"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

terça-feira, 25 de agosto de 2009

EUA - Em uma década, 9 trilhões de dólares de prejuízo


Enquanto governo Obama fala do fim da crise financeira, o País acumula déficit fiscal que em dez anos vai ser de quase 10 trilhões de dólares




O prejuízo da economia dos Estados Unidos pode chegar a nove trilhões de dólares, segundo afirmou o governo norte-americano. Esta fortuna, referente ao déficit fiscal e quase o mesmo valor do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, deve ser atingido pelo País entre 2010 e 2019. No cálculo realizado anteriormente, este valor era de sete trilhões de dólares. Com o avanço da crise econômica, a previsão de prejuízo subiu em dois trilhões.
O aumento do déficit fiscal é reflexo direto da crise econômica mundial, que fez com que os governos Bush e Obama despejassem centenas de bilhões de dólares nos cofres dos capitalistas falidos. Além disso, houve a aprovação de inúmeras medidas que isentaram vários setores industriais do pagamento de impostos.
No momento, o déficit fiscal norte-americano é o maior já registrado em toda a sua história, de 11,2% do PIB.
Juntamente com o déficit fiscal, o governo dos Estados Unidos tem um déficit orçamentário também está acima de um trilhão de dólares. Somente em julho o déficit atingiu 180,6 bilhões e um total de 1,26 trilhões em dez meses.
O déficit dos Estados Unidos é o resultado incontestável de que a crise financeira não está longe do fim. Por mais que o governo Obama e a imprensa capitalistas insistam em apresentar resultados que demonstram uma recuperação da maior economia do mundo, o prejuízo causado pela crise, como este déficit, as milhões de demissões etc. são irreversíveis e vão deixar a economia debilitada por muito tempo.

domingo, 23 de agosto de 2009

Crise do imperialismo e capitulação do nacionalismo burguês

O imperialismo e a direita latino-americana tentam uma ofensiva para barrar o avanço do nacionalismo burguês, que ganha força, no marco da crise capitalista

O imperialismo e a direita latino-americana tentam uma ofensiva para barrar o avanço do nacionalismo burguês, que ganha força, no marco da crise capitalista.
O Ministério Público de Honduras ordenou os primeiros requerimentos contra elementos das Forças Armadas por violação dos direitos humanos por incidentes ocorridos após o golpe de 28 de junho. As ações ocorrem contra dois membros das Forças Armadas, um tenente e um cabo, acusados de detenção ilegal.
O processo é uma figuração para fazer parecer que providências estão sendo tomadas contra os abusos dos golpistas, pois os crimes cometidos pelos golpistas foram generalizados e muito mais graves, como assassinatos e torturas.
No entanto, o fato é produto da enorme desmoralização do golpe. O governo foi obrigado, na quinta-feira dia 20, a soltar 24 presos políticos que haviam sido detidos em manifestações contra o golpe.
A Frente Nacional Contra o Golpe continua organizando enormes protestos nas ruas da capital, Tegucigalpa, e de San Pedro Sula, a segunda cidade em importância no país, com milhares de pessoas. Os manifestantes esperam que a volta de Zelaya aconteça nesta semana. Em San Pedro Sula, os manifestantes exigiram que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos tomasse providências contra os abusos das autoridades.
Os golpistas têm que enfrentar cada vez mais as manifestações populares nas ruas, que estão debilitando completamente o regime político, e uma pressão diplomática internacional. Desde o golpe, em 28 de junho, o governo de Roberto Micheletti, sofre pressão contrária de vários países, com declarações em apoio a Zelaya e atos como a retirada de embaixadores em Honduras. A Espanha, a França e o Brasil foram um dos países que retiraram os respectivos embaixadores de Honduras. O Brasil, além do apoio explícito de Lula a Zelaya, rompeu todos os acordos econômicos com Honduras, até que o presidente deposto seja restituído.
Nessa semana, o governo golpista de Honduras rompeu relações diplomáticas com a Argentina, depois que a presidente do País, Cristina Kirchner, expulsou a embaixadora hondurenha em Buenos Aires, Carmem Eleonora Ortez Williams. As relações com a Argentina serão feitas agora através da embaixada de Israel na Argentina, segundo um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores do Governo do golpista Roberto Micheletti.
Israel é um dos poucos países que mantém relações com o governo surgido do golpe. A decisão foi tomada, segundo os golpistas, com base no princípio da “estrita reciprocidade”, ou seja, igual trato, prazo e facilidades que se conceda aos funcionários hondurenhos na Argentina serão dados aos funcionários argentinos em Honduras.
A decisão do governo argentino de expulsar a embaixadora hondurenha de Buenos Aires é um resultado da visita que o presidente deposto, Manuel Zelaya, fez pela América do Sul. Zelaya pediu que Kirchner tomasse tal decisão, tendo em vista que Carmen Eleonora apoiou o golpe militar de 28 de junho.
A mesma decisão foi tomada pelo governo de Costa Rica, que anunciou que vai retirar credenciais diplomáticas da embaixadora de Honduras em San José, Koritza Suazo. O pedido foi feito por Zelaya, alegando o apoio aberto de Suazo aos golpistas.
O próprio imperialismo norte-americano foi obrigado a condenar, ainda que apenas em palavras, o golpe, e tomando o máximo cuidado para não cair em contradição, já que a direita norte-americana e imperialista foi a responsável pela orquestração do golpe que depôs Manuel Zelaya do poder.
Um jornal burguês hondurenho, apoiador do golpe, publicou uma matéria em sua página na Internet onde relata que em entrevista ao programa “Frente a frente”, Roberto Micheletti afirmou que o embaixador dos EUA em Honduras, Hugo Llorens, sabia do golpe. “Nos reunimos os três cidadãos liberais que acreditamos amantes da democracia com o senhor Hugo Llorens em sua casa na Embaixada norte-americana, com seu assistente apelidado Simons, Patrícia Rodas, Enrique Flores Lanza e o ex-presidente Zelaya e o tema era não haver a pesquisa colocando a palavra ‘Constituinte’, dizíamos a Manuel Zelaya diante do senhor embaixador” (La Prensa, 18/8/2009).
O mesmo jornal já havia noticiado a visita que dois congressistas norte-americanos do Partido Republicano fizeram a Roberto Micheletti no final do mês de julho. Os deputados “puderam observar a paz da cidade de Tegucigalpa”, como afirma um jornal hondurenho apoiador do golpe. O mesmo jornal afirma que “Mack, o republicano de maior importância na subcomissão para a América Latina e da Câmara de Representantes e Bilbray se reuniram em Honduras com o presidente Roberto Micheletti, com representantes da Suprema Corte e do Congresso, empresários e membros de igrejas e da sociedade civil” (La Prensa, 13/8/2009). Os dois rejeitaram chamar o ocorrido em 28 de junho de “golpe de estado. As conclusões dos dois deputados da direita norte-americana mostram que a principal apoiadora do golpe foi a ala direita do imperialismo, sob a cobertura do “democrático” governo Obama.
O apoio ao golpe em Honduras faz parte de uma tentativa de organizar uma ofensiva do imperialismo norte-americano no marco da crise capitalista e da própria dominação imperialista. No mesmo sentido está a instalação das sete bases militares norte-americanas na Colômbia.
Na sexta-feira, dia 14, foi anunciado que as negociações para o acordo militar entre Colômbia e EUA foram encerradas e só faltaria agora uma etapa de conclusão. Os detalhes do documento não foram divulgados, o que deixa claro que o acordo é uma violação aos direitos da população não só dos países envolvidos, mas de todos os povos da América do Sul.
A ofensiva imperialista visa a barrar o avanço do nacionalismo burguês em todo o continente latino-americano.
Essa semana, o Senado colombiano aprovou projeto de lei que prevê a realização de um referendo popular para decidir sobre a modificação da Constituição do país. O interesse é permitir um terceiro mandato para Álvaro Uribe, o principal aliado do imperialismo na região. Sem receio algum de parecer incoerente, o imperialismo e a direita latino-americana, que condenaram as mudanças constitucionais promovidas pelos governos nacionalistas como Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, para permitir sua reeleição, agora aplaudem a decisão do governo colombiano.
A manobra faz parte do “pacote” que o imperialismo e a direita da região estão tentando colocar em prática. Trata-se de garantir um governo de total confiança para esses setores para ter uma posição estratégica diante do avanço do nacionalismo.

A atuação do nacionalismo

Do outro lado está o nacionalismo burguês, liderado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ganha cada vez mais terreno na região. A preocupação do imperialismo em tentar conter esse avanço, é menos um medo dos próprios chavistas, mas um temor do desenvolvimento revolucionário das massas, que está ligado ao nacionalismo.
Isso porque o nacionalismo é uma política que representa os interesses das burguesias nacionais dos países, mas que justamente por isso não consegue ser totalmente independente do imperialismo. Haja vista a enorme fraseologia contra o golpe em Honduras e contra as bases, mas sem que nada de concreto seja feito para derrotar o imperialismo.
O ascenso do nacionalismo é um produto da mobilização das massas. À medida que avança a crise capitalista e, conseqüentemente, a mobilização revolucionária das massas como uma reação a esta, governos burgueses de tipo nacionalista sobem ao poder e ganham terreno sobre o atraso político e a inexperiência das camadas populares. No entanto, por representarem interesses opostos aos das massas, por levarem fundamentalmente uma política burguesa, dividida entre o imperialismo e os interesses da burguesia nativa, colidem com elas, o que pode levar a uma radicalização ainda maior da situação política.
A situação em Honduras, por exemplo, dá o tom do problema. O imperialismo e a direita não conseguem sustentar o golpe, que conta com protestos cada vez maiores e mais radicalizados da população. A situação pode sair do controle do imperialismo e avançar mais à esquerda do que representa o governo nacionalista de Manuel Zelaya.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Repressão brasileira no Haiti se intensifica

Estudantes e operários estão presos em condições desumanas por terem participado de passeata pelo aumento do salário mínimo


A repressão burguesa no Haiti está se fortalecendo ao longo das semanas. O Brasil dos ricos, das empresas que precisam da mão-de-obra haitiana barata está fazendo tudo que pode para manter a sua neocolonização no Haiti. O seu braço armado – a Minustah – rouba, estupra, mata com a total garantia de imunidade.
A repressão chega a uma dimensão extraordinária. Cinco estudantes estão presos nas piores condições por a única razão: participaram de uma passeata ao lado dos operários a favor da publicação de uma lei de reajuste salarial. Estes estudantes estão proibidos de receber visitas de familiares.
Em apenas uma semana, 14 pessoas foram presas. Guerchang Bastia, 21 anos, estudante de Sociologia e membro da Associação Universitária Dessaliniana (ASID), Patrick Joseph, 36 anos, membro do comitê para o fortalecimento do bairro de Duvivier (KRD), e oito operários foram presos por terem participado de uma manifestação operária no dia 10 de agosto a favor da publicação da lei sobre o reajuste salarial de 200 gourdes (42 gourdes = um dólar).
Os presos não estão recebendo comida e não são julgados nem condenados. Não têm direito de receber seus advogados. Tudo isso está acontecendo graças à contribuição do Brasil através de seu exército que comanda as forças de ocupação (Minustah). Um dos estudantes presos na Penitenciária Nacional está em greve de fome.
Dois dias depois, na quarta-feira, 12, Edouard Edwight, membro da ASID, foi preso ao voltar do seu estágio para casa. Hérold César, estudante de Comunicação, foi preso no momento em que ia para a universidade. Joseph Valcin foi preso após ter sido asfixiado com gás lacrimogêneo pelas tropas brasileiras e pela polícia haitiana dentro da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Estadual do Haiti.
Anne Lesperance, estudante em Serviço Social, foi presa no mesmo dia 12 de agosto. Ela foi libertada após ter resistido à tentativa de estupro por parte das forças armadas.
É preciso uma campanha nacional no Brasil pela Liberdade imediata para os estudantes e operários presos. Livre direito de manifestação. Aumento imediato do salário. Fora as tropas estrangeiras do Haiti!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Só os banqueiros lucram com a crise


