"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

István Mészáros: as contradições dos nossos tempos

Era uma manhã fria de junho quando o filósofo húngaro István Mészáros, 81 anos, apareceu à porta da casa no bairro de Sumarezinho, zona oeste de São Paulo, onde se hospeda quando vem ao Brasil. Desta vez, a viagem tinha como escala, além da capital paulista, as cidades de Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro. A ideia era participar de encontros e divulgar o livro István Mészáros e os Desafios do Tempo Histórico (Boitempo, 280 pág., R$ 43), uma coletânea de artigos sobre sua obra – inclusive com um artigo de sua autoria.

Alto, os olhos enormes e azuis, Mészáros não parece, à primeira vista, a metralhadora giratória que se apresenta logo no início da entrevista, quando faz um relato de quase 40 minutos sobre a situação políticas na Europa e nos EUA. “Berlusconi é um palhaço criminoso”; “Obama diz que vê a luz no fim do túnel, mas não vê que é a luz de um trem que vem em nossa direção”; “A Alemanha se engana quando pensa que vive um milagre econômico”; “O partido socialista agiu contra os trabalhadores na Espanha”; “Os políticos na Inglaterra parecem uma avestruz que insistem em esconder sua cabeça debaixo da terra”…
Em cada resposta, o professor emérito de Filosofia da Universidade de Sussex e um dos mais destacados marxistas da atualidade deixa sempre explícita a necessidade de se entender o processo histórico da formação da sociedade atual para que se possa compreender, de fato, qualquer questão dos nossos tempos. Crítico da social-democracia europeia, que ao longo do século assumiu um tom reformista dentro do sistema dominante, Mészáros, que foi discípulo de György Lukács (autor de História e Consciência de Classe Ontologia do Ser Social), vê com desencanto as opções que hoje se apresentam à esquerda, e também as manifestações populares que estouraram pelo mundo desde o início do ano. O motivo é simples: o discurso funciona, mas a realidade é que o sistema capitalista é cada vez mais inviável, com líderes das nações buscando mais dívidas para cobrir rombos colossais e a necessidade de se produzir cada vez mais num momento de esgotamento de recursos. A chamada crise financeira internacional, portanto, não é cíclica, mas estrutural, conforme pontua.
Mesmo assim, em duas horas e meia de entrevista, Mészáros deixa escapar um certo tom de otimismo em relação ao futuro – “que, infelizmente, não será no meu tempo” – quando fala sobre tomadas de consciência e mudanças que observa na América Latina.
Entrevista concedida a Matheus Pichonelli e Ricardo Carvalho
As contradições do capitalismo
E assim as questões imediatas serão priorizadas em detrimento dos reais problemas que assolam a sociedade americana, que nunca serão confrontados. Então por um lado temos a perspectiva de tempo de 50 anos e, por outro, uma trágica realidade de pressões em termos de três, quatro, cinco anos”
As contradições terão de ser enfrentadas por esses movimentos que emergiram no mundo árabe e na Europa. Terá de ser um movimento das massas, sem pequenos grupos de intelectuais se reunindo e tomando as decisões. E sim as massas, que devem estar dispostas a assumir o fardo e as consequencias de realmente fazer alguma coisa. E, ao mesmo tempo, elas devem aceitar as responsabilidades das escolhas que forem feitas. Isso é importante porque, no nosso círculo de decisões políticas existente hoje, ninguém nunca é responsável. Eu lembro que nos Estados Unidos houve uma investigação sobre o “Iran–Contra Affair”, a cumplicidade de algumas figuras políticas do alto escalão norte-americano com o regime iraniano. Isso foi durante o governo de Ronald Reagan.
O Congresso chegou a produzir uma resolução em que afirmava que Reagan havia subvertido a Constituição dos Estados Unidos. Ele subverteu a Constituição do seu país e deveria assumir total responsabilidade por isso! Mas o que aconteceu? A resolução tornou-se um punhado de palavras vazias e Reagan quase foi beatificado como um dos grandes estadistas dos Estados Unidos. Isso representa a total subversão dos nossos valores. Porque até mesmo valores sérios do pensamento liberal, como os defendidos por John Stuart Mill no século XIX, que confrontou de maneira inadequada, mas confrontou, a contradição do crescimento ininterrupto da nossa economia, está fora de questão. Ninguém nunca é responsável.
O que acontece nas eleições? Um novo partido continuará a culpar seu antecessor exaustivamente. Isso acontece hoje na Grã Bretanha, onde existe uma coalizão entre o partido conservador e o partido liberal. E eles não fazem mais do que afirmar que tudo o que produzem de negativo é consequência da administração anterior, do Partido Trabalhista. Isso é característico de um avestruz que insiste em esconder sua cabeça debaixo da terra.
Existe uma outra característica que precisamos observar, a dimensão de tempo. É completamente absurdo o discurso dos políticos quando afirmam que em 2050 os níveis de carbono estarão reduzidos e nossos problemas ambientais resolvidos. Nós estamos caminhando exatamente na direção contrária. Então por um lado temos uma projeção de tempo que engloba os próximos 30, 40 e 50 anos enquanto nossa cultura defende que encontremos soluções para os próximos quatro ou cinco anos, porque um ciclo político não vai muito além desse tempo. Nos Estados Unidos teremos eleições em breve, quando Obama provavelmente será reeleito. E assim as questões imediatas serão priorizadas em detrimento dos reais problemas que assolam a sociedade americana, que nunca serão confrontados. Então por um lado temos a perspectiva de tempo de 50 anos e, por outro, uma trágica realidade de pressões em termos de três, quatro, cinco anos.
O sistema capitalista não só foi válido por um tempo considerável como foi, de longe, mais poderoso e dinâmico do que qualquer outro sistema. Mas existe um limite para isso e esse sistema está se tornando cada vez mais destrutivo. E esse é o grande problema que os movimentos políticos e sociais terão de enfrentar, a separação da política das dimensões sociais e econômicas. Isso é parte do capitalismo, agrupar essas três dimensões. Se, no passado, o agrupamento dessas dimensões funcionou e possibilitou transformações econômicas violentas, além de transformações políticas, hoje já não surte efeito. E é por isso que quando as demandas desses movimentos sociais chegam aos parlamentos nada ocorre, no círculo de decisões políticas já existe uma inércia e as limitações herdadas do passado.
Pense nisso, o sistema capitalista, no auge da sua produtividade, é incapaz de satisfazer plenamente as necessidades da população mundial por comida. É calculado que em 20 anos ou menos o preço dos alimentos será absurdamente mais caro do que é hoje. Atualmente ainda existem revoltas promovidas por populações famintas. Nada poderia atestar mais graficamente a falência desse sistema. No Norte da África, essas pessoas que se rebelaram recentemente gastam em média 80% da sua renda apenas para assegurar comida. Com o aumento do preço dos alimentos, como eles vão ficar? E, com esse aumento, algumas pessoas, que se dizem especialistas, já começaram a culpar os chineses e indianos pela alta dos preços. Com o fortalecimento das suas economias, eles começaram a comer. Que ultraje! Populações inteiras que sempre trabalharam como escravos, em jornadas de até 14 horas ao dia, começaram a comer como gostariam? Isso não é um absurdo? E é com desculpas como essa que nossa sociedade se acomodou para afrontar seus problemas. Eu insisto, fechando os olhos e varrendo tudo para baixo do carpete.
O grande dinamismo por trás do sistema capitalista ocorreu no momento em que o valor de troca substituiu o valor de uso. O uso primário de um produto capitalista é a venda, uma vez que você tenha vendido o seu produto, ele cumpriu com o seu objetivo. Não importa para onde ele vá, não importa se ele será utilizado uma, duas ou dez vezes. Isso é totalmente irrelevante.
O sistema capitalista, que possui essa dinâmica, atingiu o limite de suas contradições. O principal ponto do capitalismo é ignorar a necessidade real das pessoas. Prova disso é que ainda hoje as pessoas sofrem enormemente. Elementos da necessidade humana não podem ser considerados porque a natureza do nosso sistema é um crescimento sem limites e sem fim. E nesse sentido o céu é o limite. Não é bem assim. Dizer isso é enganar-se a si mesmo. Existe um limite para os seres humanos e a maneira como nos relacionamos com a natureza. Nossa existência depende da manutenção de uma relação aceitável com a natureza.
A crise econômica mundial
Engana-se quem acha que esse excedente chinês salvará o sistema, porque são três trilhões de dólares em comparação a 30 trilhões do restante do mundo. Não significa nada.”
A crise não caiu do céu, ela foi gerada. Quais são as razões dessa crise? A dívida dos Estados Unidos é hoje algo em torno de 14 trilhões de dólares. E essa é uma das dimensões que foi varrida para debaixo do carpete, 14 trilhões da dívida norte-americana varridos para debaixo do tapete. E ela cresce cada vez mais. Agora eu pergunto, por quanto tempo isso pode seguir adiante? Nos EUA, no último mês, o desemprego aumentou depois que trilhões de dólares foram injetados na economia.
O presidente Obama disse certa vez que já podia ver a luz no final do túnel da crise. Eu concordo com ele, também vejo uma luz. Mas é a luz de um trem vindo em nossa direção. Na ocasião, ele disse que o déficit dos EUA seria reduzido pela metade, e eu afirmei que era mais provável que o déficit dobrasse, exatamente o que aconteceu. Agora o Congresso norte-americano é incapaz de estender o próprio limite do endividamento do país. E essa conjuntura é global, está conectada com todos os outros países. Não é um problema da Espanha, ou dos Estados Unidos, ou de Portugal. Pegue a Itália como exemplo, onde um palhaço criminoso governa o país, Silvio Berlusconi.
Eu prefiro chamá-lo de Berlusconi, que é especialista em inventar soluções artificiais e provisórias para os problemas da economia italiana. Ele sofreu importantes perdas eleitorais nos pleitos municipais, mas eu ainda insisto, o que mudará com essas eleições? Muito pouco. Na Grécia, por exemplo, um governo de centro-direita foi substituído pelo Partido Social-Democrata. A única coisa que mudou foi a revelação de uma dívida catastrófica que causou um pedido de resgate de 100 bilhões de dólares para uma economia relativamente pequena. E, para piorar, eles precisam de um novo resgate. Por quanto tempo isso continuará a sufocar o sistema?
Os países encontraram um termo muito bonito para se referir a esse constante endividamento, “endividamento soberano”. Soberano é uma palavra que parece boa, mas estamos falando de algo em torno de 30 trilhões de dólares, que está aumentando inexoravelmente. Os economistas dizem que o único país que não enfrenta isso é a China, que está sentada em um excedente de três trilhões de dólares. Mesmo assim, engana-se quem acha que esse excedente chinês salvará o sistema, porque são três trilhões de dólares em comparação a 30 trilhões do restante do mundo. Não significa nada.
