"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Trabalhadores paraguaios protestam contra o governo de Franco

Camponeses bloqueiam vias no departamento de Caazapá e pedem subsídios para enfrentar a seca; em Assunção, professores reivindicam salários


Mais de 800 camponeses paraguaios intensificaram o bloqueio de estradas no departamento de Caazapá, no leste do país. Eles reivindicam subsídios para combater os efeitos causados pela seca.
Os agricultores denunciam que a distribuição de subsídios tem se dado de acordo com interesses políticos. Além disso, exigem a entrega dos mantimentos que lhes foram prometidos e que, segundo eles, estão se deteriorando nos armazéns da cidade. A mobilização iniciou na terça-feira (30) devido à falta de respostas por parte do governo.
“Somos 18 mil produtores que necessitam dessa ajuda por causa da seca que nos afetou. Aqui não há nada, não há produtos por causa da seca”, relata um dos líderes do protesto, Elizardo Romero.
Na capital, Assunção, três camponeses acorrentaram-se em frente à sede do governo de Federico Franco, eleito em junho deste ano depois de um golpe de Estado. Segundo o dirigente da organização de camponeses de Santa Lucía do departamento Alto Paraná, Federico Ayala, esse é só o início da pressão para que o Executivo paraguaio conceda mais áreas para assentar famílias sem terra. ”O governo anterior de Fernando Lugo, que foi destituído por um julgamento político em junho, fez um estudo da enorme propriedade de soja de Favero [Tranquilo Favero, empresário], na localidade de Ñacunday,  e encontrou um excedente de 15 mil hectares”, destaca.
De acordo com os advogados dos camponeses, Favero mantém milhares de hectares de terra em seu poder, com a cumplicidade de juízes e fiscais. Ele já se recusou a vender uma parte delas ao Estado, a fim de que os trabalhadores possam ser assentados.
Docentes sem salários
Um grupo de professores também iniciou um protesto contra o governo nesta quinta-feira (01) na capital do país, Assunção. Eles bloquearam a avenida Eusébio Ayala, uma das mais importantes da cidade.
Os professores atuam no programa Paraguai Lê e Escrever, criado pelo governo Lugo para auxiliar na alfabetização de adultos, Entretanto, eles estão sem receber salário há cinco meses, desde que Franco assumiu a presidência do país.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Empregos à espera dos portugueses... fora de Portugal


Enquanto milhares de portugueses desesperam com a falta de postos de trabalho, noutros países da Europa existem empresas que competem para conseguir recrutar pessoal. Portugal surge como um dos favoritos, nesta corrida aos contratos




"Os portugueses estão muito motivados, têm a mente aberta e uma boa capacidade de adaptação. Surgem com um bom nível de formação e têm bons conhecimentos de línguas. Queremos que olhem para a Finlândia como um potencial empregador ", afirma Katrina Pilrnes, da embaixada da Finlândia em Lisboa. A representação deste país na feira dos Dias Europeus do Emprego conta com o ajuda das conselheiras da rede Eures para o emprego. Esta rede europeia de apoio à pesquisa de emprego e formação dentro da União Europeia regista, atualmente, 1,2 milhões de ofertas ativas e 10 mil desempregados portugueses já inscritos.
As pesquisas podem ser feitas através da Internet ou com a colaboração dos conselheiros destacados em cada país.
A equipa de três finlandesas veio a Portugal, sobretudo, para apresentar o seu país e passar a ideia de que dispõe de muitos empregos à espera dos portugueses.
Mas a missão só ficará concluída quando conseguir preencher as vagas disponíveis. Com uma geração do pós-guerra a reformar-se e sem que as novas estejam a ocupar os lugares deixados vagos, muitos países do Norte da Europa estão a procurar mão-de-obra noutros Estados membros. As ofertas são variadas, mas incidem, em particular, nas áreas da saúde, serviços sociais, novas tecnologias e engenharias.
Na bancada do stande finlandês, amontoam-se folhetos e listas de empresas e profissões que estão no topo dos recrutamentos. Recém-licenciados e seniores organizam-se, em fila, à espera de saber o que tem a Finlândia para oferecer. Katrina confessa que o seu país tem ainda muitos passos para dar, até ser atrativo como os principais concorrentes, entre os quais se destaca a Dinamarca, instalada a seu lado, na feira. Este país, juntamente com a Noruega e a Suécia, "surge como um dos nossos grandes competidores, com tradição de recrutamento no estrangeiro", sublinha. É por isso que, a par dos salários generosos, as empresas finlandesas já têm quase como prática comum a oferta de cursos intensivos para a aprendizagem básica da língua, que é uma barreira gigantesca, a par do clima.
QUEM DÁ MAIS
Win de Johnghe veio à feira representar a Delaware Consulting, uma empresa tecnológica belga. É a primeira tentativa de recrutamento da firma, fora da Bélgica como não conseguia encontrar profissionais com as qualificações e a experiência de que precisa, decidiu enviar um representante a Portugal.
"Temos recebido candidaturas de todo o tipo de pessoas, mas o que mais nos surpreende é que, nestas primeiras horas, já falámos com mais candidatos experientes do que em todas as feiras de recrutamento onde temos participado, na Bélgica", conta Win de Johnghe. A empresa procura, sobretudo, profissionais das áreas de SAP e Microsoft e oferece salários que variam entre 2 mil e os 7 mil euros, consoante as qualificações.
Pelo que Win de Johnghe espera chegar ao final da feira com novos contratos em vista. Na entrada, o stande belga era um dos mais ativos, com folhas A4 afixadas, a divulgar o número de médicos, enfermeiros, empregadas domésticas e outros profissionais necessários.
Entre a Finlândia e o Reino Unido, Bruno, Marta e Vanessa trocam impressões sobre os dados que vão recolhendo nos vários standes. Os três colegas finalistas da licenciatura em Serviço Social vieram juntos à procura de uma oportunidade fora de Portugal, cansados dos estágios curriculares, profissionais e candidaturas sem resposta. Alguns dos seus colegas já partiram para a Holanda e o Reino Unido. No caso de Bruno, a saída do País é-lhe familiar já que os pais estiveram emigrados 14 anos, na Alemanha.
E não têm medo de sair de casa dos pais e ir para fora? "Não! Temos medo é de morrer à fome e viver sem oportunidades. ", respondem prontamente.


domingo, 4 de novembro de 2012

Espanha: Todos na greve geral de 14 de Novembro!


