Durante a sabatina (Folha de São Paulo), ao ser questionado se a doença mudou a sua percepção de Deus, o escritor perguntou "por que mudaria?", acrescentando que foram os médicos e a sua mulher que o salvaram. Veja o trecho no vídeo a seguir.
"Por que precisamos de Deus? Nós o vimos? A Bíblia demorou 2000 anos para ser escrita e foi redigida por homens", disse o escritor. Para ele, a Bíblia é um "desastre", cheia de "maus conselhos, como incestos, matanças". Ele ainda voltou a criticar a Igreja, afirmando que ela inventou o pecado para controlar o corpo humano. "O sonho da Igreja é transformar todos em eunucos, quer dizer, os homens, porque as mulheres não podem ser eunucas".
A bíblia prega o anti-prazer humano, prega a infelicidade entre os seres humanos, a eunucidade humana...
"As armas da crítica não podem, de fato, substituir a crítica das armas; a força material tem de ser deposta por força material, mas a teoria também se converte em força material uma vez que se apossa dos homens. A teoria é capaz de prender os homens desde que demonstre sua verdade face ao homem, desde que se torne radical. Ser radical é atacar o problema em suas raízes. Para o homem, porém, a raiz é o próprio homem" KARL MARX
"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher
"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher
sábado, 29 de novembro de 2008
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Conflito Permanente - Sul da Ásia: um dos eixos mais importantes na crise da dominação do imperialismo mundial
A convulsão social e política se estende do Oriente Médio até o cordão de países do Sul da Ásia. Os governos do Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal, Butão, Bangladesh e Mianmar enfrentam seus dias mais difíceis e evidenciam a crise política mundial do imperialismo
A invasão do Afeganistão e depois do Iraque pelo imperialismo norte-americano em 2002-2003 e, em particular, o seu fracasso, desencadeou um processo revolucionário que vem levantando a população de todos os países da região e se expande pelos países do Sul Asiático com extrema velocidade.
A atual crise em países como o Paquistão, tem conexão direta com a desestabilização dos regimes do Oriente Médio, e a situação de guerra civil desencadeada a partir da intervenção dirigida pelos EUA, sendo em certa medida um subproduto desta ação. No entanto, os regimes políticos de todos os países do Sul Asiático possuem um eixo próprio de crise e revelam que é impossível sustentar o mito de que a democracia se estabeleceu como regime de paz, estabilidade e prosperidade.
Os governos dos países que constituem o Sul Asiático são todos regimes autoritários e alinhados com o imperialismo norte-americano. A situação social na maioria destes países é calamitosa.
A história de crise de cada país se confunde com a do vizinho e estão entrelaçadas por disputas territoriais e pela divisão imposta de fora, na sua maioria, pelo imperialismo britânico que, para conter a crise que levou à desagregação de sua dominação sobre o baixo Oriente, impôs a divisão dos países à medida de sua conveniência. Os países mais profundamente dependentes do imperialismo norte-americano, hoje, são os que enfrentam as maiores crises.
O único país islâmico que possui armas nucleares, controlado desde 1999 pelo Exército e o general reformado, Pervez Musharraf, que acaba de deixar o poder, atua como uma espécie de regulador da pressão na região, a serviço do imperialismo norte-americano.
O Paquistão é um produto do separatismo islâmico existente no interior da Índia desde o início do século XX e impulsionado pelo imperialismo para dividir a população local desde o início do século e concretizado após crise da segunda guerra mundial, em 1947, com o fim da dominação britânica e a revolução que levou à independência do país.
Desde a década de 1970, o país viu uma sucessão de golpes que derrubaram sucessivamente o primeiro-ministro, Zulfiqar Ali Bhutto - pai de Benazir Bhutto - derrubado e executado pela brutal ditadura do general Zia ul-Haq em 1978-79. O governo militar só se encerrou dez anos depois em um misterioso acidente aéreo que tirou a vida do general, do embaixador norte-americano e de oficiais de alta patente do exército paquistanês.
A filha de Zulfiqar Bhutto, Benazir Bhutto, assumiu o governo após eleições gerais em 1988. Foi demitida do cargo de primeira ministra dois anos depois, sendo substituída por Nawaz Sharif, que iniciou um programa de liberalização da economia e incorporou a lei islâmica, a Shariah, ao código civil do país.
Pressões dos militares fizeram com que tanto o presidente Khan quanto o premiê Sharif abandonassem o governo em 1993. Eleições gerais trouxeram Benazir Bhutto de volta ao governo. Bhutto foi demitida novamente três anos depois, sob acusações de corrupção. No ano seguinte, Nawaz Sharif volta ao poder após as eleições, até ser derrubado novamente em 1999.
Após os atentados de 11 de setembro nos EUA, o governo paquistanês recebeu como missão - sob ameaça de ser bombardeado caso recusasse - a tarefa de combater a organização das milícias tribais ligadas à Al Qaeda na fronteira com o Afeganistão, a região denominada Uaziristão. A ofensiva, no entanto, apenas intensificou os conflitos entre militantes islâmicos e a população se revoltou contra o governo.
Na fronteira com a Índia, a região da Caxemira é outro foco de conflito e a disputa permanente pela posse da região com seu país vizinho funciona como um regulador da tensão entre os dois países mais importantes da região. O conflito pela Caxemira é, de longe, a maior, em extensão, e mais militarizada disputa territorial do mundo, com regiões controladas de facto pela Índia, China e Paquistão. A disputa se concentra em torno de terras entregues pelo Paquistão à China, contestadas pela Índia, e por uma área cercada e militarizada pela Índia para a construção de uma represa no rio Indo.
Em crise, a ditadura de Musharraf se viu pressionada a ceder o poder a um governo dito democrático, ou que não tenha ligações tão evidentes com aparato repressivo odiado pela população. Os EUA não podem prescindir de um governo estável para controlar a situação no país mais importante no Sul asiático, e o descontentamento crescente da população faz com que qualquer que seja a configuração do governo, o principal obstáculo para a dominação do imperialismo e a desestabilização do país é a profunda revolta popular, cuja base é a miséria da população que o governo procura ocultar com seus índices de crescimento e que a guerrilha talibã tende a expressar. Apoiada na insurgência da população miserável, contida violentamente pelo governo atual e impulsionada pela oposição mulçumana contra o governo, a guerrilha oferece uma perspectiva à população revoltada.
A invasão do Afeganistão e depois do Iraque pelo imperialismo norte-americano em 2002-2003 e, em particular, o seu fracasso, desencadeou um processo revolucionário que vem levantando a população de todos os países da região e se expande pelos países do Sul Asiático com extrema velocidade.
A atual crise em países como o Paquistão, tem conexão direta com a desestabilização dos regimes do Oriente Médio, e a situação de guerra civil desencadeada a partir da intervenção dirigida pelos EUA, sendo em certa medida um subproduto desta ação. No entanto, os regimes políticos de todos os países do Sul Asiático possuem um eixo próprio de crise e revelam que é impossível sustentar o mito de que a democracia se estabeleceu como regime de paz, estabilidade e prosperidade.
Os governos dos países que constituem o Sul Asiático são todos regimes autoritários e alinhados com o imperialismo norte-americano. A situação social na maioria destes países é calamitosa.
A história de crise de cada país se confunde com a do vizinho e estão entrelaçadas por disputas territoriais e pela divisão imposta de fora, na sua maioria, pelo imperialismo britânico que, para conter a crise que levou à desagregação de sua dominação sobre o baixo Oriente, impôs a divisão dos países à medida de sua conveniência. Os países mais profundamente dependentes do imperialismo norte-americano, hoje, são os que enfrentam as maiores crises.
O único país islâmico que possui armas nucleares, controlado desde 1999 pelo Exército e o general reformado, Pervez Musharraf, que acaba de deixar o poder, atua como uma espécie de regulador da pressão na região, a serviço do imperialismo norte-americano.
O Paquistão é um produto do separatismo islâmico existente no interior da Índia desde o início do século XX e impulsionado pelo imperialismo para dividir a população local desde o início do século e concretizado após crise da segunda guerra mundial, em 1947, com o fim da dominação britânica e a revolução que levou à independência do país.
Desde a década de 1970, o país viu uma sucessão de golpes que derrubaram sucessivamente o primeiro-ministro, Zulfiqar Ali Bhutto - pai de Benazir Bhutto - derrubado e executado pela brutal ditadura do general Zia ul-Haq em 1978-79. O governo militar só se encerrou dez anos depois em um misterioso acidente aéreo que tirou a vida do general, do embaixador norte-americano e de oficiais de alta patente do exército paquistanês.
A filha de Zulfiqar Bhutto, Benazir Bhutto, assumiu o governo após eleições gerais em 1988. Foi demitida do cargo de primeira ministra dois anos depois, sendo substituída por Nawaz Sharif, que iniciou um programa de liberalização da economia e incorporou a lei islâmica, a Shariah, ao código civil do país.
Pressões dos militares fizeram com que tanto o presidente Khan quanto o premiê Sharif abandonassem o governo em 1993. Eleições gerais trouxeram Benazir Bhutto de volta ao governo. Bhutto foi demitida novamente três anos depois, sob acusações de corrupção. No ano seguinte, Nawaz Sharif volta ao poder após as eleições, até ser derrubado novamente em 1999.
Após os atentados de 11 de setembro nos EUA, o governo paquistanês recebeu como missão - sob ameaça de ser bombardeado caso recusasse - a tarefa de combater a organização das milícias tribais ligadas à Al Qaeda na fronteira com o Afeganistão, a região denominada Uaziristão. A ofensiva, no entanto, apenas intensificou os conflitos entre militantes islâmicos e a população se revoltou contra o governo.
Na fronteira com a Índia, a região da Caxemira é outro foco de conflito e a disputa permanente pela posse da região com seu país vizinho funciona como um regulador da tensão entre os dois países mais importantes da região. O conflito pela Caxemira é, de longe, a maior, em extensão, e mais militarizada disputa territorial do mundo, com regiões controladas de facto pela Índia, China e Paquistão. A disputa se concentra em torno de terras entregues pelo Paquistão à China, contestadas pela Índia, e por uma área cercada e militarizada pela Índia para a construção de uma represa no rio Indo.
Em crise, a ditadura de Musharraf se viu pressionada a ceder o poder a um governo dito democrático, ou que não tenha ligações tão evidentes com aparato repressivo odiado pela população. Os EUA não podem prescindir de um governo estável para controlar a situação no país mais importante no Sul asiático, e o descontentamento crescente da população faz com que qualquer que seja a configuração do governo, o principal obstáculo para a dominação do imperialismo e a desestabilização do país é a profunda revolta popular, cuja base é a miséria da população que o governo procura ocultar com seus índices de crescimento e que a guerrilha talibã tende a expressar. Apoiada na insurgência da população miserável, contida violentamente pelo governo atual e impulsionada pela oposição mulçumana contra o governo, a guerrilha oferece uma perspectiva à população revoltada.
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domingo, 23 de novembro de 2008
Brasil: País registra diminuição de 221,4 mil vagas oferecidas no mercado de trabalho

Dados do Ministério do Trabalho e do Emprego apresentam forte queda na criação de vagas de emprego em outubro em relação ao mês de setembro, de 282,8 mil para 61,4 mil vagas
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, apresentou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que mostram uma queda no número de vagas de emprego com carteira assinada em outubro em relação a setembro.
A queda foi muito significativa e é um efeito da crise econômica internacional, que vem causando demissões nas principais economias do mundo. Só na Europa já são cerca de 10 mil novos desempregados por dia.
No mês de setembro, foram criadas 282,8 mil vagas de emprego enquanto que em outubro foram registradas pelo Caged a criação de apenas 61,4 mil vagas. Uma queda de 79%.
A enorme queda é mais uma evidência, que o governo quer esconder insistentemente, de que a crise na economia real já chegou ao Brasil e que a partir de agora as demissões farão parte da rotina dos milhões de trabalhadores brasileiros. Os novos dados coincidem com a recente notícia de que somente em São Paulo foram 10 mil desempregados no mês de outubro.
Apesar disso, o governo ainda tenta passar um artificial ar otimista. No próprio site do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a notícia é dada da seguinte maneira: “Brasil gerou mais de 2,14 milhões de vagas com carteira assinada até outubro” (Portal do Ministério do Trabalho e Emprego, 20/11/08), uma grotesca manipulação da realidade. A justificativa é que a “diminuição do ritmo” – como o governo prefere chamar a queda – é natural nessa época devido a “motivos sazonais”. A desculpa, no entanto, cai por terra, ao observar que em outubro do ano passado foram criadas 205,2 mil vagas.
Todo o malabarismo do governo não é capaz de esconder a onda de desemprego que o País enfrenta e que vai crescer em 2009 com o maior aprofundamento da crise. O governo e os patrões contam com a ajuda de toda a burocracia sindical que a todo o momento divulga em seus órgãos de imprensa a propaganda enganosa do crescimento brasileiro e da imunidade do Brasil diante da crise.
Toda a campanha visa a confundir os trabalhadores para enfraquecer sua luta contra as demissões em massa que virão. Por desde já toda a classe trabalhadora deve se organizar para enfrentar os ataques dos patrões que tentarão fazer os custos da crise cair sobre suas costas.
A queda foi muito significativa e é um efeito da crise econômica internacional, que vem causando demissões nas principais economias do mundo. Só na Europa já são cerca de 10 mil novos desempregados por dia.
No mês de setembro, foram criadas 282,8 mil vagas de emprego enquanto que em outubro foram registradas pelo Caged a criação de apenas 61,4 mil vagas. Uma queda de 79%.
A enorme queda é mais uma evidência, que o governo quer esconder insistentemente, de que a crise na economia real já chegou ao Brasil e que a partir de agora as demissões farão parte da rotina dos milhões de trabalhadores brasileiros. Os novos dados coincidem com a recente notícia de que somente em São Paulo foram 10 mil desempregados no mês de outubro.
Apesar disso, o governo ainda tenta passar um artificial ar otimista. No próprio site do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a notícia é dada da seguinte maneira: “Brasil gerou mais de 2,14 milhões de vagas com carteira assinada até outubro” (Portal do Ministério do Trabalho e Emprego, 20/11/08), uma grotesca manipulação da realidade. A justificativa é que a “diminuição do ritmo” – como o governo prefere chamar a queda – é natural nessa época devido a “motivos sazonais”. A desculpa, no entanto, cai por terra, ao observar que em outubro do ano passado foram criadas 205,2 mil vagas.
Todo o malabarismo do governo não é capaz de esconder a onda de desemprego que o País enfrenta e que vai crescer em 2009 com o maior aprofundamento da crise. O governo e os patrões contam com a ajuda de toda a burocracia sindical que a todo o momento divulga em seus órgãos de imprensa a propaganda enganosa do crescimento brasileiro e da imunidade do Brasil diante da crise.
Toda a campanha visa a confundir os trabalhadores para enfraquecer sua luta contra as demissões em massa que virão. Por desde já toda a classe trabalhadora deve se organizar para enfrentar os ataques dos patrões que tentarão fazer os custos da crise cair sobre suas costas.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
A catástrofe econômica chinesa
Recessão vai fechar 9.000 fábricas e colocar 2,7 milhões na rua
Cerca de 9.000 fábricas do sul da China podem fechar as portas com os efeitos da recessão mundial e provocar a demissão de 2,7 milhões de chineses
A tão propalada força da economia Chinesa, um dos sustentáculos da economia mundial dos últimos anos, que para os especialistas econômicos da burguesia estava firme e forte em meio à recessão mundial, está tão frágil quanto os Estados Unidos e a Europa. A queda no consumo nos principais países do mundo já está afetando, como era de se esperar, a economia chinesa provocando o fechamento de dezenas de fábricas e a demissão de milhares de trabalhadores.
