"As armas da crítica não podem, de fato, substituir a crítica das armas; a força material tem de ser deposta por força material, mas a teoria também se converte em força material uma vez que se apossa dos homens. A teoria é capaz de prender os homens desde que demonstre sua verdade face ao homem, desde que se torne radical. Ser radical é atacar o problema em suas raízes. Para o homem, porém, a raiz é o próprio homem" KARL MARX
"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher
sexta-feira, 28 de junho de 2013
A extrema-direita e o PSDB
domingo, 16 de maio de 2010
Crise política e econômica - Cortes por toda a Europa e mobilização na Tailândia

A política de cortes nos gastos públicos está se alastrando por toda a Europa. Depois da Grécia adotar as tais medidas de “austeridade fiscal” agora é a vez da Espanha, Portugal, Reino Unido e França anunciarem políticas semelhantes que colocam em evidência o caráter absolutamente geral desta nova etapa da crise capitalista mundial. Já na Tailândia novos confrontos entre os camisas vermelhas e o exército reacendem a crise no País
Na última semana a Comissão Européia reunida com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os 16 países da zona do euro aprovaram a criação de um novo pacote para todo o continente europeu.
Este novo pacote, na verdade um megapacote de quase um trilhão de dólares tem como objetivo conter a crise generalizada dos estados falidos da zona do euro. Segundo o ministro das Finanças da Inglaterra, Alistar Darlin, o mais importante, independente do método, é manter a estabilidade da economia européia, ou seja, em linguagem, normal, evitar a falência em cadeia dos estados europeus: “no que diz respeito à Europa, há uma proposta separada para disponibilizar ajuda para os membros do grupo do euro como existe para países de fora da zona, como a Hungria e a Romênia. Faremos o que for necessário para garantir a estabilidade” (BBC 10/5/2010).
O valor total do pacote será de 750 bilhões de euros ou o mesmo que 975 bilhões de dólares que servirá como um mecanismo para financiar as dívidas dos países.
De longe, esta é a maior intervenção estatal realizada na história da Europa. Segundo economistas, "essa é a maior tentativa já realizada pelo BCE de dar suporte à Europa e pode marcar um ponto de virada na crise de confiança que atingiu a periferia da zona do euro nas últimas semanas" (Reuters, 10/5/2010).
Este montante será divido entre a Comissão Européia que vai pagar 60 bilhões de euros, isto inclui ajuda de todos os países europeus, os 16 países da zona do euro vão desembolsar outros 440 bilhões de euros e o FMI 250 bilhões de euros.
O requisito básico para que os países sejam beneficiados com o pacote aprovado é se enquadrarem nas “regras” impostas pela Comissão Européia que visa implantar de maneira agressiva a política de cortes nos gastos públicos ou chamado plano de austeridade fiscal, isto é, um ataque em profundidade contra as condições de vida das massas. Esta exigência é para que os déficits públicos dos países sejam reduzidos até 2013 a 3% do PIB (Produto Interno Bruto) e para isso vão apertar o cerco contra os trabalhadores.
Na última semana, três países da zona do euro aprovaram estes planos,Grécia, Espanha e Portugal. As medidas vão atacar diretamente os trabalhadores promovendo o corte e congelamento de salários, demissões, aumento e criação de impostos, aumento da idade para aposentadoria etc.
São todas medidas que vão fazer os países economizar à custa da expropriação e maior exploração da classe operária européia para sustentar o lucro dos capitalistas. Todos estes países tem déficits públicos acima de 9% chegando a ter até 13,7% como é o caso da Grécia. Os cortes servem para diminuir a dívida nos próximo três anos.
As bolsas não reagiram muito bem à adesão da Espanha e Portugal ao plano de austeridade. Na Espanha, as ações dos principais bancos despencaram, o Santander teve queda de 9,8%, o BBVA caiu 8,4% e na França o Société Générale desvalorizou 8,6%.
Na última sexta-feira, dia 14, todas as bolsas européias caíram, em Frankfurt a perda foi de 3,12%, em Paris, 4,59%, em Madri a bolsa despencou 6,64%, pior resultado em dois anos. Em Londres a perda também foi grande, baixa de 3,14%. Na bolsa de Atenas a queda foi de 3,41% e Lisboa as perdas foram de 4,27%.
A crise, bem como a solução inevitável, encontrada para evitar o colapso geral jogaram um balde de água fria nas otimistas expectativas alardeadas desde o final do ano passado. Segundo um analista da CMC Markets, "Persiste uma verdadeira preocupação de que, com o pacote de ajuda europeu anunciado no início da semana, as perspectivas de crescimento para a Europa caiam num buraco negro, com os governos do continente cortando gastos e elevando impostos para recolocar sob controle seus enormes déficits". Ou seja, não há esperanças nem mesmo para os economistas burgueses de que mesmo as medidas de cortes vão efetivamente solver a crise.
Na realidade, a eficácia dos pacotes de austeridade não pode ser estabelecida sobre uma base exclusivamente econômica. O decisivo é a luta de classes. A reação das massas, em particular da classe operária, aos ataques dos seus governos imperialistas impõe um limite infranqueável a uma política de “recuperação” baseada nesse mesmo ataque.
A implantação deste pacote tem o claro objetivo de tentar impedir o agravamento da crise na zona do euro, pois o endividamento da Grécia, Espanha e Portugal coloca em risco a própria existência do euro. Há ainda os países fora desta região, como a Grã-Bretanha que também se está endividado o que pode causar um colapso em toda a Europa.
Ainda dentro da zona do euro, a França, um dos principais países imperialistas da região já anunciou redução de gastos públicos para 2011. O primeiro-ministro francês, François Fillon, disse que os gastos públicos serão integralmente congelados durante nos próximos três anos. E esta decisão será tomada independente da inflação do País.
Obviamente que o governo Sarkozy apresentou estes cortes como algo diferente do plano de austeridade adotado pela Grécia dizendo que na França os cortes serão mais “brandos”. Mas o fato é que o ataque se dirige, assim como no caso grego, aos trabalhadores e que nada impede que de cortes mínimos o plano passe para uma contenção generalizada com demissões, aumento de aposentadoria e outras perdas de benefícios trabalhistas.
Estes exemplos indicam que há uma política internacional de ataque às condições de vida dos trabalhadores e as massas exploradas de toda a Europa. É mais um aprofundamento da crise capitalista que para sustentar os parasitas financeiros precisa cada vez mais atacar a classe operária. Por outro lado os trabalhadores da Espanha, Portugal e Grécia já estão se organizando para promover novas paralisações.
Os sindicatos gregos convocaram uma nova greve geral no País para ainda este mês. Será quinta paralisação este ano. A greve geral está sendo convocada para o dia 20 de maio. Em Portugal, os sindicatos estão convocando uma paralisação para o dia 29 de maio onde uma greve geral será proposta. Já na Espanha foi anunciada uma greve geral para o próximo dia 2 de junho.
Reino Unido: crise política e econômica
O impasse da formação do novo governo inglês foi “solucionado” na última semana. O ex-primeiro-ministro do Partido Trabalhista Gordon Brown renunciou e possibilitou a aliança entre os Conservadores e os Liberal-democratas.
Com esta renúncia ficou claro que os Trabalhistas aliados aos Liberal-democratas teriam grandes dificuldades em governar. Além disso, o desgaste do Partido Trabalhista nos últimos 13 anos apenas iria se aprofundar ainda mais caso compusessem uma aliança com os Liberal-democratas. Outro fator é que o Partido Liberal-democrata, “o fiel da balança”, não seria tão beneficiado com uma aliança com os Trabalhistas, pois não obteriam a maioria absoluta do Congresso, 326 cadeiras, apenas teriam um número pouco maior que o dos Conservadores. Na realidade, a opção mostra o esgotamento do governo trabalhista, responsável pela continuidade da política neoliberal em novas condições e pela política imperialista no Iraque.
A renúncia de Brown para que a formação de um novo governo fosse agilizada também foi uma saída para evitar que o regime político britânico, bastante debilitado, sofresse um desgaste ainda maior.
De qualquer forma mesmo este novo governo expressa uma crise profunda no regime bi-partidário da Grã-Bretanha, pois nem o partido Trabalhista e nem o partido Conservador conseguiram a maioria nas eleições para governar e isso coloca em risco o regime político. Para governar foi necessário se aliar aos Liberal-democratas, mas esta aliança e a composição deste governo são mais instáveis que o regime estabelecido até então. Caso esta aliança não se concretizasse estava em risco a paralisação do próprio Parlamento britânico.
Para o partido Trabalhista, a derrota nas eleições e o fracasso na aliança com os Liberal-democratas na formação do novo governo, o que forçou a renúncia de Gordon Brown, demonstra o completo esgotamento da política do “novo trabalhismo” de Tony Blair e talvez o mais relevante, a incapacidade dos Trabalhistas em levar adiante a contenção das massas britânicas.
