Uma análise sobre a situação atual da economia brasileira, em relação com o mercado mundial e a crise que se desenrola.
As bolsas caem, as bolsas sobem, mas mesmo o burguês mais otimista não pode deixar de ver que a economia mundial passa por uma nova crise. Na realidade, a continuação da crise que explodiu em 2008... Se aquela apareceu como uma crise no sistema bancário, essa aparece como uma crise fiscal. Entretanto, o que está por trás de ambas é a velha crise de superprodução do capitalismo.
Em 2008/2009 os bancos e as grandes empresas endividadas foram salvas com o dinheiro público. A atual crise econômica, com as dívidas impagáveis dos Estados, tem sua origem principal exatamente nesses trilhões de dólares despejados pelos governos para conter a crise passada. O capitalismo é como um homem doente, em que cada remédio utilizado para prolongar sua vida causa piores efeitos colaterais.
Os governos europeus e dos EUA, para fechar a conta, têm utilizado como palavra da moda a AUSTERIDADE, o seu significado prático é o corte de direitos sociais conquistados pela luta dos trabalhadores, um brutal ataque ao bem-estar social especialmente na Europa.
No Brasil, a crise iniciada em 2008 não foi uma “marolinha”. O PIB em 2009 teve retração, ficando em 0,2% negativo! A saída encontrada pelo governo brasileiro na época foi a mesma dos demais países capitalistas: injeção de dinheiro público para salvar o setor privado, mais de 300 bilhões de reais tiveram esse fim.
Como já analisamos em outros documentos, o crescimento da economia brasileira tem se baseado tanto na abundante entrada de capital internacional atraído pela “paz social” garantida pelo governo de coalizão, quanto no crédito fácil aos consumidores.
Os brasileiros nunca estiveram tão endividados: cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado, financiamento de imóveis e veículos, etc. Apenas o endividamento das pessoas físicas aumentou R$ 168 bilhões nos últimos 2 anos (LCA Consultoria). Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em um ano o número de famílias endividadas subiu 10%, era 54% em junho de 2010 e passou para 64,1% em junho desse ano. Outro dado dessa mesma pesquisa nos mostra que o número de famílias muito endividadas subiu de 12,9% para 16,6% no mesmo período.
Uma outra pesquisa, da agência de avaliação de crédito Serasa Experian, traz outros números preocupantes para os capitalistas: a inadimplência das pessoas físicas subiu 20,6% de janeiro à maio desse ano e a proporção de empréstimos com pagamentos atrasados por mais de 90 dias vêm crescendo rapidamente nos últimos meses e deve chegar a 8% até o final do ano.
O crédito fácil para fazer a economia girar é uma ferramenta limitada e que traz riscos (lembremos as conseqüências dos créditos subprime nos EUA em 2008), os sintomas descritos acima podem ser sinais de que, no Brasil, a utilização do crédito como alavanca para a economia tem chegado ao seu limite. O próprio governo tem utilizado de medidas, como a elevação dos juros, para conter o crédito, mas isso tem causado um endividamento maior das famílias. Uma boa parcela de novos empréstimos não está sendo utilizada para comprar novos bens, mas simplesmente para fazer a conta fechar, para pagar as dívidas anteriores. Menos crédito significa menos consumo, menos demanda, maior dificuldade para fazer a mais-valia se realizar com a venda das mercadorias.
Outro ponto importante é a dívida pública federal brasileira, que é a soma da dívida interna e externa do governo federal. Essa dívida chegou em junho de 2011 a R$ 1,805 trilhão! A dívida pública federal interna aumentou 3,86% em junho em relação ao mês anterior, passando para R$ 1,729 trilhão. A dívida externa declinou 6,29% em relação ao mês anterior, passando de R$ 81,08 bilhões para R$ 75,97 bilhões (US$ 48,67 bilhões), mas se somarmos também a dívida externa privada, o total da dívida externa chegou em maio de 2011 a US$ 389, 43 bilhões
O aumento da dívida pública, apesar de ser um valor estrondoso, não está no mesmo patamar de países com sérias dificuldades como a Grécia, em que a relação dívida/PIB em 2010 ficou em 148,6%; ou a Espanha que, em junho, estava com uma dívida equivalente a 63,6% do PIB; ou mesmo dos EUA que, em agosto, ultrapassou com sua dívida os 100% do PIB. Segundo a Febraban, a dívida pública brasileira deve terminar 2011 equivalendo a 39,2% do PIB.
Apesar da situação fiscal no Brasil não estar tão crítica se comparada a outros países, ela também não está tão confortável e piora velozmente, sendo que essa velocidade pode aumentar com uma nova crise mundial.
O Brasil, como um país semi-colonial, é dependente das economias imperialistas. A crise na Europa e nos EUA terá inevitavelmente seus reflexos na economia nacional. O Brasil blindado é um mito.
Um fator importante na equação da economia brasileira são as exportações de produtos básicos. A China hoje é o maior importador de produtos básicos brasileiros. No primeiro quadrimestre de 2011 a China comprou 29,14% de todos os produtos básicos exportados pelo Brasil. A China sozinha significa para as exportações brasileiras praticamente o mesmo que os EUA e toda a União Européia juntos. Uma crise mundial deve trazer também sérias conseqüências para a China, além de ser a maior detentora de títulos da dívida pública americana, depende em boa medida para seu crescimento do mercado externo.
O ministro da fazenda, Guido Mantega, sabendo que o Brasil não é uma ilha, já anunciou que a ordem na política fiscal agora é a austeridade.
O curioso é que essa austeridade nos gastos públicos tem sido válida só para os gastos sociais, o governo não demonstrou nenhum pudor em gastar R$ 97,8 bilhões apenas com pagamento dos juros da dívida pública no 1º semestre de 2011, dinheiro que foi para os especuladores que investem nos títulos da dívida brasileira, atraídos pelos altos juros. Além de, nesse ano, o tesouro repassar mais R$ 55 bilhões ao BNDES para seus conhecidos empréstimos “de pai pra filho” para a iniciativa privada.
Não podemos esquecer também dos presentes dados aos empresários com o Plano Brasil Maior, entre eles a desoneração da folha de pagamento. Um presente que será pago pelos trabalhadores, como explicamos no artigo “Desonerar a folha é onerar os trabalhadores” –ver o artigo aqui
No inicio do ano, R$ 50 bilhões foram contingenciados do orçamento, ou seja, R$ 50 bilhões que foram aprovados no orçamento de 2011 para ser utilizado com educação, saúde, cultura, infra-estrutura, etc, foram retidos pelo governo. Com o agravamento da crise na semana passada, o governo já anunciou que pretende transformar esse contingenciamento, que geralmente é liberado durante o ano, em corte efetivo da verba!
No 2º semestre teremos uma série de campanhas salariais, as coisas não serão tão fáceis como nos anos anteriores. Especialmente para os servidores públicos. O governo, dando as costas para os trabalhadores para atender os interesses dos patrões, tem alimentado um choque com a classe que o elegeu.
Não podemos prever com exatidão a intensidade e a duração dessa nova crise econômica mundial e, portanto, da crise no Brasil. Assim como não podemos prever com absoluta certeza o nível de acirramento da luta de classes no Brasil e no mundo no próximo período.
Entretanto, é nítido que uma nova crise se abate sobre a economia mundial e temos diversos exemplos do aumento da luta de classes (revolução árabe, greves gerais na Grécia, jovens nas ruas da Espanha, do Chile e mesmo a rebelião em Londres). Esse contexto mundial está presente e influenciando a situação brasileira, certamente não teremos o mesmo nível de crescimento econômico experimentado no último período (o próprio governo admite isso) e também temos demonstrações de uma elevação de tom do movimento operário (notem as últimas resoluções da CUT).
Devemos estar atentos para essas mudanças na situação política para estarmos em sintonia com a classe trabalhadora, lado a lado em suas lutas, explicando pacientemente e da forma mais adequada o que ocorre e a necessária luta em direção à tomada do poder para acabar com esse sistema contraditório, em que tanta riqueza é produzida e tanta pobreza se abate sobre a maioria do povo.
"As armas da crítica não podem, de fato, substituir a crítica das armas; a força material tem de ser deposta por força material, mas a teoria também se converte em força material uma vez que se apossa dos homens. A teoria é capaz de prender os homens desde que demonstre sua verdade face ao homem, desde que se torne radical. Ser radical é atacar o problema em suas raízes. Para o homem, porém, a raiz é o próprio homem" KARL MARX
"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher
"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher
terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Espanha já tem mais de 10 milhões de pobres
A crise econômica na Europa já deixa 20% da população espanhola na linha da pobreza
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pobres na Espanha cresceu mais de 7% nos últimos 20 anos. Segundo a pesquisa, um em cada cinco espanhóis pode ser considerado pobre, o que é equivalente a 21% da população ou 10 milhões de pessoas.
Em 1991 este mesmo índice era de 14%. De acordo com os parâmetros do governo espanhol, os pobres são classificados com renda familiar abaixo de 570 euros mensais o equivalente a R$ 1.300. Já as famílias com renda inferior a 215 euros ou R$ 490 são classificadas como de pobreza extrema.
A pesquisa ainda revelou que uma em cada quatro famílias espanholas não tem dinheiro para quitar as dívidas. O nível de desemprego no País é bastante assustador. São quase cinco milhões de desempregados, mais de 20% da população economicamente ativa. O desemprego atinge famílias inteiras. No primeiro trimestre deste ano, 11% das famílias espanholas tinham todos os integrantes desempregados. Há dois anos, em 2009, este percentual era de 4%.
Com este exército de desempregados, há uma massa descomunal de pessoas dependendo de programas sociais para sobreviver. Os mais necessitados deste “expediente” estão na faixa etária de 20 a 40 anos, com formação profissional e que antes da atual recessão eram bem remunerados e também proprietários de imóveis, ou seja, a maioria de classe média.
O desemprego em algumas camadas da população já se tornou crônico. Centenas de milhares de pessoas estão desempregadas há vários meses. Segundo a ONG Cáritas-Espanha, que antigamente ajudava principalmente imigrantes, ciganos e indigentes passou a receber pedidos de famílias espanholas de classe média, "com a falta de ofertas de trabalho, essas pessoas [de classe média] passaram a ser desempregados de longo prazo. Trata-se de uma crise que está mudando a vida das pessoas de maneira radical(...) tinham créditos bancários para pagar casas e carros e não sobravam recursos para economizar. Hoje solicitam caridade envergonhados. Jamais pensaram que passariam por isso", " (BBC, 16/8/2011).
E mesmo a ajuda governamental é demorada. O prazo mínimo para atendimento nos programas públicos é de 65 dias. No ano passado, 950 mil pessoas requisitaram o auxílio “caridade” da ONG, entre 2009 e 2010 os pedidos aumentaram 35%.
Os níveis de pobreza da Espanha é um dos maiores dos 27 países da União Européia ficando bem perto da Romênia, Letônia e Bulgária.
O estouro da bolha imobiliária
Esta “próspera” economia entrou em crise também por meio da crise do mercado imobiliário que estava supervalorizado e que produziu uma bolha financeira que agora está afundando o País.
Entre os anos de 1994 e 2007 os imóveis espanhóis estavam valorizados até 175% e as ações no mercado financeiro subiram 130%.
A Espanha é um dos cinco mais importantes países da zona do euro que há seis anos tinha um mercado de trabalho considerado bastante promissor que empregava cerca de 500 mil pessoas por ano, entre elas muitos imigrantes.
A crise na Espanha é um reflexo direto do desenvolvimento da crise econômica europeia que está chegando aos grandes países da zona do euro como Itália, Alemanha e França o que pode levar toda região ao colapso econômico.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Operários das obras do Maracanã fazem paralisação
Mais de 1.500 operários que estão realizando as obras do Maracanã, no Rio de Janeiro, realizaram uma paralisação como forma de protestar contra as péssimas condições de trabalho e baixos salários.
De acordo com os trabalhadores, o estopim da greve foi a explosão de um barril que deixou um operário gravemente ferido. Ainda segundo os manifestantes, a vítima teve cortes profundos quando tentava lixar um tonel com resíduos inflamáveis para fazer uma lata de lixo.