Agora, nenhuma das soluções para a crise virá do liberalismo. Os próprios limites do capitalismo precisam ser considerados, essa necessidade intempestiva por crescimento ilimitado. Isso significa exaurir nossos recursos estratégico-naturais. A própria questão da água, há muitas regiões no globo que a água não é mais apropriada para a produção e para o próprio consumo. Mesmo diante da exaustão gradual dos nossos recursos naturais, um imenso perigo, nós continuamos caminhando para a mesma direção do crescimento incontrolável. A própria solução para a crise financeira é crescer e crescer até superá-la.
As possíveis soluções para essa contradição assumem um caráter caricato. Karl Marx usou uma expressão interessante: “primeiro temos a tragédia, que depois transformamos numa farsa”. Isso se aplica ao capitalismo hoje, porque os especialistas dizem que nós vamos resolver os problemas da nossa relação com a natureza simplesmente reduzindo os níveis de emissão de carbono. Então é assim que vamos resolver o problema catastrófico do meio ambiente? Existe um limite para absolutamente tudo. É uma farsa porque todos os países, embora admitam que existe um grave problema a ser resolvido, continua a consumir energia irresponsavelmente. A população dos Estados Unidos representa 4% do total mundial e consome 20% dos recursos, um absurdo. Essa “solução fácil” é uma farsa, porque a não ser que a humanidade enfrente esse problema de maneira contundente – e aceite as consequências dessa escolha – nós nos encontraremos em um cenário devastador.
Programas de distribuição de renda e classe média ressentida
Talvez os críticos não sejam conscientes o suficiente sobre como a estrutura social é dolorosa para os mais pobres. O sofrimento é geralmente parte de um sistema imposto. A conscientização leva as pessoas a se perguntarem como resolver problemas como a fome. É com repressão?”
Todos esses programas estão ajudando as pessoas que vivem na miséria a saírem dessa situação. Isso é positivo e necessário, mas, sozinhos, não vão resolver os problemas. O Brasil não está imune aos problemas estruturais dos quais falamos. Sempre que programas como esses são criados, a classe média e alta tende a ficar enciumada e ressentida porque acham que estão apenas gastando dinheiro com a população mais pobre. Eu ouvia isso de um jeito muito intenso sobre as reformas promovidas pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela. “Vejam só como estamos gastando com isso”, diziam. Mas vejamos por outro lado: houve uma enchente colossal na Venezuela no ano passado e Chávez mandou os governadores com salas vazias nos prédios oficiais a abrigar pessoas que tinham sido afetadas pelos desastres. Isso é temporário, não resolve os problemas.
Então fizeram um programa para construir 200 mil casas para as pessoas atingidas. E as pessoas diziam: “É uma injustiça ter que ajudar essas pessoas”. Mas o oposto também é verdadeiro, porque muitos dos que reclamavam tinham recebido todo tipo de ajuda e facilidades durante a crise econômica. Agora, quando pensamos nos trilhões de dólares usados para salvar os bancos, quem recebeu esse dinheiro? Não foram essas pessoas que recebem benefícios do governo para sobreviver. Eles talvez tenham alguns milhares de dólares se acumularem por anos. Mas os bancos, as corporações, as grandes empresas receberam trilhões.
Quem salvou a General Motors? O governo dos Estados Unidos. Isso com Bush e com Obama. Colocaram trilhões de dólares em corporações corruptas e irresponsáveis.
Na Inglaterra, logo depois da Segunda Guerra, o governo trabalhista promoveu uma grande nacionalização e muitas pessoas viram aquilo como medidas socialistas. Mas o que eles nacionalizaram?
Todas as áreas falidas da economia. Eletricidade, minas de carvão, empresas de aço, e tudo mais. Todos os setores da economia capitalista que, sem essas medidas, não seriam salvas nem funcionariam. E ninguém fez rejeições. Diziam que eram ações para a garantia da economia.
E agora, recentemente, lemos nas manchetes de jornais as frases “salvando o sistema”, quando se referiam as medidas anti-crise adotadas. As pessoas realmente acreditam que não estão dando dinheiro para essas empresas, mas salvando o sistema. É aí que está o problema. Como você salva um sistema cavando mais buracos? Para fechar um buraco, você constrói outro maior e maior.
Tempos atrás, a Venezuela viveu uma rebelião que ficou conhecida como “Caracazo” (1989). Esse movimento aconteceu quando uma multidão de pessoas foi até a cidade de Caracas protestar contra as políticas econômicas do governo anterior. E o governo mandou suas tropas às ruas e assassinou pelo menos três mil pessoas. Chávez é o resultado das ações contra esse tipo de governo. O mesmo aconteceu durante a Comuna de Paris.
Então, sempre que alguém faz algo em benefício da população, como construir 200 mil casas para desabrigados, é acusado de gastar dinheiro.
Não acho que no Brasil alguém deva levar a sério as críticas aos programas sociais. Talvez os críticos não estão sendo conscientes o suficiente sobre como a estrutura social é dolorosa para os mais pobres. O sofrimento é geralmente parte de um sistema imposto.
A conscientização leva as pessoas a se perguntarem como resolver problemas como a fome. É com repressão? No “Caracazo” houve uma resposta militar. Isso hoje mudou. Não estou dizendo que não haja mais violência no mundo, mas isso hoje é algo inaceitável. No Egito, muitas pessoas foram reprimidas. Mas chegou uma hora que Mubarak, mandante da repressão, viu todos se voltarem contra ele, porque para fazer aquelas pessoas voltarem para casa seria necessário mandar matar todo mundo.
Ao mesmo tempo, ainda existem forças militares que defendem as políticas de ocupação de partes do mundo. E existem até teóricos militares nos Estados Unidos que dizem que não é mais possível para as tropas americanas saírem do Iraque nem do Afeganistão, onde a guerra dura quase dez anos.
A solução seria fazer com que os 40 mil combatentes fiquem por lá. Outros recomendam o uso de armas nucleares no Irã. Olha o grau da irracionalidade! Enquanto isso, os Estados Unidos têm uma dívida colossal. E estão cobrindo esses déficits tomando mais dinheiro emprestado. Outra dimensão do problema é que todo cidadão americano está endividado. Uma hora ou outra vai acontecer com os Estados Unidos o que acontece na Espanha, na Irlanda, em Portugal, na Grécia.
A Espanha está virtualmente falida, a Itália também. A Inglaterra também. E o que eles estão tentando fazer é justificar os altos a custos que estão submetendo as pessoas, cortando serviços de saúde e educação. Por trás de tudo isso estão as pressões históricas de um sistema anacrônico.
As pessoas ainda criticam os gastos com as pessoas que mais precisam. Depois da Segunda Guerra, surgiu a ideia do Estado de Bem Estar Social, que agora está sendo destruída. A ideia era que os ricos pagassem mais tributos, e a renda fosse distribuída. Agora, o que está acontecendo é o contrário. Nas regiões ricas, o que vemos é a isenção de taxas.
No Brasil a elevação do salário mínimo, por exemplo, foi uma iniciativa importante. Mas é um pequeno passo. Isso não vai mudar as estruturas econômicas que o Brasil terá que enfrentar, como qualquer país do mundo.
A onda conservadora europeia
“O que são esses partidos da social-democracia hoje na Europa? São herdeiros de anos de reformas que os trouxeram cada vez mais para a direita. O que aconteceu com as legendas mais radicais, como o Partido Comunista Italiano, de Gramsci? Suas propostas fundamentais foram completamente diluídas”
Essa é a questão central. Todas as nossas instituições políticas atuais são frutos de um processo histórico. E o horizonte das soluções que podemos adotar por meio dessas instituições está condicionada a esse processo histórico. Os parlamentos dos países que tentam enfrentar essas questões também têm atuação limitada. As pessoas pensam que podem virar as costas para a história. Isso não é possível. Para qualquer compreensão da realidade, é preciso ter uma perspectiva histórica. O que são esses partidos da social-democracia hoje na Europa? São herdeiros de anos de reformas que os trouxeram cada vez mais para a direita.
O que aconteceu com as legendas mais radicais, como o Partido Comunista Italiano, de Gramsci? Suas propostas fundamentais foram completamente diluídas e o PCI se fragmentou. Os verdadeiros partidos de esquerda hoje na Europa são muito pequenos, sem representação. Outro exemplo: na Alemanha, antes da Primeira Guerra Mundial, a esquerda defendia que chegaríamos ao socialismo por meio de pequenos avanços sociais, sem realizar grandes mudanças estruturais. Mas, durante a Guerra, os social-democratas aliaram-se entusiasticamente ao governo imperial.
O que veio depois não foi um lindo governo a promover pequenos avanços rumo ao socialismo, mas sim o surgimento de Hitler e um cenário muito mais catastrófico. As propostas dessas legendas de esquerda foram diluídas historicamente. O próprio partido dito socialista espanhol foi o responsável por adotar, diante da crise de 2008, medidas que puniram os trabalhadores.
As revoltas do mundo árabe
“Autoridades inglesas declararam que a saída do ditador do Iêmen seria muito perigosa porque poderia significar o controle do país pela Al Qaeda e, portanto, um risco à segurança na Inglaterra. Dá para imaginar isso?”
Esses movimentos estão surgindo lentamente. As pessoas estão começando a ficar extremamente desencantadas com a realidade da situação. No mundo Árabe, as revoltas aconteceram porque a situação simplesmente explodiu.
Em alguns casos, os ditadores foram depostos, mas quem atuava por trás deles? Nós falamos de democracia na imprensa ocidental, mas aqueles ditadores eram fantoches que atuavam na lógica norte-americana de governar o mundo. Por isso que eu digo que essa realidade é uma contradição imensa. No Iêmen, também há um ditador assassinando o seu povo, mas os Estados Unidos não quiseram dizer algumas palavras sobre democracia, eles não disseram que esse ditador deveria deixar o país e seu povo em paz. Simultaneamente, autoridades inglesas declararam que a saída do ditador do Iêmen seria muito perigosa porque poderia significar o controle do país pela Al Qaeda e, portanto, um risco à segurança na Inglaterra. Dá para imaginar isso? A Al Qaeda no Iêmen sendo um perigo para a segurança inglesa? É um absurdo e os políticos se atrevem a dizê-lo em público, mesmo que não acreditem sinceramente numa palavra.
Na Arábia Saudita, existe um regime brutal, praticamente feudal. Mas tudo bem, porque ela é uma aliada fiel das nossas democracias e liberdades. Esse tipo de contradição não pode seguir adiante.