O Partido Trabalhista vai tentar no próximo período recuperar o “terreno perdido” sobre as massas britânicas, principalmente os votos para tentar se eleger nas próximas eleições, mas para isso precisarão apagar, não se sabe como, os anos de apoio à política imperialista norte-americana no Afeganistão, Iraque etc. e os inúmeros ataques contra os trabalhadores que resultaram na derrota nas últimas eleições.
O novo governo de coalizão na Grã Bretanha já se reuniu e declarou que a política principal será adotar o corte de gastos públicos para a diminuição do déficit do País que é maior que 11% do PIB. Como medida inicial, declarou o corte de 5% dos salários de todos os ministros do governo e do seu próprio salário. Uma medida demagógica e pouco efetiva já que em um ano o corte será de 8 mil libras no salário do novo primeiro-ministro David Cameron. Mas já é um sinal de que os próximos serão os salários dos trabalhadores que serão atacados.
Estes ataques e a composição bastante debilitada do governo entre Conservadores e Liberal-democratas coloca novas perspectivas para o desenvolvimento das mobilizações operárias no Reino Unido.
Reabert a a crise na Tailândia
A tensão na Tailândia iniciada no mês passado com as enormes mobilizações populares voltou à tona na última semana. O período de negociação entre os camisas vermelhas e o governo não durou muito tempo. Quando tudo parecia caminhar para um acordo novos confrontos entre o exército e a população agravaram a situação política no País.
As negociações caminhavam para o restabelecimento da “ordem” com eleições que seriam realizadas em 14 de novembro, as forças armadas voltariam a ter o controle da situação e o parlamento seria dissolvido.
Um dos motivos que desencadearam o desacordo foi uma reivindicação de punição dos assassinatos de mais de 25 pessoas no dia 10 de abril que também deixou 800 feridos. Os manifestantes pedem a punição do número dois do governo, Suthep Thaugsuban. Esta reivindicação foi a discórdia, pois o primeiro-ministro Abhist se recusou a aceitar a exigência e recuou nas negociações reabrindo a crise no País. A direção do movimento de oposição tentou evitar a apresentação desta reivindicação, mas a pressão popular foi tanta que não foi possível não apresentá-la.
Com a decisão de Abhist em não negociar mais, os camisas vermelhas permaneceram no centro de Bangcoc e a crise foi novamente reaberta. Mesmo sob ameaças do corte de energia elétrica, água e alimentos em toda a capital, os camisas vermelhas reagiram dizendo que só sairiam mortos.
O primeiro-ministro Abhist então organizou uma operação para retirar à força os camisas vermelhas do centro da capital tailandesa. Na última quinta-feira, dia 13, foi iniciada uma operação militar que fechou quatro estações do metrô e todo o perímetro central que está ocupado pelos manifestantes. Mais de 5.000 famílias foram atacadas pelo exército.
Cerca de 50 tanques de guerra estão sendo usados na operação militar e a comunicação foi cortada com o auxílio das operadoras de celular. Foi também implantado o estado de exceção em pelo menos 15 províncias tailandesas para facilitar a repressão sobre os camisas vermelhas.
Deste confronto inicial houve uma morte e pelos menos 12 feridos, um deles foi Seh Daeng, líder estrategista militar dos camisas vermelhas. Ele foi atingido por um franco atirador com um tiro na cabeça e até o fechamento desta edição estava em estado grave, com poucas chances de sobreviver. Cinicamente as autoridades militares da Tailândia negaram a autoria do tiro.
Até o fechamento desta edição o conflito estava em andamento.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Tailândia - A crise está encerrada?

Uma complexa operação foi montada na Tailândia para acabar com a crise revolucionária que tomou conta do país
Nesta segunda-feira o governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva fez uma proposta para acabar com os conflitos que se seguiam na Tailândia há quase dois meses. O acordo proposto pelo governo possuía cinco pontos: O respeito à monarquia; Reforma nacional que resolva as injustiças sociais e econômicas; Garantia de uma comunicação social livre, mas “responsável”; Investigação sobre os incidentes do dia 10 de abril e da invasão do Hospital de Chulalongkorn e Revisão da Constituição de modo a que seja aceite por todas as partes
Os lideres dos “camisas vermelhas” que fazem parte da UDD (Frente Unida para a Democracia contra a Ditadura) assinaram positivamente a favor do governo, apenas com algumas ressalvas que compõem mais quatro pontos:A definição da data das eleições e a dissolução do parlamento; Prova real da sinceridade do governo em querer acabar com todas as ameaças; Nenhuma anistia no que respeita as acusações de que os seus líderes são terroristas e promovem um movimento anti-monarquia, pois querem fazer a sua defesa em tribunal; O Governo deve parar de envolver a monarquia em questões políticas.
Comparando as duas reivindicações de trégua, é visível a capitulação dos líderes da UDD, que tem uma proposta mais rebaixada que a primeira. O acordo aceito pela UDD e colocam todos os trabalhadores que aderiram ao movimento nas mãos do governo para serem julgados.
O movimento não foi derrotado nos enfretamentos com a polícia e o exército. Aceitar as acusações de terrorismo por parte do governo é uma traição sem tamanho contra o movimento.
Aceitar a negociação com o governo de Abhisit já é uma capitulação. Pois este estava para ser derrubado pela mobilização, que desencadeou uma crise em todo aparelho governamental que ia do exército a aliados do próprio governo.
Os trabalhadores foram traídos vergonhosamente, e a direção da UDD pode pagar caro por isso.
Apesar de a UDD entregar a mobilização, ouve uma crise interna muito grande dentro do exército.
A intenção de Abhisit não era negociar. Para ele, o exército usaria de todo o poder militar para acabar com os “camisas vermelhas”. Seu desejo era promover o confronto e esmagar as manifestações.
O general Anupong, chefe do exército, resistiu às ordens de Abhisit de atacar os “camisas vermelhas” naquelas circunstâncias. Muitos dos soldados, vindo de regiões pobres, poderiam aderir o movimento dos “camisas vermelhas”. No geral, o corpo militar, em sua maioria, concordava com Anupong, procurando promover um acordo político para solucionar a crise.
Sem força no exército, e com a pressão dos “camisas vermelhas”, Abhisit foi obrigado e fazer a proposta para a UDD. O primeiro ponto da proposta da UDD foi atendido: as eleições serão no dia 14 de novembro, e a dissolução do parlamento em setembro. Mas esta era também uma intenção do exército, e não houve nenhuma polêmica quanto a esse ponto.
As duas alas da burguesia em disputa se enfraqueceram, mas evitaram a revolução.
Resta saber se a crise da Tailândia, que já dura anos, será encerrada facilmente. O acordo ainda não superou a crise que existe. Apaziguou, por hora, o conflito, mas a miséria real dos camponeses, e suas reivindicações que não foram atendidas podem levar a uma retomada das mobilizações e à reabertura da crise revolucionária no país.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Grécia: terceira greve geral do ano e cinco dias de protestos

Para aprovar o pacote de 110 bilhões de euros no último domingo em uma tentativa de salvar o sistema financeiro do país, o governo grego teve que se comprometer a colocar em prática uma série de ataques contra os trabalhadores. A resposta está sendo dada pela classe operária nas ruas
O pacote que foi aprovado no último domingo será um empréstimo de 110 bilhões de euros, divididos entre a União Européia e o Fundo Monetário Internacional. Para isso o governo grego teve que se comprometer a reduzir seu déficit a menos de 3% do PIB até 2014, diante dos atuais 13,6. A “solução” encontrada pela burguesia européia foi o corte de 30 bilhões de euros nos próximos três anos afetando empregos, salários, condições de trabalho e vida das massas populares do país.
Os 30 bilhões de euros que o governo pretende conseguir serão retirados principalmente através do corte de benefícios dos trabalhadores e de impostos que passarão por reajustes.
O plano de austeridade contra os trabalhadores inclui cortes e congelamentos de salários até 2013, flexibilização das leis trabalhistas, eliminação do bônus dado aos trabalhadores do setor público, aumento da idade para a aposentadoria e redução dos investimentos públicos.
Diante das medidas extremamente repressivas que o governo pretende impor, os trabalhadores gregos organizaram nesta quarta-feira, dia 5, a terceira greve geral deste ano, onde mais setores se incorporaram e em uma das manifestações realizadas no centro de Atenas, participaram mais de 100 mil trabalhadores.
Desde terça-feira, dia 4, alguns setores já haviam entrado em greve a partir do meio-dia, foi o caso dos professores e dos funcionários públicos. Na quarta-feira entraram em greve os trabalhadores dos transportes e os funcionários de empresas privadas.
Com os setores que aderiram à greve, a Grécia ficou sem meios de transportes incluindo aviões. Os transportes como ônibus, trens e táxis só foram usados para levar os grevistas para a manifestação no centro de Atenas. Escolas, universidades e o comércio foram fechados, o único setor que se manteve em fucionamento, porém apenas em caráter de urgência, são os hospitais. A imprensa também foi paralisada, onde a maioria dos operários aderiu ao movimento..
A greve engloba várias organizações, mas só as duas maiores centrais sindicais já somam mais da metade dos trabalhadores do país. A Adedy, uma delas, possui 375.000 afiliados e a Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos (GSEE), um milhão de afiliados.
