"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

sábado, 19 de novembro de 2011

Indígenas relatam massacre de Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul

Indígenas da comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaviry, município de Amambaí (MS), 350 quilômetros ao sul de Campo Grande, foram vítimas de um massacre na manhã desta sexta-feira (18). Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica, 42 homens com armas de calibre 12 dispararam contra os indígenas antes das 6h30.
A suspeita é de que a ação tenha sido protagonizada por pistoleiros. Nísio Gomes, de 59 anos, cacique da comunidade, era o principal alvo da ação. A exemplo de crimes anteriores contra a etnia no estado, o corpo do líder foi levado.
Segundo o Cimi , os integrantes da comunidade alertaram o fato, mas mostravam-se em estado de choque. Não há confirmações sobre as mortes, mas mais um ou dois jovens, uma mulher e uma criança estão desaparecidas.
Eles estavam acampados à beira da rodovia estadual MS-386. Amambai fica próximo à cidade de Ponta Porã e à fronteira com o Paraguai. O temor é que os corpos tenham sido levados para o país vizinho, o que dificultaria a localização e a investigação do caso.
A suspeita é que os autores do disparo sejam pistoleiros contratados para executar o crime. Os relatos indicam que os homens usavam máscaras e jaquetas escuras, além de armamento pesado. Barracas foram incendiadas após a ação.
O Ministério Público Federal, a Polícia Federal de Ponta Porã e a Fundação Nacional do Índio (Funai) foram acionados. Indígenas relataram a presença de pessoas armadas na região a mando de fazendeiros. Após um ato de solidariedade entre grupos da região na semana passada, um ônibus de membros de um movimento indígena informaram terem sido abordados e detidos na rodovia por horas de negociação.
Procurado, o Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul confirma o ataque à comunidade, mas prefere cautela e não confirma se houve ou não um massacre. Tampouco há confirmações sobre número de feridos. O órgão solicitou a abertura de inquérito policial para investigar o caso. O antropólogo do Ministério Público Federal está no local desde a manhã desta sexta para buscar informações e, eventualmente, solicitar outras providências.


Por ser uma área desprovida de cobertura de telefonia celular, não há atualizações a respeito.
Segundo o Cimi, Nísio Gomes foi morto com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. A testemunha que detalhou os acontecimentos ao conselho disse que o filho do cacique chegou a se colocar entre os pistoleiros e o pai, mas foi derrubado com um tiro de borracha no peito. Alguns indígenas ainda permaneceram no acampamento, mas a maior parte dos 60 integrantes teria fugido para o mato.
O acampamento foi estabelecido no início de novembro, dentro das fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá. Outras ações violentas contra o grupo haviam sido denunciadas pela organização.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ocupe Wall Street ainda não assimilou “luta de classes”, aponta militante do MST em NY

 O movimento “Ocupe Wall Street”, que começou em 17 de setembro, mantém o acampamento de centenas de pessoas há mais de um mês no centro financeiro de Nova York, nos Estados Unidos. Com o lema “somos os 99%” contra 1%, eles atacam a desigualdade econômica representada pelos bancos e corporações.
O movimento de ocupações de praças cresceu no dia 15 de outubro, quando manifestações eclodiram simultaneamente em 950 cidades de 82 países.
Para contar o dia-a-dia do acampamento em Nova York e como se organiza o movimento “Ocupe Wall Street”, aRadioagência NP entrevistou a militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Janaína Stronzake, que está na cidade e tem acompanhado as mobilizações.
Radioagência NP: Quais são as principais reivindicações e bandeiras políticas que o movimento “Ocupe Wall Street” levanta?
Janaína Stronzake: As principais palavras que nós escutamos e vemos escritas por lá falam em justiça e democracia. Aprendendo do que houve na Espanha da “Democracia real já”, da indignação, e com a situação aqui dos Estados Unidos de um fim do “Estado de bem estar social”. Então, quando a pobreza veio aumentando, principalmente essas pessoas de classe média foram agora para a rua reivindicando que pare esse processo de concentração [da riqueza], contra o neoliberalismo, contra os crimes de Wall Street.
Radioagência NP: Qual o perfil dos manifestantes?
Janaína Stronzake: Tem muita gente lá que é militante de outros movimentos, que já estiveram em outras lutas. Mas tem muita gente que sentiu a necessidade de se manifestar de alguma maneira, fez o seu cartaz na sua casa e foi pra praça se juntar com as pessoas lá. Nova York é uma cidade muito grande e cada bairro como Brooklin, Queens também fazem seus movimentos e no sábado os movimentos de ocupação desses bairros fazem uma marcha até Wall Street. Alguns movimentos e sindicatos fizeram marchas pelo centro, juntaram-se à ocupação, mas não mantêm uma atividade constante lá no acampamento. Alguns movimentos começam a pensar em como aproveitar esse momento, essa vontade, como transformar esse sentimento em mobilização capaz de realmente transformar.
Radioagência NP: Como é o processo de organização e tomada de decisões no interior do movimento?
Janaína Stronzake: Todas as decisões de o que fazer e das bandeiras se dão em assembleia. Nesse sentido “assembleário”, da democracia horizontal. Cotidianamente na praça estão cerca de 500 pessoas. A formação política está se dando mais pelo estar ali, pelo agir ali, pelo agir contra a polícia. Mas não está havendo ainda um processo mais sistemático de estudo, estudar e compreender esse momento, a conjuntura capitalista e aí buscar a saída, as soluções que se pretende.
Radioagência NP: Qual tem sido a recepção da sociedade estadunidense à manifestação?
Janaína Stronzake: Existe um apoio, muita gente que não pode estar lá porque tem que ir pra escola, ir pro trabalho, porque tem muitos filhos pequenos. Então, manda um apoio principalmente na forma de garantir a alimentação, água. Mas nos sábados a tarde e nos domingos, a mobilização cresce. Muitas pessoas acabam se envolvendo e pensando sobre isso porque “meu filho está lá, porque meu sobrinho, meu amigo está nessa mobilização” e as pessoas começam a pensar, a repensar sobre o que é o capitalismo. Inclusive sobre esse sentido comum do direito, por exemplo, de ter uma casa porque a pessoa merece porque trabalhou para comprar, e ter uma casa porque é direito ter uma casa. Porque não é direito de Wall Street concentrar a riqueza como vem concentrando. Só que nós não podemos falar de um apoio massivo de toda a sociedade estadunidense.
Radioagência NP: Como vem se organizando a oposição ao movimento?
Janaína Stronzake: Existe já um início de organização dos grupos de direita e de extrema-direita contra as mobilizações – de grupos dos republicanos, que teoricamente estão mais a direita –, para se oporem à Wall Street. Então, é uma tentativa de dizer “não, não, o povo não está com esses deliquentes que estão na praça”. A tentativa de levar uma massa a rua se opondo a essas reivindicações e mantendo essa antiga ladainha da compra, do mercado, da concentração, do neoliberalismo.
Radioagência NP: Há relação entre os manifestantes de Nova York com os de outros países com mobilizações similares?
Janaína Stronzake: O que nós sentimos é um processo de animação mútua entre os diversos pontos do país e do mundo. Com o 15 de outubro, com a ocupação de Wall Street e com outras ocupações no mundo, ganhou fôlego novamente no sentido de ocupar as praças. E também porque existe um compartilhamento de bandeiras. As bandeiras da democracia e da justiça felizmente se transformaram em bandeiras universais. O que nós não conseguimos sentir é a necessária vinculação dessas lutas como uma luta de classe trabalhadora. Eu estou segura de que esses movimentos só conseguirão avançar no sentido de democracia e justiça se tiverem uma perspectiva de luta de classes.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

