"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tailândia - A crise está encerrada?


Uma complexa operação foi montada na Tailândia para acabar com a crise revolucionária que tomou conta do país


Nesta segunda-feira o governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva fez uma proposta para acabar com os conflitos que se seguiam na Tailândia há quase dois meses. O acordo proposto pelo governo possuía cinco pontos: O respeito à monarquia; Reforma nacional que resolva as injustiças sociais e econômicas; Garantia de uma comunicação social livre, mas “responsável”; Investigação sobre os incidentes do dia 10 de abril e da invasão do Hospital de Chulalongkorn e Revisão da Constituição de modo a que seja aceite por todas as partes

Os lideres dos “camisas vermelhas” que fazem parte da UDD (Frente Unida para a Democracia contra a Ditadura) assinaram positivamente a favor do governo, apenas com algumas ressalvas que compõem mais quatro pontos:A definição da data das eleições e a dissolução do parlamento; Prova real da sinceridade do governo em querer acabar com todas as ameaças; Nenhuma anistia no que respeita as acusações de que os seus líderes são terroristas e promovem um movimento anti-monarquia, pois querem fazer a sua defesa em tribunal; O Governo deve parar de envolver a monarquia em questões políticas.

Comparando as duas reivindicações de trégua, é visível a capitulação dos líderes da UDD, que tem uma proposta mais rebaixada que a primeira. O acordo aceito pela UDD e colocam todos os trabalhadores que aderiram ao movimento nas mãos do governo para serem julgados.

O movimento não foi derrotado nos enfretamentos com a polícia e o exército. Aceitar as acusações de terrorismo por parte do governo é uma traição sem tamanho contra o movimento.

Aceitar a negociação com o governo de Abhisit já é uma capitulação. Pois este estava para ser derrubado pela mobilização, que desencadeou uma crise em todo aparelho governamental que ia do exército a aliados do próprio governo.

Os trabalhadores foram traídos vergonhosamente, e a direção da UDD pode pagar caro por isso.

Apesar de a UDD entregar a mobilização, ouve uma crise interna muito grande dentro do exército.

A intenção de Abhisit não era negociar. Para ele, o exército usaria de todo o poder militar para acabar com os “camisas vermelhas”. Seu desejo era promover o confronto e esmagar as manifestações.

O general Anupong, chefe do exército, resistiu às ordens de Abhisit de atacar os “camisas vermelhas” naquelas circunstâncias. Muitos dos soldados, vindo de regiões pobres, poderiam aderir o movimento dos “camisas vermelhas”. No geral, o corpo militar, em sua maioria, concordava com Anupong, procurando promover um acordo político para solucionar a crise.

Sem força no exército, e com a pressão dos “camisas vermelhas”, Abhisit foi obrigado e fazer a proposta para a UDD. O primeiro ponto da proposta da UDD foi atendido: as eleições serão no dia 14 de novembro, e a dissolução do parlamento em setembro. Mas esta era também uma intenção do exército, e não houve nenhuma polêmica quanto a esse ponto.

As duas alas da burguesia em disputa se enfraqueceram, mas evitaram a revolução.

Resta saber se a crise da Tailândia, que já dura anos, será encerrada facilmente. O acordo ainda não superou a crise que existe. Apaziguou, por hora, o conflito, mas a miséria real dos camponeses, e suas reivindicações que não foram atendidas podem levar a uma retomada das mobilizações e à reabertura da crise revolucionária no país.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Grécia: terceira greve geral do ano e cinco dias de protestos


Para aprovar o pacote de 110 bilhões de euros no último domingo em uma tentativa de salvar o sistema financeiro do país, o governo grego teve que se comprometer a colocar em prática uma série de ataques contra os trabalhadores. A resposta está sendo dada pela classe operária nas ruas

O pacote que foi aprovado no último domingo será um empréstimo de 110 bilhões de euros, divididos entre a União Européia e o Fundo Monetário Internacional. Para isso o governo grego teve que se comprometer a reduzir seu déficit a menos de 3% do PIB até 2014, diante dos atuais 13,6. A “solução” encontrada pela burguesia européia foi o corte de 30 bilhões de euros nos próximos três anos afetando empregos, salários, condições de trabalho e vida das massas populares do país.

Os 30 bilhões de euros que o governo pretende conseguir serão retirados principalmente através do corte de benefícios dos trabalhadores e de impostos que passarão por reajustes.

O plano de austeridade contra os trabalhadores inclui cortes e congelamentos de salários até 2013, flexibilização das leis trabalhistas, eliminação do bônus dado aos trabalhadores do setor público, aumento da idade para a aposentadoria e redução dos investimentos públicos.

Diante das medidas extremamente repressivas que o governo pretende impor, os trabalhadores gregos organizaram nesta quarta-feira, dia 5, a terceira greve geral deste ano, onde mais setores se incorporaram e em uma das manifestações realizadas no centro de Atenas, participaram mais de 100 mil trabalhadores.

Desde terça-feira, dia 4, alguns setores já haviam entrado em greve a partir do meio-dia, foi o caso dos professores e dos funcionários públicos. Na quarta-feira entraram em greve os trabalhadores dos transportes e os funcionários de empresas privadas.

Com os setores que aderiram à greve, a Grécia ficou sem meios de transportes incluindo aviões. Os transportes como ônibus, trens e táxis só foram usados para levar os grevistas para a manifestação no centro de Atenas. Escolas, universidades e o comércio foram fechados, o único setor que se manteve em fucionamento, porém apenas em caráter de urgência, são os hospitais. A imprensa também foi paralisada, onde a maioria dos operários aderiu ao movimento..

A greve engloba várias organizações, mas só as duas maiores centrais sindicais já somam mais da metade dos trabalhadores do país. A Adedy, uma delas, possui 375.000 afiliados e a Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos (GSEE), um milhão de afiliados.

Ainda na terça-feira, dia 4, militantes do Partido Comunista Grego (KKE), em um grupo de cerca de 200 pessoas invadiram a Acrópole de Atenas e penduraram no monumento uma faixa em inglês e outra em grego com os seguintes dizeres: "Povos da Europa, levantem-se".

O chamado poderia até soar exagerado em outras épocas, mas não na que estamos vivendo atualmente, pois outros países também estão prestes entrar na mesma situação, como é o caso de Espanha e Portugal.

Além disso, para tentar tirar a Europa da crise, outros países pretendem aderir a planos similares ao aplicado pelo governo grego, o que significa que, de um modo geral, todos os trabalhadores europeus passarão por cortes, demissões entre outras coisas.

A Grécia ao que parece está sendo usada como exemplo, e para muitos líderes europeus o resultado tem sido preocupante, pois há sim a possibilidade de trabalhadores de outros países se levantarem, o que levará a uma situação incontrolável para os governos europeus.

O plano de austeridade irá ainda passar pelo parlamento grego que dará uma resposta nesta quinta-feira, dia 6. Além disso, o próprio auxílio à Grécia em que a União Européia ficou responsável por 80 bilhões de euros terá que ser aprovado.

A Alemanha que possui a economia mais forte no bloco ficou responsável pelo maior empréstimo, que será no valor de 22.400 bilhões de euros. Por conta disso, a chanceler Angela Merkel pretendia conseguir a aprovação no Parlamento ainda nesta quarta-feira, enfrentando inclusive a oposição que critica a chanceler por achar que a mesma agiu de forma muito lenta e deu pouca atenção para o problema.

Para convencer até mesmo seus opositores Merkel procurou ser clara em relação a gravidade da crise e em sua intervenção no Parlamento, “o futuro da Europa e da Alemanha estão em jogo, estamos em uma encruzilhada”. (El País, 5/5/2010)

Além de Merkel outros governos e investidores estão preocupados com o que tem acontecido na Grécia. Chris Lowe da FTN Financial disse à BBC que a comunidade financeira está chocada com os violentos protestos.

Ele disse ainda que “se os gregos estão chateados, então talvez a gente precise se preocupar com os portugueses, os espanhóis e os italianos que também poderão ficar chateados com os cortes que vão ter que enfrentar”. (BBC, 5/5/2010)

Os confrontos na Grécia estão mais radicais, pois os manifestantes estão tentando invadir o parlamento para evitar a votação do plano e mostrar ao governo que não vão aceitar as medidas.

Por conta disso, os manifestantes que se aproximavam nesta última terça-feira do local onde fica o parlamento, foram recebidos pela polícia de choque e o confronto mais violento desde o início da crise ocorreu o que resultou na morte de três pessoas, inúmeros feridos e presos, prédios como o ministério da agricultura e bancos foram queimados em uma demonstração de revolta contra o governo e os responsáveis pela crise.A intensa luta travada pelas massas trabalhadoras na Grécia contra o governo e a consipiração da cúpula da União Européia é um sinal do colapso da tentativa de evitar o aprofundamento da crise econômica em todo o continente. Mais grave ainda, a luta é uma demonstração de que o plano de “salvamento” da economia grega fracassou antes mesmo de ter sido colocado em prática. Os trabalhadores gregos e as massas operárias em toda a Europa deixaram claro que não vão aceitar que os capitalistas joguem sobre suas costas todo o peso da crise que criaram. O próximo período será, sem dúvidas, de grandes lutas e intensa mobilização das massas não só na Grécia, mas em toda a Europa. A ação dos trabalhadores gregos aponta as tendências revolucionárias presentes no conflito atual.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A sacralização da política e a profanação da religião*

“Toda concepción religiosa del mundo implica la distinción entre lo sagrado y lo profano”, afirma Caillois (1996:11). Do ponto de vista religioso, sagrado e profano são opostos. Porém, tal oposição não ocorre de uma maneira dicotômica na qual os pólos se excluem; sagrado e profano se relacionam, se complementam. A religião diz respeito ao sagrado e pressupõe uma atitude que “impone al fiel um particular sentimiento de respeto que inmuniza su fé contra el espíritu de libre exame, la sustrae a la polémica y coloca fuera y más allá de la razón” (id.:12).


