"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Indígenas aguardam encontro com Evo Morales


Depois de 65 dias de marcha, milhares militantes de organizações do movimento indígena que se opõem à construção de uma estrada se reunirão nesta quinta-feira (20) com o presidente Evo Morales. Na chegada a La Paz, nesta quarta-feira (19), os indígenas foram recepcionados por centenas de pessoas e, nesse momento, estão concentrados na Plaza Murillo, na região central da cidade. 
Segundo o presidente da Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (Cidob), Adolfo Chávez, os marchantes "não regressarão a Tipnis sem levar uma lei que proíba construir esse caminho".
Desde 15 de agosto, cerca de duas mil pessoas marcham em protesto contra construção de estrada na região de San Ignacio de Moxos (Beni) e Villa Tunari (Cochabamba), que passa pela reserva de Tipnis (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure), de 1,2 milhão de hectares, ao lado do território brasileiro. De acordo com o plano, o percurso é de aproximadamente 300 quilômetros, a um custo aproximado de 415 milhões de dólares, dos quais 332 milhões (80%) são financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As autoridades bolivianas defendem a obra e alegam que a rodovia é estratégica para o desenvolvimento do país. As organizações, no entanto, afirmam que a obra favorece grupos econômicos e causará um enorme dano ambiental na região.
Para o ministro de Comunicação Social, Iván Canelas, "a convocatória do presidente é uma clara mostra da vontade do governo de iniciar o diálogo para debater e buscar soluções para as demandas".

Repressão
No dia 25 de setembro, a violenta repressão policial a uma manifestação do movimento indígena contrário à construção da estrada causou protestos e críticas ao governo por parte de vários movimentos sociais. 
Na ocasião, Morales garantiu punição aos culpados e suspendeu as obras da estrada até que uma consulta nacional, centrada nos departamentos de Beni e Cochabamba, se pronuncie por sua continuidade.
A violência da polícia contra os manifestantes levou ainda à renúncia de quatro autoridades do governo boliviano - a ministra de Defesa, Cecília Chacón; a diretora geral de Migração, María René Quiroga; o vice-ministro do Interior, Marcos Farfán; e o ministro de Governo, Sacha Llorenti.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Os famintos da Europa - Banqueiros satisfeitos e 79 milhões abaixo da linha da pobreza


O Programa Europeu Alimentar divulgou um relatório que aponta uma pobreza extrema na população europeia. De acordo com o levantamento, 43 milhões de europeus estão numa situação considerada de risco alimentar onde estas pessoas não têm nem mesmo dinheiro para pagar uma refeição.  O relatório ainda apontou que 79 milhões de europeus vivem abaixo da linha da pobreza.
Destes 79 milhões de pessoas que vivem na Europa abaixo da linha da pobreza, cerca de 30 milhões estão sofrendo de subnutrição.
Com a política de austeridade aplicada em massa nos países europeus, os programas sociais de apoio alimentar aos mais carentes que funcionam por meio de fornecer alimentos que sobram dos excedentes agrícolas estão sendo cada vez mais atacados devido às sucessivas reformas na Política Agrícola dos países e também devido ao aumento dos preços dos produtos alimentícios. Estes programas atenderam por volta de 18 milhões de pessoas em 20 países europeus somente em 2011.
À medida que os bancos não param de receber dinheiro público para evitar falências, as verbas destinadas a estes programas são cada vez mais reduzidas. Enquanto o Fundo de Estabilidade Financeira Europeu vai receber ter até dois trilhões de euros para “socorrer” os bancos falidos, o Programa Europeu de Apoio Alimentar teve corte de cerca de 20% em suas verbas no último ano.
Para Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos contra a Fome, “se este programa desaparecer ou tiver uma redução drástica estes produtos deixam de existir e estas pessoas deixam de ser ajudadas de um ponto de vista alimentar (...) há um conjunto de pessoas que têm graves necessidades e este programa é essencial na sua manutenção. Estamos falando de produtos que são transformados através de matéria-prima: arroz, massa, espaguete, manteiga, leite, bolachas, cereais (Esquerda.net, 17/10/2011).
Estes programas, mesmo que insuficientes, impedem que o nível de pobreza seja ainda maior. Sem este tipo de ajuda a situação seria duas e até três vezes pior que a atual. Segundo a Eurostat (Instituto Nacional de Estatística), em Portugal, por exemplo, o nível de pobreza de 17,9% da população atualmente subiria para 41,5% caso estes programas não existissem.

Situação explosiva


Este resultado assustador deve-se diretamente à política imperialista diante da crise econômica que tem atacado diretamente os programas sociais, o emprego e os cortes em áreas públicas como saúde e educação.

Os 79 milhões de famintos da Europa equivalem a mais de 10% de toda a população europeia, mas chega a ser um número maior que a população dos mais importantes países europeus. Os famintos somam mais que a população italiana que é de 58 milhões de habitantes, maior que a do Reino Unido que tem 60 milhões de habitantes, a da França que tem 62 milhões de habitantes e equivale quase a Alemanha que conta com 82 milhões de habitantes. 
Com o esfacelamento do sistema capitalista e a política de austeridade aplicada nos países a mando dos bancos e especuladores por meio do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Central Europeu (BCE) e da União Europeia está colocando cada vez mais europeus na linha de pobreza.
Este exército de famintos está criando uma situação explosiva que vai inevitavelmente levar para uma situação revolucionária onde os trabalhadores se enfrentarão com os governos colocando em xeque o sistema de exploração. 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Zizek: O casamento entre democracia e capitalismo acabou


O filósofo e escritor esloveno Slavoj Zizek visitou a acampamento do movimento Ocupar Wall Street, no parque Zuccotti, em Nova York e falou aos manifestantes. “Estamos testemunhando como o sistema está se autodestruindo. Quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou". Leia a íntegra do pronunciamento de Zizek abaixo



O casamento entre democracia e capitalismo acabou

Durante o crash financeiro de 2008, foi destruída mais propriedade privada, ganha com dificuldades, do que se todos nós aqui estivéssemos a destruí-la dia e noite durante semanas. Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.


Por Slavoj Zizek

Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está se transformando num pesadelo. Não estamos destruindo coisa alguma. Estamos apenas testemunhando como o sistema está se autodestruindo.

Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto que estamos fazendo aqui.

Estamos a dizer aos rapazes de Wall Street: “hey, olhem para baixo!”

Em abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.

Vejam os filmes a que assistimos o tempo todo. É fácil imaginar o fim do mundo, um asteróide destruir toda a vida e assim por diante. Mas não se pode imaginar o fim do capitalismo. O que estamos, então, a fazer aqui?

