"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No Brasil também as massas devem se levantar!


Após a queda de Palocci do Ministério da Casa Civil e de Alfredo Nascimento da pasta dos transportes, além do rebaixamento (foi este o propósito) de Luiz Sérgio das Relações Institucionais para o Ministério da Pesca e Aquicultura, a crise política, longe de esfriar, estendeu-se a outros departamentos, indicando não ter data para findar.
No início de agosto, o boquirroto Nelson Jobim, investido por Luiz Inácio no Ministério da Defesa e lá permanecendo por sua imposição, foi devidamente defenestrado após declarações "deselegantes" sobre as ministras Gleisi Hoffman e Ideli Salvatti. Ou melhor, teria sido esta a causa mais aparente...
Em seguida foi revelado um fragoroso esquema de corrupção no Ministério da Agricultura, notadamente na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Wagner Rossi (do PMDB) cambaleou no cargo por vários dias, até que entregou a carta de demissão, sendo "velado com honras de Estado" pelos "bons serviços prestados" e blá, blá, blá.
De quebra, uma operação da Polícia Federal prendeu, entre outras 36 pessoas, o secretário executivo (2º na hierarquia) do Ministério do Turismo, e destampou outro esquema que envolvia liberação de milhões de reais em recursos para ONGs, principalmente em Roraima. A mamata envolvia também uma deputada federal, responsável pelas emendas ao orçamento que liberavam as verbas e que mesmo com evidências de que embolsava boa parte dela, não foi presa.
No congresso, a baixa para a "base aliada" foi o PR, que declarou independência por não conseguir a mesma atenção de Dilma que obtém os caciques peemedebistas. A tais ameaças ela respondeu com muito prazenteio e blandícia às hostes peessedebistas paulistas, numa rasgação de seda só.
Entretanto, Dilma administrava intensa dança das cadeiras para acomodar interesses de grupos de poder não apenas dos partidos "aliados", mas também, e talvez principalmente, do próprio PT. A revista Veja, por exemplo, montou uma trampa cinematográfica para pilhar José Dirceu e seus visitadores, praticando tráfico de influências, arranjos financeiros, articulações, composições, etc. e segundo a revista, intrigas contra o governo. São horas de reuniões em um hotel de Brasília com figurões de nossa república de fancaria.
Para muitos, principalmente os analistas políticos assalariados do monopólio dos meios de comunicação e inclusive alguns editorialistas, Dilma promove uma faxina na "herança maldita" deixada por Luiz Inácio, caracterizada pela corrupção transbordante e na ineficiência desta ou daquela repartição pública. Alardeiam sua preferência por "perfis técnicos" para recompor os cargos, mas não ignoram que essa é apenas a desculpa utilizada por Dilma para manejar sua "governabilidade".
Tal como Veja, outros veículos do monopólio exaltam que "Dilma está no caminho certo", aplausos que mais soam dar balizamento e linha à gerência do velho Estado. Afinal, pelas páginas e transmissões de quem ficamos sabendo dos sucessivos e cada vez mais milionários escândalos?
Ainda que seja realista reconhecer que o gerenciamento petista e seus sequazes têm batido recordes em bandalheiras e corrupção de todo tipo, os estrondos midiáticos querem fazer crer que foi este quem inaugurou essa prática. Nem foi o PT o pioneiro, nem são estes seus mais graves crimes e de sua corte de safados e oportunistas de toda laia. Tais crimes vão muito além da indecente locupletação às expensas do erário nacional, pois que mais medonha e desalmada. É a continuação cínica e medíocre da, de sempre, espoliação e saqueio malditos da Nação, do suor e esperança de nosso laborioso povo. Cínica, porque encoberta pelo véu oprobrioso do esmolamento dos despossuídos, a que douram como distribuição de renda e ascensão social. Medíocre, porque, como pretensos inovadores, não passam de epígonos do populismo fascistóide de antanho. Pior que isto, como se já não fosse demais, são arquitetos e êmulos do seu agravamento.
Mas é, precisamente, a subserviência e o entreguismo o denominador comum, a base sobre a qual descansa o "de acordo" entre nossos corruptos de plantão e seus acusadores vestais da ética e "heróis da liberdade de imprensa".
No país da imundície descaradamente assumida, escândalos de corrupção não chegam mais a parecer novidade, apesar de render muito alvoroço. Contudo, o lodaçal a que se referem esses meios não é monopólio dos hospedeiros de turno das arcas do Estado. É, sim, de todas as instituições dos chamados três poderes sem exceção alguma. É de toda política oficial no seu sentido lato, é de todo o Sistema de Governo, é doença endêmica do Sistema de Poder, enfim.
Porém que, sob o monturo da política oficial, algo mais agudo se agita. E o que tem vindo à superfície é somente supuração. Corre luta surda e feroz entre os grupos de poder do próprio PT.
Desde que se alçou ao topo do aparato estatal, o PT aninhou a principal representação das classes dominantes domésticas serviçais do imperialismo e assim as contradições e pugnas de suas frações. Seja por conservar o controle do aparelho do Estado ou por desalojar aquele que o detenha, são inevitáveis e sistemáticas as pugnas dos grupos de poder, transitando de momentos de calmaria a tempos de tormentas. Nas vésperas dos pleitos eleitorais ocorre de se agudizar. Mais ainda quando uma crise mundial incomum como a atual, cujo custo se descarrega sobre as massas e países dominados, a rinha das frações pelo botim se agrava e pode vir a ser questão de vida e morte. E o entrevero, as estocadas e golpes letais se dão entre seus correspondentes grupos de poder.
Claro sintoma de um cenário desses, para citar dos mais inofensivos, foi a rejeição por Dilma de todos os nove nomes indicados pelo diretório do PT do Rio de Janeiro para cargos federais, inclusive diretorias de empresas estatais quase desconhecidas, mas que contam com grande orçamento. À limpa feita por Dilma dos, sabidos por todos, prepostos de José Dirceu no setor dos bancos públicos, ele respondeu entregando na bandeja a cabeça do velho rival Palocci. Não diferente disso foi a sorte de outros ministros. No caso particular dos Transportes, resultou num torpedeamento de, talvez, um dos mais importantes esquemas de propinas que, montados desde 2003, denota formar respeitável caixa-forte. Aí, tudo indica que o dito jogou para golpear peixe muito maior.
Esse é o terreno pantanoso por onde Dilma circula, aquinhoando uns, desprestigiando outros, cercada de grandes abutres, urubus e quem-quéns*, e não conseguindo unidade nem mesmo no PT por conta do voraz apetite dos seus grupos de poder. Mas isso não significa que ela seja inocente ou coisa semelhante, ao contrário, ela é peça mestra de um desses grupos. Dilma sabe muito mais que muita gente onde está metida e a quem serve.
Em meio de um seríssimo agravamento da crise mundial, que não tem permitido percepção razoável de seus limites e que impactará sobremaneira o país, a contenda pelo controle do aparelho de Estado já está se agudizando. A luta entre os grupos de poder, tanto por definir que política seguirá se aplicando de modo a beneficiar-se ao máximo em tempo de apertos, quanto sobre seus destinos no vindouro pleito eleitoral municipal, já passou dos primeiros rounds. A queda de tantos ministros em seis meses de gerência não é reforma de ministério ou coisa que o valha, é crise política mesmo.
E será bruta! Para Luiz Inácio, apesar da fama, muita água já se vai por baixo da ponte. Dilma será cada vez menos o mero mandato tampão de seus planos. E José Dirceu, com o controle que detém da máquina do PT e caixa reforçado, está jogando grandes cartadas para limpar o caminho de seu retorno e a posto alto.
No agravamento da crise, a democracia revolucionária deve empenhar todos os esforços para revelar toda essa podridão às massas indo além do alarido da corrupção, mobilizá-las e educá-las no repúdio a toda essa velha politicalha e a se levantar em rebelião. Em todo mundo está soando a hora de grandes batalhas!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Algumas greves do momento: a luta de classes continua!