E essas contradições causam a emergência de iniciativas diretas lideradas por pessoas sem ligações com partidos políticos. E isso é um dos sinais mais esperançosos. Há pouco tempo as reuniões políticas estavam repletas de pessoas mais velhas, e agora esses encontros estão repletos de pessoas mais novas.
As manifestações pela Europa
Nós criamos o hábito de varrer nossos problemas para debaixo do carpete. Só que o nosso carpete histórico se parece cada vez mais a uma montanha, está cada vez mais difícil de caminhar sobre ele. Não há solução imediata”
Em uma economia capitalista mais estruturada, como a Inglaterra, onde por anos a juventude foi extremamente alienada, houve uma verdadeira rebelião contra o apoio do Partido Liberal ao aumento das taxas para a educação superior. Os liberais opunham-se a esse aumento durante a campanha e a juventude inglesa realizou protestos massivos nas ruas e certamente os punirá nas futuras votações. E então vemos tanto o lado positivo quanto o negativo das nossas estruturas institucionais. O lado bom é que as pessoas revoltadas com a traição de um partido se manifestam e pressionam os partidos. Porém, o que mais podem fazer? Esperar anos pelo próximo pleito e colocar um pequeno pedaço de papel numa urna de votação. E o que um partido diferente pode trazer de novo? Muito pouco, quase nada. Uma vez eu citei a frase do escritor norte-americano Gore Vidal, sobre a situação política nos EUA. Ele afirmou que no seu país havia apenas um partido político com duas alas direitistas. Bem, na Inglaterra, na Itália e na Alemanha ocorre a mesma coisa. Não importa para onde você olhe as opções são limitadas porque a margem para a ação política é muito estreita.081211_meszaros
Eu não esperaria grandes mudanças imediatas nas manifestações na Europa. Os problemas do nosso sistema capitalista são tão grandes que levará um grande tempo para que qualquer movimento surta efeito. Mas eu acredito que veremos ainda algumas mudanças fundamentais. Não significa que acontecerá nos próximos dois ou três anos, porque nós criamos o hábito de varrer nossos problemas para debaixo do carpete.
Só que o nosso carpete histórico se parece cada vez mais a uma montanha, está cada vez mais difícil de caminhar sobre ele. Isso ocorreu porque, diante de um problema, temos essa necessidade de encontrar uma solução a curto prazo, para um período de dois ou três anos. Basta se lembrar de quantos milagres econômicos ouvimos falar. Eu me lembro o milagre alemão, o milagre japonês e até o milagre brasileiro. Todos evaporaram, porque milagres não resolvem os problemas da nossa sociedade.
Nossa sociedade deverá se confrontar com problemas estruturais e fundamentais, será uma grande mudança de uma ordem social para a outra. Tente projetar isso para o passado. Do sistema feudal para o sistema capitalista essa transformação levou séculos. Séculos de grandes crises. Imaginar que mudar de uma ordem social que foi dominante por três ou quatro séculos para outro pode levar apenas algumas décadas é ingenuidade.
América Latina, terra de esperança
“Eu também tenho ressalvas à expressão “capitalismo avançado”. Os países capitalistas avançados são os mais destrutivos. Você chamaria isso de avançado? Não é avançado e em muitos aspectos nos traz de volta à condição da barbárie”
Quando você pensa na totalidade da América Latina, é impossível negar que houve tremendos avanços políticos. Houve mudanças significativas também em outros aspectos. A primeira vez que eu vim ao Brasil foi em 1983. Após uma conferência em João Pessoa, eu dava uma entrevista numa rádio local quando vi pela janela uma grande aglomeração de pessoas. Durante a pausa para os comerciais, fiquei sabendo que a razão daquela movimentação toda era que em algum lugar perto de João Pessoa havia protestos de pessoas famintas, que não tinham o que comer.
O programa de Lula de combate à fome foi uma resposta a situações como a que eu vi. Hoje, pelo o que sei, não existem mais protestos por comida no Brasil. O aumento do salário mínimo também foi uma contribuição importante. E mudanças também ocorreram na Venezuela, Bolívia, Paraguai e Argentina. A Argentina, por exemplo, deveria ser um daqueles milagres econômicos. Mas o milagre argentino terminou na total falência do País. Eles chegaram até a dolarizar sua economia, abandonaram sua moeda e foram sufocados por isso. Os protestos populares levaram à mudanças significativas na Argentina. Então, a América Latina é um continente onde várias experiências interessantes ocorreram e ainda estão em curso.
Agora, eu não afirmo com isso que a América Latina, assim como o restante do mundo, poderá se isentar de enfrentar esses problemas estruturais que eu já mencionei. E esse é o grande desafio para o futuro. A dimensão muito positiva é que na América Latina existem movimentos extremamente importantes como ocampesinos e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). São movimentos sociais que não tem a perspectiva de implorar por favores políticos, mas que tomam a iniciativa e tentam controlar as coisas por si mesmo. Uma das características mais importantes desses movimentos é que eles tentem controlar a situação.
Na América Latina, as soluções também precisam levar em conta um esforço para remediar nossa relação com a natureza. Em um futuro próximo, por exemplo, nós teremos de considerar como colocar energia nos nossos carros. Se você produz carros, eles precisam de energia de alguma maneira. Ao mesmo tempo, nós multiplicamos cada vez mais o número de carros porque a produção não pode parar. Mas, o que precisamos fazer é perceber que a real necessidade das pessoas é o transporte, não os carros. Nós precisamos pensar em meios de transportes adequados, não carros individuais que agridem a natureza.
Eu a considero a América Latina, de longe, o continente mais esperançoso do mundo. Aqui, coisas interessantes vêm acontecendo desde os anos 70. A primeira reação aos movimentos que eclodiam, naquela época, foram as ditaduras. Ao menor sinal de problema, os norte-americanos encontravam um ditador. Eles enviavam os fuzileiros ou achavam algum general que pudesse fazer o trabalho por eles. Hoje os Estados Unidos não podem mais fazer isso, essa fase histórica passou, mas ainda carrega consequências e repercussões.
Eu acredito que as reais transformações estruturais, que levaram séculos para acontecer do feudalismo para o capitalismo, não demorarão tanto para ocorrer. Por quê? Porque nós não temos séculos. Nosso tempo está se esgotando. E essas mudanças não podem ser pensadas como algo isolado ao “mundo subdesenvolvido”. Nós vivemos em um único mundo. Existem alguns conceitos mistificadores como “terceiro mundo”. Eu sempre rejeitei essa expressão. O que é o terceiro mundo? Eu apenas conheço um. Não é o “terceiro mundo”, mas uma parte integrada do mundo na qual os países são explorados. E a América Latina é o continente mais esperançoso onde as mudanças serão iniciadas, mas não poderão ser concluídas.
Globalização é um conceito utilizado apologeticamente. A realidade da globalização é que existe, na verdade, uma tendência para a integração econômica. Mas, politicamente, nada é resolvido. E hoje ainda prevalece a lógica de confrontar problemas políticos por meio da guerra, violência e destruição. É o que fazem os Estados Unidos. Isso é um grande absurdo porque nada na história da humanidade foi resolvido pela guerra.
Eu também tenho ressalvas à expressão “capitalismo avançado”. Os países capitalistas avançados são os mais destrutivos. Você chamaria isso de avançado? Não é avançado e em muitos aspectos nos traz de volta à condição da barbárie. Rosa Luxemburgo uma vez disse “socialismo ou barbárie”. Eu acrescentaria algo à frase de Rosa Luxemburgo: “barbárie, se tivermos sorte”. Porque a destruição total da humanidade é o que está em nosso horizonte. A tendência é sempre resolver os problemas com guerras e destruições. Na Primeira Guerra, os aliados saíram vitoriosos. Mas o que eles resolveram? Eles criaram Hitler. Por isso eu digo que as decisões estão sendo tomadas às costas das pessoas. Elas nunca antecipam as coisas. Elas nunca imaginam que depois da vitória vem a destruição.
Em 1871, na Comuna de Paris, o que aconteceu foi uma brutal destruição. Bismarck, o chanceler alemão, que venceu as tropas francesas anos antes, quando viu as comunas tomando o poder em Paris, ordenou a libertação dos prisioneiros de guerra franceses para destruir a organização. O que aconteceu depois? Três impérios fizeram um pacto para lutar juntos contra esses tipos de distúrbios feitos pela população, caso acontecesse de novo. Isso não é mais possível. Um dos maiores estrategistas de guerra de todos os tempos, general Carl Von Clausewitz, disse uma vez: “a guerra é a continuação da política, só que por outros meios”. Hoje isso é inconcebível. Uma nova guerra mundial acabaria com a humanidade. Essa é a diferença histórica fundamental.
A América Latina é hoje uma das regiões onde se tem mais esperanças, porque as pessoas estão tomando o controle das decisões, assumindo responsabilidades, depois de terem eliminado ditadores.
E como vamos fazer essa transformação? Transformando as pessoas. A exploração da esmagadora maioria das pessoas por poucos não é mais aceito como era antes. No socialismo você não pode fazer isso. Você não aceita uma minoria que controla a política e a economia tomando todas as decisões. Seria um absurdo. Por isso temos que criar uma sociedade da igualdade substancial. A produção de mercadorias e o mercado devem ser as bases dessa equalização. Precisamos ir em direção a um sistema de igualdade substancial, com reorientação, com participação nos processos de decisão, com nossas decisões sobre o que queremos fazer para tornar nossas realizações mais justas, mais igualitárias. Ninguém precisa decidir isso por você.
Em The Critique of The Gotha Program, Marx fez a definição do que seriam os estágios inicial e final do socialismo. No primeiro, a distribuição seria feita a cada um de acordo com a sua contribuição para o total do produto social. Na fase avançada, seria de acordo com a sua capacidade ou necessidade. Agora, quem determina o que a gente precisa? Apenas uma pessoa, você mesmo. Hoje, 1% ou 2% da população controla de 40% a 60% dos recursos e riquezas da sociedade. Para mudar isso, será preciso uma cooperação das pessoas pelo mundo. Para produzir e distribuir conforme as necessidades, será preciso criar empresas cooperativas. Isso vai ser a base da sociedade do futuro. E não podemos ter certeza de que essas transformações vão ser feitas apenas dentro da lei. Não estamos enfrentando apenas leis humanas, mas as leis da natureza. A natureza está nos impondo seus limites. Por isso precisamos nos adaptar ao melhor uso dos recursos. Isso vai acontecer em pouco tempo – mas não no meu tempo, infelizmente. As pessoas estão começando a confrontar essa realidade, sobretudo na América Latina.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Greenpeace faz protesto contra Código Florestal em Brasília