Deixem-me contar uma piada maravilhosa dos velhos tempos comunistas. Um fulano da Alemanha Oriental foi mandado para trabalhar na Sibéria. Ele sabia que o seu correio seria lido pelos censores, por isso disse aos amigos: “Vamos estabelecer um código. Se receberem uma carta minha escrita em tinta azul, será verdade o que estiver escrito; se estiver escrita em tinta vermelha, será falso”. Passado um mês, os amigos recebem uma primeira carta toda escrita em tinta azul. Dizia: “Tudo é maravilhoso aqui, as lojas estão cheias de boa comida, os cinemas exibem bons filmes do ocidente, os apartamentos são grandes e luxuosos, a única coisa que não se consegue comprar é tinta vermelha.”

É assim que vivemos – temos todas as liberdades que queremos, mas falta-nos a tinta vermelha, a linguagem para articular a nossa ausência de liberdade. A forma como nos ensinam a falar sobre a guerra, a liberdade, o terrorismo e assim por diante, falsifica a liberdade. E é isso que estamos a fazer aqui: dando tinta vermelha a todos nós.

Existe um perigo. Não nos apaixonemos por nós mesmos. É bom estar aqui, mas lembrem-se, os carnavais são baratos. O que importa é o dia seguinte, quando voltamos à vida normal. Haverá então novas oportunidades? Não quero que se lembrem destes dias assim: “Meu deus, como éramos jovens e foi lindo”.

Lembrem-se que a nossa mensagem principal é: temos de pensar em alternativas. A regra quebrou-se. Não vivemos no melhor mundo possível, mas há um longo caminho pela frente – estamos confrontados com questões realmente difíceis. Sabemos o que não queremos. Mas o que queremos? Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes queremos?

Lembrem-se, o problema não é a corrupção ou a ganância, o problema é o sistema. Tenham cuidado, não só com os inimigos, mas também com os falsos amigos que já estão trabalhando para diluir este processo, do mesmo modo que quando se toma café sem cafeína, cerveja sem álcool, sorvete sem gordura.

Vão tentar transformar isso num protesto moral sem coração, um processo descafeinado. Mas o motivo de estarmos aqui é que já estamos fartos de um mundo onde se reciclam latas de coca-cola ou se toma um cappuccino italiano no Starbucks, para depois dar 1% às crianças que passam fome e fazer-nos sentir bem com isso. Depois de fazer outsourcing ao trabalho e à tortura, depois de as agências matrimoniais fazerem outsourcing da nossa vida amorosa, permitimos que até o nosso envolvimento político seja alvo de outsourcing. Queremos ele de volta.

Não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que entrou em colapso em 1990. Lembrem-se que hoje os comunistas são os capitalistas mais eficientes e implacáveis. Na China de hoje, temos um capitalismo que é ainda mais dinâmico do que o vosso capitalismo americano. Mas ele não precisa de democracia. O que significa que, quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou.

A mudança é possível. O que é que consideramos possível hoje? Basta seguir os meios de comunicação. Por um lado, na tecnologia e na sexualidade tudo parece ser possível. É possível viajar para a lua, tornar-se imortal através da biogenética. Pode-se ter sexo com animais ou qualquer outra coisa. Mas olhem para os terrenos da sociedade e da economia. Nestes, quase tudo é considerado impossível. Querem aumentar um pouco os impostos aos ricos? Eles dizem que é impossível. Perdemos competitividade. Querem mais dinheiro para a saúde? Eles dizem que é impossível, isso significaria um Estado totalitário. Algo tem de estar errado num mundo onde vos prometem ser imortais, mas em que não se pode gastar um pouco mais com cuidados de saúde.

Talvez devêssemos definir as nossas prioridades nesta questão. Não queremos um padrão de vida mais alto – queremos um melhor padrão de vida. O único sentido em que somos comunistas é que nos preocupamos com os bens comuns. Os bens comuns da natureza, os bens comuns do que é privatizado pela propriedade intelectual, os bens comuns da biogenética. Por isto e só por isto devemos lutar.

O comunismo falhou totalmente, mas o problema dos bens comuns permanece. Eles dizem-nos que não somos americanos, mas temos de lembrar uma coisa aos fundamentalistas conservadores, que afirmam que eles é que são realmente americanos. O que é o cristianismo? É o Espírito Santo. O que é o Espírito Santo? É uma comunidade igualitária de crentes que estão ligados pelo amor um pelo outro, e que só têm a sua própria liberdade e responsabilidade para este amor. Neste sentido, o Espírito Santo está aqui, agora, e lá em Wall Street estão os pagãos que adoram ídolos blasfemos.

Por isso, do que precisamos é de paciência. A única coisa que eu temo é que algum dia vamos todos voltar para casa, e vamos voltar a encontrar-nos uma vez por ano, para beber cerveja e recordar nostalgicamente como foi bom o tempo que passámos aqui. Prometam que não vai ser assim. Sabem que muitas vezes as pessoas desejam uma coisa, mas realmente não a querem. Não tenham medo de realmente querer o que desejam. Muito obrigado



*OBSERVAÇÃO: Este texto foi escrito por Slavoj Zizek, está postado por seu grande conhecimento sobre a realidade social, mas o site em que foi publicado está matéria está vinculado a um partido político que não merece mais ser citado como de esquerda ou muito menos de marxista, trata-se do "PC do B" que há tempos não representa mais a classe trabalhadora brasileira e mundial...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia do Professor - Nada a comemorar quando governos da “direita” e da “esquerda” destroem ensino público e atacam os educadores


Como em todos os anos, em torno do dia 15 de outubro, parlamentares usaram e usarão das tribunas para “saudar” os mestres; governos, por meio de seus órgãos de Educação e outros, tecem louvores ao “papel fundamental da educação”; dirigentes-ditadores entregam mensagens e até lembranças exaltando o “papel excepcional dos mestres”, farão discursos e até  e sindicalistas falaram de suas “lutas” e “vitórias” em favor da categoria. Um verdadeiro festival de hipocrisia que procura ocultar que a data transcorre no momento em que a categoria vive seus piores momentos de sua história e quando a Educação, em geral, e o ensino público, em particular, vive uma situação de caos generalizado.
Essa situação de terra arrasada é o resultado, em primeiro lugar, do ataque sistemático àqueles que são os seus maiores sustentáculos da Educação, ou seja, que carregam o ensino público nas costas, apesar das condições precárias de trabalho e de vida a que estão submetidos: os mais de dois milhões de professoras e professores espalhados pelo País. 
O piso deixa claro que a Educação não é prioridade 
Há vários anos, todos os governos burgueses afirmam ser a Educação uma prioridade e a melhora do ensino público uma unanimidade
A “prioridade” que todos dizem dar à Educação poderia ser desmentida de diversas formas. Mas usemos como comparação a situação da chamada Lei do Piso, aprovada pelo Congresso mensalão e pelo governo Lula, que estabeleceu em 2008, um piso miserável de R$ 950 (em valores da época) para os professores para 40 h semanais e o estabeleceu que, pelo menos, um terço da jornada do magistério deveria ser composta de atividades extra-classes.
O primeiro aspecto desta farsa é o valor irrisório do piso fixado. O mesmo situa-se abaixo, inclusive, do que estabelece a legislação da própria Constituição em torno do salário mínimo em seu artigo 7º: salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social...” (inciso V), o qual deveria ser pago a qualquer trabalhador (mesmo sem qualificação profissional) e que de acordo com os valores rebaixos (por decisão política) do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estatutos Sócio-Econômicos)deveria ser em setembro passado de R$ 2.285,83.
Os que dizem defender a educação não consideram que o professor tenha direito sequer a tal mínimo, o que dirá considerar que a força de trabalho do professor deveria ser remunerada –  como qualquer outra no capitalismo – considerando-se que para produzi-la e reproduzi-la (com a devida qualidade é claro) é necessário investimentos maiores em formação educacional e cultural, do que no caso da maioria das outras. O que pressuporia que, além das necessidades gerais de qualquer trabalhador, maiores gastos com educação, cultura etc.
O valor irrisório do piso aprovado pelos parlamentares-marajás e pelo governo do PT fica evidente também na comparação com outros pisos salariais estabelecidos ou negociação por categorias das quais se exigem formação superior como os professores (veja o quadro).