A relação entre o sagrado e o profano é mediada pelo ritual. As instituições religiosas são responsáveis por esta mediação; é preponderantemente nelas e através delas que os fiéis adentram no mundo sagrado. A experiência do sagrado pressupõe o culto, personagens específicos imbuídos de sacralidade, determinados lugares e tempo. No mundo moderno, as igrejas concentram estas características e se confirmam como instituições que administram os bens simbólicos religiosos, isto é, o sagrado. É no espaço e tempo destas instituições, com seus cultos específicos, pastores, sacerdotes etc., isto é, indivíduos legitimados pela instituição, que os fiéis vivenciam o sagrado.

A experiência do sagrado pressupõe a elevação do eu para além do mundo profano. Os homens e mulheres, numa mescla de terror, submissão e esperança, reconhecem no sagrado uma força superior capaz de lhes socorrer. As concepções de mundo predominantes se alimentam deste teor religioso: o sucesso e o fracasso, a bonança e as calamidades, a vida e morte, se vinculam aos fundamentos referentes ao sagrado. Este surge como o refúgio humano à realidade opressiva e miserável do mundo profano. Em sua angústia existencial, homens e mulheres buscam o conforto do sagrado e, ao mesmo tempo, o temem. Os humanos vivem simultaneamente entre o terror da punição – de arder no mármore do inferno – e a esperança de que a divindade o recompense – na terra e no céu.

A política diz respeito ao mundo profano, ao mundo comum. A modernidade afirmou categoricamente a sua autonomia diante da religião. Se no mundo medieval a religiosidade, instituições religiosas e organização política e social se confundiam, isto é, poder espiritual e poder temporal se mesclavam e determinavam os destinos dos indivíduos, a modernidade significa a possibilidade de separação entre Igreja e Estado e, neste sentido, da relativa autonomia de ambos na sociedade. A crescente secularização consolidou este processo. Contudo, à maneira da relação entre o sagrado e o profano, também a secularização não expressa uma contradição absoluta com a religião. Esta permanece forte e influente, seus preceitos morais e religiosos, bem como o poder dos sacerdotes e da organização, não podem ser simplesmente descartados pelo poder do Estado. De certa forma, o poder espiritual também se reveste de poder temporal, na medida em que tem influência real sobre o mundo da política.

Se o mundo profano (comum) se vincula à política e as igrejas são, por excelência, os espaços de manifestação do sagrado, não há um muro intransponível entre eles. Com efeito, o mundo profano da política se reveste, em determinados casos, de sacralidade; e, por sua vez, o mundo sagrado vinculado às instituições religiosas revela, sob certas circunstâncias, manifestações profanas. Observe-se, por exemplo, como a política gera os “profetas” prenhes de carisma e, à maneira religiosa, constitui um grupo de seguidores (“discípulos”). Observemos ainda como, em certos contextos históricos, ideologias seculares se manifestam religiosamente, com a presença de determinados “ritos” e o culto à personalidade. A razão produziu um novo crente que tem fé na ciência e também uma nova crença amparada na esperança utópica da construção do paraíso na terra. Eis uma das funções principais das ideologias seculares críticas à sociedade moderna capitalista.

Se a religião reflete os desejos humanos de uma sociedade essencialmente justa, realizável apenas no nível do “céu”, isto é, post mortem – e, neste sentido, toma como inevitável a miserabilidade da vida terrena e a condição humana falível e imperfeita –, a ideologia política sacralizada inverte os pólos e afirma a possibilidade da utopia social no plano terreno, ou seja, a construção do paraíso na terra. Os crentes perseguem o paraíso como algo impossível de ser atingido no plano da vida material; os utopistas buscam o possível onde afirmam o inexistente.

Mas, para que tenha efeito prático, as utopias necessitam se manifestar enquanto ideologias capazes de influenciar e de serem “encarnadas” pelas massas e, talvez o mais importante, precisam ser eficazes na produção de novos crentes. Se a religião pressupõe a fé; a ideologia também não pode prescindir da crença no impossível, no devir longínquo e na possibilidade de que o vir-a-ser deixe de ser apenas uma promessa para se tornar realidade. Portanto, a ideologia também se reveste de sacralidade e religiosidade: tem os seus profetas, seus seguidores e as instituições onde se manifestam os rituais e realizam os cultos.

Se as religiões, como escreve Berger (1985:46), têm como função legitimar e manter o mundo social e historicamente construído; e, se esta legitimação consiste em “conceber a ordem institucional como refletindo diretamente ou manifestando a estrutura divina do cosmo”; as ideologias seculares têm dupla função: manter e transformar a sociedade existente. Para que efetivem essas funções, isto é, na medida em que as idéias se apoderam das mentes e se traduzem em manifestações reais e práticas, estas ideologias também precisam se revestir de aspectos religiosos. Assim, por exemplo, as ideologias conservadoras se alimentam de valores morais vinculados à tradição, aos costumes e à religião. Já as ideologias críticas, por sua vez, também não podem simplesmente desconsiderar estes fatores. Para serem eficazes precisam convencer e arrebanhar seguidores. Seu caráter, porém, não será definido pela religiosidade e sacralidade, mas por um apego cientificista. A ideologia, então, fundamentará a sua utopia em argumentos pretensamente científicos, sem, no entanto, abrir mão de slogans e mensagens nada científicas, pois exigem, como toda religião, a crença. O fanático fundamentalista religioso não difere muito do fanatismo militante vinculado a ideologias seculares. Se o primeiro acredita em Deus, o segundo acredita na inexorabilidade da história e também cultua os seus ídolos.

Os crentes de determinados movimentos e instituições religiosas vêem o mundo com desconfiança e, invariavelmente, buscam se afastar das coisas mundanas. “É do mundo”, dizem. O afastamento das coisas do mundo é uma das manifestações de resistência à secularização. Eles buscam o sagrado, vinculam-se a este na esperança de que a divindade os socorram e os libertem das iniqüidades humanas. Na verdade, dilaceram-se diante do dilema de cultuar o sagrado e negar o profano, como se estes expressassem uma relação de pólos excludentes. Ao “fugirem” do mundo, negam a condição humana que lhes é inerente. E, no entanto, têm que se haver cotidianamente com esta condição. Assim, procuram trazer o sagrado para o seu dia-a-dia. É como se o sagrado rompesse os muros dos templos: profano e sagrado passam a conviver nos mesmos espaços-tempos. Isto, porém, não significa a perda do específico, isto é, do tempo e espaço consagrados ao culto. Como não é possível negar plenamente a condição humana e a realidade social, os crentes deste tipo intensificam os vínculos com o sagrado e, assim, tendem a alimentar o sectarismo, o espírito de seita e o fanatismo – um dos efeitos deletérios deste procedimento é a intolerância religiosa.

Ao contrário dos “crentes religiosos”, os “crentes seculares” de determinadas ideologias se apegam freneticamente ao mundo. Para estes o mundo real é a medida de todas as coisas. Tudo o que não pode ser explicado sob este prisma não merece consideração. Deste ponto de vista, a religião expressa alienação, ópio, distanciamento do real. São herdeiros da “crítica óbvia” do século XIX”.[1] Escapa-lhes a compreensão sobre os porquês de homens e mulheres buscarem o transcendente. No extremo oposto, negam as necessidades espirituais, a existência da divindade, e ao negarem confirmam-no; não compreendem a religião como parte da condição humana.[2] A ironia é que fazem isto reafirmando religiosamente as suas “crenças” e, na suprema necessidade de se afirmarem, e também ao seu projeto utópico de sociedade, terminam por repetir os mesmos procedimentos dos que criticam. São igualmente intolerantes.

A concepção religiosa dos “crentes em ideologias seculares” é sociologicamente determinista – mas do que isso, é mecanicista, pois imaginam que a religião é apenas reflexo das estruturas econômicas. Sacrifica-se a dialética no altar da crítica à religião. Trata-se de um pensamento tosco e reducionista. Esquece-se, como afirma Berger, “que a mesma atividade que produz a sociedade também produz a religião, sendo que a relação entre os dois produtos é sempre dialética” (id.: 61).

Se a religião é o ópio do povo e fator de legitimação da ordem social vigente, e se esta repousa numa dada estrutura econômica, então, é lícito supor que, na perspectiva do reducionismo economicista, o ser humano superará a religião quando a estrutura, as “condições objetivas”, se transformar e possibilitar a superação do reino da necessidade. Este é um argumento que desconsidera a psique e os dilemas da condição humana que transcendem os aspectos materiais. Por outro lado, seja na perspectiva religiosa, seja na secular, os mesmos fatores que legitimam o status quo – religião e ideologia – também podem questioná-lo. Se isto fica evidente no que diz respeito às ideologias críticas à sociedade capitalista, parece escapar à compreensão de alguns dos que se debruçam sobre o fenômeno religioso. Observe-se que a mensagem religiosa pode ser conformista, mas também pode representar a promessa de construção de uma sociedade mais justa e igualitária espelhada nas palavras do livro sagrado. A leitura crítica da bíblia e sua aplicação prática pelos que abraçaram a Teologia da Libertação é um exemplo.