Além da revolta pelas péssimas condições de trabalho, outra reivindicação da categoria é o aumento dos salários para R$ 1.180, auxílio refeição de R$ 110 e inclusão de plano de saúde.
A paralisação mostra a enorme tendência de luta dos trabalhadores, que como fica evidente com várias outras categorias, não estão minimamente dispostos a aguentar os ataques dos patrões. A categoria deve não só manter os protestos, como amplia-los. Essa é a única linguem que os patrões reconhecem e a única forma que os trabalhadores têm para garantir seus direitos.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Flagrantes mostram roupas da Zara sendo fabricadas por escravos
Por três vezes, equipes de fiscalização do governo federal flagraram em São Paulo trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.
A apuração é de Bianca Pyl e Maurício Hashizume, da Repórter Brasil – que acompanhou as mesmas ações retratadas na noite desta terça pelo programa A Liga, na TV Bandeirantes, e levou o nome da Zara aos TTs mundiais no microblog Twitter. Os dois jornalistas esmiuçaram o processo de produção e comercialização da empresa e trazem um relato completo do que pode estar por trás do mundo da moda:
Na mais recente operação que vasculhou subcontratadas de uma das principais “fornecedoras” da rede, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas – uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte. Para sair da oficina que também era moradia, era preciso pedir autorização.
“Por se tratar de uma grande marca, que está no mundo todo, a ação se torna exemplar e educativa para todo o setor”, coloca Giuliana Cassiano Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização. A ação, complementa Giuliana, serve também para mostrar a proximidade da escravidão com pessoas comuns, por meio dos hábitos de consumo. “Mesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo.”A investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) – que culminou na inspeção realizada no final de junho – se iniciou a partir de uma outra fiscalização realizada em Americana (SP), no interior, ainda em maio. Na ocasião, 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes; parte do grupo costurava calças da Zara. As informações puderam ser liberadas agora para não prejudicar os trabalhadores e o processo de fiscalização.
O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pela Repórter Brasil, incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Apesar do clima de medo entre as vítimas, um dos trabalhadores explorados confirmou que só conseguia sair da casa com a autorização do dono da oficina, só concedida em casos urgentes, como quando levou seu filho ao médico.
Quem vê as blusas de tecidos finos e as calças da estação nas vitrines das lojas da Zara não imagina que, algumas delas, foram feitas em ambientes apertados, sem ventilação, sujos, com crianças circulando entre as máquinas de costura e a fiação elétrica toda exposta. Principalmente porque as peças custam caro. Por fora, as oficinas parecem residências, mas todas têm em comum as poucas janelas sempre fechadas e com tecidos escuros para impedir a visão do que acontece do lado de dentro das oficinas improvisadas.
As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru, país de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Em busca de melhores condições de vida, deixam os seus países em busca do “sonho brasileiro”. Quando chegam aqui, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil. Durante a operação, auditores fiscais apreenderam dois cadernos com anotações de dívidas referentes à “passagem” e a “documentos”, além de “vales” que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a sua dívida. Os cadernos mostram alguns dos salários recebidos pelos empregados: de R$ 274 a R$ 460, bem menos que o salário mínimo vigente no país, que é de R$ 545.
As oficinas de costura inspecionadas não respeitavam nenhuma norma referente à Saúde e Segurança do Trabalho. Além da sujeira, os trabalhadores conviviam com o perigo iminente de incêndio, que poderia tomar grandes proporções devido a quantidade de tecidos espalhados pelo chão e à ausência de janelas, além da falta de extintores de incêndio. Após um dia extenuante de trabalho, os costureiros, e seus filhos, ainda eram obrigados a tomar banho frio. Os chuveiros permaneciam desligados por conta da sobrecarga nas instalações elétricas, feitas sem nenhum cuidado, que aumentavam os riscos de incêndio.
Para Giuliana, a superexploração dos empregados, que têm seus direitos laborais e previdenciários negados, tem o aumento das margens de lucro como motivação. “Com isso, há uma redução do preço dos produtos, caracterizando o dumping social, uma vantagem econômica indevida no contexto da competição no mercado, uma concorrência desleal”.As cadeiras onde os trabalhadores passavam sentados por mais de 12 horas diárias eram completamente improvisadas. Alguns colocavam espumas para torná-las mais confortáveis. As máquinas de costura não possuíam aterramento e tinham a correia toda exposta (foto acima). O descuido com o equipamento fundamental de qualquer confecção ameaçava especialmente as crianças, que circulavam pelo ambiente e poderiam ser gravemente feridas (dedos das mãos decepados ou até escalpelamento).
Para Giuliana, a superexploração dos empregados, que têm seus direitos laborais e previdenciários negados, tem o aumento das margens de lucro como motivação. “Com isso, há uma redução do preço dos produtos, caracterizando o dumping social, uma vantagem econômica indevida no contexto da competição no mercado, uma concorrência desleal”.As cadeiras onde os trabalhadores passavam sentados por mais de 12 horas diárias eram completamente improvisadas. Alguns colocavam espumas para torná-las mais confortáveis. As máquinas de costura não possuíam aterramento e tinham a correia toda exposta (foto acima). O descuido com o equipamento fundamental de qualquer confecção ameaçava especialmente as crianças, que circulavam pelo ambiente e poderiam ser gravemente feridas (dedos das mãos decepados ou até escalpelamento).
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lavrou 52 autos de infração contra a Zara devido as irregularidades nas duas oficinas. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas quéchua e aimará. De acordo com a análise feita pelos auditores, restou claro que o tratamento dispensado aos indígenas era bem pior que ao dirigido aos não-indígenas.
A primeira oficina vistoriada mantinha seis pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condições de trabalho escravo. No momento da fiscalização, os empregados finalizavam blusas da Coleção Primavera-Verão da Zara, na cor azul e laranja (fotos acima). Para cada peça feita, o dono da oficina recebia R$ 7. Os costureiros declararam que recebiam, em média, R$ 2 por peça costurada. No dia seguinte à ação, 27 de junho, a reportagem foi até uma loja da Zara na Zona Oeste de São Paulo (SP), e encontrou uma blusa semelhante, fabricada originalmente na Espanha, sendo vendida por R$ 139.
De outra oficina localizada em movimentada avenida do Centro, foram resgatadas nove pessoas que produziam uma blusa feminina e vestidos para a mesma coleção Primavera-Verão da Zara. A intermediária AHA pagava cerca de R$ 7 por cada peça para a dona da oficina, que repassava R$ 2 aos trabalhadores. Peça semelhante a que estava sendo confeccionada foi encontrada em loja da marca com o preço de venda de R$ 139. Uma jovem de 20 anos, vinda do Peru, disse à reportagem que chegou a costurar 50 vestidos em um único dia. Em condições normais, estimou com Maria Susicléia Assis, do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, seria preciso um tempo muito maior para que a mesma quantidade da difícil peça de vestuário fosse toda costurada.
Foi apurado que até a escolha dos tecidos era feita pelo Departamento de Produtos da Zara. O fabricante terceirizado encaminhava peças piloto por conta própria para a matriz da Zara (Inditex) na Espanha, após a aprovação de um piloto pela gerente da Zara Brasil. Somente após a anuência final da Europa, o pedido oficial era emitido para o recebimento das etiquetas. Na opinião de Luís Alexandre Faria, auditor fiscal que comandou as investigações, a empresa faz de tudo, porém, para não “aparecer” no processo.
Para a fiscalização trabalhista, não pairam dúvidas acerca do gerenciamento da produção por parte da Zara. Entre os atos típicos de poder diretivo, os agentes ressaltaram “ordens verbais, fiscalização, controle, e-mails solicitando correção e adequação das peças, controle de qualidade, reuniões de desenvolvimento, cobrança de prazos de entrega etc.”
Em resposta a questões sobre os ocorridos enviadas pela Repórter Brasil, a Inditex – que é dona da Zara e de outras marcas de roupa com milhares de lojas espalhadas mundo afora – classificou o caso envolvendo a AHA e as oficinas subcontratadas como “terceirização não autorizada” que “violou seriamente” o Código de Conduta para Fabricantes. De acordo com a Inditex, o Código de Conduta determina que qualquer subcontração deve ser autorizada por escrito pela Inditex. A assinatura do Código do Conduta é obrigatória para todos os fornecedores da companhia e foi assumido pelo fornecedor em questão (AHA).
A empresa disse ter agido para que o fornecedor responsável pela “terceirização ão autorizada” pudesse “solucionar” a situação imediatamente, assumindo as compensações econômicas dos trabalhadores e comprometendo-se a corrigir as condições de trabalho da oficina flagrada com escravidão.
Haverá, segundo a Inditex, um reforço na revisão do sistema de produção para garantir que não exista outro caso como este. “Estamos trabalhando junto com o MTE para a erradicação total destas práticas que violam não só nosso rígido Código de Conduta, como também a legislação trabalhista brasileira e internacional”. Em 2010, a Inditex produziu mais de 7 milhões de unidades de peças no Brasil, desenvolvidas, segundo a empresa, por cerca de 50 fornecedores que somam “mais de 7 mil trabalhadores”. O total de peças que estava sendo produzido irregularmente (algumas centenas de peças), adicionou a Inditex, representa “uma porcentagem inferior a 0,03%” da produção do grupo, que é um dos maiores do mundo no segmento, no país
Marcadores:
Leonardo Sakamoto - UOL notícias - Cotidiano
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A ideologia Slow: da ecogastronomia à crítica da velocidade como vetor da globalização capitalista
"Há uma cultura equivocada da eficiência que relaciona um modo de vida do tipo workaholic como sinal de produtividade. Esta cultura da colonização da vida pessoal pelo trabalho está crescendo e produzindo mais doenças relacionadas ao estresse profissional do que efetiva produtividade”, declara Isabel Carvalho, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail. Segundo ela, a vida tumultuada da modernidade está interferindo na saúde da população, especialmente porque as pessoas não conseguem dedicar tempo para preparar uma alimentação saudável. "Quem hoje tem condições de investir um tempo significativo na seleção e preparo de alimentos frescos para si e sua família?”, questiona.
Na avaliação da pesquisadora, a indústria alimentícia relacionada às mídias determina "muito do que comemos”. Apesar disso, "o consumo tem se tornado um campo de luta política, de ações afirmativas e, portanto, um campo de possíveis contestações e dissidências em relação às políticas da indústria do alimento e das mídias que trabalham para vender esses produtos”.
Com base no conceito de Slow Food, Isabel Carvalho propõe uma ecogastronomia, quer dizer, a alimentação saudável deve ser entendida como um direito dos cidadãos. "A gastronomia como um direito humano já nasce em profunda sintonia com o movimento ecológico”, aponta.
Os temas desta entrevista serão aprofundados na palestra A ideologia Slow: da ecogastronomia à crítica da velocidade como vetor da globalização capitalista. Um movimento social sem pressa é possível, que acontece nesta quinta-feira, às 17h30, na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU.
Isabel Carvalho possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, especialização em Psicanálise pela Universidade Santa Úrsula, no RJ, mestrado em Psicologia da Educação pela Fundação Getúlio Vargas, neste mesmo estado, e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que podemos compreender por ideologia slow?
Isabel Carvalho – O ponto de partida do slow é a valorização do alimento como cultura e a defesa dos saberes, modos de vida, formas de produzir e estilos de consumir relacionados a uma comida saudável, limpa e justa. O movimento, assim conhecido, slow conjuga alimentação e gosto, mudança social e bem viver. A afirmação de identidades alimentares contra a padronização ganha materialidade nas chamadas "comunidades do alimento”. Trata-se de promover redes de agricultores, criadores, pescadores e produtores artesanais ao redor do mundo em torno de cadeias produtivas alimentares boas, justas e limpas. Slow atitude, ou "atitude sem pressa”, é parte deste estilo de viver, produzir e consumir que valoriza a biodiversidade e a sociodiversidade, bem como um ideal de bem viver que considera o direito ao tempo e aos prazeres de uma vida simples, recusando-se a ideologia que associa aceleração, eficiência e consumo ilimitado como ideal de uma vida bem sucedida.