Categoria
Piso Nacional
em 2011
Jornada
Fonte
Médicos
R$ 9.188
20h semanais
Fenam - Federação Nacional dos Médicos
Advogados
R$ 3.720
20h semanais (sem dedicação exclusiva)
OAB – Comissão de Trabalho da Câmara
Engenheiros
R$ 3.270
30h semanais
Sindicato dos Engenheiros de SP
Jornalistas
R$ 2.196
5h de assessoria
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Professores
R$ 1.187
40 h semanais
MEC

Em segundo lugar, mesmo sendo o valor do piso uma verdadeira miséria este ainda não tem vigência em muitos dos estados brasileiros, o que levou vários estados à greve durante este ano.
Os governos apresentam esta situação salarial dos professores como sendo resultado de uma situação de falta de recursos, como se vê – principalmente – nas greves. Nada poderia ser mais falso. Os mesmo governos que se recusam a pagar um piso salarial suficiente para atender às necessidades dos professores e de sua família (e até mesmo a cumprirem a Lei do Piso) distribuem bilhões para os banqueiros (cerca de 40% dos orçamentos públicos), para as grandes empreiteiras, montadoras e demais monopólios capitalistas e distribuem rios de dinheiro para as máfias políticas dos parlamentos e altas cúpulas do Judiciário e do Executivo.
Para aprovar a distribuição de dinheiro dos capitalistas ou aumentar seus próprios vencimentos estes “amigos da onça” dos professores, adotam resoluções da noite para o dia e sob os mais variados e estapafúrdios pretextos. Para reajustar os salários dos professores ou aprovar qualquer lei em favor dos educadores são necessários meses ou anos de muita discussão (de fato, enrolação) e a decisão sempre dá lugar à recursos, apelos, e ações.
Ataques de todos os lados 
Nos anos anteriores, as direções do movimento sindical e do PT, apontavam que este situação de caos da educação estava dada pelo fato de que o governo federal e a maioria dos estados estavam dominados por partidos da direita burguesa. Ainda hoje, em estados importantes, como São Paulo e Minas Gerais, a burocracia sindical petista e seus aliados apontam que o problema estaria na suposta dureza dos governos tucanos. Estes foram sem dúvidas os responsáveis desde a era FHC, os responsáveis pelos maiores retrocessos de todos os tempos no ensino público, com uma política de terra arrasada para o setor e de favorecimento do ensino privado. Mas é óbvio que os governos da “esquerda”, da frente popular (PT-PCdoB- PSB-PMDB etc.) não são – no fundamental - em nada diferentes dos governos da direita.
O governo Sérgio Cabral (PMDB-PT), no Rio de Janeiro, reprimiu a greve dos mestres  da mesma forma que bombeiros e outros - e não atendeu suas reivindicações; Cid Gomes (PSB-PT) atacou violentamente a greve dos professores cearenses e não quer pagar o piso e o governo Genro (PT), no RS, endossa a política de não implementar a jornada do piso (1/3 de horas extra-classe) dos governos tucanos; isso sem falar na política do governo federal de distribuir recursos para o ensino privado e decretar reajuste de apenas 4% para os docentes universitários (e só em 2012).... Para os governos capitalistas – da direita e da esquerda - a educação é prioridade apenas em palavras. 
Não são erros, mas uma política consciente e sistemática de destruição da educação 
O que esperar de uma educação que tem, por exemplo, como professor de Língua Portuguesa, cujo salário não permite acesso à compra de livros, revistas, jornais, equipamentos modernos de mídias diversas etc.; um professor de História ou Geografia, que não só não pode viajar e conhecer minimamente a realidade sobre a qual vai ensinar, como também não têm – maioria das vezes – sequer equipamentos e acessórios que lhes permitam aceso regular à internet, tempo para pesquisas etc..
Toda essa situação de verdadeiro apagão da educação e de ataques aos magistério deixa claro que o que temos não “erros” na condução da política educacional, mas sim os resultados de uma política de destruição consciente do ensino público, para favorecer os banqueiros e os tubarões do ensino
Privado.
Como se deu com a saúde pública, os governos e a burguesia fazem uma campanha sistemática de ataque ao ensino público (inclusive alardeando seus resultados negativos como no ENEM e no SARESP) para favorecer a escola privada, também de má qualidade (apenas “treinando” seus alunos para terem um melhor desempenho nestes e outros exames, feitos sob medida para os favorecerem). 
A traição dos sindicalistas-judas 
Toda esta política que destrói as condições de vida e trabalho dos educadores e mina o presente e o futuro de milhões de crianças e jovens, tem um amplo apoio daqueles que nesta data preparam “festinhas” para os professores: a burocracia sindical que domina os gigantescos sindicatos dos professores em benefício próprio e daqueles a que servem.
Esta burocracia está “subiu de vida” e tem o que comemorar (diante de seus objetivos mesquinhos e traiçoeiros),enquanto à categoria esta cada vez pior.
Eles comemoram o miserável piso nacional, mas eles nem de longe pensam em viver com os R$ 1.187 (ou R$ 1.597, como “defendem”) que consideram um “avanço”.
Deixaram as greves serem quebradas pelo isolamento e pro que não querem (como so patrões e seus governos) uma luta nacional dos professores e da juventude em defesa do ensino público, como ocorre – neste momento – no Chile e em outros países.
Eles apóiam – de fato – a “aprovação automática” porque não trabalham no verdadeiro inferno que os professores são obrigados a suportarem nas escolas. Não lutam porque estão satisfeitos (por enquanto), enquanto degrada-se as condições de vida e de trabalho dos educadores que além de dos baixos salários e condições inadequadas de trabalho ainda estão submetidos – juntamente com os alunos – à ditadura dos diretores, supervisores, dirigentes etc. e todo tipo de burocratas que defendem a política oficial de destruição do ensino público. 
O que temos a comemorar 
Se há algo a celebrar é o fato de que em muitos escolas, regiões e estados, esta política reacionária contra os professores e a educação, ficam cada vez mais claras e cresce a  consciência da necessidade de revolucionar a organização e luta dos professores, contra tais direções traidoras, para defender seus salários, seus empregos e o ensino público, gratuito e de qualidade para todos.
Neste dia do professor, a Corrente Educadores em Luta, da Corrente Sindical Nacional Causa Operária, dirige uma saudação aos professores e, particulamente, aos que que lutam para derrotar a política reacionária do capitalismo a quem não interessa mais do que, como dizia Marx, “educar os
homens como máquinas” e que na atual de colapso econômico mundial, tem na Educação um dos seus principais alvos.
Diante desta crise, a próxima etapa será a de maiores lutas dos educadores e de todos os trabalhadores de todos os tempos – como já se pode ver na situação revolucionária que se desenvolve em todo o mundo. Que nela, os educadores possam ter um papel importante ao lado da classe operária e da juventude na derrubada do regime de opressão que vê na Educação mais uma mercadoria que deve servir de fonte de negócios e lucros para um punhado de tubarões à custa da destruição do futuro de bilhões de jovens e crianças e de condições miseráveis de vida para os educadores e na sua substituição, por meio da luta, pelo governo dos trabalhadores e do socialismo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Democracia, um lugar comum