A política econômica do governo Lula está voltada para atender aos interesses dos banqueiros. Em nenhum governo da história do país as instituições financeiras obtiveram tanto lucro. As altíssimas taxas de juros e os pacotes econômicos do governo Lula garantiram aos monopólios financeiros uma enorme poupança, facilmente constatadas pelos enormes lucros obtidos pelos bancos mesmo com a crise econômica mundial

O Bradesco divulgou, no último dia 3, o balanço de seus lucros. No primeiro semestre do ano o lucro do banco foi de R$ 4,020 bilhões, praticamente o mesmo valor registrado no mesmo período do ano passado, antes da crise, quando ganhou R$ 4,104 bilhões. Entre abril e junho o banco lucrou R$ 2,297 bilhões.
O Grupo Santander Brasil, formado pelos bancos Santander e Real, registrou lucro de R$ 1,874 bilhão no primeiro semestre, um crescimento de 13,5% na comparação com o lucro de R$ 1,651 bilhão referente ao mesmo período do ano passado. O Itaú Unibanco, maior banco do país, anunciou nesta terça-feira que teve lucro líquido de R$ 2,015 bilhões no primeiro trimestre de 2009, “Somente o Itaú teve um lucro líquido de R$ 7,71 bilhões [em 2008] ante R$ 7,17 bilhões no exercício anterior, em um incremento de 7,51%. Já o Unibanco apurou resultado de R$ 2,85 bilhões ante R$ 2,60 bilhões em 2007, em um avanço de 9,7%. Ambos os resultados são "pro forma". No último dia 19, o Banco do Brasil apresentou um lucro de R$ 8,8 bilhões em 2008, um crescimento de 74% em relação a 2007. No quarto trimestre do ano passado, o crescimento do lucro foi de 142% sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 2,9 bilhões” (feebpr.org.br/lucroban).
Os bancos estatais também obtiveram lucros gigantescos. “O lucro do Banco do Brasil em 2008 registrou um crescimento de 74% em relação ao de 2007, e ficou R$ 8,8 bilhões. No quarto trimestre do ano passado, o crescimento do lucro foi de 142% sobre o mesmo período de 2007, chegando a R$ 2,9 bilhões. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira. O lucro do Banco do Brasil no ano passado, assim, estabelece um novo recorde” (Idem).

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Produção e exportações derrubam setor automobilístico

Com queda na produção de mais de 50% e uma forte debandada dos compradores internacionais o setor de automotores brasileiro está paralisando a indústria

Com a política de isenção fiscal para os capitalistas do setor automobilístico, o governo Lula conseguiu fazer com que o mercado nacional de automóveis não perdesse tanto, mas no mercado exterior o quadro é muito diferente.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas de carros para o exterior caíram nada menos que 46,9% entre janeiro e julho de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidos este ano 182 960 mil veículos enquanto que no ano passado as vendas foram de 338 176. Em julho, foram vendidos 26.667 automóveis para fora do País, baixa de 14,7% em relação a junho que vendeu 31.265 mil
Mesmo na modalidade de exportação de veículos desmontados, houve queda de 48,7% nas vendas.
O baixo volume de exportação dos carros produzidos no Brasil reflete a forte recessão existente nos outros países. Alguns compradores dos carros brasileiros, por exemplo, reduziram em até 70% as compras. Dos compradores mais importantes que deixaram de importar os carros brasileiros estão o México e Argentina, que estão igualmente na lona devido os efeitos da crise. Mas a crise é generalizada nos Estados Unidos, na Europa, Japão etc.
Com vendas muito abaixo do esperado, as montadoras também estão diminuindo drasticamente a produção. Nestes sete meses de 2009 a redução do ritmo de produção nas montadoras foi de 10,9%. Isso inevitavelmente acarretou demissões em massa que ainda estão acontecendo.
A política do governo Lula de dar subsídios para os capitalistas deste setor não refletiu em nada para a garantia de empregos e investimentos no setor. Foi apenas um alívio para os cofres particulares dos capitalistas que estavam tendo prejuízo com a recessão.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ocupação das fábricas! Tendência à radicalização da classe operária


Operários sul-coreanos mostram como se luta contra as demissões



A situação política internacional evolui a cada dia para uma radicalização por parte das massas, em particular os trabalhadores. Como produto da crise econômica que estourou em 2008, os regimes políticos burgueses de praticamente todos os países do globo estão apresentando sinais de crise.
A crise é particularmente forte nos países europeus e nos Estados Unidos, o que esclarece a sua dimensão. O imperialismo está perdendo terreno em todas as regiões do mundo e não consegue resolver a série de crises que se espalham. Nos países de economia atrasada, regimes políticos já falidos, aliados à situação econômica turbulenta, resultam em enormes mobilizações e desestabilização política.
A necessidade dos capitalistas, para salvar suas empresas e os bancos, em rebaixar os salários, retirar direitos e demitir é o principal barril de pólvora para a mobilização dos trabalhadores. Desde que tais ataques se tornaram mais freqüentes, os trabalhadores de vários países já demonstraram qual é a tendência de luta dessa nova etapa de mobilizações que o mundo vai assistir. A maior crise do capitalismo, tanto econômica como politicamente, e conseqüentemente os maiores ataques já desferidos contra a classe operária, serão enfrentados pelos trabalhadores com métodos revolucionários. Esta tendência internacional não é causal. Em primeiro lugar, porque os trabalhadores mais experientes sabem que este é o único meio real de combater as demissões em massa. Em segundo lugar, porque a situação da classe operária mundial vem piorando sistematicamente há três décadas, ainda que lentamente, o que não deixa muita margem de manobra para uma política de conciliação.
Tal tendência ao enfrentamento e à radicalização cada vez maior contra as forças do Estado burguês se mostra mais do que nunca na ordem do dia e já começa ser colocada em prática pelos operários em vários países.
A classe operária brasileira deve tirar as lições destas lutas.
Veja alguns casos recentes de ocupações de fábrica
Nos Estados Unidos, operários da fábrica de portas e janelas, Republic Windows and Doors, localizada em Chicago, com 250 funcionários foi ocupada em dezembro do ano passado. A ocupação, que aconteceu depois que os trabalhadores descobriram que os patrões fechariam a fábrica sem pagar nenhum direito aos trabalhadores, durou quase uma semana. A pressão dos trabalhadores resultou no atendimento das reivindicações, como o pagamente de indenização.
Na França, uma série de ocupações já ocorreu desde o ano passado. Operários de várias fábricas que ameaçaram fechar ou demitir ocuparam a fábrica e seqüestraram gerentes e chefia. Só os liberaram após o atendimento das reivindicações.
O exemplo mais recente na França ocorreu na fábrica New Fabris, em Châtellerault, na região central. Cerca de 360 trabalhadores ameaçaram explodir a fábrica, caso os principais clientes da empresa, a Renault e a PSA Peugeot-Citröen, não pagassem uma indenização de 30 mil euros por operário. Os trabalhadores espalharam botijões de gás pela fábrica, “se nós não temos nada, então eles não podem ficar com tudo”. (http://www.esquerda.net/).
A ocupação terminou quando o governo e os patrões aceitaram pagar exatamente o que os operários reivindicavam e a fábrica não foi explodida.
Na China, operários chineses, em protesto contra demissões anunciadas depois que a siderúrgica Tonghua Iron and Steel Group passasse para o controle de outra empresa a Jianlong Steel, mataram o gerente geral da usina, atirando-o do terceiro andar. A usina conta com cerca de 30 mil trabalhadores.
O último e mais recente episódio é o que se estende na Coréia do Sul, em que cerca de mil operários metalúrgicos ocupam uma fábrica de automóveis. A Ocupação já dura dois meses e a polícia já tentou desocupar por duas vezes, sendo mal sucedida. Essa semana, a tropa de choque mobilizou 4.000 homens, que foram recebidos com bombas incendiárias pelos operários. A ocupação é uma resposta dos trabalhadores contra a decisão da empresa em cortar os postos de trabalho para manter os lucros diante da crise.
Os trabalhadores coreanos devem resistir na fábrica e os trabalhadores de todo o mundo devem seguir esses exemplos e lutar pelo controle operário da produção, em resposta aos ataques dos patrões

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

Leon Trotsky - Sobre a questão da estabilização da economia mundial



Discurso do camarada Trotsky sobre o informe do camarada Varga [1]