As economias dos países atrasados – ditos emergentes –, como Brasil, China, Índia, Rússia é extremamente dependente das exportações para os países imperialistas e a deflação e a recessão mundial tendema promover uma devastação nas contas destes países e nas suas grandes empresas exportadoras.
A redução nas exportações para países estratégicos como Estados Unidos e os países europeus vai fechar um quinto das fábricas da região Sul da China. Serão 9.000 fábricas que vão fechar as portas nas regiões de Donguan, Cantão e Shenzhen. Estas regiões possuem hoje cerca de 45.000 fábricas que trabalham com artigos para exportação. A maioria destas empresas que irão fechar são empresas estrangeiras que atuam em território chinês.
Segundo levantamento feito pelas próprias empresas, houve queda de 30% na demanda por produtos.
Uma importante fábrica de brinquedos que fornecia para a Disney e a Mattel fechou a fábrica nas últimas semanas, a Smart Union, provocando a demissão de milhares de trabalhadores. O fechamento desta fábrica indica que a crise está atingindo grandes empresas e não somente as pequenas manufaturas, como queriam apresentar os analistas econômicos. Uma importante empresa de metalurgia chinesa, a Mansfield Manufacturing, que fornece produtos para carros, impressoras, aparelhos eletrônicos das marcas Epson, Toshiba, Fuji-Xerox, Canon entre outras está temendo a recessão, pois já teve várias encomendas vindas da Europa e do Japão canceladas. A empresa emprega pelo menos 8.500 trabalhadores.
As estimativas são de que o fechamento destas fábricas provocaria a demissão de quase três milhões de trabalhadores chineses, por volta de 2,7 milhões de demissões. Mas há indícios de que o número de fechamento de fábricas e de postos de trabalho seja maior que este.
Claramente a economia chinesa está sofrendo drasticamente os efeitos da crise, o PIB (Produto Interno Bruto) para este ano já foi estimado em 9%, bem abaixo dos 11,8% de 2007. A queda nas exportações mundialmente vai está afetando em cheio a economia chinesa, pois está depende basicamente deste mercado para sobreviver. Os efeitos da recessão na China tendem a ser mais assustadores que em outros países, pois este é o maior país do mundo com mais de um trilhão de habitantes e uma classe operária gigantesca. A recessão vai demitir centenas de milhares de trabalhadores provocando um confronto direto da classe trabalhadora chinesa colocando em cheque o regime burguês no País.
A China, em função de uma mão-de-obra extremamente barata, beirando o trabalho escravo foi um dos sustentáculos do último período de baixa inflação e altíssima especulação financeira, abrindo caminho para os investimentos especiais que constituem a base de toda a enorme engrenagem financeira internacional. Esta situação chegou ao fim e deverá trazer uma maior aprofundamento da crise mundial capitalista.
Cerca de 9.000 fábricas do sul da China podem fechar as portas com os efeitos da recessão mundial e provocar a demissão de 2,7 milhões de chineses
A tão propalada força da economia Chinesa, um dos sustentáculos da economia mundial dos últimos anos, que para os especialistas econômicos da burguesia estava firme e forte em meio à recessão mundial, está tão frágil quanto os Estados Unidos e a Europa. A queda no consumo nos principais países do mundo já está afetando, como era de se esperar, a economia chinesa provocando o fechamento de dezenas de fábricas e a demissão de milhares de trabalhadores.
As economias dos países atrasados – ditos emergentes –, como Brasil, China, Índia, Rússia é extremamente dependente das exportações para os países imperialistas e a deflação e a recessão mundial tendema promover uma devastação nas contas destes países e nas suas grandes empresas exportadoras.
A redução nas exportações para países estratégicos como Estados Unidos e os países europeus vai fechar um quinto das fábricas da região Sul da China. Serão 9.000 fábricas que vão fechar as portas nas regiões de Donguan, Cantão e Shenzhen. Estas regiões possuem hoje cerca de 45.000 fábricas que trabalham com artigos para exportação. A maioria destas empresas que irão fechar são empresas estrangeiras que atuam em território chinês.
Segundo levantamento feito pelas próprias empresas, houve queda de 30% na demanda por produtos.
Uma importante fábrica de brinquedos que fornecia para a Disney e a Mattel fechou a fábrica nas últimas semanas, a Smart Union, provocando a demissão de milhares de trabalhadores. O fechamento desta fábrica indica que a crise está atingindo grandes empresas e não somente as pequenas manufaturas, como queriam apresentar os analistas econômicos. Uma importante empresa de metalurgia chinesa, a Mansfield Manufacturing, que fornece produtos para carros, impressoras, aparelhos eletrônicos das marcas Epson, Toshiba, Fuji-Xerox, Canon entre outras está temendo a recessão, pois já teve várias encomendas vindas da Europa e do Japão canceladas. A empresa emprega pelo menos 8.500 trabalhadores.
As estimativas são de que o fechamento destas fábricas provocaria a demissão de quase três milhões de trabalhadores chineses, por volta de 2,7 milhões de demissões. Mas há indícios de que o número de fechamento de fábricas e de postos de trabalho seja maior que este.
Claramente a economia chinesa está sofrendo drasticamente os efeitos da crise, o PIB (Produto Interno Bruto) para este ano já foi estimado em 9%, bem abaixo dos 11,8% de 2007. A queda nas exportações mundialmente vai está afetando em cheio a economia chinesa, pois está depende basicamente deste mercado para sobreviver. Os efeitos da recessão na China tendem a ser mais assustadores que em outros países, pois este é o maior país do mundo com mais de um trilhão de habitantes e uma classe operária gigantesca. A recessão vai demitir centenas de milhares de trabalhadores provocando um confronto direto da classe trabalhadora chinesa colocando em cheque o regime burguês no País.
A China, em função de uma mão-de-obra extremamente barata, beirando o trabalho escravo foi um dos sustentáculos do último período de baixa inflação e altíssima especulação financeira, abrindo caminho para os investimentos especiais que constituem a base de toda a enorme engrenagem financeira internacional. Esta situação chegou ao fim e deverá trazer uma maior aprofundamento da crise mundial capitalista.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
O próximo capítulo da crise: recessão geral
Não tardou até que o desmoronamento do sistema financeiro internacional se refletisse na chamada “economia real”, ou seja, afetasse diretamente a produção e o emprego. O mundo está em recessão. E esta é a mais generalizada recessão de todos os tempos.
O anúncio da situação falimentar da gigante automobilística norte-americana General Motors, acompanhado do fechamento de unidades de outra gigante, a Ford, além de demissões em outras empresas ao redor do mundo como a japonesa Nissan, deram um sinal claro do esgotamento cada vez mais próximo de todo um ramo da economia.
A GM reivindica algo entre 25 e 50 bilhões de dólares para cobrir o buraco em seu caixa e manter-se em níveis “normais” de operação. Os argumentos contrários a um plano de resgate patrocinado pelo governo norte-americano apareceram ao longo da semana na imprensa especializada. O próprio presidente eleito Barack Obama reuniu-se com George W. Bush a fim de encontrar uma solução para a falência e a conseqüente demissão em massa na empresa.
A falência das três grandes companhias norte-americanas, GM, Ford e Chrysler poria de imediato entre dois e três milhões de trabalhadores na rua, e outros um milhão nas indústrias que estão associadas às montadoras, como autopeças e serviços.
O ocorrido na última semana na Espanha, onde 1.680 trabalhadores foram demitidos da Nissan e em uma manifestação à frente à sede comercial da empresa em Barcelona investiram agressivamente contra o edifício, sendo dispersados pela burocracia sindical enquanto a polícia de choque se manteve dentro do prédio durante toda a manifestação, deu uma mostra do tipo de perigo que os Democratas norte-americanos querem evitar: as demissões e a falência das montadoras colocam em pauta a ocupação das fábricas e o controle operário da produção.
A crise em Detroit
As vendas das montadoras norte-americanas vêm caindo sistematicamente. Perderam 30% em relação ao ano passado em 12 meses consecutivos de queda. A GM teve queda de 45% nas suas vendas, a Chrysler perdeu 35% e a Ford 30%.
Esta última entregou na sexta-feira, dia 7, os números do seu mais recente balanço. São mais de três bilhões de dólares perdidos nas operações do terceiro trimestre deste ano. A GM conseguiu ser ainda pior, perdendo 4,2 bilhões no mesmo período.
Os preços das ações de cada uma das duas companhias também despencaram ao longo do último ano. A GM perdeu 82% do seu valor, enquanto a Ford caiu 70% em 2008.
As comparações entre a situação atual e a crise por que passaram as empresas trinta anos atrás surgiram em praticamente todos os jornais econômicos. A Chrysler foi posta de joelhos pela crise do petróleo no final dos anos 70, quando produzia carros com alto consumo de combustível. Recebeu do governo 1,5 bilhão de dólares, cortou empregos e deu prejuízo a investidores.
A perda de valor das empresas é, na realidade, um ajuste inevitável entre o capital fictício que se criou e a realidade.
Os argumentos contrários a um resgate giram em torno à máxima “Detroit não é Wall Street”, cunhada pelo periódico britânico Financial Times, daqueles que defendem que apenas os banqueiros e especuladores deveriam receber dinheiro do governo por ter uma importância para o funcionamento geral do sistema financeiro, ou mais especificamente, porque poderiam derrubar todo o sistema com a sua queda.
As companhias automobilísticas já são pesadamente subsidiadas há muito pelo governo norte-americano. Com tarifas pesadas impostas à importação de veículos estrangeiros – particularmente os japoneses – subsídios bilionários dados diretamente às empresas norte-americanas, isenções fiscais etc. e apesar de todo o esforço a indústria norte-americana está perdendo espaço (de 41% do mercado em 1985 para 25% hoje). No mesmo período, as ações da GM despencaram e as da Honda e da Toyota subiram 600% e 800% respectivamente.
Atrelada diretamente às oscilações do dólar e dos preços do petróleo, a GM viu uma breve recuperação entre 1997 e 2000, quando o dólar estava caro e os combustíveis baratos.
A situação atual, em meio à maior crise financeira e a incerteza que tomou conta dos mercados internacionalmente, lança sobre as montadoras o temor da falência, enquanto o governo tem muito pouco a fazer. Um subsídio bilionário dado diretamente à produção, ou um empréstimo feito a seus ramos financeiros, todas as medidas que possam ter que consumir os recursos do governo têm sobre si um freio imposto pelo temor de estar colocando o dinheiro em um saco sem fundo.
Desemprego em massa
Como dissemos acima, o receio do governo norte-americano não é propriamente lidar com a falência das três grandes companhias de Detroit que, embora possam representar uma perda considerável para a economia norte-americana – são responsáveis por cerca de 4% do PIB – têm à espera de sua falência outras tantas empresas estrangeiras ansiosas por tomar conta do mercado.
Não será a falta de carros com a “tradição” e o “estilo” norte-americanos o maior dos problemas a ser enfrentado em meio à crise, mas a onda de protestos e manifestações contra as demissões causadas pelas falências que o governo tenta evitar.
A economia européia vem a baixo
Com a economia da Zona do Euro tendo oficialmente entrado em recessão na última semana, com o PIB de 15 países tendo encolhido 0,2% no terceiro trimestre, repetindo o trimestre anterior em função do aperto de crédito, a redução do consumo, investimentos e exportações, o temor de falências e demissões se espalha por praticamente todo o mundo capitalista desenvolvido.
Segundo o Valor Econômico, “a Alemanha, que não teve uma bolha imobiliária e cujos consumidores não exageraram nos gastos a crédito, está se transformando numa das maiores vítimas da desaceleração mundial. Sua economia, a quarta maior do mundo, teve uma contração maior que a esperada, de 0,5%, no terceiro trimestre, depois de uma queda de 0,4% no segundo. As encomendas industriais estão em queda livre, e pesquisas com as empresas mostram que o problema mal começou: o país está diante do que pode ser a sua mais longa recessão desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1948”.
A Alemanha é o país central da economia européia em seu conjunto e vai, com certeza, arrastar os demais países da região, como já se vem aunciando.
Uma avaliação OCDE revela que as 30 economias mais industrializadas do mundo terão crescimento negativo no conjunto.
A recente crise financeira, empurrando para o precipício as empresas e empreendimentos da chamada “economia real”, já deixou mais sombrias as perspectivas para o próximo período. Nos EUA, as montadoras prevêm o fechamento de fábricas, como duas unidades da GM e a demissão de cerca de três mil funcionários. A Ford norte-americana terá demitido ao menos 700 funcionários até o final deste ano.
Na Europa, segundo a própria imprensa capitalista, particularmente no Reino Unido, o nível de desemprego da população é o maior em 16 anos. Somente neste ano, 1,8 milhão de pessoas perderam seus empregos. A taxa cresce a um ritmo de 10 mil novos desempregados por dia. Os anúncios de novas demissões sucedem uns aos outros. Empresas como a British Telecom, Continental, Opel e BMW já anunciaram novas demissões, férias coletivas e o fechamento de fábricas no velho continente até o final do ano. Calcula-se que desemprego dos maiores países industrializados atingirá a marca de 250 milhões de desocupados.
Entre agosto e outubro, o desemprego cresceu sobre uma base de 1,5 mil postos de trabalho fechados por dia. Os números são semelhantes na França, com 1,2 mil demitidos por dia. A Espanha teve 192 mil novos desempregados apenas em outubro. Uma estimativa da Organização Internacional do Trabalho concluiu que pelo menos 20 milhões de pessoas serão diretamente atingidas pela crise até o final do ano que vem. A recessão está varrendo 10 mil postos de trabalho por dia na Europa!
Em oposição aos beatos do capitalismo que diziam que a crise não tinha importância ou era passageira, o mundo revela todo o enorme ataque capitalista às condições de vida das massas e isso nos principais países capitalistas do mundo.
As taxas de desemprego atingem 5,8% no Reino Unido, 7,5% na Zona do Euro e uma perspectiva de que atinja a marca dos 9% em 2009.
No Brasil, a onda de choque desencadeada pela crise nos EUA e na Europa atingiu a indústria paulista causando 10 mil demissões em outubro. A FIESP estimou uma retração de 0,41% nas contratações no último mês, o pior resultado desde 2003. As demissões em outubro contrastam com a situação recorrente de aumento da produção às vésperas das vendas de natal e seguem uma tendência que já se manifestava em setembro.
Como era inevitável, também a General Motors do Brasil fechará postos de trabalho em função da crise que já tomou conta da matriz em Detroit. O Programa de Demissões Voluntárias (PDV) foi anunciado na primeira semana de novembro na unidade de São José dos Campos e em São Caetano do Sul (SP). Sem divulgar, no entanto, quantos pretende demitir, a GM de São José, por exemplo, conta com 9,4 mil funcionários e já teve neste ano três períodos de férias coletivas.
Outras indústrias também já sinalizaram com o fechamento de unidades e possivelmente demissões como “solução” para a crise. O setor de celulose e papel, representado no Brasil por empresas como a Aracruz, Votorantim e Klabin, abaladas pela variação do dólar – a Aracruz perdeu R$ 2 bilhões, a Klabin, mais de R$ 250 milhões – já anunciaram a redução de suas operações e o cancelamento de planos de expansão.