Após as manifestações na Grécia e o movimento dos indignados espanhóis, a contestação popular alargou-se a toda a Europa e atravessou o Atlântico com o Occupy Wall Street. Direta ou representativa, é a própria conceção de democracia que é colocada em causa, estima José Ignacio Torreblanca.

Com o movimento ‘Ocupa Wall Street’, a indignação popular com a crise acaba de cobrir todo o arco político e geográfico que vai dos Estados Unidos à Grécia. À primeira vista há poucas semelhanças entre os dois casos. Enquanto a Grécia de Papandreu está em crise por causa de um Estado clientelista extremamente ineficiente que se endividou até ao insustentável, os Estados Unidos de Obama são vítimas dos mercados financeiros que impulsionaram e levaram a economia ao colapso. Falha do Estado, num lado, falha de mercado, no outro, poderíamos dizer, para simplificar.
No entanto, a Grécia e os Estados Unidos são muito mais parecidos do que poderíamos supor. Atenas e Washington são o berço da democracia: a primeira, da democracia direta, a segunda, da democracia representativa. Esse ideal, tão magistralmente explícito em dois textos com impressionante semelhança, a Oração Fúnebre de Péricles  e odiscurso de Lincoln em Gettysburg , está hoje posto em causa.

Interesse geral ficou para segundo plano

Primeiro, foi a vez da democracia direta, que degenerou em populismo, demagogia e ingovernabilidade. Ao olharem para o trágico final de Sócrates, obrigado a tomar cicuta, não é de estranhar que os pais fundadores dos Estados Unidos tenham recusado falar de democracia e preferissem descrever o seu sistema político como um “governo representativo”, ou seja, um sistema em que mais do que permitir ao povo que se governe a si próprio, se lhe concede o poder de eleger e depor regularmente os seus governantes, como forma de preservarem as suas liberdades.
Apesar de todas as suas limitações, este sistema de governo foi muito bem-sucedido. Pelo menos, no nosso contexto político e geográfico, a democracia representativa impôs-se tanto ao fascismo como ao comunismo e, apesar de penderem sempre sobre elas as ameaças populistas e nacionalistas, a conjugação de governos representativos e economias de mercado conseguiu desembocar em sociedades abertas, respeitadoras da liberdade, do bem-estar e da diversidade. O problema é que a democracia representativa não só se tornou insubstituível para fora, como também para dentro, porque a democracia direta não é uma alternativa válida para governar sociedades tão complexas como as nossas. E nesse caminho, a democracia anquilosou-se precisamente no seu ponto central, naquilo que se refere à representatividade dos governos perante as exigências dos governados.

Sistemas políticos expostos

Com o tempo, estes governos foram capturados por dois agentes: os partidos políticos, que converteram os nossos sistemas políticos em partidocracias governadas por uma classe política que não presta contas nem é transparente, e os mercados, que submeteram o poder político aos seus interesses particulares convertendo-se numa esfera de poder autónoma. A consequência é que o interesse geral ficou relegado para um segundo plano, como princípio inspirador  das políticas públicas e a prestação  sistemática de contas anulada como mecanismo de controlo nas mãos da cidadania. Portanto, à medida que a quantidade de democracias no mundo foi aumentando consistentemente, a qualidade das democracias deteriorou-se consideravelmente. 
A maioria dos nossos países são hoje democracias em todas as dimensões que nos fazem defini-las como tal, mas estão longe de ser democracias de qualidade, como aquelas que os seus cidadãos merecem e aspiram. Em tempos de bonança económica, quando os recursos eram crescentes e os problemas distributivos mais facilmente resolúveis, a tensão inerente entre eficácia e representatividade resolvia-se facilmente a favor da eficácia e em detrimento da representatividade. Mas, quando a crise económica irrompeu com toda a sua força os nossos sistemas políticos ficaram a nu pois à sua incapacidade de gerirem a economia (ou por incompetência ou porque as soluções não estão no âmbito nacional) acrescentaram ainda a exposição tanto das suas misérias representativas como a sua submissão ao poder dos mercados, cujos desmandes se mostram incapazes de regular. 
O ideal de democracia ateniense fracassou e precisou de centenas de anos para voltar a reinventar-se; a democracia representativa, apesar de não estar a ser discutida a partir de fora, entrará numa importantíssima crise interna se não conseguir desentupir os canais de representatividade e governar eficientemente os mercados em prol do interesse geral. De Atenas a Wall Street, o ideal de democracia pugna por sobreviver.

Greve nos Correios - Traidores estão confundindo trabalhadores para encerrar a greve


Os traidores da categoria do PT e do PCdoB estão realizando uma campanha para confundir a categoria em torno da decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e do fim da greve.
Os “sindicalistas-judas” estão divulgando informações falsas sobre a decisão do juiz, numa tentativa de aterrorizar os trabalhadores para acabar com a maior greve da categoria dos últimos anos.
Esses traidores estão divulgando que os trabalhadores devem acatar a decisão do TST para não sofrerem com retaliações da direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). Quem acompanhou o julgamento do TST viu que os ministros não fizeram nenhuma afirmação sobre a punição aos trabalhadores em greve. O ministro do TST nem mesmo decretou a greve abusiva. O ministro do TST disse que os trabalhadores que se os trabalhadores não voltarem as suas funções não haverá nenhuma punição ao trabalhador. A única punição pela continuidade da greve será a multa a Fentect ou aos sindicatos, de acordo com decisão da ECT.
Os traidores estão fazendo uma ampla campanha para confundir a categoria porque fazem o jogo da direção da ECT para acabar com a greve e iniciarem a negociação de cargos e benefícios entre a direção da ECT e os “sindicalistas-judas”, que contribuíram para encerrar a greve e garantir os ataques aos mais de 110 mil ecetistas.
Essa campanha está sendo realizada principalmente pelos sindicalistas do PT e do PCdoB, que querem decretar o fim da greve. A vontade de encerrar a greve é tão grande que esses traidores estão decretando o fim da greve sem realizar assembléias, evitando que os trabalhadores se reúnam e decidam sobre a decisão do TST. Estão na prática passando por cima de toda a categoria em beneficio da direção da ECT.
Os trabalhadores devem repudiar esses sindicalistas pelegos e exigir a realização de uma assembléia amplamente convocada para ser discutido a decisão do TST e a rejeição da proposta miserável imposta pela ECT e o TST.
Não a utilização das organizações de trabalhadores e do emprego dos 110 mil trabalhadores para a negociação de cargos e benefícios para “sindicalistas-judas”.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Gráficos SP - Paulinho da Força articula com patrões tomar sindicato das mãos dos trabalhadores


