivo para celebrar. "Precisamos comemorar a relação carinhosa que os povos indígenas têm com a natureza, a Mãe Terra. Precisamos parabenizá-los por isso, pois sem eles a situação ambiental estaria mais grave”, lembra. Fora isso, Edina afirma que encontra mais motivos para lamentar, já que a situação indígena se deteriora cada dia mais e piorou bastante nos últimos anos.
"Hoje, temos que lamentar o fato de que 50% das terras indígenas ainda não foram demarcadas, o que deveria ter acontecido com todas até o ano de 1992. Temos que lamentar e repudiar a PEC 215, que quer passar do Executivo para o Congresso Nacional a responsabilidade sobre a demarcação de Terras Indígenas e que fere os direitos dos indígenas. Temos que lamentar ainda o modelo de educação que não respeita a forma própria de se organizar dos povos indígenas”, critica.
Segundo Edina, outro problema grave está na área da saúde. A Conselheira revela que nos dois últimos anos a situação piorou consideravelmente. No Vale do Javari, em Atalaia do Norte, município do Amazonas, por exemplo, a população indígena está morrendo por falta de atenção médica. Uma epidemia de hepatite tomou a região e infectou 87,5% da população indígena local.
A assistência à saúde deveria ser dada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), mas isto não acontece. O Governo Federal está em dívida com os povos indígenas e não vem prestando a atenção devida. A falta de prevenção e controle de algumas doenças permitiu que a malária, a tuberculose e até as verminoses - doença de fácil tratamento - se espalhassem entre adultos e crianças.
A situação ambiental e o investimento em grandes obras, temas discutidos no mundo todo, também afetam diretamente os povos indígenas, que estão vendo suas terras serem ocupadas por empreendimentos como hidrelétricas e minas. Ao reivindicar seus direitos territoriais, líderes indígenas são atacados, criminalizados e até mesmo assassinados, como ocorreu no Mato Grosso do Sul, com o cacique Nísio Gomes, atacado a tiros por pistoleiros em novembro de 2011.
Neste contexto de grandes obras, Edina afirma que uma das grandes demandas dos povos indígenas é a consulta quando houver obras que afetem suas terras.
"Os povos indígenas querem respeito aos seus direitos. Querem que a Convenção 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho] seja cumprida, mas hoje o que se vê é que o Governo ignora totalmente e não leva os direitos em consideração. O Governo Federal, nos dois últimos anos, nem sequer colocou em pauta as questões indígenas, o mesmo acontece no Judiciário. Junto a isso, a força articulada do Legislativo representa uma violência contra os povos indígenas”, critica.
Sobre a data
O Dia do Índio foi instituído por meio do Decreto-Lei nº 5540, em dois de junho de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas. A data 19 de abril foi escolhida para relembrar o primeiro Congresso Indigenista Interamericano, em 1940.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Movimentos realizam ato contra repressão praticada durante bloqueio a caminhões de mineradoras

A União de Assembleias Cidadãs (UAC) junto a organizações sociais e políticas da Argentina estão convocando a uma manifestação em repúdio à repressão sofrida hoje pelas populações de Tinogasta, em Catamarca e Amaicha Del Valle, em Tucumán, durante atividades contrárias à mineração. O ato acontece às 18h desta sexta-feira, na casa de Catamarca (Avenida Córdoba, 2080, Buenos Aires).
A repressão policial considerada brutal aconteceu na manhã desta sexta-feira, quando a população de Tinogasta mantinha fechada a rota 60, impedindo que caminhões das empresas mineiras La Alumbrera e Agua Rica, carregados com explosivos, químicos e vários insumos para a atividade mineradora, trafegassem.
Ao chegar ao local, a Guarda de Infantaria avançou sobre os manifestantes com escudos, bastões e cachorros e dissipou a manifestação à força, com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, após serem recebidos com pedradas. A repressão deixou vários feridos, entre eles mulheres e crianças, e alguns detidos.
Sem qualquer tipo de ordem judicial, a polícia também desalojou, na madrugada de ontem para hoje, os manifestantes que se encontravam bloqueando a rota entre Amaicha del Valle e Santa María (Catamarca), permitindo assim a passagem de 20 caminhões carregados com insumos para levar às mineradoras. A polícia montou um destacamento no local para impedir um novo bloqueio na estrada.