A convocatória da greve geral para 14 de novembro é uma notícia tão boa quanto largamente esperada. Uma greve geral em toda a península ibérica [agora com a adesão de Grécia e Itália] é um fato inédito e o mérito corresponde inteiramente à tenacidade da luta operária e popular. Artigo escrito por Corriente Roja, secção da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT) no Estado Espanhol.
As massivas mobilizações de 15 de setembro em Portugal, que conseguiram derrubar a medida [trabalhadores passavam a pagar a taxa da Segurança Social (TSU) do patrões] anunciada pelo governo de Passos Coelho, deram-se completamente à margem da CGTP. No Estado Espanhol, os protestos multitudinários do 19 de julho, a greve geral do País Basco de 26 de setembro e as incontáveis mobilizações e greves exigiram a sua convocação.
Só a negativa da burocracia sindical da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), cujo atual presidente é Ignacio Fernández Toxo [também secretário-geral da central sindical espanhola CCOO/Comissões Operárias]adiou esta necessidade imperiosa e somente a sua covardia explica porque esta mesma convocatória não se estendeu à Grécia ou Itália.[a boa notícia é que a greve acabou por se estender também à Grécia, e a Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) convocou uma greve de 4 horas para a mesma data]
O endurecimento dos governos da troika, por um lado, e a pressão operária e popular, por outro, explicam a greve geral de 14 de novembro. 
Razões para a greve
Sobram razões para uma greve geral porque estamos passando de números de crise para números de verdadeira catástrofe social. Os contínuos cortes, reformas e despedimentos começam a mostrar as consequências mais dramáticas.
Ao crescente número de desempregados que caminha para os 6 milhões; às mais de 1,7 milhões de famílias em que ninguém trabalha nem recebe qualquer ajuda, como em Jerez de la Frontera; às universidades que não pagam salários, como a Complutense de Madrid; de Comunidades Autónomas que pedem o resgate à beira da falência; às centenas de milhares de trabalhadores cujas empresas de trabalho temporário atrasam até cinco meses o pagamento dos salários; aos imigrantes privados por decreto de serviço de saúde; às mortes anunciadas como consequência do fecho das urgências; ao aumento em 40% dos suicídios; une-se um dado demolidor: mais de 2,2 milhões de crianças, uma em cada quatro, vivem abaixo do limiar de pobreza no Estado espanhol, segundo o relatório “Infância em Espanha 2012-2013”, feito pela UNICEF. Falamos já de números de uma autêntica catástrofe social.
O governo de um estado à beira falência
Enquanto o descontentamento popular avança rapidamente, o governo aprofunda a sua crise e a do regime, ainda que haja ministros, como Luis de Guindos (Economia), que afirmem que é um “muito bom índice” que o PIB “só” caia 0,4% e estejamos diante do Orçamento [o proposto para 2013] “mais social da história”. De Guindos faria bem em seguir o célebre conselho de Marx (Groucho): “É preferível ficar calado e parecer bobo, do que falar e dissipar definitivamente a dúvida”.
Em apenas duas semanas, o governo recebeu dois tremendos golpes. O primeiro do próprio FMI, cujo informe questiona todas as suas previsões, com quedas do PIB que representam o triplo das anunciadas pelo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, e o início da “recuperação” adiado para 2018. O Orçamento para 2013 é destroçado em mãos do FMI sem sequer haver passado pelo Parlamento.
O segundo golpe foi dado na última cimeira de chefes de Estado e Governo da União Europeia. A decisão de adiar até 2014 a criação de um sistema de supervisão da banca a cargo do BCE, imposta pela Alemanha, representa um novo ajuste das economias da periferia europeia e em particular da espanhola. A entrega do governo Rajoy ao controlo do BCE – isto é, ao controlo da banca alemã – não bastou para que estes obtivessem o resgate direto dos bancos, como queria o presidente do governo. Merkel impõe o obrigatório aval do estado para cada euro fornecido, o que de novo disparará a dívida e exigirá do desacreditado governo Rajoy uma nova onda de reformas e cortes além dos anunciados.
A aposta do PP num balão de oxigénio nas recentes eleições da Galiza e do País Basco não deu certo. A sua maioria absoluta e o acréscimo de três deputados na Galiza não podem ocultar que perdeu 135 mil votos nem a alta abstenção. Somente o novo fracasso do PSOE (que perdeu mais de 200 mil votos) explica este falso triunfo de Núñez Feijóo [presidente do PP na Galiza].
As eleições bascas refletiram não apenas a queda vertiginosa do PSOE e do PP, mas o ascenso das reivindicações nacionalistas. Apesar de ter tido menos votos e deputados, a maioria obtida pelo Partido Nacionalista Basco (PNV), somada ao triunfo eleitoral do EH Bildu (nacionalista de esquerda), dá ao polo nacionalista basco mais de 60% da representação do eleitorado, somando-se assim à onda independentista da Catalunha.
O governo de Rajoy é, em essência, o governo desacreditado de um país à beira da falência.
Abaixo os decretos de cortes e a reforma laboral. Não pagamento da dívida
As lutas operárias e em especial a convocação da greve geral de 14 de Novembro devem ter objetivos claros: não queremos mais nenhum corte, mas que se revogue o Real Decreto-Lei de 20/2012 [reduz o subsídio de desemprego e auxílios sociais; aumenta o IVA, etc.] e todos os decretos de cortes. Queremos a revogação da Reforma laboral, essa que supostamente “criaria emprego” e nos conduziu aos 6 milhões de desempregados. Queremos que se deixe de pagar uma dívida que não é nossa e está a ser paga com a fome e a miséria do povo; e que uma auditoria pública envie para a prisão os banqueiros, ladrões e especuladores.
É para alcançar esses objetivos que queremos a greve geral de 14 de novembro e a sua continuidade. Neste dia, não vamos, como pretende Toxo e Méndez [secretário-geal da UGT], fazer uma greve geral para exigir um referendo sobre as medidas do governo. Os trabalhadores e o povo já se pronunciaram com greves e mobilizações contra essas medidas. No dia 14 de novembro não vamos à greve pedir “diálogo social”, “sem confrontos”, como repetem os dirigentes de CCOO e UGT. Vamos à greve exatamente pelo contrário: para confrontar abertamente este governo e a troika e exigir que se vão embora. Vamos à greve geral para dizer alto e de forma categórica que aqui o único plano de resgate que faz falta é um plano de resgate dos trabalhadores e do povo.
Organizar pela base a greve geral
Para os lutadores/as mais firmes do movimento operário e estudantil, para o sindicalismo de classe e alternativo, para o movimento 15M, a Coordenadora 25S e as plataformas populares surgidas no último período, trata-se de organizar a greve geral pela base.
Levar clareza aos companheiros/as com mais dúvidas e consolidar as motivações dos mais decididos, exige dar a batalha desde as assembleias operárias, estudantis e populares, desde as reuniões unitárias de Comités de Empresa ou Junta de pessoal, desde as Coordenadores setoriais que estão a surgir, para que se pronunciem sobre os objetivos desta luta e pela exigência de continuidade a todos os sindicatos.
Trata-se de apresentar em todos esses organismos resoluções que explicitem, preto no branco, que nós vamos à greve geral em 14 de Novembro para exigir a revogação do Real Decreto-Lei de 20/2012 e todos os decretos de cortes; pela revogação da reforma laboral; pela restituição de todo o dinheiro roubado; e pela suspensão do pagamento da dívida e por uma auditoria pública da mesma. E porque queremos que a luta continue até derrubar todas essas medidas, os trabalhadores e o povo derrubarão este governo.
Corriente Roja

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

“No hay salida a este atolladero sin anulaciones masivas de deuda”