Camaradas, é muito difícil falar sobre uma questão tão complexa limitado pela estrutura do informe de
outra pessoa, especialmente um informe desde base tão abstrata e com uma exposição ainda mais
abstrata. É por isso que, de minha parte, terá inevitavelmente algumas improvisações a respeito deste esquema alheio, que não domino de todo. Tudo isso realmente torna a minha tarefa muito complicada.
Parece-me que o principal problema do informe do camarada Varga é sua natureza abstrata, não só da forma da exposição, senão também de seu conteúdo. Ele propôs a seguinte questão: estão ou não se desenvolvendo as forças produtivas do capitalismo? – levando em consideração a produção mundial dos
anos 1900, 1913 e 1924, calculada para a América, Europa, Ásia e Austrália. No entanto, isso não é relevante para resolver a questão da estabilização do capitalismo. Não se pode medir a situação revolucionária desta forma. Pode-se medir a produção mundial, mas não a situação revolucionária, porque
a situação revolucionária na Europa, nas condições históricas atuais, está determinada, em importante grau, pelos antagonismos entre a Europa e América e, dentro da Europa mesmo, pelas inter-relações entre a produção alemã e a inglesa, a concorrência entre França e Inglaterra etc. No mínimo, as bases sócioeconômicas
destes antagonismos determinam a situação revolucionária de forma imediata. Que as forças produtivas cresceram na América nos últimos dez anos está fora de questão. Também não podemos questionar o fato de que as forças produtivas no Japão cresceram durante a guerra e estão crescendo também agora. Também cresceram e continuam crescendo na Índia. E na Europa? Na Europa, não estão
crescendo nem em geral, nem em seu conjunto. Portanto, a questão básica resolve-se não calculando a produção, mas sim por meio de uma análise dos antagonismos econômicos. O nódulo da questão é este: a América e, em parte, o Japão, estão empurrando a Europa a um beco sem saída, não lhe deixando
nenhum mercado para suas forças produtivas, que foram somente em parte rejuvenescidas durante a guerra. Não sei se vocês levaram em conta o recente discurso de um dos mais proeminentes exportadores
americanos, Jules Barnes, que tem laços estreitos com o Ministério de Comércio. Barnes esboçou, aparentemente na Conferência de Comércio, e propôs na Conferência de Bruxelas de representantes norte-americanos, o seguinte programa de desenvolvimento: “nós queremos aplacar os problemas da Europa, mas ao mesmo tempo queremos destinar certos setores do mercado mundial a alguns países europeus, de forma que não choquem com os produtos americanos”. Essas foram, quase exatamente, suas palavras. Para que a Alemanha não choque com os produtos e com o comércio americanos, nós os americanos lhes indicamos, aos alemães, que estabeleçam comércio com a União Soviética etc. Estas não são palavras vãs, porque a Europa depende da América num grau extraordinário. Na verdade, esta não
pode organizar com êxito o caos do mercado mundial e garantir de tal maneira a estabilidade do capitalismo por um tempo prolongado ou para sempre. Pelo contrário, ao empurrar os países europeus mais e mais para uma estreita faixa do mercado, a América está preparando, na verdade, um novo desgaste, sem precedentes, das relações internacionais – tanto entre América e Europa quanto dentro da
própria Europa. Mas na etapa atual do desenvolvimento, esta alcança um conjunto de objetivos imperialistas por vias “pacíficas”, quase “filantrópicas”. Tomemos a questão da estabilização da moeda, que é o traço mais claro da assim chamada estabilização do capitalismo. O país mais rico da Europa – a Grã-Bretanha – estabilizou, atualmente, sua libra esterlina. Como a estabilizou? Por meio de um empréstimo de US$300 milhões de Nova Iorque, de maneira que, se a libra esterlina cai em seu valor, o
capital americano a deveria salvar. A conseqüência disso é que agora a libra esterlina se tornou um brinquedo nas mãos da Bolsa de Valores americana, a qual, em qualquer momento, pode(ria) desvalorizála.
O que se usou oficialmente nas relações com a Alemanha, o que amadureceu nas relações com a França – o sistema Dawes [2] – é, agora, ao menos parcialmente, contemplado em relação à Grã-Bretanha.
Na verdade, isso não significa, de jeito nenhum, que a América possa levar adiante – com êxito – essa política até o fim e estabilizar uma Europa “dawesizada”. Isso é simplesmente impensável. Pelo contrário, a “dawesização”, dando hoje predomínio às tendências “pacifistas”, piora, de fato, as penúrias da Europa e está preparando uma explosão em massa.
A camarada Aizenshtadt equivoca-se, da mesma forma, quando argumenta a favor do desenvolvimento geral, por igual, das forças produtivas da América e da Europa. A Catedral de Reims é diferente dos arranha-céus de Nova Iorque? Eles construíram arranha-céus ali porque a destruição se levou a cabo na Europa com a ajuda da dinamite americana. O fluxo de ouro para a América não trouxe como
conseqüência um respectivo desenvolvimento das forças produtivas da Europa. Não se pode somar mecanicamente estes dois fenômenos paralelos, o esvaziamento da Europa e o enriquecimento dos EUA.
Não se pode somar a riqueza perdida da Europa com a riqueza acumulada na América. Ainda que a camarada Aizanshtadt tenha objetado ao camarada Varga, na verdade somente amplifica seus erros. Ele também combina o valor da Europa e da América, quando na verdade estes se opõem um a outro, tanto
econômica como politicamente – isto é o que determina em grande parte a situação sem saída de Europa.
Repito uma vez mais: se eu cito o programa de J. Barnes, em respeito a atribuir à Europa setores estritamente definidos do mercado mundial, isto é, fornecer-lhe o suficiente aos países europeus para que possam pagar os juros sobre os empréstimos, e os próprios empréstimos, sem fragmentar ao mesmo tempo
o mercado americano, disso não se pode concluir que a Europa mesma esteja segura em determinado nível e preservada durante um longo tempo. Nada disso. É impossível estabelecer qualquer grau de segurança
em longo prazo, já seja nas relações externas ou internas do capitalismo imperialista.
Não é necessário dizer que neste ponto nenhum de nós tem a menor dúvida. O sistema Dawes, a restauração da moeda, os acordos de comércio, todo este “pacifismo” e as medidas de recuperação se
levam a cabo com o “apoio” americano e estão sob seu controle. Isto é característico do estágio atual do desenvolvimento da Europa. Mas ao recuperar suas funções econômicas elementares, os países europeus restauram todos seus antagonismos, afetando-se mutuamente. Na medida em que a América restringe
severamente o processo de recuperação europeu dentro de estreitos limites, estes antagonismos, que levaram diretamente à guerra imperialista, poderiam reavivar-se inclusive antes que os níveis de produção e comércio pré-guerra fossem atingidos. Sob o controle financeiro “pacifista” americano, e apesar das
atuais “aparências”, agora está ocorrendo, não um alívio, mas sim um aumento das tensões internacionais. Isto se aplica também, e não em menor medida, às relações internas, isto é, às relações entre as classes. O II Congresso da Internacional Comunista [3] já enfatizou o ponto essencial de que o
declínio do desenvolvimento das forças produtivas da Europa pós-guerra não significa nem uma obstaculização, nem tampouco um ritmo mais lento, senão, pelo contrário, uma poderosa intensificação e
agudização no processo de diferenciação social: a ruína da pequena burguesia e das classes médias, a concentração do capital (sem acumulação nacional), e a proletarização e ainda maior pauperização de
todos os novos estratos nacionais. Todos os congressos seguintes destacaram este fato. É neste sentido que tem razão totalmente o camarada Varga quando diz que na Europa está ocorrendo agora uma ainda mais profunda polarização das relações de classe que não atingiu e não pode atingir nenhum tipo de
estabilização. O volume geral de riqueza na Europa não está crescendo, ou quase, senão que está sendo concentrada cada vez mais em menos mãos e a um ritmo ainda mais acelerado que o anterior à guerra.
Uma das camadas do proletariado está se transformando em lumpen-proletariado. O exemplo disto é a Grã-Bretanha. Ali observamos um fenômeno de uma ordem nova, precisamente um exército estável de desempregados que durante todo o período pós-guerra não baixou de 1.250.000, e, atualmente, anda a
cerca de 1.500.000. Mas a estabilização do desemprego não é o mesmo em absoluto que a estabilização do capitalismo. Num de seus últimos artigos, Kautsky dizia que a revolução socialista viria de qualquer forma no momento oportuno (dentro de 100 anos e em forma progressiva...) porque o proletariado está
crescendo, seu peso na sociedade está aumentando etc.; em outras palavras, repete o Programa de Erfurt [4], mas numa forma vulgarizada. Hoje em dia, vemos que isto é incorreto. Se o proletariado está crescendo, então está crescendo na Grã-Bretanha, o país mais rico da Europa, como lumpen-proletariado.
E não só na Inglaterra. Aqui podem-se repetir as palavras de Marx sobre a Inglaterra, “não faz mais que mostrar aos demais países sua imagem futura” [5].
A França enfrenta a tarefa urgente de estabilizar o franco. Isto significa que num futuro mais ou menos próximo haverá também desemprego crônico na França. Se o proletariado francês está hoje, em seu
conjunto, empregado na indústria, isto se deve a que a indústria francesa vive não por seus próprios meios, senão com a ajuda de dinheiro falso, com a ajuda da inflação. A América exige da França o que já conseguiu da Inglaterra: a estabilidade de sua moeda. Isto requer um fluxo de ouro para o tesouro da
França. Mas pelo ouro americano há de se pagar altos juros, e isto traz consigo um custo adicional generalizado sobre a indústria francesa. Este custo adicional sobre a indústria francesa tem como resultado o desgaste do mercado, e este mercado, que agora a França possui ao preço da ruína de sua moeda e à custa de minar os alicerces de suas finanças, se paralisará, e, portanto, terá lugar ali, inevitavelmente, um exército de reserva estável como na Inglaterra. Se a França recusasse isto, a América
forçaria a França a ir para uma moeda estável com todas as conseqüências que isto traria consigo. A expressão mais clara do processo de restauração ocorre na Alemanha, onde a curva capitalista caiu a seu ponto mais baixo. Mas na Alemanha o processo de recuperação opera dentro dos marcos de uma luta por
atingir os níveis pré-guerra, e a caminho de conseguir este nível, a Alemanha tropeçará com muitos obstáculos políticos e econômicos. Enquanto isso, devido a sua riqueza nacional dilapidada, assistimos a uma intensificação cada vez maior das contradições sociais. Uma parte da exposição do informe do
camarada Varga é muito abstrata, mas é correta. Tenho em mente essa parte na qual o camarada Varga falava de uma deformação da sociedade que não pode ser revertida. Para abolir o desemprego na Inglaterra precisar-se-ia capturar o mercado, enquanto a Inglaterra não o está ganhando, senão que o perde. Para estabilizar o capitalismo inglês é preciso – nada mais, nada menos – deslocar a América. Mas isto é fantasioso e utópico. Toda a “cooperação” entre América e Grã-Bretanha consiste em que a primeira – dentro do marco da “pacífica” cooperação “pacifista” – é quem está deslocando, cada vez mais, a segunda, usando-a como um meio, uma ferramenta, como agente intermediário nos campos diplomático e comercial. A porção do mundo que domina hoje o conjunto da economia britânica e o conjunto da economia européia está caindo – ao mesmo tempo em que a estrutura econômica da
Inglaterra e da Europa centro-ocidental surgiram da hegemonia mundial da Europa e dependiam desta mesma hegemonia. Esta contradição, que é tão inevitável como impossível de ignorar, está se aprofundando progressivamente, e é o pré-requisito econômico básico de uma situação revolucionária na Europa.
Desta maneira, parece-me que é absolutamente impossível caracterizar a situação revolucionária por fora do antagonismo entre América e Europa, e este é o erro fundamental do camarada Varga.
Mas aqui se propôs a questão a respeito da origem do próprio conceito de estabilização. Por que falar de
estabilização? Penso que não se pode contestar esta pergunta só no marco das categorias econômicas; não podemos evitar propor temas políticos. Tomemos por exemplo a situação econômica européia. Como estava imediatamente após a guerra, e como está agora? Teve algumas mudanças? Seguramente teve mudanças, e muito sérias. Na França todas as estações ferroviárias destruídas foram reconstruídas, e os
departamentos (províncias) do Norte foram restaurados em grande parte; na Alemanha agora se viaja sobre pneus de borracha e não sobre palha. Muitas coisas foram restauradas, consertadas, melhoradas. Se abordarmos o tema com um ponto de vista tão limitado, pareceria que se fez muito no período pósguerra.
É como uma pessoa que depois de cair em dificuldades extremas e inclusive na pobreza, e quando tem uma ou duas horas livres, costura apressadamente alguns botões, põe remendos, se lava etc. Agora bem: tomemos toda a situação da Europa em seu conjunto, no seio da economia mundial. Mudou?
Melhorou ou não nestes anos? Não, não melhorou. A posição da Europa à escala mundial não melhorou;
este é o ponto essencial. No entanto, por que falamos de estabilização? Por que mais que todas as coisas,
ainda que a Europa não escapou de sua posição geral de decadência, tem arranjado – de todas as formas – introduzir certos elementos de regulação em sua economia. Não podemos ignorar tal fato. Isto não é indiferente para o destino e a luta do proletariado europeu, e para estabelecer as táticas corretas dos partidos comunistas. Mas não decide o destino geral do capitalismo europeu. A estabilização da libra
esterlina com o ouro é indubitavelmente um “elemento de regulação”, mas ao mesmo tempo a estabilização da moeda só revela, de forma mais clara e precisa, a decadência da Inglaterra e sua colossal dependência para com a América.
Que significa, no entanto, a regulação do capitalismo europeu, a restauração de suas funções elementares etc.? É esta regulação interna tão-só a condição preliminar e necessária, e junto com isto, um indicador, de uma estabilização futura saudável e em longo prazo? Não, não há nenhum fato que apóie uma
semelhante proposição. Para compreender como e por que a burguesia européia foi capaz de “regular” sua economia, devem se considerar questões políticas e sua inter-relação mútua com a economia. Em 1918-19 tivemos na Europa, sobre uma base econômica sujeita ainda às conseqüências diretas da guerra,
um poderoso levantamento revolucionário espontâneo das massas trabalhadoras. Isto sacudiu o Estado burguês até seus alicerces e produziu uma forte falta de autoconfiança na burguesia enquanto classe dominante – não teve sequer decisão suficiente para remendar sua vestimenta européia. Seus pensamentos sobre a estabilização da moeda ficaram entre o terceiro e o quarto lugar, se é que
permaneceram em algum lugar, enquanto a ofensiva do proletariado ameaçava sua supremacia. Então a inflação foi uma medida de autodefesa direta de classe para a burguesia, da mesma forma que o comunismo de guerra foi, em nosso país, uma medida de autodefesa do poder proletário. O camarada Varga recorda corretamente que durante o I e II Congresso [6] consideramos que era extremamente
provável a tomada do poder por parte do proletariado na Europa. Em que consistiu nosso erro? Em que terreno não estávamos preparados? Estava a economia preparada para uma revolução social? Sim, estava.
Em que sentido? Num sentido fundamental, poderia se dizer. Já no pré-guerra o status da tecnologia e da economia fazia objetivamente vantajosa a transição ao socialismo. Em que consistiram as mudanças que
tiveram lugar durante e após a guerra? Consistiram no fato de que, se tomarmos o desenvolvimento como um processo gradual generalizado, as forças produtivas de Europa deixaram de se desenvolver. Antes da guerra desenvolviam-se rapidamente e dentro dos marcos do capitalismo. Seu desenvolvimento entrou num beco sem saída, e isto o conduziu à guerra. Depois da guerra, cessou de se desenvolver na Europa.
Temos estancamento com agudas flutuações irregulares de cima abaixo, que não permitem sequer manter a conjuntura. Se, em termos gerais, a conjuntura é a pulsação mesma do desenvolvimento econômico,
uma quantidade de tremores conjunturais testemunham que o capitalismo ainda vive. No III Congresso da Comintern [7] demonstramos que as mudanças na conjuntura, inevitavelmente continuariam e
conduziriam a um melhoramento na conjuntura. Mas existe uma diferença entre a batida do coração de um homem saudável e o de um doente. Em 1921 dissemos que o capitalismo não morreu, mas vive.