Ao denunciar os dispositivos de sequestro do tempo e do empobrecimento da experiência humana, o movimento Slow critica um dos motores da sociedade da produção e consumo acelerados que eu chamaria de ansiedade improdutiva. Uma espécie de combustível desta sociedade, este sintoma psicossocial é a contrapartida psíquica da urgência e do clima persecutório que nos envolvem produzindo uma patologia social que tem feito das fobias e depressões um traço quase epidêmico dos tempos que vivemos. No contraponto, o movimento Slow defende ambientes de trabalho e de convivência menos coercitivos e, portanto, mais produtivos e criativos, bem como uma atitude reflexiva e serena face às nossas expectativas de aquisição e consumo.
Assim, o slowfood entrou em estreita sinergia com lutas altermundistas pelo comércio justo bem como com lutas socioambientais por modos de produção, produtos, produtores e consumidores ecológicos. Além disto, promete uma interessante fusão da dimensão prazerosa e sofisticada da ecogastronomia com os ideais de solidariedade e de convívio preconizados pelos defensores de uma vida simples ou "simplicidade voluntária”, como caminho para uma existência ecologicamente orientada.
IHU On-Line – E ecogastronomia, o que exatamente quer dizer?
Isabel Carvalho – Como se pode observar, entra na pauta slow uma agenda de proteção a um patrimônio de bens biológicos, sociais e culturais em risco de extinção. Tomada nesta perspectiva, a gastronomia como um direito humano já nasce em profunda sintonia com o movimento ecológico, o que se enfatiza na expressão que representa este movimento: a ecogastronomia. A adição do prefixo "eco” à ideia da boa alimentação como um direito significou uma importante conexão. Petrini, fundador e presidente do movimento Slow internacional, declarou sua intenção ao fixar esta nova sintaxe. O movimento pretendeu estender o mesmo tipo de atenção que o ambientalismo dedica aos animais selvagens ameaçados às plantas e animais domesticados, incorporando as ideias de defesa de alimentos "ameaçados” pela redução da biodiversidade das espécies comestíveis em nossa dieta.
De acordo com o sítio Slow Food Brasil, o conceito de ecogastronomia, "restitui ao alimento sua dignidade cultural, favorece a sensibilidade do gosto e luta pela preservação e uso sustentável da biodiversidade. Protege espécies vegetais e raças animais, contribuindo com a defesa do meio ambiente, da cozinha típica regional, dos produtos saborosos e do prazer da alimentação.”
IHU On-Line – Em que medida esse tipo de gastronomia está em sintonia com a sustentabilidade do planeta e da busca por uma alimentação de mais qualidade para os seres humanos?
Isabel Carvalho – A proposta desenvolvida por Carlo Petrini e os membros do Slow Food propõe um novo senso de responsabilidade na busca do prazer. É uma atitude capaz de combinar o respeito à diversidade das culturas do alimento. Neste sentido, poderíamos dizer que o ele sugere cultivar o interesse não apenas por uma ecogastronomia, mas também o que poderíamos chamar de uma etnogastronomia. Trata-se de valorizar aqueles que lutam para defender os modos culturais de produzir e preparar os alimentos bem como a biodiversidade no mundo todo.
Ainda dentro do princípio da ecogastronomia, o Slow Food apoia um novo modelo de agricultura, que é menos intensivo e mais saudável e sustentável, com base no conhecimento das comunidades locais. Este é o único tipo de agricultura capaz de oferecer formas de desenvolvimento para as regiões mais pobres de nosso planeta.
IHU On-Line – Poderia explicitar em que medida se relacionam a crítica da velocidade como vetor da globalização capitalista e a alimentação inadequada que vem crescendo?
Isabel Carvalho – Esta relação tem sido apontada por estudos de saúde pública e nutricional em sociedades industrializadas. A velocidade e a superexploração do trabalho, bem como as condições de vida que reservam, aos trabalhadores mais pobres, as maiores distâncias de casa e os piores meios de transporte, levam a uma vida com menor tempo para os cuidados humanos essenciais, como a alimentação. Mas o problema não se restringe as camadas mais pobres. Também os segmentos de trabalhadores melhor remunerados, que podem se localizar na cidade de forma mais próxima a seu trabalho e que têm acesso a meios de transporte mais confortáveis e rápidos e pode investir recursos financeiros em uma boa alimentação, também estão sobrecarregados. Há uma cultura equivocada da eficiência que relaciona um modo de vida do tipo workaholic como sinal de produtividade. Esta cultura da colonização da vida pessoal pelo trabalho está crescendo e produzindo mais doenças relacionadas ao estresse profissional do que efetiva produtividade. Quem hoje tem condições de investir um tempo significativo na seleção e preparo de alimentos frescos para si e sua família? Pouca gente tem.
IHU On-Line – Como podemos compreender o paradoxal aumento da obesidade e a continuidade da fome no mundo? O que há de errado na alimentação global?
Isabel Carvalho – Parece que não há nada de paradoxal nisso, se pensarmos em alguns fatores que estão relacionados a este fenômeno. Em primeiro lugar, a desigualdade na distribuição da riqueza na sociedade, o que se expressa numa dieta pobre em proteínas e rica em carboidrato para populações pobres. Depois, temos também a má alimentação que leva a obesidade estar relacionada não apenas à ingestão demasiada de alimentos, mas à ingestão de alimentos caracterizados por altas calorias e vazios em nutrientes, tipicamente alimentos prontos e industrializados, refrigerantes e outros itens que são de rápido consumo e baratos. A má alimentação não é privilégio de uma classe social; ela pode acontecer em todas as classes sociais. Mas penso que as populações mais pobres têm menos alternativas para investir tempo e recursos numa alimentação saudável.
IHU On-Line – Quem determina o que consumimos, o que comemos, o que está à disposição no supermercado?
Isabel Carvalho – Há uma indústria do alimento relacionada às mídias que promove estes alimentos e que determina muito do que comemos. Mas há também o poder de autodeterminação e de crítica do consumidor. O consumo, hoje, tem se tornado um campo de luta política, de ações afirmativas e, portanto, um campo de possíveis contestações e dissidências em relação às políticas da indústria do alimento e das mídias que trabalham para vender esses produtos. O movimento Slow é um exemplo, mas não o único. Os movimentos de consumidores que valorizam produtos ecológicos, por exemplo, tem forçado os supermercados a incluírem estes produtos em sua cesta de opções. Os consumidores que buscam produtos sem lactose ou sem glúten é outro exemplo.
Ainda estamos longe da situação ideal, porque nestes casos se trata de produtos mais caros e em pequena proporção dentro das grandes redes de supermercados. De qualquer modo, as mudanças são um indicador de que o mercado está atento para os movimentos e as preferências dos "consumidores alternativos”. Para compreender este fenômeno, vale a pena ler o excelente trabalho da professora Julia Guivant, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, que tem pesquisado a relação entre consumo e mercado de orgânicos em grandes redes de supermercados.
IHU On-Line – Qual seu ponto de vista sobre a ligação entre personagens infantis a alimentos industrializados e altamente calóricos?
Isabel Carvalho – Sou a favor de um controle da mídia relativo à propaganda de alimentos aos quais você se refere (junk food) para crianças. As crianças não têm ainda capacidade crítica para decidir e são induzidas a uma má alimentação por personagens e recursos midiáticos que são parte de campanhas publicitárias da indústria de alimentos voltada para conquistar segmentos infantis. Penso que deve haver uma regulação que imponha responsabilidade social e cuidado com a saúde pública para a indústria de alimentos.
Na avaliação da pesquisadora, a indústria alimentícia relacionada às mídias determina "muito do que comemos”. Apesar disso, "o consumo tem se tornado um campo de luta política, de ações afirmativas e, portanto, um campo de possíveis contestações e dissidências em relação às políticas da indústria do alimento e das mídias que trabalham para vender esses produtos”.
Com base no conceito de Slow Food, Isabel Carvalho propõe uma ecogastronomia, quer dizer, a alimentação saudável deve ser entendida como um direito dos cidadãos. "A gastronomia como um direito humano já nasce em profunda sintonia com o movimento ecológico”, aponta.
Os temas desta entrevista serão aprofundados na palestra A ideologia Slow: da ecogastronomia à crítica da velocidade como vetor da globalização capitalista. Um movimento social sem pressa é possível, que acontece nesta quinta-feira, às 17h30, na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no IHU.
Isabel Carvalho possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, especialização em Psicanálise pela Universidade Santa Úrsula, no RJ, mestrado em Psicologia da Educação pela Fundação Getúlio Vargas, neste mesmo estado, e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que podemos compreender por ideologia slow?
Isabel Carvalho – O ponto de partida do slow é a valorização do alimento como cultura e a defesa dos saberes, modos de vida, formas de produzir e estilos de consumir relacionados a uma comida saudável, limpa e justa. O movimento, assim conhecido, slow conjuga alimentação e gosto, mudança social e bem viver. A afirmação de identidades alimentares contra a padronização ganha materialidade nas chamadas "comunidades do alimento”. Trata-se de promover redes de agricultores, criadores, pescadores e produtores artesanais ao redor do mundo em torno de cadeias produtivas alimentares boas, justas e limpas. Slow atitude, ou "atitude sem pressa”, é parte deste estilo de viver, produzir e consumir que valoriza a biodiversidade e a sociodiversidade, bem como um ideal de bem viver que considera o direito ao tempo e aos prazeres de uma vida simples, recusando-se a ideologia que associa aceleração, eficiência e consumo ilimitado como ideal de uma vida bem sucedida.
Ao denunciar os dispositivos de sequestro do tempo e do empobrecimento da experiência humana, o movimento Slow critica um dos motores da sociedade da produção e consumo acelerados que eu chamaria de ansiedade improdutiva. Uma espécie de combustível desta sociedade, este sintoma psicossocial é a contrapartida psíquica da urgência e do clima persecutório que nos envolvem produzindo uma patologia social que tem feito das fobias e depressões um traço quase epidêmico dos tempos que vivemos. No contraponto, o movimento Slow defende ambientes de trabalho e de convivência menos coercitivos e, portanto, mais produtivos e criativos, bem como uma atitude reflexiva e serena face às nossas expectativas de aquisição e consumo.
Assim, o slowfood entrou em estreita sinergia com lutas altermundistas pelo comércio justo bem como com lutas socioambientais por modos de produção, produtos, produtores e consumidores ecológicos. Além disto, promete uma interessante fusão da dimensão prazerosa e sofisticada da ecogastronomia com os ideais de solidariedade e de convívio preconizados pelos defensores de uma vida simples ou "simplicidade voluntária”, como caminho para uma existência ecologicamente orientada.
IHU On-Line – E ecogastronomia, o que exatamente quer dizer?
Isabel Carvalho – Como se pode observar, entra na pauta slow uma agenda de proteção a um patrimônio de bens biológicos, sociais e culturais em risco de extinção. Tomada nesta perspectiva, a gastronomia como um direito humano já nasce em profunda sintonia com o movimento ecológico, o que se enfatiza na expressão que representa este movimento: a ecogastronomia. A adição do prefixo "eco” à ideia da boa alimentação como um direito significou uma importante conexão. Petrini, fundador e presidente do movimento Slow internacional, declarou sua intenção ao fixar esta nova sintaxe. O movimento pretendeu estender o mesmo tipo de atenção que o ambientalismo dedica aos animais selvagens ameaçados às plantas e animais domesticados, incorporando as ideias de defesa de alimentos "ameaçados” pela redução da biodiversidade das espécies comestíveis em nossa dieta.
De acordo com o sítio Slow Food Brasil, o conceito de ecogastronomia, "restitui ao alimento sua dignidade cultural, favorece a sensibilidade do gosto e luta pela preservação e uso sustentável da biodiversidade. Protege espécies vegetais e raças animais, contribuindo com a defesa do meio ambiente, da cozinha típica regional, dos produtos saborosos e do prazer da alimentação.”
IHU On-Line – Em que medida esse tipo de gastronomia está em sintonia com a sustentabilidade do planeta e da busca por uma alimentação de mais qualidade para os seres humanos?