Ainda na terça-feira, dia 4, militantes do Partido Comunista Grego (KKE), em um grupo de cerca de 200 pessoas invadiram a Acrópole de Atenas e penduraram no monumento uma faixa em inglês e outra em grego com os seguintes dizeres: "Povos da Europa, levantem-se".
O chamado poderia até soar exagerado em outras épocas, mas não na que estamos vivendo atualmente, pois outros países também estão prestes entrar na mesma situação, como é o caso de Espanha e Portugal.
Além disso, para tentar tirar a Europa da crise, outros países pretendem aderir a planos similares ao aplicado pelo governo grego, o que significa que, de um modo geral, todos os trabalhadores europeus passarão por cortes, demissões entre outras coisas.
A Grécia ao que parece está sendo usada como exemplo, e para muitos líderes europeus o resultado tem sido preocupante, pois há sim a possibilidade de trabalhadores de outros países se levantarem, o que levará a uma situação incontrolável para os governos europeus.
O plano de austeridade irá ainda passar pelo parlamento grego que dará uma resposta nesta quinta-feira, dia 6. Além disso, o próprio auxílio à Grécia em que a União Européia ficou responsável por 80 bilhões de euros terá que ser aprovado.
A Alemanha que possui a economia mais forte no bloco ficou responsável pelo maior empréstimo, que será no valor de 22.400 bilhões de euros. Por conta disso, a chanceler Angela Merkel pretendia conseguir a aprovação no Parlamento ainda nesta quarta-feira, enfrentando inclusive a oposição que critica a chanceler por achar que a mesma agiu de forma muito lenta e deu pouca atenção para o problema.
Para convencer até mesmo seus opositores Merkel procurou ser clara em relação a gravidade da crise e em sua intervenção no Parlamento, “o futuro da Europa e da Alemanha estão em jogo, estamos em uma encruzilhada”. (El País, 5/5/2010)
Além de Merkel outros governos e investidores estão preocupados com o que tem acontecido na Grécia. Chris Lowe da FTN Financial disse à BBC que a comunidade financeira está chocada com os violentos protestos.
Ele disse ainda que “se os gregos estão chateados, então talvez a gente precise se preocupar com os portugueses, os espanhóis e os italianos que também poderão ficar chateados com os cortes que vão ter que enfrentar”. (BBC, 5/5/2010)
Os confrontos na Grécia estão mais radicais, pois os manifestantes estão tentando invadir o parlamento para evitar a votação do plano e mostrar ao governo que não vão aceitar as medidas.
Por conta disso, os manifestantes que se aproximavam nesta última terça-feira do local onde fica o parlamento, foram recebidos pela polícia de choque e o confronto mais violento desde o início da crise ocorreu o que resultou na morte de três pessoas, inúmeros feridos e presos, prédios como o ministério da agricultura e bancos foram queimados em uma demonstração de revolta contra o governo e os responsáveis pela crise.A intensa luta travada pelas massas trabalhadoras na Grécia contra o governo e a consipiração da cúpula da União Européia é um sinal do colapso da tentativa de evitar o aprofundamento da crise econômica em todo o continente. Mais grave ainda, a luta é uma demonstração de que o plano de “salvamento” da economia grega fracassou antes mesmo de ter sido colocado em prática. Os trabalhadores gregos e as massas operárias em toda a Europa deixaram claro que não vão aceitar que os capitalistas joguem sobre suas costas todo o peso da crise que criaram. O próximo período será, sem dúvidas, de grandes lutas e intensa mobilização das massas não só na Grécia, mas em toda a Europa. A ação dos trabalhadores gregos aponta as tendências revolucionárias presentes no conflito atual.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Rede Globo invade terreno público com aval do governo tucano
No último domingo, 28, a Rede Record voltou a denunciar a invasão de um terreno público feito pela Rede Globo. O anúncio trouxe a tona o acordo criminoso entre a emissora e o governo de José Serra (PSDB).
O terreno, localizada no Brooklin, em uma das regiões mais valorizadas em São Paulo, fica ao lado da sede da Rede Globo na zona Sul da capital. A emissora, sem nenhuma licitação ou autorização, simplesmente anexou o terreno que pertencia ao governo sob a desculpa de que estava “conservando a área”. A desculpa é mais um descaramento da emissora. É óbvio que não se tratava de preservar a área, mas de tomá-la para uso privado, tanto é assim que o terreno foi cercado e a população impedida de entrar no local que antes era uma pracinha de uso público.
De acordo com as denúncias, “[O] terreno de 11.618 metros quadrados, anexo a sede da Rede Globo na zona Sul de São Paulo, foi ocupado ilegalmente pela emissora (Globo) durante 11 anos. O local onde se localizava o terreno era em uma praça avaliada em mais de R$ 11 milhões de reais. O local funcionava como pista de cooper para os funcionários da emissora. A área estava cercada como propriedade particular, onde ninguém podia entrar. O terreno que foi ocupado ilegalmente pela emissora pertence ao Governo do Estado de São Paulo, (especificamente a secretaria de Planejamento e Economia) e não a Globo”
A invasão ocorreu com o total apoio do governo, que em nenhum momento, em 11 anos de posse ilegal, procurou rever o terreno, uma prática corriqueira quando se trata de ocupações realizas pela população, a exemplo das ocupações realizado pelos sem-terra, onde a burguesia não só determina a reintegração de pose, como a faz com uma violência brutal. O cinismo do governo do PSDB é tamanho que diante da denúncia, o governo ao invés de rever a posse do terreno, anunciou que irá fechar uma parceria com a Globo para a construção de uma Escola Técnica Estadual (Etec), que não por acaso ter´um curso de áudiovisual e terá o nome de “Escola Roberto Marinho”. Ou seja, o governo não só autorizou a invasão como agora irá financiar uma escola para a Rede Globo.
Essa não é a primeira vez que os empresários tomam posse de forma ilegal das terras do Estado, pelo contrário. Essas invasões são corriqueiras e ocorrem com o total aval dos governos e da Justiça burguesa. Um exemplo emblemático é o da Curtale, uma das maiores empresas produtoras de suco de laranja do mundo possuindo 30% do mercado mundial. A empresa se apossou de mais de 2,7 mil hectares pertencentes à União. O que chamou a atenção nesse caso foi a enorme campanha da burguesia contra os sem-terra que organizaram uma ocupação na fazenda tomada pela empresa. Os jornais burgueses publicaram dezenas de matérias para incriminar a ocupação realizada pelos trabalhadores, acusando-os de “Vandalismo sem limites”. Ou seja, quando se trata de uma ocupação realizada pelos sem-terra, o que se vê é toda uma ofensiva da direita contra os trabalhadores do campo, entretanto quando os invasores são a Rede Globo ou a Cutrale, a medida é não apenas justificada como apoiada pelos governos e imprensa capitalistas.
quarta-feira, 10 de março de 2010
A crise européia - Grécia: quem vai pagar?
A burguesia européia tem se mostrado desconfiada e ainda vê a crise econômica grega como algo extremamente perigoso para os seus próprios bolsos, mesmo que não tenham dado um centavo até agora para o colapso do país.
A população trabalhadora grega, que já estava insatisfeita com a política do governo, intensificou as greves e manifestações em todo o país, com destaque a capital de Atenas onde até mesmo o ministério das Finanças foi ocupado pelos trabalhadores.
Apesar de toda a crise interna que está se formando na Grécia por causa do plano, o primeiro-ministro grego não adiou sua viagem para mostrar ao bloco que as novas medidas e ainda mais duras seriam capazes de levar o país à meta de reduzir 4% do déficit ainda este ano.
O único país que ofereceu ajuda financeira, mas ainda assim com desconfiança e receoso dos resultados do plano aplicado pelo governo grego, foi a França.
Após o encontro onde o primeiro-ministro grego não conseguiu a ajuda que esperava mesmo depois de colocar os trabalhadores gregos contra a parede como o bloco havia pedido, Papandreu resolveu viajar por diversos países para tentar, nas relações diretas com cada governo, levantar fundos extras para estancar a sangria econômica da Grécia.
O primeiro país visitado por George Papandreu foi a França. Após a reunião entre o primeiro-ministro e o presidente francês Nicolas Sarkozy, o segundo afirmou que a Grécia pode contar com o apoio dos principais agentes da União Européia, além disso, Sarkozy declarou que tanto a França como a Alemanha e o Banco Central Europeu (BCE) estão unidos para lutar contra a especulação que tem sofrido a Grécia” (El País, 7/3/2010)
O presidente francês disse também que a Grécia não precisa de uma ajuda especial, mas mesmo assim o presidente anunciou que estão preparando medidas para socorrer a Grécia caso seja necessário, porém não detalhou o plano para não dar vantagem aos especuladores.
Já o primeiro-ministro George Papandreu disse em uma coletiva de imprensa na França que a especulação não se dirige só contra Grécia, mas também contra todos os países do euro.