Nova etapa da crise?
Tendo passado pela maior onda de falências de bancos e empresas do sistema financeiro dos últimos tempos, a crise do crédito e o início da recessão e seus impactos sobre a economia real, alguns economistas e políticos burgueses avaliam que o mundo está se aproximando de uma nova etapa da crise, a “terceira etapa” como chamaram, aquela na qual a crise econômica se transforma em crise social.
O receio de que a rapidamente crescente onda de demissões, aliada à incapacidade de sustentação da economia por parte dos bancos centrais, se transforme em cataclismo social se justifica por si próprio. Que capitalista vai querer lidar com multidões enfurecidas pelas demissões, a recessão e uma perspectiva de miséria iminente diante da crise?
Diante da nova etapa, em que a produção começa a ser afetada drasticamente pela crise, o que fica expresso através das inúmeras falências, reestruturações e demissões que tomam conta do panorama, a política dos governos capitalistas continua a mesma: investimento estatal para financiar os prejuízos. Os governos de dois dos três estados mais desenvolvidos do Brasil, em total sintonia com o governo federal, anunciaram uma ajuda financeira de R$ 5,5 bilhões às montadoras.
Os cofres públicos estarão à disposição das multinacionais em meio à crise, mas não há qualquer alternativa capitalista para a população trabalhadora e o crescente desemprego.
A crise avançou de um ramo a outro no mercado financeiro, afetou os bancos e a disponibilidade de crédito comprometendo o funcionamento das empresas e negócios da “economia real”, como previmos inúmeras vezes. Estamos diante do seu desenvolvimento lógico: falências, fábricas fechando, demissões e uma situação de profunda recessão tomando conta da economia mundial. Trata-se de um colapso generalizado que vai atingir todos os ramos da economia capitalista em todos os países.
É importante acrescentar que esta nova onda da crise está atingindo uma economia mundial que não cresce de fato há 30 anos, economias debilitadas pela crise prolongada e massas de trabalhadores que perderam muito nestes 30 anos, como se pode ver pelo brutal agravamento da situação social nos EUA e vários outros exemplos.
Um programa revolucionário diante da crise
Os militantes e organizações do movimento operário e o proletariado em geral devem levantar um programa econômico e político como resposta de classe e revolucionária à crise. Não se trata apenas de lutar por medidas de defesa parcial dos salários ou do emprego, dos quais não se deve abrir mão em nenhuma circunstância, mas colocar esta luta como parte de um programa econômico radical, profundo, que impeça a destruição operada pela ditadura dos banqueiros e aponte uma verdadeira saída para os trabalhadores em todas as questões centrais levantadas pela crise neste momento, um programa de reivindicações transitórias cujo sentido é colocar em pauta a luta pelo governo operário em todos os países e não obter reformas sociais.
Diante dos argumentos insistentes dos capitalistas de que “não há outra solução” e que “todos” (na realidade, a classe operária) devem se sacrificar para salvar o “bem comum” (na verdade, a propriedade capitalista), a classe operária deve lutar para impedir que o peso da crise caia sobre seus ombros na forma do desemprego, do arrocho salarial, da miséria e da fome como querem os que ganharam durante tanto tempo com a sua exploração e, ao contrário, para que sejam os próprios capitalistas que paguem pela sua própria crise.
Os capitalistas devem pagar pela crise que eles mesmos criaram. Neste sentido, a classe operária precisa de um programa que, entre outras coisas, promova o confisco do sistema financeiro privado e a criação de um banco estatal único que coloque sob o controle dos trabalhadores o acesso ao crédito. Da mesma forma, apenas a estatização do comércio exterior e a centralização do câmbio pode por um fim à especulação com a moeda estrangeira e garantir que os subsídios hoje dados aos exportadores possam ser revertidos ao atendimento de necessidades populares como saúde, educação, aposentadoria etc.
Os trabalhadores não devem se intimidar diante da pressão por maior produtividade e das demissões provocadas pela crise financeira. Diante da ameaça do desemprego em massa e das “falências” arquitetadas para preservar as propriedades dos empresários e banqueiros, os trabalhadores devem lutar pela redução da jornada de trabalho e a criação de milhares de novos empregos públicos para atender à demanda da população por serviços essenciais.
Contra as demissões em massa, ocupar as fábricas e colocar a produção sob o controle da classe operária.
É preciso levantar, contra o desemprego e a miséria da superexploração em meio à crise, a palavra-de-ordem de escala móvel das horas de trabalho, ou seja, garantir emprego para todos, aliada à redução da jornada para 35 horas semanais em todos os ramos da produção, com o dia de trabalho de, no máximo, sete horas, sem redução dos salários; eliminar os bancos de horas, os contratos temporários e a terceirização. Embora a economia neste momento caminhe claramente para uma deflação, é preciso diante da instabilidade geral levantar a reivindicação de escala móvel de salários.
A crise econômica tem como conseqüências inevitáveis a inflação, a alta dos preços, que deve ser combatida com a exigência de que os patrões paguem as perdas através de uma escala móvel de salários, reajustados automaticamente de acordo com a inflação. O salário mínimo deve ser o suficiente para atender às necessidades básicas de uma família trabalhadora e não deve ser inferior a R$ 2.500,00.
É preciso colocar na ordem do dia, também, como uma questão central, a expropriação do latifúndio a uma reforma agrária real com a distribuição geral da terra e confisco das grandes empresas agrárias.
Em meio às turbulências que tomaram conta da economia mundial nestes últimos anos, o governo Lula arquitetou, como fiel representante dos interesses do capital estrangeiro no País, um plano para a entrega das riquezas naturais como o petróleo e os recursos da Amazônia às empresas estrangeiras. Estes não devem ter outro destino que não seja a garantia do desenvolvimento nacional e o atendimento das necessidades do povo brasileiro. É preciso estatizar todo o petróleo nacional em todas as etapas de sua produção sob o controle dos trabalhadores, cancelando os leilões e os contratos para exploração das reservas nacionais pelos abutres estrangeiros. Assim como a Cia. Vale do Rio Doce, a Petrobrás deve ser reestatizada e reorganizada de acordo com os interesses da classe operária. São ramos fundamentais da economia do país que devem ser voltados a atender as necessidades do seu desenvolvimento.
Estas medidas, aliadas à suspensão de qualquer pagamento das dívidas externa e interna, o fim das privatizações e o cancelamento das já realizadas sem indenização colocarão um fim à sustentação do parasitismo das economias imperialistas sobre o País e abrirão um caminho para o desenvolvimento, até então bloqueado, da economia nacional.
Somente um governo dos trabalhadores da cidade e do campo pode colocar em funcionamento este programa. Somente a mobilização massiva, consciente de amplos setores da classe operária e dos demais explorados pode sustentar este governo em oposição aos governos dos exploradores do povo nas mãos das organizações e partidos oportunistas da esquerda burguesa e pequeno-burguesa.
O anúncio da situação falimentar da gigante automobilística norte-americana General Motors, acompanhado do fechamento de unidades de outra gigante, a Ford, além de demissões em outras empresas ao redor do mundo como a japonesa Nissan, deram um sinal claro do esgotamento cada vez mais próximo de todo um ramo da economia.
A GM reivindica algo entre 25 e 50 bilhões de dólares para cobrir o buraco em seu caixa e manter-se em níveis “normais” de operação. Os argumentos contrários a um plano de resgate patrocinado pelo governo norte-americano apareceram ao longo da semana na imprensa especializada. O próprio presidente eleito Barack Obama reuniu-se com George W. Bush a fim de encontrar uma solução para a falência e a conseqüente demissão em massa na empresa.
A falência das três grandes companhias norte-americanas, GM, Ford e Chrysler poria de imediato entre dois e três milhões de trabalhadores na rua, e outros um milhão nas indústrias que estão associadas às montadoras, como autopeças e serviços.
O ocorrido na última semana na Espanha, onde 1.680 trabalhadores foram demitidos da Nissan e em uma manifestação à frente à sede comercial da empresa em Barcelona investiram agressivamente contra o edifício, sendo dispersados pela burocracia sindical enquanto a polícia de choque se manteve dentro do prédio durante toda a manifestação, deu uma mostra do tipo de perigo que os Democratas norte-americanos querem evitar: as demissões e a falência das montadoras colocam em pauta a ocupação das fábricas e o controle operário da produção.
A crise em Detroit
As vendas das montadoras norte-americanas vêm caindo sistematicamente. Perderam 30% em relação ao ano passado em 12 meses consecutivos de queda. A GM teve queda de 45% nas suas vendas, a Chrysler perdeu 35% e a Ford 30%.
Esta última entregou na sexta-feira, dia 7, os números do seu mais recente balanço. São mais de três bilhões de dólares perdidos nas operações do terceiro trimestre deste ano. A GM conseguiu ser ainda pior, perdendo 4,2 bilhões no mesmo período.
Os preços das ações de cada uma das duas companhias também despencaram ao longo do último ano. A GM perdeu 82% do seu valor, enquanto a Ford caiu 70% em 2008.
As comparações entre a situação atual e a crise por que passaram as empresas trinta anos atrás surgiram em praticamente todos os jornais econômicos. A Chrysler foi posta de joelhos pela crise do petróleo no final dos anos 70, quando produzia carros com alto consumo de combustível. Recebeu do governo 1,5 bilhão de dólares, cortou empregos e deu prejuízo a investidores.
A perda de valor das empresas é, na realidade, um ajuste inevitável entre o capital fictício que se criou e a realidade.
Os argumentos contrários a um resgate giram em torno à máxima “Detroit não é Wall Street”, cunhada pelo periódico britânico Financial Times, daqueles que defendem que apenas os banqueiros e especuladores deveriam receber dinheiro do governo por ter uma importância para o funcionamento geral do sistema financeiro, ou mais especificamente, porque poderiam derrubar todo o sistema com a sua queda.
As companhias automobilísticas já são pesadamente subsidiadas há muito pelo governo norte-americano. Com tarifas pesadas impostas à importação de veículos estrangeiros – particularmente os japoneses – subsídios bilionários dados diretamente às empresas norte-americanas, isenções fiscais etc. e apesar de todo o esforço a indústria norte-americana está perdendo espaço (de 41% do mercado em 1985 para 25% hoje). No mesmo período, as ações da GM despencaram e as da Honda e da Toyota subiram 600% e 800% respectivamente.
Atrelada diretamente às oscilações do dólar e dos preços do petróleo, a GM viu uma breve recuperação entre 1997 e 2000, quando o dólar estava caro e os combustíveis baratos.
A situação atual, em meio à maior crise financeira e a incerteza que tomou conta dos mercados internacionalmente, lança sobre as montadoras o temor da falência, enquanto o governo tem muito pouco a fazer. Um subsídio bilionário dado diretamente à produção, ou um empréstimo feito a seus ramos financeiros, todas as medidas que possam ter que consumir os recursos do governo têm sobre si um freio imposto pelo temor de estar colocando o dinheiro em um saco sem fundo.
Desemprego em massa
Como dissemos acima, o receio do governo norte-americano não é propriamente lidar com a falência das três grandes companhias de Detroit que, embora possam representar uma perda considerável para a economia norte-americana – são responsáveis por cerca de 4% do PIB – têm à espera de sua falência outras tantas empresas estrangeiras ansiosas por tomar conta do mercado.
Não será a falta de carros com a “tradição” e o “estilo” norte-americanos o maior dos problemas a ser enfrentado em meio à crise, mas a onda de protestos e manifestações contra as demissões causadas pelas falências que o governo tenta evitar.
A economia européia vem a baixo
Com a economia da Zona do Euro tendo oficialmente entrado em recessão na última semana, com o PIB de 15 países tendo encolhido 0,2% no terceiro trimestre, repetindo o trimestre anterior em função do aperto de crédito, a redução do consumo, investimentos e exportações, o temor de falências e demissões se espalha por praticamente todo o mundo capitalista desenvolvido.
Segundo o Valor Econômico, “a Alemanha, que não teve uma bolha imobiliária e cujos consumidores não exageraram nos gastos a crédito, está se transformando numa das maiores vítimas da desaceleração mundial. Sua economia, a quarta maior do mundo, teve uma contração maior que a esperada, de 0,5%, no terceiro trimestre, depois de uma queda de 0,4% no segundo. As encomendas industriais estão em queda livre, e pesquisas com as empresas mostram que o problema mal começou: o país está diante do que pode ser a sua mais longa recessão desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1948”.
A Alemanha é o país central da economia européia em seu conjunto e vai, com certeza, arrastar os demais países da região, como já se vem aunciando.
Uma avaliação OCDE revela que as 30 economias mais industrializadas do mundo terão crescimento negativo no conjunto.
A recente crise financeira, empurrando para o precipício as empresas e empreendimentos da chamada “economia real”, já deixou mais sombrias as perspectivas para o próximo período. Nos EUA, as montadoras prevêm o fechamento de fábricas, como duas unidades da GM e a demissão de cerca de três mil funcionários. A Ford norte-americana terá demitido ao menos 700 funcionários até o final deste ano.
Na Europa, segundo a própria imprensa capitalista, particularmente no Reino Unido, o nível de desemprego da população é o maior em 16 anos. Somente neste ano, 1,8 milhão de pessoas perderam seus empregos. A taxa cresce a um ritmo de 10 mil novos desempregados por dia. Os anúncios de novas demissões sucedem uns aos outros. Empresas como a British Telecom, Continental, Opel e BMW já anunciaram novas demissões, férias coletivas e o fechamento de fábricas no velho continente até o final do ano. Calcula-se que desemprego dos maiores países industrializados atingirá a marca de 250 milhões de desocupados.
Entre agosto e outubro, o desemprego cresceu sobre uma base de 1,5 mil postos de trabalho fechados por dia. Os números são semelhantes na França, com 1,2 mil demitidos por dia. A Espanha teve 192 mil novos desempregados apenas em outubro. Uma estimativa da Organização Internacional do Trabalho concluiu que pelo menos 20 milhões de pessoas serão diretamente atingidas pela crise até o final do ano que vem. A recessão está varrendo 10 mil postos de trabalho por dia na Europa!
Em oposição aos beatos do capitalismo que diziam que a crise não tinha importância ou era passageira, o mundo revela todo o enorme ataque capitalista às condições de vida das massas e isso nos principais países capitalistas do mundo.
As taxas de desemprego atingem 5,8% no Reino Unido, 7,5% na Zona do Euro e uma perspectiva de que atinja a marca dos 9% em 2009.
No Brasil, a onda de choque desencadeada pela crise nos EUA e na Europa atingiu a indústria paulista causando 10 mil demissões em outubro. A FIESP estimou uma retração de 0,41% nas contratações no último mês, o pior resultado desde 2003. As demissões em outubro contrastam com a situação recorrente de aumento da produção às vésperas das vendas de natal e seguem uma tendência que já se manifestava em setembro.
Como era inevitável, também a General Motors do Brasil fechará postos de trabalho em função da crise que já tomou conta da matriz em Detroit. O Programa de Demissões Voluntárias (PDV) foi anunciado na primeira semana de novembro na unidade de São José dos Campos e em São Caetano do Sul (SP). Sem divulgar, no entanto, quantos pretende demitir, a GM de São José, por exemplo, conta com 9,4 mil funcionários e já teve neste ano três períodos de férias coletivas.
Outras indústrias também já sinalizaram com o fechamento de unidades e possivelmente demissões como “solução” para a crise. O setor de celulose e papel, representado no Brasil por empresas como a Aracruz, Votorantim e Klabin, abaladas pela variação do dólar – a Aracruz perdeu R$ 2 bilhões, a Klabin, mais de R$ 250 milhões – já anunciaram a redução de suas operações e o cancelamento de planos de expansão.