or una vez al menos, el Consejo Europeo reunido en Bruselas el jueves 18 de octubre de 2012 no fue “la última oportunidad”. Oficialmente el ambiente era más sereno de lo acostumbrado. Garantías del Banco Central Europeo (BCE); entrada en vigor del Mecanismo Europeo de Estabilidad (MES) –una especie de “FMI a la europea”– después de algunas vacilaciones alemanas; ratificación en Francia, con amargura [el Senado adoptó este tratado gracias a una aportación de la derecha, cuando la izquierda oficial es mayoritaria], del “Tratado de Estabilidad, Coordinación y Gobernanza” (TSCG); desbloqueo de la tasa sobre las transacciones financieras gracias al lanzamiento de la “cooperación reforzada”: quieren creer en Bruselas que la salida de la crisis está próxima. “Pienso que lo peor ha pasado, pero aún no hemos terminado con ella”, predijo François Hollande, en la noche del jueves al viernes.
Principal avance de la sesión: se precisa la “unión bancaria”. Había grandes desacuerdos entre París y Berlín, pero Angela Merkel y François Hollande se vieron las caras el jueves en Bruselas, antes de la cumbre, para adoptar una posición común: de acuerdo en una supervisión bancaria a cargo del BCE, a partir del próximo 1 de enero, como querían los franceses. Pero el dispositivo tomará fuerza a lo largo del año 2013, y la supervisión no será efectiva hasta 2014 –para no precipitar las cosas, como querían los alemanes. Los europeos hacen de esta supervisión reforzada una condición previa para la “recapitalización directa” de los bancos que siguen maltrechos en la eurozona, por ejemplo en España.
Con ocasión de esta cumbre, Ludovic Lamant se ha entrevistado con el economista Fréderic Lordon, director de investigación en el CNRS [Centre National de la Recherche Scientifique, Centro Nacional de Investigación Científica, equivalente al CSIC español], especialista en temas de regulación financiera y figura destacada de los “economistas aterrados”, colectivo de universitarios “aterrados” por las políticas de austeridad que, en su opinión, están llevando a Europa directa al fracaso. Explica la serie de anuncios de los últimos meses, analiza los límites de esta “unión bancaria” en marcha y vuelve a las ambigüedades del “salto federal” que se suele presentar como una solución milagrosa a la crisis.
El BCE presentó en setiembre un programa de recompra de deuda en el mercado secundario, para dar oxígeno a los países más maltrechos. El anuncio parece haber apaciguado a los mercados y se han reducido los tipos a que se endeudan España e Italia. ¿Se trata de un giro en la gestión de la crisis?
Tanto como un giro, sería mucho decir... La crisis es tan profunda que haría falta no uno, sino toda una serie de avances institucionales, y por lo menos de este calibre, para que se pueda hablar de giro. Aunque tampoco pueda decirse que con esta decisión del BCE no haya pasado nada. ¿Exactamente qué? La intervención de Mario Draghi [recompra de deuda] ha congelado temporalmente un proceso de descomposición que llevaba irresistiblemente a la explosión del euro. Pero como todos los avances, se ha logrado con dolor, tras laboriosas negociaciones internas en el BCE y con los Estados miembros, y lo que es peor, continúa planeando la duda sobre la realidad de su puesta en marcha.
Para crear condicionalidad donde no había, el BCE ha decidido que un país no podrá beneficiarse del programa OMT [operaciones monetarias sobre títulos, o sea, recompras de deudas] hasta que no haya sido declarado “beneficiario” de los fondos de rescate europeos... es decir, hasta que no se haya dejado atrapar por las garras de la Troika [BCE, UE, FMI].
¿Qué ocurrirá en el momento en que estos países acepten entrar en los programas de condicionalidad? Me temo que se condene a las poblaciones a lo que podría denominarse una austeridad “sub-atroz”, o sea, algunos miles de millones de euros menos que recortar en los gastos públicos por la distensión de los tipos de interés, pero con un fondo de ajuste estructural que se mantiene idéntico... Con la esperanza, para los gobiernos, de que sus poblaciones no pasen al punto de rebelión abierta. Para éstas, por el contrario, la cosa significa la certidumbre de tener que soportar la austeridad durante una década, sin la posibilidad siquiera de que una explosión de los mercados financieros suponga el debilitamiento de estas políticas económicas, y de hecho su fin. Porque esto es lo que ocurre en Europa: las poblaciones sólo tienen la paradójica esperanza de lo peor, que una tempestad especulativa acabe por echar todo por tierra y que la tabula rasa permita reconstruir otra cosa. Esta esperanza, que estuvo muy cerca de materializarse este verano, la acaba de cerrar el BCE.
¿Descartas definitivamente este escenario de lo peor?
Esta es otra cuestión. Porque la decisión del BCE no ha alterado el carácter perdedor de la ecuación macroeconómica. Algunos puntos menos en el tipo de interés no cambiarán en nada el hecho de que vivimos el cierre de una época que acaba con un exceso generalizado de endeudamiento –tanto de hogares y bancos como de los Estados. Pero sólo se puede salir de este tipo de atolladeros por medio de anulaciones masivas de deuda.
La vía de salida no está en las ridículas bonificaciones del BCE, ni siquiera en el préstamo directo a los Estados (por ahora, como es sabido, prohibido por el Tratado): todas estas soluciones dejan intacto el aplastante stock de la deuda. La vía de salida es el impago [default], porque sólo el impago nos libera del stock. Pero es algo que resulta inconcebible en frío. Esperemos por tanto que la macroeconomía haga su trabajo..., eventualmente ayudada por algunas patadas políticas de unas poblaciones tratadas como simple carne de austeridad, pero que un día podrían decidir que ya es demasiado y que basta.
¿Eres favorable al hecho de retirar del cálculo del déficit público de los Estados miembros, las inversiones “productivas”, lo que sería otra manera de volver a dar oxígeno a los Estados, al tiempo que se intenta respetar el objetivo de déficit del 3% del PIB?
Esta pregunta supone implícitamente admitir que la política presupuestaria debe estar regulada por objetivos predefinidos de déficit, corriente y/o estructural. Pero este implícito no es evidente, y resulta tan incompetente como peligroso. Más que entrar en discusiones bizantinas de definición de los distintos déficits, habría que deconstruir el supuesto previo de esta falsa evidencia, porque justo en este sometimiento de las políticas económicas a objetivos predeterminados reside la tara congénita del modelo europeo.
Por una sorprendente paradoja, los Estados Unidos son los grandes emisores de mandatos doctrinales que sólo los europeos son tan burros como para tomarlos al pie de la letra. Como ocurre con este debate tan a lo “Chicago” [alusión a la Escuela de economía de Chicago], conocido con el nombre de “rule versus discretion” [normativa versus discrecionalidad], que en nombre de la “credibilidad” ordena a los gobiernos someterse estrictamente a reglas.
Los Estados Unidos nunca estarían tan locos como para atarse las manos con objetivos predefinidos e intangibles, y privar así a su política económica de cualquier margen de apreciación estratégica y de acción discrecional. Tan sólo los europeos son capaces de atarse sin reservas a esta monumental burrada. Y tan sólo los devotos creen en la numerología económica. Hay que reconocer que es una religión que funciona: no cesa de crear nuevos ídolos.
Después del 3% de déficit corriente, surgido de ninguna parte, o tal vez de las pesadillas de los socialistas franceses de los años 80 [este 3%, fijado de manera bastante azarosa, se convirtió en una regla con el giro a la austeridad de 1983], ahora viene el 0,5% de déficit estructural, cuyo fundamento macroeconómico es rigurosamente inexistente. Los más exaltados abrazan también el 90% de deuda pública, gestado por Rogoff y Reinhardt [dos economistas americanos que fijaron este umbral que se ha convertido en una referencia sagrada para las políticas de austeridad, aunque es cuestionado incluso por macroeconomistas bastante tradicionales], un nuevo desatino que agitar delante de las narices de los impíos o de los bobos.
El presidente del Consejo, Herman Van Rompuy, propone reforzar la unión económica y monetaria. Comenzando por la Unión bancaria, ya en marcha. Esta última prevé la puesta en pie, oficialmente el próximo 1 de enero, de un supervisor único para el conjunto de los bancos de los 17 Estados miembros de la zona euro. ¿Es un avance?
Es evidente que una unión bancaria es un elemento muy importante de avance de la integración europea. ¿Ante quién se precipitan todos lo banqueros para llorar su miseria y suplicar que se les salve? Ante el viejo y buen Estado-nación, ese pelado, ese sarnoso, tan superado, tan a la cola de un mundo que se ha vuelto “plano”... En caso de desgracia, la raza de los señores de las finanzas “mundializadas” retorna a la cuadra nacional para hacerse cuidar. Los bancos, en tiempos de crisis, se dirigen hacia el poder político real, el único polo fuera del mercado capaz de salvar a los capitalistas del desastre de los mercados.
Desde este punto de vista, que tengan que dirigirse no ya a los centros nacionales, sino a un centro europeo, será sin duda un paso en la constitución de este nivel europeo como auténtico polo político. Pero desplazar el lugar de la supervisión y del salvamento bancarios al nivel europeo no tendrá ningún efecto en la inflexión de la relación de fuerzas entre la política y las finanzas: las instancias europeas, aún menos que nadie, no impondrán la menor condicionalidad a las finanzas, y no hablemos ya de utilizar la oportunidad de la crisis para coger a los bancos e imponerles una refundición radical de sus estructuras...
¿Cómo explicar la reticencia de los alemanes a este texto?
Es una actitud incomprensible en un país que hace profesión de integracionismo federal. Como siempre, lo incomprensible es muy comprensible si somos capaces de ver la potencia y la resistencia del hecho soberano nacional, no menos fuerte en Alemania que en otros países. Los alemanes no quieren que una autoridad supranacional, de dudosa legitimidad (eufemismo) meta su nariz en los Landesbanken [bancos de las regiones], donde se elaboran importantes compromisos políticos regionales. De paso, se puede ver cómo Alemania, reputada reina de la ortodoxia, es muy capaz de subordinar la actividad bancaria a fines políticos que le son claramente exteriores.
¿Crees que algunas cosas empiezan a moverse en Bruselas? El reciente informe Liikanen [gobernador del Banco de Finlandia], publicado por un grupo de expertos de la Comisión, aboga por acabar con el principio del “banco universal” y propone aislar las actividades bancarias más arriesgadas.
“Cosas que empiezan a moverse”... Estamos a nada menos que cuatro años del desencadenamiento de la crisis del siglo y las “cosas” consideran que podrían “comenzar” a moverse. Sería justo que las cosas se dieran un poco de prisa, si no quieren que su movimiento acabe en papel mojado. Pero todo el mundo puede ver que en materia de regulación no hay ninguna voluntad política, en ningún sitio, para superar el simple estadio de la pantomima: el Dodd-Frank Act [ley de julio de 2010, para regular los mercados financieros y proteger al consumidor] de Obama está siendo metódicamente vaciado de sustancia por el lobby de la industria financiera; el informe Vickers que al parecer iba a preconizar (para el Reino Unido) la separación entre banca de inversión y banca comercial, ha quedado reducido a un hilillo de agua tibia.
En cuanto a su equivalente francés, defendido por François Hollande durante su campaña, Pierre Moscovici ya ha rectificado la pobre “cosita” que apenas comenzaba a “moverse” –y el “enemigo sin rostro” se parte de risa. No hablemos ya de Europa: en esta materia es la imagen misma de la nulidad. O más bien de la mala voluntad, acompañada con algunas gesticulaciones verbales.