Nessa semana que passou o deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, marcou uma reunião com o presidente do Sindigraf (Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado de São Paulo), Fábio Mortara, que ocorreu na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
O deputado não pode comparecer e enviou seu representante, Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, histórico pelego da categoria metalúrgica.
A reunião ocorreu entre os patrões e seus representantes no movimento sindical dos gráficos no momento em que estão próximas as eleições para a direção do sindicato. Nesse sentido a reunião ocorreu para articular uma chapa conjunta entre os chefes e seus capachos inseridos na base da categoria dos gráficos.
Essa articulação ocorreu depois que parte da diretoria do Stig (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica do Estado de São Paulo) rompeu com a central sindical criada pelos patrões, a Força Sindical, para se filiar a CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Paulinho da Força vendo o total fracasso da sua política patronal e um verdadeiro repúdio dos trabalhadores a essas atitudes traidoras está articulando com os patrões para dar um verdadeiro golpe na categoria com mentiras, violência e uma tentativa de paralisar o movimento dos trabalhadores gráficos. Esse golpe está sendo articulado com integrantes da diretoria do Stig que estão se mostrando verdadeiros pelegos e traidores dos trabalhadores, como Nilson do Carmo, Nelson da Silva e Santiago. Esses elementos, juntamente com Paulinho da Força, invadiram as dependências do sindicato para impedir a mobilização dos trabalhadores justamente na campanha salarial, em uma política totalmente de acordo com os patrões e evitar conquistas salariais da categoria.
Nesse momento estão articulando com as direções da empresas candidatos a integrarem a chapa patronal formada pela Força Sindical nas próximas eleições sindicais. A Editora Sol Soft’s já apresentou dois nomes para a possível chapa patronal, que seriam Alex Patez e José Iranildo Tavares.
O que a Força Sindical está fazendo deve ser totalmente repudiado por todos os trabalhadores. Estão querendo imobilizar a categoria em benefício dos patrões se utilizando da compra de trabalhadores gráficos para intervir no sindicato e pegar e desviar o dinheiro dos trabalhadores gráficos utilizado na defesa de seus direitos e na luta pelas suas reivindicações, para a corrupção, traição e financiamento de campanhas eleitorais candidatos dos patrões.

Sindicato de São Paulo acusa McDonald's de explorar funcionários


A rede de lanchonetes McDonald's foi acusada pelo sindicato dos garçons de São Paulo de explorar funcionários sob o pretexto de utilizar uma jornada de trabalho "móvel e variável". A acusação foi feita em audiência pública ocorrida nesta segunda-feira (10) no Senado.
De acordo com a denúncia, nos momentos de menor movimentação em suas unidades, a rede faz com que parte de seus empregados permaneça em uma "sala de descanso”, onde ficam à disposição do McDonald's, mas sem receber pelo horário em que ficam no local.
Ainda segundo a denúncia feita na audiência pública pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio e Serviços em Geral de Hospedagem, Gastronomia, Alimentação Preparada e Bebida a Varejo de São Paulo e Região (Sinthoresp), funcionários da rede McDonald's, em alguns meses, recebem menos de R$ 230.
Durante a audiência, o Sinthoresp apresentou um vídeo no qual uma funcionária –que foi gravada sem saber–, ao conversar com candidatos a emprego, declara que o salário médio para os atendentes varia de R$ 380 a R$ 400. O vídeo também mostra um ex-funcionário, não identificado, que afirma que o maior salário que recebeu da empresa foi de R$ 230.
Presente à reunião da CDH, o diretor de Relações Governamentais do McDonald's, Pedro Parizi, disse que a rede tem cerca de 40 mil funcionários em todo o país e "talvez tenha cometido um ou outro deslize, mas sem má-fé". Ele argumentou que "as exceções não podem ser transformadas em marcas negativas de uma empresa reconhecida mundialmente".
“Se isso aconteceu, estamos aqui para dialogar”, declarou Parizi, ressaltando que o McDonald's vem adotando diversas ações para evitar problemas desse tipo.
Parizi afirmou ainda que a empresa investe cerca de R$ 40 milhões por ano no treinamento de seus funcionários e que, atualmente, o McDonald's é responsável pelo primeiro emprego para cerca de 2.000 jovens. Após ouvi-lo, o presidente do Sinthoresp, Francisco Calasans, disse que o sindicato "está disposto ao diálogo".