Brasília amanheceu hoje (6) com uma manifestação contra a aprovação do novo Código Florestal. Na Praça dos Três Poderes, representantes do Greenpeace inflaram um balão gigante em formato de motosserra, que trazia as frases: “Senado, Desliga Essa Motosserra”, de um lado, e "Dilma, Desliga Essa Motosserra", de outro.


Para o Greenpeace, a aprovação do projeto do novo Código Florestal compromete as metas do país de preservação do meio ambiente. “O projeto de lei como está [escrito] vai levar ao aumento do desmatamento, [conceder] anistia para quem desmatou ilegalmente e ainda abrir brechas para novas concessões”, disse a engenheira agrônoma do Greenpeace Brasil Tatiana de Carvalho.


De acordo com ela, o texto em discussão no Congresso sobre o Código Florestal causa prejuízos para a sociedade, pois ameaça a segurança dos rios e do mar, além de pôr em risco as florestas do país.


“A gente já vê uma série de catástrofes naturais acontecendo de forma cada vez mais frequente. Esse [texto sobre o novo] Código Florestal não trata somente de questões rurais, mas também de questões urbanas, como a proteção de encostas”, disse ela.


A previsão é que o Senado, no plenário, vote ainda hoje (6) o texto do novo Código Florestal. Até ontem (5), segundo assessores, foram protocoladas 44 emendas. Nos debates que ocorrerão ao longo do dia, podem ser incluídas mais propostas.

Desigualdade entre populações ricas e pobres atinge níveis recorde, também na Europa

A desigualdade entre ricos e pobres no seio dos países que integram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) aumentou até atingir seu nível mais alto em 30 anos, de acordo com um relatório elaborado pela mencionada instituição internacional no que o Estado espanhol e estados considerados tradicionalmente mais igualitários, como a Alemanha, Dinamarca e Suécia, incrementaram a fenda, devido a uma maior fratura do mercado trabalhista.

O relatório "Seguimos divididos: Por que a desigualdade segue aumentando?" conclui que os rendimentos médios do 10% rico é atualmente nove vezes maior que a de 10% mais pobre de toda a OCDE. No caso do Estado espanhol, esta distância multiplica-se por onze vezes.
A desigualdade aumentou inclusive em países que se identificaram por ser iguais, como a Alemanha, Dinamarca e Suécia, de 5 a 1 na década de 1980 e de 6 a 1 hoje.
A fenda é de 10 a 1 na Itália, Japão, Coréia e o Reino Unido, e mais de 14 a 1 em Israel, Turquia e Estados Unidos.
Entranto, no Chile e México os rendimentos dos mais ricos continuam sendo mais de 25 vezes superiores aos de quem vive em condições de pobreza, as cifras mais altas da OCDE.
Assim mesmo, a diferença de rendimentos é muito maior em grandes economias emergentes fora da OCDE. A margem 50 a 1 encontra-se no Brasil, que se mantém com uma desigualdade muito superior à de muitos outros países, apesar de que tem descido de maneira significativa durante a última década.
"O contrato social está começando a ruir em muitos países. Este estudo desacredita a hipótese de que os lucros do crescimento econômico automaticamente repercutam sobre os mais desfavorecidos", assinalou o secretário geral da OCDE, Angel Gurría, durante a apresentação do documento em Paris.
"Sem uma estratégia integral para o crescimento, a desigualdade seguirá aumentando", sustentou.
No caso pontual do Estado espanhol, a Organização indicou que "a desigualdade diminuiu desde meados dos anos 80, contrariamente ao acontecido na maioria dos países da OCDE, onde houve uma tendência importante à alta nos últimos 25 anos (...) No entanto, dados nacionais recentes mostram que a desigualdade tem incrementado nos dois últimos anos".
Igualmente, a instituição apreciou uma menor diferença de salários entre os trabalhadores melhor e pior remunerados. Assinalou que a diferença diminuiu no Estado espanhol em 20% entre 1994 e 2008. Neste mesmo período, incrementou-se praticamente em todo o resto dos estados da OCDE.
Os sistemas fiscais desempenham um papel importante na redução da fenda da desigualdade impulsionada pelo mercado; no entanto, caiu sua eficácia na redistribuição dos rendimentos desde a metade da década de 90.
Agora sabe-se que o condicionante principal na redistribuição dos rendimentos se encontra no lado dos lucros. Os níveis de lucros reduziram-se em quase todos os países da OCDE e não pôde ser mantido o ritmo de crescimento dos rendimentos.
Outro ponto significativo foi o corte nas taxas impositivas dos rendimentos mais altos.
"Nosso relatório indica claramente que a melhoria das qualificações da mão-de-obra é de longe o instrumento mais poderoso para contrarrestar a crescente desigualdade de rendimentos. O investimento em capital humano deve começar na infância e continuar através da educação e o trabalho", assegurou o secretário geral da OCDE.
A mencionada organização ressalta a importância na necessidade de que os governos revisem seus sistemas fiscais para assegurarem que as pessoas mais ricas contribuem com uma quota justa para a carga fiscal.
A proposta pode ser atingida incrementado as taxas marginais de impostos aos ricos e na melhoria no cumprimento das obrigações tributárias. Além disso, eliminando as deduções fiscais e reavaliando o papel dos impostos em todas as formas de propriedade e riqueza.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Bélgica - Milhares de pessoas protestam contra plano de austeridade

Em Bruxelas, em torno de 80 mil manifestantes paralisaram a capital belga na sexta feira dia 2 de dezembro para protestar contra os planos de austeridade que preveem cortes de € 11 bilhões nos programas sociais. A manifestação foi convocada pelas centrais sindicais FGTB (Federação Geral do Trabalho da Bélgica), CSC (Confederação de Sindicatos Cristãos) e (). Entre as medidas já anunciadas pelo primeiro ministro “socialista” Elio Di Rupo estão a redução do seguro desemprego, cortes nas aposentadorias e o aumento da idade para se aposentar. Também deverá ser comtemplado a redução de salários, demissões de trabalhadores temporários e a não renovação de contratos dos servidores públicos.
“A Bélgica tornou-se um paraíso fiscal para os mais ricos e um inferno fiscal para os que se levantam cedo”, disse Anne Delemenne, secretária geral da central FGTB.
O novo governo, que é apoiado por uma coligação de seis partidos de direita, centro e esquerda e que deverá assumir o poder no início da próxima semana, terá como principal objetivo a implementação das diretrizes impostas pela UE (União Europeia), BCE (Banco Central Europeu) e FMI (Fundo Monetário Internacional) sob o desculpa de “tranquilizar os mercados”.
A dívida da Bélgica atinge mais de US$1,3 trilhões contra um PIB estimado para este ano de um pouco mais de €350 bilhões. O déficit público deverá fechar em quase 4% do PIB. As finanças públicas ficaram muito afetadas quando em outubro o governo belga resgatou o Banco Dexia da bancarrota, pela segunda vez em três anos, junto com os governos da França e Luxemburgo, em uma operação estimada em mais de €90 bilhões, dos quais deverá assumir 65%. Os ataques dos especuladores financeiros contra os títulos públicos belgas, assim como tem acontecido contra quase todos os demais países europeus, têm aumentando principalmente depois do mês de setembro quando a crise capitalista mundial se aprofundou. As taxas de juros pagas pelos títulos públicos a dez anos ultrapassaram os 5% e a agência de qualificação de riscos Standard & Poor’s rebaixou recentemente a nota da divida pública da Bélgica de AA+ para AA.
Nas últimas semanas aconteceram grandes greves gerais em vários países europeus: Grã-Bretanha, Grécia, Portugal e a Bélgica os protestos contra o capitalismo avançam nos países imperialistas. As massas trabalhadoras continuam demonstrando que não estão dispostas a pagarem pela crise e que continuarão a lutar contra os especuladores financeiros que continuam impondo políticas para manter altas taxas de lucro a qualquer custo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Segurança do PSDB - Assassino do Carandiru é nomeado comandante da ROTA