Nova etapa da crise?
Tendo passado pela maior onda de falências de bancos e empresas do sistema financeiro dos últimos tempos, a crise do crédito e o início da recessão e seus impactos sobre a economia real, alguns economistas e políticos burgueses avaliam que o mundo está se aproximando de uma nova etapa da crise, a “terceira etapa” como chamaram, aquela na qual a crise econômica se transforma em crise social.
O receio de que a rapidamente crescente onda de demissões, aliada à incapacidade de sustentação da economia por parte dos bancos centrais, se transforme em cataclismo social se justifica por si próprio. Que capitalista vai querer lidar com multidões enfurecidas pelas demissões, a recessão e uma perspectiva de miséria iminente diante da crise?
Diante da nova etapa, em que a produção começa a ser afetada drasticamente pela crise, o que fica expresso através das inúmeras falências, reestruturações e demissões que tomam conta do panorama, a política dos governos capitalistas continua a mesma: investimento estatal para financiar os prejuízos. Os governos de dois dos três estados mais desenvolvidos do Brasil, em total sintonia com o governo federal, anunciaram uma ajuda financeira de R$ 5,5 bilhões às montadoras.
Os cofres públicos estarão à disposição das multinacionais em meio à crise, mas não há qualquer alternativa capitalista para a população trabalhadora e o crescente desemprego.
A crise avançou de um ramo a outro no mercado financeiro, afetou os bancos e a disponibilidade de crédito comprometendo o funcionamento das empresas e negócios da “economia real”, como previmos inúmeras vezes. Estamos diante do seu desenvolvimento lógico: falências, fábricas fechando, demissões e uma situação de profunda recessão tomando conta da economia mundial. Trata-se de um colapso generalizado que vai atingir todos os ramos da economia capitalista em todos os países.
É importante acrescentar que esta nova onda da crise está atingindo uma economia mundial que não cresce de fato há 30 anos, economias debilitadas pela crise prolongada e massas de trabalhadores que perderam muito nestes 30 anos, como se pode ver pelo brutal agravamento da situação social nos EUA e vários outros exemplos.
Um programa revolucionário diante da crise
Os militantes e organizações do movimento operário e o proletariado em geral devem levantar um programa econômico e político como resposta de classe e revolucionária à crise. Não se trata apenas de lutar por medidas de defesa parcial dos salários ou do emprego, dos quais não se deve abrir mão em nenhuma circunstância, mas colocar esta luta como parte de um programa econômico radical, profundo, que impeça a destruição operada pela ditadura dos banqueiros e aponte uma verdadeira saída para os trabalhadores em todas as questões centrais levantadas pela crise neste momento, um programa de reivindicações transitórias cujo sentido é colocar em pauta a luta pelo governo operário em todos os países e não obter reformas sociais.
Diante dos argumentos insistentes dos capitalistas de que “não há outra solução” e que “todos” (na realidade, a classe operária) devem se sacrificar para salvar o “bem comum” (na verdade, a propriedade capitalista), a classe operária deve lutar para impedir que o peso da crise caia sobre seus ombros na forma do desemprego, do arrocho salarial, da miséria e da fome como querem os que ganharam durante tanto tempo com a sua exploração e, ao contrário, para que sejam os próprios capitalistas que paguem pela sua própria crise.
Os capitalistas devem pagar pela crise que eles mesmos criaram. Neste sentido, a classe operária precisa de um programa que, entre outras coisas, promova o confisco do sistema financeiro privado e a criação de um banco estatal único que coloque sob o controle dos trabalhadores o acesso ao crédito. Da mesma forma, apenas a estatização do comércio exterior e a centralização do câmbio pode por um fim à especulação com a moeda estrangeira e garantir que os subsídios hoje dados aos exportadores possam ser revertidos ao atendimento de necessidades populares como saúde, educação, aposentadoria etc.
Os trabalhadores não devem se intimidar diante da pressão por maior produtividade e das demissões provocadas pela crise financeira. Diante da ameaça do desemprego em massa e das “falências” arquitetadas para preservar as propriedades dos empresários e banqueiros, os trabalhadores devem lutar pela redução da jornada de trabalho e a criação de milhares de novos empregos públicos para atender à demanda da população por serviços essenciais.
Contra as demissões em massa, ocupar as fábricas e colocar a produção sob o controle da classe operária.
É preciso levantar, contra o desemprego e a miséria da superexploração em meio à crise, a palavra-de-ordem de escala móvel das horas de trabalho, ou seja, garantir emprego para todos, aliada à redução da jornada para 35 horas semanais em todos os ramos da produção, com o dia de trabalho de, no máximo, sete horas, sem redução dos salários; eliminar os bancos de horas, os contratos temporários e a terceirização. Embora a economia neste momento caminhe claramente para uma deflação, é preciso diante da instabilidade geral levantar a reivindicação de escala móvel de salários.
A crise econômica tem como conseqüências inevitáveis a inflação, a alta dos preços, que deve ser combatida com a exigência de que os patrões paguem as perdas através de uma escala móvel de salários, reajustados automaticamente de acordo com a inflação. O salário mínimo deve ser o suficiente para atender às necessidades básicas de uma família trabalhadora e não deve ser inferior a R$ 2.500,00.
É preciso colocar na ordem do dia, também, como uma questão central, a expropriação do latifúndio a uma reforma agrária real com a distribuição geral da terra e confisco das grandes empresas agrárias.
Em meio às turbulências que tomaram conta da economia mundial nestes últimos anos, o governo Lula arquitetou, como fiel representante dos interesses do capital estrangeiro no País, um plano para a entrega das riquezas naturais como o petróleo e os recursos da Amazônia às empresas estrangeiras. Estes não devem ter outro destino que não seja a garantia do desenvolvimento nacional e o atendimento das necessidades do povo brasileiro. É preciso estatizar todo o petróleo nacional em todas as etapas de sua produção sob o controle dos trabalhadores, cancelando os leilões e os contratos para exploração das reservas nacionais pelos abutres estrangeiros. Assim como a Cia. Vale do Rio Doce, a Petrobrás deve ser reestatizada e reorganizada de acordo com os interesses da classe operária. São ramos fundamentais da economia do país que devem ser voltados a atender as necessidades do seu desenvolvimento.
Estas medidas, aliadas à suspensão de qualquer pagamento das dívidas externa e interna, o fim das privatizações e o cancelamento das já realizadas sem indenização colocarão um fim à sustentação do parasitismo das economias imperialistas sobre o País e abrirão um caminho para o desenvolvimento, até então bloqueado, da economia nacional.
Somente um governo dos trabalhadores da cidade e do campo pode colocar em funcionamento este programa. Somente a mobilização massiva, consciente de amplos setores da classe operária e dos demais explorados pode sustentar este governo em oposição aos governos dos exploradores do povo nas mãos das organizações e partidos oportunistas da esquerda burguesa e pequeno-burguesa.
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17-11-08,
PCO - Partido da Causa Operária Online
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Mega protesto em Roma contra o governo Berlusconi
Centenas de milhares de pessoas protestaram em Roma contra o governo direitista de Silvio Berlusconi.
O Circus Maximus, no centro de Roma, foi ocupado pela manifestação organizada pelo Partido Democrata no último sábado. Walter Veltroni, líder da oposição qualificada pela imprensa burguesa internacional como sendo de “centro-esquerda” ao governo, assumiu a dianteira no ataque ao governo durante a manifestação, em um discurso no qual criticou a política do governo do social ao econômico.
A manifestação não se dirigia exclusivamente contra nenhuma política do governo. A oposição pretende descontar o revés obtido nas últimas eleições na qual foi esmagada pela maioria formada pela coalizão entre o partido de Berlusconi e os dois principais partidos da direita no Parlamento.
O eixo central da intervenção de Veltroni se dirigiu a criticar o caráter direitista do governo, que segundo o líder do Partido Democrata estaria transformando a Itália “mais fascista” sob o governo Berlusconi.
Veltroni criticou a política segregacionista do governo, que pretende expulsar imigrantes e discriminar as crianças estrangeiras nas escolas. “A Itália, senhor presidente do Conselho de Ministros, é um país antifascista", disse.
A política econômica do governo também foi escrutinizada pela liderança da oposição burguesa: “Há uma crise. Certamente chegará aos Estados Unidos, mas ninguém tem álibi nem desculpa. Principalmente a direita", a qual Veltroni condenou por que esta considera "qualquer regra um obstáculo". "O governo de Berlusconi é totalmente inadequado para enfrentar a crise econômica porque se ocupa apenas de dar conforto aos mais poderosos", disse (EFE, 25/10/2008).
A recente avalanche de medidas direitistas, que ressaltaram o caráter fascista e racista do imperialismo em crise, como as medidas contra a entrada de imigrantes no país, parece ter atingido uma barreira com a resistência da população organizada no protesto no último dia 25.
Reunindo pessoas vindas de todo o país, a oposição chegou a anunciar que teria trazido 2,5 milhões de pessoas. Estimativas da polícia local apontam que 200 mil pessoas teriam se reunido.
O Circus Maximus, no centro de Roma, foi ocupado pela manifestação organizada pelo Partido Democrata no último sábado. Walter Veltroni, líder da oposição qualificada pela imprensa burguesa internacional como sendo de “centro-esquerda” ao governo, assumiu a dianteira no ataque ao governo durante a manifestação, em um discurso no qual criticou a política do governo do social ao econômico.
A manifestação não se dirigia exclusivamente contra nenhuma política do governo. A oposição pretende descontar o revés obtido nas últimas eleições na qual foi esmagada pela maioria formada pela coalizão entre o partido de Berlusconi e os dois principais partidos da direita no Parlamento.
O eixo central da intervenção de Veltroni se dirigiu a criticar o caráter direitista do governo, que segundo o líder do Partido Democrata estaria transformando a Itália “mais fascista” sob o governo Berlusconi.
Veltroni criticou a política segregacionista do governo, que pretende expulsar imigrantes e discriminar as crianças estrangeiras nas escolas. “A Itália, senhor presidente do Conselho de Ministros, é um país antifascista", disse.
A política econômica do governo também foi escrutinizada pela liderança da oposição burguesa: “Há uma crise. Certamente chegará aos Estados Unidos, mas ninguém tem álibi nem desculpa. Principalmente a direita", a qual Veltroni condenou por que esta considera "qualquer regra um obstáculo". "O governo de Berlusconi é totalmente inadequado para enfrentar a crise econômica porque se ocupa apenas de dar conforto aos mais poderosos", disse (EFE, 25/10/2008).
A recente avalanche de medidas direitistas, que ressaltaram o caráter fascista e racista do imperialismo em crise, como as medidas contra a entrada de imigrantes no país, parece ter atingido uma barreira com a resistência da população organizada no protesto no último dia 25.
Reunindo pessoas vindas de todo o país, a oposição chegou a anunciar que teria trazido 2,5 milhões de pessoas. Estimativas da polícia local apontam que 200 mil pessoas teriam se reunido.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Camponeses são atacados por pistoleiros no Município de Redenção
Pistoleiros invadem, torturam e incendeiam barracos de trabalhadores da LCP
O ataque ocorreu no dia 16 de outubro, por volta das sete horas da manhã, quando dez homens encapuzados chegaram o Acampamento Sardinha, organizado na Fazenda Vaca Branca, conhecida também por Fazenda Santa Maria, no Município de Redenção Sul do Pará.
Oito deles entraram no acampamento armados, humilhando os trabalhadores com coronhadas e chutes, e ameaçando de morte os líderes do acampamento. Eles estavam encapuzados e fortemente armados, com pistolas, revolveres e espingardas, dispararam vários tiros, e incendiaram os barracos com tudo o que tinham dentro, inclusive mantimentos e expulsaram as 27 famílias ali presentes. Um dos barracos abrigava três crianças, a mais velha de quatro anos de idade, que foram tiradas às pressas de dentro antes que se queimassem.
Apavoradas, as famílias se refugiaram na cidade de Redenção, na casa de familiares e amigos.
O crime foi comunicado à DECA (Delegacia de Conflitos Agrários), que limitou-se a registrá-lo como ameaça, quando está configurado o porte ilegal de arma, disparos de arma de fogo, incêndio e formação de quadrilha ou bando.
Suspeita-se que o crime tenha sido encomendado pela a fazendeira Maria de Fátima Gomes Ferreira Marques, que já obteve na justiça uma decisão liminar de manutenção de posse, desde o dia 17 de setembro do ano passado.
O Acampamento é formado por aproximadamente 70 famílias que há mais de um ano ocupam a área e esperam por regularização das terras por parte do governo.
Mais trabalhadores enfrentando trabalhadores.
O ataque ocorreu no dia 16 de outubro, por volta das sete horas da manhã, quando dez homens encapuzados chegaram o Acampamento Sardinha, organizado na Fazenda Vaca Branca, conhecida também por Fazenda Santa Maria, no Município de Redenção Sul do Pará.
Oito deles entraram no acampamento armados, humilhando os trabalhadores com coronhadas e chutes, e ameaçando de morte os líderes do acampamento. Eles estavam encapuzados e fortemente armados, com pistolas, revolveres e espingardas, dispararam vários tiros, e incendiaram os barracos com tudo o que tinham dentro, inclusive mantimentos e expulsaram as 27 famílias ali presentes. Um dos barracos abrigava três crianças, a mais velha de quatro anos de idade, que foram tiradas às pressas de dentro antes que se queimassem.
Apavoradas, as famílias se refugiaram na cidade de Redenção, na casa de familiares e amigos.
O crime foi comunicado à DECA (Delegacia de Conflitos Agrários), que limitou-se a registrá-lo como ameaça, quando está configurado o porte ilegal de arma, disparos de arma de fogo, incêndio e formação de quadrilha ou bando.
Suspeita-se que o crime tenha sido encomendado pela a fazendeira Maria de Fátima Gomes Ferreira Marques, que já obteve na justiça uma decisão liminar de manutenção de posse, desde o dia 17 de setembro do ano passado.
O Acampamento é formado por aproximadamente 70 famílias que há mais de um ano ocupam a área e esperam por regularização das terras por parte do governo.
Mais trabalhadores enfrentando trabalhadores.
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domingo, 19 de outubro de 2008
Fim da farsa - Brasil é um dos mais afetados pela crise financeira.
Ao contrário da "ilha da fantasia" criada pelo governo Lula que apresenta o Brasil a parte da crise financeira, uma pesquisa da BBC coloca o País entre os mais afetados pela crise mundial.
O Brasil não está nem um pouco imune aos efeitos da crise financeira mundial. Muito pelo contrário, é um dos mais afetados, segundo uma pesquisa divulgada pela rede de notícias BBC. Nesta pesquisa, são relacionados os principais países que estão sendo afetados pela hecatombe financeira que tomou conta do mundo há mais de um ano. O Brasil aparece ao lado dos imperialistas, Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Japão etc. A conclusão da pesquisa é óbvia, o Brasil está seriamente ligado às principais economias do mundo e possui um mercado financeiro bastante desenvolvido que não tem como ficar isolado da crise financeira que afeta primordialmente os Estados Unidos e a Europa.
Outros fatores devem ser levados em consideração. A economia brasileira se sustenta na venda de commodities, as quais serão profundamente afetadas pela recessão geral, como já se pode ver na queda dos preços do petróleo que os especuladores abandonam celeremente em busca de outras fontes de lucratividade.