No 2º dia, cresce greve nacional dos petroleiros

Destaque para a adesão ao movimento das importantes refinarias da Bahia, em Mataripe, e de São Paulo, em Cubatão. No Rio de Janeiro, os terminais da Baía de Ilha Grande (TEBIG) e o Aquaviário da Baia de Guanabara (TABG) também se somaram. O Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro ainda organizou nessa manhã um ato em frente a um dos prédios administrativos da Petrobrás no centro do Rio. O trancaço no Edifício Torre Almirante atrasou por mais de uma hora a entrada dos trabalhadores, esquentou a greve no Rio com uma multidão se aglomerando em frente ao prédio e se solidarizando à luta. Até Polícia Militar interviu para acelerar o encerramento do ato.
A revolta dos petroleiros em greve se explica pelo fato de que os grandes lucros da empresa e a descoberta do pré-sal não chegam até os trabalhadores. Por isso, exigem aumento do salário e melhoria das condições de trabalho daqueles que dedicaram e ainda dedicam sua vida à construção da Petrobrás. A Frente Nacional dos Petroleiros (FNP) e o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro prometem greve por tempo indeterminado até que a gerência de Recursos Humanos dialogue efetivamente com a pauta de negociação da categoria.
A direção do Sindipetro-RJ avalia que a greve está numa crescente. O diretor Emanuel Cancella mostra-se indignado com a truculência da Petrobrás e com a intransigência da empresa em repassar ganhos reais aos trabalhadores:
- Vamos fortalecer a mobilização de luta dos petroleiros em todo o Brasil. Essa mobilização no Rio de Janeiro vai continuar todos os dias até que a empresa avance nas negociações – afirma o coordenador da Secretaria Geral do sindicato.
Os petroleiros, entre outros pontos, reivindicam aumento real (percentual incidindo sobre o salário básico), melhorias na AMS (assistência médica) e mais segurança no trabalho. Em 2011, a companhia já computa 16 mortos em acidentes de trabalho. A luta pelo monopólio estatal do petróleo e pela Petrobrás 100% pública e estatal também fazem parte das bandeiras do movimento.
Veja abaixo o quadro atualizado do 2º dia da greve nacional dos petroleiros:
SINDIPETRO RJ
No estado do Rio de Janeiro, os petroleiros do TEBIG, em Angra dos Reis, encontram-se com adesão de cerca de 80% à greve entre turno e administrativo. Desde ontem realiza-se assembleias a cada troca de turno para avaliar o movimento. Com truculência, a empresa determinou que a vigilância comunicasse aos grevistas a proibição da entrada para almoçar no refeitório da companhia.
No TABG estão sendo realizadas paralisações de duas horas em cada turno. A maioria do administrativo e do turno aderiu. Também estão realizando o corte da emissão de PT (permissão de trabalho), assim nem os terceirizados estão conseguindo trabalhar.
Nos prédios administrativos, no centro do Rio, foram realizados trancaços de uma hora e meia (entre as 7h e 8h30). O Sindipetro-RJ realizou um grande ato no Edita, edifício da Petrobrás no Centro do Rio, retardando em mais de uma hora a entrado dos trabalhadores. Juntou-se um grande contingente de petroleiros na porta do prédio. No final da atividade, aplaudiram o movimento de luta e o Sindicato. A Polícia Militar chegou com armamento pesado ao final do ato forçando seu encerramento.
SINDIPETRO DO LITORAL PAULISTA
Os petroleiros do Litoral Paulista entraram no segundo dia de greve por tempo indeterminado.
Nesta quinta-feira (17/11), os trabalhadores fizeram novas concentrações na porta das unidades e, logo em seguida, voltaram para as suas casas. Todas as unidade de terra na região foram afetadas pelo movimento.
Na RPBC, em Cubatão, a adesão foi de 100% do turno e de 80% do administrativo. Em represália ao movimento, a gerência da refinaria cortou o transporte dos grevistas. A justificativa apresentada foi de que a companhia não poderia liberar os ônibus para os trabalhadores, pois a empresa estaria colaborando com o movimento. No entanto, esta é a primeira vez que a RPBC adota esta medida.
No Terminal Alemoa, repetindo o quadro do primeiro dia de greve, a adesão foi de 100%, atingindo os trabalhadores do turno, ADM e terceirizados. Desde ontem (16/11), por volta das 16 horas, houve corte de rendição na troca de turno. Agora, está nas instalações da unidade apenas o grupo de contingência da empresa. O Terminal Alemoa também enfrenta uma greve de petroleiros terceirizados. Desde sexta-feira (11/11), os trabalhadores da empresa TQM reivindicam melhores salários. Em Pilões, a greve ganhou corpo e teve a participação do Turno, ADM e petroleiros terceirizados. A adesão foi de praticamente 100%.
Nas duas unidades da Petrobrás no Litoral Norte – Tebar (São Sebastião) e UTGCA (Caraguatatuba) – todos os trabalhadores do Turno participaram da greve. No ADM, cerca de 90% dos empregados aderiram ao movimento. Já em Itanhaém, mais uma vez os diretores do Sindicato estiveram presentes no aeroporto para debater com os petroleiros embarcados os próximos passos da campanha nas plataformas de Merluza e Mexilhão.
SINDIPETRO BAHIA
continua a  GREVE POR TEMPO INDETERMINADO, com paralisação em todas as áreas operacionais, RLAM, FAFEN e outras áreas, (instalações de piquetes na capital e interior); Todas as unidades estão sendo afetadas pelo movimento, que já ganha peso nacional e repercussão positiva em outras bases. Prova disso é a antecipação da reunião do Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros para amanhã (18/11), que está sendo solicitada pelo Sindipetro Bahia com o apoio do Sindipetro-RN.
SINDIPETRO AL/SE
SERGIPE: Atalaia, Sede da Rua Acre, FAFEN, Carmópolis (Jordão, Siriri, Riachuelo e base de CP) a greve continua forte, com paralisação das obras na FAFEN. ALAGOAS: Porto (Transpetro AL) houve uma trancaço, está em greve com 70% de adesão, corte de rendição de 90% dos trunos, Estação do Pilar realizaram atraso de tres horas,
SINDIPETRO SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Em São José dos Campos, a greve continua, desde às 15 horas de ontem (16/11) houve corte de rendição nos grupos de turno. A proposta da empresa esta sendo rejeitada.
SINDIPETRO PA/AM/MA/AP
No Sindipetro-PA/AM/MA/AP, os trabalhadores estão intensificando os atrasos nas unidades. Nesta quinta-feira (17/11), a entrada dos trabalhadores do prédio administrativo de Manaus foi atrasada em duas horas e meia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A América Latina e o socialismo do século 21