Na semana passada, o governo tucano de São Paulo nomeou para o comando da ROTA o tenente-coronel Salvador Modesto Madia.
Madia é apontado como um dos chefes do massacre do Carandiru, promovido pela ROTA e que resultou no assassinato de pelo menos 111 detentos da penitenciária do Carandirú, em outubro de 1992, após uma rebelião dos presos. A ROTA e a tropa de choque executaram os detentos que já estavam rendidos e promoveram o massacre.
A nomeação do assassino da ROTA mostra bem a cara do governo do PSDB em São Paulo: uma corporação treinada para a execução e controle de multidões. Seu caráter é acima de tudo político, de defesa do regime político contra a população que a todo momento contesta o sistema de exploração na cidade.
A polícia militar não mudou nada em relação à época do Carandiru ou da ditadura militar, que durou quase trinta nos no País.
O PSDB, de Geraldo Alckmin, é o representante da continuidade dessa política que defende a qualquer custo a repressão aos trabalhadores, com o pretexto cínico da “segurança pública”.
Polícia que mata pelas costas
A “segurança” do PSDB é aquela que mata pelas costas. Somente em 2011, foram 149 casos de “pessoas mortas em confronto com a polícia”, termo utilizado pela polícia para acobertar assassinatos pelas costas.
O lema da ROTA é “bandido bom é bandido morto”, lema que faz parte da “filosofia” do novo comandante assassino, escolhido por Geraldo Alckmin.
O secretário estadual de segurança pública, Ferreira Pinto, para justificar a nomeação do assassino Madia, declarou que o que ocorreu no Carandiru foi “confronto, não massacre”. A mesma justificativa dada pelos assassinos da polícia que matam trabalhadores na periferia sem perguntar nem o nome.
É contra essa polícia assassina de trabalhadores que os estudantes da USP estão em luta nesse momento.
Geraldo Alckmin e o atual reitor da Universidade de São Paulo, defensores abertos da privatização da USP, não estão preocupados com a segurança de ninguém.
A PM foi colocada na USP para impedir a luta de estudantes e funcionários contra a privatização. Não podemos esquecer que há dezenas de trabalhadores e funcionários da USP sendo processados pelo governo do PSDB por terem cometido o “crime” de se manifestar, do mesmo modo a direção da ECT está perseguindo os grevistas dos Correios.
A PM foi colocada dentro da USP para dificultar ainda mais que a população pobre e os trabalhadores entrem na universidade, pois com a privatização nenhum trabalhador colocará o pé na USP.
Para a PM o lema  “bandido bom é bandido morto ”deve ser traduzido da seguinte forma: “pobre bom é pobre morto... ou calado”.
Os estudantes devem expulsar a PM da USP para garantir que a universidade continue pública e que o povo tenha o direito de estudar nessa universidade.
Em São Paulo, inúmeros trabalhadores do Correio estudam na USP, depois de enorme esforço para passar no vestibular. Agora o governo do PSDB, quer inclusive acabar com esta possibilidade, privatizando a universidade, para que só os filhos de empresários e de pessoas que ocupam cargos de confiança possam estudar.
Por isso apoiamos integralmente a luta dos estudantes, contra a PM, pela universidade pública e gratuita e pelo fim do vestibular
A luta dos estudantes deve servir de exemplo aos moradores das favelas e a todos os trabalhadores que sofrem nas mãos dessa ditadura da PM e dos privatizadores, sangue-sugas da população.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MST perde Egidio Bruneto,companheiro de todas as frentes de batalha

É com um sentimento profundo de tristeza e de grande dor, que informamos a perda do companheiro Egídio Brunetto, dirigente do MST que atuava no Mato Grosso do Sul, em um acidente de carro no interior do estado, ocorrido na tarde de hoje, quando ele se dirigia ao assentamento Itamaraty.
Egídio é foi um ser humano muito especial.  Filho de camponeses sem terra, trabalhou desde a infancia na roça, e sempre muito esperto e indignado, envolveu-se com a pastoral da terra na regiao de Xanxere-SC e se transformou em militante do MST desde a década de 80.  Desde então, contribuiu com a organização do Movimento em todo o país e com as lutas dos trabalhadores rurais pela terra, pela Reforma Agrária e por transformações sociais.
Militante exemplar, preocupava-se sempre com os cuidados de cada militante, e foi uma pessoa generosa e solidaria com todos. E aplicou isso empunhando a bandeira do internacionalismo e da solidariedade às luta dos povos e da classe trabalhadora, responsável pela relação do Movimento com organizações camponesas na América Latina e no mundo, sendo fundador da Via Campesina Internacional.
O MST e o povo brasileiro perdem um grande companheiro e um ser humano exemplar. Egídio, um guerreiro Sem Terra que andou pelo mundo, construindo a aliança do Movimento com a classe trabalhadora, deixou muitos e belos exemplos de vida, que pelo menos nos motivarão a segui-lo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

CELAC: Estamos construyendo el nuevo mundo

Hoy podemos estar orgullosos de nuestros avances. Hablo de nuestra América Latina y el Caribe, que surge con extraordinaria fortaleza para dar un pasito más -decisivo- en el camino de la integración y la unidad, de la naciente soberanía regional, conscientes de que seguramente Estados Unidos quiera sabotear también esta experiencia, como lo hizo con el Congreso Anfictiónico de Panamá.

Hablar de una Comunidad de Estados Latinoamericanos y del Caribe significa comenzar a asumir la soberanía regional, dejando de lado el “proteccionismo” de Estados Unidos y Canadá, conscientes de que las viejas recetas que nos impusieron desde hace 500 años solamente significaron dolor y penas para las grandes mayorías: exclusión social, pobreza, mientras los países centrales se quedaban con nuestros recursos naturales.

Bienvenida la CELAC, esta decisión de unirnos y buscar salidas conjuntas, aun cuando no todos los gobiernos de la región tienen el mismo signo ideológico y hay algunos que quieren seguir apostando a la dependencia imperial.

El establecimiento de un esquema de integración política, social, cultural y económica implica la fijación de mecanismos soberanos de autodeterminación en el uso de materias primas y recursos naturales (el mayor reservorio de agua), que incidiría directamente en la reversión del ejercicio de control y dominio que EEUU ejerce aún en nuestros territorios.

Comenzamos a vernos con nuestros propios ojos y no, como lo hicimos durante cinco siglos y pico, con ojos de extranjeros. Vernos con nuestros propios ojos significa recuperar nuestra memoria y buscar cómo satisfacer las necesidades de nuestros compatriotas antes que las exigencias de los organismos internacionales. Pueblo que no sabe de dónde viene no puede saber a dónde va y, entonces, el destino siempre se lo imponían desde afuera.

Es un largo camino éste, el de entender que integración no significa solo intercam bio comercial o negociación de aranceles. Y quizá el puntapié inicial se dio en Mar del Plata en 2005, cuando los latinoamericanos dijimos NO al ALCA. Claro, que antes los movimientos sociales lograron llevar al gobierno (y algunos incluso al poder) a gobernantes comprometidos con sus pueblos y no con los bancos acreedores ni con las recetas –tantas veces causantes de hemorragias- de los organismos internacionales.

Es un largo camino que comienza asumiendo un cambio histórico: pasamos de la etapa de la resistencia a la etapa de la construcción. Ya tenemos posgrados en denunciología y lamentos, ahora tenemos que crear, inventar, buscar los caminos para nuevas teorías, programas, planes, y nuevos caminos que redunden en sociedades más justas, más equitativas. Hace más de 500 años que pagamos los platos rotos del desastre capitalista.

Pero para eso debemos primero lograr la liberación. Y hablo de la liberación de los 1.400 centrímetros cúbicos de nuesros cerebro, conscientes de que tantos paradigmas que nos impusieron como verdades absolutas no son más que disparates para mantenernos divididos, sometidos. Comencemos por formatear nuestro propio disco duro.

Escribe el brillante académico francés Remy Herrera: La gravedad extrema de la crisis que golpea actualmente a Europa, especialmente a la zona euro, ante la elusión de las deudas llamadas “soberanas” de Grecia e Italia, entre otras, lleva a plantearnos la pregunta: ¿no tienen acaso los pueblos europeos lecciones que obtener de las experiencias vividas por ciertos países del Sur, provenientes de las estrategias anticrisis que se han adoptado allí?

Y es que, hasta ahora, son las recetas del Norte, supuestamente de validez universal, las que fueron administradas habitualmente en las economías del Sur –aun cuando les haya convenido sólo muy raramente–. Pero esos tiempos ya cambiaron, señala.

Las soluciones neoliberales de austeridad generalizada y de desmantelamiento de los servicios públicos hoy propuestas (o más bien impuestas) para intentar salvar al capitalismo en crisis y reactivar el crecimiento, son absurdas; constituyen el medio más seguro de agravar aún más esta crisis y para precipitar con mayor rapidez al sistema hacia el precipicio.

Sin ningún tapujo lo dijeron las presidentas sudamericanas: la argentina Cristina Fernández de Kirchner en el Grupo de los 20 y la brasileña Dilma Roussef cuando ejemplificó que “en Brasil tenemos empleo cuando en Europa crece el desempleo: no vamos a permitir que se exporten empleos a otros países”, tras señalar que Brasil ya no recibe instrucciones sobre política económica de organismos internacionales.

Hoy nuestra región es el único espacio en el mundo que ha resistido a la crisis económica mundial del capitalismo, que ha logrado el mayor activismo global anticapitalista y antiimperialista, con los “indignados” de más de 75 países, entre ellos Chile y Colombia, que aún siguen el libreto neoliberal e imperial.