A religião, para além de considerações críticas, cumpre ainda um papel importante na medida em que contribui para que os indivíduos se sintam minimamente seguros no mundo. Não é por acaso que a secularização não conseguiu suprimir os sentimentos religiosos e em lugar do desencanto religioso vemos, nos tempos atuais, a busca crescente da religião. Talvez isto se explique pela necessidade de segurança ontológica. Como escreve Berger: “A religião serve, assim, para manter a realidade daquele mundo socialmente construído no qual os homens existem nas suas vidas cotidianas” (Id.: 55).

É interessante observar que as ideologias também cumprem esta função. Os homens e mulheres adeptos de determinadas ideologias apegam-se, à maneira religiosa, em certezas e verdades que, a depender do grau de adesão e das características destas, não admite a dúvida. E, tal qual o religioso crítico em sua instituição, os que ousarem questionar as certezas compartilhadas fervorosamente serão expurgados como hereges. Um bom exemplo deste procedimento é a crise, até mesmo existencial, em que mergulham os adeptos de determinadas ideologias quando estas perdem as suas referências e desabam como castelos de areia (atente-se para eventos históricos como a queda do muro de Berlim e a desintegração da URSS).

Concluindo estas reflexões, afirmo a hipótese de que a separação sagrado/profano, religião/política, Igreja/Estado, não é tão absoluta como poderíamos imaginar. A relação entre estes pares não é dicotômica e excludente. Mais do que complementares, parece-me que o melhor método para compreender estes fenômenos é aquele que nos permita observar as contradições e o movimento dialético com parte de uma totalidade resultante da práxis humana. Os homens e mulheres historicamente determinados produzem a vida material, mas também ideologias e a religião. E estas são tão necessárias para a vida cotidiana como o pão que os alimentam e os bens materiais que tornam as suas vidas mais suportáveis. Dessa forma, é possível avançar na direção do aprofundamento de outra hipótese: a de que as ideologias seculares, para serem eficazes, também atuam à maneira religiosa, com seus cultos, mitos, templos, livros sagrados, sacerdotes, profetas e discípulos.



Referências bibliográficas

BERGER, P. O dossel sagrado. São Paulo: Paulinas, 1985.

CAILLOIS, R. El hombre e el sagrado. México: FCE, 1996.

CROATO, J. S. As linguagens da experiência religiosas. São Paulo: Paulinas, 2001.

__________. Os Deuses da Opressão. In: VV. AA. A luta dos deuses. São Paulo: Paulinas, 1985, pp. 39-57.

DOUGLAS, M. Pureza e Perigo. Lisboa: Edições 70, s.d.

ELIADE, M. “O Nascimento do Cristianismo”. In: ELIADE, M. História das Crenças e das Idéias Religiosas: De Gautama Buda ao Triunfo do Cristianismo. Tomo II. Rio de Janeiro: Zahar Editores, pp. 97-129.

__________. Aspectos do Mito. Lisboa: Edições 70, 1986.

ENCICLOPÉDIA A. EINAUDI. Volume 30 (Religião-Rito). Verbete: Rito: Lisboa: Imprensa Nacional, 1994, pp. 325-359.

MARTELLI, S. A religião na sociedade pós-moderna: entre secularização e dessecularização. São Paulo: Paulinas, 1995.

PAIM, A., PROTA, L e RODRIGUEZ, R. V. Curso de Humanidades 4 – Religião (Guia de Estudos). Londrina: Editora UEL; Instituto de Humanidades, 1997.

PONDÉ, L. F. “Religião como crítica: a hipótese de Deus”. In: CULT. “Cristianismo e Modernidade”. Edição especial, nº 64, Ano VI, Editora 7, pp. 07-19.

RIVIÈRE, C. Os ritos profanos. Petrópolis: Vozes, 1997.

ROSSI, Luiz Alexandre Solano. “Mitos: ferramentas que proporcionam investigações sociológicas”, mimeo.

STENMARK, M. “Racionalidade e compromisso religioso”. Numen: revista de estudos e pesquisa da religião. Juiz de Fora, v. 2, nº. 2, pp. 11-27.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Polícia usa gás lacrimogêneo contra protesto de trabalhadores na Turquia


Vários pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira após confronto entre a polícia e trabalhadores da tabacaria Tekel, que protestam contra reduções salariais e reduções da jornada de trabalho em Ancara, na Turquia.

Segundo as redes de televisão turcas, a polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar os milhares de trabalhadores do Monopólio do Tabaco e do Álcool (Tekel) que estavam concentrados em diversos lugares do centro da capital Turca.


Burhan Ozbilici/AP

Polícia usa gás de pimenta para conter trabalhadores que protestavam contra reduções salariais em Ancara, na Turquia

"A polícia usou gás lacrimogêneo, jatos de pressão de água e cassetetes para dispersar os trabalhadores que responderam com pedras. Entre seis e sete pessoas ficaram feridas, afetadas pelo gás lacrimogêneo lançado diretamente sobre seus olhos", disse um dos manifestantes que participa do protesto.

Ainda na madrugada desta segunda-feira, as forças de segurança bloquearam as estradas que dão acesso a Ancara para tentar impedir a chegada dos manifestantes que vieram de ônibus de diversas Províncias do país.

Mas os trabalhadores burlaram os controles ao se dirigir a pé para a cidade e depois tentaram se concentrar em frente à sede da federação de sindicatos Turk-IS.

A eles somaram-se grupos de estudantes e membros de diversos sindicatos e associações, assim como de partidos de esquerda, que apoiam as suas reivindicações.

Alguns deputados da oposição, que estavam em um grupo de manifestantes que tinha bloqueado o tráfego de uma das principais ruas da cidade, também foram atingido pelo gás lacrimogêneo.

Os protestos se dirigem contra o governo pelas medidas adotadas para reduzir os salários e a jornada depois da privatização da Tekel.

Em janeiro mais de 25 mil pessoas --trabalhadores e suas famílias-- em 600 ônibus foram a Ancara e acamparam em barracas durante dois meses e meio. Agora, 29 dias depois, milhares deles voltam à capital para uma ação de 24 horas.

Os trabalhadores pretendiam se reunir em frente à federação dos sindicatos, mas a polícia não permitiu e fez com que os protestos ficassem distribuídos pela cidade.

O líder dos trabalhadores da Tekel, Mustafa Turkel, afirmou que o protesto de hoje é uma ação de um só dia e que ninguém pode impedir que os manifestantes cheguem à sede da Turk-IS.

"A tensão aumenta. Está acontecendo algo único na história do mundo. Trabalhadores são proibidos de ir a sua federação, mas está claro o que faremos: iremos lá", disse Turkel.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Rede Globo invade terreno público com aval do governo tucano

De acordo com a denúncia levantada pela Rede Record, a emissora da família Marinho anexou a sua sede um terreno de quase 12 mil metros quadrados pertencente ao governo do estado. O governo do PSDB não só autorizou a invasão como agora irá financiar uma escola para a Rede Globo


No último domingo, 28, a Rede Record voltou a denunciar a invasão de um terreno público feito pela Rede Globo. O anúncio trouxe a tona o acordo criminoso entre a emissora e o governo de José Serra (PSDB).

O terreno, localizada no Brooklin, em uma das regiões mais valorizadas em São Paulo, fica ao lado da sede da Rede Globo na zona Sul da capital. A emissora, sem nenhuma licitação ou autorização, simplesmente anexou o terreno que pertencia ao governo sob a desculpa de que estava “conservando a área”. A desculpa é mais um descaramento da emissora. É óbvio que não se tratava de preservar a área, mas de tomá-la para uso privado, tanto é assim que o terreno foi cercado e a população impedida de entrar no local que antes era uma pracinha de uso público.

De acordo com as denúncias, “[O] terreno de 11.618 metros quadrados, anexo a sede da Rede Globo na zona Sul de São Paulo, foi ocupado ilegalmente pela emissora (Globo) durante 11 anos. O local onde se localizava o terreno era em uma praça avaliada em mais de R$ 11 milhões de reais. O local funcionava como pista de cooper para os funcionários da emissora. A área estava cercada como propriedade particular, onde ninguém podia entrar. O terreno que foi ocupado ilegalmente pela emissora pertence ao Governo do Estado de São Paulo, (especificamente a secretaria de Planejamento e Economia) e não a Globo”

A invasão ocorreu com o total apoio do governo, que em nenhum momento, em 11 anos de posse ilegal, procurou rever o terreno, uma prática corriqueira quando se trata de ocupações realizas pela população, a exemplo das ocupações realizado pelos sem-terra, onde a burguesia não só determina a reintegração de pose, como a faz com uma violência brutal. O cinismo do governo do PSDB é tamanho que diante da denúncia, o governo ao invés de rever a posse do terreno, anunciou que irá fechar uma parceria com a Globo para a construção de uma Escola Técnica Estadual (Etec), que não por acaso ter´um curso de áudiovisual e terá o nome de “Escola Roberto Marinho”. Ou seja, o governo não só autorizou a invasão como agora irá financiar uma escola para a Rede Globo.

Essa não é a primeira vez que os empresários tomam posse de forma ilegal das terras do Estado, pelo contrário. Essas invasões são corriqueiras e ocorrem com o total aval dos governos e da Justiça burguesa. Um exemplo emblemático é o da Curtale, uma das maiores empresas produtoras de suco de laranja do mundo possuindo 30% do mercado mundial. A empresa se apossou de mais de 2,7 mil hectares pertencentes à União. O que chamou a atenção nesse caso foi a enorme campanha da burguesia contra os sem-terra que organizaram uma ocupação na fazenda tomada pela empresa. Os jornais burgueses publicaram dezenas de matérias para incriminar a ocupação realizada pelos trabalhadores, acusando-os de “Vandalismo sem limites”. Ou seja, quando se trata de uma ocupação realizada pelos sem-terra, o que se vê é toda uma ofensiva da direita contra os trabalhadores do campo, entretanto quando os invasores são a Rede Globo ou a Cutrale, a medida é não apenas justificada como apoiada pelos governos e imprensa capitalistas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Brasil é o país mais desigual da América Latina, diz ONU


O Brasil é o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda, mostra um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo ONU-Habitat (Programa de Assentamentos Humanos da ONU) no Rio de Janeiro.

Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira.

O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo. Segundo o documento, divulgado durante o quinto Fórum Urbano Mundial da ONU, os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região.

Os 20% mais pobres, por sua vez, recebem apenas 3,5% da renda, o que faz da América Latina a região mais desigual do mundo.

"O país com menor desigualdade de renda na América Latina é mais desigual do que qualquer país da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico] e inclusive do que qualquer país do Leste Europeu", diz o relatório.

O México é o segundo país mais desigual da América Latina, já que os 10% mais ricos da população recebem 42,2% da renda, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,3%.

Na Argentina, em terceiro lugar, 41,7% da renda está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres têm apenas 1,1%.

A Venezuela é o quarto país mais desigual da região, já que os 10% mais ricos têm 36,8% da renda e os 30% mais ricos controlam 65,1% dos recursos, enquanto os 10% mais pobres sobrevivem com apenas 0,9% da riqueza.

No caso da Colômbia, 49,1% da renda do país vai parar no bolso dos 10% mais ricos, contra 0,9% que fica do lado dos mais pobres.

No Chile, 42,5% da renda local está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto 1,5% dos recursos vai para os mais pobres.

Os países menos desiguais da região são Nicarágua, Panamá e Paraguai. Mesmo assim, nos três, a disparidade entre ricos e pobres continuam abismais, já que os 10% mais ricos consomem mais de 40% dos recursos.

Também segundo este relatório, a urbanização não contribuiu para diminuir a pobreza na América Latina, já que o número de pessoas na miséria aumentou muito nas últimas décadas.

Em 1970, havia 41 milhões de pobres nas cidades da região, 25% da população da época. Em 2007, os pobres em áreas urbanas eram 127 milhões, 29% da população urbana.

No entanto, o ONU-Habitat alertou no relatório que "é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre".

Assim, a pobreza rural no Brasil alcança 50,1% da população; na Colômbia, 50,5%; no México, 40,1%; e no Peru, 69,3%. A grande exceção é o Chile, com um índice de pobreza rural de 12,3%, número inferior inclusive ao das zonas urbanas.

sábado, 13 de março de 2010

Professores paulistas em greve

É hora de superar a política falida da diretoria da Apeoesp e derrotar Serra

Reunidos na Praça da República, ontem sexta-feira, 05 de março, mais de 5 mil professores do estado de São Paulo decretaram greve a partir do último dia 8 de março e deliberaram realizar nova assembléia para sexta-feira, 12 de março,no vão do MASP, na Av. Paulista.

A decretação da greve foi unanime. A diretoria composta pelo bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) não teve mais como segurar a mobilização dos professores, diante da revolta generalizada da categoria com as últimas medidas do governo Serra (milhares de demissões de ACT´s com a “provinha”, congelamento dos salários sob o disfarce de exame, .

A greve de agora,representa a retomada das mobilizações da categoria, em 2007 e 2009, ambas traídas pelo diretoria, que acertou com o governo o fim da greve antes de consultar a categoria (2007), desviou a luta para a corrupta Assembléia Legislativa – para fazer campanha de do ex-presidente da Apeoesp, Roberto Felício (PT) e outros deputados ligados ao nado dos quatro. Em todas situações, a diretoria mentiu descaradamente para a categoria, dizendo que estava conseguindo vitórias, enquanto os professores acumulávamos derrotas e mais derrotas.

No ano passado, a greve foi abortada um dia após o anúncio da paralisação, ao invés de fortalecer o movimento e impor uma derrota ao governo Serra derrubando o PLC 19 e PLC20 ,que instituía, entre outras coisas, a famigerada provinha dos ACT’s. A burocracia do bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) tratou de acabar com o movimento e levar a luta dos professores para a ALESP.



Derrotar a burocracia, para derrotar Serra



Outro golpe usado pela diretoria, nos últimos anos foi se aliar às direções ultrapelegas e patronais (pró-Serra) de entidades como o CPP, Afuse, Apase, Udemo, Apampesp etc. Diante da sua fraqueza e dos demais, a burocracia da Apeoesp tratou de se juntar com outros pelegos para bloquear a mobilização da categoria, ajudando – de fato – os governos tucanos a atacar os professores, funcionários e o ensino público.

Diante da experiência das ultimas traições, fica claro que para fazer vitoriosa a mobilização, a categoria não deve depositar se quer uma gota de confiança na diretoria do bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) e assumir o comando da mobilização, lançando mão da criação de comandos de greve de base (sem a burocracia fura-greve), elegendo um comando estadual de base na assembléia estadual para negociar com o ogverno e prestar contas diante da categoria, enfim, fortalecendo a organização independente da categoria em um poderoso movimento estadual de oposição, com reuniões e boletins regulares e tudo mais que for necessário para construir uma direção alternativa para as lutas dos professores.

Nesse momento, fica evidente que não há uma verdadeira ação da direção para impulsionar a greve, o milionário orçamento de mais de R$ 50 milhões da Apeoesp não é usada para uma verdadeira campanha contra o governo Serra e a favor das reivindicações da categoria. Campanha mesmo só a favor dos deputados e dirigentes da burocracia.

Diante dessa situação, a categoria deve repetir 2005, quando – poucos meses antes do tucano Alckmin se afastar para concorrer à presidência da república, mais de 30 mil professores tomaram a av. Paulista impondo uma derrota ao governo - que teve que voltar atrás na demissão de 120 mil ACT’s - e conquistando (mesmo com o corpo mole da diretoria) o maior reajuste salarial de todo o período tucano (15% de reposição e 15% de gratificações).

Contra a política de colaboração da burocracia com o governo tucano, adotar outro caminho: o da organização independente da burocracia e o da mobilização.

Ocupar a Paulista. Parar o “coração” de São Paulo, pelo tempo que seja necessário, até que o governador-candidato tucano atenda nossas reivindicações.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A crise européia - Grécia: quem vai pagar?

Após ter aprovado as medidas que promovem cortes de salários e benefícios contra os trabalhadores no início deste mês, o primeiro-ministro George Papandreu recorreu à Alemanha e outros países da União Européia para cobrar a ajuda financeira prometida pelo bloco


A burguesia européia tem se mostrado desconfiada e ainda vê a crise econômica grega como algo extremamente perigoso para os seus próprios bolsos, mesmo que não tenham dado um centavo até agora para o colapso do país.

A população trabalhadora grega, que já estava insatisfeita com a política do governo, intensificou as greves e manifestações em todo o país, com destaque a capital de Atenas onde até mesmo o ministério das Finanças foi ocupado pelos trabalhadores.

Apesar de toda a crise interna que está se formando na Grécia por causa do plano, o primeiro-ministro grego não adiou sua viagem para mostrar ao bloco que as novas medidas e ainda mais duras seriam capazes de levar o país à meta de reduzir 4% do déficit ainda este ano.



O fim dos “bailouts”?



No encontro do dia 6 em Luxemburgo entre George Papandreu e os outros líderes europeus, os representantes do bloco afirmaram que a Grécia terá o apoio político que precisar, mas não houve nenhuma proposta concreta de ajuda financeira.

O único país que ofereceu ajuda financeira, mas ainda assim com desconfiança e receoso dos resultados do plano aplicado pelo governo grego, foi a França.

Após o encontro onde o primeiro-ministro grego não conseguiu a ajuda que esperava mesmo depois de colocar os trabalhadores gregos contra a parede como o bloco havia pedido, Papandreu resolveu viajar por diversos países para tentar, nas relações diretas com cada governo, levantar fundos extras para estancar a sangria econômica da Grécia.

O primeiro país visitado por George Papandreu foi a França. Após a reunião entre o primeiro-ministro e o presidente francês Nicolas Sarkozy, o segundo afirmou que a Grécia pode contar com o apoio dos principais agentes da União Européia, além disso, Sarkozy declarou que tanto a França como a Alemanha e o Banco Central Europeu (BCE) estão unidos para lutar contra a especulação que tem sofrido a Grécia” (El País, 7/3/2010)

O presidente francês disse também que a Grécia não precisa de uma ajuda especial, mas mesmo assim o presidente anunciou que estão preparando medidas para socorrer a Grécia caso seja necessário, porém não detalhou o plano para não dar vantagem aos especuladores.

Já o primeiro-ministro George Papandreu disse em uma coletiva de imprensa na França que a especulação não se dirige só contra Grécia, mas também contra todos os países do euro.

Depois de passar pela França, o primeiro-ministro viajou para os Estados Unidos onde se reuniu com a secretária de Estado, Hillary Clinton na segunda-feira (dia 8) e iria se encontrar com o presidente norte-americano, Barack Obama na terça-feira. O intuito da viagem é pedir o apoio dos EUA para brecar a especulação no mercado.

Durante o encontro Hillary elogiou o plano contra os trabalhadores gregos e disse que Papandreu tem dirigido bem e agido rápido para conter a crise.

A secretária declarou em uma coletiva de imprensa que os EUA não ajudarão a Grécia financeiramente, pois nem o primeiro-ministro e muito menos o governo grego fizeram tal solicitação. O que, segundo ela, demonstra a capacidade do governo grego de se reerguer sem ajuda internacional.