O nome do professor Ricardo Antunes está diretamente ligado ao tema do trabalho. Autor de diversos livros sobre o tema, professor de sociologia do trabalho na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ele agora se debruça sobre o continente latino-americano em sua nova obra, O continente do labor. “Labor, como sabemos, é o trabalho aviltado, intensificado, superexplorado. É a ideia que esse continente foi feito para a extração, para a sucção de riquezas para o mundo avançado, primeiro a Europa, depois os Estados Unidos”, aponta. Depois de anos de estudo sobre o caso brasileiro e sobre países de capitalismo avançado, desta vez sua pesquisa se volta para o conjunto de países que, se por um lado têm sua história marcada pela exploração, por outro também é referência por suas revoltas, rebeliões, lutas por independência e autonomia. Nesta entrevista, ele fala sobre a pesquisa, sobre a nova morfologia do trabalho, os governos e a necessidade de levantar os pontos centrais que garantam a unidade entre a classe trabalhadora ampliada. 
Brasil de Fato – Por que estudar a América Latina agora e por que chamá-la de “o continente do labor”?
Ricardo Antunes – A decisão de estudar a América Latina deveu-se a alguns motivos. Nas últimas décadas, até 1990, estudei o caso brasileiro. De 90 até hoje, continuo estudando as mudanças que vêm ocorrendo no capitalismo avançado para discutir criticamente, para me posicionar contra as teses daqueles autores que defendiam o fim da importância da classe trabalhadora, o fim da centralidade do trabalho. Mas visitando e viajando pela América Latina nessa última década, especialmente a partir dos livros Adeus ao trabalho?Os sentidos do trabalho, fui desenvolvendo uma percepção da particularidade do trabalho na América Latina. Em 2005, recebi um convite para escrever um verbete sobre o trabalho na América Latina para a Enciclopédia latino-americana, que foi publicada no ano seguinte pela Boitempo. Para escrever o verbete, fui estudar vários países para não fazer um verbete apenas brasileiro, mas latino-americano. O resultado é que esse texto foi publicado numa versão muito parcial e muito alterada, e o texto integral ficou separado e inédito. A partir daí, veio a ideia de organizar o volume. Qual é a especifidade do trabalho na América Latina frente às mudanças que vêm ocorrendo no capitalismo em escala global? Por isso o nome de “continente do labor”: este continente nasceu, a partir do processo de descobrimento da América, como um prolongamento da exploração colonial. Nasceu seguindo o que Marx chamava de acumulação primitiva do capital, onde espanhóis e portugueses montaram aqui colônias de exploração, visando, no caso da colonização espanhola isso é mais claro, a extração do ouro e da prata, e no caso brasileiro, dado que no primeiro momento o ouro e a prata não apareceram, deu-se a exploração do pau-brasil e muito rapidamente a montagem de um sistema de produção voltado para o cultivo do açúcar, que era um produto escasso e de muito valor na Europa. Montou-se um processo colonial fundado na intensa exploração do trabalho, no labor. Labor, como sabemos, é o trabalho aviltado, intensificado, superexplorado. É a ideia que esse continente foi feito para a extração, para a sucção de riquezas para o mundo avançado, primeiro a Europa, depois os Estados Unidos. É o continente do labor, da opressão, do sofrimento, mas também das revoltas, das rebeliões, das lutas pela sua independência e autonomia. Como a revolução haitiana, a primeira revolução contra a escravidão, a rebelião dos quilombos, a revolução mexicana de 1910, a revolução cubana de 1959, entre tantas outras formas de luta que o continente apresenta. 
Com tantas mudanças no mundo do trabalho é possível falar ainda em uma única classe trabalhadora?
É possível falar em muitas classes, classes burguesas e suas frações; as camadas médias e a classe trabalhadora no sentido amplo, que compreende o conjunto de assalariados do campo, da cidade, dos serviços... É claro que é uma classe ampla, heterogênea, complexificada. Em alguns casos, como o campesinato, por exemplo, poderia ser visto como uma classe de pequenos proprietários, mas muitas vezes eles trabalham algum período do ano no cultivo do açúcar, do algodão, etc. Alguns autores falam em “classes trabalhadoras”. Eu prefiro falar em classe trabalhadora ampliada, porque estou procurando entender, centralmente, a classe trabalhadora assalariada que vive da venda de sua força de trabalho visando à geração, direta ou indiretamente, de mais-valia, de valor, que valoriza o capital. Então essa classe trabalhadora não é só a classe operária industrial, é a classe ligada ao operariado, é a classe ligada à agricultura, por exemplo, os trabalhadores chamados de boias-frias no Brasil, ou os trabalhadores do corte da cana-de-açúcar, inclui o proletariado de serviços, trabalhadores ligados ao call center, aotelemarketing, aos supermercados... Compreende o que chamo da nova morfologia do trabalho. 
Como incluir na luta de classes os elementos gênero, etnia e geração sem cair no discurso pós-moderno que coloca apenas esses elementos como centrais?
Estudar questão de gênero, etnia ou geração, é vital desde que se tenha a dimensão de classe. Quando você vai no mundo do trabalho latino-americano, nos países de colonização espanhola, você olha a classe trabalhadora e vê que ela tem a cara indígena. Claro que às vezes há mesclados, índios com espanhóis, mas no geral a classe trabalhadora tem uma função fortemente indígena e as classes burguesas têm uma feição mais hispânica. No Brasil ou em Cuba, por exemplo, a classe trabalhadora tem uma feição mais aproximada do negro e do mulato, enquanto as classes burguesas têm uma feição mais branca. A classe trabalhadora tem homens e mulheres, mas as mulheres têm salários menores que os homens, condições mais precarizadas, elas têm menos direitos. Há empresas que preferem contratar trabalhadores homens e mais velhos; outras preferem mulheres e jovens, e assim por diante. Mas a dimensão de trabalho é crucial, porque ela é uma categoria transversal. Isso significa dizer que é fundamental fazer a articulação entre gênero, etnia, geração e classe. O pensamento pós-moderno desconsidera a dimensão de classe, porque a nega, e acaba fazendo conta das questões de gênero, étnicas, geracional, isoladamente, como se não tivesse capitalismo, como se não tivesse exploração do trabalho, como se não tivesse a centralidade do trabalho. A minha pesquisa vem procurando mostrar que para compreender a classe trabalhadora hoje é preciso compreendê-la na sua nova morfologia, relacionar a dimensão de classe com gênero, etnia, geração, etc, sem perder o vínculo fundamental de classe. O gênero tem classe, a geração e a questão étnica também. Os bolivianos, indígenas, camponeses, não são burgueses. As revoltas na Inglaterra foram tocadas por jovens, pobres, imigrantes, trabalhadores precarizados ou sem trabalho. 
O que as eleições de governos mais progressistas significaram para a América Latina?
É preciso fazer uma separação entre quais governos são progressistas e quais não são. A vitória de Chávez na Venezuela de 1999 e seu governo de lá pra cá vem procurando imprimir um sentido antineoliberal e com traços antiburgueses e anti-imperialistas. O processo chamado de revolução bolivariana tem uma preocupação de pensar uma alternativa, inclusive fora dos marcos do capitalismo. Quando eleito, ele não tinha uma proposta socialista, era uma proposta popular, contrária aos partidos dominantes. Mas ao longo da década de 2000, vai percebendo que a Venezuela tem que buscar um caminho alternativo e isso aproxima do socialismo. É um projeto de inspiração socialista, mas que não quer, por um lado, incorrer nos erros da União Soviética, mas que tem dificuldades no seu desenvolvimento. Não é fácil no século 21 - embora seja imprescindível – redesenhar um projeto socialista, porque é preciso fazer uma análise profundamente crítica da experiência do socialismo no século 20, especialmente da União Soviética, que viveu um processo brutal de estalinização da sua história e por fim levou a sua derrota cabal. Precisamos analisar a importância do socialismo de romper com o que o Mészaros chama do tripé processo estruturante do capital. É preciso demolir tanto o capital privado, quanto o trabalho assalariado e o Estado. Se esse tripé não é eliminado, o capital tende a se impor novamente. Claro que a experiência venezuelana é ainda incipiente, tem limites, tem dependências com a persona do Chávez... Além disso, tem a experiência boliviana: a vitória do Evo Morales foi uma vitória do movimento popular. Agora estamos vendo o governo sendo dura e criticamente confrontado por indígenas e pelo movimento popular porque eles são contra uma espécie de subimperialismo brasileiro, associado com o governo boliviano, que implemente projetos que beneficiem o Brasil e empresas de construção em detrimento dos povos tradicionais. São movimentos de contenções, e dou mais valor no meu livro às lutas populares nestes países, à impulsão popular. O que esses governos têm de positivo é resultado da mobilização popular. Nenhum desses países, nem a Venezuela, a Bolívia ou Equador, viveram revoluções socialistas. O fato de não terem vivido revoluções mostra um processo muito difícil que é conviver dentro da ordem e contra a ordem. É uma espécie de “revolução institucional”, ou uma “institucionalidade revolucionária”. A última experiência que tivemos parecida com essa foi a bela experiência de Salvador Allende, no Chile, que foi deposta por um golpe em 1973, que juntou o Exército ditatorial chileno, o imperialismo norte-americano e as classes burguesas. Na América Latina, Florestan Fernandes nos ensinou isso, Caio Prado também, quando as reformas têm um sentido mais radical, elas começam a se aproximar do espaço da revolução. E isso provoca as contra-revoluções. Esse é o momento do cenário latinoamericano de alguns países. Muito diferente, no meu entender, foi o governo Lula, que foi um governo dentro da ordem, que foi considerado por muito tempo um paladino no neoliberalismo, ainda que sob a forma do social-liberalismo. O governo de [Michelle] Bachelet no Chile não tocou em nenhum elemento da miséria chilena, o governo de Tabaré Vázquez também não tocou na estrutura do Uruguai. Temos também governos de extrema-direita, como no México, na Colômbia, em Honduras. A América Latina hoje é um cenário que tem governos de direita conservadora e contra-revolucionária; governos de centro e centro-esquerda, mas que aderem ao essencial da política neoliberal, como o governo Lula; e há governos no campo mais à esquerda, como na Venezuela e Bolívia, que tentam avançar, com muitas tensões. E Cuba, que fez mesmo uma revolução. 
Como você avalia o cenário das lutas populares no continente?
As greves latino-americanas são muito importantes. O Brasil tem hoje greves nos Correios, nos bancos, de professores, do funcionalismo público, de metalúrgicos. Então temos de um lado as clássicas formas de lutas dos trabalhadores e trabalhadoras, que são as greves por melhores condições de trabalho, por aumento salarial, por ampliação de direitos. Mas temos também, desde 2001, por exemplo, na Argentina, experiências muito importantes, como o movimento dos piqueteros, que paralisava o sistema de transporte no país, com um claro sentido de contestação do projeto de precarização. Tivemos também o movimento de fábricas ocupadas, que eles chamam de fábricas recuperadas. Foram mais de 200 experiências. Há movimentos muito importantes no Uruguai, no Peru, na Colômbia contra a mercadorização da água, dos bens energéticos, que são mercadorizados e tirados da população. Houve no México, em 1994, a eclosão do movimento zapatista, na data de início do Nafta. Em 2005, tivemos a comuna de Oaxaca. Temos rebeliões em vários países latino-americanos. A nova morfologia do trabalho traz uma nova morfologia das lutas sociais. E temos que entender essas lutas sociais. A mesma coisa se passa na Ásia, hoje o país que tem mais greve no mundo é a China. Até mesmo a Europa hoje é um continente em ebulição. Os indignados na Espanha, a geração precarizada e sem trabalho em Portugal, os imigrantes negros e desempregados na Inglaterra, o levante na Grécia, que não aceita as imposições do Fundo Monetário Internacional. A rebelião árabe - ainda que nós saibamos que os Estados Unidos e países imperialistas jogam um peso muito forte lá, pelo petróleo e pela defesa do Estado de Israel – é um sinal importante. Essa é uma tese do livro: estamos presenciando o aumento das lutas sociais da América Latina, estamos percebendo que os povos andinos, a classe trabalhadora operária e industrial, têm se movimentado. O continente latino-americano tem uma importância vital na retomada do socialismo do século 21. Viajo muito para a Europa, e os movimentos lá têm muita expectativa do que se passa na América Latina, e temos que ter consciência disso. 
É possível construir a unidade entre as duas formas de mobilização: as formas clássicas, como as greves, e as novas formas de lutas sociais?
Claro, esse é o desafio fundamental: resgatar o sentido de pertencimento dessa classe trabalhadora ampliada. Temos o exemplo da luta pela redução da jornada de trabalho, que é uma luta mundial: beneficia quem está empregado e vai trabalhar menos e beneficia quem está desempregado e pode vir a trabalhar, sem o exaurimento do trabalho. A mundialização dos capitais mundializou as lutas sociais. Temos que avançar os laços de organicidade. O papel do MST no Brasil, por exemplo, é muito importante nisso. Mesmo com suas dificuldades, ele luta não só pela terra, mas pelo direito ao trabalho, pelo fim dos transgênicos, é contra a propriedade latifundiária da terra improdutiva, mas é contra também a terra concentrada que é produtiva, mas destrutiva. Que sentido tem produzir soja para exportação e não produzir alimentos para a população do país? É preciso perceber quais são as questões vitais que hoje aproximam, unem os polos diversificados da classe trabalhadora: a questão do trabalho, a questão do tempo de trabalho, a questão de produzir o quê e para quem, a questão da forma de propriedade, a propriedade intelectual, a questão ambiental. O mundo já está comprometido hoje, não é mais em um futuro próximo. Lutar hoje contra as usinas nucleares é uma luta da classe trabalhadora, não serão as classes dominantes que vão lutar por isso. A luta ambiental tem que ser uma luta anticapitalista. Definir as questões vitais é o desafio das esquerdas, dos movimentos sociais, dos sindicatos e partidos que querem pensar na humanidade no século 21, o que repõe a questão do socialismo. Temos que discutir o socialismo na contextualidade, na concretude e na autenticidade do século 21. É um desafio vital.
O continente do labor 
Parte da coleção “Mundo do trabalho”, da Boitempo Editorial, o livro é dividido em três partes. A primeira apresenta um quadro do trabalho na América Latina, com dados históricos e discussões sobre o capitalismo e dependência, em um diálogo aberto com Florestan Fernandes, além de discussões sobre as lutas recentes e o socialismo do século 21. A segunda parte é dedicada ao Brasil, com elementos sobre sua história, o papel do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o sindicalismo; o impacto do ano de 1968; dados sobre o desemprego no país; análises da reestruturação produtiva e o mundo do trabalho, além de uma discussão sobre as lutas e a esquerda no Brasil recente. A terceira parte, originalmente escrita em forma de verbetes para enciclopédia Latinoamericana (publicada pela Boitempo em 2006), conta com a colaboração dos membros do Grupo de Pesquisa Estudos do Mundo do Trabalho e sua Metamorfoses da Unicamp. É traçado um panorama do sindicalismo na América Latina, com dados sobre as centrais sindicais da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México, Peru, Uruguai e Venezuela.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ofensiva do Latifúndio - Liderança sem-terra é assassinada no Maranhão