Portanto, seu coração bateria, e a conjuntura mudaria. Mas quando um ser vivo cai numa condição insuportável, sua pulsação ocorre irregularmente, e lhe é difícil atingir o ritmo necessário e etc. É o que tivemos o tempo todo na Europa. Se as mudanças cíclicas na Europa tornam-se uma vez mais regulares e vigorosas (e falo sobre isto com todas as reservas necessárias e em forma totalmente condicional), então, até um verdadeiro ponto, mostraria que a burguesia tinha dado algum tipo de passo principista adiante no sentido de consolidar as relações econômicas. Mas até agora não se pode falar de nada similar a isto. A irregularidade, a não-recorrência e a natureza não-periódica destes tremores conjunturais mostram que o capitalismo europeu e, sobretudo o britânico está circusncrito de forma insuportável dentro dos limites em que caiu após a guerra. As forças produtivas, empurrando adiante, chocam-se com os limites do mercado mundial, que são demasiado estreitos para elas. Daí as convulsões econômicas. Os espasmos, e os tremores bruscos e agudos sem uma periodização regular, que mostra a conjuntura econômica.
Mas voltemos ao problema: o que foi que não levamos em conta em 1918-19, quando esperávamos que o proletariado europeu tomasse o poder nos meses seguintes? O que foi que faltou para a realização dessas expectativas? Os pré-requisitos econômicos e a diferenciação de classes não faltaram – as condições
objetivas estavam suficientemente preparadas. Também estava presente o movimento revolucionário do proletariado. Após a guerra, o proletariado estava com um ânimo tal que lhe possibilitaria conduzir-se à
batalha decisiva. Mas não tinha ninguém para dirigir, nem ninguém para organizar esta batalha – não tinha partido. Este foi o fator que ignoramos, e este foi o erro de nosso diagnóstico. Na medida em que não tinha partido, a vitória era impossível. E, por outra parte, não se pode manter a vontade revolucionária do proletariado o tempo todo necessário até que se tenha criado o partido.
O Partido Comunista começou a ser criado. Enquanto isso, a classe trabalhadora, ao não encontrar uma direção combativa no momento apropriado, foi forçada a se acomodar à situação que se formou após a guerra. Daí que os velhos partidos oportunistas recebessem uma nova oportunidade, em menor ou maior medida, de se fortalecer. O capitalismo também sobreviveu. O que foi que o capitalismo recebeu,
precisamente porque não tinha nenhum partido revolucionário no momento crucial eo proletariado não pôde tomar o poder em suas mãos? Um respiro; isto é, a possibilidade de orientar-se mais pacificamente para a situação que se estava formando: restaurar a moeda, substituir a palha por coberturas de borracha,
atingir acordos comerciais etc. Em suma, tiveram lugar mudanças sérias na situação do capitalismo europeu que não podemos subestimar, mas que estão contidos dentro dos mesmos limites das forças econômicas, financeiras e militares mundiais que foram preparadas antes da guerra, que se determinaram finalmente durante a guerra, e que não mudaram no que diz respeito à Europa no último período. Não é
devido a que o capitalismo tenha criado com sucesso, e por seus próprios médios, condições para o maior desenvolvimento das forças produtivas, que não existe hoje uma situação revolucionária na Europa. Não há um desenvolvimento das forças produtivas, e não há sintomas sérios que apontem nessa direção. A
ausência de uma situação revolucionária se expressa diretamente por mudanças no ânimo da classe trabalhadora, mais notavelmente na Alemanha, no refluxo da revolução para a social-democracia. Este refluxo é uma conseqüência do fato de que a onda revolucionária pós-guerra, durante e após os acontecimentos do Ruhr[8][8], não teve sucesso. Como resultado deste refluxo, a burguesia pôde consertar os elementos mais desgastados de seu aparelho estatal e econômico. Mas sua próxima luta, ainda que não fora ao nível econômico do pré-guerra, está inevitavelmente grávida de novas e explosivas contradições, conflitos, tremores, “episódios” do tipo dos acontecimentos do Ruhr etc. O ânimo da classe operária, como o ilustrou novamente 1923 na Alemanha, é um fator incomparável e incomensuravelmente
mais fluído que a “estabilização” econômica de determinado país, o qual, em cada um dos estágios subseqüentes, pode pôr aos partidos comunistas da Europa frente a novas situações revolucionárias.
Aqui o camarada Varga mencionou um fato importante: a burguesia não podeengordar o estrato superior da classe operária. Nestes momentos, na Inglaterra, o governo conservador de Baldwin quer realmente fazer as pazes com os operários. Se acompanharmos os últimos discursos de Baldwin, encontrá-los-emos
cheios de uma grande preocupação. Há pouco se escutou no Parlamento esta frase clássica: “Nós, os conservadores, não queremos atirar primeiro”. E quando a extrema-direita de seu próprio partido propôs
uma lei para proibir aos sindicatos que recebessem subvenções (e os liberais estavam totalmente de acordo com isto porque o Partido Trabalhista, que os destruiu, depende desse dinheiro), Baldwin disse: não é necessário dizer que o fato de que as subvenções políticas sejam obrigatórias rompe com as tradições inglesas, e todo o mais, mas: “Não queremos ser aquele que dispara primeiro”. Esta foi
exatamente sua expressão, o que não é só um mero recurso retórico.
Se acompanharmos a economia inglesa, a política, a imprensa, o ânimo geral na Grã-Bretanha, obteremos a impressão de que a situação revolucionária está avançando, ainda que lentamente, mas com surpreendente regularidade. A situação desesperada do capitalismo britânico encontrou sua expressão na queda do liberalismo, o crescimento do Partido Trabalhista, o aparecimento de um ânimo novo entre as massas trabalhadoras etc. Baldwin constrói sua política por sobre a esperança de um “compromisso” com os trabalhadores.
Enquanto isso, os sindicatos ingleses, que nós conhecemos como os responsáveis por fecharem acordos conservadores (do que era para nós expressão o sindicalismo: uma expressão do mais acabado oportunismo nas fábricas), estão se transformando gradualmente num grande fator revolucionário na história européia.
O comunismo pode levar a cabo sua missão na Inglaterra só à condição de combinar seu trabalho com estes processos que estão ocorrendo nos sindicatos britânicos. E o quê determina diretamente estes processos? Precisamente o fato de que nesse país, onde mais que em nenhuma outra parte engordou uma ampla camada da classe operária, esta já não o pode fazer mais. Daí que o ânimo de Baldwin, próacordos,
deveria recusar todas essas modestas leis (por exemplo, o salário mínimo para os mineiros) propostas pelos representantes do trabalhismo.
Ontem recebemos por telégrafo notícias de que os conservadores tinham recusado uma modesta lei dos representantes trabalhistas que destinava 10 milhões de libras esterlinas para programas sociais. Daí
repreende-se que o fortalecimento do oportunismo, que é um fato indiscutível na Alemanha e na França, não pode ser nem firme nem duradouro. Nem a França nem a Alemanha podem criar uma situação
privilegiada para a camada superior do proletariado. Pelo contrário, por todos os lados haverá um período de opressão severa sobre a classe operária.
E na Inglaterra? Não é possível que o oportunismo dos atuais líderes do PartidoTrabalhista se consolide por muitos anos, inclusive décadas? Se vamos dedicar um par de palavras a este assunto, seria melhor fazer uma avaliação geral da situação. Na Inglaterra tínhamos uma Federação Social Democrata e um
Partido Trabalhista Independente – duas organizações que existiram durante décadascomo organizações que competiam entre si. Cada uma tinha 15.000, 20.000, 25.000 membros. Durante os anos de pós-guerra fomos testemunhas de algo surpreendente na Inglaterra: uma seção de propaganda até ontem, o Partido
Trabalhista Independente, chegou ao poder. Para dizer a verdade, dependia dos liberais, mas na última eleição, justo após a queda de MacDonald, amealhou quatro ou cinco milhões de votos!
Falo do Partido Trabalhista Independente porque é a fração dominante do Partido Trabalhista. O Partido Trabalhista não existe sem o Partido Trabalhista Independente. O que é que explica a trajetória tão inusitada dos independentistas? Será estável? Na Inglaterra temos uma burguesia que tem submetido ao
proletariado, mais consistentemente, com maior inteligência e melhor que nenhuma outra; tem engordado economicamente à camada superior da classe trabalhadora, e a tem desmoralizado politicamente. Não houve uma escola igual na história, nem ao que parece, terá outra igual no futuro. A burguesia americana dificilmente será tão capaz de corromper e humilhar à classe trabalhadora durante
tanto tempo. Aonde levou a mudança na situação econômica nacional e internacional da Grã-Bretanha? À pressão da massa de trabalhadores sindicalizados sobre seus líderes, e esta pressão levou à criação de um Partido Trabalhista. Se tomarmos hoje o trabalhador inglês médio, muito dificilmente este tenha recusado
conscientemente esses mesmos preconceitos que tinha quando votava pelos liberais. Mas está decepcionado com os liberais, porque os deputados liberais, à luz da posição intercambiante da Inglaterra no mercado mundial, foram incapazes de falar a favor dele no Parlamento na medida em que o podiam
fazer no passado. Daí então nasceu a necessidade de criar seu próprio partido. O que é o Partido Trabalhista? É o Departamento Político dos sindicatos. O Partido Trabalhista/Sindicatos precisavam de um tesoureiro, um caixa, um secretário e deputados no parlamento. Foi a pressão de uma luta de classes que
se agudizava e a eliminação do Partido Liberal o que forçou aos sindicatos a criar seu próprio Partido,
Trabalhista. Mas a burocracia dos sindicatos não foi capaz de criá-lo a partir de suas próprias forças em 24 horas. E na Inglaterra a situação tinha mudado de tal forma que era necessário construir um partido
praticamente em 24 horas. Assim é como sucedeu a assombrosa “união” entre Partido Trabalhista
Independente, que tinha existido no curso de muitos anos como uma seção, e os sindicatos. “Vossas mercês precisam de um Departamento Político adjunto aos sindicatos? Estamos a vosso serviço!”. O
Partido Trabalhista formou-se desta maneira. O oportunismo dos independentistas recebeu uma base política gigantesca. Mas, por muito tempo? Tudo aponta para a resposta: “Não!”. O Partido Trabalhista
atual é uma conseqüência de um cruzamento temporário entre o caminho do Partido Trabalhista
Independente e a poderosa ascensão revolucionária da classe operária; os independentistas correspondem só a um curto período desta ascensão. Já tivemos o governo de MacDonald. Tratou-se de uma experiência
episódica, que não se esgotou, já que o primeiro governo independentista não contava com uma maioria parlamentar.
Quais são as perspectivas futuras? Existem razões para pensar que o atual ministério conservador será derrocado diretamente numa situação revolucionária? É difícil de conjecturar, mas inclusive sem um empurrão fundamental da história se poderia esperar uma luta revolucionária pelo poder entre a classe
trabalhadora e a burguesia no período que se avizinha. Se não há uma guerra ou outros acontecimentos como uma ocupação do Ruhr, o governo conservador de Inglaterra, já seja um ano antes ou um ano depois, será substituído por um Trabalhista. E o que significa um governo Trabalhista em tais condições?
Um ataque extraordinário da classe operária, uma pressão sobre o Estado. E o que significa isto, dada a situação mundial desesperada da Inglaterra? Que a classe operária inglesa poderia exigir o comunismo com
a mesma energia, em massa, e a mesma velocidade com que exigiram a direção de um Partido Trabalhista Independente. Apresentar as coisas como se o número de comunistas na Inglaterra fora crescer gradualmente ao curso das décadas é estar radicalmente equivocado. Precisamente o destino do Partido Trabalhista Independente, mais que nenhuma outra coisa, demonstra que na Inglaterra os acontecimentos se desenvolvem por outras vias e com outros ritmos. A Inglaterra está acostumada a ser a dona do mercado mundial – daí o conservadorismo dos sindicatos. Agora foi relegada, sua situação piorou, e a situação da classe operária britânica mudou radicalmente; toda a órbita de seu movimento se alterou.
Num verdadeiro estágio esta órbita (a linha do movimento) interceptou com o curso do Partido Trabalhista Independente. Isto cria uma ilusão de um Partido Trabalhista forte. Mas não todo mundo apoiava a MacDonald – isto foi só uma meta, uma marca no caminho da classe operária inglesa. É talvez o processo que está ocorrendo atualmente na classe operária inglesa o que expressa mais claramente o caráter
profundamente crítico, isto é, revolucionário, da totalidade de nossa época histórica.
Uma situação revolucionária, no sentido especial da palavra, é uma situação muito concreta. Surge da intersecção de todo um conjunto de fatores: uma situação econômica crítica, uma agudização das relações entre as classes, um ânimo combativo entre os trabalhadores, incerteza dentro da classe dominante, ânimo revolucionário dentro da pequena burguesia, uma situação internacional favorável para
a revolução etc. Em sua própria essência, uma situação tal pode e deve amadurecer, e, então se manterá só durante algum tempo. Não pode durar eternamente.
Se não é utilizada estrategicamente, começará a desintegrar-se. Desde onde? Desde a cabeça, isto é, desde o partido comunista que não foi capaz ou não pôde utilizar a situação revolucionária.
Inevitavelmente surgirão conflitos internos. Que o partido inevitavelmente se debilite é fato bemconhecido, e às vezes perde uma parte muito significativa de sua influência. Na classe operária começa um refluxo dos sentimentos revolucionários, bem como tentativas de acomodar-se à ordem estabelecida.
Ao mesmo tempo, uma verdadeira onda de autoconfiança impregna à burguesia, o que também se expressa em sua atividade econômica. É a existência destes processos o que nos obriga a falar de estabilização e de forma alguma em mudança radical na base capitalista da Europa, isto é, sobretudo, sua situação no mercado mundial.
Devemos recusar em nossa análise o provincianismo europeu. Antes da guerra pensávamos sobre a Europa como quem regia os destinos do mundo, e interpretávamos os problemas da revolução numa forma
nacional, européia – provinciana, segundo a linha do Programa de Erfurt. Mas a guerra demonstrou, revelou, pôs a nu e consolidou os laços totalmente interconectados que unem todas as partes da economia
mundial. Este é o fato fundamental, e não se pode julgar o destino da Europa por fora das conexões e contradições da economia mundial. Tudo o que ocorreu recentemente no mercado mundial, a cada dia e a cada hora, mostra o crescimento da supremacia americana e a crescente dependência de Europa para com
a América. A sua atual posição é, em muitos aspectos, similar à da Alemanha antes da guerra. Também foi o novo amo que chegou quando o mundo inteiro se achava já dividido. Mas a América distingue-se da Alemanha pelo fato de que é incomparavelmente mais poderosa do que era aquela. Pode conseguir muitas
coisas sem sequer desembainhar a espada, isto é, sem o uso das armas. Esta obrigou a Inglaterra a dar por terminados os acordos anglo-japoneses. Obrigou a Inglaterra a reconhecer a igualdade entre a frota britânica e a americana, quando toda a tradição inglesa se construiu sobre a supremacia indisputável da
frota inglesa. Como conseguiu isto? Flexionando seus músculos econômicos. Atou as mãos da Alemanha com o regime Dawes; forçou a Grã-Bretanha a pagar sua contribuição; obrigou a França a apressar sua volta a uma moeda estável,... para tornar possível tudo isto. O que significa tudo isto? Um novo e colossal
imposto sobre a Europa em benefício da América. A transferência de poder da Europa para a América continua. Ainda que o problema do mercado não seja a questão central, a Inglaterra repouso no mercado como numa questão de vida ou morte. No entanto, a Inglaterra não pode resolver o problema do mercado.
O desemprego é a úlcera que está minando a fisiologia da Inglaterra. Todos ospensadores políticos e economistas burgueses da Inglaterra estão totalmente saturados de pessimismo. Resumindo. Estou de acordo com a conclusão do camarada Varga de que não existem razões para supor que a Europa vai se estabilizar por um período prolongado. A situação econômica européia, apesar de
todas as suas melhoras, segue sendo terrivelmente crítica. Nos anos futuros suas contradições vão assumir um caráter profundamente mais agudo. Portanto, em relação com, digamos, a Inglaterra, o problema da revolução consiste, sobretudo, em se terá o tempo suficiente para que o partido comunista se forme, se
prepare e desenvolva laços estreitos com a classe operária antes de que chegue o momento, como sucedeu na Alemanha de 1923, quando a situação revolucionária se torna tão aguda que exige uma ofensiva decidida. Em minha opinião, isto se refere também a toda a Europa. Qualquer “perigo” não virá da consolidação de uma estabilização na Europa, do renascimento das forças econômicas capitalistas, sob
as quais a revolução seria postergada para um futuro distante. Não, o perigo é que a situação revolucionária possa progredir tão rapidamente e em forma tão aguda que os partidos comunistas não tenham tido tempo suficiente de se formar devidamente. Toda nossa atenção deve estar enfocada sobre esta questão. Assim é como toda a situação européia -em geral e de conjunto- se apresenta em meu ver.