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pará: terra sem Lei


O estado do Pará tem sido o local do território nacional onde a repressão aos trabalhadores sem-terra e pequenos camponeses tem se manifestado com mais força. Dois acontecimentos recentes servem para mostrar este fato e, além disso, que estes ataques a aqueles que lutam em defesa da reforma agrária e contra os latifundiários são parte de uma política patrocinada diretamente pelo governo.
O primeiro caso diz respeito à impunidade dos assassinos de Gabriel Sales Pimenta, ex-advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), morto na cidade de Marabá, em julho de 1982, a mando do latifúndio. O mandante, Manoel Cardoso Neto, irmão do ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, no entanto, nunca foi submetido ao tribunal do Júri e continuará em liberdade, pois o crime prescreveu em 2006.
Há poucos dias, o Estado do Pará foi condenado pela Justiça a pagar uma indenização à família da vítima, tamanho o descaso com o assassinato. Nem mesmo o fato do caso ter sido levado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) por causa da impunidade do assassino foi suficiente para reverter o quadro.
Alguns dados mostram como a Justiça agiu abertamente a favor do latifundiário. O inquérito foi instaurado em julho de 1982, mas a denúncia foi apresentada mais de um ano depois, em agosto de 1983. As audiências de qualificação e interrogatório, por sua vez, demoraram mais de cinco anos para acontecerem; e o único decreto de prisão expedido contra Cardoso Neto, 21 anos após o assassinato, não foi cumprido.
A mesma “morosidade” não foi vista no último fim de semana contra um grupo de sem-terra que estava lutando para conseguir uma propriedade para trabalhar. Na mesma cidade de Marabá, um grupo de camponeses tentou retomar uma área ocupada por eles desde 2003; setenta e oito famílias viviam no local, mas foram expulsas em setembro por causa de uma decisão Judicial. Injustamente, os sem-terra vão responder por porte ilegal de armas e podem ser indiciados por formação de quadrilha.
O contraste da atitude do Estado nestes dois casos é evidente. No primeiro, o “descaso” serviu para beneficiar um grande latifundiário da região. No segundo, a “eficiência” da Justiça, tanto pelo despejo das famílias como pela prisão dos treze sem-terra, foi uma das armas para combater os que lutam pela reforma agrária.
Isto levanta um debate que precisa ser feito por todo o movimento camponês e, de uma forma geral, por todas as organizações que defendem a luta contra o latifúndio.
No primeiro semestre deste ano, em junho, o governo Dilma Rousseff enviou a Força Nacional de Segurança (FSN) para a mesma cidade de Marabá com o pretexto de combater a violência no campo, pois dezenas de trabalhadores estavam sendo mortos em conflitos agrários. Com a mesma desculpa o governo do Amazonas, Osmar Aziz (PSD) solicitou o envio da FNS para o estado para combater conflitos agrários. O pedido foi atendido na semana passada, no dia 5 de outubro.
Apesar da prisão dos 13 sem-terra e de outros caso mostrarem que o envio da Força Nacional de Segurança Pública e o reforço no policiamento na região não servem para combater a violência, muitas organizações de “esquerda” e do movimento camponês tem apoiado esta política. O principal dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), João Pedro Stédile, membro da direção nacional da organização, declarou publicamente que apoiava esta política porque era preciso “reforçar a presença do Estado na região”. Stédile, no entanto, se “esqueceu” que é justamente o Estado o principal instrumento para defender a propriedade privada, neste caso o latifúndio. E, desta maneira, reforçar a presença do Estado significa combater a luta dos camponeses pela reforma agrária.
No Pará, e no resto do País de uma forma geral, não há um verdadeiro Estado de Direito, pois o Estado é justamente o primeiro a descumprir o que determina a Lei para poder beneficiar a burguesia. No campo, principalmente na região Norte, esta situação é ainda mais grave.
Neste sentido, os camponeses do Pará não podem seguir as orientações políticas da direção do MST que deposita suas esperanças em que o governo federal dirigido pelo PT, e o estadual, dirigido pelo PSDB, irá defendê-los. Ainda mais usando a polícia e a Força Nacional de Segurança.
A repressão promovida pelo Estado e os latifundiários mostra a necessidade dos pequenos camponeses e sem-terra formarem milícias para defenderem-se destes ataques que estão promovendo um verdadeiro massacre no campo brasileiro. Esta é a única possibilidade de que exista justiça para este setor explorado da população.

domingo, 9 de outubro de 2011

Alckmin faz lobby para aprovar legalização da grilagem de terras


Nos últimos meses diversos veículos da imprensa capitalista atacaram a luta pela reforma agrária e as organizações camponesas, principalmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O maior exemplo disto foi uma matéria publicada no mês de setembro na revista IstoÉ intitulada “O acaso do MST”. Neste artigo a revista se posiciona a favor da repressão ao movimento e chega ao absurdo de afirmar que a causa da reforma agrária não existiria mais, pois tal problema social já estaria resolvido.
Não por acaso, estes ataques da imprensa capitalista ocorrem ao mesmo tempo em que há uma série de iniciativas dos latifundiários pela aprovação de projetos do seu interesse. Tramita no Senado Federal o novo Código Florestal; na região norte está sendo colocado em prática o Programa Terra Legal; e, mais recentemente, o governo do PSDB, em São Paulo, retomou seu antigo desejo de aprovar um projeto que beneficiará os latifundiários da região do Pontal do Paranapanema.
Desde o início do mês de setembro, Alckmin está tentando aprovar o Projeto de Lei 578 que, em linhas gerais, permite que o Estado venda terras que são suas a fazendeiros da região ao invés de destiná-las para a reforma agrária e permite a legalização de propriedades acima de 500 hectares, sendo que a maioria destas áreas foram tomadas por latifundiários de maneira ilegal. Está em marcha uma “reforma agrária às avessas” e a legalização da grilagem de terras.
O governo do PSDB pretende coloca-lo em votação até o final deste mês e, assim como acontece com o novo Código Florestal, há um grande lobby dos latifundiários e do governo para aprová-lo. 
Apresentado por Serra em 2007, o projeto ficou parado por mais de quatro anos. Mas há poucas semanas a situação mudou radicalmente. O governo tucano conseguiu o fazer tramitar em regime de urgência e o PL 578 não precisa ser submetido a nenhuma comissão da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) para ser votado. Ou seja, na prática pode ser encaminhado para a votação a qualquer momento.
O Pontal do Paranapanema é um dos principais locais da luta pela terra no País. Estima-se que neste momento existam mais de duas mil pessoas acampadas na região em busca de terras para trabalhar.
O governo Alckmin sabe da força destes camponeses e que a luta deles pode criar um grande obstáculo às pretensões dos latifundiários. Por este motivo há também um recrudescimento da repressão contra os camponeses com a prisão de diversas lideranças do movimento. O principal líder camponês do Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, está preso desde o dia 16 de junho.
Neste sentido, é preciso se apoiar na luta dos sem-terra para barrar mais este ataque e realizar uma ampla campanha pela libertação dos presos políticos e pelo direito dos trabalhadores lutarem por reforma agrária e contra o latifúndio.