Isabel Carvalho – A proposta desenvolvida por Carlo Petrini e os membros do Slow Food propõe um novo senso de responsabilidade na busca do prazer. É uma atitude capaz de combinar o respeito à diversidade das culturas do alimento. Neste sentido, poderíamos dizer que o ele sugere cultivar o interesse não apenas por uma ecogastronomia, mas também o que poderíamos chamar de uma etnogastronomia. Trata-se de valorizar aqueles que lutam para defender os modos culturais de produzir e preparar os alimentos bem como a biodiversidade no mundo todo.
Ainda dentro do princípio da ecogastronomia, o Slow Food apoia um novo modelo de agricultura, que é menos intensivo e mais saudável e sustentável, com base no conhecimento das comunidades locais. Este é o único tipo de agricultura capaz de oferecer formas de desenvolvimento para as regiões mais pobres de nosso planeta.
IHU On-Line – Poderia explicitar em que medida se relacionam a crítica da velocidade como vetor da globalização capitalista e a alimentação inadequada que vem crescendo?
Isabel Carvalho – Esta relação tem sido apontada por estudos de saúde pública e nutricional em sociedades industrializadas. A velocidade e a superexploração do trabalho, bem como as condições de vida que reservam, aos trabalhadores mais pobres, as maiores distâncias de casa e os piores meios de transporte, levam a uma vida com menor tempo para os cuidados humanos essenciais, como a alimentação. Mas o problema não se restringe as camadas mais pobres. Também os segmentos de trabalhadores melhor remunerados, que podem se localizar na cidade de forma mais próxima a seu trabalho e que têm acesso a meios de transporte mais confortáveis e rápidos e pode investir recursos financeiros em uma boa alimentação, também estão sobrecarregados. Há uma cultura equivocada da eficiência que relaciona um modo de vida do tipo workaholic como sinal de produtividade. Esta cultura da colonização da vida pessoal pelo trabalho está crescendo e produzindo mais doenças relacionadas ao estresse profissional do que efetiva produtividade. Quem hoje tem condições de investir um tempo significativo na seleção e preparo de alimentos frescos para si e sua família? Pouca gente tem.
IHU On-Line – Como podemos compreender o paradoxal aumento da obesidade e a continuidade da fome no mundo? O que há de errado na alimentação global?
Isabel Carvalho – Parece que não há nada de paradoxal nisso, se pensarmos em alguns fatores que estão relacionados a este fenômeno. Em primeiro lugar, a desigualdade na distribuição da riqueza na sociedade, o que se expressa numa dieta pobre em proteínas e rica em carboidrato para populações pobres. Depois, temos também a má alimentação que leva a obesidade estar relacionada não apenas à ingestão demasiada de alimentos, mas à ingestão de alimentos caracterizados por altas calorias e vazios em nutrientes, tipicamente alimentos prontos e industrializados, refrigerantes e outros itens que são de rápido consumo e baratos. A má alimentação não é privilégio de uma classe social; ela pode acontecer em todas as classes sociais. Mas penso que as populações mais pobres têm menos alternativas para investir tempo e recursos numa alimentação saudável.
IHU On-Line – Quem determina o que consumimos, o que comemos, o que está à disposição no supermercado?
Isabel Carvalho – Há uma indústria do alimento relacionada às mídias que promove estes alimentos e que determina muito do que comemos. Mas há também o poder de autodeterminação e de crítica do consumidor. O consumo, hoje, tem se tornado um campo de luta política, de ações afirmativas e, portanto, um campo de possíveis contestações e dissidências em relação às políticas da indústria do alimento e das mídias que trabalham para vender esses produtos. O movimento Slow é um exemplo, mas não o único. Os movimentos de consumidores que valorizam produtos ecológicos, por exemplo, tem forçado os supermercados a incluírem estes produtos em sua cesta de opções. Os consumidores que buscam produtos sem lactose ou sem glúten é outro exemplo.
Ainda estamos longe da situação ideal, porque nestes casos se trata de produtos mais caros e em pequena proporção dentro das grandes redes de supermercados. De qualquer modo, as mudanças são um indicador de que o mercado está atento para os movimentos e as preferências dos "consumidores alternativos”. Para compreender este fenômeno, vale a pena ler o excelente trabalho da professora Julia Guivant, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, que tem pesquisado a relação entre consumo e mercado de orgânicos em grandes redes de supermercados.
IHU On-Line – Qual seu ponto de vista sobre a ligação entre personagens infantis a alimentos industrializados e altamente calóricos?
Isabel Carvalho – Sou a favor de um controle da mídia relativo à propaganda de alimentos aos quais você se refere (junk food) para crianças. As crianças não têm ainda capacidade crítica para decidir e são induzidas a uma má alimentação por personagens e recursos midiáticos que são parte de campanhas publicitárias da indústria de alimentos voltada para conquistar segmentos infantis. Penso que deve haver uma regulação que imponha responsabilidade social e cuidado com a saúde pública para a indústria de alimentos.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Uruguai - Megaempreendimento de celulose à custa da soberania do país
O presidente uruguaio José Mujica adiou o projeto que pretendia aprovar o Imposto à Concentração de Imóveis Rurais (ICIR) para as propriedades rurais maiores que 2.000 hectares, devido às cláusulas do contrato secreto fechado com o consórcio multinacional Montes del Plata. O consórcio é a união entre a Arauco, uma empresa chilena controlada por capitais especulativos imperialistas, segunda maior produtora mundial de celulose e que possui o maior patrimônio florestal da América Latina, e a Store Enso, de origem sueco-filandesa, maior produtora mundial de papel e cartão; possui o maior latifúndio do país: 250.000 hectares de terra destinadas à plantação de monoculturas de eucaliptos. No município de Conchillas, no departamento de Colônia, no mês de maio, foi iniciada a construção de uma fábrica de celulose com capacidade de produção de 1.450.000 toneladas, mesmo sem ter recebido a liberação ambiental da Direção Nacional de Meio Ambiente (DINAMA). A maioria dos 6.000 trabalhadores que serão contratados por dois anos para a realização da obra serão estrangeiros.
O ICIR afetaria 1.200 proprietários rurais, 2,5 % do total, que concentram 36% das terras do país. O preço da hectare de terra passou de US$ 340 em 1989 para US$ 3.114 em 2009, representando 25% de valorização anual nos últimos cinco anos, o que tem refletido a movimentação de capitais especulativos a partir dos países imperialistas devido ao esgotamento da especulação imobiliária, e a transformação dos países da América Latina em produtores de commodities para serem negociadas nos mercados futuros e de derivativos mundiais. Os impostos para o setor caíram 30% nos últimos dez anos, e a concentração da propriedade da terra tem aumentado sensivelmente (índice Gini de 0,76: a maior proximidade do número 1, indica maior grau de concentração).
O contrato secreto com a Montes del Plata revela o caráter pró-imperialista do governo esquerdista da Frente Ampla
O contrato, revelado pela revista uruguaia Búsqueda, tem uma cláusula de confidencialidade, segundo a qual as partes se comprometem a não revelar o seu conteúdo. Entre os benefícios outorgados, o governo se compromete a compensar à empresa no caso de ocorrerem “mudanças significativas no regime tributário ou em questão de licenças e autorizações que irão afetar negativamente as condições econômicas do projeto”. A empresa operará em regime de zona franca (onde não incidem os impostos locais), podendo ampliar a área máxima autorizada, que hoje é de 361 hectares, ficando livre para solicitar a ampliação do local, se futuramente a fábrica aumentar ou forem incorporadas outras industrias no complexo. Foi autorizada uma porcentagem maior de empregados estrangeiros, que, de acordo com a lei atual, deveria ser de no máximo 25%.
O governo se compromete a facilitar a aquisição de uma área de 100.000 hectares dentro do raio de 200 quilômetros da fábrica, e a facilitar a substituição das áreas que ficarem localizadas mais longe. A empresa ficará desobrigada a cumprir a lei de segurança fronteiriça, que proíbe que os estrangeiros sejam donos de terras numa faixa de 20 quilômetros em área de fronteira seca ou fluvial. O Instituto de Colonização repassará o direito de compra de terras para a Monte del Plata, caso os proprietários rurais da região se disponham a vendê-las. As empresas anônimas subsidiárias da Monte del Plata poderão possuir propriedades rurais, contradizendo a legislação atual, e ainda ficarão isentas de impostos.
O governo “de esquerda” uruguaio, além de entregar a soberania nacional, tem promovido a ampla expansão da monocultura de soja e eucaliptos, inclusive permitindo o uso de sementes transgênicas, ocasionando a degradação e poluição do solo e dos recursos hídricos. O objetivo principal é gerar recursos para o sistema financeiro mundial, dominado por um punhado de especuladores imperialistas, através do pagamento da dívida pública e o fornecimento de commodities para os mercados futuros.
domingo, 14 de agosto de 2011
BCE não tem “cacife” para bancar a crise na Itália e Espanha
A política de compra dos títulos da dívida está fadada
Depois que os juros da dívida pública da Itália e da Espanha subiram a um nível de mais de 6% na última semana, o Banco Central Europeu (BCE) iniciou a compra dos títulos das dívidas destes países para tentar “acalmar” o mercado financeiro. A medida fez com que a taxa recuasse para cerca de 5% o que de certa forma amenizou a crise.
Esta política adotada pelo BCE, no entanto, não vai poder ser levada a cabo por muito tempo, segundo o economista norte-americano, Nouriel Roubini. Em uma declaração feita à TV Bloomberg, o economista disse que “o BCE começou a comprar títulos da Espanha e da Itália, mas ele não pode fazer isso por muito tempo porque no caso da Grécia a gente falava em 56 bilhões de euros e no caso da Itália e da Espanha a gente fala de um mercado de cerca de 2 trilhões de euros para a dívida da Itália e 1 trilhão de euros para a dívida da Espanha”.
Para Roubini, o mundo está, inevitavelmente, diante de uma nova recessão, pois os países não podem mais socorrer os mercados financeiros. O dinheiro acabou e a crise está se alastrando para os grandes países imperialistas da Europa.
As opções que poderiam ser utilizadas pelo BCE são inviáveis como a injeção de mais dinheiro no mercado e um novo socorro aos bancos não seria viável do ponto de vista político já que há uma enorme oposição popular a esta política que foi amplamente praticada no início da crise em 2008.
A crise chega ao primeiro escalão
A entrada da Itália para o meio do furacão dos países da zona do euro é um sinal de que a crise atingiu o primeiro escalão da Europa, ou seja, não é mais a Grécia, Irlanda ou Portugal que estão ameaçados, mas um dos cincos países mais ricos da Europa e o sétimo mais rico do mundo.
A crise italiana, como ressaltou Roubini, é da ordem de dois trilhões de euros, muito superior ao montante envolvido no endividamento grego.
A Alemanha e a França, os países imperialistas de ponta da zona do euro, apesar de segurarem a crise parcialmente, também estão falidos.
A falência da economia da Itália coloca a crise em um novo patamar e pode levar ao colapso econômico toda a Europa, ameaçando a existência da zona do euro e do próprio euro.
Depois que os juros da dívida pública da Itália e da Espanha subiram a um nível de mais de 6% na última semana, o Banco Central Europeu (BCE) iniciou a compra dos títulos das dívidas destes países para tentar “acalmar” o mercado financeiro. A medida fez com que a taxa recuasse para cerca de 5% o que de certa forma amenizou a crise.
Esta política adotada pelo BCE, no entanto, não vai poder ser levada a cabo por muito tempo, segundo o economista norte-americano, Nouriel Roubini. Em uma declaração feita à TV Bloomberg, o economista disse que “o BCE começou a comprar títulos da Espanha e da Itália, mas ele não pode fazer isso por muito tempo porque no caso da Grécia a gente falava em 56 bilhões de euros e no caso da Itália e da Espanha a gente fala de um mercado de cerca de 2 trilhões de euros para a dívida da Itália e 1 trilhão de euros para a dívida da Espanha”.
Para Roubini, o mundo está, inevitavelmente, diante de uma nova recessão, pois os países não podem mais socorrer os mercados financeiros. O dinheiro acabou e a crise está se alastrando para os grandes países imperialistas da Europa.
