"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

domingo, 8 de maio de 2011

Milhares de manifestações em todo o mundo


Milhares de pessoas saíram às ruas em vários países de todo o mundo para protestar contra suas condições precárias de vida, baixos salários, desemprego e o aumento de impostos e alimentos.

Mesmo a imprensa burguesa teve que reconhecer ao aumento das manifestações do dia dos trabalhadores nas diversas partes do globo. Em alguns países, onde o imperialismo atua com mais força, os protestos foram mais violentos, como no caso da Colômbia.

Comemorações do 1° de maio

Em Jacarta, Indonésia, cerca de 25 mil trabalhadores saíram às ruas para protestar contra a falta de empregos e baixos salários. Muitos deles eram jovens, os que mais sofrem com o desemprego no país. A marcha se dirigiu ao o palácio presidencial e houve alguns tumultos com a polícia.

Em Bogotá, Colômbia, o primeiro de maio foi chamado por diversas centrais sindicais e uniu milhares de pessoas descontentes com o regime. Com condições cada vez piores, o país é governado pelo direitista Juan Manuel Santos, um capacho do governo norte-americano na América Latina.

Os manifestantes pediram aumentos de salários e decidiram marchar até a praça Bolívar. Tentando impedir a marcha de forma truculenta, a polícia entrou em confronto com manifestantes. Jovens, revidando, começaram a atirar pedra na polícia. Canhões de água e gás lacrimogêneo foram usados para dispersar a marcha, que mesmo assim acabou acontecendo e chegou a seu ponto final.

Em Los Angeles, EUA, os imigrantes formavam a maioria e protestavam contra as leis de imigração do estado. Eles exigiam o fim das deportações e a volta dos benefícios dados aos imigrantes. A manifestação juntou também milhares de norte-americanos que pediam o fim das guerras do Afeganistão, Iraque e Líbia.

Ainda nos EUA, houve protestos em Nova York, onde o destaque foram os trabalhadores de Wisconsin, que se juntaram contra as medidas do governo republicano de proibir os sindicatos de negociar os salários dos trabalhadores.

Em Seul, Coreia do Sul, o 1° de maio arrastou uma multidão, cerca de 50 mil pessoas foram às ruas exigir aumento de salários e mais empregos. Eles marcharam até o parlamento, mas não ouve conflito com a polícia.

Na Rússia, as manifestações foram bastante numerosas e vários confrontos foram registrados contra a polícia. Diversos trabalhadores exibiam bandeiras comunistas e gritavam palavras de ordem contra o governo, os confrontos com as tropas do governo foram violentas. Em contrapartida o governo também organizou uma manifestação, ao seu favor, com manifestantes gritando palavras de ordem como "Medvedev! Putin! Vamos, Rússia!".

Na Turquia cerca de 200 mil trabalhadores participaram da marcha do 1° de maio e lotaram a praça central de Istambul. Foi o maior primeiro de maio no país desde 1977. Depois das diversas revoltas nos países árabes, que acabaram pressionando muitos governantes, os sindicatos esse ano foram liberados para participar do 1° de maio.

Na Alemanha, 420 mil saíram às ruas para protestar contra o governo. Na capital, Berlim, seis mil soldados foram colocados nas ruas para intimidar os trabalhadores. Em Hamburgo houve confronto entre policiais e estudantes e trabalhadores.

No Japão, milhares foram às ruas protestar contra o governo e a situação precária que estão vivendo em razão do vazamento radioativo da usina de Fucuxima. A falta de energia e assistência do governo aos desabrigados do maremoto também foi cobrada pelos trabalhadores.

Em Portugal os protestos se dirigiram contra os novos acordos que governo do país pretende fazer com o FMI e com a União Européia. Milhares de trabalhadores e jovens temem o que pode estar por vir caso um acordo seja fechado com a organização.

Esse ano, em particular, para muitos analistas é o marco da retomada do 1° de maio, e para os próximos anos, devido à crise, ele devem ser ainda maiores.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Solidaridad de la FSM con mineros en San Juan Sabinas, Coahuila

La Federación Sindical Mundial –FSM- en representación de más de 82 millones de trabajadores afiliados de los 5 continentes expresa su tristeza por la trájica pérdida de las vidas de los compañeros mineros atrapados la mina de San Juan de Sabinas en el norte de México tras unaexplosión de gas. Este accidente se suma a la larga lista a accidentes ocurridos en la minería, consecuencia de la falta de medidas de seguridad proporcionadas por las empresas del sector y representa una ejemplo de las funestas consecuencias de la explotación capitalista y las políticas antilaborales. La salud y seguridad en el trabajo es un deber fundamental por el que lucha el movimiento sindical clasista.

Exigimos que se haga todo lo posible para rescatar los trabajadores mineros que continúan atrapados y que se tomen las medidas necesarias para que no vuelva a ocurrir un accidente de estas características.

Desde la FSM expresamos nuestra solidaridad internacionalista y pleno apoyo a los mineros atrapados, a sus familias, amigos y compañeros así como nuestras condolencias a las familias y compañeros de los mineros fallecidos.

Con motivo de este trágico incidente hacemos un llamado a todos los sindicatos a que refuercen la lucha por la toma de MEDIDAS DE SEGURIDAD. La vida de los trabajadores es el bien más preciado del mundo. Llamamos a la lucha continua por las medidas de seguridad en los centros de trabajo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um trilhão de dólares com guerras, torturas e assassinatos: o verdadeiro terrorismo


O assassinato de Osama bin Laden pelo governo dos Estados Unidos foi a conclusão de uma série de medidas do imperialismo após o ataque de 11 de setembro de 2001.