A maioria das empresas e bancos brasileiros está envidada em dólar e, por isso, a escalada incontível do dólar elevará estas dívidas ao ponto de impossibilitar seu pagamento. A subida do dólar, que o governo Lula faz esforços frenéticos para conter, é o resultado inevitável da fuga do capital especulativo, mas também da fuga do capital das próprias empresas brasileiras, que buscam refúgio no exterior ou em outros ativos fora do mercado financeiro.
A situação social do Brasil, elogiada pelos governos, é de uma desigualdade social terrível, ou seja, extremamente vulnerável a qualquer abalo econômico, como, por exemplo, a inflação, tornando o país uma bomba relógio. Este dado também é uma herança dos anos anteriores da crise, onde o povo pagou para empresas falidas não falirem.A situação brasileira é, ao contrário do que apregoa o governo, extremante crítica e exige um programa de emergência para enfrentá-la.
Mercado financeiro
Diante do fato de o Brasil estar participando da crise, é fácil constatar como isso acontece. Um dos primeiros fatores a serem destacados deve ser o mercado financeiro do Brasil. A Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, é a maior da América Latina e movimenta cerca de 70% de todos os negócios desta região. Com a crise financeira, as ações da Bovespa tiveram queda livre, algumas sendo desvalorizadas mais de 50%. A saída de dólares ultrapassou os US$ 3,5 bilhões até meados de setembro. Esta saída reflete diretamente no funcionamento da Bovespa, pois os recursos estrangeiros correspondem, em média, a 30% de tudo que a bolsa movimenta. Em setembro, por exemplo, os investidores estrangeiros foram responsáveis por 36,6% de tudo o que foi negociado na bolsa paulista.
Queda vertiginosa das commodities
Outro fator que está levando o Brasil para o furacão da crise econômica é a desvalorização dos preços das commodities ou matérias-primas. Isso porque a Bovespa tem um grande número de empresas que trabalham e especulam em torno de commodities. O índice da Bolsa de São Paulo, o Ibovespa, é formado por 48,37% de empresas de matérias-primas agrícolas e metálicas.
Sendo que as empresas de commodities metálicas compõem 42,89% do índice. É praticamente a metade de todos os negócios da Bovespa. Entre as principais, ou mesmo as mais importantes da bolsa brasileira, estão a Vale do Rio Doce, que trabalha, por exemplo, com o minério de ferro, matéria-prima largamente exportada, e a Petrobrás, com o petróleo. Com a desvalorização generalizada das ações destas empresas a bolsa registrou perdas gigantescas no último período, pois as ações da Vale e da Petrobrás correspondem a 33,29% de toda a movimentação do índice Ibovespa. Para se ter uma idéia dos efeitos da crise sobre estas ações, basta saber que nos nove primeiros meses deste ano, os títulos da Vale desvalorizaram 33,74% e os da Petrobrás, 34,45%. O baixo valor das commodites também está afetando a balança comercial do Brasil e que são uma das principais fontes de arrecadação de fundos feita pelo País. Desde o começo do ano, as exportações brasileiras estão em queda, mas apresentam resultados superiores às importações, pois o valor das matérias-primas teve cotação alta durante boa parte do ano. Agora, com a queda brusca dos preços e o agravamento da crise que está diminuindo a produção industrial dos países, como os Estados Unidos e a China, o Brasil exportará menos ainda, com o agravante de que o preço está bem menor.
Empréstimo de dólares
Apesar de não haver crise, como diz o governo Lula, várias medidas já foram tomadas para contê-la. Uma delas é a venda de dólares para o mercado financeiro a fim de impedir a supervalorização da moeda norte-americana que teve um aumento bastante expressivo nas últimas semanas, chegando a valer R$ 2,40. Lula já emprestou, em dólar, mais de US$ 3 bilhões para que o valor da moeda norte-americana baixasse frente ao real, pois assim não afetaria as importações e a alta da inflação. Estes efeitos sentidos estão afetando em cheio a economia brasileira, principalmente no mercado financeiro, mas os problemas também serão direcionados para a indústria, o comércio etc. afetando o desemprego, os aumentos salariais, a inflação, ou seja, o País inteiro.
O Brasil não está nem um pouco imune aos efeitos da crise financeira mundial. Muito pelo contrário, é um dos mais afetados, segundo uma pesquisa divulgada pela rede de notícias BBC. Nesta pesquisa, são relacionados os principais países que estão sendo afetados pela hecatombe financeira que tomou conta do mundo há mais de um ano. O Brasil aparece ao lado dos imperialistas, Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Japão etc. A conclusão da pesquisa é óbvia, o Brasil está seriamente ligado às principais economias do mundo e possui um mercado financeiro bastante desenvolvido que não tem como ficar isolado da crise financeira que afeta primordialmente os Estados Unidos e a Europa.
Outros fatores devem ser levados em consideração. A economia brasileira se sustenta na venda de commodities, as quais serão profundamente afetadas pela recessão geral, como já se pode ver na queda dos preços do petróleo que os especuladores abandonam celeremente em busca de outras fontes de lucratividade.
A maioria das empresas e bancos brasileiros está envidada em dólar e, por isso, a escalada incontível do dólar elevará estas dívidas ao ponto de impossibilitar seu pagamento. A subida do dólar, que o governo Lula faz esforços frenéticos para conter, é o resultado inevitável da fuga do capital especulativo, mas também da fuga do capital das próprias empresas brasileiras, que buscam refúgio no exterior ou em outros ativos fora do mercado financeiro.
A situação social do Brasil, elogiada pelos governos, é de uma desigualdade social terrível, ou seja, extremamente vulnerável a qualquer abalo econômico, como, por exemplo, a inflação, tornando o país uma bomba relógio. Este dado também é uma herança dos anos anteriores da crise, onde o povo pagou para empresas falidas não falirem.A situação brasileira é, ao contrário do que apregoa o governo, extremante crítica e exige um programa de emergência para enfrentá-la.
Mercado financeiro
Diante do fato de o Brasil estar participando da crise, é fácil constatar como isso acontece. Um dos primeiros fatores a serem destacados deve ser o mercado financeiro do Brasil. A Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, é a maior da América Latina e movimenta cerca de 70% de todos os negócios desta região. Com a crise financeira, as ações da Bovespa tiveram queda livre, algumas sendo desvalorizadas mais de 50%. A saída de dólares ultrapassou os US$ 3,5 bilhões até meados de setembro. Esta saída reflete diretamente no funcionamento da Bovespa, pois os recursos estrangeiros correspondem, em média, a 30% de tudo que a bolsa movimenta. Em setembro, por exemplo, os investidores estrangeiros foram responsáveis por 36,6% de tudo o que foi negociado na bolsa paulista.
Queda vertiginosa das commodities
Outro fator que está levando o Brasil para o furacão da crise econômica é a desvalorização dos preços das commodities ou matérias-primas. Isso porque a Bovespa tem um grande número de empresas que trabalham e especulam em torno de commodities. O índice da Bolsa de São Paulo, o Ibovespa, é formado por 48,37% de empresas de matérias-primas agrícolas e metálicas.
Sendo que as empresas de commodities metálicas compõem 42,89% do índice. É praticamente a metade de todos os negócios da Bovespa. Entre as principais, ou mesmo as mais importantes da bolsa brasileira, estão a Vale do Rio Doce, que trabalha, por exemplo, com o minério de ferro, matéria-prima largamente exportada, e a Petrobrás, com o petróleo. Com a desvalorização generalizada das ações destas empresas a bolsa registrou perdas gigantescas no último período, pois as ações da Vale e da Petrobrás correspondem a 33,29% de toda a movimentação do índice Ibovespa. Para se ter uma idéia dos efeitos da crise sobre estas ações, basta saber que nos nove primeiros meses deste ano, os títulos da Vale desvalorizaram 33,74% e os da Petrobrás, 34,45%. O baixo valor das commodites também está afetando a balança comercial do Brasil e que são uma das principais fontes de arrecadação de fundos feita pelo País. Desde o começo do ano, as exportações brasileiras estão em queda, mas apresentam resultados superiores às importações, pois o valor das matérias-primas teve cotação alta durante boa parte do ano. Agora, com a queda brusca dos preços e o agravamento da crise que está diminuindo a produção industrial dos países, como os Estados Unidos e a China, o Brasil exportará menos ainda, com o agravante de que o preço está bem menor.
Empréstimo de dólares
Apesar de não haver crise, como diz o governo Lula, várias medidas já foram tomadas para contê-la. Uma delas é a venda de dólares para o mercado financeiro a fim de impedir a supervalorização da moeda norte-americana que teve um aumento bastante expressivo nas últimas semanas, chegando a valer R$ 2,40. Lula já emprestou, em dólar, mais de US$ 3 bilhões para que o valor da moeda norte-americana baixasse frente ao real, pois assim não afetaria as importações e a alta da inflação. Estes efeitos sentidos estão afetando em cheio a economia brasileira, principalmente no mercado financeiro, mas os problemas também serão direcionados para a indústria, o comércio etc. afetando o desemprego, os aumentos salariais, a inflação, ou seja, o País inteiro.
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PCO - Partido da Causa Operária Online.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Belinati (PP) e Hauly (PSDB) disputarão o segundo turno para a prefeitura em Londrina. A tendência das pessoas com quem tenho conversado, e cujas opiniões levo em consideração, é de votar em Hauly sob a alegação de que Belinati não pode ganhar (ou seja, porque ele não merece, porque seria um grande retrocesso político, porque ele é um político desonesto, porque ele é populista, por isso, por aquilo ...).
E Hauly merece ganhar a eleição?
Eu não vejo boas razões naqueles que criticam o voto nulo no segundo turno destas eleições municipais em Londrina.
Votar nulo, a meu ver, deve sempre ser uma escolha feita a partir de ponderações circunstanciais. Não julgo razoável a idéia de voto nulo por princípio. Mas também não acho nem um pouco razoável o repúdio por princípio do voto nulo. Quer dizer, tampouco me parece atraente a tese de que sempre se deve escolher o mal menor, pois do contrário estaríamos sendo coniventes com a eleição do mal maior. De fato, toda eleição permite uma possível escala de indesejabilidade dos candidatos. É possível fazer uma lista de defeitos, vamos supor de 15 defeitos, e perceber que o candidato A tem 14 defeitos, o B 12, o C 9. E, assim, deveríamos votar no candidato C.
O problema, evidentemente, está em saber como deve ser composta esta lista. Quais seriam os 15 defeitos listados? Também precisaríamos de gradações dos defeitos em casos de empate (mas isso poderia ser resolvido). Se a tese for de que sempre devo escolher o mal menor numa eleição, o voto nulo, necessariamente, não teria nenhuma procedência. Ora, eu penso que o voto nulo é procedente, pois ele pode significar a atitude de desprezo das supostas diferenças em benefício da tese de que elas não são realmente diferenças geradoras de um relevante desequilíbrio entre os candidatos. É justamente isso que penso de Hauly e Belinati. Há desequilíbrio entre os dois? Certamente. Hauly é um mal menor que Belinati. Já no primeiro turno acreditava que Hauly era um mal menor que todos os demais candidatos. Mas o que há de relevante nesse desequilíbrio? A meu ver, pouca coisa. Trata-se de dois candidatos que, comparados, não apresentam diferenças substantivas.
Se Belinati ganhar não sofreremos imensas dores, do mesmo modo que se Hauly ganhar, não gozaremos de intensos prazeres. Em outras (e menos hedonistas) palavras, os malefícios com Belinati não serão tão consideráveis e os benefícios com Hauly não serão tão expressivos. E notem que eu não me preocupo com coisas inexistentes como, por exemplo, "o bem de Londrina". Interessa-me os malefícios e benefícios à liberdade dos indivíduos. Hauly possui um grande defeito: ele flerta irresponsavelmente com teses hostis à idéia de um autêntico estado laico. Ele é um papa-hóstias e seu conservadorismo religioso é erva daninha na política.
Se, para a infelicidade geral da nação, Belinati e Hauly fossem candidatos à presidência da república, provavelmente votaria em Hauly. A razão é que nesse caso os danos de uma provável eleição de Belinati seriam muito mais sensíveis do que ele sendo eleito prefeito.
Eu votaria nulo até se os 2 tivessem disputando a presidência...
E Hauly merece ganhar a eleição?
Eu não vejo boas razões naqueles que criticam o voto nulo no segundo turno destas eleições municipais em Londrina.
Votar nulo, a meu ver, deve sempre ser uma escolha feita a partir de ponderações circunstanciais. Não julgo razoável a idéia de voto nulo por princípio. Mas também não acho nem um pouco razoável o repúdio por princípio do voto nulo. Quer dizer, tampouco me parece atraente a tese de que sempre se deve escolher o mal menor, pois do contrário estaríamos sendo coniventes com a eleição do mal maior. De fato, toda eleição permite uma possível escala de indesejabilidade dos candidatos. É possível fazer uma lista de defeitos, vamos supor de 15 defeitos, e perceber que o candidato A tem 14 defeitos, o B 12, o C 9. E, assim, deveríamos votar no candidato C.
O problema, evidentemente, está em saber como deve ser composta esta lista. Quais seriam os 15 defeitos listados? Também precisaríamos de gradações dos defeitos em casos de empate (mas isso poderia ser resolvido). Se a tese for de que sempre devo escolher o mal menor numa eleição, o voto nulo, necessariamente, não teria nenhuma procedência. Ora, eu penso que o voto nulo é procedente, pois ele pode significar a atitude de desprezo das supostas diferenças em benefício da tese de que elas não são realmente diferenças geradoras de um relevante desequilíbrio entre os candidatos. É justamente isso que penso de Hauly e Belinati. Há desequilíbrio entre os dois? Certamente. Hauly é um mal menor que Belinati. Já no primeiro turno acreditava que Hauly era um mal menor que todos os demais candidatos. Mas o que há de relevante nesse desequilíbrio? A meu ver, pouca coisa. Trata-se de dois candidatos que, comparados, não apresentam diferenças substantivas.
Se Belinati ganhar não sofreremos imensas dores, do mesmo modo que se Hauly ganhar, não gozaremos de intensos prazeres. Em outras (e menos hedonistas) palavras, os malefícios com Belinati não serão tão consideráveis e os benefícios com Hauly não serão tão expressivos. E notem que eu não me preocupo com coisas inexistentes como, por exemplo, "o bem de Londrina". Interessa-me os malefícios e benefícios à liberdade dos indivíduos. Hauly possui um grande defeito: ele flerta irresponsavelmente com teses hostis à idéia de um autêntico estado laico. Ele é um papa-hóstias e seu conservadorismo religioso é erva daninha na política.
Se, para a infelicidade geral da nação, Belinati e Hauly fossem candidatos à presidência da república, provavelmente votaria em Hauly. A razão é que nesse caso os danos de uma provável eleição de Belinati seriam muito mais sensíveis do que ele sendo eleito prefeito.
Eu votaria nulo até se os 2 tivessem disputando a presidência...
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Agnaldo Pavão - Professor de Filosofia da UEL
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
"Consequências da modernidade"!

Hoje vi uma cena lastimável, produzida por essa sociedade "moderna" capitalista!!!
Uma mulher em frente de casa comendo macarrão que estava no lixo...
Isso já virou rotina faz tempo, mas a cada dia que vejo choca e isso não deve ser ignorado.
Até quando isso vai durar???
Até onde essa sociabilidade vai nos levar???
Estamos no fim!!!
A desgraça está feita!!!