As opções que poderiam ser utilizadas pelo BCE são inviáveis como a injeção de mais dinheiro no mercado e um novo socorro aos bancos não seria viável do ponto de vista político já que há uma enorme oposição popular a esta política que foi amplamente praticada no início da crise em 2008.
A crise chega ao primeiro escalão
A entrada da Itália para o meio do furacão dos países da zona do euro é um sinal de que a crise atingiu o primeiro escalão da Europa, ou seja, não é mais a Grécia, Irlanda ou Portugal que estão ameaçados, mas um dos cincos países mais ricos da Europa e o sétimo mais rico do mundo.
A crise italiana, como ressaltou Roubini, é da ordem de dois trilhões de euros, muito superior ao montante envolvido no endividamento grego.
A Alemanha e a França, os países imperialistas de ponta da zona do euro, apesar de segurarem a crise parcialmente, também estão falidos.
A falência da economia da Itália coloca a crise em um novo patamar e pode levar ao colapso econômico toda a Europa, ameaçando a existência da zona do euro e do próprio euro.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Falência da zona do euro aprofunda a crise capitalista mundial
Novos pacotes de “austeridade” são lançados na Itália, Espanha e França, na tentativa de seus governos de conter a crise
Segundo foi publicado pelo jornal italiano Corriere della Sera, Jean-Claude Trichet, presidente do BCE (Banco Central Europeu), instou, no último dia 9, os governos europeus a reduzirem os seus déficits públicos. Sob pressão direta da Alemanha, ele exigiu, especificamente da Itália e da Espanha, a adoção urgente de cortes nos seus programas sociais, na saúde e na educação, como condição para o Banco comprar títulos dos tesouros italiano e espanhol nos mercados secundários com o objetivo de diminuir os seus valores. Adicionalmente, a exigência inclui a reforma da previdência, o aumento do imposto sobre o consumo, medidas que facilitem as demissões, um plano de privatizações e a poupança de 25 bilhões de euros até 2013.
Na França, o presidente Nicolas Sarkozy, interrompeu as suas férias e convocou uma reunião em caráter de emergência com os seus ministros da área econômica e o presidente do Banco Central, Christian Noyer, com o objetivo de elaborar um plano de austeridade fiscal que permita a redução do déficit, e ainda promover uma reforma constitucional que estabeleça limites para os futuros déficits fiscais. A proposta deverá ser apresentada no final do mês, no dia 24, por Sarkozy, em conjunto com o primeiro ministro, François Fillon, o ministro de Economia, François Baroin, e a ministra do Orçamento, Valérie Pécresse. Adicionalmente Nicolas Sarkozy se reunirá com a chanceler alemã, Angela Merkel, em 16 de agosto em Paris, para discutirem a reforma da governança da zona do euro.
Apesar das principais agências de qualificação de riscos terem mantido a nota da dívida pública da França em AAA, o nível de endividamento do país já atingiu 100% do PIB (Produto Interno Bruto). Segundo o economista-chefe da Generali Investments, Klaus Wiener, que gerencia 330 bilhões de euros (US$ 469 bilhões) em ativos, "estamos ficando sem países 'AAA'. Se a França tiver um 'downgrade' (rebaixamento da nota), isso levantaria questões sobre outros países também. Fundamentalmente, as finanças públicas não estão muito sólidas".
Nesta quarta-feira, dia 11, os mercados financeiros mundiais voltaram a sofrer fortes quedas devido à crise na Europa, principalmente da Grécia, aumentando o temor de um aprofundamento da crise nos EUA. A bolsa de Nova Iorque sofreu quedas pela terceira vez nos últimos cinco dias, com uma baixa do índice Dow Jones de 4,63%, do Nasdaq em 4,09% e do índice Standard and Poor’s 500 em 4,42%. A bolsa de Paris caiu 5,45%, e a bolsa de Milão caiu 6,6% (a sua pior queda desde abril de 2009). A Ibex-35 de Madrid caiu 5,49%. A bolsa de Londres caiu em 3,05%, e a de Frankfurt caiu 5,13% (acumulando 19% de perdas em uma semana). Em Londres, o índice Financial Times caiu 3,05%. Os papéis financeiros muito expostos à crise grega sofreram as maiores perdas. As ações do banco francês Société Générale chegaram a cair mais de 20% e fecharam o pregão com uma queda de mais de 14%; as ações do BNP Paribas cairam 9,47% e as do Crédit Agricole caíram 11,81%. O FTSEurofirst 300, que mede o desempenho dos mais importantes papéis da Europa, caiu 3,96%, e o índice francês CAC 40 caiu 5,45%.
Os investidores estão tomados pelo pânico diante da enorme crise financeira e econômica que atingiu os principais países capitalistas, tornando a situação cada vez mais sem saída; a crise gira como um tornado que vai da Europa aos Estados Unidos e Japão falindo bancos, indústrias e Estados inteiros.
A combinação recessiva, inflacionária, liquidação do sistema monetário internacional e a falência completa das contas públicas é uma realidade cada vez mais próxima em todo o mundo, que já está levando a situações de crise e mobilizações revolucionárias.
As reações contra a crise capitalista têm se manifestado em quase todos os países europeus. Os gregos tomaram as ruas durante quatro dias em junho, o movimento dos Indignados tomou as praças das principais cidades da Espanha; na Inglaterra, estourou nos últimos dias a revolta popular contra a crise em Londres e várias outras cidades. Os chamados “resgates” dos países em bancarrota liderados pelos governos da França e da Alemanha, com o objetivo de salvar e manter os altos lucros dos seus bancos imperialistas, podem levar ao aprofundamento da crise nesses dois países.
A montanha russa das bolsas nos EUA, Europa, Ásia e América Latina é um sinal claro da instabilidade e da péssima situação da saúde financeira e econômica do capitalismo mundial.
Segundo foi publicado pelo jornal italiano Corriere della Sera, Jean-Claude Trichet, presidente do BCE (Banco Central Europeu), instou, no último dia 9, os governos europeus a reduzirem os seus déficits públicos. Sob pressão direta da Alemanha, ele exigiu, especificamente da Itália e da Espanha, a adoção urgente de cortes nos seus programas sociais, na saúde e na educação, como condição para o Banco comprar títulos dos tesouros italiano e espanhol nos mercados secundários com o objetivo de diminuir os seus valores. Adicionalmente, a exigência inclui a reforma da previdência, o aumento do imposto sobre o consumo, medidas que facilitem as demissões, um plano de privatizações e a poupança de 25 bilhões de euros até 2013.
Na França, o presidente Nicolas Sarkozy, interrompeu as suas férias e convocou uma reunião em caráter de emergência com os seus ministros da área econômica e o presidente do Banco Central, Christian Noyer, com o objetivo de elaborar um plano de austeridade fiscal que permita a redução do déficit, e ainda promover uma reforma constitucional que estabeleça limites para os futuros déficits fiscais. A proposta deverá ser apresentada no final do mês, no dia 24, por Sarkozy, em conjunto com o primeiro ministro, François Fillon, o ministro de Economia, François Baroin, e a ministra do Orçamento, Valérie Pécresse. Adicionalmente Nicolas Sarkozy se reunirá com a chanceler alemã, Angela Merkel, em 16 de agosto em Paris, para discutirem a reforma da governança da zona do euro.
Apesar das principais agências de qualificação de riscos terem mantido a nota da dívida pública da França em AAA, o nível de endividamento do país já atingiu 100% do PIB (Produto Interno Bruto). Segundo o economista-chefe da Generali Investments, Klaus Wiener, que gerencia 330 bilhões de euros (US$ 469 bilhões) em ativos, "estamos ficando sem países 'AAA'. Se a França tiver um 'downgrade' (rebaixamento da nota), isso levantaria questões sobre outros países também. Fundamentalmente, as finanças públicas não estão muito sólidas".
Nesta quarta-feira, dia 11, os mercados financeiros mundiais voltaram a sofrer fortes quedas devido à crise na Europa, principalmente da Grécia, aumentando o temor de um aprofundamento da crise nos EUA. A bolsa de Nova Iorque sofreu quedas pela terceira vez nos últimos cinco dias, com uma baixa do índice Dow Jones de 4,63%, do Nasdaq em 4,09% e do índice Standard and Poor’s 500 em 4,42%. A bolsa de Paris caiu 5,45%, e a bolsa de Milão caiu 6,6% (a sua pior queda desde abril de 2009). A Ibex-35 de Madrid caiu 5,49%. A bolsa de Londres caiu em 3,05%, e a de Frankfurt caiu 5,13% (acumulando 19% de perdas em uma semana). Em Londres, o índice Financial Times caiu 3,05%. Os papéis financeiros muito expostos à crise grega sofreram as maiores perdas. As ações do banco francês Société Générale chegaram a cair mais de 20% e fecharam o pregão com uma queda de mais de 14%; as ações do BNP Paribas cairam 9,47% e as do Crédit Agricole caíram 11,81%. O FTSEurofirst 300, que mede o desempenho dos mais importantes papéis da Europa, caiu 3,96%, e o índice francês CAC 40 caiu 5,45%.
Os investidores estão tomados pelo pânico diante da enorme crise financeira e econômica que atingiu os principais países capitalistas, tornando a situação cada vez mais sem saída; a crise gira como um tornado que vai da Europa aos Estados Unidos e Japão falindo bancos, indústrias e Estados inteiros.
A combinação recessiva, inflacionária, liquidação do sistema monetário internacional e a falência completa das contas públicas é uma realidade cada vez mais próxima em todo o mundo, que já está levando a situações de crise e mobilizações revolucionárias.
As reações contra a crise capitalista têm se manifestado em quase todos os países europeus. Os gregos tomaram as ruas durante quatro dias em junho, o movimento dos Indignados tomou as praças das principais cidades da Espanha; na Inglaterra, estourou nos últimos dias a revolta popular contra a crise em Londres e várias outras cidades. Os chamados “resgates” dos países em bancarrota liderados pelos governos da França e da Alemanha, com o objetivo de salvar e manter os altos lucros dos seus bancos imperialistas, podem levar ao aprofundamento da crise nesses dois países.
A montanha russa das bolsas nos EUA, Europa, Ásia e América Latina é um sinal claro da instabilidade e da péssima situação da saúde financeira e econômica do capitalismo mundial.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
EUA: Recessão e calote
A “recuperação” da economia norte-americana, prometida pelo governo e alardeada pela imprensa burguesa internacionalmente, não veio. A onda de crise em toda a Europa e, em particular, nos EUA, faz com que a tensão no mercado mundial aumente diante da possibilidade de um calote massivo da altíssima dívida do país mais rico do mundo
A economia norte-americana, segundo a análise da imprensa especializada (a revista The Economist e o diárioWall Street Journal), parece andar muito pior do que esperavam há alguns meses. Os esforços do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, para levantar o país da recessão não surtiram efeito. A retomada do crescimento é uma incerteza, os crescentes índices de desemprego, beirando os 10%, por outro lado, são líquidos e certos.
A economia norte-americana, segundo a análise da imprensa especializada (a revista The Economist e o diárioWall Street Journal), parece andar muito pior do que esperavam há alguns meses. Os esforços do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, para levantar o país da recessão não surtiram efeito. A retomada do crescimento é uma incerteza, os crescentes índices de desemprego, beirando os 10%, por outro lado, são líquidos e certos.
Os dados mais recentes do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano revelam que a recessão é muito mais profunda do que esperavam anteriormente. A recuperação, por sua vez, é muito mais tênue do que haviam anunciado as agências governamentais anteriormente.
A revisão da análise feita pelo BEA (sigla em inglês para Escritório de Análise Econômica, órgão do governo dos EUA) revela um rebaixamento das perspectivas de crescimento mais grave do que se esperava. A divulgação de novos números mostrou que a contração do PIB era ainda maior e que, por exemplo, no quatro trimestre de 2008, ao invés de a economia ter encolhido 3,8% como fora divulgado em janeiro de 2009, a recessão foi de 6,8%. Os novos números mostraram que, ao longo do ano, a queda do PIB foi de assombrosos 8,9%.
Em 2009, de acordo com a mesma pesquisa, a retração foi de 3,5%, ao invés dos 2,6% anunciados anteriormente.