Mesmo sem nenhuma prova concreta, Bush que era o presidente dos EUA na época, escolheu o Afeganistão como alvo para supostamente desmantelar a Al Quaeda, na chamada “guerra ao terror”. Menos de um mês depois do atentado, no dia 7 de outubro, tropas norte-americanas, apoiadas pela Aliança do Norte do Afeganistão e com as forças internacionais do Reino Unido, do Canadá e da Austrália invadiram o Afeganistão.

Os norte-americanos prenderam supostos terroristas no Afeganistão que foram levados para a base militar de Guantánamo, em Cuba. Bush retirou destes homens o direito de prisioneiros de guerra, acusando-os de “soldados ilegítimos”. Sem direitos básicos com a confirmação de Bush em seu livro biográfico afirma utilizar “técnicas duras de interrogatório”, em um homem suspeito de ter idealizado o plano dos atentados de 11 de setembro de 2001. O ex-presidente relata em detalhes o ocorrido, reconhecendo que recebera uma ligação da CIA pedindo autorização para realizar um "afogamento simulado" no suspeito, ao que Bush teria respondido: "com certeza".

No dia 20 de março de 2003, através de uma aliança entre os Estados Unidos, Reino Unido e outras nações, numa aliança conhecida como a Coalizão, o Iraque foi invadido. Os ataques foram iniciados a partir do Kuwait, logo após uma série de ataques aéreos com mísseis e bombas a Bagdá foram feitos e a entrada das tropas no país.

A invasão massacrou mais de um milhão e quinhentos mil e fez cerca de quatro milhões de refugiados iraquianos, isso é, quase 16% da população.

O pretexto de “guerra ao terror” e de acabar com as “armas de destruição em massa” se tornou completamente desmoralizado aos olhos da população mundial.

Até mesmo o cinema norte-americano retratou em ficções e documentários os motivos por trás das invasões que era uma operação puramente comercial. A tentativa fracassada era controlar o chamado ouro negro, o petróleo da região.

Gasto quase igual ao da Segunda Guerra Mundial

De 2001 até este mês os Estados Unidos gastaram quase US$ 1,3 trilhão, cerca de R$ 2 trilhões, com as invasões do Iraque e do Afeganistão e em outras operações em todo o mundo.

Estes dados foram divulgados em pesquisa feita sob encomenda do Congresso. A pesquisa indica que os parlamentares aprovaram a utilização de US$1,283 trilhão em operações militares, segurança de bases, reconstrução, ajuda estrangeira, custos de embaixada e assistência médica para veteranos de guerra. O valor só é menor do que os US$ 4 trilhões gastos na Segunda Guerra Mundial.

Este é um dos pontos de grande crise do imperialismo aprofundando a crise política interna e o crescente descontentamento e revolta da população norte-americana.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os trabalhadores rurais precisam da PEC do trabalho escravo


Memorar a luta dos trabalhadores neste primeiro de maio é também se lembrar de uma triste realidade ainda muito presente no cotidiano do meio rural: o trabalho escravo

Memorar a luta dos trabalhadores neste primeiro de maio é também se lembrar de uma triste realidade ainda muito presente no cotidiano do meio rural: o trabalho escravo. São trabalhadores e trabalhadoras que são privados de sua liberdade, distantes de suas casas e famílias, além de serem submetidos a situações degradantes de trabalho, muitos presos a uma dívida que nunca finda, com seus documentos retidos ou até mesmo coação física e psicológica.

Segundo dados mais recentes da CPT, o Pará é o Estado campeão de denúncias de escravização de trabalhadores, com 72 registros. Ainda neste estado, foram resgatadas 562 pessoas que estavam em uma situação degradante de trabalho. Segue no ranking o Mato Grosso, o Maranhão, Goiás, Tocantins. No total, foram 3.054 pessoas resgatadas ano passado, sendo que destas, 101 pessoas estavam no meu estado, a Bahia.

Em nosso País, a concentrada estrutura fundiária é uma das principais causas deste problema. Vejam que os estados campeões de denúncias de trabalho escravo são justamente àqueles cuja ação do latifúndio é mais forte. A busca do lucro sem limites faz com que os latifundiários “economizem” os gastos com os direitos trabalhistas, submetendo trabalhadores e trabalhadoras a condições subumanas. Um crime, de acordo com o artigo 149 do Código Penal.

A PEC 438, mais conhecida como PEC do Trabalho Escravo já tramita no Congresso Nacional há sete anos. Esta proposta foi originalmente feita pelo então senador Ademir Andrade (PSB-PA). Na Câmara dos Deputados foi votada em primeiro turno em agosto de 2004 e, depois, mais nada aconteceu.

A aprovação da PEC 438 é emperrada, por que ela atinge o coração do latifúndio brasileiro ao propor a expropriação de terras onde há trabalho escravo para fins de Reforma Agrária. Por isso, os representantes do latifúndio embarreiram a aprovação da matéria, mesmo que ela seja um importante instrumento para a dignificação do trabalho no campo. O latifúndio não aceita a democratização da terra, o que resultaria na construção de cidadania para os trabalhadores do campo brasileiro.

Ora, a propriedade de uma área rural está condicionada a sua função social e quero lembrar que, desde 2004, o cumprimento da legislação trabalhista e a preservação ambiental também é fator que determina a função social da terra. A inclusão da PEC do trabalho escravo na lista das votações mais urgentes, além da sua aprovação, seria uma importante homenagem que a Câmara e o Senado Federal dariam aos trabalhadores do campo. Não podemos mais permitir que o nosso País seja manchado com esta triste realidade que vai de encontro a qualquer tipo de direito conquistado pela classe trabalhadora.