Apesar da afirmação um tanto quanto exagerada, Clinton não se declarou a respeito do plano de contenção da especulação, o que demonstra não haver interesse na proposta. Na realidade, o que o imperialismo norte-americano deseja é forçar os países da Europa Ocidental a pagar pela crise grega.

O primeiro-ministro grego disse que é necessário conter os especuladores que atualmente aumentaram injustamente seus custos de financiamento para a Grécia.

Além disso, Papandreu afirmou que o país já detém uma crise muito alta e, portanto, fica inviável sustentar as taxas que estão sendo duas vezes maiores do que as oferecidas pela Alemanha, por exemplo.

Em outro discurso realizado na última terça-feira, dia 9, o primeiro-ministro grego pediu regras mais rígidas para CDS (credit default swaps, os títulos emitidos sobre a dívida que originou a crise) e para que o G20 imponha limites e mantenha os especuladores na linha.

Caso o presidente Barack Obama e os outros líderes do G20 não aceitem a iniciativa, a Europa irá agir isoladamente, comentou um jornal alemão.

Enquanto a questão não é resolvida e os especuladores continuam a cobrar os preços que querem, a Grécia segue em uma condição onde um empréstimo para aliviar um pouco os efeitos da crise pode ser algo arriscado demais tanto para a Grécia, que estará se endividando ainda mais para pagar suas dívidas, quanto para os demais países europeus, que também estão com suas economias fragilizadas pela crise e correm o risco de não ter de volta o dinheiro investido.

Além disso, a Grécia pensou em recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas o restante do bloco europeu se voltou contra a idéia, pois acreditam que o país deve resolver a crise sozinho.

Outro problema é que apesar de o primeiro-ministro não ter pedido abertamente uma ajuda financeira à Alemanha, o que todos esperavam é que isso fosse ocorrer no último encontro em Luxemburgo, mas não houve e isso porque muitos membros do governo alemão são contrários à ajuda.

A nova etapa da crise capitalista mundial está expondo o limite dos governos burgueses que tentaram cobrir os primeiros buracos do sistema financeiro e dos governos mais abalados pela crise com uma enorme injeção de dinheiro público.

Não parece mais ser uma opção realizar operações de resgate bilionárias, como as que salvaram os maiores bancos de investimentos e grandes companhias como a General Motors, e inclusive países inteiros no Leste Europeu. Na segunda onda da crise, os governos vão tentar forçar os trabalhadores a pagar pelos lucros exorbitantes que banqueiros e especuladores obtiveram nos últimos anos à custa das suas próprias condições de vida.

O desfecho da crise será dado pela intervenção da própria classe operária que já se levantou no país exigindo que os verdadeiros responsáveis paguem por ela.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dívida pública mundial chega a 85% do PIB

O endividamento da economia mundial afetada profundamente os grandes países imperialistas e arrasta com eles a economia de continentes como o europeu


Não houve um terremoto nos Estados Unidos, Europa ou no Japão como aconteceu no Haiti e mais recentemente no Chile, mas a situação destes países imperialistas, pelo menos no que diz respeito à economia, é tão devastador quanto.

Estes países estão sob os escombros da maior crise capitalista da história e novos “tremores”, a exemplo do houve no Haiti e no Chile, não param de acontecer.

Um dos mais abalados, sem dúvida, são os Estados Unidos. A crise econômica que provocou demissões, fechamento de fábricas, queda na produção, exportação etc. Fez com que a arrecadação de impostos do País caísse de 18,1% do PIB em 2008 para 14,8% em 2009.

Outro efeito causado pela crise foi o aumento dos gastos do governo que saiu em socorro de bancos, empresas e todo o tipo de instituição financeira que estivesse em dificuldades financeiras ou mesmo sob ameaça de a qualquer momento deixar de existir. Os gastos passaram de 20,7% em 2008 para 24,7% no ano passado.

Com menor arrecadação e maior volume de gastos os Estados Unidos tiveram um déficit fiscal de 10% do PIB. A dívida pública foi para 84,8% em 2009, endividamento maior de 2,9% em relação a 2008.

Crise generalizada

A política de financiamento dos capitalistas adotada pelos Estados Unidos foi a regra geral nos outros países imperialistas e conseqüentemente os efeitos da recessão também atingiu estas economias.

Uma das mais atingidas é a Europa. A arrecadação de impostos despencou de 30,9 para 29,2% do PIB. Em toda a Europa a queda foi de 8%. Uma das situações mais graves da Europa é a zona do euro. Os 16 países que tem como moeda única o euro. Países do porte da Itália e Espanha estão profundamente endividados. O mais afetado até o momento é a Grécia que tem um déficit público de 12,7% do PIB, mas o endividamento é geral. A Alemanha e a Grã-Bretanha também estão em condições semelhantes com baixíssima produção, dívida pública nas alturas e desemprego recorde com milhões de trabalhadores sem emprego. A União Européia tem uma dívida pública de 78,2% do PIB.

No Japão, o endividamento do País fez com que a dívida pública chegasse a 218,6% do PIB em 2009. É uma crise sem precedentes na segunda maior economia mundial.

A queda na arrecadação também afetou a economia brasileira. O déficit fiscal do Brasil aumentou entre 2008 e 2009, passou de 1,9% do PIB para 3,3% do PIB, respectivamente. A dívida pública brasileira foi de 68,5% do PIB no ano passado.

Em conjunto os países também estão seriamente afetados. O G-20, grupo dos vinte países mais ricos do mundo, teve um déficit fiscal de 7,9% em 2009, depois de ter registrado 1% de déficit um ano antes. A dívida geral de todos os países somada passou de 62% do PIB em 2008 para 85% do PIB no ano passado.

Efeito cascata

Com dívidas deste tamanho os países vão perder ainda mais, pois os investidores que compram ações dos títulos das dívidas destes países tendem a vender estes títulos e partir para outro investimento mais rentável, pois existe uma grande desconfiança de que a dívida não será quitada. É uma “bola de neve” que está crescendo e pode colocar em risco um continente inteiro como o europeu. Os países menores como Grécia e Portugal dependem dos grandes, com Alemanha e França para se recuperarem, mas como estes países estão profundamente afetados pela crise não terão dinheiro para “salvar” da falência total estes países menores.

A resposta da burguesia já foi dada, o corte de gastos públicos, salários, aumento da aposentadoria etc., ou seja, o ônus vai recair novamente sobre os trabalhadores. A resposta dos trabalhadores também já foi dada, greves, mobilizações e protestos cada vez mais regulares e maiores para garantir suas reivindicações.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Queda do comercio mundial, recorde de desemprego no mundo e greves, mostram o aprofundamento da crise

200 milhões de desempregados


A situação geral por que passa a economia mundial, principalmente a economia da Europa, revela a grande realidade, a crise econômica não acabou, e está entrando em um novo estágio. Agora depois do assalto feito a todos os trabalhadores, com o uso de dinheiro publico e as demissões em massa, os trabalhadores perderam a boa, e greves se espalham por toda a Europa, por sinal uma das maiores acontece justamente hoje na Grécia, com mais de 2 milhões de trabalhadores paralisados.

Outro resultado que mostra o nível da crise é o resultado divulgado hoje pela Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o comércio mundial chegou em seu nível mais critico desde a segunda guerra mundial, com uma queda de 12%. Já o número de desempregado no mundo segundo Organização Internacional para o Trabalho (OIT) ultrapassa a escala de 200 milhões.

Esses dados mostram que o movimento operário entrará em um novo momento, terão que enfrentar a burguesia para poderem ter seus direitos preservados, e pela magnitude que a própria burguesia da ao fato, os trabalhador caminhará para um momento revolucionário.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Repressão e Resseção: Governos contra o povo e nova etapa da crise capitalista na Europa

Na última semana, mesmo durante o carnaval, os governos burgueses intensificaram a repressão contra os trabalhadores e a população pobre com dezenas de prisões. Na Europa, a crise de endividamento da economia grega e de outros países da zona do euro mostra um agravamento de grandes proporções da crise econômica mundial


A repressão contra a população e os trabalhadores continua. Nem mesmo durante o carnaval os governos burgueses deram um alívio para a população. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se concentram o maior número de pessoas que comemoram o carnaval, houve uma ofensiva dos governos de Gilberto Kassab (DEM) e José Serra (PSDB) em São Paulo e Sérgio Cabral e Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro.

A perseguição cotidiana feita nestas grandes metrópoles nos bairros das periferias e morros cariocas foi intensificada durante o período de festas de carnaval.

O governo Cabral aumentou a operação “Choque de Ordem” e prendeu dezenas de pessoas na última semana. O nível de repressão é tão ridículo que mais de uma centena de pessoas foram presas simplesmente porque urinaram na rua. O número é absurdo, antes mesmo da segunda-feira dia 15, quase 150 pessoas já haviam sido detidas por urinar na rua.

Não bastasse sofrer uma repressão de grandes proporções todos os dias, com invasões constantes da polícia, força militar etc. nos morros cariocas, a população ainda foi completamente perseguida durante o feriado de carnaval.

Em São Paulo, foi o prefeito Gilberto Kassab que se prontificou em aumentar a repressão contra a população. A ordem era prender quem fosse pego jogando lixo na rua. Em dois dias, cinco pessoas foram presas na zona norte da cidade. A Polícia Militar atuou conjuntamente com as subprefeituras.

Já no estado de São Paulo foi o governador José Serra que preparou uma verdadeira operação militar para reprimir o povo. Foram utilizados 82 mil policiais e quase 30 mil veículos na Operação Carnaval 2010. Em pouco mais de um dia de operação foram feitas 3.600 ocorrências pela polícia. Destas quase 300 pessoas foram presas, sendo que 159 eram adolescentes.