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Gustavo Ramires Fernandes
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Para compreender a crise financeira.
Mercados internacionais de crédito entraram em colapso e há risco real de uma corrida devastadora aos bancos. Por que o pacote de 700 bilhões de dólares, nos EUA, chegou tarde e é inadequado. Quais as causas da crise, e sua relação com o capitalismo financeirizado e as desigualdades. Há alternativas?
Depois de terem vivido uma segunda-feira de pânico, os mercados financeiros operam, hoje, em meio a muito nervosismo. A bolsa de valores de Tóquio caiu mais 3%, apesar de o Banco do Japão injetar mais 10 bilhões de dólares no sistema bancário. Na Europa, há pequena recuperação das bolsas, diante de rumores sobre uma redução coordenada das taxas de juros, pelos bancos centrais. Em contrapartida, anunciou-se que a situação do Royal Bank os Scotland (RBJ) pode ser crítica — e que outros bancos estariam sob forte pressão.
A crise iniciada há pouco mais de um ano, no setor de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos, viveu dois repiques, nos últimos dias. Entre 15 e 16 de setembro, a falência de grandes instituições financeiras norte-americanas [1] deixou claro que a devastação não iria ficar restrita ao setor imobiliário. No início de outubro, começou a disseminar-se a sensação de que o pacote de 700 bilhões de dólares montado pela Casa Branca para tentar o resgate produziria efeitos muito limitados. Concebido segundo a lógica dos próprios mercados (o secretário do Tesouro, Henry Paulson, é um ex-executivo-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs), o conjunto de medidas socorre com dinheiro público as instituições financeiras mais afetadas, mas não assegura que os recursos irriguem a economia, muito menos protege as famílias endividadas.
Deu-se então um colapso nos mercados bancários, que perdura até o momento. Apavoradas com a onda de falências, as instituições financeiras bloquearam a concessão de empréstimos – inclusive entre si mesmas. Este movimento, por sua vez, multiplicou a sensação de insegurança, corroendo o próprio sentido da palavra crédito, base de todo o sistema. A crise alastrou-se dos Estados Unidos para a Europa. Em dois dias, cinco importantes bancos do Velho Continente naufragaram [2].
Muito rapidamente, o terremoto financeiro começou a atingir também a chamada “economia real”. Por falta de financiamento, as vendas de veículos caíram 27% (comparadas com o ano anterior) em setembro, recuando para o nível mais baixo nos últimos 15 anos. Em 3 de outubro, a General Motors brasileira colocou em férias compulsórias os trabalhadores de duas de suas fábricas (que produzem para exportação), num sinal dos enormes riscos de contágio internacional. Diante do risco de recessão profunda, até os preços do petróleo cederam, caindo neste 6/10 a 90 dólares por barril – uma baixa de 10% em apenas uma semana. A tempestade afeta também o setor público. Ao longo da semana, os governantes de diversos condados norte-americanos mostraram-se intranqüilos diante da falta de caixa. O governador da poderosa Califórnia, Arnold Schwazenegger, anunciou em 2 de outubro que não poderia fazer frente ao pagamento de policiais e bombeiros se não obtivesse, do governo federal, um empréstimo imediato de ao menos 7 bilhões de dólares.
Desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas podem sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”.
Nos últimos dias, alastrou-se o pavor de algo nunca visto, desde 1929: desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas poderiam sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”, segundo a descreveu o economista Nouriel Roubini, que se tornou conhecido por prever há meses, com notável precisão, todos os desdobramentos da crise atual.
Os primeiros sinais deste enorme desastre já estão visíveis. Em 2 de outubro, o Banco Central (BC) da Irlanda sentiu-se forçado a tranqüilizar o público, anunciando aumento no seguro estatal sobre 100% dos depósitos confiados a seis bancos. Na noite de domingo, foi a vez de o governo alemão tomar atitude semelhante. Mas as medidas foram tomadas de modo descoordenado, porque terminou sem resultados concretos, no fim-de-semana, uma reunião dos “quatro grandes” europeus [3], convocada pelo presidente francês, para buscar ações comuns contra a crise. Teme-se, por isso, que as iniciativas da Irlanda e Alemanha provoquem pressão contra os bancos dos demais países europeus, onde não há a mesma garantia. Além disso, suspeita-se que as autoridades estejam passando um cheque sem fundos. Na Irlanda, o valor total do seguro oferecido pelo BC equivale a mais do dobro do PIB do país...
Também neste caso, os riscos de contágio internacional são enormes. Roubini chama atenção, em especial, para as linhas de crédito no valor de quase 1 trilhão de dólares entre os bancos norte-americanos e instituições de outros países. É por meio deste canal, hoje bloqueado, que o risco de quebradeira bancária se espalha pelo mundo. Mesmo em países menos próximos do epicentro da crise, como o Brasil, as conseqüências já são sentidas. Na semana passada, o Banco Central viu-se obrigado a estimular os grandes bancos, por meio de duas resoluções sucessivas, a comprar as carteiras de crédito dos médios e pequenos – que já enfrentam dificuldades para captar recursos.
Em conseqüência de tantas tensões, as bolsas de valores da Ásia e Europa estão viveram, na segunda-feira (6/10) um dia de quedas abruptas. Na primeira sessão após a aprovação do pacote de resgate norte-americano, Tóquio perdeu 4,2% e Hong Kong, 3,4%. Quedas entre 7% e 9% ocorreram também em Londres, Paris e Frankfurt. Em Moscou, a bolsa despencou 19%. Em todos estes casos, as quedas foram puxadas pelo desabamento das ações de bancos importantes. Em São Paulo, os negócios foram interrompidos duas vezes, quando quedas drásticas acionaram as regras que mandam suspender os negócios em caso de instabilidade extrema. Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar chegou a R$ 2,20.
Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados
A esta altura, todas as análises sérias coincidem em que não é possível prever nem a duração, nem a profundidade, nem as conseqüências da crise. Nos próximos meses, vai se abrir um período de fortes turbulências: econômicas, sociais e políticas. As montanhas de dinheiro despejadas pelos bancos centrais sepultaram, em poucas semanas, um dogma cultuado pelos teóricos neoliberais durante três décadas. Como argumentar, agora, que os mercados são capazes de se auto-regular, e que toda intervenção estatal sobre eles é contra-producente?
Mas, há uma imensa distância entre a queda do dogma e a construção de políticas de sentido inverso. Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados.
O pacote de 700 bilhões de dólares costurado pela Casa Branca é o exemplo mais acabado deste viés. Nouriel Roubini considerou-o não apenas “injusto”, mas também “ineficaz e ineficiente”. Injusto porque socializa prejuízos, oferecendo dinheiro às instituições financeiras (ao permitir que o Estado assuma seus “títulos podres”) sem assumir, em troca, parte de seu capital. Ineficaz porque, ao não oferecer ajuda às famílias endividadas — e ameaçadas de perder seus imóveis —, deixa intocada a causa do problema (o empobrecimento e perda de capacidade aquisitiva da população), atuando apenas sobre seus efeitos superficiais. Ineficiente porque nada assegura (como estão demonstrando os fatos dos últimos dias) que os bancos, recapitalizados em meio à crise, disponham-se a reabrir as torneiras de crédito que poderiam irrigar a economia. Num artigo para o Financial Times (reproduzido pela Folha de São Paulo), até mesmo o mega-investidor George Soros defendeu ponto-de-vista muito semelhantes, e chegou a desenhar as bases de um plano alternativo.
Outras análises vão além. Num texto publicado há alguns meses no Le Monde Diplomatique, o economista francês François Chesnais chama atenção para algo mais profundo por trás da financeirização e do culto à auto-suficiência dos mercados. Ele mostra que as décadas neoliberais foram marcadas por um enorme aumento na acumulação capitalista e nas desigualdades internacionais. Fenômenos como a automação, a deslocalização das empresas (para países e regiões onde os salários e direitos sociais são mais deprimidos) e a emergência da China e Índia como grandes centros produtivos rebaixaram o poder relativo de compra dos salários. O movimento aprofundou-se quando o mundo empresarial passou a ser regido pela chamada “ditadura dos acionistas”, que leva os administradores a perseguir taxas de lucros cada vez mais altas. O resultado é um enorme abismo entre a a capacidade de produção da economia e o poder de compra das sociedades. Na base da crise financeira estaria, portanto, uma crise de superprodução semelhante às que foram estudadas por Marx, no século retrasado. Ao liquidar os mecanismos de regulação dos mercados e redistribuição de renda introduzidos após a crise de 1929, o capitalismo neoliberal teria reinvocado o fantasma.
Wallerstein vê nos sistemas públicos de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se todos tivermos direito a uma vida digna, quem se preocupará em acumular dinheiro?
Marx via nas crises financeiras os momentos dramáticos em que o proletariado reuniria forças para conquistar o poder e iniciar a construção do socialismo. Tal perspectiva parece distante, 125 anos após sua morte. A China, que se converteu na grande fábrica do mundo, é governada por um partido comunista*. Mas, longe de ameaçarem o capitalismo, tanto os dirigentes quanto o proletariado chinês empenham-se em conquistar um lugar ao sol, na luta por poder e riqueza que a lógica do sistema estimula permanentemente.
Ao invés de disputar poder e riqueza com os capitalistas, não será possível desafiar sua lógica? O sociólogo Immanuel Wallerstein, uma espécie de profeta do declínio norte-americano, defendeu esta hipótese corajosamente no Fórum Social Mundial de 2003 - quando George Bush preparava-se para invadir o Iraque e muitos acreditavam na perenidade do poder imperial dos EUA. Em outro artigo, publicado recentemente no Le Monde Diplomatique Brasil, Wallerstein sugere que a crise tornará o futuro imediato turbulento e perigoso. Mas destaca que certas conquistas sociais das últimas décadas criaram uma perspectiva de democracia ampliada, algo que pode servir de inspiração para caminhar politicamente em meio às tempestades. Refere-se à noção segundo a qual os direitos sociais são um valor mais importante que os lucros e a acumulação privada de riquezas. Vê nos sistemas públicos (e, em muitos países, igualitários) de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se a lógica da garantia universal a uma vida digna puder ser ampliada incessantemente; se todos tivermos direito, por exemplo, a viajar pelo mundo, a sermos produtores culturais independentes e a terapias (anti-)psicanalíticas, quem se preocupará em acumular dinheiro?
O neoliberalismo foi possível porque, no pós-II Guerra, certos pensadores atreveram-se a desafiar os paradigmas reinantes e a pensar uma contra-utopia. Num tempo em que o capitalismo, sob ameaça, estava disposto a fazer grandes concessões, intelectuais como o austríaco Friederich Hayek articularam, na chamada Sociedade Mont Pelerin, a reafirmação dos valores do sistema [4]. Seus objetivos parecem hoje desprezíveis, mas sua coragem foi admirável. Eles demonstraram que há espaço, em todas as épocas, para enfrentar as certezas em vigor e pensar futuros alternativos. Não será o momento de construir um novo pós-capitalismo?*
[1] Em 12/9, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, depois que as autoridades monetárias recusaram-se a resgatá-lo. No mesmo dia, o Merrill Lynch anunciou sua venda para o Bank of America. Em 15/9, a mega-seguradora AIG (a maior do mundo, até há alguns meses) anunciou que estava insolvente, sendo nacionalizada no dia seguinte com aporte estatal de US$ 85 bilhões
[2] O Fortis foi semi-nacionalizado pelos governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. O Dexia recebeu uma injeção de 6,4 bilhões de euros, patrocinada pelos governos da França e Bélgica. O Reino Unido nacionalizou o Bradford & Bingley (especialista em hipotecas), vendendo parte de seus ativos para o espanhol Santander. O Hypo Real Estate segundo maior banco hipotecário alemão entrou numa operação de resgate cujo custo podia chegar a 50 bilhões de euros, mas cujo sucesso ainda não estava assegurado, em 5/9. A Islândia nacionalizou o Glitnir, seu terceiro maior banco
[3] Alemanha, França, Reino Unido e Itália, os membros europeus do G-8
[4] Sobre a contra-utopia hayekiana, ler, no Le Monde Diplomatique, “Pensando o Impensável” , de Serge Halimi
*Partido Comunista o cacete!!! Se fosse comunista teria destruído o Estado chinês num processo gradual, pelo contrário, o fortaleceu, e se fosse pelo menos uma tentativa de ações comunistas não aceitaria jornadas de trabalho de 16 horas como acontece com a classe trabalhadora na China e outros problemas mais.
*Sociedade Pós-capitalista????? aiaiai!!
ai forçou!!!!
Ou se constrói outra sociabilidade econômica que não seja a do Capital, ou reforme essas relações econômicas??? Mas uma sociedade pós-capitalisa??? "ta de brincadeira!!!" Como diria um famoso locutor esportivo! rs...
Eu prefiro a primeira opção!
Depois de terem vivido uma segunda-feira de pânico, os mercados financeiros operam, hoje, em meio a muito nervosismo. A bolsa de valores de Tóquio caiu mais 3%, apesar de o Banco do Japão injetar mais 10 bilhões de dólares no sistema bancário. Na Europa, há pequena recuperação das bolsas, diante de rumores sobre uma redução coordenada das taxas de juros, pelos bancos centrais. Em contrapartida, anunciou-se que a situação do Royal Bank os Scotland (RBJ) pode ser crítica — e que outros bancos estariam sob forte pressão.
A crise iniciada há pouco mais de um ano, no setor de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos, viveu dois repiques, nos últimos dias. Entre 15 e 16 de setembro, a falência de grandes instituições financeiras norte-americanas [1] deixou claro que a devastação não iria ficar restrita ao setor imobiliário. No início de outubro, começou a disseminar-se a sensação de que o pacote de 700 bilhões de dólares montado pela Casa Branca para tentar o resgate produziria efeitos muito limitados. Concebido segundo a lógica dos próprios mercados (o secretário do Tesouro, Henry Paulson, é um ex-executivo-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs), o conjunto de medidas socorre com dinheiro público as instituições financeiras mais afetadas, mas não assegura que os recursos irriguem a economia, muito menos protege as famílias endividadas.
Deu-se então um colapso nos mercados bancários, que perdura até o momento. Apavoradas com a onda de falências, as instituições financeiras bloquearam a concessão de empréstimos – inclusive entre si mesmas. Este movimento, por sua vez, multiplicou a sensação de insegurança, corroendo o próprio sentido da palavra crédito, base de todo o sistema. A crise alastrou-se dos Estados Unidos para a Europa. Em dois dias, cinco importantes bancos do Velho Continente naufragaram [2].
Muito rapidamente, o terremoto financeiro começou a atingir também a chamada “economia real”. Por falta de financiamento, as vendas de veículos caíram 27% (comparadas com o ano anterior) em setembro, recuando para o nível mais baixo nos últimos 15 anos. Em 3 de outubro, a General Motors brasileira colocou em férias compulsórias os trabalhadores de duas de suas fábricas (que produzem para exportação), num sinal dos enormes riscos de contágio internacional. Diante do risco de recessão profunda, até os preços do petróleo cederam, caindo neste 6/10 a 90 dólares por barril – uma baixa de 10% em apenas uma semana. A tempestade afeta também o setor público. Ao longo da semana, os governantes de diversos condados norte-americanos mostraram-se intranqüilos diante da falta de caixa. O governador da poderosa Califórnia, Arnold Schwazenegger, anunciou em 2 de outubro que não poderia fazer frente ao pagamento de policiais e bombeiros se não obtivesse, do governo federal, um empréstimo imediato de ao menos 7 bilhões de dólares.
Desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas podem sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”.
Nos últimos dias, alastrou-se o pavor de algo nunca visto, desde 1929: desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas poderiam sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”, segundo a descreveu o economista Nouriel Roubini, que se tornou conhecido por prever há meses, com notável precisão, todos os desdobramentos da crise atual.
Os primeiros sinais deste enorme desastre já estão visíveis. Em 2 de outubro, o Banco Central (BC) da Irlanda sentiu-se forçado a tranqüilizar o público, anunciando aumento no seguro estatal sobre 100% dos depósitos confiados a seis bancos. Na noite de domingo, foi a vez de o governo alemão tomar atitude semelhante. Mas as medidas foram tomadas de modo descoordenado, porque terminou sem resultados concretos, no fim-de-semana, uma reunião dos “quatro grandes” europeus [3], convocada pelo presidente francês, para buscar ações comuns contra a crise. Teme-se, por isso, que as iniciativas da Irlanda e Alemanha provoquem pressão contra os bancos dos demais países europeus, onde não há a mesma garantia. Além disso, suspeita-se que as autoridades estejam passando um cheque sem fundos. Na Irlanda, o valor total do seguro oferecido pelo BC equivale a mais do dobro do PIB do país...
Também neste caso, os riscos de contágio internacional são enormes. Roubini chama atenção, em especial, para as linhas de crédito no valor de quase 1 trilhão de dólares entre os bancos norte-americanos e instituições de outros países. É por meio deste canal, hoje bloqueado, que o risco de quebradeira bancária se espalha pelo mundo. Mesmo em países menos próximos do epicentro da crise, como o Brasil, as conseqüências já são sentidas. Na semana passada, o Banco Central viu-se obrigado a estimular os grandes bancos, por meio de duas resoluções sucessivas, a comprar as carteiras de crédito dos médios e pequenos – que já enfrentam dificuldades para captar recursos.
Em conseqüência de tantas tensões, as bolsas de valores da Ásia e Europa estão viveram, na segunda-feira (6/10) um dia de quedas abruptas. Na primeira sessão após a aprovação do pacote de resgate norte-americano, Tóquio perdeu 4,2% e Hong Kong, 3,4%. Quedas entre 7% e 9% ocorreram também em Londres, Paris e Frankfurt. Em Moscou, a bolsa despencou 19%. Em todos estes casos, as quedas foram puxadas pelo desabamento das ações de bancos importantes. Em São Paulo, os negócios foram interrompidos duas vezes, quando quedas drásticas acionaram as regras que mandam suspender os negócios em caso de instabilidade extrema. Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar chegou a R$ 2,20.
Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados
A esta altura, todas as análises sérias coincidem em que não é possível prever nem a duração, nem a profundidade, nem as conseqüências da crise. Nos próximos meses, vai se abrir um período de fortes turbulências: econômicas, sociais e políticas. As montanhas de dinheiro despejadas pelos bancos centrais sepultaram, em poucas semanas, um dogma cultuado pelos teóricos neoliberais durante três décadas. Como argumentar, agora, que os mercados são capazes de se auto-regular, e que toda intervenção estatal sobre eles é contra-producente?
Mas, há uma imensa distância entre a queda do dogma e a construção de políticas de sentido inverso. Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados.
O pacote de 700 bilhões de dólares costurado pela Casa Branca é o exemplo mais acabado deste viés. Nouriel Roubini considerou-o não apenas “injusto”, mas também “ineficaz e ineficiente”. Injusto porque socializa prejuízos, oferecendo dinheiro às instituições financeiras (ao permitir que o Estado assuma seus “títulos podres”) sem assumir, em troca, parte de seu capital. Ineficaz porque, ao não oferecer ajuda às famílias endividadas — e ameaçadas de perder seus imóveis —, deixa intocada a causa do problema (o empobrecimento e perda de capacidade aquisitiva da população), atuando apenas sobre seus efeitos superficiais. Ineficiente porque nada assegura (como estão demonstrando os fatos dos últimos dias) que os bancos, recapitalizados em meio à crise, disponham-se a reabrir as torneiras de crédito que poderiam irrigar a economia. Num artigo para o Financial Times (reproduzido pela Folha de São Paulo), até mesmo o mega-investidor George Soros defendeu ponto-de-vista muito semelhantes, e chegou a desenhar as bases de um plano alternativo.
Outras análises vão além. Num texto publicado há alguns meses no Le Monde Diplomatique, o economista francês François Chesnais chama atenção para algo mais profundo por trás da financeirização e do culto à auto-suficiência dos mercados. Ele mostra que as décadas neoliberais foram marcadas por um enorme aumento na acumulação capitalista e nas desigualdades internacionais. Fenômenos como a automação, a deslocalização das empresas (para países e regiões onde os salários e direitos sociais são mais deprimidos) e a emergência da China e Índia como grandes centros produtivos rebaixaram o poder relativo de compra dos salários. O movimento aprofundou-se quando o mundo empresarial passou a ser regido pela chamada “ditadura dos acionistas”, que leva os administradores a perseguir taxas de lucros cada vez mais altas. O resultado é um enorme abismo entre a a capacidade de produção da economia e o poder de compra das sociedades. Na base da crise financeira estaria, portanto, uma crise de superprodução semelhante às que foram estudadas por Marx, no século retrasado. Ao liquidar os mecanismos de regulação dos mercados e redistribuição de renda introduzidos após a crise de 1929, o capitalismo neoliberal teria reinvocado o fantasma.
Wallerstein vê nos sistemas públicos de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se todos tivermos direito a uma vida digna, quem se preocupará em acumular dinheiro?
Marx via nas crises financeiras os momentos dramáticos em que o proletariado reuniria forças para conquistar o poder e iniciar a construção do socialismo. Tal perspectiva parece distante, 125 anos após sua morte. A China, que se converteu na grande fábrica do mundo, é governada por um partido comunista*. Mas, longe de ameaçarem o capitalismo, tanto os dirigentes quanto o proletariado chinês empenham-se em conquistar um lugar ao sol, na luta por poder e riqueza que a lógica do sistema estimula permanentemente.
Ao invés de disputar poder e riqueza com os capitalistas, não será possível desafiar sua lógica? O sociólogo Immanuel Wallerstein, uma espécie de profeta do declínio norte-americano, defendeu esta hipótese corajosamente no Fórum Social Mundial de 2003 - quando George Bush preparava-se para invadir o Iraque e muitos acreditavam na perenidade do poder imperial dos EUA. Em outro artigo, publicado recentemente no Le Monde Diplomatique Brasil, Wallerstein sugere que a crise tornará o futuro imediato turbulento e perigoso. Mas destaca que certas conquistas sociais das últimas décadas criaram uma perspectiva de democracia ampliada, algo que pode servir de inspiração para caminhar politicamente em meio às tempestades. Refere-se à noção segundo a qual os direitos sociais são um valor mais importante que os lucros e a acumulação privada de riquezas. Vê nos sistemas públicos (e, em muitos países, igualitários) de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se a lógica da garantia universal a uma vida digna puder ser ampliada incessantemente; se todos tivermos direito, por exemplo, a viajar pelo mundo, a sermos produtores culturais independentes e a terapias (anti-)psicanalíticas, quem se preocupará em acumular dinheiro?
O neoliberalismo foi possível porque, no pós-II Guerra, certos pensadores atreveram-se a desafiar os paradigmas reinantes e a pensar uma contra-utopia. Num tempo em que o capitalismo, sob ameaça, estava disposto a fazer grandes concessões, intelectuais como o austríaco Friederich Hayek articularam, na chamada Sociedade Mont Pelerin, a reafirmação dos valores do sistema [4]. Seus objetivos parecem hoje desprezíveis, mas sua coragem foi admirável. Eles demonstraram que há espaço, em todas as épocas, para enfrentar as certezas em vigor e pensar futuros alternativos. Não será o momento de construir um novo pós-capitalismo?*
[1] Em 12/9, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, depois que as autoridades monetárias recusaram-se a resgatá-lo. No mesmo dia, o Merrill Lynch anunciou sua venda para o Bank of America. Em 15/9, a mega-seguradora AIG (a maior do mundo, até há alguns meses) anunciou que estava insolvente, sendo nacionalizada no dia seguinte com aporte estatal de US$ 85 bilhões
[2] O Fortis foi semi-nacionalizado pelos governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. O Dexia recebeu uma injeção de 6,4 bilhões de euros, patrocinada pelos governos da França e Bélgica. O Reino Unido nacionalizou o Bradford & Bingley (especialista em hipotecas), vendendo parte de seus ativos para o espanhol Santander. O Hypo Real Estate segundo maior banco hipotecário alemão entrou numa operação de resgate cujo custo podia chegar a 50 bilhões de euros, mas cujo sucesso ainda não estava assegurado, em 5/9. A Islândia nacionalizou o Glitnir, seu terceiro maior banco
[3] Alemanha, França, Reino Unido e Itália, os membros europeus do G-8
[4] Sobre a contra-utopia hayekiana, ler, no Le Monde Diplomatique, “Pensando o Impensável” , de Serge Halimi
*Partido Comunista o cacete!!! Se fosse comunista teria destruído o Estado chinês num processo gradual, pelo contrário, o fortaleceu, e se fosse pelo menos uma tentativa de ações comunistas não aceitaria jornadas de trabalho de 16 horas como acontece com a classe trabalhadora na China e outros problemas mais.
*Sociedade Pós-capitalista????? aiaiai!!
ai forçou!!!!
Ou se constrói outra sociabilidade econômica que não seja a do Capital, ou reforme essas relações econômicas??? Mas uma sociedade pós-capitalisa??? "ta de brincadeira!!!" Como diria um famoso locutor esportivo! rs...
Eu prefiro a primeira opção!
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Antonio Martins - Le Monde Diplomatique
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
O presidente mais odiado da história dos EUA.

A cinco semanas das eleições, Bush terminará seu mandato com uma marca recorde. Será o presidente norte-americano mais impopular da história dos EUA. Nem mesmo o fracasso no Iraque foi capaz de tamanha revolta contra o governo.
Uma pesquisa realizada conjuntamente entre a rede de TV ABC e o jornal The Washington Post mostram que 70% dos entrevistados não acreditam no presidente, enquanto que apenas 26% o apóiam. Bush está na frente de Harry Truman (67% em 1952) e Richard Nixon (66% em 1974) em termos de rejeição.
Uma semana de crise financeira foi suficiente para derrubar os oito anos de Bush no poder. Nem mesmo o fracasso da ocupação do Iraque foi capaz de tamanho nível de rejeição, uma verdadeira insurgência da população norte-americana contra o pacote de resgate dos bancos falidos. Bush é o principal incentivador do uso do dinheiro público para salvar os maiores magnatas que a humanidade já conheceu. A proposta é tão impopular que causou uma divisão no próprio Partido Republicano, que rejeitou no começo da semana o pacote de US$ 700 bilhões que seriam injetados no mercado financeiro. O maior saque da história seria aplicado para salvar bancos que não têm mais nenhum valor.
O repúdio contra Bush não vêm só dos eleitores, mas também dos governos europeus. A União Européia (UE) defende "um novo New Deal a serviço do desenvolvimento, e não da especulação". O bloco exige também a punição aos responsáveis pelo colapso. "Os líderes mundiais envolvidos na crise têm de dar uma resposta: quem é responsável pelo desastre? E assumir as suas responsabilidades". Uma indireta para Bush? Com certeza.
O colapso financeiro expôs sem nenhum mistério o verdadeiro funcionamento do regime capitalista. Não precisa ser economista ou especialista em algum assunto financeiro para entender que os grandes banqueiros e investidores criaram um governo paralelo mais poderoso do que qualquer Força Militar. Além do mais, esta folia financeira está mergulhada em todo tipo de crime. O FBI (Federal Bureau of Investigation) disse estar investigando 26 bancos envolvidos com corrupção, dentre eles Fannie Mae, Freddie Mac, AIG e Lehman Brothers. Todos falidos.
A maior crise financeira desde a Grande Depressão está levando não só os maiores bancos de investimento à falência, mas o próprio regime político. Mais de três trilhões de dólares evaporaram em apenas uma semana de crise. Estima-se que o roubo causado pelo estouro da bolha financeira ultrapasse os US$ 14 trilhões. Bush quer que o contribuinte norte-americano salve uma corja de parasitas responsáveis pela quebra do capitalismo. Como classifica o economista Paul Krugman, o pacote significa "cash for trash" (dinheiro por lixo).
Bush é a personificação da crise do capitalismo. Seu fracasso é fruto de uma longa política voltada aos interesses das grandes companhias petrolíferas e dos banqueiros. Assim que o mercado caiu, Bush se espatifou junto com ele.
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PCO - Partido da Causa Operária Online
domingo, 14 de setembro de 2008
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
De acordo com povo Truká, a impunidade tem sido grande aliada dos assassinos das lideranças indígenas.
Mozeni Araújo, liderança do povo Truká foi assassinado com tiros na cabeça, na cidade de Cabrobó, localizada a 586 quilômetros de Recife (PE), dia 23 de agosto. Mozeni, que era candidato a vereador, estava em frente ao comitê eleitoral separando alguns cartazes de sua candidatura quando, no momento em que contornava o carro de um amigo, foi surpreendido pelo assassino, Maurício Ricardo Alexandre da Silva. Seu filho adolescente, amigos e militantes, estavam presentes no local.
Pretinha Truká, outra liderança do povo indígena, relatou que o “desconhecido” havia adentrado no Comitê da candidatura de Mozeni por volta das 10h da manhã, pedindo auxílio para obtenção de documentos. Às 16h30 ele retornou e executou o indígena.
O pistoleiro afirmou ao delegado local que o motivo do assassinato foi vingança de um conflito de terras, ocorrido em 1999. O povo Truká não acredita nisso. Segundo Pretinha, ninguém da tribo havia presenciado nenhum tipo de discussão entre Mozeni e Maurício na época. “Ao final, esperamos que ele possa confessar quem foi o mandante para nós conhecermos, de fato, quem são nossos inimigos”, enfatiza a indígena.
Os Truká já levantaram algumas hipóteses que poderiam ter motivado o assassinato. Uma delas está relacionada a plantações ilegais de maconha na região. Outra, seria a candidatura de Mozeni a vereador. “Imagina uma liderança indígena como vereador da cidade (Cabrobó)”, comenta Pretinha Truká.
Uma, duas, três mortes..
Mozenir Araújo foi vereador e atualmente era militante do Partido dos Trabalhadores (PT) e candidato a vereador, com boas chances de se eleger. Também era uma das lideranças na luta pela retomada do território dos Truká, a partir de meados da década de 1990. Desde então, a violência contra o povo indígena foi se intensificando.
Na lista dos agressores, estão fazendeiros, pistoleiros e até policiais militares. Esses últimos estão impunes. Em 30 de junho de 2005, homens à paisana e armados invadiram um galpão onde se realizava uma festa da comunidade, e dispararam contra Adenílson dos Santos, 38, e seu filho Jorge, de 17 anos. Os dois morreram e um outro indígena, de 26 anos, foi baleado. Mozeni era a testemunha principal do caso. “Por várias vezes (Mozeni) denunciou publicamente os criminosos, que até o momento permanecem impunes e ainda estão na ativa”, conta Pretinha.