El Consejo Europeo espera obtener el aval de los Jefes de Estado y de gobierno para “explorar” dos pistas nuevas. La primera trata de la “contractualización” de las políticas económicas de los Estados, en diálogo con la Comisión, para una mejor coordinación. ¿Qué piensas de esto?
“Contractualización”, “semestre europeo”, TSCG, regla de oro: otras tantas variantes lamentables del mismo profundo contrasentido sobre la presente crisis europea, que es una crisis de configuración política. La zona euro ha intentado explorar una configuración intermedia entre las soluciones nacionales y una unión completa, y este intento ha fracasado. El federalismo incompleto, simplemente monetario, como muchos economistas heterodoxos lo habían señalado desde el principio, es inmantenible. Es económicamente ineficaz y políticamente odioso. El problema constitutivo de esta configuración la condena a defectos irremediables, ¡y es un problema completamente objetivo!
Partiendo de ahí, si se dan un destino común, en este caso monetario, es imposible que se hagan políticas económicas fuera de cualquier pre-coordinación con reglas, a no ser que se permitan pasajeros clandestinos [que no participan en una acción colectiva para evitarse los costes, aunque pretenden recoger los beneficios] y “riesgos morales” [estimulo de la adopción de riesgos, porque se sabe que hay un seguro contra esos riesgos].
Pero las reglas, por definición, tienen el doble inconveniente de, por una parte, suprimir todo margen de maniobra estratégica para una acción discrecional requerida en caso de choque excepcional, y por otra, de atentar directamente contra el principio de soberanía. Sólo la eurofilia beata puede mantenerse ignorante de los efectos de estas desposesiones de soberanía popular. Adepta de la razón tecnológica, única manera de superar los “arcaísmos nacionales”, la democracia le parece una cuestión completamente subalterna, cuando no es un obstáculo a saltar por encima.
La “contractualización” y todos sus avatares persisten en la lógica de este problema tan objetivo como insoluble: se seguirá comprando “coordinación” al precio de la democratización europea, un cálculo desastroso desde cualquier punto de vista, tanto político como económico.
El documento propone también profundizar la idea, todavía muy imprecisa, de “capacidades presupuestarias” en la zona euro. ¿La vuelta de los eurobonos, una deuda pública emitida colectivamente, a escala de la zona euro, permitiría reforzar la solidaridad en el seno de los Estados miembros? ¿Sería un avance?
La idea no es sólo imprecisa: es insignificante, teniendo en cuenta el tamaño actual. Un presupuesto comunitario incrementado (¿en qué plazo?) en algunos puntos del PIB sigue siendo una miseria –aunque un poco menos miserable que el actual 1%. No hay que esperar ningún efecto macroeconómico serio.
Por lo demás, no se puede asimilar este embrión de presupuesto comunitario con la idea de los eurobonos, aunque guardan cierto aire de familia. Pero los alemanes, que tienen más que perder con una equiparación de los tipos de interés, nunca entrarán en un dispositivo de eurobonos sin haber obtenido como contrapartida un derecho de vigilancia permanente (eventualmente a través de la Comisión), y más severo que nunca, sobre la definición por anticipado de las políticas económicas nacionales. Ni que decir tiene que el Estado miembro que se desvíe será puesto al momento bajo tutela, sin esperar siquiera al estadio de reclamar los fondos de rescate del MES. A la menor rareza, sería declarado incompetente.
El entusiasmo por los eurobonos es una especie de síntoma: nos ofrece la medida de la incomprensión de la crisis del principio de soberanía que asola a la Unión Europea. Poder imaginar la salida de la crisis por vías que la profundizan hasta tal punto es la cumbre de la aberración e indica el grado de naufragio del pensamiento economista. Porque bajo la fontanería financiera (“la crisis económica”) hay una crisis profundamente institucional y política, una crisis del principio de soberanía. Pero estoy de acuerdo en que es mucho pedir a los economistas, como a todos aquellos, dirigentes políticos, editorialistas, cronistas europeos fanáticos, etc., cuyas mentes han sido devastadas por ese pensamiento, y para quienes la política, en el sentido más profundo del término, se ha vuelto algo totalmente extraño.
Pero la integración económica no significa forzosamente, al menos en teoría, un endurecimiento presupuestario... ¿Estás de acuerdo en hacer la distinción? El Partido socialista, en el Parlamento europeo, defiende por ejemplo integrar un pacto social dentro del informe Van Rompuy.
Es en efecto una distinción elemental, precisamente una de esas distinciones que los eurobeatos siempre han negado, para mejor empujar a los oponentes de la Europa de Maastricht-Lisboa al rechazo a secas de Europa. Por cinismo deliberado o por simple necedad, no se sabe bien, toda la oligarquía se ha puesto espontáneamente de acuerdo en encerrar el debate en la débil antinomia de “A favor o contra Europa”, sin querer plantear nunca la cuestión de “¿Qué Europa?”, o “¿En qué condiciones?”. Como si Europa fuese deseable por sí misma, formalmente, sin ninguna consideración de sus contenidos. Ante los más fanáticos defensores de Europa, me planteo siempre la misma pregunta: ¿en qué momento, a qué clase de “progreso” europeo, dirían “stop”? Ante la Europa del libre comercio de órganos, ¿debemos continuar o pararnos a reflexionar?
Es verdad que Europa es más astuta que todo eso, y no se arriesga en caer en semejante barbaridad. Se contenta con extender la miseria, algo que no suscita la menor reserva entre los oligarcas de todo pelaje (comenzando por los oligarcas mediáticos), inclinados por lo general a considerar su bienestar material como natural y universalmente compartido. Estos vulgares problemas de intendencia no son nada comparados con las grandiosas perspectivas históricas que ellos, y no el pueblo obtuso, tienen la suficiente altura de miras para abarcar.
Lo que me espanta de toda esta gente es hasta qué punto Europa se ha vuelto intransitiva, es decir sin otra finalidad que sí misma. Haga lo que haga, la defenderán hasta el final, hasta el final de la crisis humanitaria griega, hasta el final de la Gran Depresión a que se nos precipita. Si Europa, que es buena, dice “austeridad”, entonces la austeridad es buena; así, en Francia, la mayor parte de los cronistas europeos, incluso de algunos periódicos supuestamente de izquierdas, ¡están más a la derecha que el Financial Times, The Economist y el FMI juntos! –es cierto que los aprendices de ideólogos no tienen la desenvoltura de los grandes consagrados que pueden pagarse el lujo de la lucidez: ellos ven, ¡y lo dicen!, que la austeridad es un callejón sin salida.
Sin embargo, la cuestión más que nunca es la diferencia entre esta Europa y cualquier otra Europa posible. Pero ese debate no debe ser planteado nunca, y en esto consiste la vida democrática bajo la férula ilustrada de estos preceptores: algo intermedio entre “camina o revienta” y “cállate la boca” (otro inconveniente menor a sus ojos). Con toda generalidad, se puede decir de la integración económica lo mismo que se podía decir de la moneda única a comienzos de los años 1990: una idea interesante, pero imprecisa tal como está, que no se puede valorar hasta conocer sus contenidos concretos.
Aunque las cosas se complican. Porque en un tablero de dibujo se puede imaginar bien la moneda única de nuestros sueños. Pero, por ejemplo, no se hace cualquier Europa monetaria con Alemania: se hace la suya, y punto. Por eso la monstruosidad de fijar contenidos de política pública, en particular de política económica ortodoxa, en textos de carácter (cuasi) constitucional, como los tratados europeos. Porque la democracia supone la posibilidad de cuestionar regularmente las políticas públicas ordinarias, someterlas de nuevo a la deliberación soberana, para reconducirlas, modificarlas o abandonarlas.
¿Y el “pacto social”?
El “pacto social” de los “socialistas” europeos forma parte de esta bisutería que se suele arrojar a la población cuando se vuelve un poco desabrida. Se les ofrece entonces tinta sobre papel, al estilo de los irrisorios artículos “sociales” del Tratado constitucional europeo de 2005, o incluso del añadido de la palabra “crecimiento” detrás de “pacto de estabilidad”. Hay que acabar por hacerse a la idea de que las promesas de una superestructura de derechos sociales edificada sobre la infraestructura de un neoliberalismo “constitucionalizado” son, por construcción, mentirosas. Y que, retomando las palabras de François Denord y Antoine Schwartz, “la Europa social no tendrá lugar” [título de su obra, Ed. Raisons d’agir, 2009] –en todo caso partiendo de esa Europa.
¿Estás de acuerdo en que “más integración” –lo que algunos en Bruselas llaman el “salto federal”– es la única respuesta a los desequilibrios macroeconómicos que están en el origen de la crisis?
Es obvio que si una Europa quiere sobrevivir a esta crisis, es imperativo el salto federal. Pero hay que preguntarse por su forma, sus contenidos... y las condiciones de esa posibilidad. Si, como creo, la actual crisis de Europa es fundamentalmente una crisis política del principio democrático de la soberanía popular, entonces cualquier federalismo no vale. La peor de las soluciones sería en un federalismo tecnocrático “conservativo” que no tendría ninguna intención de cuestionar, “desconstitucionalizándola”, la actual base neoliberal.
Por decir las cosas de forma positiva, el “federalismo” sólo tiene sentido entendido como advenimiento de una auténtica comunidad política europea, provista de una constitución que no tenga otra finalidad que la organización de los poderes públicos europeos, y remitiendo la definición de todas las políticas públicas (comunes) a instancias (ejecutivas y legislativas) elegidas y dotadas de los poderes adecuados. Esto es, la reducción de la Comisión a una pura administración, sin comisarios ni presidente.
Esta condición necesaria no es sin embargo suficiente. Ya que la formación de una auténtica comunidad política, de una politeia como decían los griegos, no es cuestión de instituciones formales. Requiere también que las multitudes europeas se reconozcan en pueblo europeo, más precisamente en un pueblo europeo que decide gobernarse según la ley de la mayoría. Pero esto supone que se creen divisiones político-ideológicas transversales que prevalezcan sobre los actuales compartimentos verticales-nacionales.
Por poner un ejemplo muy simple, sería viable una Europa política si, digamos, los alemanes aceptaran plegarse a una ley de la mayoría europea que decidiera que el banco central ya no tendría que ser independiente y que podría financiar directamente a los Estados... ¿Alguien está dispuesto a apostar por ello? Nótese que habría que proceder a igual experiencia mental, una especie de stress-test previa a la Europa política, con franceses obligados por una ley de la mayoría a renunciar a la seguridad social o a la educación nacional pública, etc.
Planteada más en general la cuestión es por tanto la siguiente: ¿consentirían algunas naciones en renunciar a una parte de sus idiosincrasias históricas más profundas bajo los efectos de una ley de la mayoría “transversal”? Por mi parte, no sé responder a esta cuestión. No sé si el beneficio de una real ciudadanía política europea, acompañada de avances de derechos fundamentales, bastaría para crear una affectio societatis europea capaz de dominar los affectio societatis nacionales, a la manera como las pertenencias regionales en Francia son dominadas por la pertenencia nacional. Ahora bien, ésta es la cuestión decisiva.
Lo que sí puedo ver es que los federalistas rabiosos no tienen la intención, ni tal vez la idea, de plantearla. Al igual que ha pasado con la moneda única, se corre el riesgo de comprometerse en una construcción sin prever lo que podría o debería hacer ante choques distintos a los del “pequeño tiempo”. El drama de Europa está en que su defensa, tanto práctica como ideológica, ha sido confiada a fanáticos sin ningún sentido histórico de lo que es la política.