Brasil tem 16,2 milhões de pessoas em extrema pobreza


Os dados do Censo 2010 revelam o lado obscuro da situação da população pobre no país. Segundo os dados cerca de 16,2 milhões de pessoas vivem na chamada “extrema pobreza”, ou seja, que vivem com valor de até R$ 70,00 per capita ao mês, cerca de 8,5% da população brasileira.
A região Nordeste é a que conta com mais pessoas em extrema pobreza. São 18,1% da população, em comparação com os 8,5% nacionais. Em seguida aparecem o Norte (16,8), Centro-Oeste (4), Sudeste (3,4) e Sul (2,6).
Esse é o setor mais miserável da população, sendo que se adicionarmos uma renda uma pouco superior esse número tende a ser muito maior, como já foi apresentado que 35% da população brasileira vivem em condições de miseráveis.
É a situação do sistema capitalista que concentra riqueza nas mãos da burguesia em detrimento de toda uma população trabalhadora.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Exatamente o que o imperialismo precisava...


A “conveniente” campanha militar que levou ao assassinato de Osama Bin Laden será utilizada pelo governo norte-americano para tentar reverter a profunda crise aberta com sua intervenção na Revolução Árabe


A missão clandestina conduzida por forças de elite do Exército norte-americano atraiu a simpatia da oposição do Partido Republicano para Obama.

O ex-presidente Dick Cheney, arquiteto das guerras no Afeganistão e no Iraque, declarou: “o governo mercer claramente o crédito pelo sucesso da operação”. Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova Iorque na época do 11 de setembro, afirmou admirar “a coragem do presidente”. Donald Trump, por sua vez, dirigiu seus comprimentos pessoalmente a Obama.

Com suas Forças Armadas metidas na linha de frente de três guerras ao mesmo tempo, no Afeganistão, no Iraque e na Líbia e, ainda por cima, levando a pior, o governo norte-americano precisava de um impulso para continuar a sustentar a política lançada por Bush na última década sob uma fachada “democrática”. O assassinato de Osama Bin Laden nesta segunda-feira pode ter dado ao governo Democrata - e aos Republicanos escondidos detrás dele - exatamente o que precisavam para manter a ofensiva militar sobre o mundo árabe: um fôlego a mais.

Internamente, o goveno Obama precisava também conquistar parte da oposição Republicana ao seu governo. Os elogios vindos da oposição colocam de lado, pelo menos temporariamente, as rotineiras acusações vindas da direita imperialista de que Obama era “fraco” e “vacilante”, incapaz de lidar com a rápida evolução dos acontecimentos mundiais etc.

Obama, por sua vez, confirmou aquilo que os Democratas já haviam mostrado em governos anteriores, isto é, que são tão capazes quanto os Republicanos de conduzir os planos sangrentos do imperialismo, seja para esfolar a população trabalhadora norte-americana, seja para oprimir os povos de todo o mundo.

Os festejos oficiais em torno da morte de Osama Bin Laden não terão o efeito duradouro sobre as massas que o imperialismo espera.

A tentativa grotesca de erguer o imperialismo de sua crise sobre o cadáver de Bin Laden não passará em branco. A responsabilidade pelo assassinato de Bin Laden já está sendo cobrada pelas camadas mais esclarecidas da própria população norte-americana, como o demonstraram diversas declarações de pessoas públicas nos EUA que mostraram seu repúdio ao assassinato covarde.

Os próprios povos árabes, oprimidos neste momento pela máquina de guerra imperialista, dão neste mesmo momento outra demonstração do quão longe a crise do imperialismo ainda pode ir sustentando uma revolução contra os capachos do imperialismo que se impõem sobre as massas em todo o Norte da África e no Oriente Médio.

As massas oprimidas nos EUA, nos países árabes, na América Latina e em todo o mundo se dirigem no sentido oposto da carnificina imperialista e, enquanto os falcões do imperialismo tentam impor a “paz” e a “democracia” pela força das armas, cabe aos trabalhadores lutar contra a monstruosa máquina de guerra imperialista para libertar o mundo da opressão e tirania deste regime decadente.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PRIMEIRO DE MAIO NA GRÉCIA: Uma experiência extradordinária!

Vivi, no dia de ontem, momentos que reforçaram minhas convicções ideológicas e minhas esperanças na luta dos povos contra a opressão do capital e na construção do socialismo. Estive em dois atos de grande emoção. De manhã bem cedo, estive num bairro perto de Atenas (Kesarianí), onde, em nome do Partido Comunista Brasileiro, depositei flores no local em que, não por acaso no dia 1 de Maio de 1944, soldados do exército alemão que ocupavam a Grécia fuzilaram exatamente 200 militantes do Partido Comunista Grego, retirados da prisão e entregues aos nazistas pelo governo burguês de turno, para serem mortos como exemplo para a resistência, que os comunistas lideravam.

No local do extermínio, há hoje um memorial com os nomes dos duzentos militantes. No dia do massacre, eles foram colocados de pé, um ao lado do outro, em dez grupos de vinte, à disposição do pelotão de fuzilamento nazista. Ao evento, compareceram vários comunistas que participaram da resistência armada contra a invasão alemã, militantes e membros do Comitê Regional e Central do KKE (Partido Comunista Grego).

Durante a ocupação nazista, o KKE tornou-se esteio, organizador e líder principal da resistência nacional. Tomou a iniciativa de construir a Frente de Libertação Nacional e o Exército Nacional Popular Libertador, os quais abarcaram a grande maioria do povo grego.

O Primeiro de Maio promovido pela PAME, uma central sindical classista chamada FRENTE MILITANTE DE TODOS OS TRABALHADORES, a segunda força no ambiente sindical, que reúne centenas de entidades de trabalhadores formais e autônomos, foi muito maior em quantidade de presenças e muito mais combativo que aquele promovido pela Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos, de orientação oficial e social-democrata, que reúne mais Federações. Foi grande também a presença de associações de agricultores, da intelectualidade, de artistas e do movimento estudantil, onde tem um peso decisivo a Juventude Comunista da Grécia.