A liderança sem-terra conhecida como senhor Marlone foi assassinado a mando do latifúndio do Maranhão nesta semana, quando dois homens, ambos de moto, tentaram
seqüestrar sua filha, de cerca de cinco anos. O senhor Marlone lutou para resgatar a menina e os assassinos dispararam contra ele, que morreu na hora, e abandonaram a menina, fugindo.
Marlone liderava o assentamento Irinema Ilhinha, do Porto Itaqui no Maranhão. As famílias do assentamento estão em uma luta ferrenha pela sua manutenção na área em questão.
Os assentados estão em luta contra a empresa Ribeirão AS, questionando a legitimidade de sua presença nessas terras e o fato de ela estar constantemente ameaçando e entrando na justiça contra os sem-terra. Segundo os trabalhadores da região, a empresa Ribeirão AS “adquiriu as terras onde as famílias moravam e conseguiu na justiça um mandato de reintegração de posse. A comunidade recorreu da decisão por meio de mandato de segurança impetrado pela advogada, ganhando. Mas a empresa conseguiu revogar o mandato.”
Todas as provas levam para que o assassinato de Marlone tenha sido encomendado pelos latifundiários da empresa Ribeirão AS que querem expulsar de todas as maneiras as famílias do assentamento Irinema Ilhinha para tomar posse da área. 
Um estado a serviço do latifúndio 
Trabalhadores sem-terra e quilombolas maranhenses sofrem constantemente com ameaças e mortes devido à luta pela reforma agrária. A ofensiva do latifúndio se dá com aval do estado e da Justiça, que não apura os crimes cometidos contra os sem-terra e muitas vezes colocam os órgãos de repressão do estado contra os trabalhadores rurais. Os trabalhadores sem-terra denunciam a presença e atuação muito forte de grupos de extermínio formados pelos latifundiários da região que atuam livremente em todo o estado maranhense.
Somente em 2010 foram registrados 176 conflitos agrários e cinco assassinatos no estado segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Através da manifestação, quilombolas, sem-terras e camponeses pedem que o governo adote medidas contra os casos recentes de ameaças e mortes. Nas comunidades Charco e Cruzeiro, próximas à capital São Luís, 27 pessoas estão marcadas para morrer.
A situação dos trabalhadores do campo está cada vez mais grave porque estão sofrendo com os ataques do latifúndio e dos governos. Os trabalhadores sem-terra devem se colocar contra esses ataques e garantir a sua autodefesa para a continuidade da sua luta contra o latifúndio e pela reforma agrária.