Muchos alertan desde ya que la CELAC, es y será un objetivo militar de los Estados Unidos, considerando que Obama (en vísperas de su intento de reelección), no querrá ser apuntado como el Presidente que dejó perder su patio trasero.

No todos bailan al mismo ritmo, es cierto. Cinco de los 33 países -Panamá, México, Chile, Colombia y Costa Rica- tienen gobiernos que siguen atados umbilicalmente a Washington. Por eso, será también un foro para el debate de ideas, para la exposición de consensos y de discrepancias. Durante cinco siglos nos dividieron para dominarnos. Es hora de buscar el destino común.

Hay que comenzar por definir qué se quiere con la CELAC. El presidente ecuatoriano Rafael Correa tiró en la mesa sus barajas, debe ser un foro para resolución de conflictos regionales que reemplace a la OEA, porque ya sabemos que no lo van a resolver ni el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas y mucho menos otras instancias.

Los países de la CELAC hoy en día sumados, representan 6,3 billones de dólares de su Producto Interno Bruto (PIB), lo que la convertiría en la tercera potencia mundial económica, la principal reserva petrolera (aproximadamente 338.000 millones de barriles de petróleo), la tercera productora de energía eléctrica y la principal economía productora de alimentos, siendo las cuatro principales economías dentro de la CELAC las de Brasil, México, Argentina y Venezuela.

UNASUR avanza en la arquitectura financiera

El Consejo Suramericano de Economía y Finanzas de la UNASUR delineó el documento que contempla avanzar en los posibles mecanismos financieros para sustituir al dólar como moneda de pago (experiencia que ya se realiza entre Argentina y Brasil, y entre los países del ALBA con el Sucre) y un plan de infraestructura conjunto como herramientas para afrontar los efectos de la crisis financiera internacional.

Asimismo, se adelantaron propuestas concretas con el fin de fomentar el comercio intrarregional que incorporan valor agregado y consecuentemente empleo y bienestar para los pueblos de la región.

Se adelantaron 31 proyectos que demandarían una inversión de 16.000 millones de dólares. También forma parte del temario la coordinación en el uso de reservas y la puesta en funcionamiento del Banco del Sur, que podrá estar operativo una vez que el Parlamento uruguayo apruebe el documento constitutivo de la entidad, previsto para antes de fin de año según el presidente José Mujica.

“América latina vive un renacimiento político, económico y cultural sin precedentes. Sudamérica se presenta hoy como un ejemplo al mundo”, sostuvo la colombiana María Emma Mejía, secretaria general de la UNASUR, quien reemplazó en ese cargo al ex presidente argentino Néstor Kirchner.

La coordinación de políticas económicas entre los miembros de la UNASUR forma parte de la estrategia regional para hacer frente a la crisis internacional –con epicentro ahora en Europa– y delinear instrumentos de acción conjuntos para evitar cualquier embate económico.

“Es una muy buena señal para enfrentar la crisis sistémica del capitalismo del Norte y construir fórmulas de desarrollo económicas para la región. En esta época bicentenaria, estamos hablando de una nueva independencia”, dijo el canciller venezolano Nicolás Maduro.

Otro de los temas relevantes tiene que ver con la posibilidad de coordinar el uso de reservas a nivel regional, como fondo anticíclico, que alcanzarían la suma de 600.000 millones de dólares. El objetivo es contar con una herramienta que pueda dar auxilio a los países miembro en caso de “especulaciones financieras” en torno a sus monedas. “Existen tres posturas diferentes sobre la propuesta para coordinar el manejo de las reservas. Por lo tanto, este tema se mantendrá en el consejo técnico”, sostuvo el ministro argentino Amado Boudou, quien agregó que “es importante mostrar que en la región hay consensos para afrontar una crisis que tendrá impacto global”.

El otro instrumento del cual se habló es el Banco del Sur. Esta entidad ya fue aprobada por los Parlamentos de Argentina, Bolivia, Venezuela y Brasil. Uruguay es el país que está en pleno debate del proyecto. Una vez que se apruebe, la entidad regional contará con más del 60% de su capital constitutivo, por lo que podrá entrar en funciones. La iniciativa contempla la integración de un capital total de 20.000 millones de dólares.

Y discúlpeme, pero con estas noticias, mirando al mundo desde el balcón del Sur, me siento muy orgulloso de ser latinoamericano, de estar haciendo realidad la consigna de que otro mundo es posible... si trabajamos todos juntos, desde abajo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Brasil quer mesmo acabar com os índios


Uma nota, pequena, sem destaque, no Caderno "Ciência", da Folha de São Paulo de 11 de novembro, diz que o Senado Federal, através da Comissão de Constituição e Justiça, irá por em votação proposta de emenda à Constituição, PEC 215, que, com um jeito deslavado, quer mesmo acabar com as terras dos indígenas brasileiros e quiçás, quer acabar com todos eles.
Pela tal emenda pretende-se que seja o Congresso Nacional o competente para "aprovar a demarcação das terras ocupadas pelos indígenas e ratificar as demarcações já homologadas". Desse jeito, querem os senhores senadores e deputados deste Brasil rever tudo o que já foi feito em termos de reconhecimento do que são e onde estão as terras dos índios. Tal poder hoje, pela Constituição Federal, é exclusivo da nossa Presidente da República.  
A nota termina de forma triste, senão risível, ao dizer que os deputados que defendem a Emenda e os empresários ruralistas, especialmente os de Roraima, estão inconformados, porque, segundo eles, "metade do território roraimense, por exemplo, foi "perdido" para os índios, ficando "inviabilizado" para a agropecuária.
Ora, à parte do equívoco histórico, que não vê que o indígena é dono destas terras brasilis bem antes de o agronegócio aqui chegar, há que se atentar que existem outras onze propostas de emendas à constituição que seguem o mesmo caminho dessa de n. 215.  
A questão do índio brasileiro precisa levar gente para a rua, suscitar debates e acontecer na mídia No último dia 28 de outubro, foi baixada Portaria Interministerial de número 419, assinada pelos ministros da Justiça, Meio Ambiente, Saúde e Cultura, pela qual se regulamenta, de acordo com os interesses do governo, a atuação da Funai, da Fundação Cultural Palmares (FCP), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e do Ministério da Saúde na elaboração de pareceres em processos de licenciamento ambiental de competência federal, a cargo do Ibama.
A portaria acaba por reduzir prazos para a tramitação de tais processos e, poderá assim permitir que concessões de licenças ambientais sejam dadas, no afogadilho, a grandes e ávidos projetos econômicos que envolvem construção de hidrelétricas, mineração, rodovias e expansão da agricultura e pecuária em regiões onde habitam o povo indígena.
A justificativa de que a lentidão para a aprovação de tais concessões impede o progresso e o desenvolvimento do país é falácia para esconder o desrespeito e o avanço destruidor sobre bens e patrimônios nacionais. O índio brasileiro precisa sobreviver e viver em suas terras.
Quando leio este texto, ainda não se sabe o destino do corpo do cacique Nisio Gomes, executado, há dois dias, em 18 de novembro, em meio ao seu povo, os Guarani Kaiowá, que lutam para ocupar suas terras, no  Mato Grosso do Sul. A população indígena desse estado vem sendo vítima de violências constantes e, tudo indica, que o que se quer é o seu total extermínio. O cacique Nisio foi executado por pistoleiros, com vários tiros e agressões, diante de seus familiares. Seu corpo foi levado numa camionete, não se sabe para onde. Talvez para distante de suas terras, com o fim de impedir que seja ele enterrado onde estão suas raízes e sua história. A ação dos poderosos extrapola a sanha do poder econômico e fere fundo os direitos humanos fundamentais. 
A continuar assim o Brasil ainda irá chorar por não ter passado, nem história para contar. A presidenta Dilma precisa voltar seus olhos, com urgência e sinceridade, para a questão indígena sob pena de ostentar em seu governo a triste marca do descaso, da violência e do extermínio do povo mais brasileiro deste país.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Trabalhadores do Página 12 publicam carta de apoio a Darío Aranda

Eles protestam contra a censura imposta pelo jornal em duas matérias que responsabiliza o governo pela morte de um camponês



A Assembleia dos trabalhadores do jornal argentino Página 12 divulgaram nesta quarta-feira (24) uma carta de repúdio à censura imposta em duas matérias do jornalista Darío Aranda que tratavam do assassinato do camponês e militante do Mocase (Via Campesina), Cristián Ferreyra.

As matérias, publicadas na sexta-feira (18) e sábado (19), tiveram trechos recortados em que o Mocase responsabilizava o governador de Santiago del Estero, Gerardo Zamora, e o governo argentino pelo crime.

Na carta, os trabalhadores do Página 12 exigem que atos de censura não voltem a acontecer no jornal. “E, no caso de algum editor modificar o conteúdo das notas contra a vontade do jornalista, que se respeite o direito básico de retirar a assinatura”, pedem na carta.
Os trabalhadores ainda pedem que o jornal legalize a situação de Aranda, que há sete anos trabalha como colaborador, “sem garantias de estabilidade, sujeito ao humor da empresa, com pagamentos que no último ano chegaram a pouco mais de 500 pesos, custeando as viagens de seu bolso ou com a ajuda de organizações campesinas”.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

La segunda victoria de la revolución egipcia

La manifestación millonaria de la plaza de Tahrir de ayer convocada por los jóvenes de la revolución ha obligado al Consejo Supremo de la Fuerzas Armadas que gobierna Egipto a aceptar muchas de las demandas de los manifestantes. El mariscal Mohamed Huseín Tantaui, presidente del Consejo, anunció en su discurso de ayer la aceptación de la dimisión del gobierno de Essam Sharaf, la celebración de elecciones presidenciales antes del próximo mes de junio, la reestructuración del aparato de la policía y la formación de un gobierno de salvación nacional con competencias.