O ato, para além das intervenções políticas marcadas por discursos de conteúdo anticapitalista e antiimperialista, contou com a apresentação ao vivo de canções revolucionárias, por parte de músicos e cantores militantes. Os manifestantes, que se contavam por dezenas de milhares, chegaram ao local do ato central em colunas organizadas por categoria ou organização social. Após o ato, todas as colunas se reorganizaram e os militantes, em caminhada, foram fazer um protesto antiimperialista em frente à embaixada norte-americana.

Toda a imprensa européia no dia de hoje coincide em informar que o de Atenas foi o maior Primeiro de Maio de toda a Europa. E note-se que o Primeiro de Maio de Atenas não foi o único organizado na Grécia pela PAME. Este ano, resolveu-se descentralizar, tendo ocorrido manifestações expressivas em 75 localidades gregas!

Ficarei na Grécia mais seis dias, a convite do Partido Comunista Grego, conhecendo de perto a experiência daquele que talvez seja o partido comunista mais forte e revolucionário do mundo capitalista e que está à frente da maior resistência dos trabalhadores ao capitalismo. Pretendo, na volta, escrever algumas linhas a respeito.

domingo, 1 de maio de 2011

PM e ativistas de ONG se enfrentam na praça da Sé (SP)


A Força Tática da Policia Militar dispersou ativistas da ONG Educafro com gás pimenta e munição de borracha durante um confronto que aconteceu nas proximidades da praça da Sé (centro de São Paulo) neste domingo.

Segundo a PM, ninguém ficou feriado ou foi detidos no confronto.

Por volta das 11h30, os manifestantes protestavam contra agressões que um homem negro teria sofrido em uma unidade das Lojas Americanas em Campo Grande (MS), no último dia 23.

Os manifestantes saíram da sede da Educafro, na rua Riachuelo, em direção à unidade das Lojas Americanas do shopping Light. Eles pretendiam invadir a loja e exigir medidas dos responsáveis pela empresa, como uma indenização à suposta vítima e a punição dos acusados da agressão.

O enfrentamento, segundo a PM, começou quando um veículo da polícia passava pela passeata. A PM acusa os manifestantes de terem iniciado a briga, ao quebrarem o vidro da porta do carro.

Durante a dispersão dos manifestantes, um Ford Ecosport acabou tendo a parte traseira danificada. Após o confronto, o grupo de manifestantes seguiu para a festa de trabalhadores do 1º de Maio, no Vale do Anhangabaú.

Segundo a Educafro, o protesto chegou a reunir cerca de 600 pessoas e teve a participação de "pessoas que condenaram a violência da polícia".

Nenhum representante das Lojas Americanas foi localizado até as 16h40 de hoje para comentar o protesto.


Dia do trabalhador: presente da polícia!

Santander lucra R$ 2 bilhões à custa do povo brasileiro


O Brasil é o paraíso dos banqueiros. O lucro líquido do banco espanhol Santander no Brasil atingiu nada menos que R$ 2,071 bilhões. Este montante representa um crescimento de 17,5% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Pela primeira vez na história, o Brasil foi o responsável pela maior parte do lucro anual do banco Santander. Esta realidade está em contradição com a situação mundial do banco. “O ganho do banco na Espanha, que representa menos que o Brasil ou a Inglaterra para os negócios, caiu 31% nesse confronto” (Folha Online, 28/4/2011).

Apesar dos lucros do Santander ter recuado no mundo, no Brasil, a instituição financeira conseguiu aumentar seus lucros. Este “milagre econômico” brasileiro é o resultado da política pró-imperialista do governo do PT, que promove a espoliação dos trabalhadores para atender aos interesses dos banqueiros.


sábado, 30 de abril de 2011

Paraíba: professores da rede estadual decretam greve por tempo indeterminado


Os professores da rede estadual de ensino da Paraíba decidiram, durante uma assembléia geral realizada na tarde desta sexta-feira, (29), entrar em greve por tempo indeterminado.

A decisão foi tomada após inúmeras tentativas de negociação da categoria, todas fracassadas, com o governador Ricardo Coutinho (PSB). A intransigência do governador em negociar com os professores é mais uma demonstração da política criminosa que está sendo imposta pelos governos burgueses.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Paraíba (Sintep), Antônio Arruda, dentre os pontos levantados na pauta de reivindicação da categoria está o cumprimento da Lei do Piso Salarial Nacional dos professores, a realização de eleições diretas nas escolas públicas e o aumento na gratificação dos diretores, isso sem falar no reajuste salarial de 13,73%, o pagamento das gratificações dos servidores que não receberam em janeiro, a nomeação de professores concursados e a realização de novos concursos.

O que fica evidente com todas as greves e paralisações que estão sendo realizadas por inúmeras categorias é que na Paraíba o governo do PSB/DEM/PSDB está impondo um verdadeiro plano de austeridade, aumentando ainda mais a exploração contra a população trabalhadora.


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um fogo que pode queimar a todos

Os ataques grosseiros contra o povo líbio que adquirem um caráter nazi-fascista podem ser utilizados contra qualquer povo do Terceiro Mundo


Pode-se ou não concordar com as ideias políticas de Khaddhafi, mas a existência da Líbia como Estado independente e membro das Nações Unidas ninguém tem direito a pôr em causa.

Ainda o mundo não chegou ao que, do meu ponto de vista, constitui uma questão elementar para a sobrevivência de nossa espécie: o acesso de todos os povos aos recursos materiais deste planeta. Não existe outro no Sistema Solar que possua as mais elementares condições da vida que conhecemos.