Depois de passar pela França, o primeiro-ministro viajou para os Estados Unidos onde se reuniu com a secretária de Estado, Hillary Clinton na segunda-feira (dia 8) e iria se encontrar com o presidente norte-americano, Barack Obama na terça-feira. O intuito da viagem é pedir o apoio dos EUA para brecar a especulação no mercado.
Durante o encontro Hillary elogiou o plano contra os trabalhadores gregos e disse que Papandreu tem dirigido bem e agido rápido para conter a crise.
A secretária declarou em uma coletiva de imprensa que os EUA não ajudarão a Grécia financeiramente, pois nem o primeiro-ministro e muito menos o governo grego fizeram tal solicitação. O que, segundo ela, demonstra a capacidade do governo grego de se reerguer sem ajuda internacional.
Apesar da afirmação um tanto quanto exagerada, Clinton não se declarou a respeito do plano de contenção da especulação, o que demonstra não haver interesse na proposta. Na realidade, o que o imperialismo norte-americano deseja é forçar os países da Europa Ocidental a pagar pela crise grega.
O primeiro-ministro grego disse que é necessário conter os especuladores que atualmente aumentaram injustamente seus custos de financiamento para a Grécia.
Além disso, Papandreu afirmou que o país já detém uma crise muito alta e, portanto, fica inviável sustentar as taxas que estão sendo duas vezes maiores do que as oferecidas pela Alemanha, por exemplo.
Em outro discurso realizado na última terça-feira, dia 9, o primeiro-ministro grego pediu regras mais rígidas para CDS (credit default swaps, os títulos emitidos sobre a dívida que originou a crise) e para que o G20 imponha limites e mantenha os especuladores na linha.
Caso o presidente Barack Obama e os outros líderes do G20 não aceitem a iniciativa, a Europa irá agir isoladamente, comentou um jornal alemão.
Enquanto a questão não é resolvida e os especuladores continuam a cobrar os preços que querem, a Grécia segue em uma condição onde um empréstimo para aliviar um pouco os efeitos da crise pode ser algo arriscado demais tanto para a Grécia, que estará se endividando ainda mais para pagar suas dívidas, quanto para os demais países europeus, que também estão com suas economias fragilizadas pela crise e correm o risco de não ter de volta o dinheiro investido.
Além disso, a Grécia pensou em recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas o restante do bloco europeu se voltou contra a idéia, pois acreditam que o país deve resolver a crise sozinho.
Outro problema é que apesar de o primeiro-ministro não ter pedido abertamente uma ajuda financeira à Alemanha, o que todos esperavam é que isso fosse ocorrer no último encontro em Luxemburgo, mas não houve e isso porque muitos membros do governo alemão são contrários à ajuda.
A nova etapa da crise capitalista mundial está expondo o limite dos governos burgueses que tentaram cobrir os primeiros buracos do sistema financeiro e dos governos mais abalados pela crise com uma enorme injeção de dinheiro público.
Não parece mais ser uma opção realizar operações de resgate bilionárias, como as que salvaram os maiores bancos de investimentos e grandes companhias como a General Motors, e inclusive países inteiros no Leste Europeu. Na segunda onda da crise, os governos vão tentar forçar os trabalhadores a pagar pelos lucros exorbitantes que banqueiros e especuladores obtiveram nos últimos anos à custa das suas próprias condições de vida.
O desfecho da crise será dado pela intervenção da própria classe operária que já se levantou no país exigindo que os verdadeiros responsáveis paguem por ela.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Queda do comercio mundial, recorde de desemprego no mundo e greves, mostram o aprofundamento da crise
A situação geral por que passa a economia mundial, principalmente a economia da Europa, revela a grande realidade, a crise econômica não acabou, e está entrando em um novo estágio. Agora depois do assalto feito a todos os trabalhadores, com o uso de dinheiro publico e as demissões em massa, os trabalhadores perderam a boa, e greves se espalham por toda a Europa, por sinal uma das maiores acontece justamente hoje na Grécia, com mais de 2 milhões de trabalhadores paralisados.
Outro resultado que mostra o nível da crise é o resultado divulgado hoje pela Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o comércio mundial chegou em seu nível mais critico desde a segunda guerra mundial, com uma queda de 12%. Já o número de desempregado no mundo segundo Organização Internacional para o Trabalho (OIT) ultrapassa a escala de 200 milhões.
Esses dados mostram que o movimento operário entrará em um novo momento, terão que enfrentar a burguesia para poderem ter seus direitos preservados, e pela magnitude que a própria burguesia da ao fato, os trabalhador caminhará para um momento revolucionário.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Repressão e Resseção: Governos contra o povo e nova etapa da crise capitalista na Europa
A repressão contra a população e os trabalhadores continua. Nem mesmo durante o carnaval os governos burgueses deram um alívio para a população. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se concentram o maior número de pessoas que comemoram o carnaval, houve uma ofensiva dos governos de Gilberto Kassab (DEM) e José Serra (PSDB) em São Paulo e Sérgio Cabral e Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro.
A perseguição cotidiana feita nestas grandes metrópoles nos bairros das periferias e morros cariocas foi intensificada durante o período de festas de carnaval.
O governo Cabral aumentou a operação “Choque de Ordem” e prendeu dezenas de pessoas na última semana. O nível de repressão é tão ridículo que mais de uma centena de pessoas foram presas simplesmente porque urinaram na rua. O número é absurdo, antes mesmo da segunda-feira dia 15, quase 150 pessoas já haviam sido detidas por urinar na rua.
Não bastasse sofrer uma repressão de grandes proporções todos os dias, com invasões constantes da polícia, força militar etc. nos morros cariocas, a população ainda foi completamente perseguida durante o feriado de carnaval.
Em São Paulo, foi o prefeito Gilberto Kassab que se prontificou em aumentar a repressão contra a população. A ordem era prender quem fosse pego jogando lixo na rua. Em dois dias, cinco pessoas foram presas na zona norte da cidade. A Polícia Militar atuou conjuntamente com as subprefeituras.
Já no estado de São Paulo foi o governador José Serra que preparou uma verdadeira operação militar para reprimir o povo. Foram utilizados 82 mil policiais e quase 30 mil veículos na Operação Carnaval 2010. Em pouco mais de um dia de operação foram feitas 3.600 ocorrências pela polícia. Destas quase 300 pessoas foram presas, sendo que 159 eram adolescentes.
A polícia ainda revistou 29.373 veículos, 14.397 motos e 76.253 pessoas em todo o estado.
Repressão organizada
Existe uma ofensiva milimetricamente organizada pelos governos municipais, estaduais e federais para promover uma repressão em todos os âmbitos contra os trabalhadores e a população pobre. Muitos desses casos foram amplamente denunciados por meio deste jornal e refletem uma orientação clara para impedir qualquer ação organizada ou não da população.
As medidas são inúmeras, vão desde punir por urinar e jogar lixo na rua, o toque de recolher no interior de São Paulo, a lei antifumo em lugares fechados que se iniciou em São Paulo e agora está sendo implantada em outras cidades e capitais, a lei seca etc.
Em São Paulo há toda uma ofensiva constante contra a população. Em dezembro, uma manifestação organizada pelos trabalhadores ambulantes da rua 25 de março, no centro de São Paulo, foi reprimida pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana.
Houve ainda a prisão de sete integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra que foram presos por ocupar a fazenda grilada pela empresa Cutrale.
A repressão a estes atos cotidianos da população, até mesmo banais, tem o objetivo de criar um clima de repressão generalizada para inibir quaisquer manifestações, protestos contra estes mesmos governos. Protestos que tendem a se generalizar, pois com a crise econômica estes governos vão atacar ainda mais as condições de vida do povo.
Nos últimos meses foram inúmeros os protestos realizados pela população contra estes governos, devido às péssimas condições de vida que estes estão impondo para os trabalhadores e a população em geral. E todos estes protestos foram atacados violentamente pela polícia.
Os casos de repressão são inúmeros. A população dos bairros da Zona Leste, que protestou contra o descaso da prefeitura que provocou alagamentos em diversos bairros desta região, também foi reprimida. Em um protesto realizado em frente à prefeitura, os manifestantes foram duramente reprimidos com cassetetes, balas de borracha e gás de pimenta.
Há também o caso dos estudantes que foram reprimidos e presos pela polícia de Serra quando protestavam na posse do reitor-interventor da USP João Grandino Rodas no último dia 25 de janeiro.
No Rio de Janeiro, a polícia também impediu o protesto da população da favela do Pavão-Pavãozinho. Foram realizados dois protestos contra as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) instaladas nos morros cariocas.
Em um balanço divulgado por um órgão oficial do governo do Rio de Janeiro é possível constatar como a repressão contra a população pobre aumentou.
Segundo o relatório, o número de prisões em geral teve alta de 22% e o cumprimento destas prisões também teve alta de 10% em 2009.
Um dos dados mais assustadores é o número de mortes. Foram 5.794 assassinatos cometidos pela PM no período de janeiro a junho de 2009. Um crescimento de 12% no número de mortes em comparação com 2008 e uma média assustadora de quase 500 mortes por mês ou mais de 15 por dia.