25 de maio de 1925

NOTAS:
1. Publicado originalmente em Planovoe Khozyaistvo (A Economia Planificada), junho de 1925. In: TICKTIN, Hillel and COX, Michael
(ed.). The Ideas of Leon Trotsky. Porcupine Press: 1995, London, pp.343.
2. Charles Dawes (1865-1951) foi vice-presidente dos EUA, entre 1925 e 1929, e embaixador norte-americano em Londres, entre 1929
e 1932; além de Prêmio Nobel, em 1925. Elaborou o que se veio a conhecer como o “Plano Dawes”, que buscava resolver os
problemas das reparações alemãs e o fortalecimento do capitalismo na Europa. Este foi aprovado na Conferência de Londres, ao dia
16 de agosto de 1924. A Alemanha, então, recebeu um empréstimo de US$200 milhões e os seus pagamentos – em reparações – foram
fixados a taxas mais baixas.
3. O II Congresso da Internacional Comunista reuniu-se em julho e agosto de 1920.
4. O Programa de Erfurt foi aprovado em outubro de 1891 pelo partido social-democrata alemão. O programa estava dividido em
duas seções, a “máxima” e a “mínima”. O programa “máximo” expressava o objetivo final da tomada do poder por parte da classe
operária alemã, e a necessidade de uni-la ao socialismo internacional. O programa “mínimo” estava dirigido para as reivindicações
específicas que deveriam ser propostas em período pré-revolucionário (um sistema eleitoral democrático, igualdade de direitos para
a mulher, o direito de associação, os impostos progressivos, um serviço médico gratuito e assim sucessivamente).
5. Trotsky está se referindo aqui à seguinte passagem do Prefacio à primeira edição de O Capital: “O país que está mais
desenvolvido industrialmente mostra a imagem de seu próprio futuro aos menos desenvolvidos.” (MARK, Karl. Das Kapital.
Hamburgo: 1867, p.9).
6. O I Congresso da Internacional Comunista se reuniu em março de 1919.
7. O III Congresso da Internacional Comunista reuniu-se em junho e julho de 1921.
8. Ao dia 9 de janeiro de 1923 o Comitê de Reparações da Entente anunciou que a Alemanha não estava cumprindo com os termos de
seus pagamentos (de reparos). Dois dias depois soldados belgas e franceses começaram a ocupar o Ruhr, uma área rica em recursos
naturais e que continha grandes plantas industriais. Isto detonou uma crise política na Alemanha.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

No Brasil, metade dos jovens morre à bala


Assassinato é a causa de 46% das mortes entre jovens de 12 a 18 anos; a maioria é pobre e negra





• Um estudo realizado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) transformou em dados estatísticos uma realidade já conhecida pela maioria das famílias que vivem nas periferias do Brasil: o assassinato é a causa de nada menos do que 46% das mortes entre jovens de 12 a 18 anos. Para ser uma ideia da dimensão exata desta tragédia, se nada for feito para mudar essa situação, de 2006 – quando os dados foram coletados – até dezembro de 2011, cerca de 33,4 mil adolescentes terão sido mortos.

Em termos nacionais e em quase todos os setores sociais da juventude, os homicídios estão à frente de todas as demais causas de morte nesta mesma faixa etária. As chamadas causas naturais são responsáveis pelo óbito de 25% dos jovens. Já os acidentes, correspondem a cerca de 23%.