Os próprios Estados Unidos da América sempre tentaram ser um crisol de todas as raças, de todos os credos e de todas as nações: brancas, pretas, amarelas, indígenas e mestiças, sem outras diferenças que não fossem as de amos e escravos, ricos e pobres; mas tudo dentro dos limites da fronteira: ao norte, o Canadá; ao sul, o México; ao Leste, o Atlântico e a oeste, o Pacífico. Alasca, Porto Rico e Havaí eram simples acidentes históricos.

O complicado do assunto é que não se trata de uma nobre vontade dos que lutam por um mundo melhor, o qual é tão digno de respeito como as crenças religiosas dos povos. Bastariam alguns tipos de isótopos radiativos que emanassem do urânio enriquecido consumido pelas plantas termonucleares em quantidades relativamente pequenas ─ visto que não existem na natureza ─ para pôr término à frágil existência da nossa espécie. Manter esses resíduos em volume crescentes, sob sarcófagos de betão armado e aço, é um dos maiores desafios da tecnologia.

Fatos como o acidente de Chernóbil ou o terremoto do Japão têm evidenciado esses riscos mortais.

O tema que desejo abordar hoje não é esse, mas o espanto com que ontem [26] observei, através do programa Dossiê de Walter Martínez, na televisão venezuelana, as imagens fílmicas da reunião entre o chefe do Departamento de Defesa, Robert Gates, e o Ministro de Defesa do Reino Unido, Liam Fox, que visitou os Estados Unidos para discutir a criminosa guerra desatada pela NATO contra a Líbia. Era algo difícil de acreditar, o Ministro inglês ganhou o “Oscar”; era um molho de nervos, estava tenso, falava que nem louco, dava a impressão de que cuspia as palavras.

É claro que primeiro chegou à entrada do Pentágono onde Gates o esperava sorridente. As bandeiras de ambos os países, a do antigo império colonial britânico e a de seu afilhado, o império dos Estados Unidos, tremulavam no alto de ambos os lados enquanto eram entoados os hinos. A mão direita sobre o peito, a saudação militar rigorosa e solene da cerimônia do país hóspede. Foi o ato inicial. Depois penetraram os dois ministros no edifício norte-americano da Defesa. Supõe-se que falaram longamente, pelas imagens que vi quando regressavam cada um deles com um discurso em suas mãos, sem dúvida, previamente elaborado.

O contexto de todo esse cenário estava constituído pelo pessoal uniformizado. Do ângulo esquerdo via-se um jovem militar alto, magro, ao que parece rubro, cabeça rapada, boné com pala preta embutida quase até o pescoço, apresentando fuzil com baioneta, que não piscava nem se via respirar, como estampa de um soldado disposto a disparar uma bala do fuzil ou um míssil nuclear com a capacidade destruidora de 100 mil toneladas de TNT. Gates falou com o sorriso e a naturalidade de um dono. O inglês, no entanto, fê-lo da forma que expliquei.

Poucas vezes vi algo mais horrível; exibia ódio, frustração, fúria e uma linguagem ameaçadora contra o líder líbio, exigindo sua rendição incondicional. Via-se-lhe indignado porque os aviões da poderosa NATO não tinham conseguido dobrar em 72 horas a resistência líbia.

Só lhe restava exclamar: “lágrimas, suor e sangue”, como Winston Churchill quando calculava o preço a pagar por seu país na luta contra os aviões nazis. Neste caso o papel nazi-fascista o está fazendo a NATO com seus milhares de missões de bombardeamento com os aviões mais modernos que o mundo tem conhecido.

O cúmulo foi a decisão do Governo dos Estados Unidos autorizando o emprego dos aviões sem piloto para matar homens, mulheres e crianças líbios, como no Afeganistão, a milhares de quilômetros da Europa Ocidental, mas desta vez contra um povo árabe e africano, perante os olhos de centenas de milhões de europeus e nada menos do que em nome da Organização das Nações Unidas.

O Primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, declarou ontem que esses atos de guerra eram ilegais e ultrapassavam o marco dos acordos do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Os ataques grosseiros contra o povo líbio que adquirem um caráter nazi-fascista podem ser utilizados contra qualquer povo do Terceiro Mundo.

Realmente me espanta a resistência que a Líbia tem oferecido.

Agora essa belicosa organização depende de Khaddhafi. Se ele resistir e não acata suas exigências, passará à história como um dos grandes personagens dos países árabes.

A NATO atiça um fogo que pode queimar a todos!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Segundo o FMI e o Banco Mundial, podemos estar à beira de uma crise capitalista ainda mais profunda

Ao final das reuniões de Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que aconteceram no último domingo, em Washington, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, declarou que a economia global está a “apenas um choque de uma crise completa”, que poderia ser detonada pelo aumento dos preços dos alimentos, “a principal ameaça às nações mais pobres”. O director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que os elevados níveis de desemprego entre os jovens pode “se transformar numa sentença perpétua, havendo a possibilidade real de uma geração perdida”.

Na América Latina, a pressão inflacionária tem aumentado sensivelmente. Segundo relatório da semana passada do Banco HSBC, a Venezuela deverá ter uma inflação de 30,4% em 2011, a Argentina de 24,8% e o Uruguai de 9%. Em relação ao Brasil, a previsão é que o índice de preços ao consumidor (IPCA) fique acima dos 6%, e confirma a medição feita pelo governo em abril que previa uma inflação anual de 6,44%.


Segurança espanca cliente negro nas Lojas Americanas

No último sábado (23), o vigilante Márcio Antonio de Souza foi espancado por um segurança das Lojas Americanas, em Campo Grande (MS), acusado de furtar um ovo de chocolate, comprado em outra loja. Segundo relato da vítima ao site Midiamaxnews, o agressor não pediu a nota fiscal do produto e começou a agredi-lo depois de dizer “você é um ladrão e merece apanhar”.