Em comunicado, a UAC esclareceu os motivos da manifestação contra mineração a céu aberto. "Estas empresas já se encontram funcionando, deteriorando diferentes ecossistemas e destruindo a saúde dos solos, a água, o ar. Enfim, saqueando e destruindo nossos bens naturais comuns e colocando em perigo as economias regionais e a saúde das populações”.
A União de Assembleias Cidadãs assegurou que este foi apenas o começo da luta contra a consolidação de um modelo que prioriza a exportação de matérias-primas para beneficiar poucas empresas e esquece as necessidades da população. Também criticaram a resposta dos governos, acusando-os de cúmplices das transnacionais.
O Greenpeace saiu em apoio aos manifestantes. A organização, além de deixar clara sua reprovação à atitude repressiva, pediu à presidenta argentina Cristina Kirchner que dialogue com a população e escute suas sugestões a respeito dos empreendimentos mineiros.
"Estamos de acordo com a presidenta sobre a necessidade de iniciar um debate sério sobre o tema e sobre o caminho de desenvolvimento escolhido para o país e queremos participar dele”, afirmou Martín Prieto, diretor executivo do Greenpeace, organização que, desde 2003, apoia a luta da população de Esquel e reclama um debate sobre a megamineração e o uso de substâncias contaminantes no processo de exploração mineral.
A população argentina contrária à mineração afirma que sai desta mobilização certa de que só se vence com a unidade. "Por isso, longe de dissolver nossa luta, estamos mais organizados que nunca para repudiar os atos de violência e exigir que os que saiam sejam as empresas que contaminam nossos ecossistemas, nos deixam doentes e roubam nossos bens naturais”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Estudantes latino-americanos saem às ruas para defender educação pública, gratuita e de qualidade

Nesta quinta-feira (24), estudantes latino-americanos estarão reunidos em marchas, mobilizações, plantões e acampamentos para dar um só grito pela educação. Direito à educação pública e gratuita, eleições diretas para reitor e 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação são algumas das reivindicações.
O ato, que está sendo denominado de 24N, em consonância com as manifestações de 15 de maio (15M) e 15 de outubro (15O), já tem a adesão de organizações estudantis e movimentos do Chile, Colômbia, Peru, Argentina, Brasil, México, Equador, Venezuela, Costa Rica, Paraguai, El Salvador, Bolívia, Uruguai, Espanha, França e Alemanha. As manifestações também acontecerão nas redes sociais.
Em São Paulo, maior cidade brasileira, as mobilizações estão relacionadas às reivindicações dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP). No contexto das reivindicações pela saída da Polícia Militar do campus da universidade, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, sugeriu "uma aula de democracia” aos alunos que ocupavam a reitoria da USP. Os estudantes convidaram Alckmin para dar esta aula e estão aguardando sua presença para debater temas como as eleições diretas para reitor nas universidades do Estado.
O movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT), assim como o Ocupa Sampa – movimento por uma democracia real e participativa – também se uniram aos estudantes e à Marcha Continental pela Educação. A atividade começou nesta terça com concentração no Vale do Anhangabaú e caminhada até a Praça do Ciclista. Os manifestantes acamparão na praça para mostrar que estão aguardando posicionamento do Governador. Amanhã (24), a concentração acontecerá a partir das 14h na Praça Oswaldo Cruz e seguirá até o Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Ainda no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, os estudantes vão se reunir amanhã, às 17 horas, na Praça da Cinelândia para gritar: Educação não é mercadoria!
No Chile, onde a mobilização estudantil por educação pública e gratuita começou há mais de seis meses e desencadeou mobilizações em diversos países da América Latina, a marcha começa às 18h30 na Praça Itália e termina na Praça Los Héroes. Em convocatória, o porta-voz da Confederação de Estudantes do Chile (Confech), uma das organizadoras da manifestação latino-americana, afirmou que a marcha será para fortalecer o movimento universitário nos distintos países convocados.
Na Colômbia, país que vive intensas manifestações estudantis desde o dia 12 de outubro contra a lei de reforma da educação, a marcha será realizada na cidade de Meddellín. A concentração sairá às 10h no Instituto Tecnológico Metropolitano - ITM Sede Robledo e terminará na Praça Botero. Os estudantes colombianos, que junto com os chilenos organizaram o 24N, querem deixar claro que o objetivo da marcha vai além da queda da reforma da educação. "O objetivo é alcançar uma educação gratuita, de excelência, e a serviço da sociedade a que se deve a universidade”.