Em tempos de gripe suína e outras epidemias que varrem o mundo, os números batem, de longe, a quantidade de mortes causadas pela maioria das desgraças que caracterizam a crise do sistema e significam, por exemplo, o absurdo que 13 adolescentes morrem, por dia, de forma violenta, Brasil afora.



Um ranking macabro


A pesquisa foi realizada pelo Laboratório de Análise da Violência da UERJ, junto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, a ONG Observatório de Favelas e pela Unicef, a partir de dados (evidentemente parciais) do Ministério da Saúde, coletados nas 267 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes.

O estudo deu origem a um novo e tenebroso indicador social: o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), que calcula a probabilidade de morte por assassinato para cada grupo de mil jovens nascidos. Em termos nacionais, por exemplo, a média é de dois jovens mortos para cada mil.

O número pode até parecer baixo para os atuais padrões sociais, mas isso é um enorme engano. Na maioria dos países ditos desenvolvidos, o número se aproxima sempre de zero. Comparativamente, o número de menores brasileiros mortos é maior do que o de vários países africanos devastados por guerras e pelo total descontrole em relação a epidemias como a da Aids ou de regiões em que se enfrentam situações de guerra aberta.

Além disso, são muitas as cidades em que os números são, inegavelmente, assustadores. A situação mais grave está em Foz do Iguaçu (PR), onde quase dez a cada mil jovens morrem antes de completar 19 anos, uma situação diretamente relacionada com o tráfico (de drogas, armas e produtos importados) na Tríplice Fronteira.

Entre as cidades mais violentas, estão as localizadas nas regiões metropolitanas de Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco e Rio de Janeiro, com uma média entre cinco e nove mortos por mil. Já nas capitais, as mais violentas são Recife (PE) e Maceió (AL), onde a média é de seis assassinatos para cada mil jovens nascidos.

Apesar de nacionalmente conhecidas pela violência, duas das principais cidades do país, não constam entre as 20 primeiras deste ranking macabro. O Rio de Janeiro ocupa o 21º lugar, com 4,9 mortos por mil. São Paulo está em 151º lugar (1,2 por mil). Contudo, em termos populacionais, a situação do Rio, por exemplo, indica que somente na capital carioca são previstas quase 4 mil mortes até o início de 2012.


Jovens mortos têm raça e classe



Como também, infelizmente, já era de se esperar, a possibilidade de um jovem não chegar à vida adulta, também é determinada por sua raça e sua classe social. A maioria dos jovens assassinatos são homens, negros, de baixa renda e pouquíssima escolaridade. Um garoto tem 12 vezes mais chance de ser assassinado do que uma mulher. Se for negro, a chance de chegar aos 19 anos é três vezes menor do que um jovem branco.

Além disso, um dos dados menos explorados pela imprensa ao divulgar os números nos parece um dos mais significativos para interpretarmos a pesquisa. O estudo revelou que são exatamente as regiões tratadas pelo governo e pela burguesia como polos de desenvolvimento regional, que concentram os maiores índices de assassinatos.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (22/7/2009), a coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, Nancy Cárdia, destacou que a maioria destas cidades, a exceção das grandes capitais, tem algo em comum: são regiões que passaram por processos de expansão recentes e caracterizadas pela precária estrutura urbana e de serviços, inclusive básicos, como moradia, educação e saúde.

Além disso, evidentemente, não podemos esquecer, também, que estes novos polos já nascem marcados pela precarização e superexploração do trabalho e têm sua população inflada pela contínua migração do campo, tomado pelos latifundiários e pelo agronegócio.

Obviamente, toda mídia deu destaque para o fato de que boa parte dos assassinados tinha alguma relação com a criminalidade ou consumo de drogas. Uma constatação não só tardia como também cínica.

Tardia, porque os atuais índices de marginalidade e criminalidade são resultados diretos da falência do sistema e das políticas neoliberais. Virar “avião” ou praticar pequenos furtos para sobreviver não são opções para um jovem negro de 14 anos de idade. Muitas vezes, este é o único lugar que a sociedade lhe reserva.

Cínicas, porque desconsideram o grau de envolvimento do próprio Estado (particularmente, suas forças repressivas, como as policias) tanto na criminalidade quanto diretamente nos assassinatos, através de justiceiros, chacinas, milícias, esquadrões da morte.


O cinismo criminoso de Lula e seus comparsas


Em declarações à imprensa diante da divulgação dos dados, Lula atuou com seu já característico cinismo, defendendo a necessidade de políticas públicas para proteger os jovens da violência no país.

Afirmando que o governo federal tem feito sua parte no combate à violência, o presidente apontou seus projetos de políticas compensatórias como exemplos para estancar a matança. Segundo ele, este é o papel que vem sendo cumprido pelo Pronasci, voltado para segurança pública, o PAC e o programa de transferência de financiamento público para o ensino privado, o ProUni.

Na mesma linha, os representantes dos poderes estaduais repassaram a responsabilidade adiante. Na matéria da Folha, por exemplo, a secretária de Cidadania e dos Direitos Humanos de Alagoas, Wedna Miranda, defendeu a integração dos governos municipal, estadual e federal com uma frase que é exemplar do descaso e irresponsabilidade com a qual a burguesia trata a morte dos filhos de trabalhadores: “É necessário que cada um saia do seu quadrado e faça alguma coisa diferente. A [atual] política falhou”.

Já o secretário de Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, simplesmente contestou a realidade dos números referentes a Foz do Iguaçu, afirmando que as mortes já caíram pela metade desde que os dados foram coletados.



Toque de recolher e outras medidas repressivas



Os representantes governamentais entre elaboradores da pesquisa, como não poderia deixar de ser, praticamente apontam uma única solução para o problema: o aumento da repressão à população em geral e aos jovens e adolescentes, em particular.

No alto da lista de sugestões, está a restrição da circulação de armas, mas o que temos visto país afora é a mais simples e absurda repressão, principalmente através do inaceitável toque de recolher, imposto em dezenas de cidades brasileiras, proibindo a circulação de jovens a partir de determinada hora da noite.

Eficiente na avaliação dos órgãos de repressão, a medida é um paliativo ridículo que, na verdade, transfere para os jovens a responsabilidade pela violência que se volta contra eles e instaura a família como responsável pela segurança de seus filhos.Essa mesma lógica privada que cerca as políticas do Estado é característica, também, da atuação dos meios de repressão e o papel que eles cumprem em nossa sociedade.

Como destacou o professor Ignácio Cano, responsável pela pesquisa, em entrevista à Agência Brasil, um dos problemas centrais da chamada violência letal tem a ver com o próprio papel das forças repressivas do Estado, que estão voltadas para a violência contra o patrimônio quando deveriam priorizar a violência contra a vida.

Lamentavelmente, apenas constatar esta realidade não é o suficiente para impedir que dezenas de milhares de meninos e meninas morram nos próximos anos. É preciso também apontar o que está por trás das balas e punhais de facas: os patrões, os governos que os acobertam e o sistema econômico que eles defendem.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Moradores são ameaçados por homens armados


Os quilombolas das comunidades Vãozinho e Voltinha, que fica a 194 km da capital Cuiabá, são constantemente ameaçados por pistoleiros contratados pelos latifundiários da região



Os descendentes de escravos, totalizando 67 famílias, habitam a região “Barra dos Bugres” há mais de 130 anos, no entanto, a partir de 2007, as ameaças de morte e expulsão dos moradores são constantes.
No mesmo ano, com a intenção de expandir sua propriedade para reivindicar a posse de um rio que atravessa a reserva quilombola, um fazendeiro da região fez um pedido de posse das terras à justiça burguesa, que expulsou as famílias de suas casas.
De 2008 para 2009, os quilombolas recorreram da decisão e através de muita luta conseguiram a reintegração de posse do local.
Os conflitos entre pistoleiros e os quilombolas se acentuam cada vez mais, por volta de 20 dias atrás, 65 famílias que moravam em uma área de proteção ambiental cedida pelo governo, foram brutalmente expulsas do local, por ordem do mesmo fazendeiro.
Segundo Pedro Reis, presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial “os quilombolas relataram que o fazendeiro retirou as famílias da área e colocou homens armados, que usam motocicletas para fiscalizar a área, impedindo acesso das famílias à nascente de água”.
A própria justiça burguesa que sempre atua a favor dos latifundiários, negou o pedido de posse aos fazendeiros, entregando os 80 hectares para os quilombolas, mesmo assim, os pistoleiros utilizaram a violência, expulsando as famílias e impedindo que qualquer morador voltasse para suas casas.
O Ministério Público Federal requisitou a presença das polícias Civil e Militar para intervir nos confrontos entre quilombolas e pistoleiros.
Apenas no Estado do Mato Grosso, existem 138 comunidades quilombolas, sendo que 68 foram certificadas judicialmente, as outras estão em processo de reconhecimento.
Assim como existe uma ofensiva por parte dos latifundiários contra os sem-terra, onde dezenas já foram assassinados, os quilombolas sofrem a mesma opressão.
Certamente, a maior vítima desses confrontos são os quilombolas, pois vivem em comunidades pobres, não tendo como se defender, trabalham tirando o sustento da própria terra, já os latifundiários tem seus capangas e todas as forças repressivas do estado capitalista ao seu lado.
Por isso, os quilombolas devem se defender do ataque dos latifundiários, não esperando que o governo faça isso por eles e exigir a imediata remarcação e posse das terras dos descendentes de escravos de todo o país.

domingo, 26 de julho de 2009

A quarenta anos do homem na Lua


Apesar de motivada pela disputa com o programa espacial soviético, a chegada do homem à Lua impulsionou a ciência e o desenvolvimento tecnológico, mostrando o que poderia ser feito caso estes não estivessem a serviço do capitalismo