sábado, 12 de novembro de 2011

Los países occidentales cierran sus fronteras en un mundo en el que cada día más personas se ven obligadas a abandonar sus hogares

En el mundo globalizado nos encontramos la paradoja de que la movilidad de capital es cada vez más fácil mientras que el movimiento de personas se hace cada día más complicado. El cierre de fronteras que los países occidentales están aplicando en los últimos años no sólo provoca que aquellos que migran por razones económicas tengan más complicado llegar a su lugar de destino, sino que también ocasiona que muchos solicitantes de asilo no tengan la oportunidad de pedir protección internacional, al no poder llegar hasta Europa o Estados Unidos. Las vías de entrada a occidente son las mismas, ya sea para inmigrantes o refugiados, y muchas organizaciones denuncian que estas medidas hacen que cada vez menos individuos puedan acceder a los países desarrollados para pedir protección internacional.

En el caso europeo, el cierre fronterizo se está ejecutando mediante tres vías. La primera, imponiendo legislaciones más duras contra la inmigración irregular. Este es el caso, por ejemplo, de la Directiva de Retorno, la Ley de Asilo, la nueva Ley de Extranjería española o el replanteamiento de las fronteras dentro del territorio Schengen, entre otras.

La Directiva de Retorno, denominada directiva de la vergüenza por las entidades no gubernamentales, fue una de las medidas más destacadas en esta dirección. La norma abrió, entre otras cuestiones, la posibilidad en 2008 de que ciudadanos de países extracomunitarios que no tuvieran tarjeta de residencia en vigor pudieran estar retenidos en Centros de Internamiento de Extranjeros (CIE) hasta 18 meses esperando a ser expulsados. El PSOE justificó su voto a favor de esta directiva argumentando que hasta ese momento había países dentro del territorio europeo que no tenían límite de tiempo en la retención de inmigrantes irregulares en los CIE. El partido afirmó que esta norma protegía a los inmigrantes que esperaban su expulsión en países como Dinamarca, Estonia, Finlandia, Lituania, Países Bajos o Suecia, aunque en la práctica, la trastrasposición de esta directiva se tradujo en un aumento del tiempo máximo de retención (de 40 a 60 días) dentro de los CIE españoles.

Nadie los quiere

La segunda vía consiste en eludir responsabilidades y no aplicando la legislación internacional. Uno de los casos más recientes lo hemos vivido en los últimos meses con las personas procedentes de los países del norte de África que han llegado hasta Italia. En abril de este año, miles de africanos huyeron desde Túnez o Libia entrando en el territorio de la Unión Europea a través del país transalpino. Ante esta situación, la nación gobernada por Berlusconi metió a estas personas en trenes con destino Francia, evitando así que muchas de ellas se instalaran en Italia. La respuesta llegó el 17 de abril, cuando el país galo cerró el paso a estos trenes. Ante esta situación grotesca, entidades de derechos humanos, incluido el ACNUR, pidieron responsabilidad a los países receptores, haciendo hincapié en que muchas de las personas que llegaban a Europa eran solicitantes de asilo.

A pesar de que la proximidad de Italia con los lugares en conflicto en el norte de África ha provocado que el número de personas que llegan hasta dicho país huyendo de la violencia haya sido mayor que en el resto de países de la Unión Europea, no debemos olvidar dos importantes factores. Primero, que el peso que soportan los países limítrofes a lugares en conflicto es infinitamente mayor a lo que pueda llegar a sufrir Europa. Y, segundo que los países de la Unión firmaron la Convención sobre el Estatuto de los Refugiados que define quién es un refugiado, establece los derechos de estas personas y marca las obligaciones que los estados deben cumplir para protegerles.

El ejemplo sobre el peso que soportan los países limítrofes lo podemos ver en estos días en la zona del cuerno de África. La hambruna en Somalia está obligando a miles de somalíes a emigrar y refugiarse en países como Etiopía. En estos casos, los territorios que hacen frontera con zonas de desastre tienen normalmente una situación económica muy similar a la de las zonas en crisis (sea del tipo que sea), por lo que la situación a la que se enfrentan estas naciones se hace especialmente dramática.