Estas renuncias no se hubieran producido de no ser porque cerca de un millón de ciudadanos bajaron a la plaza de Tahrir para pedir la marcha del Consejo Militar y la toma de posesión de un gobierno de unidad nacional que dirija el país de forma inmediata.

La corriente islamista, que boicoteó esta manifestación millonaria, erró en sus cálculos nuevamente al creer que los jóvenes de la revolución no serían capaces de movilizar ese número de personas porque en otras manifestaciones millonarias que convocaron antes solo hubo miles de manifestantes.

La importancia de estas renuncias, que han devuelto el respeto a la revolución egipcia y a sus jóvenes, radica en que se producen a menos de una semana de las elecciones parlamentarias, que según confirmó Tantaui se celebrarán en su fecha prevista, y que estas concesiones, así como las manifestaciones millonarias, han dado un fuerte empuje a las corrientes liberales al hacerles publicidad electoral gratuita de gran calado en un momento absolutamente oportuno.

Hay que decir también que la corriente islamista, Hermanos Musulmanes y salafistas, fue la que tomó la iniciativa y la artífice de la presión sobre el Consejo Militar al que obligó a revisar sus posturas cuando prendieron la chispa del enfrentamiento con él en la gran manifestación millonaria del pasado viernes, convocada en protesta por el documento de Ali Silmi, vicepresidente del gobierno, que concede al Consejo grandes competencias para determinar su presupuesto, su continuidad en el poder incluso después de las elecciones parlamentarias de un modo indirecto al considerarlo un referente fundamental, y su permanencia como un Estado paralelo por encima del Estado sin decir nada crucial sobre cómo gestionar sus asuntos.

El comunicado del mariscal Tantaui tiene su importancia, aunque las concesiones que incluye no han convencido a la mayor parte de los manifestantes de Tahrir, porque el comunicado, en su opinión, llega tarde y no pide disculpas sinceras por los mártires que han caído por las balas del ejército y la policía, que arrojó sus cuerpos junto a los cubos de basura, y lo que es más importante aún: el Consejo pone como condición para entregar el poder y volver a los cuarteles que se celebre un referéndum.

Las competencias del nuevo gobierno de salvación, que supuestamente se hará con el mando de la etapa de transición, plantean muchos interrogantes. La pregunta que se impone con fuerza en este momento tiene que ver con la dimensión de esas competencias y con la dimensión de la libertad de su presidente para tomar medidas y elegir a sus ministros sin injerencias del Consejo Militar.

El dimitido gobierno de Essam Sharif ha adolecido de libertad y de capacidad de decisión independiente para dirigir los asuntos del país, y por eso muchos temen que se repita la escena si se nombra el esperado gobierno de salvación y en las consultas sobre la formación de ese gobierno participan fuerzas políticas y elites que tienen una representación limitada entre los círculos populares de Tahrir.

El Consejo Militar que gobierna Egipto no ha logrado gestionar el periodo de transición del modo que deseaba la mayor parte del pueblo egipcio y ha cometido un grave error al permitir que se dispare contra los manifestantes en Tahrir, lo que supone repetir los errores que provocaron que prendiera el fuego de la revolución que acabó poniendo fin al régimen de Hosni Mubarak. La sangre de los egipcios se ha derramado trazando una línea roja que en todo momento ni situación ningún sistema de gobierno, ya sea civil o militar, puede violar.

Lo que dijo ayer Tantaui sobre las campañas de distorsión y las acusaciones de traición de las que han sido víctimas las Fuerzas Armadas es cierto. Pero también es cierto que el Consejo Militar ha contribuido con munición a esas campañas al aferrarse al poder y por la ambigüedad sobre el momento en el que lo va a abandonar o incluso dando a entender que ese abandono no va a ser definitivo.

El pueblo egipcio ha dicho lo que tenía que decir en voz alta pidiendo que el Consejo Militar se vaya y entregue el poder a un órgano civil. Va a ser difícil que deje de manifestarse porque esta demanda no se ha cumplido del todo, sobre todo tras la última carnicería de la plaza de Tahrir.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Estudantes latino-americanos saem às ruas para defender educação pública, gratuita e de qualidade

Nesta quinta-feira (24), estudantes latino-americanos estarão reunidos em marchas, mobilizações, plantões e acampamentos para dar um só grito pela educação. Direito à educação pública e gratuita, eleições diretas para reitor e 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação são algumas das reivindicações.
O ato, que está sendo denominado de 24N, em consonância com as manifestações de 15 de maio (15M) e 15 de outubro (15O), já tem a adesão de organizações estudantis e movimentos do Chile, Colômbia, Peru, Argentina, Brasil, México, Equador, Venezuela, Costa Rica, Paraguai, El Salvador, Bolívia, Uruguai, Espanha, França e Alemanha. As manifestações também acontecerão nas redes sociais.
Em São Paulo, maior cidade brasileira, as mobilizações estão relacionadas às reivindicações dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP). No contexto das reivindicações pela saída da Polícia Militar do campus da universidade, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, sugeriu "uma aula de democracia” aos alunos que ocupavam a reitoria da USP. Os estudantes convidaram Alckmin para dar esta aula e estão aguardando sua presença para debater temas como as eleições diretas para reitor nas universidades do Estado.
O movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT), assim como o Ocupa Sampa – movimento por uma democracia real e participativa – também se uniram aos estudantes e à Marcha Continental pela Educação. A atividade começou nesta terça com concentração no Vale do Anhangabaú e caminhada até a Praça do Ciclista. Os manifestantes acamparão na praça para mostrar que estão aguardando posicionamento do Governador. Amanhã (24), a concentração acontecerá a partir das 14h na Praça Oswaldo Cruz e seguirá até o Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Ainda no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, os estudantes vão se reunir amanhã, às 17 horas, na Praça da Cinelândia para gritar: Educação não é mercadoria!
No Chile, onde a mobilização estudantil por educação pública e gratuita começou há mais de seis meses e desencadeou mobilizações em diversos países da América Latina, a marcha começa às 18h30 na Praça Itália e termina na Praça Los Héroes. Em convocatória, o porta-voz da Confederação de Estudantes do Chile (Confech), uma das organizadoras da manifestação latino-americana, afirmou que a marcha será para fortalecer o movimento universitário nos distintos países convocados.
Na Colômbia, país que vive intensas manifestações estudantis desde o dia 12 de outubro contra a lei de reforma da educação, a marcha será realizada na cidade de Meddellín. A concentração sairá às 10h no Instituto Tecnológico Metropolitano - ITM Sede Robledo e terminará na Praça Botero. Os estudantes colombianos, que junto com os chilenos organizaram o 24N, querem deixar claro que o objetivo da marcha vai além da queda da reforma da educação. "O objetivo é alcançar uma educação gratuita, de excelência, e a serviço da sociedade a que se deve a universidade”.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Professores oficializam greve geral no Rio Grande do Sul

Após assembleia geral, professores e funcionários de escolas da rede pública decretaram greve por tempo indeterminado


A assembleia geral que deliberou a greve das escolas da rede pública do Rio Grande do Sul levou milhares de professores e professoras ao ginásio esportivo Gigantinho, em Porto Alegre nesta sexta-feira (18) As principais reivindicações dos professores são: o cumprimento da Lei do Piso Salarial de R$ 1.597,87; Piso Salarial para os funcionários de escola; além da oposição à reestruturação do Ensino Médio proposta este ano pela Secretaria Estadual da Educação do Rio Grande do Sul (SEC).
“Nós esperamos o Piso já e a retirada dos projetos da pauta do Estado do Rio Grande do Sul. Nós não estamos pedindo um calendário. O governo que apresente uma proposta e nós vamos avaliar com a categoria”, explicou Rejane Oliveira, presidente do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS).
A reforma do Ensino Médio tem como argumento a aproximação da escola com o mercado de trabalho e a ampliação da carga letiva anual de 800 para mil horas já em 2012. No entanto, os professores questionam o fato de o projeto estabelecer uma participação decrescente das disciplinas tradicionais como português e matemática entre o 1º e o 3º ano, tornando, segundo os professores, os alunos mão de obra barata para as empresas, ao invés de qualificá-los para poderem concorrer às vagas das Universidades.
Outro ponto combatido pelos professores é o interesse do governo em estabelecer um sistema de avaliação dos docentes baseado na “meritocracia”, que vincularia, entre outras coisas, a progressão salarial ao desempenho dos alunos. Segundo os professores, esse sistema usaria critérios quantitativos como o resultado dos alunos em sala de aula, o que daria margem para que os professores fossem penalizados pelas precárias condições das escolas.
“Querem que os trabalhadores em educação se responsabilizem pelos equívocos desse projeto que quer avaliar o desempenho dos alunos jogando sob os nossos ombros a responsabilidade do sucateamento e do ataque à educação”, disse Oliveira.
Ao final da assembleia – em que por ampla maioria ficou decidida a paralisação –, professores, funcionário e alunos seguiram em caminhada até a frente do Palácio Piratini, onde foi entregue um documento oficializando a greve.
“Nós temos ainda uma assembléia no dia 24, em frente ao Palácio. A partir disso, iremos iniciar uma vigília estadual. Os núcleos farão atividades nas praças, na capital e no interior. Depois do dia 24, a vigília será em frente ao Palácio”, afirmou Oliveira.