A polícia ainda revistou 29.373 veículos, 14.397 motos e 76.253 pessoas em todo o estado.

Repressão organizada

Existe uma ofensiva milimetricamente organizada pelos governos municipais, estaduais e federais para promover uma repressão em todos os âmbitos contra os trabalhadores e a população pobre. Muitos desses casos foram amplamente denunciados por meio deste jornal e refletem uma orientação clara para impedir qualquer ação organizada ou não da população.

As medidas são inúmeras, vão desde punir por urinar e jogar lixo na rua, o toque de recolher no interior de São Paulo, a lei antifumo em lugares fechados que se iniciou em São Paulo e agora está sendo implantada em outras cidades e capitais, a lei seca etc.

Em São Paulo há toda uma ofensiva constante contra a população. Em dezembro, uma manifestação organizada pelos trabalhadores ambulantes da rua 25 de março, no centro de São Paulo, foi reprimida pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana.

Houve ainda a prisão de sete integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra que foram presos por ocupar a fazenda grilada pela empresa Cutrale.

A repressão a estes atos cotidianos da população, até mesmo banais, tem o objetivo de criar um clima de repressão generalizada para inibir quaisquer manifestações, protestos contra estes mesmos governos. Protestos que tendem a se generalizar, pois com a crise econômica estes governos vão atacar ainda mais as condições de vida do povo.

Nos últimos meses foram inúmeros os protestos realizados pela população contra estes governos, devido às péssimas condições de vida que estes estão impondo para os trabalhadores e a população em geral. E todos estes protestos foram atacados violentamente pela polícia.

Os casos de repressão são inúmeros. A população dos bairros da Zona Leste, que protestou contra o descaso da prefeitura que provocou alagamentos em diversos bairros desta região, também foi reprimida. Em um protesto realizado em frente à prefeitura, os manifestantes foram duramente reprimidos com cassetetes, balas de borracha e gás de pimenta.

Há também o caso dos estudantes que foram reprimidos e presos pela polícia de Serra quando protestavam na posse do reitor-interventor da USP João Grandino Rodas no último dia 25 de janeiro.

No Rio de Janeiro, a polícia também impediu o protesto da população da favela do Pavão-Pavãozinho. Foram realizados dois protestos contra as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) instaladas nos morros cariocas.

Em um balanço divulgado por um órgão oficial do governo do Rio de Janeiro é possível constatar como a repressão contra a população pobre aumentou.

Segundo o relatório, o número de prisões em geral teve alta de 22% e o cumprimento destas prisões também teve alta de 10% em 2009.

Um dos dados mais assustadores é o número de mortes. Foram 5.794 assassinatos cometidos pela PM no período de janeiro a junho de 2009. Um crescimento de 12% no número de mortes em comparação com 2008 e uma média assustadora de quase 500 mortes por mês ou mais de 15 por dia.

Decomposição do regime burguês

As medidas repressivas são uma clara reação da burguesia à decomposição política de seus governos e de sua política que estão cada vez mais impopulares. É uma tentativa de conter as manifestações e protestos. Cria-se um clima repressivo, praticamente uma ditadura, para impor para os trabalhadores, a juventude e a população pobre em geral, medidas de exceção que podem parecer banais, como a lei antifumo ou a lei seca, mas que tem como objetivo final impedir o protesto organizado contra estes governos.

Desta forma também conseguem manter o esquema de corrupção e desvio de verbas públicas para os capitalistas e grandes grupos econômicos, como a máfia dos transportes e máfia do lixo. Quanto maior o massacre da população, maior é a transferência de dinheiro para os capitalistas.

A população deve rejeitar qualquer medida ditatorial contra suas condições básicas de vida. É necessário que a população organize manifestações e protestos para exigir o fim da repressão e o atendimento imediato de suas necessidades básicas



A crise na Grécia e em toda a Europa



Depois de esbanjar trilhões de dólares para socorrer bancos, empresas, instituições financeiras falidas e apresentar como resultado o “fim da crise” e a recuperação econômica, os governos burgueses estão agora amargando um endividamento gigantesco de suas economias em uma proporção que vai agravar ainda mais a situação da crise econômica mundial.

A situação mais crítica encontra-se na Europa, especificamente, n a Grécia que apresentou sua dívida pública muito acima do exigido pela zona do euro em 2009. A dívida da economia grega atingiu 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) e está provocando um desespero generalizado tanto no mercado financeiro quanto em toda a Europa, pois este resultado pode levar à falência o bloco de 16 países que compõem a zona do euro.

O problema em si não é o fato da dívida pública grega estar acima dos 3% exigidos pela zona do euro, mas o fato de que a Grécia não tem condições para cobrir esta dívida que tende a aumentar em 2009.

Crise em toda a Europa

O pior ainda estar por vir, pois a Grécia não é o único País que se encontra nesta situação, pelo menos outros quatro países da zona do euro estão em situação semelhante. Estes países receberam a denominação de PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). O caso é muito semelhante à Grécia. Em todos estes países a dívida pública já ultrapassou os 3% do PIB. O endividamento deve-se basicamente aos inúmeros pacotes econômicos e às economias internas destes países que estão progressivamente se deteriorando.

Em todos estes países, o mercado consumidor interno está estagnado, com altas taxas de desemprego. Na Espanha, por exemplo, a taxa de desemprego está em quase 20% e, em Portugal, já são mais de 10% de desempregados. As exportações também são outro fator de crise, estão em queda constante há vários meses

Outro importante país da zona do euro que também está caminhando para o aprofundamento da recessão é a Alemanha. O país, que é o maior exportador da Europa, apresentou uma queda grande no PIB em 2009. A baixa foi de -5% no ano passado. Este resultado é uma demonstração de que não basta dizer que a crise não existe e apresentar resultados parciais positivos, como os PIB do segundo e terceiro trimestre de 0,4% e 0,7% respectivamente, para dizer que o fim da crise está próximo.

O próprio governo Alemão foi obrigado a admitir que "o consumo interno e o nível de investimentos caíram e frearam o crescimento econômico” (BBC Brasil, 12/12/2010).

Na Alemanha, as exportações, principal carro-chefe da economia alemã, também despencaram bruscamente em 2009 fazendo com que o País perdesse o posto de principal exportador mundial para a economia chinesa. A Alemanha teve perdas de 18,7% nas exportações em 2009 e 17,2% nas importações, ou seja, vendeu e comprou menos. Efeito direto de um menor ritmo da produção industrial.

Para deixar a situação ainda mais agravada, além da Alemanha, outro país imperialista também está profundamente endividado. O Reino Unido está com um déficit fiscal próximo ao déficit grego. Segundo o jornal The Times a economia britânica está com uma dívida pública de 12,8% do PIB. Esta crise na economia britânica agrava enormemente a crise em toda Europa. O Reino Unido não faz parte da zona do euro e, portanto, coloca em risco também as economias européias e outras que não fazem parte do bloco que utilizam o euro, mas estão vinculadas ao sistema financeiro do imperialismo britânico.

Apertando o cerco

O endividamento dos países é resultado direto do financiamento dos bancos centrais e cofres públicos da crise para os capitalistas, banqueiros, empresários etc. A crise foi contida em certa medida pelos pacotes econômicos que esvaziaram os cofres e fizeram com que os países apertassem o cerco contra os trabalhadores com demissões, corte de benefícios trabalhistas, corte de verbas públicas etc., por um lado, e, por outro, com subsídios para empresas e outras vantagens para os empregadores.

Com este endividamento acentuado, os governos burgueses vão apertar ainda mais o cerco aos trabalhadores. A União Européia já está preparando uma série de medidas de contenção de gastos para serem aplicadas nos países com a crise mais agravada, como a Grécia.

Neste caso, o plano é reduzir a déficit público dos atuais 12,7% para 2,8% até o final de 2012. Para atingir este objetivo a União Européia está se reunindo para estabelecer as medidas, mas algumas já foram indicadas como: reformas no sistema de pensões, administração pública, reformas no sistema de saúde, empresas, emprego, mercado, redução de salários, medidas de intervenção política, setor financeiro e bancário.

Através dessa pequena amostra é possível concluir que a redução do déficit público às custas de um ataque ainda maior às condições de vida dos trabalhadores.

A União Européia quer que tudo seja implementado em um regime de metas com datas e prazos.

A “ajuda” da União Européia à economia grega, provavelmente, deverá se estender para os outros países em crise. Como já foi gasto muito dinheiro até agora com pacotes econômicos, não haverá dinheiro para salvar os países, por isso o aperto no bolso dos trabalhadores.

O financiamento estatal que existia para segurar a economia privada dos países para que estes não fossem à falência está acabando.

A tendência geral é que a crise se intensifique nos demais países europeus, levando a um colapso econômico generalizado em toda a Europa.

Respostas dos trabalhadores

Estas medidas de contenção do endividamento da Grécia que será implantada pela União Européia e pelo primeiro ministro grego, George Papandreu, vão receber um forte oposição por parte dos trabalhadores gregos que já estão cansados das reformas feitas pelo governo.

Os trabalhadores gregos já estão se organizando para impedir mais este ataque contra seus salários. Na última semana os trabalhadores do setor público já iniciaram uma greve. Outra greve de trabalhadores do setor privado já está sendo preparada.

Com estas medidas a burguesia européia pode desencadear um movimento amplo não somente na Grécia, mas em toda a Europa.Os trabalhadores devem exigir da burguesia que a crise não recaia sobre a classe operária, mas sobre os verdadeiros culpados, os capitalistas, banqueiros e parasitas financeiros.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Voltaremos em breve!


Em motivo de minha viagem para a Bolívia, Peru e ao Chile, este blog estará inativo até 1º de Fevereiro!