Decomposição do regime burguês
As medidas repressivas são uma clara reação da burguesia à decomposição política de seus governos e de sua política que estão cada vez mais impopulares. É uma tentativa de conter as manifestações e protestos. Cria-se um clima repressivo, praticamente uma ditadura, para impor para os trabalhadores, a juventude e a população pobre em geral, medidas de exceção que podem parecer banais, como a lei antifumo ou a lei seca, mas que tem como objetivo final impedir o protesto organizado contra estes governos.
Desta forma também conseguem manter o esquema de corrupção e desvio de verbas públicas para os capitalistas e grandes grupos econômicos, como a máfia dos transportes e máfia do lixo. Quanto maior o massacre da população, maior é a transferência de dinheiro para os capitalistas.
A população deve rejeitar qualquer medida ditatorial contra suas condições básicas de vida. É necessário que a população organize manifestações e protestos para exigir o fim da repressão e o atendimento imediato de suas necessidades básicas
A crise na Grécia e em toda a Europa
Depois de esbanjar trilhões de dólares para socorrer bancos, empresas, instituições financeiras falidas e apresentar como resultado o “fim da crise” e a recuperação econômica, os governos burgueses estão agora amargando um endividamento gigantesco de suas economias em uma proporção que vai agravar ainda mais a situação da crise econômica mundial.
A situação mais crítica encontra-se na Europa, especificamente, n a Grécia que apresentou sua dívida pública muito acima do exigido pela zona do euro em 2009. A dívida da economia grega atingiu 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) e está provocando um desespero generalizado tanto no mercado financeiro quanto em toda a Europa, pois este resultado pode levar à falência o bloco de 16 países que compõem a zona do euro.
O problema em si não é o fato da dívida pública grega estar acima dos 3% exigidos pela zona do euro, mas o fato de que a Grécia não tem condições para cobrir esta dívida que tende a aumentar em 2009.
Crise em toda a Europa
O pior ainda estar por vir, pois a Grécia não é o único País que se encontra nesta situação, pelo menos outros quatro países da zona do euro estão em situação semelhante. Estes países receberam a denominação de PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). O caso é muito semelhante à Grécia. Em todos estes países a dívida pública já ultrapassou os 3% do PIB. O endividamento deve-se basicamente aos inúmeros pacotes econômicos e às economias internas destes países que estão progressivamente se deteriorando.
Em todos estes países, o mercado consumidor interno está estagnado, com altas taxas de desemprego. Na Espanha, por exemplo, a taxa de desemprego está em quase 20% e, em Portugal, já são mais de 10% de desempregados. As exportações também são outro fator de crise, estão em queda constante há vários meses
Outro importante país da zona do euro que também está caminhando para o aprofundamento da recessão é a Alemanha. O país, que é o maior exportador da Europa, apresentou uma queda grande no PIB em 2009. A baixa foi de -5% no ano passado. Este resultado é uma demonstração de que não basta dizer que a crise não existe e apresentar resultados parciais positivos, como os PIB do segundo e terceiro trimestre de 0,4% e 0,7% respectivamente, para dizer que o fim da crise está próximo.
O próprio governo Alemão foi obrigado a admitir que "o consumo interno e o nível de investimentos caíram e frearam o crescimento econômico” (BBC Brasil, 12/12/2010).
Na Alemanha, as exportações, principal carro-chefe da economia alemã, também despencaram bruscamente em 2009 fazendo com que o País perdesse o posto de principal exportador mundial para a economia chinesa. A Alemanha teve perdas de 18,7% nas exportações em 2009 e 17,2% nas importações, ou seja, vendeu e comprou menos. Efeito direto de um menor ritmo da produção industrial.
Para deixar a situação ainda mais agravada, além da Alemanha, outro país imperialista também está profundamente endividado. O Reino Unido está com um déficit fiscal próximo ao déficit grego. Segundo o jornal The Times a economia britânica está com uma dívida pública de 12,8% do PIB. Esta crise na economia britânica agrava enormemente a crise em toda Europa. O Reino Unido não faz parte da zona do euro e, portanto, coloca em risco também as economias européias e outras que não fazem parte do bloco que utilizam o euro, mas estão vinculadas ao sistema financeiro do imperialismo britânico.
Com este endividamento acentuado, os governos burgueses vão apertar ainda mais o cerco aos trabalhadores. A União Européia já está preparando uma série de medidas de contenção de gastos para serem aplicadas nos países com a crise mais agravada, como a Grécia.
Neste caso, o plano é reduzir a déficit público dos atuais 12,7% para 2,8% até o final de 2012. Para atingir este objetivo a União Européia está se reunindo para estabelecer as medidas, mas algumas já foram indicadas como: reformas no sistema de pensões, administração pública, reformas no sistema de saúde, empresas, emprego, mercado, redução de salários, medidas de intervenção política, setor financeiro e bancário.
Através dessa pequena amostra é possível concluir que a redução do déficit público às custas de um ataque ainda maior às condições de vida dos trabalhadores.
A União Européia quer que tudo seja implementado em um regime de metas com datas e prazos.
A “ajuda” da União Européia à economia grega, provavelmente, deverá se estender para os outros países em crise. Como já foi gasto muito dinheiro até agora com pacotes econômicos, não haverá dinheiro para salvar os países, por isso o aperto no bolso dos trabalhadores.
O financiamento estatal que existia para segurar a economia privada dos países para que estes não fossem à falência está acabando.
A tendência geral é que a crise se intensifique nos demais países europeus, levando a um colapso econômico generalizado em toda a Europa.
Respostas dos trabalhadores
Estas medidas de contenção do endividamento da Grécia que será implantada pela União Européia e pelo primeiro ministro grego, George Papandreu, vão receber um forte oposição por parte dos trabalhadores gregos que já estão cansados das reformas feitas pelo governo.
Os trabalhadores gregos já estão se organizando para impedir mais este ataque contra seus salários. Na última semana os trabalhadores do setor público já iniciaram uma greve. Outra greve de trabalhadores do setor privado já está sendo preparada.
Com estas medidas a burguesia européia pode desencadear um movimento amplo não somente na Grécia, mas em toda a Europa.Os trabalhadores devem exigir da burguesia que a crise não recaia sobre a classe operária, mas sobre os verdadeiros culpados, os capitalistas, banqueiros e parasitas financeiros.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Trabalhadores perdem 13 bilhões em salários em um ano
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), divulgou levantamento em que revela o verdadeiro estrago feito pela crise econômica mundial na vida dos trabalhadores brasileiros. Segundo a FIESP, os trabalhadores da indústria tiveram perda de cerca de R$ 13 bilhões nos salários nos últimos doze meses.
A pesquisa constatou que no período de outubro de 2008 a setembro de 2009 as indústrias diminuíram o valor gasto com salários. A massa salarial caiu neste período 5,3%, prova mais que concreta de que a crise afetou em cheio o País.
Mesmo com toda a propaganda do governo de novas contratações o fato é que muitos postos de trabalho foram fechados e o salário dos novos contratados é menor que o dos trabalhadores demitidos.
O valor gasto pelas indústrias nestes 12 meses caiu de R$ 190 bilhões para R$ 177 billhões, ou seja, R$ 13 bilhões que as indústrias deixaram de gastar e que refletem diretamente no próprio desenvolvimento da economia brasileira.
Estes R$ 13 bilhões que deixaram de circular no mercado é maior que o valor que vai ser pago em décimo terceiro agora no final do ano. O valor em 13º a ser pago vai ser de R$ 12,1 bilhões.
Arrocho salarial
Outro fator que reduziu o valor do pagamento de salários foram os diversos acordos entre patrões e sindicatos, como medida do governo de evitar greves e de fato um enfrentamento, para que o prejuízo da crise ficasse com os patrões e não com os trabalhadores. Destes acordos contra o interesse da classe operária houve a redução da jornada de trabalho com redução salarial, redução de benefícios, menor produção, férias coletivas não remuneradas etc.
No mesmo período a produção industrial caiu 8% e o emprego caiu 4,1%. Estes resultados que refletem sem nenhuma dúvida como a recessão afetou a economia brasileira e por trás da aparente recuperação e retomada do emprego como o governo e a imprensa burguesa tem anunciado por todos os lados, a recessão produziu cortes de empregos, redução salarial, perdas de direitos trabalhistas, não pagamento de horas extras etc.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Bolha financeira pode explodir logo na Ásia

Bilhões em dinheiro público no mercado financeiro asiático estão criando nova bolha financeira na Ásia e deve levar economia mundial a novo furacão econômico
O tão anunciado “fim da crise” econômica pode provocar mais recessão, anunciou o Banco Mundial. Na última quarta-feira, dia 11, o Banco Mundial, anunciou que os trilhões de dólares gastos pelos governos estão criando uma bolha financeira de grandes proporções que podem colocar a economia mundial a pique.
Segundo o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, é na Ásia que este fenômeno se concentra, "na Ásia oriental, a recuperação do crescimento começa de uma forma forte e há muita liquidez, surge o risco de que seja preciso enfrentar bolhas financeiras em alguns mercados" (EFE, 11/11/2009).