Neste mês completam-se os 40 anos da primeira viagem do homem à Lua। Foi em 16 de julho de 1969 que a nave espacial Apollo 11 partiu do Cabo Canaveral। A bordo estavam os astronautas Neil Armstrong, Edward “Buzz” Aldrin e Michael Collins. Os dois primeiros desceram rumo à superfície no Módulo Lunar.A chegada do homem à Lua foi motivada pela intensa polarização entre os Estados Unidos e União Soviética. O imperialismo norte-americano investiu alto para superar a URSS na chamada “corrida espacial”. Na década anterior, apesar da burocratização stalinista, o Estado operário soviético dava mostras da superioridade da economia planificada, livre das amarras do capitalismo. Em 1957, os soviéticos colocam em órbita o primeiro satélite da humanidade, o Sputnik. E depois a cadela Laika, o primeiro ser vivo a entrar em órbita. Em 1961, realizam um feito ainda mais notável: o cosmonauta Iuri Gagarin é o primeiro ser humano a viajar ao espaço e proclama que “a Terra é azul”. Um feito admirável para um país que 40 anos antes tinha cerca de 90% da população analfabeta.Nas comemorações dos 40 anos da conquista da lua, é importante ressaltar também os avanços do programa espacial soviético que mostrou a superioridade impressionante da economia planificada.Desde o início, a “corrida espacial” era extremamente desigual. Como potência imperialista hegemônica, os EUA tinham a seu dispor todo o parque produtivo do planeta. Já a URSS estava isolada e tinha acabado de superar os resquícios feudais de um enorme atraso econômico e cultural. O maior obstáculo ao programa espacial soviético, porém, (e do conjunto das suas pesquisas cientificas) foi justamente o isolamento da URSS, provocado pela política stalinista do “socialismo em um só país”. Se a economia planificada substituísse a propriedade capitalista em escala mundial, a URSS (e outras nações não-capitalistas) poderiam ter mobilizado o conjunto das potencialidades humanas a serviço de um amplo desenvolvimento das ciências. No entanto, o impressionante é que apesar destas limitações, a URSS foi pioneira na corrida espacial.A resposta norte-americana ao avanço russo foi dada em 1961 pelo presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, que prometeu levar astronautas norte-americanos à Lua “até o final da década”. Cansados de apanhar dos soviéticos, resolveram criar o programa Apolo.A prioridade do programa, porém, não foi o experimento cientifico, mas sim político e militar (o desenvolvimento de foguetes e mísseis). Além, é claro, da viagem à Lua, que serviria como peça de propaganda contra a União Soviética.Por outro lado, muitos cientistas e físicos discordavam do projeto. Opinavam que o envio de missões não tripuladas seriam mais baratas e seguras e que o dinheiro gasto com o projeto Apolo poderia ter sido investido em coisas mais importantes da pesquisa cientifica. O projeto Apolo foi extremamente caro (as missões custaram US$ 150 bilhões, em valores de hoje). É comparável apenas ao projeto Manhattan, que desenvolveu a primeira bomba atômica. Além disso, havia um enorme risco em enviar uma tripulação à Lua. Só pra citar um exemplo, o modulo lunar utilizado por Armstrong e “Buzz” Aldrin foi testado pela primeira vez em apenas solo lunar, pois sua fragilidade era tamanha que não permitia que nenhum teste fosse realizado sob a gravidade da Terra. Se estivessem em vigor as regras de segurança atuais, a viagem teria sido cancelada.Para o célebre físico Carl Sagan, ir até a Lua não passava de uma bobagem. Como muitos cientistas da época, ele questionava as missões tripuladas e não concordava com sua utilização política contra os soviéticos. Mas como bom cientista, Sagan não deixou a oportunidade passar e colaborou intensamente com o projeto Apollo. Anos depois tornou-se um dos mais prestigiados diretores da NASA.Assim, depois de um grande esforço científico, os norte-americanos construíram uma máquina capaz de atravessar os 386 mil quilômetros que nos separam da Lua, pousar suavemente em solo lunar, colher amostras do solo e ainda voltar para casa em segurança. Esse feito extraordinário foi repetido por apenas 12 homens em outros cinco desembarques, entre 1969 a 1971.
Desenvolvimento tecnológico
Do ponto de vista cientifico, as pesquisas que levaram a viagem lunar, assim como as conquistas do programa soviético, proporcionaram um extraordinário desenvolvimento tecnológico. O fato de você estar lendo esse artigo através de seu computador ou de falar ao telefone celular é, em grande parte, resultado dessas expedições.A comunicação via satélite, o desenvolvimento de computadores pessoais, o monitoramento das condições meteorológicas, o surgimento de materiais sintéticos resistentes, entre muitas outras conquistas, são heranças diretas da corrida espacial. Além do mais, a viagem à Lua em particular permitiu satisfazer um pouco a curiosidade da espécie humana sobre o universo e o próprio planeta. A coleta e análise do solo lunar desvendaram boa parte da composição do sistema solar, apresentando novas hipóteses sobre a sua criação. No entanto, depois que o governo dos EUA obteve os dividendos políticos que desejava, o projeto Apollo foi prematuramente cancelado. "Justo agora que estamos fazendo descobertas!", protestou Sagan.Apesar de tudo isso, o legado humano da chegada à Lua não foi ofuscado. Ao lado das conquistas soviéticas, a missão Apollo mostrou que seres humanos poderiam sair da Terra e chegar a outro corpo celeste. Que a humanidade podia vencer o desafio de construir máquinas complexas, superar barreiras imagináveis e viajar ao espaço. A Lua estava ao nosso alcance. E esse foi a primeira e humilde demonstração de que é possível conquistar o Cosmos.Galileu teria gostado de ver a exibição. Há 400 anos ele apontava sua luneta para o céu, observando pela primeira vez na história as imperfeições do solo lunar. As observações arruinaram completamente as bases da “concepção aristotélica” da Física sustentadas na época pela Igreja Católica.O programa espacial depois Depois do cancelamento do programa Apollo, a NASA passou por altos e baixos. Cada vez mais a agência perdia seu caráter cientifico e sofria com a ingerência dos militares. Novamente, Carl Sagan denunciou essa transformação. Criticou o cancelamento de projetos de caráter cientifico e o desvio de dinheiro para desenvolver o ônibus espacial. As criticas eram dirigidas ao desvio de recursos para projetos militares, como mísseis e satélites espiões, além do programa “Guerra nas Estrelas”. Um exemplo claro foi o programa dos ônibus espaciais. Originalmente o projeto era extraordinário porque procurava tornar viagens ao espaço seguras, simples e baratas (daí o nome de ônibus). No entanto, os militares colocaram seu dedo no projeto e fizeram uma série de exigências, como por exemplo, construir uma nave muito maior do que o projeto original para levar satélites militares espiões ao espaço. Isso exigia um grande compartimento de carga. Ao final, tornaram o projeto do ônibus espacial no seu oposto; perigoso, complicado e caríssimo.O tempo se encarregou de mostrar que essas críticas estavam certas. O ônibus espacial foi um fracasso em termos de segurança. A cada voo as naves sofrem intensos desgastes e se deterioram. Dos cinco ônibus construídos, dois explodiram matando toda a tripulação (os acidentes mais graves de história da engenharia aeroespacial). O que foi um verdadeiro contraste com a velha e segura Soyos, nave soviética utilizada desde 1967 e que registrou apenas um acidente.Por outro lado, a militarização da NASA não impediu que ela conquistasse resultados notáveis na aérea científica: o lançamento da Mariner 9, a sonda espacial que voou ao redor de Marte em 1971; os lançamentos da Pioneer 10, primeira sonda a passar próximo a Júpiter, em 1973, e da Pioneer 11, que foi à Saturno; a Viking 1, que pousou em Marte; e finalmente as Voyager 1 e 2 (1977), que passaram por Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Titã. Se os recursos não tivessem sido destinados para a área militar, a pesquisa cientifica teria avançado ainda mais.Paralelamente, a tecnologia confiável do programa soviético também acumulava avanços: A construção dos foguetes Proton (utilizados até hoje), as sondas espaciais como a Venera, que foi a Venus, e pela primeira vez a construção de uma estação espacial, a MIR.É evidente o retrocesso atual de ambos os programas espaciais. A restauração do capitalismo na URSS desintegrou seu programa espacial. Para se sustentar minimamente, os russos são obrigados a enviar “turistas” milionários que pagam uma fortuna para ir ao espaço. A NASA também sofreu duros golpes. Dos anos 70 pra cá, a parcela do orçamento norte-americano destinado à agência espacial caiu de cerca de 4% para meros 0,6%. Hoje o projeto espacial norte-americano está no fundo do poço e ironicamente depende dos foguetes russos para ir ao espaço.Quarenta anos após ir à lua, o capitalismo mostra claramente o retrocesso nas áreas da pesquisa espacial. Sob esse sistema, a pesquisa cientifica a serviço do bem estar do ser humano é sobrepujada pelo desenvolvimento da forças destrutivas da humanidade.

sábado, 25 de julho de 2009

A corrupção da política, a política contra a corrupção

Antonio Ozaí da Silva

A corrupção não é novidade É uma prática que persiste desde os
primórdios da civilização e não sai da moda desde que existe vida
política. A corrupção é um tema presente desde as primeiras
reflexões filosóficas sobre as formas de governo. Ela está na boca do
povo, no noticiário, na internet, etc. É tratada e destratada pelo senso
comum. Abjeta e nauseabunda é também objeto de piadas e da justa
ira dos que exigem dos políticos o cumprimento do mandamento
bíblico “Não roubarás”.
O que é e o que envolve a corrupção? Quais as suas causas? Será a
tendência à degeneração moral do ser humano? Como um fenômeno
presente em todas as épocas, será inerente ao humano? Em que medida a afirmação da
moral é ser eficaz? Quais as medidas políticas capazes de frear a gana corruptiva dos
agentes políticos? O que o cidadão comum, que não ocupa cargos no aparato estatal e
nem é profissional da política, tem a ver com isso? Pode contribuir no combate à
corrupção? Como?
São muitas as questões e as respostas dependem da atitude diante da realidade política e
social. De qualquer forma, a leitura do livro, sugestivamente intitulado Corrupção, além
de instrutiva é um estímulo à reflexão. Neste sentido, definir a palavra corrupção e
acompanhar a sua metamorfose constitui um bom começo. Como esclarece o autor1:
“A palavra corrupção deriva do termo latino corruptio/onis, donde vem sua acepção
primeira. Para o homem latino dos séculos I e II, o termo corruptionis tinha sua
significação a partir da conjunção de outros termos: cum e rumpo (do verbo romper),
significando romper totalmente, quebrar o todo, quebrar completamente. Então, cum
rumpo ou corruptionis queria dizer a ruptura das estruturas, quando se destroem os
fundamentos de algo, destruir algo” (MARTINS, 2008, p.12).
Este significado está associado à idéia do processo natural, biológico. A ruptura da
estrutura não ocorre de forma abrupta, mas resulta do seu desgaste e degeneração. O
corpo nasce, se desenvolve e, ao atingir seu ápice, começa a se degenerar até que a
doença das partes que o compõe leve-o à morte. É um processo inexorável que afeta
todos os corpos vivos।