En el caso de las revueltas del norte de África, la llegada hasta territorio europeo de solicitantes de asilo y el intento de eludir responsabilidades de los países de la Unión Europea ha tenido más repercusión porque sus dimensiones provocaron que el asunto entrara en la agenda de los medios de comunicación. Aunque de las más sonadas, esta no ha sido la única ocasión en la que se han puesto trabas a los refugiados que han conseguido llegar hasta Europa. Organizaciones como CEAR han denunciado numerosos casos de personas de origen subsahariano que han llegado a territorio español en cayuco y que no han sido convenientemente informadas sobre su derecho a solicitar asilo, por ejemplo.

Externalización de fronteras

La tercera vía para bloquear el acceso a los países desarrollados es evitar que los inmigrantes lleguen hasta Europa, invirtiendo y colocando policía europea en los países que hacen frontera con la Unión Europea (países de tránsito) y en aquellos desde donde salen los inmigrantes. Esta medida se denomina “la externalización de las fronteras” y uno de los programa que lo ejecuta es el Frontex.

Esta iniciativa hace que, por ejemplo desde Europa se financien medidas que, de estar en suelo comunitario, serían totalmente ilegales, o que sean militares europeos los que controlen los flujos migratorios en territorio africano. El ejemplo más cercano lo tenemos en las costas mauritanas, donde fragatas de la Guardia Civil patrullan y controlan, impidiendo la salida de cayucos hacia España.

Sobre la colaboración de gobiernos europeos en la financiación de estructuras que impiden la salida de inmigrantes hasta nuestras costas, uno de los ejemplos más claros es el centro de internamiento de extranjeros que fue construido por el Gobierno español en Mauritania y al que las ONG pusieron el nombre de Guantanamito. Amnistía Internacional sacó un informe en 2008 sobre este lugar donde exigía responsabilidades al Gobierno español por la construcción del centro detención de Nuadibú. “Un limbo legal donde los emigrantes a menudo son maltratados y permanecen hacinados mientras esperan a ser enviados a Malí y Senegal, independientemente de su país de origen”, denunciaba el informe.

Por su parte, estos países de tránsito juegan un doble papel en el control de los flujos y en muchas ocasiones utilizan esta problemática como medida de presión a los gobiernos occidentales. La gendarmería marroquí puede hacer un duro y eficaz trabajo para controlar los flujos y llegar incluso a abandonar en medio del desierto a inmigrantes subsaharianos, hechos que llevan denunciando desde el 2006 entidades como Médicos del Mundo. O bien puede hacer su frontera más permeable, situación que suele coincidir con momentos de negociaciones económicas con Europa. En este sentido, los países de tránsito tienen una manera de presión muy eficaz que utilizan como moneda de cambio con Europa.

Por último, subrayar que estos países de tránsito son prioritarios para la cooperación española y que muchos de ellos empezaron a serlo en el momento en que se convirtieron en la última parada que los inmigrantes irregulares utilizan antes de llegar a Europa.

Estas medidas de cierre de fronteras impiden que miles de personas lleguen hasta occidente. En pocas ocasiones se migra por capricho, son muchos los que se ven obligados a hacerlo por causas ajenas a ellos mismos y muchas veces éstas han sido provocadas por los mismos países que ahora externalizan sus fronteras. Las catástrofes alimentarias o medioambientales se unen a los conflictos bélicos y llevan a que miles de personas tengan que huir de sus lugares de origen.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Novo premiê da Grécia assume para implementar os planos do FMI e EU

O novo primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, será empossado amanhã, 11, para colocar em prática os planos de “austeridade” do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia.
Papademos foi vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e afirmou que “As escolhas que nós faremos serão decisivas para o povo grego. O caminho não será fácil, mas eu estou convencido de que os problemas serão resolvidos de forma mais rápida e a um custo menor se houver união, compreensão e prudência”.
O objetivo do novo primeiro-ministro é ignorar as manifestações dos gregos contra os planos de corte de aposentadorias, postos de trabalho, que representam um duro ataque à população, para tentar salvar os banqueiros da bancarrota.
Papademos foi escolhido como governo interino pelos líderes políticos do País.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Nos EUA, censo aumenta número de pobres para 49 milhões

O número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza nos Estados Unidos chegou a um recorde de 49,1 milhões em 2010, segundo dados de um novo método publicado na segunda-feira pelo Escritório de Censo do país.
A cifra contrasta com uma medida oficial de pobreza divulgada em setembro, dizendo que havia 46,2 milhões de pessoas pobres nos EUA.
O novo método está desenhado para oferecer uma visão mais completa sobre a pobreza, levando em conta os benefícios do governo recebidos pelos pobres e os gastos. O índice de referência oficial centra-se mais estreitamente nos salários em vigor.
As cifras revisadas mostram menores taxas de pobreza de crianças e pessoas negras, mas maiores para brancos, asiáticos, hispânicos e pessoas da terceira idade com altos gastos médicos.
Os dados relatados na segunda-feira mostraram que a taxa nacional de pobreza é de 16% da população total, comparada à taxa oficial de 15,1% divulgada em setembro.
Os últimos números também elevam a linha de pobreza a uma renda anual de US$ 24.343 dólares para uma família de dois adultos e duas crianças, em comparação com US$ 22.113 dólares anuais sob o padrão oficial.

domingo, 6 de novembro de 2011

Santa Catarina - Trabalhadores mantém greve no porto de Itajaí

A greve dos conferentes do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, completa uma semana. A mobilização paralisou a movimentação de 7.500 contêineres e o prejuízo já soma R$ 4,2 milhões, segundo dados da APM Terminals, empresa que mantem a exploração do porto.
A greve é massiva. Desde a última quinta-feira, 27 de outubro, 12 navios foram desviados do porto de Itajaí. Cinco foram direcionados ao terminal portuário Portonave, na cidade de Navegantes (SC), e outros sete aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).
Os trabalhadores reivindicam o reajuste de 15%, contra as demissões e a tentativa da empresa de modificar o regime de contratação e estabelecer o funcionário multifuncionalidade, ou seja, o trabalhador “faz tudo”.
O funcionário “faz todo” é conveniente para os patrões. Como o desvio de função, os capitalistas não precisam contratar mais funcionários. Com isso, os patrões podem aumentar a exploração dos trabalhadores, colocando-os para realizar o serviço que bem entender, recebendo menos, já que ele não terá os mesmos direitos do trabalhador contratado para cumprir aquela função.
A redução dos salários e ataques aos direitos trabalhistas é uma questão fundamental em todo o processo de privatização. A empresa APM Terminals está explorando os portos graças ao processo de privatização iniciado em o em 2001. .
A maioria dos portos está sendo controlado por capitalistas por meio de concessões. Seguindo a linha do PSDB, o governo do PT está loteamento os portos do País para que seja entregue à empresa estrangeira, ou seja, a política de rapina do imperialismo, alheia aos interesses dos brasileiros.
Ao denunciar a tentativa de impor o arrocho salarial, a greve no Porto de Itajaí, assim como inúmeras greves em todo país, se opõe a política do governo do PT privatização e de confisco das massas.

sábado, 5 de novembro de 2011

El G-20 en Cannes - La cumbre de la dimisión

Raramente un G20 habrá generado una mayor imagen de renuncia de los dirigentes del mundo frente al poder de los mercados financieros. La agenda de los jefes de Estado se ha cambiado  por el anuncio de un referéndum sobre el plan de rescate del euro en Grecia: todo se puso en marcha para hacer que Papandreu renuncie a su proyecto “consternador” (como declaró Nicolás Sarkozy). El precedente que crearía una consulta popular sobre una política de austeridad destinada a satisfacer a los mercados financieros era demasiado peligroso para ser tolerado por nuestras oligarquías.
 