Estas bolhas estariam sendo criadas com o aumento da liquidez nos países asiáticos em particular. Nestes países, com destaque para a China, foram implantados pacotes que visavam aumentar projetos de infraestrutura com a injeção de bilhões de dólares, aumentando assim a liquidez dos mercados.
Os países asiáticos despejaram dezenas de bilhões de dólares em seus mercados financeiros para conter o avanço da crise e assim promoveram uma recuperação momentânea nestes mercados, elevando as ações de empresas das bolsas asiáticas. Esta elevação nitidamente foi induzida, criando uma bolha financeira, que agora, segundo o Banco Mundial, pode explodir.
O ex-presidente do Fed, Federal Reserve, banco central norte-americano, Laurence Meyer, lamentou o fato dizendo, "Mesmo quem diz que deveríamos responder diretamente (e murchar as bolhas) não tem nenhuma idéia sobre como fazer isso. É fácil adotar uma posição filosófica, mas é difícil se tornar prático e operacional em relação a isso." (The Wall Street Journal, 11/11/2009).
Esta nova bolha econômica pode elevar ainda mais o grau de devastação econômica, não somente na Ásia, mas em todo o mundo. E colocar por terra qualquer teoria de “fim da crise”, quando na verdade ela não pára de se desenvolver.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Enquanto reprime sem-terra, burguesia quer anistiar latifundiários
Enquanto a direita organiza uma das mais violentas repressões e ditadura contra os trabalhadores sem-terra, acusando-os de “vândalos”, “criminosos” e “corruptos”, chegando ao cúmulo de pedir a abertura de uma CPI para averiguar as contas de um movimento social que sobrevive de ocupações de terras, a bancada ruralista está tentando legalizar o desmatamento de floresta, isentando proprietários de áreas desmatadas ilegalmente (até 2006) de pagar multas.
A medida revela todo o cinismo da burguesia que se utiliza do discurso “ecológico” e “ambientalista” para promover o massacre dos sem-terra, enquanto autoriza na prática o desmatamento ilegal, impondo um dos maiores ataques contra a preservação ambiental através da privatização das matas e florestas.
De acordo com o texto, que está para ser votado pela Câmara e se apresenta como um substitutivo ao Projeto de Lei 6424/05, os proprietários ou ocupantes ilegais que promoveram o desmatamento ilegal até 2006 estarão completamente isentos de pagar multas e de replantar a floresta degradada, o que significa dizer que os latifundiários que degradaram mais de 35 milhões hectares, área equivalente a nove vezes o estado do Rio de Janeiro ou 18 vezes a área de Sergipe, serão anistiados de qualquer punição.
Além disso, o novo projeto também “assegura a manutenção e a consolidação das atividades agropecuárias existentes em áreas que foram desmatadas até 31 de julho de 2006 (...) Repassa para os Estados a competência de definir os percentuais de reserva legal e de áreas de proteção permanente (APPs). O objetivo é permitir a exploração econômica das partes das propriedades rurais destinadas à preservação ambiental (...). O projeto conta ainda com uma mudança no inciso I, do art. 16 do Código Florestal, que reduz “a área de reserva legal, na região da Amazônia Legal, de 80% para 50%, voltando, assim, a ter o limite que vigorava antes da expedição da Medida Provisória n° 2.166-67/2001” (Último Segundo, 28/10/2009).
Como se vê o objetivo do projeto, encabeçado pelo DEM e PSDB, ou seja, pelos próprios ruralistas, é autorizar não apenas o desmatamento ilegal como a exploração desenfreada do latifúndio, um primeiro passo para a privatização das florestas.
Essa política criminosa, bem como a perseguição aos sem-terra, está sendo defendido por todos os setores da burguesia, desde a bancada ruralista, até os aliados do governo. A medida é um ataque contra a população e em especial contra os sem-terra, já que o projeto é na verdade um aval para que o latifúndio amplie a exploração e conseqüentemente a repressão contra os trabalhadores rurais.
sábado, 24 de outubro de 2009
Mil famílias são despejadas de ocupação e acampam na rua

Nesta semana, a polícia selvagem de Serra desocupou terreno ocupado por famílias de sem-teto. Durante todo o dia a polícia cercou o terreno e ameaçou os ocupantes.
Sem nenhuma alternativa, ficaram na rua. Montaram os barracos nas ruas de suas antigas casas. As famílias fazem parte das organizações populares Moradia Terra de Nossa Gente (MMTNG) e Movimento Sem-Teto pela Reforma Urbana (MSTRU), ligados à Frente de Luta por Moradia (FLM).
De forma truculenta, a polícia sequer deixou que fossem retirados os móveis das famílias do local.
Quase que como um deboche, foi oferecido um depósito para que as famílias deixem seus pertences, com o valor do aluguel de R$ 50 diários. E ainda será necessário pedido judicial para depois reaver o que é deles.
As cerca de mil famílias estavam vivendo na ocupação Alto Alegre, distrito de Vila Prudente, Zona Leste da Capital. A Justiça burguesa estava ameaçando o despejo desde o dia 14 de outubro.
Foi realizada uma reunião com uma comissão da ocupação e o governo garantiu a prorrogação do prazo até que, pelo menos, fosse garantido o atendimento emergencial.
De maneira abrupta o acordo foi rompido e na madrugada do dia 21 as famílias foram agredidas da tropa de choque.
A ocupação ocorreu no dia 13 de abril de 2009 no terreno com 280 mil metros quadrados.
Como uma imensa parcela da população, as famílias se unificam nas péssimas condições de vida. São ex-moradores de rua, de despejos por falta de condições de pagar aluguel, despejos de áreas de manancial ou de ocupações não regularizadas.
Segundo o coordenador da Frente de Lula por Moradia Osmar Borges “Há caso de família inteira que morava dentro de um caminhão velho, abandonado, nas proximidades do acampamento. A cada dia a coordenação recebia novos pedidos de famílias para integrar a ocupação, rodeada por favelas, tamanha é a situação de pobreza que enfrentam na região.”
O terreno é propriedade particular é resultado de grilagem de terra e o proprietário responde processo por crime ambiental por ter desmatado toda a área e ainda possui dívida de mais de R$ 2 milhões com BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).
O criminoso governo municipal nas mãos do DEM marcou o cadastro de todas as famílias para o atendimento emergencial de moradia, o que foi adiado e a única coisa que cumpriram foi a violenta retirada dos ocupantes.
É necessário todo o apoio a estas famílias para reocuparem a área e garantirem o direito a moradia.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Brown libera mais US$ 80 bilhões para bancos britânicos
Sob a benção da União Européia, capitalistas autorizam o governo Gordon Brown desembolsar 79 bilhões de dólares para os bancos falidos com a crise
Em reunião realizada na última segunda-feira, dia 12, a Comissão Européia, decidiu que o Reino Unido está autorizado a continuar financiando a crise econômica para ajudar os bancos falidos.
A decisão foi tomada em conjunto, pois em reunião anterior havia sido determinado que os países começassem, aos poucos, a diminuir o repasse de verbas para bancos e instituições financeiras, porque, pelo menos em tese a economia estaria se recuperando.
Os bancos britânicos estão recebendo intensivamente ajuda do Tesouro britânico desde outubro de 2008, ou seja, há um ano, quando a recessão agravou-se em todo o mundo.
A medida aprovada pela União Européia vai permitir que os bancos e instituições financeiras inglesas recebam o dinheiro público dos cofres do governo britânico até 31 de dezembro de 2009. Este prazo seria para que se normalizasse a condição financeira dos bancos, algo pouco provável.
Esta é a segunda vez que a União Européia concede uma prorrogação para o Reino Unido. Em abril deste ano, já havia feito uma prorrogação de seis meses que se mostrou insuficiente para conter o avanço da recessão. Tanto que a farsa do “fim da crise” nem sequer é mencionada.
A nova bolada que sairá dos cofres ingleses vai ser de no mínimo 79 bilhões de dólares, uma espécie de recapitalização dos bancos, injeção de liquidez para evitar futuras falências.
A decisão da União Européia demonstra como a recessão ainda afeta a economia da Europa e em particular o Reino Unido. Nenhum sinal de recuperação e muito menos “fim da crise”.
sábado, 26 de setembro de 2009
Os aliados do imperialismo norte-americano se dividem
A disputa entre os dois governos foi evidenciada em um artigo apócrifo publicado no jornal Il Foglio, do grupo de Berlusconi, segundo retrata o diário espanhol El País: “em uma crítica tão furiosa quanto bem documentada – até o ponto de que os meios diplomáticos espanhóis não duvidam que não passe da opinião do Ministério da Defesa italiano ventilada pelo jornal – o artigo assegurava que “o comando italiano [no Afeganistão] teve que combater em diversas batalhas neste verão sem poder contar com os 780 militares espanhóis, que aumentaram para 1.250 em função das eleições, devido às rígidas limitações impostas pelo governo Zapatero, que impedem que os espanhóis participem de atividades ofensivas, inclusive ao lado dos afegãos, e permitem o uso das armas apenas em autodefesa.