Entrevista a Fredéric Lordon sobre Europa y la crisis

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Direito a terra: Justiça suspende liminar e mantém Kaiowás em suas terras

Em meio a tensão envolvendo o conflite entre indígenas e os latifundiários, juiz derruba liminar que determinava desocupação das terras. 


A ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, informou que foi suspensa a liminar que beneficiava produtores rurais no conflito com a população indígena dos Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul.
A informação foi divulgada na tarde desta terça-feira (30) pela página da ministra na internet:
“Acabamos de receber decisão judicial q suspende reintegração de posse do território dos Guarani-Kaiowá. Recurso do Gov.Federal foi acatado!” (Agencia Brasil, 30/10/2012).
O ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, em reunião com membros da etnia na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência confirmou a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS) que cassou a liminar. 
Apesar, no entanto, da comemoração da ministra diante da decisão judicial, a situação ainda não está estabilizada, muito menos encerrada. A qualquer momento, a suspensão da liminar pode ser derrubada por outra medida jurídica, ou seja, a população indígena não deve se apoiar nessa decisão como forma de garantir o direito a terra.
O ministro da Justiça ainda enviou o reforço de policiais e viaturas da Força Nacional de Segurança para patrulhar a área.
Até agora, nenhuma medida efetiva foi tomada para evitar o massacre que está em marcha e impedir a violência dos latifundiários contra os índios.
Os índios sem terra que estão acampados na fazenda Cambará continuam vivendo em estado de sítio. As milícias dos fazendeiros permanecem fazendo ameaças e rodando o acampamento da tribo.
A liminar que foi acatada pelo juiz federal, Henrique Bonachela, movida pelo latifundiário Osmar Bonamigo, foi responsável pela determinação da desocupação da fazenda, revelando o poder dos latifundiários em manipular a Justiça.
Os trabalhadores sem-terra, a comunidade indígena, portanto, deve se manter vigia e se organizarem sob todos os meos necessários para impedir o massacre.
É necessário que as organizações democráticas e dos trabalhadores da cidade e do campo façam uma ampla campanha pelo direito e defesa dos povos indígenas diante dessa ofensiva do latifundiários e dos empresários do agronegócio.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Colômbia: Deslocamentos forçados atingiram 11 mil indígenas em 2012

Nos primeiros novos meses deste ano, segundo a Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic), houve 78 assassinatos e 47 ameaças de morte


A Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic) revelou que cerca de 11 mil indígenas sofreram deslocamentos forçados, 78 foram assassinados e 47 receberam ameaças de morte nos primeiros nove meses de 2012.  A maior parte desses atos de violência foi atribuída a grupos insurgentes e às forças de segurança.
“A dinâmica de violência em 2012 se mantém sob tendências semelhantes à dos anos 2010 e 2011”, indicou a Onic.
Para esse ano, no entanto, “constatam-se modificações alarmantes nas cifras, especialmente o aumento dos deslocamentos forçados massivos por causa dos constantes combates em território indígena entre grupos armados legais e ilegais”, enfatizou a organização.
O estudo, elaborado pelo Conselho de Direitos Humanos da Onic, mostra que o povo mais afetado pela violência nos primeiros nove meses de 2012 foram os nasas ou paeces, assentados no norte do departamento de Cauca (sudoeste), com 26 assassinatos e quatro mil pessoas deslocadas.
Os líderes nasas declararam-se, no meio do ano, em “resistência permanente” para exigir a retirada dos “atores armados” presentes em seu território ancestral.