Marcio garante ter sido alertado por outro segurança a correr, pois “o agressor era violento e lutador de Jiu-jitsu” e poderia matá-lo. As agressões provocaram uma fratura no nariz, ferimentos no olho, além de lesões nos lábios e no maxilar, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML). Marcio será submetido a uma cirurgia para reparar os ferimentos.

Em entrevista à agência de notícias Afropress, o irmão da vítima assegura que a agressão foi motivada por racismo. A unidade das Lojas Americanas não registrou nenhuma ocorrência de furto.

O caso será investigado pela Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Campo Grande, que deve instaurar inquérito para apurar os crimes de racismo, lesão corporal, tortura, ameaça e calúnia.

Em 2009, o vigilante Januário Alves de Santana foi torturado por seguranças depois de ser tomado por suspeito de roubo do seu próprio carro numa loja dos supermercados Carrefour, em Osasco (SP). A vítima foi indenizada por danos morais e materiais. Os agressores foram enquadrados pelo crime de tortura, motivada por discriminação racial, medida inédita no Brasil.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Jirau: quatro mil demissões com aval da burocracia sindical

Depois dos conflitos e conseqüente greve dos trabalhadores do canteiro de obras da construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, a maior obra em andamento no país, o consórcio responsável anunciou a demissão de mais de quatro mil operários da construção civil.

O STTICERO (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de Rondônia) recebeu um comunicado oficial da construtora Camargo Corrêa anunciando as quatro mil demissões após os conflitos entre trabalhadores e empresa. Afirma ainda que não haverá a reconstrução dos alojamentos destruídos durante os conflitos em abril.

Com o conflito, o consórcio responsável paralisou todas as atividades e retirou todos os trabalhadores do canteiro de obras, na maior operação já realizada na retirada de trabalhadores por uma empresa privada. Os trabalhadores foram pulverizados nas cidades próximas a obra e a maioria foi enviada aos seus estados de origem tudo custeado pelas empreiteiras. Segundo o presidente da Camargo Corrêa foram gastos mais de 18 milhões de reais para evacuar o canteiro de obras e 300 funcionários da empreiteira. Em entrevista a Revista Isto É Dinheiro o Presidente da Camargo Corrêa, Antonio Miguel Marques contratou 300 ônibus da região e devido a escassez de mais ônibus houve contratações em Brasília, Goiânia e Cuiabá. 12 vôos foram fretados para enviar os trabalhadores a seus estados de origem. Tudo para evitar um agravamento do conflito.

Os trabalhadores foram enganados pela empreiteira, pois antes dos trabalhadores viajarem o consórcio afirmou que não seriam demitidos e retornariam as suas atividades quando retomadas as obras. Uma medida de cautela da empresa para não haver uma revolta ainda maior dos trabalhadores.

As demissões vão atingir quase um terço dos trabalhadores da empreiteira Camargo Corrêa que possui cerca de 16 mil trabalhadores no canteiro de obras, pois os 4 mil trabalhadores demitidos são funcionários desta.

Afirmam que as demissões ocorrem devido ao excesso de contratações realizadas pela Camargo Corrêa, andamento das obras que teriam uma redução natural de trabalhadores e, mais absurdo ainda, que após os conflitos muitos trabalhadores não querem retornar ao trabalho.

A retirada de todos os trabalhadores do canteiro de obras e o posterior envio destes a seus estados e cidades de origem, dispersando a luta e a organização, foi realizada de maneira consciente para posteriormente demitir os trabalhadores, principalmente os que vêm participando das manifestações e greves.


Demissões com aval da burocracia sindical


A burocracia sindical, controlada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) representada pelo STTICERO e CONTICOM (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira) e pela Força Sindical, tinha consciência das demissões e nada fez. O que ocorreu foi justamente o contrário, o cinismo foi tanto que houve afirmações que as demissões eram necessárias e que a empresa tem o direito de demitir.

"A estimativa que a empresa nos passou é que serão demitidos quatro mil. Como eles já tinham adiantado bastante a parte inicial da obra os desligamentos são até naturais", disse o coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira, Cláudio da Silva Gomes.

“O sindicato é contra qualquer tipo de demissão, mas é direito da empresa fazer essa redução”, afirmou o coordenador.

O STTICERO afirmou que aceitou as dispensas, porque a obra estava "muito inchada".

A burocracia sindical para garantir a continuidade das obras atua sistematicamente contra os trabalhadores em favor do governo e das empreiteiras.

Se depender da burocracia sindical as demissões vão ocorrer sem nenhuma luta e será enterrada toda a conquista dos trabalhadores durante esse período.

As demissões são uma manobra bem planejada entre empresa, governo e burocracia sindical para atacar os trabalhadores e reiniciar as obras da usina.

Não se deve ter nenhuma ilusão na burocracia que controla os sindicatos e que, utilizando as organizações dos trabalhadores para controlar e neutralizar a luta dos operários de Jirau, está atrelada ao governo do PT que está esfolando a classe operária para aumentar o lucro das empreiteiras.

Os trabalhadores devem se organizar de maneira independente da burocracia sindical e retornar ao canteiro de obras para continuar as manifestações contra as demissões e a conquista de suas reivindicações.

Não às demissões dos operários da construção civil de jirau. Pela ocupação do canteiro de obras pelos trabalhadores até o atendimento de todas as suas reivindicações.

terça-feira, 26 de abril de 2011

ONU acusa Brasil de desalojar pessoas à força por Copa e Olimpíada

A relatora especial da ONU para a Moradia Adequada, Raquel Rolnik, acusou nesta terça-feira as autoridades de várias cidades-sede da Copa do Mundo e do Rio de Janeiro, que receberá a Olimpíada de 2016, de praticar desalojamentos e deslocamentos forçados que poderiam constituir violações dos direitos humanos.