“A escassa combatividade dos espanhóis favoreceu a ofensiva talibã”.
O artigo publicado em resposta no El País continuou expondo as acusações feitas pela imprensa italiana.
A Espanha, que detém o Comando Regional Oeste no Afeganistão, e o general nº 2 na OTAN, está em disputa com a Itália pelo posto. Diante do maior número de tropas e aeronaves de combate empregadas pelos italianos na operação, o governo espanhol concedeu, após ter sido pressionado, o comando das operações a generais italianos.
O ataque recente do Talibã, que matou seis soldados italianos, agravou a crise. Soldados espanhóis também foram mortos recentemente levando os aliados do imperialismo norte-americano a reconsiderar sua participação. A sua participação no Afeganistão coloca em jogo a própria estabilidade dos dois países.
A crise aberta em torno à questão de quem deve comandar os contingentes da OTAN reflete a crise do plano do imperialismo norte-americano para controlar o Afeganistão.
domingo, 20 de setembro de 2009
Desemprego continua crescendo

O governo Lula anunciou na última quinta-feira, dia 17, que houve um recorde na criação de empregos no mês de agosto. Foram 242.126 vagas que estão sendo apresentadas como um avanço inquestionável na economia brasileira, um claro sinal de recuperação da crise.
Lula declarou, "Vocês devem imaginar que estou muito feliz por nós termos batido recorde no mês de agosto. Isso significa que nós podemos continuar crescendo em setembro. Isso é muito bom e tudo indica que a gente pode ultrapassar 1 milhão de empregos criados num único ano, justamente em que a gente estava em uma crise profunda. Acho isso extraordinário” (Último Segundo, 17/9/2009).
O cinismo típico de Lula serve para esconder a realidade por trás das estatísticas. Enquanto são anunciados 242 mil vagas criadas em agosto, fica oculto que os postos de emprego foram criados sobre a base de baixa produção e estoques quase escassos. A indústria criou neste mês 66,6 mil postos, mas tem no acumulado de janeiro a agosto um saldo negativo de mais de 60 mil vagas.
Na comparação com os anos de 2007 e 2008, este ano vai deixa de criar 600 mil vagas. Desde o início de 2009 foram perdidos mais de um milhão de empregos. Segundo um analista econômico, ''O problema hoje é que há muita gente desempregada e dificilmente será possível vencer o estoque de desempregados neste ano'' (O Estado de S. Paulo, 17/9/2009). Não somente este ano, mas nos próximos anos. O desemprego é um dos piores efeitos causados pela crise. A maioria dos empregos perdidos não são recuperados, são postos de trabalho extintos.
A tentativa do governo em apresentar estes dados como uma super recuperação a crise não revela os milhões de desempregados e os que mesmo empregados estão recebendo arrocho salarial, aumento no custo de vida etc.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Burguesia amplia repressão contra população
As medidas repressivas adotadas pelos governo burgueses na tentativa de controlar a população estão se espalhando e se intensificando. Medidas como o toque de recolher, a lei seca, a lei antifumo, cidade limpa etc., estão sendo aprovadas aos montes e tem como intuito manter os trabalhadores afundados em proibições e restrições.
Depois de ter adotado a lei do silêncio, mais conhecida como a lei do Psiu, uma medida extremamente repressiva que procura impedir a população de falar, o governo de São Paulo também resolveu intensificar a vigilância em torno da medida. Segundo os dados da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras em pouco mais de sete meses, entre janeiro e julho deste ano, as multas para as pessoas que infligiram a lei, ou seja, para as pessoas que falaram, bateu o recorde com o aumento de 64% com relação a todo o ano de 2008.
O Programa Municipal de Silêncio Urbano (Psiu) foi implementado em 2005 para proibir todo e qualquer ruído após a meia-noite, uma medida inclusive inconstitucional, já que as pessoas não podem ser proibidas de falar seja em que horário ou lugar for. Os principais alvos da lei são os bares e restaurantes que permanecem abertos após a meia-noite. Esses estabelecimentos acumularam mais de 417 multas apenas nos primeiros meses do ano. Na pratica a medida tenta impedir o funcionamento desses estabelecimentos após o horário estipulado pela lei, já que é impossível manter bares e restaurantes abertos sem que as pessoas possam fazer barulho, ou seja, sem que os fregueses possam conversar, tão pouco ouvir música.
Assim como o toque de recolher, a lei do silêncio, da mordaça, esta é uma tentativa de impedir as pessoas de sair de suas casas, uma primeiro passo para determinar a prisão domiciliar da população. “O Psiu fiscaliza o ruído extra de outros estabelecimentos que funcionam a qualquer hora do dia. Nessa categoria, foram 154 multados por barulho excessivo. A média mensal de 2009 está em 22 barulhentos autuados e também indica tendência de aumento. Em 2008, foram 18 penalizados por mês nesta categoria”, informou a Secretaria (Estadão, 14/9/2009).
A medida, apesar de ser extremamente repressiva, é apresentada para a população como sendo algo benéfico inclusive para a saúde, uma vez que teoricamente iria acabar com o barulho. Esses argumentos são típicos dos governos burgueses que sempre utilizam essas artimanhas para persegue a população. A lei do silêncio não tem nada a ver com tentar “cuidar” da saúde da população, mas em impor uma verdadeira ditadura, mantendo a população afundadas em proibições. Ou seja, as pessoas não podem fazer mais nada. Não podem sair de casa, conversar ou participar de cultos religiosos, protestar, dirigir (já que o trânsito também será alvo da lei), freqüentar bares, beber, fumar, dançar etc. As milhares de proibições impostas pela burguesia criam um ambiente onde tudo é proibido. A população não deve aceitar essas medidas repressivas, pelo contrário, está na ordem do dia organizar uma ampla campanha contra todas as leis que estão sendo adotadas no intuito de perseguir os trabalhadores.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
EUA - Em uma década, 9 trilhões de dólares de prejuízo

O aumento do déficit fiscal é reflexo direto da crise econômica mundial, que fez com que os governos Bush e Obama despejassem centenas de bilhões de dólares nos cofres dos capitalistas falidos. Além disso, houve a aprovação de inúmeras medidas que isentaram vários setores industriais do pagamento de impostos.
No momento, o déficit fiscal norte-americano é o maior já registrado em toda a sua história, de 11,2% do PIB.
Juntamente com o déficit fiscal, o governo dos Estados Unidos tem um déficit orçamentário também está acima de um trilhão de dólares. Somente em julho o déficit atingiu 180,6 bilhões e um total de 1,26 trilhões em dez meses.
O déficit dos Estados Unidos é o resultado incontestável de que a crise financeira não está longe do fim. Por mais que o governo Obama e a imprensa capitalistas insistam em apresentar resultados que demonstram uma recuperação da maior economia do mundo, o prejuízo causado pela crise, como este déficit, as milhões de demissões etc. são irreversíveis e vão deixar a economia debilitada por muito tempo.
domingo, 23 de agosto de 2009
Crise do imperialismo e capitulação do nacionalismo burguês
O imperialismo e a direita latino-americana tentam uma ofensiva para barrar o avanço do nacionalismo burguês, que ganha força, no marco da crise capitalista.
O Ministério Público de Honduras ordenou os primeiros requerimentos contra elementos das Forças Armadas por violação dos direitos humanos por incidentes ocorridos após o golpe de 28 de junho. As ações ocorrem contra dois membros das Forças Armadas, um tenente e um cabo, acusados de detenção ilegal.
O processo é uma figuração para fazer parecer que providências estão sendo tomadas contra os abusos dos golpistas, pois os crimes cometidos pelos golpistas foram generalizados e muito mais graves, como assassinatos e torturas.
No entanto, o fato é produto da enorme desmoralização do golpe. O governo foi obrigado, na quinta-feira dia 20, a soltar 24 presos políticos que haviam sido detidos em manifestações contra o golpe.
A Frente Nacional Contra o Golpe continua organizando enormes protestos nas ruas da capital, Tegucigalpa, e de San Pedro Sula, a segunda cidade em importância no país, com milhares de pessoas. Os manifestantes esperam que a volta de Zelaya aconteça nesta semana. Em San Pedro Sula, os manifestantes exigiram que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos tomasse providências contra os abusos das autoridades.
Os golpistas têm que enfrentar cada vez mais as manifestações populares nas ruas, que estão debilitando completamente o regime político, e uma pressão diplomática internacional. Desde o golpe, em 28 de junho, o governo de Roberto Micheletti, sofre pressão contrária de vários países, com declarações em apoio a Zelaya e atos como a retirada de embaixadores em Honduras. A Espanha, a França e o Brasil foram um dos países que retiraram os respectivos embaixadores de Honduras. O Brasil, além do apoio explícito de Lula a Zelaya, rompeu todos os acordos econômicos com Honduras, até que o presidente deposto seja restituído.