Boas férias a todos os trabalhadores ao redor do mundo! Uní-vos!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Trabalhadores perdem 13 bilhões em salários em um ano

A farsa do fim da crise econômica cai por terra com a divulgação de uma pesquisa que mostra que nos últimos 12 meses os salários pagos para os trabalhadores diminuíram em R$ 13 bilhões


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), divulgou levantamento em que revela o verdadeiro estrago feito pela crise econômica mundial na vida dos trabalhadores brasileiros. Segundo a FIESP, os trabalhadores da indústria tiveram perda de cerca de R$ 13 bilhões nos salários nos últimos doze meses.

A pesquisa constatou que no período de outubro de 2008 a setembro de 2009 as indústrias diminuíram o valor gasto com salários. A massa salarial caiu neste período 5,3%, prova mais que concreta de que a crise afetou em cheio o País.

Mesmo com toda a propaganda do governo de novas contratações o fato é que muitos postos de trabalho foram fechados e o salário dos novos contratados é menor que o dos trabalhadores demitidos.

O valor gasto pelas indústrias nestes 12 meses caiu de R$ 190 bilhões para R$ 177 billhões, ou seja, R$ 13 bilhões que as indústrias deixaram de gastar e que refletem diretamente no próprio desenvolvimento da economia brasileira.

Estes R$ 13 bilhões que deixaram de circular no mercado é maior que o valor que vai ser pago em décimo terceiro agora no final do ano. O valor em 13º a ser pago vai ser de R$ 12,1 bilhões.

Arrocho salarial

Outro fator que reduziu o valor do pagamento de salários foram os diversos acordos entre patrões e sindicatos, como medida do governo de evitar greves e de fato um enfrentamento, para que o prejuízo da crise ficasse com os patrões e não com os trabalhadores. Destes acordos contra o interesse da classe operária houve a redução da jornada de trabalho com redução salarial, redução de benefícios, menor produção, férias coletivas não remuneradas etc.

No mesmo período a produção industrial caiu 8% e o emprego caiu 4,1%. Estes resultados que refletem sem nenhuma dúvida como a recessão afetou a economia brasileira e por trás da aparente recuperação e retomada do emprego como o governo e a imprensa burguesa tem anunciado por todos os lados, a recessão produziu cortes de empregos, redução salarial, perdas de direitos trabalhistas, não pagamento de horas extras etc.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Arruda, DEM, Roriz, Câmara Distrital - Fora todos!



Nesta quinta feira o governador do Distrito federal José Roberto Arruda (DEM) pediu desfiliação ao DEM depois que veio à tona esquema de distribuição de verba pública entre deputados distritais, empresários e os seus assessores


Arruda anunciou em discurso sua desfiliação ao DEM nesta quinta-feira (10) depois que perdeu no Tribunal Superior Eleitoral a possibilidade de intervenção no próprio partido para recorrer contra a desfiliação.

Outros envolvidos, porém, não serão punidos pelo próprio DEM como o vice-governador e empresário do grupo de Arruda, maior empreiteiro de Brasília e principal financiador do esquema, Paulo Octávio. "Não tem um diálogo, não tem um vídeo recebendo recursos", afirmou o deputado do DEM do Rio, Rodrigo Maia em referência a Paulo Octávio (Jornal do Brasil, 11/12/2009).

“O líder do partido no Senado, senador Agripino Maia (DEM-RN), foi além e disse que Paulo Octávio tem condições, inclusive, de continuar conduzindo o diretório regional do DEM” (Idem).

Paulo Octávio foi denunciado pelo próprio ex-secretário de Arruda, Durval Barbosa como integrante do “mensalão do DEM”, segundo ao qual cabia uma fatia de 30% na partilha das propinas arrecadadas de empresários que prestam serviços ao governo.

A manobra da burguesia já está estabelecida. Foi dado destaque à desfiliação ao DEM e ao fato de que Arruda não poderá concorrer às próximas eleições para garantir que o governo do DEM chegue ao fim do mandato oficial abrindo o espaço para o governo da oligarquia de Roriz (PSC, ex-PMDB), que estava por trás de todas as acusações contra Arruda. A acordo de bastidores é reafirmar um governo da direita corrupta contra o outro, pois a derrota eleitoral do DEM e do grupo de Arruda já está praticamente consumada. É uma manobra para, na disputa entre as maiores máfias políticas do Distrito Federal, estabelecer que no pior dos casos para o DEM sai Arruda, político profissional do partido, e fica o Paulo Octávio, o homem-chave do “mensalão” do DEM, que será lançado pelo DEM ao governo do DF.

Do PT ao DEM são todos mensalões

Os esquemas de corrupção denunciados nos últimos de todas as alas parlamentares da burguesia, como o “mensalão” dos Correios do PT, o “mensalão” mineiro do PSDB, o “mensalão” do DEM, mostram que a corrupção é apenas o meio pelo qual a facções da burguesia governam. Todas as câmaras distritais, assembléias a Câmara, o Senado funcionam através da propina paga aos administradores dos negócios dos exploradores do povo.

É necessário levantar uma ampla campanha popular pelo “Fora todos eles!” contra os governos da burguesia.

Este amplo chamado deve ser feito também às organizações operárias para que estas não deixem que sua mobilização seja utilizada por qualquer uma das alas da burguesia. É necessário exigir o completo rompimento com a política atrelamento das mobilizações aos interesses de uma ou outra ala da burguesia, que neste caso se trata da oligarquia de Roriz.

Nos protestos realizados em Brasília, como na ocupação da Câmara Distrital e na manifestação de rua no dia 9, a direção que procurava controlar os atos formada por partidos da Frente Popular, do PT, do PCdoB, Psol e PSTU procuravam fazer com que uma campanha eleitoral e que se juntava à reivindicação de ética e contra a corrupção que saio típicas campanhas da direita ou de propaganda de uma das alas burguesas na disputa, prevalecessem.

Apesar das reivindicações atreladas à burguesia da direção dos atos, este saiu completamente do controle destas direções e terminou em um enfrentamento de manifestantes com a polícia, expressando uma revolta popular, que foi duramente reprimida pela polícia.

É preciso repudiar o acordo das máfias políticas que controlam Brasília e todo o País e reivindicar o “Fora Todos eles!”. Pelo atendimento imediato das reivindicações populares. Pelo fim dos governos das máfias capitalistas. Por um governo dos trabalhadores!

Formar comitês de mobilização pelo “Fora Todos!”, independentes dos partidos do “mensalão”.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Bolha financeira pode explodir logo na Ásia


Bilhões em dinheiro público no mercado financeiro asiático estão criando nova bolha financeira na Ásia e deve levar economia mundial a novo furacão econômico

O tão anunciado “fim da crise” econômica pode provocar mais recessão, anunciou o Banco Mundial. Na última quarta-feira, dia 11, o Banco Mundial, anunciou que os trilhões de dólares gastos pelos governos estão criando uma bolha financeira de grandes proporções que podem colocar a economia mundial a pique.

Segundo o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, é na Ásia que este fenômeno se concentra, "na Ásia oriental, a recuperação do crescimento começa de uma forma forte e há muita liquidez, surge o risco de que seja preciso enfrentar bolhas financeiras em alguns mercados" (EFE, 11/11/2009).

Estas bolhas estariam sendo criadas com o aumento da liquidez nos países asiáticos em particular. Nestes países, com destaque para a China, foram implantados pacotes que visavam aumentar projetos de infraestrutura com a injeção de bilhões de dólares, aumentando assim a liquidez dos mercados.

Os países asiáticos despejaram dezenas de bilhões de dólares em seus mercados financeiros para conter o avanço da crise e assim promoveram uma recuperação momentânea nestes mercados, elevando as ações de empresas das bolsas asiáticas. Esta elevação nitidamente foi induzida, criando uma bolha financeira, que agora, segundo o Banco Mundial, pode explodir.

O ex-presidente do Fed, Federal Reserve, banco central norte-americano, Laurence Meyer, lamentou o fato dizendo, "Mesmo quem diz que deveríamos responder diretamente (e murchar as bolhas) não tem nenhuma idéia sobre como fazer isso. É fácil adotar uma posição filosófica, mas é difícil se tornar prático e operacional em relação a isso." (The Wall Street Journal, 11/11/2009).

Esta nova bolha econômica pode elevar ainda mais o grau de devastação econômica, não somente na Ásia, mas em todo o mundo. E colocar por terra qualquer teoria de “fim da crise”, quando na verdade ela não pára de se desenvolver.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Enquanto reprime sem-terra, burguesia quer anistiar latifundiários

O projeto que está para ser votado na câmera pretende isentar os proprietários de áreas desmatadas ilegalmente de pagar multas. O projeto é uma clara defesa dos interesses dos ruralistas e revela o cinismo da burguesia

Enquanto a direita organiza uma das mais violentas repressões e ditadura contra os trabalhadores sem-terra, acusando-os de “vândalos”, “criminosos” e “corruptos”, chegando ao cúmulo de pedir a abertura de uma CPI para averiguar as contas de um movimento social que sobrevive de ocupações de terras, a bancada ruralista está tentando legalizar o desmatamento de floresta, isentando proprietários de áreas desmatadas ilegalmente (até 2006) de pagar multas.

A medida revela todo o cinismo da burguesia que se utiliza do discurso “ecológico” e “ambientalista” para promover o massacre dos sem-terra, enquanto autoriza na prática o desmatamento ilegal, impondo um dos maiores ataques contra a preservação ambiental através da privatização das matas e florestas.