"Estou particularmente preocupada com o que parece ser um padrão de atuação, de falta de transparência e de consulta, de falta de diálogo, de falta de negociação justa e de participação das comunidades afetadas em processos de desalojamentos executados ou planejados em conexão com a Copa e os Jogos Olímpicos", avaliou.

Raquel destacou que os casos denunciados se produziram em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza.

A relatora explicou que já foram feitos múltiplos despejos de inquilinos sem que se tenha dado às famílias tempo para propor e discutir alternativas.

"Foi dada insuficiente atenção ao acesso às infraestruturas, serviços e meios de subsistência nos lugares onde essas pessoas foram realojadas", afirmou Raquel.

"Também estou muito preocupada com a pouca compensação oferecida às comunidades afetadas, o que é ainda mais grave dado o aumento do valor dos terrenos nos lugares onde se construirá para estes eventos", acrescentou a relatora.

Raquel citou vários exemplos, como o de São Paulo, onde "milhares de famílias já foram evacuadas por conta do projeto conhecido como 'Água Espraiada', onde outras 10 mil estão enfrentando o mesmo destino".

"Com a atual falta de diálogo, negociação e participação genuína na elaboração e implementação dos projetos para a Copa e as Olimpíadas, as autoridades de todos os níveis deveriam parar os desalojamentos planejados até que o diálogo e a negociação possam ser assegurados".

Além disso, a relatora solicitou ao Governo Federal que adote um "Plano de Legado" para garantir que os eventos esportivos tenham um impacto social e ambiental positivo e que sejam evitadas as violações dos direitos humanos, incluindo o direito a um alojamento digno.

"Isto é um requerimento fundamental para garantir que estes dois megaeventos promovam o respeito pelos direitos humanos e deixam um legado positivo no Brasil", finalizou.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FMI exige mais cortes aos países do BRIC

O FMI (Fundo Monetário Internacional) fez um novo “alerta” para os chamados países “emergentes”, os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), exigindo que os países não gastem mais que o necessário e orientando novos gastos públicos.

Segundo o relatório divulgado pelo FMI, “as economias emergentes devem resistir à tentação de aproveitar os ventos favoráveis no curto prazo para aumentar os gastos e optar por reconstituir suas reservas fiscais” (BBC, 12/4/2011). O FMI quer conter os gastos para que estes países aumentem os fundos que eventualmente possam ser usados para socorrer capitalistas e especuladores da crise econômica.

O fundo diz que mesmo com um certo alívio nos déficits fiscais das economias destes países os gastos devem ser evitados, ou seja, deve-se gastar menos e cortar mais. Ressalta ainda o fato de que os países do BRIC estão em uma posição melhor devido ao grande volume de exportações de commodities e os elevados preços desta categoria de produtos e também pela grande entrada de investimentos estrangeiros no País. Esta situação pode ser rapidamente revertida criando bolhas financeiras que afundariam as economias destes países.

Na China e no Brasil, por exemplo, a vasta disponibilidade de crédito para empréstimo nos bancos provocou um verdadeiro “boom” no mercado imobiliário destes países e criou as condições para o surgimento de uma bolha financeira neste setor. Prevendo o desenvolvimento desta bolha, o governo chinês já reduziu a disponibilidade de crédito e implantou outras medidas para evitar o aumento do consumo. No Brasil, o Ministério da Fazenda está adotando medidas semelhantes para inibir os empréstimos e frear a corrida ao crédito imobiliário. Estas medidas estão na verdade contendo a produção nestes países e levando estas economias à estagnação.

Cortes nos gastos públicos

Uma das recomendações do FMI é diminuir os gastos públicos para diminuir o endividamento dos países de capitalismo atrasado que compõem o BRIC. Para realizar estes cortes a indicação do FMI é diminuir os gastos principalmente com aposentadoria e na área da saúde.

Este é o verdadeiro sentido desta política apresentada pelo FMI, deixar que a crise seja paga pelos mais pobres, por países como o Brasil e China que já possuem os mais baixos salários de todo o mundo e que possuem um dos piores serviços públicos do mundo. Resumidamente, o recado do FMI é a imediata implantação de planos de austeridade nestes países.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Brasil e toda América Latina na mira da inflação


Não é só o Brasil que está passando por uma tendência inflacionária, mas a maioria dos países da América Latina. O FMI (Fundo Monetário Internacional) publicou um relatório que diz "as condições geralmente esperançosas estão associadas a uma inflação crescente na América do Sul e Central. Por outro lado, o México não está enfrentando pressão de superaquecimento desta vez" (EFE, 11/4/2011). As estimativas são de que média inflacionária nos países da América Latina e Caribe seja de 6,7% este ano.

Um dos causadores da inflação é o grande fluxo de investimentos estrangeiros que os países latino-americanos estão recebendo nos últimos anos. Estes estímulos têm causado uma oferta maior do crédito e conseqüentemente um consumo maior por parte dos trabalhadores o que está deixando o mercado superaquecido, o que significa maior demanda por produção.

Este movimento está fazendo a inflação subir gradativamente e preocupando o governo, pois com alta inflação a crise econômica e social tende a se agravar rapidamente.

Segundo o relatório, "por exemplo, o crescimento real de crédito no Brasil e na Colômbia está aumentando de 10% a 20% ao ano, de acordo com os dados mais recentes. Além disso, o crédito per capita no Brasil quase dobrou nos últimos cinco anos." (idem).

As medidas adotadas no Brasil pelo Banco Central brasileiro para conter o avanço da inflação também foram utilizadas pelos demais Bancos Centrais da América do Sul que têm elevado as taxas de juros nos últimos meses para combater as crescentes pressões de preços. Um exemplo é a a taxa básica de juros brasileira que está atualmente em 11,75%.