Por lo demás, los resultados son esqueléticos. Respecto al impuesto a las transacciones financieras (gran prioridad de la presidencia francesa del G20) Barack Obama aceptó que la expresión figure en el comunicado final pero con una fórmula perfectamente tramposa: “reconocemos las iniciativas de algunos de nuestros países para establecer un impuesto al sector financiero incluida una tasa a las transacciones financieras para financiar especialmente el desarrollo". Lo mínimo decente hubiera sido que un grupo de países anunciara la aplicación efectiva a partir de 2012 de una Tasa Tobin que sirviera de ejemplo. Pero ese impuesto que reclamamos hace doce años, continuará adornando los discursos de la campaña electoral del señor Sarkozy, sin haber avanzado ni una coma durante su presidencia en Francia o en el G20.
 
¿La regulación financiera? Nada nuevo, excepto un retroceso bienvenido. Ante la hilaridad general suscitada por la declaración de Nicolás Sarkozy luego de la reunión del G20 en Londres en 2009 (“¡los paraísos fiscales se terminaron!”)  esos “territorios no cooperantes” han reaparecido en Cannes en cantidad de 11, entre los cuales están Suiza y Liechtenstein, aunque no Mónaco, marcado por la manifestación del 3 de noviembre en Cap d’Ail.
 
¿La lucha contra la especulación de los productos agrícolas? Se va a “fortalecer la transparencia en los mercados de productos agrícolas”. Leve progreso, de todas maneras, el G20 invita a los reguladores a limitar “si fuera necesario” las posiciones especulativas realizadas en los mercados de productos derivados.
 
¿Una reforma del sistema monetario internacional? “La composición de la cesta de los derechos especiales de pago” se revisará en 2015 y se deberá orientar “hacia las tasas de cambio previamente determinadas por las fuerzas del mercado”. La especulación en los mercados de cambio tiene frente a sí felices tiempos todavía.
 
Felizmente, en países como Grecia, España, los EE.UU. y muchos otros, los ciudadanos han comenzado a organizar la insurrección cívica y pacífica que será necesaria para terminar con esta renuncia política. En Niza el foro de los pueblos ha contribuido a su coordinación permitiendo el encuentro de ciudadanos y militantes de todos los continentes. El movimiento de indignación planetaria, que prolonga y amplía los métodos y las reivindicaciones altermundistas, va a enfrentar cada vez más a los dirigentes con sus propias contradicciones: ¿quieren seguir gobernando para los mercados o bien se inclinarán ante la renovación democrática?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Crise do Capital - Por que a quebra do sistema financeiro mundial é inevitável?

De acordo com dados publicados pelo BIS (Banco de Compensações Internacionais), espécie de banco supra-central para os bancos centrais nacionais, os principais bancos norte-americanos aumentaram a venda de seguros contra perdas creditícias relacionadas às dívidas públicas dos chamados PIIGs (do inglês, pigs=porcos: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - Spain). O total passou para US$ 518 bilhões, representando um 20% de aumento em relação aos últimos seis meses. Quase 70% são CDS (credit default swaps: título negociável contra o risco de não pagamento). Os empréstimos diretos a esses países acumulados até o mês de junho somavam US$ 181 bilhões.
Os bancos imperialistas JPMorgan, Morgan Stanley, Goldman Sachs, Bank of America e o Citigroup são responsáveis pela emissão de 97% dos CDS nos EUA de acordo com o OCC (Office of the Comptroller of the Currency). A exposição líquida reportada pelos cinco bancos em relação às dívidas dos PIIGS é de US$ 45 bilhões. A exposição reportada pelo Morgan Stanley à dívida pública espanhola, pública e privada foi de apenas US$ 499 milhões no terceiro trimestre, mas de acordo com o FFIEC (Federal Financial Institutions Examination Council) era de US$ 25 bilhões já no segundo trimestre. Usando a mesma lógica, o banco reportou US$ 1,8 bilhões em exposição à dívida pública italiana, contra US$ 11 bilhões reportados pelo FFIEC, e US$ 39 bilhões para a dívida pública francesa.
74% das transações mundiais envolvendo CDS restringem-se a esses cinco bancos e mais 15 empresas financeiras, segundo dados do Depository Trust & Clearing, organismo que mantém um cadastro mundial de derivativos OTC.
Os especuladores financeiros divulgam que o risco estaria minimizado, pois eles compram CDS, e outros mecanismos de proteção swap, de outros bancos e asseguradoras, um mecanismo conhecido como “colaterização” ou rede bilateral (bilateral netting), muito dos títulos teriam vencimentos a curto prazo e a maioria das transações estaria coberta por outras. 
A extrema fragilidade da especulação financeira imperialista
O verdadeiro casino em que foi transformado o mundo pelos especuladores financeiros é tão frágil que o banco que vende uma determinada proteção (hedge), se protege comprando proteções (principalmente títulos swap, como osCDS) de quem ele vendeu! O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernacke, têm declarado que não estariam preocupados com a forte exposição à divida soberana europeia, pois o sistema financeiro norte-americano teria comprado CDS suficientes para enfrentar falências financeiras. Mas foram exatamente esses enormes volumes de “colaterização” que precipitaram o colapso dos bancos Bear Stearns e Lehman Brothers em 2008, que acabou provocando o colapso em cascata dos sistemas financeiros norte-americano e europeu.
Na prática, o uso desses mecanismos especulativos pelo sistema financeiro mundial, aumenta os riscos de bancarrota de maneira exponencial. O colapso é inevitável quando os valores dos ativos financeiros, que são o foco da especulação (títulos da dívida pública, imobiliários, commodities), perdem o seu valor de maneira significativa devido à eminência da insolvência. Como ficou demostrado em 2008, com a quebra da maior asseguradora do mundo, a AIG, quando a rede é quebrada, todo o sistema financeiro colapsa em cadeia. A AIG quebrou, pois não conseguiu pagar os CDS relacionados aos títulos podres das hipotecas, que estavam encadeados (de aí o termo subprime) a outros pacotes de derivativos financeiros estruturados em cima deles.
A MF Global, gerenciada por um ex co-presidente do Goldman Sachs, quebrou recentemente deixando uma dívida de “apenas” US$ 39 bilhões, tornando-se a primeira vítima da dívida pública europeia nos EUA. Para o segundo trimestre deste ano, reportou uma exposição de 6,3 US$ bilhões à dívida pública europeia (1 US$ bilhão de exposição líquida à divida pública espanhola e US$ 3 bilhões à dívida italiana), que tinha sido protegida (hedge) através de US$ 1,3 bilhões de títulos de curto prazo da dívida francesa. Devido ao aumento da exposição ao risco dos títulos espanhóis e italianos, os especuladores financeiros exigiram um aumento da “colaterização” em relação esses títulos para recompra-los, o que a MF Global não teve solvência para fazer.
Na Europa, a quebra do banco Dexia aconteceu, em 7 de outubro, pois o banco não conseguiu pagar, os € 16 bilhões relacionados às margens negativas que foram requisitadas em relação aos swaps de taxa de juros (interest-rate swaps) que tinha vendido. Os governos belgas e francês assumiram essas dívidas que tinham como principais credores o Morgan Stanley e o Goldman Sachs de acordo com matéria do jornal norte-americano The New York Times de 23 de outubro.