Os novos números contradizem os anúncios feitos anteriormente de que a economia do país já havia retomado os níveis de crescimento atingidos em 2007. Os dados apontam para o fato de que a economia norte-americana está estacionada nos mesmos níveis que atingira ao final do primeiro semestre de 2005. Uma vez estagnada, dizem os analistas internacionais, a economia pode facilmente voltar a entrar em recessão.
Rumo a um calote?
O governo norte-americano encontra-se diante de um dilema. Para evitar o aprofundamento da recessão se vê obrigado a gastar mais dinheiro, seja para amenizar a desaceleração da economia, seja para conter seus efeitos devastadores entre a população trabalhadora. Mas, para isso, terá que bater de frente com os interesses do próprio imperialismo norte-americano, que procura no equilíbrio de contas do Estado um porto seguro para as oscilações do mercado.
Pode não demorar muito até que o governo dos EUA decida empurrar para os detentores dos títulos de sua dívida o peso da recessão e do alto endividamento estatal. Na realidade, esta parece ser a única alternativa em vista das dificuldades enfrentadas no último período para recuperar o ritmo produtivo, os empregos e a circulação de crédito e capitais na economia mais poderosa do planeta. Com isso, os detentores de títulos do Tesouro norte-americano (dos quais, o Brasil é o quarto maior) terão nas mãos papéis que podem se desvalorizar da noite para o dia, forçando para baixo seus balanços de conta-corrente e erodindo suas reservas em moeda estrangeira.
A “solução” que o governo norte-americano pode colocar em marcha dentro em breve vai despejar o ônus da crise norte-americana sobre as costas dos países econômica e politicamente mais fracos como o Brasil e a China que serviram para ampliar sua capacidade de endividamento e agora estão prestes a serem descartados sem cerimônia.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Justiça patronal proíbe comerciários de fazer greve no Piauí
No Brasil, está proibido fazer greve
A cada dia mais greves em diferentes categorias e regiões do Brasil demonstram a tendência de luta dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, os patrões aumentam seus ataques contra as organizações dos trabalhadores, na tentativa de controlar as mobilizações.
Em Teresina, a justiça proibiu a greve dos comerciários. O juiz do trabalho da região decretou, na última quinta-feira, dia 4, uma interdição proibitória para impedir o Sindicato dos Comerciários do Piauí de barrar a entrada de trabalhadores e fechar as lojas do centro da capital.
A categoria entrou em greve no dia 4 de manhã. O Sindicato dos Lojistas entrou com a liminar para proibir a greve. O Juiz, é claro, acatou o pedido dos patrões. A polícia foi chamada para impedir a manifestação dos grevistas.
A medida dos patrões e da justiça patronal é claramente uma tentativa de intimidar os trabalhadores em greve. Um diretor do Sindicato dos Comerciários declarou ao site cidadeverde.com que os patrões ameaçam demitir os trabalhadores que aderirem à greve. Esse é o objetivo da proibição de fechar as lojas.
A greve dos comerciários do Piauí revela a enorme tendência de mobilização dos trabalhadores. É importante que se diga que a categoria dos comerciários não tem uma tradição na luta grevista. O fato de que os companheiros estejam em greve é uma demonstração clara da crise política e econômica pela qual passa o País. A tendência é não só o aumento das mobilizações, mas a unidade dos trabalhadores que começam a entrar em luta em diversas regiões.
A proibição e a repressão à greve no Piauí seguem a política da burguesia conforme ocorreu em uma série de casos recentes. Apenas para citar alguns.
Os aeroviários, no final do ano passado, marcaram uma paralisação para o dia 23 de dezembro. A justiça proibiu a greve exigindo que 90% do efetivo trabalhasse. Tudo isso é uma enorme arbitrariedade e revela a ditadura que impera no País. Os metroviários de São Paulo, diante do indicativo de greve, foram obrigados pela justiça que mantivessem 100% do efetivo trabalhando nos horários de pico, além de uma multa milionária por dia parado. O direito de greve e de organização dos trabalhadores não existe mais no Brasil!
O abuso contra a greve dos comerciários do Piauí é mais um episódio dessa ditadura que a burguesia está tentando impor aos trabalhadores, utilizando o judiciário. O objetivo é frear a mobilização dos trabalhadores. Essa ditadura, no entanto, só será derrubada na prática pela luta dos trabalhadores.
A cada dia mais greves em diferentes categorias e regiões do Brasil demonstram a tendência de luta dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, os patrões aumentam seus ataques contra as organizações dos trabalhadores, na tentativa de controlar as mobilizações.
Em Teresina, a justiça proibiu a greve dos comerciários. O juiz do trabalho da região decretou, na última quinta-feira, dia 4, uma interdição proibitória para impedir o Sindicato dos Comerciários do Piauí de barrar a entrada de trabalhadores e fechar as lojas do centro da capital.
A categoria entrou em greve no dia 4 de manhã. O Sindicato dos Lojistas entrou com a liminar para proibir a greve. O Juiz, é claro, acatou o pedido dos patrões. A polícia foi chamada para impedir a manifestação dos grevistas.
A medida dos patrões e da justiça patronal é claramente uma tentativa de intimidar os trabalhadores em greve. Um diretor do Sindicato dos Comerciários declarou ao site cidadeverde.com que os patrões ameaçam demitir os trabalhadores que aderirem à greve. Esse é o objetivo da proibição de fechar as lojas.
A greve dos comerciários do Piauí revela a enorme tendência de mobilização dos trabalhadores. É importante que se diga que a categoria dos comerciários não tem uma tradição na luta grevista. O fato de que os companheiros estejam em greve é uma demonstração clara da crise política e econômica pela qual passa o País. A tendência é não só o aumento das mobilizações, mas a unidade dos trabalhadores que começam a entrar em luta em diversas regiões.
A proibição e a repressão à greve no Piauí seguem a política da burguesia conforme ocorreu em uma série de casos recentes. Apenas para citar alguns.
Os aeroviários, no final do ano passado, marcaram uma paralisação para o dia 23 de dezembro. A justiça proibiu a greve exigindo que 90% do efetivo trabalhasse. Tudo isso é uma enorme arbitrariedade e revela a ditadura que impera no País. Os metroviários de São Paulo, diante do indicativo de greve, foram obrigados pela justiça que mantivessem 100% do efetivo trabalhando nos horários de pico, além de uma multa milionária por dia parado. O direito de greve e de organização dos trabalhadores não existe mais no Brasil!
O abuso contra a greve dos comerciários do Piauí é mais um episódio dessa ditadura que a burguesia está tentando impor aos trabalhadores, utilizando o judiciário. O objetivo é frear a mobilização dos trabalhadores. Essa ditadura, no entanto, só será derrubada na prática pela luta dos trabalhadores.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O avanço da crise capitalista - Dívida dos Estados Unidos é rebaixada pela primeira vez na história
O parasitismo do capital financeiro alcança níveis extremos
A S&P (Standard & Poor’s), agência de qualificação financeira, rebaixou, no sábado, dia 6, de AAA para AA+ a classificação da dívida dos Estados Unidos pela primeira vez na história do país. O principal motivo considerado foram os “riscos políticos”, pois o país não teria adotado medidas adequadas para resolver os problemas relacionados à enorme dívida pública, que já atingiu US$ 14,3 trilhões: “a diminuição é motivada devido a que a consolidação fiscal acordada entre o Congresso e o Executivo ficam aquém do que era necessário para estabilizar a dinâmica da dívida do Governo a médio prazo”; “a eficácia, estabilidade e previsibilidade da elaboração de políticas governamentais e das instituições políticas enfraqueceram num momento de desafios fiscais e económicos”.
De acordo com declarações de um portavoz do Departamento do Tesouro ao jornal The New York Times, a Administração ficou indignada com o rebaixamento e acusou à agência de fundamentar a sua decisão num erro na estimativa da dívida federal de U$ 2 bilhões. Segundo a S&P, a diferença deve-se a alterações de metodologias, mas não teria impactado a sua decisão.
O impacto prático provocado pela decisão da S&P, que, em 18 de abril, já tinha anunciado que a nota do patamar máximo da dívida norte-americana não era um dado adquirido, é mínimo. As outras agências de qualificação de risco preferiram não rebaixar a dívida pública norte-americana. Apesar da alta subjetividade presente nas qualificações das agências de risco, e até o próprio fato delas serem dominadas pelos grandes bancos imperialistas, a decisão da S&P reflete a situação dramática que vive a economia dos Estados Unidos, que ficou estagnada no primeiro trimestre deste ano (apenas cresceu 0,4%) e teve um crescimento desprezível no segundo semestre (apenas 1,3% entre abril e junho deste ano). De qualquer maneira, trata-se de mais um sintoma que aumenta a desconfiança em relação aos títulos do Tesouro Norte-americano, e aprofundará ainda mais a crise do imperialismo, mesmo que ele esteja armado até os dentes e tenha um histórico de calotes constantes em cima dos acordos impostos por ele mesmo.
A dominação do dólar a nível mundial, principalmente através dos chamados petrodólares e da exportação ilimitada de papel moeda pelos EUA , sem lastro produtivo, para todos os países do mundo, depende diretamente do domínio militar que o imperialismo norte-americano exerce a nível mundial. A sua economia, assim como a economia de todos os países imperialistas, encontra-se em uma profunda recessão, apresentando sintomas cada vez mais agudos de estagnação. A lei, descrita por Karl Marx na sua obra prima O Capital, da tendência do capitalismo à diminuição das suas taxas de lucro devido ao aumento da composição orgânica do capital (diminuição da mão de obra em relação ao chamado capital constante, provocada pela competição tecnológica) foi levada ao extremo no atual estágio do capitalismo. O funcionamento do capitalismo decadente apresenta altíssimos sintomas de decrepitude e se sustenta de maneira totalmente artificial através da alta interferência do estado. A produção foi transferida para países onde o valor da mão de obra é praticamente de graça. Os países desenvolvidos, na prática, somente preservaram nos países centrais a indústria armamentista (nos Estados Unidos, o chamado complexo militar industrial representa mais de 60% da economia) e o domínio de tecnologias, que mantêm a sete chaves sob as chamadas leis de patentes e de proteção de propriedade intelectual. Somando os PIBs (Produto Interno Bruto) de todos os países temos aproximadamente US$70 trilhões anuais, mas o volume de títulos indexados em contratos futuros, fundos de tipo hedge, debêntures, e outras modalidades de capitais especulativos atinge 10 vezes mais. A produção nos países desenvolvidos não traz os lucros desejados pelo punhado de especuladores financeiros que dominam o mundo. A produção nos países atrasados tem como objetivo funcionar como mercado manufatureiro e de commodities, comercializadas de maneira quase exclusiva nos mercados futuros, onde cada produto acaba sendo vendido dezenas de vezes. Todos estes fatores demonstram que o capitalismo completou o seu ciclo histórico, que apresenta caraterísticas do sistema que pelo próprio desenvolvimento da economia deverá substituí-lo, o Socialismo, tais como a forte intervenção estatal e a divisão do trabalho a nível mundial.
A S&P (Standard & Poor’s), agência de qualificação financeira, rebaixou, no sábado, dia 6, de AAA para AA+ a classificação da dívida dos Estados Unidos pela primeira vez na história do país. O principal motivo considerado foram os “riscos políticos”, pois o país não teria adotado medidas adequadas para resolver os problemas relacionados à enorme dívida pública, que já atingiu US$ 14,3 trilhões: “a diminuição é motivada devido a que a consolidação fiscal acordada entre o Congresso e o Executivo ficam aquém do que era necessário para estabilizar a dinâmica da dívida do Governo a médio prazo”; “a eficácia, estabilidade e previsibilidade da elaboração de políticas governamentais e das instituições políticas enfraqueceram num momento de desafios fiscais e económicos”.
De acordo com declarações de um portavoz do Departamento do Tesouro ao jornal The New York Times, a Administração ficou indignada com o rebaixamento e acusou à agência de fundamentar a sua decisão num erro na estimativa da dívida federal de U$ 2 bilhões. Segundo a S&P, a diferença deve-se a alterações de metodologias, mas não teria impactado a sua decisão.