O segundo povo mais afetado pelas mortes violentas foi o emberá do Chocó (noroeste), com 24 casos de assassinato.
Além disso, o estudo também registrou que, dos 11 indígenas desaparecidos nas mãos de grupos paramilitares, cinco eram do povo Awá, assentado em Nariño, departamento na fronteira sul do Equador.
A situação agudizou-se nos últimos tempos e tem sido objeto de rechaço e denúncia por parte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, segundo a Onic.
Diante dessa situação, a organização solicitará à Corte Penal Internacional (CPI) que assuma “um papel ativo” a respeito da situação dos povos indígenas da Colômbia.
O assassinato mais recente na comunidade indígena foi o do líder da etnia emberá, Leovigildo Cunampia Quiro, presidente do Conselho Maior da Costa Pacífica, ocorrido em 21 de outubro na comunidade de Jagua-Río Chorí, em Chocó, informou a organização.
Neste episódio violento também ficou ferido o promotor de saúde comunitária José Manuel Variquira, que acompanhava o líder da etnia.

Em 2011, 118 indígenas foram assassinados na Colômbia, país de cerca de 46 milhões de habitantes e, segundo as projeções do censo para 2012, tem uma população aborígene de mais de 1,3 milhão de pessoas distribuídas em 102 povos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Salvar os Guarani-Kaiowá?

O grito dos Guarani de Mato Grosso do Sul é o mesmo grito do cacique da etnia Taíno, Hatuey, que, em 1511, poucos anos depois da invasão, ao descobrir que o deus verdadeiros daqueles homens era o ouro, viajou desde o Haiti até a ilha de Cuba, com 400 guerreiros, para avisar que o que chegava pelo mar era a destruição


Aprendi com meu irmão, há muitos anos, que não há nada pior no humano do que a hipócrita (por vezes não intencional) musculação de consciência. E isso é coisa que acontece muito no meio daqueles que estão no topo ou no meio da pirâmide social. Olham para o sofrimento dos pobres - a comunidade das vítimas do sistema - como se fossem coitadinhos, e sentem pena. Podem até chorar diante de uma foto ou de uma dada situação. E desde sua pena, buscam ajudar, musculando a consciência. Um quilo de arroz numa campanha para vítimas da enchente, um agasalho para as entidades filantrópicas, uma doação ao “criança esperança”. Depois, consciência musculada, voltam a vida normal, certas de que fizeram tudo que podiam fazer. Arrisco dizer: isso não é suficiente. Apazigua a consciência, mas não muda as coisas.
Detectei essa reação nesses dias em que se resolveu prestar atenção ao sofrimento indígena. Um grupo de índios Guarani, do Mato Grosso do Sul, que desde há 500 anos vêm observando a estranha mania dos cristãos – seus dominadores - em se purificar no sacrifício, resolveu expor a chaga aberta do sofrimento de sua gente numa concreta vivência sacrificial. Ou lhes deixam viver nas suas terras, ou se matam, em grupo. Ato extremo, sofrimento extremo, decisão extrema. Então, como que atiçados pelo sempre excitante momento do sacrifício, as gentes brasileiras decidiram começar a falar do “absurdo” que é essa desesperada decisão. Assim, terminada a novela das oito, que segundo algumas vozes “parou o país”, agora as redes sociais e todos os que têm espaço de voz nos meios começaram a discutir a questão dos Guarani que estão prometendo se matar. Sinto aí certo cheiro de musculação de consciência.
O grito dos Guarani de Mato Grosso do Sul não é o primeiro nem será o último. Desde o momento em que os povos originários perceberam que a cruz e a espada que chegavam com os homens do além-mar eram armas de opressão, a luta pela manutenção do direito de viverem na sua terra, com seus deuses e do seu jeito, começou. Ao longo dos anos, com a colonização europeia, milhões de pessoas foram assassinadas, das formas mais cruéis, simplesmente porque atrapalhavam o caminho para o ouro e as riquezas do novo mundo. Essa gente desesperada que hoje grita em agonia por um naco de terra onde descansar a cabeça, é a mesma gente que antes da invasão aqui vivia em fartura, nas grandes cidades como Tenochtitlán, Cuzco, Tiuahanaco, maiores e mais populosas que Madrid, Lisboa ou Florença no mesmo tempo. Eram homens e mulheres que conheciam a astronomia, a matemática, a hidráulica, a engenharia. Eram os que experienciavam uma forma de vida comunitária, na qual ninguém passava fome, no mesmo tempo em que na Europa medieval as pessoas padeciam de fome crônica. E foram eles os considerados sem alma, os passíveis de todo o tipo de selvageria e escravidão, porque não falavam a língua espanhola ou portuguesa e professavam outra fé, na variedade dos deuses.
O grito dos Guarani de Mato Grosso do Sul é o mesmo grito do cacique da etnia Taíno, Hatuey, que, em 1511, poucos anos depois da invasão, ao descobrir que o deus verdadeiros daqueles homens era o ouro, viajou desde o Haiti até a ilha de Cuba, com 400 guerreiros, para avisar que o que chegava pelo mar era a destruição. Não foi escutado. Mesmo assim se dispôs a lutar contra os espanhóis e só parou quando foi capturado e morto na fogueira. Foi vencido pela força dos arcabuzes, tendo seu povo sido dizimado em castigo. Esse grito segue aí. Também continuam ressoando os gritos de Cuauhtemotzin, no México, quando em 1520 igualmente iniciou a resistência contra os espanhóis que haviam assassinado milhares na cidadela de Montezuma, e os de Ruminahuia, que na região de Quito também se levantou em rebelião contra os que queriam destruir seu mundo e o dos seus. E o que dizer dos Tamoios no Brasil de 1562, que chegaram a constituir uma confederação para enfrentar a vilania portuguesa?
Pois essa gente tem gritado, lutado, batalhado, peleado desde os primeiros momentos da invasão. E, desde sempre esses gritos foram abafados, porque os indígenas não eram vistos como seres capazes de gerir suas vidas. Eram homens e mulheres dominados que tinham de se render calados e servis. Só que nunca foi assim. A batalha pelo continente segue aí, desde então.
Mas, como sempre acontece, os vencedores impõem suas razões. Os povos indígenas foram dizimados em nome do progresso e do bem estar dos invasores. Os que valentemente sobraram acabaram confinados em reservas, ora como bichos raros, ora como coitadinhos e incapazes. Integrar o índio à sociedade passou a ser o mantra dos caridosos vencedores. E os que acreditaram no engodo já viram o que sucedeu. Incorporados a uma sociedade racista, patriarcal, capitalista, seguem sendo vistos como seres inferiores, mesmo os que chegaram aos mais altos postos da estrutura social. Índios, os seres sem alma.
Há poucos anos o país acompanhou a polêmica da reserva Raposa Terra do Sol, uma imensidão de terra indígena que os originários lograram garantir para si. Quem não se lembra dos ferozes argumentos da distinta sociedade pensante? “Para quê tanta terra para índios? O que eles vão fazer com isso? Vão destruir tudo e vender as madeiras.” Esse era o diapasão dos caridosos brasileiros. E as batalhas pela região do Xingu que estão aí, se arrastando há anos, sem que ninguém se apiede das almas das gentes que vão perder seus rios, seus deuses, seu território em nome de uma barragem para gerar energia aos estrangeiros. E os mesmos piedosos argumentam que “essa gente” (os índios) é o atraso, a decadência, o anacrônico, incapaz de ver a importância do progresso que virá com a devastação da Amazônia.
É que esses índios são os que, por estarem em grandes grupos e articulados com movimentos sociais, lutam. Travam a boa batalha contra a destruição do seu modo de vida. E como valentes guerreiros precisam enfrentar as armas inimigas que já não são só arcabuzes e cavalos. Vêm acompanhadas da mídia que fortalece pré-conceitos e visões pré-determinadas do poder. Esses, os “arruaceiros”, não são dignos de piedade por parte da sociedade que fica em frente à TV musculando sua consciência.
Então, das entranhas do cerrado mato-grossense, um pequeno grupo de Guarani-Kaiowá, que luta desde há anos por demarcação das terras, sofrendo violência, mortes, assassinatos, desaparição e o sistemático suicídio de seus jovens guerreiros, resolve usar a última arma que lhe resta: o próprio corpo, sua humanidade, o corpo coletivo de toda a gente. O drama dessas famílias vem sendo denunciado ano após ano pelos Cimi, por jornalistas, por estudiosos, por todos os que se importam, mas nunca tocou o coração das maiorias. O ataque diário dos fazendeiros, a violência da justiça local que não os escuta, o preconceito e o ódio dos que vivem na cidade, picados pela ideia de que os índios só atrapalham o progresso, tudo isso é tema de debate e denúncia nos fóruns de luta social. Mas, nunca houve piedade. As terras seguem sendo griladas, roubadas, subtraídas dos índios. A vida foi se extinguindo, o espaço se apequenando. Foi preciso um ato extremo, uma decisão de desespero, para que a nação se voltasse para esses que são os cordeiros de um novo sacrifício. Agora sim é a hora da compaixão. Os “atrasados” não estão armados, não estão em luta, não fazem arruaça. Eles desistiram. Não têm mais força. São muito poucos, estão sozinhos. Eles desistiram. Já não são mais “perigosos”. São apenas as ovelhas do sacrifício. Eles desistiram. Estão vencidos. Então, por esses sim, podemos rezar, chorar, nos apiedar. Sepulcros caiados. Sociedade apodrecida.
Arrisco dizer que os Guarani-Kaiowá sabem muito bem dessa hipocrisia ocidental, dessa pantomima que os piedosos gostam de fazer para parecerem bons. Ah, eles conhecem essa psicologia desde há 500 anos. E, agora, se valem disso para expor o seu drama e para testar a “bondade” branca. Mas, eles não estão brincando. Seu grito de agonia ecoa anos a fio. Nada nunca foi feito. Já basta. Não há sentido viver quando a vida não pode se fazer real. Diante de uma justiça que protege o rico, o grileiro, o ladrão; diante de uma sociedade que vê como normal a miséria e o abandono de famílias inteiras na beira da estrada; diante do opressivo preconceito que as pessoas da cidade manejam cotidianamente, o que fazer? Se vida não há, porque preservar um corpo? A lógica da simplicidade.
E os Guarani-Kaiowá colocam a sociedade brasileira diante de um dilema também. Salvá-los não basta. Definir uma terra para aquelas famílias não significa o fim do drama indígena no Brasil. O apressado movimento dos atletas de consciência em demarcar áreas para essas famílias em particular não acomodará as tensões que eclodem todos os dias nas áreas permanentemente em disputa entre indígenas e grileiros ou entre indígenas e Estado. Há que ultrapassar esse limite da resolução de um drama singular. Há que se colocar de frente com todos os conflitos. Há que se compreender a realidade indígena, conhecer seus costumes, seus deuses, seu modo de organizar a vida. Salvar os Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul não pode ser só um ato a mais de musculação de consciência, praticado numa situação específica, com um grupo específico. O drama indígena em “nuestra américa”, inaugurado com a valentia de Hatuey, atravessando perigosas ondas do Haiti até Cuba para anunciar a desgraça e conclamar a união na luta, não se esgota naquele grupo de homens, mulheres e crianças que hoje assumem a condição de cordeiros de sacrifício. Os indígenas não precisam de nossa pena, nem da nossa comiseração. Eles só precisam ser respeitados nos seus direitos e na sua vontade de ser quem são.
Os Guarani-Kaiowá estão a dar uma lição. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça. E aprenda!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Documentos revelam que EUA testou armas químicas nos seus cidadãos e cidadãs