domingo, 20 de novembro de 2011

20 de novembro - Abaixo a ditadura contra a população pobre e negra

O 20 de novembro, Dia de Luta do Povo Negro, no qual milhões de negros exaltam e memória de grandes heróis, como Zumbi, Luís Gama, João Cândido e tantos outros que dedicaram suas vidas à causa da luta dos negros contra a escravidão e a opressão no Brasil, realiza-se neste ano em meio a uma situação de brutal ofensiva da burguesia e dos seus governos contra a o povo negro e toda a população explorada de nosso País; da mesma forma que o imperialismo mundial intensifica seus ataques contra os povos negros seja dos países capitalistas desenvolvidos (como os EUA), seja das regiões mais pobres do planeta, como nossos irmãos africanos.
No Brasil: uma ditadura contra os negros
Neste momento, centenas de milhares de negros e demais explorados do Rio de Janeiro, encontram-se sob um verdadeiro estado de sítio, vivendo como prisioneiros em suas casas e bairros. Usando como pretexto o combate ao narcotráfico (um negócio de bilhões de dólares controlado por grandes capitalistas, poderosas máfias políticas e oficiais das forças militares) e amparado por uma enorme campanha enganosa dos poderosos monopólios da comunicação (como a arquiinimiga das lutas populares, a Rede Globo), os governos do Rio de Janeiro e da União (PT – PMDB etc.) estão ocupando militarmente as comunidades operárias – de esmagadora maioria negra – como o Complexo do Alemão, Rocinha etc., impondo um verdadeiro regime de exceção contra a população dessas regiões.
Muito além do que mostra a TV, casas são invadidas sem ordem judicial; mulheres, crianças e homens trabalhadores desrespeitados, ameaçados, agredidos, roubados e até submetidos a torturas, como vêm denunciando moradores e organizações populares do Complexo do Alemão (invadido há um ano pela tropas) e de outras comunidades. Casas estão sendo desapropriadas sem qualquer consulta popular. ≈
A Globo e os governos ocultam que toda esta violência contra a população operária e negra dessas comunidades está destinada a garantir os interesses de um punhado de grandes capitalistas interessados em lucrar milhões com a especulação imobiliária e os grandes negócios que estão sendo realizados com dinheiro público para garantir bilhões de lucros para méis dúzia de monopólios em eventos como a Copa do Mundo (2014) e as Olímpiadas (2016), que serão realizadas à custa do trabalho semi-escravo do povo brasileiro que deles não poderá participar. Está em marcha um amplo confisco das comunidades negras em favor dos negócios bilionários da Copa do Mundo.
A propaganda global e os discursos de governantes e políticos à serviço dos capitalistas escondem também que toda essa repressão contra a população visa tentar impedir as evidentes tendências do povo negro e trabalhador de se rebelar contra a situação de miséria e opressão em que vivemos, diante de um regime político e social em que cerca de 40% das bilionárias somas de impostos arrecadados da população trabalhadora são desviados para os cofres dos banqueiros sanguessugas para pagamento de juros, ao mesmo tempo em que se cortam gastos públicos com serviços essenciais como moradia, saneamento, saúde, educação, transporte público etc.
A violência contra a população pobre e negra estende-se a todo o País, na repressão à luta dos sem terra e sem-teto (de maioria negra), no assassinato pelas Polícias Militares (e outras) de milhares de jovens e trabalhadores negros, executados sem nenhum tipo de julgamento (quando os verdadeiros ladrões e criminosos desfilam em ricos ternos por luxuosos escritórios e pelos “palácios” governamentais. Está em marcha um recrudescimento da repressão que lembra os anos sinistros do regime militar a e a população negra encontra-se na primeira linha das vítimas desta ofensiva.
A violência e o regime de verdadeiro apartheid social contra o povo negro é visível (ainda que de forma distorcida) nos próprios números oficiais. De acordo com dados do IBGE do censo 2010, divulgados na última semana, os negros representam 70,6% dos desempregados e mais da metade da população negra trabalhando está inserida no mercado como autônomos (27,7%), em cargos secundários no setor público (7,2%) ou trabalhando como empregados domésticos (9,4%). Mesmo no setor público, há 30% a mais de negros do que brancos trabalhando sem carteira assinada.
O salário dos negros brasileiros é em média 40% menor do que o salários dos brancos. De acordo com o PED do IBGE, o salário médio de um trabalhador negro no Brasil foi em 2010 de R$ 778, enquanto a média entre os brancos chegou a R$ 1.100.
Todos os projetos governamentais divulgados como sendo feitos para atender às necessidades da população negra, são usados para garantir os lucros milionários de tubarões capitalistas de maioria branca, como é o caso da distribuição de bolsas em cursos superiores (Prouni), que visa garantir os lucros de universidades privadas (“fábricas de diploma”), ao mesmo tempo em que se cortam verbas para o ensino público e se reprime a luta dos estudantes e professores contra a privatização das universidades públicas e pelo fim do vestibular para garantir o livre acesso da população negra e trabalhadora às universidades públicas.
O caso da USP é um exemplo para a juventude e toda a população negra
A cassação dos direitos da população negra e trabalhadora é uma ampla realidade em todo o País. Além do estado de sítio nas comunidades negras do Rio e em outras capitais, há a tentativa de cassar o direito às greves em diversas categorias operárias (como no caso dos correios) e a violenta repressão contra os movimentos de luta como os sem terra e sem teto, que procuram organizar uma parcela expressiva da população negra que desde a escravidão dos negros africanos e seus descendentes, são a base da riqueza de uma minoria de capitalistas no Brasil.
A operação de guerra da Tropa de Choque do governo tucano de São Paulo contra os estudantes que ocupara a reitoria da USP há poucas semanas são um sinal de alerta para todos os explorados e, em particular, para a população negra, do regime de terror que a burguesia e seus governos tentam impor contra a maioria da população.
Se para desalojar e prender algumas centenas de jovens que integram a elite intelectual do País e que estão em luta contra a destruição da universidade pública e que apóiam a luta da população negra (defendem o fim da PM, o fim do vestibular, verbas públicas apenas para o ensino público etc.), o governo do PSDB - com o apoio de todos os partidos burgueses – usou de um verdadeiro aparato de guerra e de uma enorme selvageria, o que não estão dispostos a fazer para conter a rebelião negra e operária contra o regime de fome e miséria que eles querem manter e aprofundar em nosso País?
Estes e muitos outros casos, mostram a necessidade da aliança na luta de todos os setores explorados da população, operários, negros, jovens e mulheres para por fim ao regime de dominação da burguesia de maioria branca, opressora e parasitária que, diante do colapso capitalista, resolveu impor em todo o mundo um regime de terror e repressão contra as massas que se levantam para não terem que continuar pagando pelo colapso capitalista.
Os banqueiros e grandes monopólios tem uma “saída”: reprimir e matar de fome milhões de negros e pobres para conter sua crise
Em todo o mundo o capitalismo, em meio à sua decadência histórica, está entrando em colapso. Os capitalistas já não conseguem sequer manter as condições de exploração de seus escravos: a classe operária, a maioria pobre, os povos negros de todo o mundo etc.
Nestas condições, a “saída” dos governos imperialistas para manter os lucros dos banqueiros e grandes monopólios que parasitam bilhões de seres humanos é levar à uma miséria crescente e até mesmo à morte milhões de pessoas.
A fome e miséria extrema dominam partes inteiras do planeta, como os países mais pobres da África negra. No Norte da África, populações inteiras se rebelam contra ditaduras pró-imperialistas que sustentaram por décadas regimes de expropriação da maioria da população em favor dos grandes monopólios. Diante dessa situação, os regimes “democráticos” dos banqueiros não vacilam em bombardear e destruir países inteiros e apoiar a divisão e guerras que levem à morte centenas de milhares de negros.
Nos países capitalistas, os imigrantes negros e de outras etnias são os primeiros a sofrerem com o crescimento do desemprego e misérias advindas das políticas de “austeridade” adotadas pelos governos contra a população.
Nos Estados Unidos, a população negra e explorada, junto com toda a classe operária e a juventude dá sinais de que está a caminho de uma ampla revolta contra o regime dominação branco que – em todo o mundo – tenta impor uma ditadura para defender os interesses de um punhado de banqueiros e afortunados diante do colapso capitalista.
O levante das massas exploradas em todo o mundo, coloca o planeta a caminho de uma situação revolucionária em larga escala, na qual os escravos modernos vão se levantar (e já estão se levantando) contra o regime de dominação vigente e colocar por terra a escravidão imposta pelo capitalismo.
A alternativa dos negros: um programa e uma organização revolucionária para luta por suas reivindicações e pelo governo dos trabalhadores
O Coletivo de Negros João Cândido (Negros do Partido da Causa Operária) se coloca, ao lado dos negros e de toda a população explorada, contra qualquer restrição e censura na liberdade de expressão, contra todo tipo de repressão e cerceamento dos direitos democráticos que a burguesia e seus governos tenta impor contra a população negra e explorada no Brasil e em todo o mundo e apóia – incondicionalmente – toda a luta levada adiante, “pelos meios que forem necessários” (como assinalou Malcom X) contra esse regime de dominação.
Defendemos desde as reivindicações mais imediatas e limitadas das organizações do movimento negro e dos explorados em geral (como as cotas nas universidades públicas atacadas pela direita racista) e apontamos a necessidade da luta unificada de todos os explorados, com base em um programa independente da burguesia e de suas organizações, em defesa das reivindicações fundamentais do povo negro e trabalhador, dentre as quais a necessidade da luta por um governo próprio dos explorados, um governos das organizações operárias, camponesas e populares, por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, um governo de maioria negra, erguido por meio da luta revolucionária do nosso povo contra o regime de opressão dos banqueiros, grandes capitalistas, latifundiários assassinos e todos os escravocratas do povo brasileiro.
A experiência recente demonstrou o fracasso de tentar uma solução para a situação de miséria e opressão do povo negro por meio da adesão aos governos capitalistas brancos de “esquerda” e de direita que usam a situação de opressão do negro para fazer demagogia e para tentar corromper uma pequena parcela do ativismo negro para atuarem como “capitães do mato”, defensores da política de perseguição e repressão contra a população negra. Esta política está esgotada. Para o movimento negro, e para o movimento da classe trabalhadora em geral, está colocada a tarefa da construção de um partido revolucionário que lute contra os interesses da burguesia racista brasileira, que defenda um governo próprio da classe operária, de maioria negra em nosso País.