O aumento do crédito ao consumidor por meio de empréstimo cresceu tanto no Brasil que duplicou nos últimos cinco anos. Além do altíssimo volume de empréstimos realizados, o relatório acusa o aumento das commodities como o principal fator para elevação da inflação nos países sulamericanos, pois a exportação e a importação de matérias-primas nestes países são grandes. Na América do Sul os países com maior taxa de inflação, além do Brasil são o Paraguai, Bolívia e Chile.

Depois dos tempos de “fartura”, com muito dinheiro disponível para empréstimos e gastos diversos, agora os governos latino-americanos estão fechando o cerco e estrangulando as economias para não irem à bancarrota total.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Militares querem que novela sobre ditadura no Brasil saia do ar

A novela “Amor e Revolução”, que estreou na última terça-feira (05) no SBT, é alvo de abaixo-assinado promovido por militares que são contra sua exibição. O programa tem o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985) em sua trama central e mostra cenas de tortura e perseguição aos militantes políticos da época.

A manifestação contrária à novela foi organizada através de um portal dos militares na internet (www.militar.com.br). No texto do abaixo-assinado aparece a acusação de que o Governo Federal participa de um acordo com o dono do SBT, Sílvio Santos, para exibir a novela. Em troca, o empresário teria a quitação das dívidas do “Banco Panamericano”, que é de sua posse.

Segundo a integrante da diretoria do Grupo Tortura Nunca Mais, Elizabeth Silveira Silva, ações como esta demonstram a tentativa de impedir a busca pela verdade desse período.

“Na realidade eles não querem que tenha divulgação de nada. Assim como eles não abrem os arquivos, exatamente para que essa história não seja contada, eles ficam tentando que essa história verdadeira não venha a público. Mesmo que seja uma novela, que não é um documento, mas apenas um folhetim que aborda essa questão”.

O abaixo-assinado foi proposto por um membro da diretoria da Associação Beneficente dos Militares Inativos da Aeronáutica (ABMIGAer). Ele se destina a procuradores da República do Distrito Federal, solicitando deferimento em caráter urgentíssimo.

O autor da novela, Tiago Santiago, deu declarações sobre a iniciativa, que em sua opinião é “despropositada”. Ele também disse que se recusa a mudar a história do programa em favor de “criminosos, torturadores e assassinos”.

Correios franceses demitiram mais de 11 mil trabalhadores em 2010

Assim como no Brasil, o governo francês está modificando os correios do país (La Poste), o que resultou, somente em 2010, em 11.694 postos de trabalho suprimidos. Em decorrência disso, os trabalhadores dos correios franceses realizaram uma paralisação no último dia 29 de março.

Em um ano, os correios franceses tiveram uma baixa de 4,7% no quando de funcionários. Dados do jornal Le Monde apontam que desde 2006, a La Poste perdeu 12,9% de seu efetivo. A empresa tinha 271.887 funcionários e em 2010, esse número caiu para 236.593. Os cortes de funcionários estão em todas as áreas: distribuição, encomendas, atendimento, banco postal, administração etc.

Segundo os cálculos dos sindicatos da categoria, em 2011, a La Poste deve perder ainda mais trabalhadores, cerca de 10 mil.

A greve que ocorreu na última semana de março paralisou a empresa para protestar contra os cotes dos postos de trabalho e contra as péssimas condições de trabalho nos setores. Os trabalhadores reclamam que, com a que no número de funcionários, as condições de trabalho no setor estão ainda piores.

O problema enfrentado pelos trabalhadores franceses é o mesmo que enfrentam os trabalhadores brasileiros. A falta de funcionários está causando um enorme excesso de serviço para carteiros, OTTs (Operadores de Triagem e Transbordo), atendentes e em grande parte das funções administrativas.

Os trabalhadores da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) têm um agravante. Os Correios têm apenas 107 mil funcionários. O Brasil é um país muito maior do que a França e com uma população muito maior. O Brasil tem mais de 190 milhões de habitantes, enquanto que a França tem 65 milhões. Mesmo com as demissões, os correios franceses empregam mais do que o dobro de funcionários da ECT. Se a situação dos trabalhadores dos correios da França não está boa, o que dizer em relação à dos brasileiros?

No Brasil, nos últimos anos, PDVs (Programas de Demissão Voluntária) eliminaram cerca de nove mil postos de trabalho. A situação nos setores, que já era grave, se tornou ainda mais insuportável. A abertura do novo concurso, com 9 mil vagas, deve, na melhor das hipóteses, suprir os funcionários perdidos com os PDVs. No entanto, o problema nos setores não deve ser resolvido nem minimamente, para se ter uma idéia, a reivindicação dos trabalhadores é a contratação imediata de 30 mil funcionários apenas para começar.

As demissões na La Poste fazem parte dos planos de privatizar os correios franceses. Os governos de vários países estão fazendo o mesmo, inclusive os projetos de modificação nas empresas, que na Europa são chamados de “liberalização”, são muito semelhantes em vários países e não passam de modificações para entregar essas empresas para a iniciativa privada.

As mudanças estatutárias nos Correios brasileiros seguem exatamente a mesma lógica. A diferença é que o governo brasileiro e a direção da ECT escondem dos trabalhadores a privatização, o que não ocorre nos países europeus, onde a palavra “privatizar” é dita abertamente.

A luta dos trabalhadores franceses é a mesma que a dos brasileiros. Os capitalistas internacionais em crise estão de olho nos lucros das empresas de correios nos países onde essas empresas são uma das últimas que ainda não foram privatizadas. Para se recuperar da crise, os capitalistas precisam roubar a população dos países e aumentar a exploração dos trabalhadores, por isso demitem em massa e terceirizam os postos de trabalho.


Rádio Conexión Latina (Português)

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Um pouco de cultura latino-americana...