PERNAMBUCO — PROFESSORES

Os professores da rede estadual de Pernambuco estão em greve desde o dia 11 de junho. A adesão foi de 29 mil profissionais, de 1.105 escolas. A categoria reivindica o reajuste de 16% para todos os servidores e a equiparação do salário-base ao mínimo de R$ 380 (isso mesmo, há quem receba menos que isso). As manifestações são constantes. Após 35 dias de greve, na tentativa de acabar com o movimento, o governo de Pernambuco anunciou o corte de salário dos primeiros 14 dias de greve.
Para o governador Eduardo Campos (PSB) os professores banalizaram a greve. Os mestres, por sua vez, argumentam que a greve é o mais legítimo e eficaz instrumento de luta dos trabalhadores. Foram 20 paralisações nos últimos oito anos. Segundo o sindicato, a maioria dos professores da rede estadual de Pernambuco só consegue atingir o salário mínimo mediante gratificação.
A greve foi encerrada no dia 6 de agosto, após 54 dias de paralisação. O sindicato fez um acordo com o governo do estado, que cedeu em alguns pontos da pauta, mas não atendeu ao principal, que era a equiparação do salário-base ao salário mínimo.

RIO GRANDE DO NORTE — PROFESSORES

A greve dos professores estaduais do Rio Grande do Norte, iniciada no dia oito de julho, segundo o sindicato da categoria, recebeu adesão de 85%. A greve foi iniciada após inúmeras tentativas de negociação com o governo estadual. Os professores querem resolver o problema de dois mil profissionais que têm perdido 16,87% de seus salários desde janeiro de 2006. Outra reivindicação é a correção da distorção salarial causada pela ausência de promoções, da ordem de 10 a 30%, englobando 12 mil professores. Para substituir os grevistas, o governo estadual colocou estagiários nas salas de aula, como professores.