De acordo com o texto, que está para ser votado pela Câmara e se apresenta como um substitutivo ao Projeto de Lei 6424/05, os proprietários ou ocupantes ilegais que promoveram o desmatamento ilegal até 2006 estarão completamente isentos de pagar multas e de replantar a floresta degradada, o que significa dizer que os latifundiários que degradaram mais de 35 milhões hectares, área equivalente a nove vezes o estado do Rio de Janeiro ou 18 vezes a área de Sergipe, serão anistiados de qualquer punição.

Além disso, o novo projeto também “assegura a manutenção e a consolidação das atividades agropecuárias existentes em áreas que foram desmatadas até 31 de julho de 2006 (...) Repassa para os Estados a competência de definir os percentuais de reserva legal e de áreas de proteção permanente (APPs). O objetivo é permitir a exploração econômica das partes das propriedades rurais destinadas à preservação ambiental (...). O projeto conta ainda com uma mudança no inciso I, do art. 16 do Código Florestal, que reduz “a área de reserva legal, na região da Amazônia Legal, de 80% para 50%, voltando, assim, a ter o limite que vigorava antes da expedição da Medida Provisória n° 2.166-67/2001” (Último Segundo, 28/10/2009).

Como se vê o objetivo do projeto, encabeçado pelo DEM e PSDB, ou seja, pelos próprios ruralistas, é autorizar não apenas o desmatamento ilegal como a exploração desenfreada do latifúndio, um primeiro passo para a privatização das florestas.

Essa política criminosa, bem como a perseguição aos sem-terra, está sendo defendido por todos os setores da burguesia, desde a bancada ruralista, até os aliados do governo. A medida é um ataque contra a população e em especial contra os sem-terra, já que o projeto é na verdade um aval para que o latifúndio amplie a exploração e conseqüentemente a repressão contra os trabalhadores rurais.


sábado, 24 de outubro de 2009


II SEMINÁRIO DE ESTUDOS MARXISTAS - SESTMARX


De 11 a 14 de Nov 2009
IBILCE/UNESP
São José do Rio Preto

Informações:

sestmarx@yahoo.com.br

www.sestmarx.blogspot.com


A felicidade só existe quando é dividida.

Mil famílias são despejadas de ocupação e acampam na rua


Na última quarta-feira a tropa de choque de Serra reprimiu e arrancou as famílias que ocupavam um terreno na zona Leste de São Paulo



Nesta semana, a polícia selvagem de Serra desocupou terreno ocupado por famílias de sem-teto. Durante todo o dia a polícia cercou o terreno e ameaçou os ocupantes.

Sem nenhuma alternativa, ficaram na rua. Montaram os barracos nas ruas de suas antigas casas. As famílias fazem parte das organizações populares Moradia Terra de Nossa Gente (MMTNG) e Movimento Sem-Teto pela Reforma Urbana (MSTRU), ligados à Frente de Luta por Moradia (FLM).

De forma truculenta, a polícia sequer deixou que fossem retirados os móveis das famílias do local.

Quase que como um deboche, foi oferecido um depósito para que as famílias deixem seus pertences, com o valor do aluguel de R$ 50 diários. E ainda será necessário pedido judicial para depois reaver o que é deles.

As cerca de mil famílias estavam vivendo na ocupação Alto Alegre, distrito de Vila Prudente, Zona Leste da Capital. A Justiça burguesa estava ameaçando o despejo desde o dia 14 de outubro.

Foi realizada uma reunião com uma comissão da ocupação e o governo garantiu a prorrogação do prazo até que, pelo menos, fosse garantido o atendimento emergencial.

De maneira abrupta o acordo foi rompido e na madrugada do dia 21 as famílias foram agredidas da tropa de choque.

A ocupação ocorreu no dia 13 de abril de 2009 no terreno com 280 mil metros quadrados.

Como uma imensa parcela da população, as famílias se unificam nas péssimas condições de vida. São ex-moradores de rua, de despejos por falta de condições de pagar aluguel, despejos de áreas de manancial ou de ocupações não regularizadas.

Segundo o coordenador da Frente de Lula por Moradia Osmar Borges “Há caso de família inteira que morava dentro de um caminhão velho, abandonado, nas proximidades do acampamento. A cada dia a coordenação recebia novos pedidos de famílias para integrar a ocupação, rodeada por favelas, tamanha é a situação de pobreza que enfrentam na região.”

O terreno é propriedade particular é resultado de grilagem de terra e o proprietário responde processo por crime ambiental por ter desmatado toda a área e ainda possui dívida de mais de R$ 2 milhões com BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

O criminoso governo municipal nas mãos do DEM marcou o cadastro de todas as famílias para o atendimento emergencial de moradia, o que foi adiado e a única coisa que cumpriram foi a violenta retirada dos ocupantes.

É necessário todo o apoio a estas famílias para reocuparem a área e garantirem o direito a moradia.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Abaixo a política de extermínio da população trabalhadora nas favelas

Depois de atacar brutalmente os sem-terra, a direita está fazendo uma ampla investida contra os moradores das favelas. Duas operações nas favelas da zona Norte do Rio deixaram um saldo de pelo menos 16 mortes!

A direita está intensificando a campanha criminosa de repressão da população. Depois de um “misterioso” incêndio, que deixou 300 famílias sem barracos, na favela Diogo Pires, no Jaguaré, zona Oeste de São Paulo, foi a vez dos moradores do Morro dos Macacos e da favela do Jacarezinho, na zona Norte do Rio de Janeiro, sofrerem com a repressão do Estado.

No último domingo, 18, centenas de policiais militares do 6º BPM (Tijuca) deram início a uma assassina operação no Morro dos Macacos que terminou um saldo de pelo menos 12 mortes e centenas de feridos. A operação de guerra foi montada para reprimir e massacrar os trabalhadores com o cínico argumento de que a mesma teria como objetivo caçar os “criminosos” que atiraram contra um helicóptero da PM.

É obvio que não se trata de uma ação vingativa da PM, mas de uma política geral, que está sendo adotada em vários estados, e que tem como objetivo perseguir a população. O argumento de combate ao crime é uma falácia. Primeiro porque as operações não reduzem em nada a criminalidade nas favelas, muito pelo contrário. E segundo porque quem de fato sofre com as ações são os moradores, que se encontram em meio a um fogo cruzado sem ter a menor condição de se defender. Tanto é assim que durante as operações os números de inocentes que morrem são assustadores, revelando que na prática a burguesia aprovou a pena de morte para inocentes, ou seja, o simples fato de uma pessoa morar em na favela já é o suficiente para a direita considerá-lo como um “criminoso”, “marginal”.

O cinismo da burguesia é tamanho que o próprio comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, confirmou que a operação no Morro dos Macacos deixou muito mais inocentes mortos do que foi divulgado pela imprensa capitalista. "Pessoas engajadas no confronto podem ter sido classificadas equivocadamente como criminosas. (...) Essas coisas são esclarecidas com tempo. Num primeiro momento, vamos coletando as informações possíveis. Precisamos agora verificar a identidade de cada. Sabendo da identidade, do local de onde partiram, onde residem e suas atividades normais do dia a dia é que vamos saber verdadeiramente a identidade de cada pessoa”, afirmou o comandante (Jornal do Brasil, 18/10/2009). A declaração do comandante da PM também deixa clara a forma de atuar da polícia: atirar primeiro para depois saber de quem se trata.

Como se vê a polícia não sabe sequer quem são as pessoas em quem atira, ela simplesmente dispara contra toda e qualquer morador da favela, sem que essa mantenha qualquer relação com o tráfico, o que demonstra o cinismo diante do argumento de que as operações servem para combater o crime. A população também precisa ter claro que mesmo que se tratasse de traficantes a polícia não poderia simplesmente chegar atirando, o que na prática significa impor a pena de morte, sem que ao menos a pessoa tenha direito a qualquer julgamento e seja verificada sua verdadeira culpa, como manda a própria constituição. Com esse pretexto, a polícia adquire carta branca para fazer o que bem entender nas favelas e os que mais sofrem com essa política são os trabalhadores.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Brown libera mais US$ 80 bilhões para bancos britânicos

Sob a benção da União Européia, capitalistas autorizam o governo Gordon Brown desembolsar 79 bilhões de dólares para os bancos falidos com a crise

Em reunião realizada na última segunda-feira, dia 12, a Comissão Européia, decidiu que o Reino Unido está autorizado a continuar financiando a crise econômica para ajudar os bancos falidos.

A decisão foi tomada em conjunto, pois em reunião anterior havia sido determinado que os países começassem, aos poucos, a diminuir o repasse de verbas para bancos e instituições financeiras, porque, pelo menos em tese a economia estaria se recuperando.

Os bancos britânicos estão recebendo intensivamente ajuda do Tesouro britânico desde outubro de 2008, ou seja, há um ano, quando a recessão agravou-se em todo o mundo.

A medida aprovada pela União Européia vai permitir que os bancos e instituições financeiras inglesas recebam o dinheiro público dos cofres do governo britânico até 31 de dezembro de 2009. Este prazo seria para que se normalizasse a condição financeira dos bancos, algo pouco provável.

Esta é a segunda vez que a União Européia concede uma prorrogação para o Reino Unido. Em abril deste ano, já havia feito uma prorrogação de seis meses que se mostrou insuficiente para conter o avanço da recessão. Tanto que a farsa do “fim da crise” nem sequer é mencionada.

A nova bolada que sairá dos cofres ingleses vai ser de no mínimo 79 bilhões de dólares, uma espécie de recapitalização dos bancos, injeção de liquidez para evitar futuras falências.

A decisão da União Européia demonstra como a recessão ainda afeta a economia da Europa e em particular o Reino Unido. Nenhum sinal de recuperação e muito menos “fim da crise”.