O impacto prático provocado pela decisão da S&P, que, em 18 de abril, já tinha anunciado que a nota do patamar máximo da dívida norte-americana não era um dado adquirido, é mínimo. As outras agências de qualificação de risco preferiram não rebaixar a dívida pública norte-americana. Apesar da alta subjetividade presente nas qualificações das agências de risco, e até o próprio fato delas serem dominadas pelos grandes bancos imperialistas, a decisão da S&P reflete a situação dramática que vive a economia dos Estados Unidos, que ficou estagnada no primeiro trimestre deste ano (apenas cresceu 0,4%) e teve um crescimento desprezível no segundo semestre (apenas 1,3% entre abril e junho deste ano). De qualquer maneira, trata-se de mais um sintoma que aumenta a desconfiança em relação aos títulos do Tesouro Norte-americano, e aprofundará ainda mais a crise do imperialismo, mesmo que ele esteja armado até os dentes e tenha um histórico de calotes constantes em cima dos acordos impostos por ele mesmo.
A dominação do dólar a nível mundial, principalmente através dos chamados petrodólares e da exportação ilimitada de papel moeda pelos EUA , sem lastro produtivo, para todos os países do mundo, depende diretamente do domínio militar que o imperialismo norte-americano exerce a nível mundial. A sua economia, assim como a economia de todos os países imperialistas, encontra-se em uma profunda recessão, apresentando sintomas cada vez mais agudos de estagnação. A lei, descrita por Karl Marx na sua obra prima O Capital, da tendência do capitalismo à diminuição das suas taxas de lucro devido ao aumento da composição orgânica do capital (diminuição da mão de obra em relação ao chamado capital constante, provocada pela competição tecnológica) foi levada ao extremo no atual estágio do capitalismo. O funcionamento do capitalismo decadente apresenta altíssimos sintomas de decrepitude e se sustenta de maneira totalmente artificial através da alta interferência do estado. A produção foi transferida para países onde o valor da mão de obra é praticamente de graça. Os países desenvolvidos, na prática, somente preservaram nos países centrais a indústria armamentista (nos Estados Unidos, o chamado complexo militar industrial representa mais de 60% da economia) e o domínio de tecnologias, que mantêm a sete chaves sob as chamadas leis de patentes e de proteção de propriedade intelectual. Somando os PIBs (Produto Interno Bruto) de todos os países temos aproximadamente US$70 trilhões anuais, mas o volume de títulos indexados em contratos futuros, fundos de tipo hedge, debêntures, e outras modalidades de capitais especulativos atinge 10 vezes mais. A produção nos países desenvolvidos não traz os lucros desejados pelo punhado de especuladores financeiros que dominam o mundo. A produção nos países atrasados tem como objetivo funcionar como mercado manufatureiro e de commodities, comercializadas de maneira quase exclusiva nos mercados futuros, onde cada produto acaba sendo vendido dezenas de vezes. Todos estes fatores demonstram que o capitalismo completou o seu ciclo histórico, que apresenta caraterísticas do sistema que pelo próprio desenvolvimento da economia deverá substituí-lo, o Socialismo, tais como a forte intervenção estatal e a divisão do trabalho a nível mundial.
domingo, 7 de agosto de 2011
Rondônia: 20 trabalhadores são encontrados em situação de escravidão
Fiscais do Ministério do Trabalho realizaram uma operação para averiguar o trabalho escravo no garimpo Pedra Azul, localizado a 160 km de Porto Velho, Rondônia.
Durante a ação, ao menos 20 pessoas foram resgatadas por estarem trabalhando em condições de escravidão no local. De acordo com os relatos dos operários, a cooperativa Coopermetal que administra o garimpo obriga os funcionários a trabalhar no meio da floresta Amazônica sem qualquer equipamento de segurança. Os mesmos também são obrigados a beber água suja.
A ação interditou o garimpo, no entanto, o mesmo poderá voltar a funcionar assim que “corrigir” as irregularidades. Ou seja, nenhum dos responsáveis foi indiciado por tratar os trabalhadores como escravos, pelo contrário. Essa é a realidade da esmagadora maioria dos garimpos e nenhuma medida é tomada a respeito, o que mostra a total conivência dos governos e da Justiça com os ataques.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Pasan muchas cosas graves acá en la tierra mapuche
Una sentida carta envió al presidente Sebastián Piñera el menor Angelo Marillan Huenchullan, herido de bala en una pierna tras ser atacado por el hijo de un latifundista de Ercilla, según denunció la comunidad de Temucuicui. Angelo permanece internado en la unidad de cirugía del Hospital de Victoria, donde se recupera.
“Les escribo por motivo de mi herida de bala, pues el viernes uno de los colonos que su Estado envió con su ejército a invadir la tierra de mis abuelos, Héctor Urban, me disparó con intención de matarme, mientras yo hacía mi trabajo de cuidar mis animales llevándolos por un camino público”.
Este es el primer párrafo de la carta que desde el Hospital de Victoria envió el menor Angelo Marillan Huenchullan (16 años), al presidente de la República Sebastián Piñera y donde se evidencia la responsabilidad estatal en estos violentos actos en que están involucrados policías y latifundistas en la zona de Ercilla. Angelo resultó con una herida a bala en una de sus piernas el viernes pasado, lo que fue calificado por el senador Jaime Quintana como un posible “homicidio frustrado”.
“ Ahora estoy lleno de remedios - señala el menor en la misiva- para detener la infección, no puedo caminar, tengo una herida con salida de proyectil a 5 cms. de los testículos. Quiero ir a clases el martes pero no puedo caminar. ¿Por qué pasa esto? he visto muchos peñi heridos, niños y adultos, algunos por recuperar el derecho a la tierra y otros porque solo caminábamos cerca de nuestras casas”.
“ Pasan muchas cosas graves acá en la tierra mapuche y ustedes, los dueños del poder, ¿qué dicen? No hemos sabido que digan algo. ¿Les parece bien como están las cosas? ¿Pueden decir que no saben que nos deben tanto y que olvidan que los peñi solo exigen lo mínimo para vivir decentemente? Les pido que olviden un segundo sus grandes ideas y piensen en el gran detalle de la Nación Mapuche que espera. Nuestra gente quiere soluciones no promesas como hasta ahora”, señala el menor.
“ Ustedes pueden generar soluciones, tienen el poder. Si no saben cómo nuestra gente sabe. Pregúntenles a ellos. Sólo basta sentarse a conversar con respeto, el que no hemos visto desde el otro lado ”, finaliza la misiva enviada al primer mandatario desde el Hospital de Victoria, donde el menor de la comunidad de Temucuicui se encuentra hospitalizado.
El director del recinto asistencial, Joaquín Santelices, explicó que "el menor está hospitalizado sólo como medida de precaución, ya que presenta una herida transfixiante (con entrada y salida de proyectil) en su muslo derecho, que no afectó ningún órgano vital como arteria ni hueso".
El profesional médico dijo que la herida fue provocada por un elemento salido de alguna arma de fuego, pero que no se podía precisar el tipo de bala o perdigón, por lo que "debería ser el Servicio Médico Legal quien haga las pericias correspondientes, ya que es algo que no es de nuestra competencia". Ayer, la fiscalía determinó las primeras diligencias para determinar el origen del disparo y el tipo de arma utilizada.
Una fuente cercana al caso dijo que el menor relató al personal de turno de urgencia que lo recibió, que el disparo se lo había hecho Héctor Urban, el hijo del agricultor René Urban y que cuenta con férrea protección policial. Al respecto, el dirigente de Temucuicui y vocero de la Alianza Territorial Mapuche, Mijael Carbone, señaló que "el joven había salido temprano a rodear sus animales y cuando los traía desde una distancia de unos 100 o 200 metros lo encontró el hijo del señor Urban (Héctor) y disparó".
El padre de Héctor, René Urban, por su parte, señaló a los medios de prensa que "es imposible que le hayan disparado. Eso es otra mentira más de esta gente para hacerse pasar como víctimas. Es más, creo que incluso hasta puede ser un tiro que se le salió a alguno del grupo que estaba atacando nuestro predio".
La Comunidad Ignacio Queipul de Temucuicui reclama el derecho a sus tierras ancestrales y el lonko (líder) de la comunidad Juan Catrillanca, afirmó que habían llegado a un acuerdo con el gobierno de Michelle Bachelet para la devolución de esas tierras, pero que el gobierno de Piñera está desconociendo ese pacto.
“El gobierno anterior, la comunidad, el particular René Urban y otro particular, amarramos una negociación donde se tomó acuerdo para comprar esos predios que le faltaban a la comunidad Temucuicui. Son 1.800 hectáreas. Eso quedó en agenda y firmado por el ex ministro José Viera Gallo y sus asesores”, dijo a Radio del Mar, el Lonko Catrillanca.
Acusó el dirigente que “hoy el nuevo gobierno dice que no comprará este predio que estuvo en esa negociación, por eso es el descontento de hoy. Esa tierra la sentimos nuestra y queremos liberarla, pues todos los otros particulares están sembrando pino y eucaliptus, plantaciones que consumen toda la naturaleza y el agua”. Juan Catrillanca reclamó también que “esas tierras les pertenecen. el Estado trajo a ese particular. El Estado debe resolver el problema”.
“Piñera debe abrir la puerta al diálogo porque la comunidad sabe que lo que estamos reclamando es nuestro, y nosotros estamos no vamos a rendirnos en la lucha por lo que nos pertenece”, subrayó el dirigente.
Violencia contra niños
El lonco Juan Catrillanca afirmó además que “los niños no quieren ver a los carabineros, no pueden ver un helicóptero que semana a semana dan su vuelta. Esto esta militarizado”. En las últimas semanas tres menores Mapuche de la comunidad Temucuicui han resultado heridos o violentados física o psicológicamente tanto por las fuerzas policiales como por particulares latifundistas.
Frente a este hecho, la Fundación ANIDE, que monitorea los derechos de la infancia en Chile, mostró su preocupación. Uno de sus directores, José Horacio Wood, afirmó al programa Mapuexpress de Radio del Mar que “la situación actual es especialmente grave y perjudicial para la seguridad de los niños y niñas que se ven directamente afectados por la violencia que han ejercido fuerzas policiales en el contexto de la recuperación de las tierras ancestrales de las comunidades”.
Mientras se mantenga el actuar de las fuerzas policiales cuando hay niños Mapuche involucrados, para nosotros “significa que la actitud del Estado a través del gobierno de turno, tampoco ha cambiado, pues se enfrenta el problema con represión y vulneran los derechos de los niños Mapuche”. Anide presentó ante la Comisión Interamericana de Derechos Humanos un reclamo sobre la situación de los niños Mapuche. “El gobierno no dio respuesta y trato de bajarle el perfil a nuestras denuncias”, acusó Wood.
Agregó que, se han reunido con autoridades, “pero no hay una respuesta más global sobre esta situación de violencia, así como no hay una Ley de protección Integral para la niñez que pueda acoger este tipo de situaciones”. “En Chile no contamos con una institucionalidad acorde con los convenios que ha firmado Chile en relación a DDHH y especial a los Derechos Humanos de niños y niñas”, dijo el director de ANIDE.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Estudantes rejeitam proposta do governo e mantêm mobilizações
Os estudantes lutam pelo fim das mensalidades e do sistema pago de educação. Eles exigem um sistema educacional gratuito, administrado pelo Estado e não por empresários, como atualmente
Na segunda-feira, 1, 15 estudantes foram presos após as mobilizações de rua, nas quais ergueram barricadas com pneus em chamas em seis vias da capital chilena. A polícia usou blindados com jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo.
Os estudantes chilenos realizaram novas mobilizações na segunda e terça-feira dessa semana.
Na terça-feira, dia 2, eles interromperam o trânsito das ruas de Santiago com barricadas. Às 7h da manhã, policiais reprimiram os protestos na Avenida 5 de Abril.
Os protestos foram iniciados por um grupo de estudantes de um dos colégios de secundaristas como reação à repressão que havia se instalado durante a madrugada do mesmo dia em frente às sedes de algumas universidades.