Organizações indígenas se preparam para IV Minga Global pela Mãe Terra


Na próxima quarta-feira (12), populações e organizações indígenas de Costa Rica, México, Venezuela e de vários outros países realizarão a IV Minga Global pela Mãe Terra. Durante a semana, os três países promoverão mobilizações e atividades em "defesa dos direitos territoriais diante da imposição de megarrepresas, mineração e REDD [Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação]”.
Apesar de a Minga Global ser celebrada no dia 12 de outubro, as organizações já estão mobilizadas e preparam atividades que serão realizadas nos próximos dias. No mês passado, os movimentos indígenas divulgaram a convocatória para as ações deste ano, as quais, como nas edições anteriores, denunciarão o modelo neoliberal e os projetos que violam os direitos dos indígenas e da natureza, como exploração mineira, construção de hidrelétricas e falsas soluções para a crise climática.
"Nós, os filhos da Mãe Terra, levantamos nossas vozes e unimos nossas mãos com todos os que sabem que é possível construir um modelo econômico e político alternativo ao neoliberalismo que impõe as atividades extrativas (mineira, petrolífera, florestal, hidroenergética), a invasão desmesurada de megaprojetos de infraestrutura (estradas, hidroelétricas) e plantações de monocultivos alheios aos ecossistemas que alteram a biodiversidade e nosso modo de vida e que atentam contra a soberania e segurança alimentar”, destacaram na convocatória.
O documento recebeu adesão de organizações e comunidades indígenas dos três países, as quais afirmaram que realizarão atividades em defesa dos direitos dos povos e da Mãe Terra. Da Venezuela, a Fundação Harmonia Global, enviou uma mensagem para a Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI) se comprometendo a realizar ações em prol de uma Terra equilibrada. "Na Venezuela, a ONG Fundação Harmonia Global, representante da Campanha Global do clima, prepara em 2011-12 atividades marcadas para unificar as comunidades para salvar o planeta. Nosso compromisso é poder construir as Comunidades Sustentáveis que desejamos deixar às futuras gerações”, destacou.
No México, organizações de Chiapas realizarão uma marcha no dia 12 de outubro desde a margem de San Cristóbal de las Casas até o Parque Central da cidade. Os manifestantes se mobilizarão contra a militarização do país, a destruição da escola pública, as reformas que prejudicam os direitos dos trabalhadores, a venda dos recursos naturais do país, a exploração mineira e as falsas soluções contra a crise climática, como o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD).
As organizações da Costa Rica também realizarão uma marcha no país. A mobilização está marcada para acontecer na manhã do dia 15 com saída do Território Indígena Térraba e chegada ao Território Indígena Rey Curré. A atividade, denominada A luta caminha desde o Sul para andar os caminhos da resistência e dignidade, demandará terra e autonomia e rechaçará o projeto hidroelétrico Diquis, o qual ameaça inundar pelo menos 10% da comunidade indígena Térraba.
A Minga Global é uma mobilização convocada por: Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI), Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), Conselho Indígena da América Central (Cica), Conselho Indígena de Meso-América (Cima) e suas bases regionais

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Maranhão - Mais um quilombola executado pelo latifúndio


Em uma morte anunciada, Valdenilson Borges, 24 anos, trabalhador rural quilombola do Quilombo de Rosário, Serrano do Maranhão, foi executado barbaramente com tiros pelo latifúndio, na manhã do último domingo, 2, no quilombo de Rosário. Ele integrava a lista de aproximadamente 80 quilombolas que estavam marcados para morrer no Estado.
O autor do homicídio já foi denunciado e é conhecido, foi Edvaldo Silva, que se encontra foragido. Até o presente momento, não houve mobilização da polícia local no sentido de capturar o elemento, que denota a cooperação da polícia com jagunços e latifundiários.
A região de Serrano é uma das áreas do Estado do Maranhão onde há maior incidência de conflitos agrários envolvendo quilombolas e grileiros de terra. É, também, uma das regiões mais pobres do Maranhão, situada no litoral norte do Estado.
A notícia da execução de Valdenilson foi comunicada pela Comissão Pastoral da Terra que, em conjunto do movimento Quilombola da Baixada Ocidental Maranhense (MOQUIBOM) têm denunciado atos de violência contra quilombolas do Maranhão.
Entretanto, nem o Governo Dilma nem o governo do Maranhão, Roseana Sarney, realizam qualquer política a fim de proteger os direitos territoriais dos quilombolas maranhenses, muito pelo contrário, permanecem ausentes no debate e dão carta branca para latifundiários usarem a polícia do Estado para os defenderem.
Execução anunciada
Na sexta-feira, dia 30, aproximadamente 150 quilombolas de 46 comunidades do Maranhão acamparam na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Luís, justamente para denunciar as ameaças de latifundiários e grileiros contra os quilombolas, bem como lutar pela regularização de territórios quilombolas, que é um direito garantido pela própria Constituição Federal.
Ao saberem da morte de Valdenilson, os quilombolas fecharam nesta segunda-feira os acessos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Luís. A intenção do movimento é continuar ocupando a sede do Incra até conversarem com representantes do governo federal.
Essa é a terceira vez que o movimento quilombola maranhense ocupa o Incra e a segunda em que os quilombolas fecham os portões do órgão. Com a entrada interditada, funcionários foram impedidos de entrar no órgão.
Como das outras vezes, o Governo Dilma afirmou que pretende enviar autoridades para o local e tentar buscar uma solução. No entanto, com uma lista de pessoas marcadas para morrer, e com o resultado obtido pelo latifúndio com pré-meditação, a responsabilidade da morte de Valdenilson, como de vários outros quilombolas, é do Governo Dilma. E toda morte de trabalhadores da terra também o é.
As ameaças contra os quilombolas e trabalhadores sem-terra no Brasil tem aumentado consideravelmente no último período, especialmente com lista de lideranças marcadas para morrer amplamente publicadas.
Por outro lado o Governo Dilma e os governos estaduais têm acordos com latifundiários e empresários para lesar este que é um direito dos quilombolas consagrado pela própria Constituição Federal que assim diz em seu artigo 68: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.”
Tendo em vista que não há nenhuma proteção do Estado, muito pelo contrário, existe um ataque, está mais que na hora de lutar pelo direito de autodefesa dos quilombolas e dos sem-terra.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Lutar contra a privatização - Ato unificado da campanha salarial é hoje


Companheiros trabalhadores, está sendo realizado hoje em Brasília, o ato nacional da campanha salarial dos Correios, uma atividade fundamental da greve, uma vez que está reunindo trabalhadores vindos de todos os estados.
A atividade, ao lado da greve, é uma arma fundamental para que a categoria consiga colocar o governo da defensiva e conquistar com isso a vitória das reivindicações. Ou seja, não basta apenas fazer a greve, é preciso que a mobilização dos trabalhadores aumente ainda mais e que as ações diretas contra o governo e a empresa sejam intensificadas. É preciso unificar a categoria, mostrando toda a sua força para os patrões.
Os Correios são uma empresa nacional, logo a categoria é também uma categoria nacional. Unificar os trabalhadores, colocando milhares de ecetistas em Brasília, onde estão reunidos os verdadeiros patrões, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o presidente dos Correios Wagner Pinheiro, é uma ação indispensável para a luta.
O governo e a empresa já deram claras demonstrações que não irão negociar com os trabalhadores, tanto é assim que o governo está tomando medidas cada vez mais durantes, chegando inclusive a corta o ponto dos grevistas. Ou seja, o governo e a empresa assumiram uma posição de intransigência e a resposta dos trabalhadores não pode ser outra que não a de aumentar a pressão contra os patrões. Essa é a única maneira de os trabalhadores saírem vitoriosos dessa luta.
Nesse sentido, o ato em Brasília é fundamental para unir as forças dos trabalhadores, mostrando para o governo e para a empresa que a categoria não irá ceder e que, ao contrário, está disposta a ir até as últimas consequências para obter a vitória de suas reivindicações.
A importância do ato também fica evidente pelo fato de a empresa e a burocracia sindical terem boicotado ao máximo a iniciativa da Corrente Ecetistas em Luta, do Sintect-MG e dos trabalhadores. Não é por acaso que essa importante atividade só está sendo realizada após 20 dias de greve, depois de a corrente Ecetistas em Luta ter realizado dois atos em Brasília, e de ter demonstrado na prática que esse é o caminho, tanto que todo o ato fechou o Correio Central, deixando o sistema do Bando Postal fora do ar em todo o País e obrigou a empresa a chamar nova rodada de negociações.
Como fica evidente, o caminho para a vitória da greve dos trabalhadores dos Correios passa obrigatoriamente pela unificação da categoria, que é o que está sendo feito hoje em Brasília.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

¿Por qué América Latina respira?