O autor mostra que essa acepção biológica e naturalista sobre a corrupção foi
transportada para o campo da moral, passando a ser um critério para qualificar a vida
em sociedade. A explicação para esta mutação terminológica está na transição da
antiguidade greco-romana para o pensamento cristão-medieval e na forma como este
interpretou moralmente o mundo antigo, invertendo a relação entre moral e política. Se
na Grécia antiga a moral estava subordinada à vida política em comunidade e, portanto,
enfatizava os critérios políticos, o mundo cristão acentua as qualidades morais, o ideal
de santidade. Com a cristandade a política é subordinada à moral.
A corrupção, portanto, tem duplo aspecto, moral e político:
“Caracterizam-se, pois, duas maneiras de interpretar a corrupção: de um lado, por meio
de uma leitura moralista, vendo nela a decadência das virtudes do indivíduo, o que gera
conseqüências nefastas para a sociedade. De outro, entendendo a corrupção como algo
resultante das regras do próprio mundo político, sem maiores correlações com a
moralidade do indivíduo. Por essa segunda interpretação, as razões para a corrupção de
uma cidade estarão ligadas à fraqueza de suas leis e de suas instituições políticas, à falta
de preocupação e ação do cidadão em relação às coisas públicas” (Id., p.23-24).
A obra de José Antonio Martins se insere na tradição da filosofia política. Sua análise se
ampara fundamentalmente Maquiavel. A opção é pela reflexão eminentemente política.
Esta se justifica pela importância da filosofia para a compreensão dos ‘eternos
problemas’ da vida em sociedade e também pelas limitações próprias do viés moralista.
No pensamento político moderno, Maquiavel assinala a autonomia relativa da política,
isto é, mostra que esta se rege por regras próprias e não pelos critérios da moral
individual. Ao distinguir a política da moral, ele contribui para a compreensão de
fenômenos políticos como a corrupção. Isto requer reconhecer que a corrupção é
inerente à lógica da política. É neste âmbito que se deve analisar as causas e buscar os
meios para combater essa doença endêmica que corrói as instituições políticas. A
corrupção da política exige, portanto, a política contra a corrupção.
É a partir deste referencial político-filosófico que o autor analisa a corrupção em seu
lócus privilegiado, o Estado. Este não é apenas forma, entidade abstrata, é também
matéria: são os homens e mulheres de carne e osso que lhe dão concretude. Quem
pratica a corrupção são os seres humanos, indivíduos reais que ocupam posições no
aparato do Estado. É preciso identificar bem o problema:
“Então, quando falamos de corrupção política, temos que ter em mente que são essas
pessoas que praticam ações corruptas, são os homens públicos, funcionários e políticos
eleitos que realizam atos de corrupção. É importante frisar isso para que não se cometa
um erro muito comum, que é atribuir a um coletivo abstrato as responsabilidades por
ações de indivíduos” (Id., p. 40).
A tendência à generalização é um dos caminhos para evitar a efetiva identificação e
punição dos responsáveis. A conscientização dos valores republicanos, do significado
da coisa pública (res publica) e da responsabilidade de quem ocupa cargo público, é o
remédio receitado pelo autor:
“Em outras palavras, seria a conscientização do que é o espírito público com o qual
todos os membros do Estado devem estar comprometidos. Isso nada mais é do que fazêlos
saber que suas ações devem visar sempre e primeiramente ao benefício da
coletividade. Ao tomar uma decisão, o homem público deve saber se sua ação está
atendendo ao bem comum. Embora isso pareça na teoria um tanto quanto óbvio, na
prática é mais complicado” (Id., p.43).
A consciência republicana surge como o antídoto historicamente comprovado para
evitar que o cancro se alastre e comprometa o corpo político. A atitude da sociedade, no
sentido de manifestar seu descontentamento e pressionar pela adoção de medidas que
coíbam a corrupção, é fundamental. Isto pressupõe a efetiva participação política em
defesa da coisa pública. Nas palavras do professor Martins, à guisa de conclusão:
“...o melhor remédio para a corrupção, prescrito desde a Antiguidade, é a participação
política, o envolvimento com a res publica, com as coisas públicas, com aquilo que diz
respeito a todos nós. Em sociedades que esquecem a esfera pública, o terreno já está
preparado para a proliferação de casos de corrupção. Ao contrário, naquelas onde os
indivíduos têm consciência de que devem tomar parte na esfera da vida que ultrapassa o
eu, fazendo dela um nós, a corrupção e os corruptos correm sérios riscos. Não
inventaram ainda nenhum remédio melhor do que o exercício da cidadania para dar
conta das doenças políticas” (Id., p.116).
A concepção republicana que permeia a análise da corrupção é uma contribuição
importante para a afirmação do público, da res publica, ante a cultura patrimonialista
presente em nossa história desde os tempos coloniais. O apetite dos interesses privados
também se traduz atos de corrupção com o objetivo de apropriar-se da coisa pública.
Nesse contexto, a defesa do interesse público, a consciência republicana é um avanço.
Contudo, esta é uma questão não apenas prática, mas também teórica. A participação
política encontra sérios limites na forma republicana da organização do Estado, ou seja,
a democracia representativa. Quais interesses efetivamente representam os
representantes? O autor reconhece:
“Esse problema, que não é só brasileiro, tem levado muitos especialistas a questionar se,
de fato o mecanismo da representação política é ainda válido, ou se já não é hora de
buscar outra solução para que o cidadão faça valer a sua vontade e os seus interesses no
interior da sociedade. Certamente a participação direta da população, se não em todas ao
menos nas principais decisões políticas, é uma medida altamente desejável, pois assim
foi concebida a política na Antiguidade. O problema é como viabilizar isso em
sociedades com milhões de cidadãos: como ordenar a participação política num país de
quase 200 milhos de habitantes, dando as mesmas possibilidades a todos?” (Id., p.62).
É um problema tão antigo quanto a democracia direta na Grécia antiga. Já esta tinha
várias limitações e a cidadania era privilégio de parcela da sociedade: mulheres e
escravos não eram cidadãos. E quanto à noção do “bem comum” e do que denomina
como o “nós”? Se os grupos e classes sociais, ainda que sob o discurso republicano,
disputam e se apropriam de maneira desigual e diferente da res publica, em que
consiste, enfim, o “bem comum”? Não será que o “nós” dilui as diferenças e
antagonismos entre as classes sociais? Qual a cidadania possível numa sociedade de
classes?
O autor pressupõe o conflito como inerente à política e o vê como fator de
fortalecimento das instituições republicanas. Mas será que isto corresponde igualmente
aos interesses das forças políticas e sociais que compõe a sociedade de classes? É
preciso perguntar, pois, sobre o caráter da república. Talvez a força da tese do autor
revele também o seu limite।

Não obstante, estamos diante de uma obra esclarecedora, que suscita reflexões e merece
ser lida. Por outro lado, a fundamentação política republicana do autor é tão legítima
quanto a sua possível crítica. Aliás, mesmo o crítico deve partir da reflexão republicana
que ele propõe. A corrupção também se revela um enorme problema nas
autodenominadas repúblicas socialistas e comunistas. Os que pensam a sociedade para
além do capital, portanto, para além da forma republicana capitalista, não podem
desconsiderar isto. Por fim, é da sociedade na qual vivemos que trata o livro. Só por
isso, já vale a pena lê-lo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Trabalhadores ocupam fábrica contra demissões e enfrentam a polícia

Cerca 500 operários demitidos estão ocupando a montadora Ssangyong em Pyeongtaek, na Coréia do Sul, desde 22 de maio contra as demissões dos cerca de 1000

Nessa semana estão sendo ameaçados pela polícia de choque os operários que ocupam as instalações da montadora Ssangyong em Pyeongtaek, na Coréia do Sul.
Os trabalhadores ocuparam a fábrica depois das demissões de mais de mil operários da empresa, depois de se revoltarem contra os planos de mudanças estruturais na empresa, que entrou em falência em fevereiro deste ano.
Cerca de 500 operários estão ocupando a fábrica e, quando nesta segunda-feira, 20 de julho, a polícia de choque sul-coreana ameaçou invadir o fábrica, os trabalhadores reagiram colocando fogo em pneus, carros e se defendendo com estilingues. Cerca de três mil policiais cercam a fábrica e ameaçam massacrar os trabalhadores.
Segundo o ministro da economia sul-coreano, Lee Youn-ho, "A possibilidade de sobrevivência da Ssangyong é muito pequena, ainda mais se a produção continuar parada", justificando as demissões.
Os operários da montadora Ssangyong estão mostrando o caminho de luta contra as demissões e a crise do sistema capitalista.
Contra as demissões, os trabalhadores devem ocupar as fábricas até a readmissão de todos os funcionários. Se a empresa não tem condições de se manter deve ser estatizada sem nenhuma indenização e ficar sob o controle dos trabalhadores.
Os trabalhadores devem ocupar as fábricas para mantê-las funcionando sob a base de uma escala móvel de trabalho onde houver menor produção e dessa forma garantir trabalho para todos.
Todo apoio aos operários da montadora Ssangyong!
Não à invasão da fábrica pela polícia!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Queda no emprego em seis meses consecutivos

Institutos de pesquisa mostram quadro de aumento do desemprego e estagnação da atividade industrial no País e principalmente na região metropolitana de São Paulo

Segundo dados do Ministério do Trabalho e da FIESP é a primeira vez que o emprego cai em seis meses consecutivos no início do ano. Em relação ao ano anterior, a queda foi de 7,95%.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos últimos meses, o desemprego na região metropolitana de São Paulo se concentrou em pessoas com mais experiência, mais anos de estudo e que são os principais no sustento da família. Em São Paulo, “o percentual de desocupados que já tinha trabalhado anteriormente, ou seja, com alguma experiência, subiu de 80,5% em maio do ano passado para 86,5% em maio de 2009. Em maio de 2008, 23,3% dos desempregados eram os principais responsáveis pelo domicílio; em maio deste ano esse grupo saltou para 26,6%” (Monitor Mercantil, 20/7/2009).
Segundo o IBGE, os dados sobre o desemprego são os piores em uma década. Só em São Paulo, em maio, o aumento no número de desempregados foi de 20,5%. Este número compreende as pessoas que estão sem trabalho, mas procurando emprego, ou seja, mascara a realidade pois uma grande parcela de pessoas que não estão procurando emprego pois entraram no trabalho informal, como os camelôs, são desconsideradas.
E a perspectiva é de que este quadro piore ainda mais pois o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) divulgou dados que mostram que o chamado Sinalizador da Produção Industrial (SPI), que mede o índice de produção das empresas, em São Paulo, pode apresentar variação nula em junho em relação a maio: “O IEDI calcula que haverá queda de 6,2% nos últimos 12 meses terminados em junho de 2009, a menor taxa registrada nessa comparação desde setembro de 1999 (-7,3%). Com relação a maio de 2008, a produção apresentaria retração de 11,0%”, (idem).
As pesquisas ainda mostram que "a energia consumida em junho, quando comparada à junho de 2008, recuou 4,5%. A variação acumulada no ano foi de -2,4% e, nos últimos 12 meses encerrados em junho, de -0,2%." (idem). A energia está sendo menos consumida, mas os empresários do setor não vão perder em lucro. Veja-se que só em São Paulo, neste mês, a tarifa de energia elétrica subiu 13%, três vezes mais o valor de queda mostrado pela pesquisa do IEDI.
Os índices de desemprego mostram que a crise vem aumentando e está longe de terminar. A retração na produção industrial, retração no consumo, mostram um quadro de profunda recessão que tende a aumentar as contradições sociais na medida em que os trabalhadores é que são os mais penalizados com a crise.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Este blog não será atualizado entre os dias 3 a 20 de Julho de 2009-07-02

Até logo!

Alemanha - Desemprego chega a 8,1% dos trabalhadores

O índice de desemprego na Alemanha chegou a 8,1% em junho, o que representa uma queda de um décimo em comparação com maio, mas um aumento de seis décimos em relação ao mesmo período de 2008. O índica aponta para um período de tensão social


Segundo informa a Agência Federal do Emprego da Alemanha, em junho estavam registradas 3,410 milhões de pessoas sem trabalho, 48।000 a menos que em maio, mas 250।000 a mais do que em junho de 2008
O presidente do organismo, Frank-Jürgen Wiese, assegurou que os efeitos da recessão tinham pesado mais sobre o mercado de trabalho que os impulsos comuns nesta época do ano.
Por isso, a queda do desemprego em junho foi menor que em outros anos, apesar do uso de algumas ferramentas legais, como a redução da jornada, que permitiu atenuar um pouco os efeitos da recessão. Mostrando que apesar de todo o mecanismo artificial utilizado de conter as demissões não adiantaram em nada e essas medidas podem prejudicar ainda mais o país porque vai afetar a arrecadação de impostos.
"Temos força para enfrentar o maior desafio econômico que a Alemanha teve nos últimos 60 anos", disse a chanceler Angela Merkel em um congresso eleitoral conjunto da União Democrata-Cristã (CDU) e da União Social-Cristã (CSU), da Baviera.
A Chanceler alemã adota a política de declarações otimistas do Presidente Lula, apesar da economia alemã estar praticamente falida e com números cada vez piores.
Com estes dados do agravamento do desemprego pode-se chegar à conclusão de que a crise financeira mundial, que está provocando demissões em massa em todo o mundo, está atingindo em cheio primordialmente os países mais ricos da Europa, que são os da zona do euro e caminha, de maneira quase que inevitável, para o colapso.