Na segunda-feira, 1, 15 estudantes foram presos após as mobilizações de rua, nas quais ergueram barricadas com pneus em chamas em seis vias da capital chilena. A polícia usou blindados com jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo.No fim de junho, um dos protestos chegou a reunir 400 mil pessoas, entre estudantes e professores. Alguns estudantes secundaristas chegaram a fazer greve de fome.
Os estudantes reivindicam o fim da Lei Orgânica Constitucional de Ensino (Loce), que foi publicada em 10 de março de 1990, último dia da ditadura de Augusto Pinochet. A lei entrega a administração das universidades e escolas a entes privados e limita a ação do Estado.
Após os violentos protestos por um sistema de educação pública, o presidente Sebastián Piñera apresentou um plano intitulado “Políticas e propostas de ação para o desenvolvimento da educação chilena", aos estudantes na noite de segunda-feira, 1.
Um dos problemas enfrentados pelos estudantes é o endividamento crescente com o ensino. A educação chilena é totalmente privatizada. As mensalidades variam de US$ 1 mil a US$ 2 mil nas principais universidades públicas e particulares do país.
No plano apresentado pelo governo não consta qualquer proposta de estatização da educação ou a abolição das mensalidades, mas um aumento de bolsas de estudo e um plano para renegociar as dívidas estudantis, ou seja, não atende nem minimamente às reivindicações do movimento estudantil.
Uma das frases declaradas pelo ministro da educação ao jornal chileno Nación resume o conteúdo do plano: “E acima de tudo assegurar que, em uma combinação saudável de empréstimos e bolsas de estudo, as famílias e todos os estudantes possam aplicar essa possibilidade de acesso ao ensino superior”.
A Confederação dos Estudantes do Chile (Confech) decidiu na noite de terça-feira rejeitar as propostas do governo para conter as mobilizações estudantis.
Eles convocaram nova manifestação para esta quinta-feira à noite e outra na terça-feira que vem.
Os protestos já duram três meses e diante da sua radicalização, o governo decidiu por “negociar” com os estudantes para conter novas mobilizações.
O Chile passou por duas reformas educacionais que destruíram o sistema de educação do país.
Na década de 80, Pinochet aplicou todo o receituário neoliberal da Escola de Chicago no país, privatizando várias estatais, incluindo universidades e escolas.
Sob a crença de que o mercado regularia o sistema de educação, a privatização aprofundou o abismo social entre ricos e pobres.
A gratuidade nas universidades foi abolida e aos pobres, o governo passou a conceder bolsas de estudos financiando os empresários da educação. Qualquer empresário pode criar empresas de ensino, ou seja, escolas, de baixíssima qualidade.
O sistema educacional chileno divide a educação entre escolas para mais pobres e escolas para os mais ricos. São pagas mensalidades nas universidades pelos estudantes “ricos”, que seriam de classe média e aos estudantes pobres são concedidas bolsas.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
HSBC vai colocar 30 mil trabalhadores na rua
Na política de manter os ganhos a todo custo, o banco britânico HSBC vai fechar agências e mandar funcionários embora
O banco britânico HSBC declarou na última segunda-feira que irá realizar 30 mil demissões para manter o lucro de 3% adquirido no primeiro semestre deste ano.
O anúncio do corte de funcionários foi feito logo após a apresentação dos resultados de 2011. O balanço apresentado relaciona a atividade econômica do banco nos 87 países onde atua. O lucro do banco de janeiro a junho foi de 11,5 bilhões de dólares.
A intenção do banco é a de economizar 3,5 bilhões de dólares e fechar agências em pelo menos 20 países. Apesar da crise econômica o banco lucrou mais que o esperado.
O HSBC anunciou que vai fechar mais de 200 agências só nos Estados Unidos e vai concentrar esforços para abrir agências na Ásia, onde o crédito é um forte atrativo e o custo com mão-de-obra é baixíssimo.
As 30 mil demissões anunciadas pelo HSBC internacionalmente expõem a verdadeira face da crise econnômica mundial. Equanto a população e os trabalhadores só acumulam perdas com as demissões, ataques aos direitos trabalhistas e cortes de gastos públicos, os banqueiros e especuladores financeiros estão impondo a política de ganhar o que for possível em meio à crise, a qualquer custo, principalmente apoiados na política de "austeridade" dos governos europeus que é, em outras palavras, o confisco do dinheiro público para salvar empresários e banqueiros em crise.
Brasil: um paraíso para os banqueiros
Entre os países que não vai receber os cortes anunciados está o Brasil que produziu o terceiro maior lucro do banco mundialmente. As mil e uma facilidades oferecidas pelo governo do PT aos banqueiros no País elevaram o lucro do HSBC. A direção do banco ressaltou que o crédito e os seguros foram os principais responsáveis pelo lucro brasileiro.
O banco divulgou uma nota dizendo que o HSBC Bank Brasil foi responsável por 637 milhões de dólares de lucro.
A política do banco vai provocar o corte de pelo menos 10% do efetivo da instituição financeira simplesmente para que possa continuar explorando a especulação nos países que ainda não estão completamente falidos em decorrência da crise econômica.
O banco britânico HSBC declarou na última segunda-feira que irá realizar 30 mil demissões para manter o lucro de 3% adquirido no primeiro semestre deste ano.
O anúncio do corte de funcionários foi feito logo após a apresentação dos resultados de 2011. O balanço apresentado relaciona a atividade econômica do banco nos 87 países onde atua. O lucro do banco de janeiro a junho foi de 11,5 bilhões de dólares.
A intenção do banco é a de economizar 3,5 bilhões de dólares e fechar agências em pelo menos 20 países. Apesar da crise econômica o banco lucrou mais que o esperado.
O HSBC anunciou que vai fechar mais de 200 agências só nos Estados Unidos e vai concentrar esforços para abrir agências na Ásia, onde o crédito é um forte atrativo e o custo com mão-de-obra é baixíssimo.
As 30 mil demissões anunciadas pelo HSBC internacionalmente expõem a verdadeira face da crise econnômica mundial. Equanto a população e os trabalhadores só acumulam perdas com as demissões, ataques aos direitos trabalhistas e cortes de gastos públicos, os banqueiros e especuladores financeiros estão impondo a política de ganhar o que for possível em meio à crise, a qualquer custo, principalmente apoiados na política de "austeridade" dos governos europeus que é, em outras palavras, o confisco do dinheiro público para salvar empresários e banqueiros em crise.
Brasil: um paraíso para os banqueiros
Entre os países que não vai receber os cortes anunciados está o Brasil que produziu o terceiro maior lucro do banco mundialmente. As mil e uma facilidades oferecidas pelo governo do PT aos banqueiros no País elevaram o lucro do HSBC. A direção do banco ressaltou que o crédito e os seguros foram os principais responsáveis pelo lucro brasileiro.
O banco divulgou uma nota dizendo que o HSBC Bank Brasil foi responsável por 637 milhões de dólares de lucro.
A política do banco vai provocar o corte de pelo menos 10% do efetivo da instituição financeira simplesmente para que possa continuar explorando a especulação nos países que ainda não estão completamente falidos em decorrência da crise econômica.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Movimentos e moradores de Itaquera protestam contra remoção de famílias e uso de verba pública em obras da Copa
As obras em Itaquera receberão R$ 420 mi da prefeitura de São Paulo e R$ 70 mi do governos estadual
Integrantes de movimentos sociais e moradores de Itaquera, na região leste da capital paulista, promoveram neste sábado (dia 30) um ato contra o uso de verbas públicas em obras para a Copa do Mundo de 2014 e as remoções que essas obras devem causar. Juntas, cerca de 300 pessoas deram um abraço simbólico na área do futuro estádio do Corinthians, local que receberá jogos do Mundial.
Integrantes de movimentos sociais e moradores de Itaquera, na região leste da capital paulista, promoveram neste sábado (dia 30) um ato contra o uso de verbas públicas em obras para a Copa do Mundo de 2014 e as remoções que essas obras devem causar. Juntas, cerca de 300 pessoas deram um abraço simbólico na área do futuro estádio do Corinthians, local que receberá jogos do Mundial.
As obras do estádio, em Itaquera, receberão R$ 420 milhões em incentivos fiscais da prefeitura de São Paulo. O governo paulista também vai investir R$ 70 milhões na construção da arena, que será privada.
Para os manifestantes, a aplicação de dinheiro público na obra é um exemplo dos vários erros que o Brasil vem cometendo em sua preparação para o Mundial. “Esse dinheiro poderia ser investido em moradias, escolas e universidades”, afirmou Tita Reis, morador da região leste e membro do Comitê Popular da Copa em São Paulo.
“Nós não somos contra a Copa”, complementou Benedito Roberto Barbosa, da Central de Movimentos Populares (CMP) e também do comitê popular sobre o Mundial. “Só somos contra o que a Copa tem de errado.”
Segundo Barbosa, por causas das obras para o Mundial, milhares famílias de Itaquera serão removidas de suas casas. Muitas, por morarem em ocupações irregulares, temem não ser indenizadas por terem de deixar sua habitação.
A professora Ana Paula Cordeiro, de 31 anos, é uma das que temem as remoções. Ela mora há 11 anos em uma área ocupada de Itaquera. Nesta área, será construída uma ligação entre duas avenidas de acesso à região. Essa obra, segundo ela, ameaça casas de mil famílias. “A gente sabe que vai ter a obra, mas não sabe como vamos ficar”, reclamou Ana, durante o ato. “Tudo o que está sendo construído é a favor da Copa, nada é a favor da população.”
Marcadores:
Vinicius Konchinski - Brasil de Fato
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Lutar pela reestatização da Eletropaulo
Doze anos após a privatização do sistema de distribuição de energia elétrica da região metropolitana a situação chegou a uma crise de proporções nunca vistas anteriormente. Somente neste ano ocorreram três grandes apagões na Grande São Paulo, sendo o último no dia 28 de julho, quinta-feira. O próprio governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um dos responsáveis pela privatização, chegou a declarar após uma destas interrupções do fornecimento de energia que o “sistema não é confiável”.
A crise também tem tido grandes efeitos políticos. A revolta popular contra a companhia norte-americana (AES Corporation) que hoje controla a maior parte da antiga estatal é grande. O Procon, órgão ligado ao sistema judiciário, pediu a intervenção na empresa e o governo do PSDB, o responsável pela privatização, aplicou ela uma multa para dar uma satisfação à opinião pública e tentar esconder sua responsabilidade pelos problemas ocorridos . Além disso, a oposição, liderada pelo PT, tenta estabelecer na Assembléia Legislativa uma CPI para investigar as contas da empresa.
Há outras manifestações da crise. Uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo neste sábado, dia 30, mostra o caso dos moradores do Jardim Julieta, na zona Norte de São Paulo, que após o aumento abusivo na tarifa de luz se uniram para boicotar o pagamento para a AES Eletropaulo.
Todos estes casos mostram que a situação caminha para uma crise de proporções muito grandes.
A privatização da Eletropaulo teve início no ano de 1995, no governo Mário Covas. Para realizar a privatização ele desmembrou a Eletropaulo em várias empresas. A Eletropaulo Metropolitana, responsável pela distribuição de energia na Grande São Paulo foi vendida para o grupo AES Corporation.
Desta época até agora, o investimento na ampliação da rede foi irrisório e esta é a origem da crise em um dos setores fundamentais para fazer funcionar a economia da principal região industrial do país. Para que os capitalistas lucrassem, o governo autorizou o aumento abusivo nas contas de energia, que nos últimos tempos tem sido feitos duas vezes ao ano.
No entanto, da mesma forma que o sistema elétrico chegou a um colapso, este esquema de parasitismo também está sendo colocado em xeque.
Esta crise envolvendo a AES Eletropaulo mostra que a revolta popular contra a privatização é enorme. O que possibilita uma ampla ação política da população para lutar pela reestatização da empresa, colocando fim a esta entrega do sistema elétrico para uma empresa imperialista. A ação independente dos trabalhadores é o único meio da por fim a esta situação, pois CPIs, o Procon, muito menos o próprio governo do PSDB que gerou esta situação são capazes de resolver a crise.
Assinar:
Postagens (Atom)