La economía de América Latina, con altas y bajas, ha ido escapando de la profunda crisis capitalista mundial que después de tres años continúa afectando a Estados Unidos, la Unión Europea y Japón.
Un informe de la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL) indica que el valor de las exportaciones de bienes en la región crecerá 27 % en 2011, aumento similar al del pasado año.
La expansión se debe a un crecimiento de 9 % en el volumen exportado y de 18 % en los precios de esos productos.
El estudio, denominado Panorama de la inserción internacional de América Latina y el Caribe 2010-2011, agrega que el valor de las importaciones aumentará en 23 % y por tanto al finalizar 2011 la región acumulará un superávit comercial de alrededor de 80 000 millones de dólares.
Por su parte, el Fondo Monetario Internacional (FMI), caracterizado por influenciar temores a nivel mundial y sobre todo en América Latina para que los Estados apliquen las recetas neoliberales a favor del capital privado, señaló que “el crecimiento de la región perderá velocidad para ubicarse este año en 4,5 % y 4 % en 2012, aunque seguirá mostrando un vigor que contrasta con el pobre desempeño de Estados Unidos”.
El organismo financiero augura para este año aumentos en Argentina 8 %; Chile 6,5 %; Paraguay 6,4 %; Perú 6,2 %; Uruguay 6 %; México 3,5 %; América Central 3,9 %; el Caribe 3,3 % y Venezuela 2,8 %, mientras que el más bajo será el de Estados Unidos con 1,5 %. El FMI insiste en que para evitar una regresión económica, los países adopten programas de ajustes y una política monetaria más relajada.
Tanto la CEPAL como el FMI señalan que la compleja situación en los países desarrollados, en especial Estados Unidos, Japón y Europa, está empezando a afectar a las naciones emergentes y podría traducirse en un menor ritmo de incremento de las exportaciones a esos mercados durante 2012.
Además, la disminución en los precios de las materias primas (principales rubros exportables de algunos países de la región), afectarían el crecimiento, así como la crisis en Estados Unidos y Europa rebajaría las entradas de remesas principalmente hacia México y las naciones centroamericanas, lo cual esta ocurriendo con más énfasis desde 2008.
Existen factores relevantes para que América Latina haya dado pasos satisfactorios a nivel global en su economía (aunque hay grandes lagunas entre unos países y otros) que no son destacados y en otras ocasiones son denigrados por la propaganda en los medios de comunicación capitalista o por algunos organismos internacionales.
Aunque se reconoce que los dos aspectos fundamentales para que la región no esté envuelta en la crisis son el aumento en los precios de sus materias primas y el crecimiento constante de esas exportaciones a China, ya se está impulsando una campaña contra la nación asiática al tildarla de potencia explotadora en el área.
El primer punto ha sido básico, pues al aumentar el valor de las materias primas en el mercado internacional, los países productores se han visto beneficiados y en sus intercambios con China están creando nuevas infraestructuras, servicios y fábricas que ayudarán a contrarrestar el posible agotamiento o las disminuciones en los precios de esos productos.
Un factor a tomar en cuenta será que un menor crecimiento de las economías emergentes, junto a la crisis de los países industrializados, podrían bajar las importaciones internacionales de los productos básicos. No es menos cierto que se hace imperativo priorizar la cooperación regional comercial y financiera que permitan amortiguar los impactos de un eventual empeoramiento en el escenario internacional.
Pero analicemos que si China no hubiera ocupado un papel destacado en el comercio con América Latina, la crisis hubiera envuelto en una mayor espiral económica descendente a las naciones latinoamericanas.
La CEPAL refiere en su informe que América Latina se ha convertido en el socio comercial más dinámico para China, con un crecimiento anualizado de 31 % en sus exportaciones a la región entre 2005 y 2010, comparado con 16 % al resto del mundo. Se comprende lo que hubiera ocurrido en la región sin la entrada comercial del gigante asiático.
Por ejemplo, en 2009, un año después de estallar la crisis económica financiera en Estados Unidos, un equipo de analistas de la Organización de Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO) significó en un informe que el número de personas hambrientas en América Latina se incrementaría en 53 millones.
Con las exportaciones a China se ha logrado paliar en algo esa situación, aunque esta también tiene mucho que ver con las políticas sociales que ha adoptado cada país, pues mientras en Venezuela, Bolivia, Brasil, Argentina, Nicaragua y Uruguay, por citar algunos, las cifras de pobres han disminuido, en otros han aumentado porque continúan con las directrices neoliberales del FMI y el Banco Mundial.
Otros dos factores que nunca aparecen reflejados en los informes de las organizaciones ni en los medios capitalistas de comunicación, son: una política económica regional menos dependiente de Estados Unidos, la cual ha tomado fuerte impulso en gobiernos progresistas y nacionalistas surgidos en los últimos diez años, y la actitud desinteresada e integradora desarrollada por la República Bolivariana de Venezuela con los países del área.
La primera se reforzó tras la derrota que le infligieron los países latinoamericanos a Estados Unidos durante la cumbre de las Américas, realizada en 2005 en Buenos Aires, cuando rechazaron la propuesta norteamericana de crear el Área de Libre Comercio para las Américas (ALCA), o sea, la nueva versión neocolonial de Washington para ejercer el control económico y político en la zona.
La segunda resultó la iniciativa del presidente venezolano Hugo Chávez de crear Petrocaribe en 2005, que se convirtió en el pulmón de países sin yacimientos petrolíferos y pocos recursos económicos, que no podrían haber enfrentado la profunda crisis económica cuando se elevaron considerablemente los precios del crudo.
Antigua y Barbuda, Bahamas, Belice, Cuba, Dominica, Granada, Guatemala, Guyana, Haití, Honduras, Jamaica, Nicaragua, República Dominicana, San Cristóbal y Nieves, San Vicente y Las Granadinas, Santa Lucía y Surinam reciben petróleo venezolano en condiciones muy ventajosas con un plazo de financiamiento de 25 años y tasa de interés de solo 1 %.
Venezuela también ha realizado beneficiosos convenios de intercambio petrolero, construcción de empresas mixtas y desarrollo de infraestructuras con Brasil, Argentina, Colombia, Uruguay, Paraguay y Cuba, mientras a través del Mercado del Sur (Mercosur) las relaciones comerciales se incrementan en el área.
El desafío para América Latina será continuar por un camino de integración regional sin desdeñar un comercio justo y equitativo con las naciones desarrolladas, todo lo cual redundará en un mayor desarrollo económico, político y social de sus pueblos.