O que está por trás do plano do imperialismo europeu para evitar a moratória grega?
Além da manutenção dos pagamentos relacionados aos títulos da dívida grega, os especuladores financeiros estão tentando adiar o disparo em cadeia dos contratos CDS e dos outros mecanismos de “proteção” a partir da moratória do governo grego. Com esse objetivo, aceitaram perder 50% nos títulos públicos gregos através de uma troca voluntária de títulos.
O ISDA (Swaps & Derivatives Association), que é uma associação cujo comitê executivo é controlado pelos principais grupos financeiros imperialistas, que decide se a restruturação de uma dívida deve disparar pagamentos de CDS, declarou, em 27 de outubro, que o acordo não será considerado uma bancarrota por ter sido voluntário.
Os bancos imperialistas apresentam os CDS, e os títulos swaps no geral, como investimentos brutos, sem valor contábil real, em oposição aos investimentos líquidos, que seriam os empréstimos diretos. Este truque contábil parte do princípio que os especuladores financeiros serão resgatados mediante recursos públicos tanto na Europa quanto nos EUA. Isto explica a queda generaliza nos mercados financeiros mundiais após o primeiro ministro grego, George Papandreu, ter anunciado que irá convocar um referendo, previsto para acontecer no início do mês de dezembro, com o objetivo de obter apoio popular em relação ao novo pacote de “resgate” anunciado pela UE (União Europeia), pois poderá dificultar o aumento do fundo de resgate na Europa de € 440 bilhões para € 2 trilhões.
No caso da Grécia entrar em moratória, acontecerá uma imediata correria para vender os títulos de outras dívidas públicas devido ao alto potencial de contaminação, principalmente dos outros países periféricos da zona do euro, o que levará a impossibilidade de efetivar as transações e ao colapso de todo o sistema financeiro mundial, que obtém o grosso dos seus lucros dos títulos de proteção, dos CDS e dos outros mecanismos de proteção swap, através de um disparo em cadeia que impedirá que os detentores desses títulos consigam atingir as margens necessárias, o que no cenário atual equivale ao acionamento de várias falências do tamanho da AIG em paralelo.
A dívida pública italiana atinge € 1,9 trilhões, e junto com a dívida interna ultrapassa os € 3,5 trilhões. Se a Itália quebrar, os bancos franceses, que estão muito descapitalizados, também quebrarão e carregarão em efeito cascata os bancos norte-americanos, britânicos, alemães e do mundo inteiro.
A especulação cresceu consideravelmente desde 2008: há mais de US$ 1.200 trilhões em derivativos financeiros circulando no mundo contra US$ 800 trilhões que havia na época. E a maior parte desses volumes não se relaciona com produtos materiais específicos, mas com os mecanismos de proteção.
O repasse de recursos públicos aos bancos imperialistas está cada vez mais comprometido. As dívidas dos governos e das multinacionais imperialistas aumentaram em mais de 40% nos últimos três anos, o caixa dos governos está quebrado, o crescimento econômico está estancado, os indicadores sociais são os piores dos últimos 50 anos e um país que representa apenas 0,5% da economia mundial (a Grécia) está ameaçando disparar o gatilho das bancarrotas em cadeia.
Nesse contexto, por que os especuladores imperialistas apostam em mecanismos que levarão a uma bancarrota generalizada em efeito dominó? A resposta é que o sistema capitalista está esgotado historicamente, não consegue mais extrair lucro do setor produtivo devido à ação das próprias leis que o levam à sua auto-implosão econômica, o que levou ao crescimento estratosférico dos capitais fictícios, aqueles que não são investidos na produção. Mas o objetivo dos especuladores financeiros é continuar obtendo os maiores lucros a qualquer custo, mesmo ao custo do eminente esgotamento das medidas monetaristas.
O curso da história não pode ser detido. A bancarrota do sistema capitalista mundial parasitário está cada vez mais próxima. O futuro pertence ao socialismo mundial.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mais um sem-terra preso no Pontal do Paranapanema

Depois de prender o principal líder sem-terra no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, o governo do PSDB está perseguindo mais uma importante liderança do movimento camponês da região. Trata-se do ex-coordenador do MST, Antônio Carlos dos Santos, detido no dia 31 de outubro, segunda-feira, pela Polícia Federal (PF).
Este é nono líder do movimento preso pela Operação Desfalque da Polícia Federal que desde junho vem atuando de forma decidida contra os camponeses. Além de Santos e Rainha, também está detido Claudemir Silva Novaes, líder camponês da região de Araçatuba.
Santos está preso no Centro de Detenção Provisória da cidade de Caiuá, interior de São Paulo e, assim como os outros dois, responderá por supostamente ter cometido seis crimes, entre eles formação de quadrilha e desvio de dinheiro público.
Amanhã, dia 4 de novembro, ele será ouvido por Joaquim Eurípedes Alves Pinto, juiz titular da 5ª Vara da Justiça Federal, localizada em Presidente Prudente.
Operação Desfalque, criada para combater suposto casos de corrupção, tem sido um dos principais instrumentos para reprimir a luta dos camponeses na região do Pontal. Assim como a CPI do MST, este tipo de desculpa tem sido usada para que o Estado realize uma atividade de espionagem nas organizações de luta pela reforma agrária e prenda seus militantes.
No caso do Pontal, esta operação para reprimir os camponeses é um instrumento para tentar acabar com a resistência e desta forma, permitir que o governo consiga impor seus planos na região.
Desde o início do ano, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) retomou antigos projetos que pretendem entregar as áreas do Pontal que deveriam ser destinadas à reforma agrária para grandes latifundiários. Por isso, a repressão ao movimento camponês da região, que deu origem ao MST no estado de São Paulo, é uma condição fundamental para o êxito desta política pró-latifúndio.
Neste sentido, a defesa da liberdade dos sem-terra é parte fundamental contra estes planos e deve ser uma das principais tarefas daqueles que lutam pela reforma agrária e pelo fim do latifúndio.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Metalúrgicos de São Paulo aprovam estado de greve

Os metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes rejeitaram a contraproposta de 7,5% a 8,5% de reajuste salarial e decidiram estar em estado de greve.
Em assembleia realizada no fim de semana, os operários decidiram que farão greve a partir de 7 de novembro. A própria burocracia sindical patronal da Força Sindical reconhece a disposição de luta da categoria. "O que eu vejo na categoria é que a disposição para a greve está muito forte", diz Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.
A disposição de luta dos trabalhadores, expressa em diversas greves, aponta a tendência de luta do movimento operário. Os trabalhadores não suportam a política de arrocho salarial, imposta pelos patrões com a ajuda da burocracia sindical.

Metalúrgicos: LG demite 370 trabalhadores em Taubaté

A fábrica da LG de Taubaté, no interior de São Paulo, responsável pela fabricação de celulares, anunciou a demissão de 370 funcionários.
A empresa afirma que as demissões foram realizadas porque a empresa está “reestruturando” a linha de produção na unidade. Fica claro, no entanto, que as demissões são resultado da crise econômica. Em 2008, quando a crise explodiu, várias fábricas da região demitiram milhares de trabalhadores.
Apesar disso, a empresa afirmou que não há previsão de novas demissões.