Nessa semana, o governo golpista de Honduras rompeu relações diplomáticas com a Argentina, depois que a presidente do País, Cristina Kirchner, expulsou a embaixadora hondurenha em Buenos Aires, Carmem Eleonora Ortez Williams. As relações com a Argentina serão feitas agora através da embaixada de Israel na Argentina, segundo um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores do Governo do golpista Roberto Micheletti.
Israel é um dos poucos países que mantém relações com o governo surgido do golpe. A decisão foi tomada, segundo os golpistas, com base no princípio da “estrita reciprocidade”, ou seja, igual trato, prazo e facilidades que se conceda aos funcionários hondurenhos na Argentina serão dados aos funcionários argentinos em Honduras.
A decisão do governo argentino de expulsar a embaixadora hondurenha de Buenos Aires é um resultado da visita que o presidente deposto, Manuel Zelaya, fez pela América do Sul. Zelaya pediu que Kirchner tomasse tal decisão, tendo em vista que Carmen Eleonora apoiou o golpe militar de 28 de junho.
A mesma decisão foi tomada pelo governo de Costa Rica, que anunciou que vai retirar credenciais diplomáticas da embaixadora de Honduras em San José, Koritza Suazo. O pedido foi feito por Zelaya, alegando o apoio aberto de Suazo aos golpistas.
O próprio imperialismo norte-americano foi obrigado a condenar, ainda que apenas em palavras, o golpe, e tomando o máximo cuidado para não cair em contradição, já que a direita norte-americana e imperialista foi a responsável pela orquestração do golpe que depôs Manuel Zelaya do poder.
Um jornal burguês hondurenho, apoiador do golpe, publicou uma matéria em sua página na Internet onde relata que em entrevista ao programa “Frente a frente”, Roberto Micheletti afirmou que o embaixador dos EUA em Honduras, Hugo Llorens, sabia do golpe. “Nos reunimos os três cidadãos liberais que acreditamos amantes da democracia com o senhor Hugo Llorens em sua casa na Embaixada norte-americana, com seu assistente apelidado Simons, Patrícia Rodas, Enrique Flores Lanza e o ex-presidente Zelaya e o tema era não haver a pesquisa colocando a palavra ‘Constituinte’, dizíamos a Manuel Zelaya diante do senhor embaixador” (La Prensa, 18/8/2009).
O mesmo jornal já havia noticiado a visita que dois congressistas norte-americanos do Partido Republicano fizeram a Roberto Micheletti no final do mês de julho. Os deputados “puderam observar a paz da cidade de Tegucigalpa”, como afirma um jornal hondurenho apoiador do golpe. O mesmo jornal afirma que “Mack, o republicano de maior importância na subcomissão para a América Latina e da Câmara de Representantes e Bilbray se reuniram em Honduras com o presidente Roberto Micheletti, com representantes da Suprema Corte e do Congresso, empresários e membros de igrejas e da sociedade civil” (La Prensa, 13/8/2009). Os dois rejeitaram chamar o ocorrido em 28 de junho de “golpe de estado. As conclusões dos dois deputados da direita norte-americana mostram que a principal apoiadora do golpe foi a ala direita do imperialismo, sob a cobertura do “democrático” governo Obama.
O apoio ao golpe em Honduras faz parte de uma tentativa de organizar uma ofensiva do imperialismo norte-americano no marco da crise capitalista e da própria dominação imperialista. No mesmo sentido está a instalação das sete bases militares norte-americanas na Colômbia.
Na sexta-feira, dia 14, foi anunciado que as negociações para o acordo militar entre Colômbia e EUA foram encerradas e só faltaria agora uma etapa de conclusão. Os detalhes do documento não foram divulgados, o que deixa claro que o acordo é uma violação aos direitos da população não só dos países envolvidos, mas de todos os povos da América do Sul.
A ofensiva imperialista visa a barrar o avanço do nacionalismo burguês em todo o continente latino-americano.
Essa semana, o Senado colombiano aprovou projeto de lei que prevê a realização de um referendo popular para decidir sobre a modificação da Constituição do país. O interesse é permitir um terceiro mandato para Álvaro Uribe, o principal aliado do imperialismo na região. Sem receio algum de parecer incoerente, o imperialismo e a direita latino-americana, que condenaram as mudanças constitucionais promovidas pelos governos nacionalistas como Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, para permitir sua reeleição, agora aplaudem a decisão do governo colombiano.
A manobra faz parte do “pacote” que o imperialismo e a direita da região estão tentando colocar em prática. Trata-se de garantir um governo de total confiança para esses setores para ter uma posição estratégica diante do avanço do nacionalismo.
A atuação do nacionalismo
Do outro lado está o nacionalismo burguês, liderado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ganha cada vez mais terreno na região. A preocupação do imperialismo em tentar conter esse avanço, é menos um medo dos próprios chavistas, mas um temor do desenvolvimento revolucionário das massas, que está ligado ao nacionalismo.
Isso porque o nacionalismo é uma política que representa os interesses das burguesias nacionais dos países, mas que justamente por isso não consegue ser totalmente independente do imperialismo. Haja vista a enorme fraseologia contra o golpe em Honduras e contra as bases, mas sem que nada de concreto seja feito para derrotar o imperialismo.
O ascenso do nacionalismo é um produto da mobilização das massas. À medida que avança a crise capitalista e, conseqüentemente, a mobilização revolucionária das massas como uma reação a esta, governos burgueses de tipo nacionalista sobem ao poder e ganham terreno sobre o atraso político e a inexperiência das camadas populares. No entanto, por representarem interesses opostos aos das massas, por levarem fundamentalmente uma política burguesa, dividida entre o imperialismo e os interesses da burguesia nativa, colidem com elas, o que pode levar a uma radicalização ainda maior da situação política.
A situação em Honduras, por exemplo, dá o tom do problema. O imperialismo e a direita não conseguem sustentar o golpe, que conta com protestos cada vez maiores e mais radicalizados da população. A situação pode sair do controle do imperialismo e avançar mais à esquerda do que representa o governo nacionalista de Manuel Zelaya.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Só os banqueiros lucram com a crise

O Grupo Santander Brasil, formado pelos bancos Santander e Real, registrou lucro de R$ 1,874 bilhão no primeiro semestre, um crescimento de 13,5% na comparação com o lucro de R$ 1,651 bilhão referente ao mesmo período do ano passado. O Itaú Unibanco, maior banco do país, anunciou nesta terça-feira que teve lucro líquido de R$ 2,015 bilhões no primeiro trimestre de 2009, “Somente o Itaú teve um lucro líquido de R$ 7,71 bilhões [em 2008] ante R$ 7,17 bilhões no exercício anterior, em um incremento de 7,51%. Já o Unibanco apurou resultado de R$ 2,85 bilhões ante R$ 2,60 bilhões em 2007, em um avanço de 9,7%. Ambos os resultados são "pro forma". No último dia 19, o Banco do Brasil apresentou um lucro de R$ 8,8 bilhões em 2008, um crescimento de 74% em relação a 2007. No quarto trimestre do ano passado, o crescimento do lucro foi de 142% sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 2,9 bilhões” (feebpr.org.br/lucroban).
Os bancos estatais também obtiveram lucros gigantescos. “O lucro do Banco do Brasil em 2008 registrou um crescimento de 74% em relação ao de 2007, e ficou R$ 8,8 bilhões. No quarto trimestre do ano passado, o crescimento do lucro foi de 142% sobre o mesmo período de 2007, chegando a R$ 2,9 bilhões. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira. O lucro do Banco do Brasil no ano passado, assim, estabelece um novo recorde” (Idem).
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Produção e exportações derrubam setor automobilístico
Com a política de isenção fiscal para os capitalistas do setor automobilístico, o governo Lula conseguiu fazer com que o mercado nacional de automóveis não perdesse tanto, mas no mercado exterior o quadro é muito diferente.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas de carros para o exterior caíram nada menos que 46,9% entre janeiro e julho de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidos este ano 182 960 mil veículos enquanto que no ano passado as vendas foram de 338 176. Em julho, foram vendidos 26.667 automóveis para fora do País, baixa de 14,7% em relação a junho que vendeu 31.265 mil
Mesmo na modalidade de exportação de veículos desmontados, houve queda de 48,7% nas vendas.
O baixo volume de exportação dos carros produzidos no Brasil reflete a forte recessão existente nos outros países. Alguns compradores dos carros brasileiros, por exemplo, reduziram em até 70% as compras. Dos compradores mais importantes que deixaram de importar os carros brasileiros estão o México e Argentina, que estão igualmente na lona devido os efeitos da crise. Mas a crise é generalizada nos Estados Unidos, na Europa, Japão etc.
Com vendas muito abaixo do esperado, as montadoras também estão diminuindo drasticamente a produção. Nestes sete meses de 2009 a redução do ritmo de produção nas montadoras foi de 10,9%. Isso inevitavelmente acarretou demissões em massa que ainda estão acontecendo.
A política do governo Lula de dar subsídios para os capitalistas deste setor não refletiu em nada para a garantia de empregos e investimentos no setor. Foi apenas um alívio para os cofres particulares dos capitalistas que estavam tendo prejuízo com a recessão.