Estados Unidos - Cuba Debate - [Tradução do Diário Liberdade] Segundo um relatório da professora da Universidade de St. Louis, Lisa Martino-Taylor, que revela vários documentos secretos do Exército estadounidense na época da Guerra Fria, o Governo de EUA testou armas químicas com seus cidadãos.

Nos EUA, está madurecendo um escândalo em torno das provas secretas que realizavam as Forças Armadas do país nos anos da Guerra Fria. De acordo com a Operação LAC ("Large Area Coverage"), nos anos 1950 e 1960 o Exército dos EUA dispersou partículas microscópicas de sulfuro de zinco-cádmio (ZnCdS) sobre a maior parte do país, com o fim de determinar a velocidade de dispersão e a distribuição geográfica da substância.
No momento da pulverização, o cádmio foi reconhecido como uma toxina. Um outro projeto secreto do Exército dos EUA é conhecido como "Manhattan-Rochester" (MRC) -pelo nome do grupo de pesquisa que o descobriu-, também usou o ZnCdS, mas desta vez a substância estava unida com o rádio. Este teste realizou-se na cidade de St. Louis, Missouri.
A população local foi na altura informada de que eram os ensaios para a criação de uma cortina de fumaça em caso de um ataque das tropas soviéticas. Segundo Martino-Taylor, este estudo secreto utilizou "uma área urbana, onde residiam as pessoas de baixos rendimentos, predominantemente negras, 70% delas crianças menores de 12 anos".
St. Louis foi eleita como alvo deste desafortunado teste porque era muito similar, por seu planejamento urbanístico, às cidades soviéticas.
Mas isto não foi tudo, seguindo este projeto, uma empresa de Nova Jersey desenvolveu uma pintura radiativa que brilhava na escuridão, que foi introduzida no trabalho de uma fábrica de relógios. Os trabalhadores ingeriam o rádio lambendo seus pincéis para pintar uns detalhes nos relógios, porque se lhes disse que a tinta não era daninha.
Este ato provocou uma série de doenças de câncer. E dezenas de anos depois, o local onde se encontrava a central segue estando poluído e ainda afeta as pessoas que vivem nas redondezas.
Depois da saída do relatório, os senadores de Missouri, Clare Macaskill e Roy Blunt, exigiram explicações ao Pentágono.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A falência da esquerda pequeno-burguesa - Psol: sublegenda do PSDB e do DEM

A fraude dos partidos da chamada “Frente de Esquerda” fica evidente na aliança do Psol e PSTU com o PCdoB e o PT em Belém e com o PSDB e o DEM em Macapá, no apoio de Plínio de Arruda Sampaio à candidatura de José Serra 

Em 2008, o Psol já havia realizado 21 coligações com partidos burgueses, que são em sua maior parte legendas de aluguel do PSDB e do DEM. 
No ano passado, o Congresso Nacional do Psol autorizou a realização de alianças com “outros partidos”, além da chamada “Frente de Esquerda”, PSTU e PCB.
Naquele Congresso, ficou sido definido ainda que seriam “prioritárias para o PSOL as disputas pelas capitais do Pará, Amapá e Rio de Janeiro, em função do acúmulo partidário e das grandes potencialidades de vitórias político-eleitorais existentes nessas cidades”. Ou seja, o partido autorizou as alianças já enxergando pela frente a possibilidade de eleger prefeitos nas eleições com a ajuda dos partidos da burguesia.
Em Belém, Psol e PSTU se coligaram ao PCdoB, partido burguês que faz parte do governo pró-imperialista do PT. Nesta coligação, o PSTU recebeu prioridade na disputa proporcional e elegeu Cleber Rabelo à Câmara Municipal da capital paraense. Lá, 80% da campanha da coligação nestas eleições foi financiada por capitalistas, sobretudo, da construção civil, ramo no qual o próprio candidato do PSTU é presidente do sindicato dos trabalhadores.


Em Belém, o novo aliado da ex-“Frente de Esquerda” é o PT



Em Belém, o novo aliado da coligação Psol-PSTU-PCdoB é o PT. No último dia 10, o apoio do candidato do PT, Alfredo Costa, foi motivo de comemoração dos integrantes da coligação.

“O professor Alfredo fez um campanha de alto nível e o PT é um dos partidos mais importantes do país e de Belém. Pesquisas mostram que é uma legenda ainda muito querida”, declarou Edmilson.  O mesmo Edmilson que foi apresentado pelo PSTU como  um candidato “operário” e “socialista”.
A presença do PCdoB, , que evidencia o caráter governista e burguês desta coligação, foi minimizada pelo PSTU. Agora, com o apoio de Lula e Dilma pessoalmente, a farsa cai por terra.
A direção do PT teria ainda proposto ao Psol a presença do ex-presidente Lula no palanque de Edmilson no segundo turno e, em troca, espera o apoio do Psol no segundo turno na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.


Incorporando propostas do DEM



Em Macapá, a coligação “Unidade Popular” inclui Psol, PCB, PPS, PV, PMN, PRTB e PTC. A aliança feita com partidos burgueses e direitistas ganhou o apoio no segundo turno dos dois principais partidos da burguesia brasileira: PSDB e DEM.