RIBEIRÃO PRETO

Os 3,5 mil funcionários do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP, paralisaram as atividades no dia 22 de junho, como parte da greve estadual dos trabalhadores da saúde. Apesar de o sindicato ter encerrado a paralisação no dia 29 de junho e ter aprovado o estado de greve, os funcionários do HC de Ribeirão Preto continuaram parados até o dia 18 de julho. Eles protestavam contra a proposta de transformar o tíquete alimentação com valor uniforme de R$ 350 em um plano de incentivo com benefícios em dinheiro definidos em quatro categorias, que variam de R$ R$ 450 (nível básico) a R$ 1.065 (médicos).

ALAGOAS — MÉDICOS

Os médicos alagoanos estão em greve desde o dia 28 de junho. Eles reivindicam aumento salarial de 50%, o que elevaria o menor salário da categoria para R$ 1.5 mil. Vale lembrar que o piso salarial dos médicos é de R$ 3,8 mil. O governo diz que só pode oferecer 5% de aumento, sob pena de desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (!?), mas os médicos afirmam que a secretaria de saúde possui recursos para o reajuste.
No dia 20 de julho, 19 médicos — dez neurocirurgiões e nove hematologistas — entregaram suas cartas de demissão. O presidente do sindicato da categoria afirma que as demissões continuarão, em protesto contra a intransigência do governo estadual.

GOIÁS — MÉDICOS

Estão em greve, desde o dia 14 de julho, os médicos ortopedistas do Hospital de Urgências de Goiânia. Os médicos exigem aumento salarial e melhores condições de trabalho. Muitas vezes falta gesso no hospital. Os médicos têm protestado constantemente no último ano. Cansados da farsa do governo estadual, e devido a declarações de que os ortopedistas não fariam falta ao hospital, 45 ortopedistas apresentaram carta de demissão coletiva, que foi aceita pela secretaria estadual de saúde. Em face disso, outros 28 ortopedistas que não assinaram a carta, aderiram ao movimento e paralisaram suas atividades.

INCRA: TRÊS MESES

Os servidores do Incra iniciaram uma greve no dia 21 de maio. Suas reivindicações são que o governo federal tenha uma política concreta de Reforma Agrária e que retire o projeto de lei que limita por dez anos os reajustes salariais dos funcionários públicos. Além de contratação de funcionários, exigem aumento do salário-base e incorporação das gratificações. O governo propôs o fim imediato da greve em troca de uma reestruturação remuneratória dos servidores, em 30 dias.
A paralisação atingiu 30 unidades regionais e 45 unidades avançadas do Incra. Os servidores argumentam que não aceitarão mais a farsa do governo. Esta é a terceira greve da categoria na gerência FMI-PT. Segundo eles, nas outras paralisações, em 2003, 2004 e 2006, o governo assinou termos de compromisso, mas não cumpriu nenhum deles. O diretor da Confederação Nacional das Associações de Servidores do Incra, José Vaz Parente, argumenta que mais do que reposição salarial, os servidores do instituto querem ter condições para executar sua função.
Em assembléia realizada em 3 de agosto, os servidores encerraram a greve, após 73 dias de paralisação. O governo federal aceitou algumas das exigências e se comprometeu a negociar as demais com os servidores trabalhando.

IBAMA: AGOSTO

A greve de mais de dois meses dos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Ibama, foi suspensa de 18 de julho a 1º de agosto, período de recesso parlamentar. A intenção do movimento é derrubar no Legislativo a Medida Provisória 366, que divide o órgão e cria o Instituto Chico Mendes. A MP já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas ainda precisa ser votada pelo Senado. Os servidores afirmam que a greve, iniciada em 14 de maio, continuará até que o governo desista da medida.

UNIVERSIDADES FEDERAIS — SERVIDORES

Há mais de dois meses em greve, os funcionários técnico-administrativos das universidades e faculdades federais do país, decidiram, nas 46 universidades cujos servidores aderiram ao movimento, continuar paralisados por tempo indeterminado.
Em todo o Brasil, os trabalhadores afirmam que não querem prejudicar a comunidade universitária, mas que precisam lutar por seus direitos. Eles reivindicam aumento salarial e retirada dos projetos de lei que limitam o reajuste salarial dos servidores públicos nos próximos dez anos e o direito de greve. Os funcionários dos Hospitais Universitários também protestam contra a transformação dos hospitais em fundações de direito privado, o que fará com que os serviços dessas unidades não sejam 100% gratuitos à população. O governo federal ainda não apresentou nenhuma proposta ao sindicato nacional da categoria.