DEM, PSDB e PTB fazem campanha para eleger Clécio Santos (Psol) na disputa contra o atual prefeito Roberto Góes (PDT). O candidato do DEM declarou que se trata de uma “aliança pela moralidade”. Na realidade, a aliança mostra que o governo do Psol no estado nada mais é que uma parte da tradicional operação de pilhagem do Estado e de combate às massas populares, comum a todos os partidos burgueses participantes do regime político atual.
A esquerda pequeno-burguesa caiu de cabeça na onda direitista do “combate à corrupção”. Ao se aliar ao DEM e ao PSDB nessa campanha, a esquerda cumpre o papel de oposição de direita ao governo do PT.  Quando não faz oposição de direita ao PT, o Psol se alia diretamente ao PT, como é o caso em Belém.
O combate à corrupção sempre foi a pauta da direita. Em nome do combate à corrupção, os militares depuseram João Goulart com o golpe militar de 1964. A direita utiliza a bandeira anticorrupção para conquistar o apoio de uma parcela da classe média contra a esquerda e, nesse momento, contra o PT.
“Para ganhar eleições é preciso fazer alianças”, afirmou o candidato do PSOL em Macapá, mostrando que não há nenhum constrangimento em se aliar à direita.
“No segundo turno não há coligação, nem alianças formais. Os candidatos do DEM e do PCdoB fizeram uma campanha que também reivindicava mudanças, então foi natural que eles declarassem apoio a mim. Não tinha como eles baterem no atual prefeito e apoiá-lo no segundo turno”, explicou Clécio Santos. A grande questão é saber quais são estas mudanças defendidas pelo Psol, DEM e PSDB.
“Não discutimos a adesão desses partidos ao governo, o apoio deles não está vinculado a isso. Eles apenas querem que o projeto que combateram no primeiro turno não continue”, tentou explicar o candidato, depois de dizer: “Aceitamos acolher algumas propostas pragmáticas do programa dele (do candidato Davi Alcolumbre – DEM)”.
As explicações de Clécio, no entanto, foram desmentidas por  quem costurou o acordo, o senador do Psol Randolfe Rodrigues, que no Senado possui uma história de votações em comum com o PSDB e o DEM.
“Uma aliança política, e sim um caminho novo para a política no Amapá; é uma aliança para ganhar a Prefeitura no último domingo deste outubro, mas é também para governar em conjunto, unindo ideias e propostas de Clécio e demais lideres para Macapá dar a volta por cima”, declarou Randolfe. Mais claro que isso é simplesmente impossível. O que temos é a aliança de partidos que se dizem de esquerda com a tradicional direita neoliberal, imperialista, defensora dos torturadores e do genocídio da população;  corrupta e repressora, inimiga dos direitos democráticos do povo.


Direção nacional do Psol defende aliança com o DEM e o PSDB



“Não podemos ter nenhuma conversa com partidos como DEM e PSDB, mas não temos como interferir em quem eles desejam apoiar”, declarou Pedro Ruas, presidente do Psol no Rio Grande do Sul, que critica apenas a forma como foi feita a  aliança, ou seja, incorporando as propostas do DEM.

No Rio Grande do Sul, em São Lourenço e Montenegro, os candidatos do Psol tentaram se eleger com apoio da direita, os partidos do DEM e do PR. Em Montenegro, o caso aguarda decisão do Tribunal Superior Eleitoral, uma vez que a direção do partido no estado obteve ganho de causa ao pedir que a aliança fosse apenas entre Psol e PDT, outro partido burguês, mas a coligação recorreu em segunda instância e foi vitoriosa.
O presidente do Psol, Ivan Valente, também saiu em defesa, de maneira mais discreta, ao apoio recebido por partidos da direita nacional, como PSDB e o DEM (ex-PFL, ex-Arena).
“Sobre a questão de Macapá, a executiva nacional irá discutir nessa semana a forma como foi feita a declaração de apoio (num ato político com as lideranças envolvidas). Mas não existe aliança (com DEM e PSDB), e sim uma adesão de segundo turno”, fantasiou Ivan Valente, tentando justificar a aliança com a direita.
O ex-candidato à Presidência da República pelo Psol, o paulista Plínio de Arruda Sampaio também defendeu as alianças em Macapá e Belém: “São cidades onde temos condições fortes de vencer a eleição. Nesse momento, os adversários se unem, então nossos candidatos também estão obtendo apoios”, declarou.
Sobre a aliança em Macapá, Plínio declarou ainda: “É um caso muito particular e diz respeito a um lugar remoto num estado muito pequeno, de modo que, nesse caso, se fez uma vista grossa”.


Integrantes do Psol pedem que o partido “reveja” a política de alianças com a direita



Em nota, alguns integrantes do Psol manifestaram seu pesar com a aliança com o DEM.

A nota começa relatando os grandes feitos do Psol nas eleições. “Nas eleições de 7 de outubro, o PSOL conquistou uma vitória política indiscutível. Apresentando-se pela esquerda, o partido ampliou de forma muito significativa suas votações”.
“DEM, PTB e PSDB estão na lista de partidos com os quais o DN (Diretório Nacional) do PSOL proibiu qualquer aliança nas eleições de 2012. Se esta aliança se mantiver, representará uma mancha que envergonhará e indignará todo o PSOL”, declaram os signatários, entre os quais Carlos Gianazzi (candidato a prefeito de S. Paulo), João Batista Babá, Gelsimar Gonzaga (Prefeito eleito de Itaocara-RJ), Raul Marcelo, Roberto Robaina entre outros.
Encarecidamente, os signatários pedem que a aliança seja “revertida”: “A desastrada política encaminhada em Macapá deve ser revertida, ou os responsáveis por ela deverão ser sancionados pelo partido. Se não adequarem sua atuação à linha do partido, não deverão ter lugar nas suas fileiras”.
Assim como faz o PSTU, que joga a culpa no Psol pelo financiamento dos empresários à coligação dos dois com o PCdoB em Belém e apenas pede para que ele “reveja” esse tipo de política, os “desgarrados” do Psol pedem que seus integrantes no Macapá “revejam” sua postura.
Fica evidente a fraude que são os partidos que compunham a chamada “Frente de Esquerda”. A “Frente de Esquerda”, nestas eleições, está com o DEM e o PSDB em Macapá e com o PCdoB e o PT em Belém.

domingo, 21 de outubro de 2012

Guarani: indígenas são atacados por pistoleiros em Potrero Guasu

Famílias que retomaram 2 mil hectares do seu tekohá - terra sagrada -, na divisa com o Paraguai, estão sob novo ataque de pistoleiros"

As famílias Guarani que retomaram 2 mil hectares do tekohá - terra sagrada - Potrero Guasu no último sábado, 13, estão, desde o fim da tarde desta quinta-feira, 18, sob novo ataque de pistoleiros. O território fica no município de Paranhos, Mato Grosso do Sul, na divisa com o Paraguai.

Segundo relato de indígenas que estão no local, a ação dos pistoleiros começou ontem, 17, quando homens armados invadiram o acampamento, atirando para o alto. Enquanto os indígenas corriam do local, os pistoleiros levaram os pertences das famílias e atearam fogo em todos os barracos.

Hoje, pela manhã, quando as famílias voltaram ao acampamento para reconstruí-lo, um grupo de pistoleiros apareceu.

"Houve conflito com os pistoleiros", relata o Guarani Timóteo Pires. "Eles chegaram cheio de arma. Nós não temos nenhuma. Na correria um [pistoleiro] ficou e nós conseguimos segurar. Chamamos a Força Nacional e entregamos ele".

Segundo Timóteo, ninguém ficou ferido. O problema foi quando a Força Nacional deixou o local e os pistoleiros voltaram à área retomada.

"Agora estamos em frente aos pistoleiros armados. Estamos frente a frente do pistoleiro. Eles estão pocurando as lideranças. Elas estão escondidas porque eles está querendo pegar". Segundo Timóteo, cerca de 20 pistoleiros estão no local. Há poucos metros, cerca de 50 adultos com suas crianças permanecem no local.

"A gente vai ficar acordado em frente aos pistoleiros. Vamos ficar fazendo a segurança. Sabemos que pode acontecer alguma coisa."

Os indígenas demandam a volta da Força Nacional ao local.