Reunião dolorosa
Na quarta-feira, dia 27 de agosto, as lideranças indígenas dos Truká realizaram a primeira reunião após o assassinato de Mozeni. “Uma reunião de dor”, lembra Pretinha. A impunidade dos assassinos de 2005 e atual assassinato fez com que os indígenas discutissem uma estratégia própria de segurança, baseada na auto-proteção da tribo. “Quem será amanhã? Vamos pedir proteção à polícia? À Justiça? Decidimos que um deve cuidar do outro”, conta Pretinha sobre o que foi discutido na reunião.
Um Missa de Sétimo Dia será celebrada na Casa de Nossa Rainha dos Anjos no dia 29 de agosto, às 16h. A capela está localizada na Ilha de Assunção, território Truká, no Rio São Francisco. As terras indígenas correspondem a 6.500 hectares, e estão em processo de identificação pela Funai. Segundo o órgão, os Truká terão toda a assessoria jurídica necessária para o caso de Mozeni.
Pretinha Truká, outra liderança do povo indígena, relatou que o “desconhecido” havia adentrado no Comitê da candidatura de Mozeni por volta das 10h da manhã, pedindo auxílio para obtenção de documentos. Às 16h30 ele retornou e executou o indígena.
O pistoleiro afirmou ao delegado local que o motivo do assassinato foi vingança de um conflito de terras, ocorrido em 1999. O povo Truká não acredita nisso. Segundo Pretinha, ninguém da tribo havia presenciado nenhum tipo de discussão entre Mozeni e Maurício na época. “Ao final, esperamos que ele possa confessar quem foi o mandante para nós conhecermos, de fato, quem são nossos inimigos”, enfatiza a indígena.
Os Truká já levantaram algumas hipóteses que poderiam ter motivado o assassinato. Uma delas está relacionada a plantações ilegais de maconha na região. Outra, seria a candidatura de Mozeni a vereador. “Imagina uma liderança indígena como vereador da cidade (Cabrobó)”, comenta Pretinha Truká.
Uma, duas, três mortes..
Mozenir Araújo foi vereador e atualmente era militante do Partido dos Trabalhadores (PT) e candidato a vereador, com boas chances de se eleger. Também era uma das lideranças na luta pela retomada do território dos Truká, a partir de meados da década de 1990. Desde então, a violência contra o povo indígena foi se intensificando.
Na lista dos agressores, estão fazendeiros, pistoleiros e até policiais militares. Esses últimos estão impunes. Em 30 de junho de 2005, homens à paisana e armados invadiram um galpão onde se realizava uma festa da comunidade, e dispararam contra Adenílson dos Santos, 38, e seu filho Jorge, de 17 anos. Os dois morreram e um outro indígena, de 26 anos, foi baleado. Mozeni era a testemunha principal do caso. “Por várias vezes (Mozeni) denunciou publicamente os criminosos, que até o momento permanecem impunes e ainda estão na ativa”, conta Pretinha.
Reunião dolorosa
Na quarta-feira, dia 27 de agosto, as lideranças indígenas dos Truká realizaram a primeira reunião após o assassinato de Mozeni. “Uma reunião de dor”, lembra Pretinha. A impunidade dos assassinos de 2005 e atual assassinato fez com que os indígenas discutissem uma estratégia própria de segurança, baseada na auto-proteção da tribo. “Quem será amanhã? Vamos pedir proteção à polícia? À Justiça? Decidimos que um deve cuidar do outro”, conta Pretinha sobre o que foi discutido na reunião.
Um Missa de Sétimo Dia será celebrada na Casa de Nossa Rainha dos Anjos no dia 29 de agosto, às 16h. A capela está localizada na Ilha de Assunção, território Truká, no Rio São Francisco. As terras indígenas correspondem a 6.500 hectares, e estão em processo de identificação pela Funai. Segundo o órgão, os Truká terão toda a assessoria jurídica necessária para o caso de Mozeni.
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Eduardo Sales de Lima - Agência Brasil de Fato
domingo, 24 de agosto de 2008
O trabalho continua vivo
Os avanços tecnológicos, científicos e informacionais têm operado grandes mudanças no processo de produção e reprodução da vida, mormente, no mundo do trabalho. Os debates sobre o papel e o lugar da categoria trabalho têm levado um conjunto variado de autores a concluir pelo fim da sua centralidade na estruturação social e na geração da riqueza. Nesta entrevista, o professor Sérgio Lessa, da Universidade Federal de Alagoas, conferencista no Ciclo de Debates “Mundo do trabalho e ser social”, realizado na Unijuí (RS), recorta essa temática pelo sentido inverso. Um dos mais destacados estudiosos de Lukács no Brasil, Lessa critica o que aponta como teorias conservadoras dos autores que orquestram o dobre de sinos do fim do trabalho. Retomando a tese marxiana da inteligibilidade do mundo pela unidade dialética das valências trabalho e ser social, diante do avanço prático-teórico do trabalho morto, Lessa reafirma o trabalho vivo.
O seu livro Mundo dos homens: trabalho e ser social (Ed. Boitempo), dedicado ao estudo do pensamento do último Lukács[1], inicia com um capítulo sobre a centralidade do trabalho hoje, tema ao qual o senhor vem se dedicando há vários anos. O senhor poderia resumir alguns dos seus argumentos a favor dessa tese?
Do ponto de vista mais imediato, da vida cotidiana da maior parte das pessoas, o argumento mais visível é o desemprego. O desemprego é a afirmação da centralidade do trabalho pela sua face mais negativa possível, pela sua carência. O peso objetivo, social e também subjetivo do desemprego é uma evidência bastante forte de que o trabalho continua sendo a categoria central do mundo dos homens.
Os argumentos teóricos que sustentam e demonstram a validade desta percepção mais imediata estão aglutinados ao redor da tese marxiana de que são os seres humanos os únicos responsáveis pela sua história. Até Marx, a história era concebida como resultado de uma essência dada de uma vez para todo o sempre. Seria esta essência e não os seres humanos a responsável pelo nosso destino e, ao mesmo tempo, esta essência sempre comparece como o limite máximo do desenvolvimento histórico possível. Foi assim com Aristóteles, com Tomás de Aquino e com a natureza humana tal como concebida pelos modernos.
A descoberta do trabalho como a categoria fundante do mundo dos homens (e, correlativamente, da economia como momento predominante na reprodução social), por Marx, possibilitou a compreensão de que o demiurgo da história somos nós mesmos, a humanidade. E foi a partir deste contexto que o trabalho foi afirmado como ontologicamente central ao ser social.
Vários autores, mesmo alguns que vieram do marxismo, vêm elaborando novas teorias em torno da tese da diminuição numérica da classe operária fabril clássica em favor do crescimento do terceiro setor da economia, o de serviços, o que configuraria o que eles chamam de “sociedade pós-industrial”. Qual a sua opinião sobre essas leituras?
Na enorme maioria das vezes, independente da intenção do autor, são teorias que se prestam ao triste papel de elogiar a crise em que vivemos como as dores inevitáveis de transição para um novo período de prosperidade e felicidade. Desde Daniel Bell – que foi um marxista na juventude, mas mudou de lado depois –, a formulação mais famosa, até as muitas variações desta tese, como Adam Schaff com A sociedade informática, Lojkine, com A revolução informacional, Negri e Hardt, com o comunismo do trabalho imaterial – todas estas teses, cada uma a seu modo, procuram convencer o leitor de que estaríamos próximos a uma nova etapa histórica, que deixaria as mazelas do capitalismo no passado.
Por isso, tais teorias são sempre conservadoras e sempre trazem, a tiracolo da sua tese principal, a afirmação da superação das categorias marxianas para pensarmos o mundo em que vivemos. Não creio que tais teorias tenham muito a nos dizer acerca do presente. Suas teses têm sido sistematicamente negadas pelo desenvolvimento histórico e não trazem contribuições que os revolucionários possam aproveitar.
No seu mais recente livro, Para além de Marx? (Ed. Xamã), título contraposto ao de um ensaio de Antonio Negri, Marx além de Marx, o senhor polemiza contra a teoria do trabalho imaterial desse filósofo italiano, hoje bastante em voga. Seria possível resumir o essencial de sua crítica a esse pensador?
A tese central do livro é de que os autores que se reúnem ao redor da tese do trabalho imaterial (Negri é o mais conhecido deles) elaboraram uma fantástica fantasia (se me permitem) acerca do mundo em que vivemos, e que ela não passa de mais uma justificativa, sempre conservadora, evidente, da crise estrutural do capital.
Estou convencido de que, na maior parte das vezes, basta expor as teses desses autores para que caiam em descrédito imediato: a categoria central da história, desde o século XVI, seria “o tempo pelo amor por se constituir”. Seria esta a categoria central no desenvolvimento histórico do que estamos acostumados a conhecer como modo de produção capitalista. O desenvolvimento do “amor pelo tempo” teria levado os operários a abandonarem as fábricas e a estabelecerem, nos interstícios do capital, o comunismo. Viveríamos, assim, em um misto de comunismo e capitalismo! Evidentemente, para poder afirmar esta tese, devem abandonar por completo o marxismo e elaborar toda uma teoria da história que, segundo bem disse Gorz, não passa de um “delírio”.
Especialmente no terreno da Filosofia, sobretudo após Kant, existe uma grande resistência à lida positiva com o termo ontologia, por ensejar quase sempre a algo metafísico. Por qual razão o senhor pensa que Lukács, um filósofo materialista, escolheu, na contramão disso, justamente esse termo para intitular a sua obra derradeira, Para uma ontologia do ser social?
Porque ele descobriu, a partir de Hartmann, que a ontologia não é necessariamente metafísica e, portanto, conservadora. Há um belíssimo artigo de Guido Oldrini, “Em busca das raízes da ontologia (marxista) de Lukács”[2], do qual empresto a tese: até Marx todas as ontologias tinham que ser conservadoras porque partiam de uma concepção da essência humana enquanto eterna, historicamente imutável. Ao Marx descobrir que a essência humana é o conjunto das relações sociais e que, portanto, tal essência é parte integrante, movida e movente, da história, abriu caminho para uma crítica ontológica do mundo capitalista. Lukács, então, ao recuperar o pensamento marxiano, propõe-se a demonstrar como e em que medida ele é uma ontologia do ser social, isto é, uma investigação acerca do que o ser social é e de por que ele não é de outro modo.
Assim como Marx inaugura uma nova concepção de mundo ao colocar o homem como o único e exclusivo demiurgo da história, também, segundo Lukács, teria fundado uma nova ontologia. Nesta, a grande descoberta de Marx teria sido a distinção entre a essência e o fenômeno, não pelo quantum de ser de cada um, mas sim por uma articulação qualitativamente distinta com a continuidade. A essência seria a concentração dos elementos de continuidade e, o fenomênico, seria a dos elementos de singularidade. Deste modo, a essência passa a ser parte movida e movente dos processos e, obviamente, a essência humana é tão histórica quanto qualquer outra dimensão da existência humana.
O seu livro Mundo dos homens: trabalho e ser social (Ed. Boitempo), dedicado ao estudo do pensamento do último Lukács[1], inicia com um capítulo sobre a centralidade do trabalho hoje, tema ao qual o senhor vem se dedicando há vários anos. O senhor poderia resumir alguns dos seus argumentos a favor dessa tese?
Do ponto de vista mais imediato, da vida cotidiana da maior parte das pessoas, o argumento mais visível é o desemprego. O desemprego é a afirmação da centralidade do trabalho pela sua face mais negativa possível, pela sua carência. O peso objetivo, social e também subjetivo do desemprego é uma evidência bastante forte de que o trabalho continua sendo a categoria central do mundo dos homens.
Os argumentos teóricos que sustentam e demonstram a validade desta percepção mais imediata estão aglutinados ao redor da tese marxiana de que são os seres humanos os únicos responsáveis pela sua história. Até Marx, a história era concebida como resultado de uma essência dada de uma vez para todo o sempre. Seria esta essência e não os seres humanos a responsável pelo nosso destino e, ao mesmo tempo, esta essência sempre comparece como o limite máximo do desenvolvimento histórico possível. Foi assim com Aristóteles, com Tomás de Aquino e com a natureza humana tal como concebida pelos modernos.
A descoberta do trabalho como a categoria fundante do mundo dos homens (e, correlativamente, da economia como momento predominante na reprodução social), por Marx, possibilitou a compreensão de que o demiurgo da história somos nós mesmos, a humanidade. E foi a partir deste contexto que o trabalho foi afirmado como ontologicamente central ao ser social.
Vários autores, mesmo alguns que vieram do marxismo, vêm elaborando novas teorias em torno da tese da diminuição numérica da classe operária fabril clássica em favor do crescimento do terceiro setor da economia, o de serviços, o que configuraria o que eles chamam de “sociedade pós-industrial”. Qual a sua opinião sobre essas leituras?
Na enorme maioria das vezes, independente da intenção do autor, são teorias que se prestam ao triste papel de elogiar a crise em que vivemos como as dores inevitáveis de transição para um novo período de prosperidade e felicidade. Desde Daniel Bell – que foi um marxista na juventude, mas mudou de lado depois –, a formulação mais famosa, até as muitas variações desta tese, como Adam Schaff com A sociedade informática, Lojkine, com A revolução informacional, Negri e Hardt, com o comunismo do trabalho imaterial – todas estas teses, cada uma a seu modo, procuram convencer o leitor de que estaríamos próximos a uma nova etapa histórica, que deixaria as mazelas do capitalismo no passado.
Por isso, tais teorias são sempre conservadoras e sempre trazem, a tiracolo da sua tese principal, a afirmação da superação das categorias marxianas para pensarmos o mundo em que vivemos. Não creio que tais teorias tenham muito a nos dizer acerca do presente. Suas teses têm sido sistematicamente negadas pelo desenvolvimento histórico e não trazem contribuições que os revolucionários possam aproveitar.
No seu mais recente livro, Para além de Marx? (Ed. Xamã), título contraposto ao de um ensaio de Antonio Negri, Marx além de Marx, o senhor polemiza contra a teoria do trabalho imaterial desse filósofo italiano, hoje bastante em voga. Seria possível resumir o essencial de sua crítica a esse pensador?
A tese central do livro é de que os autores que se reúnem ao redor da tese do trabalho imaterial (Negri é o mais conhecido deles) elaboraram uma fantástica fantasia (se me permitem) acerca do mundo em que vivemos, e que ela não passa de mais uma justificativa, sempre conservadora, evidente, da crise estrutural do capital.
Estou convencido de que, na maior parte das vezes, basta expor as teses desses autores para que caiam em descrédito imediato: a categoria central da história, desde o século XVI, seria “o tempo pelo amor por se constituir”. Seria esta a categoria central no desenvolvimento histórico do que estamos acostumados a conhecer como modo de produção capitalista. O desenvolvimento do “amor pelo tempo” teria levado os operários a abandonarem as fábricas e a estabelecerem, nos interstícios do capital, o comunismo. Viveríamos, assim, em um misto de comunismo e capitalismo! Evidentemente, para poder afirmar esta tese, devem abandonar por completo o marxismo e elaborar toda uma teoria da história que, segundo bem disse Gorz, não passa de um “delírio”.
Especialmente no terreno da Filosofia, sobretudo após Kant, existe uma grande resistência à lida positiva com o termo ontologia, por ensejar quase sempre a algo metafísico. Por qual razão o senhor pensa que Lukács, um filósofo materialista, escolheu, na contramão disso, justamente esse termo para intitular a sua obra derradeira, Para uma ontologia do ser social?
Porque ele descobriu, a partir de Hartmann, que a ontologia não é necessariamente metafísica e, portanto, conservadora. Há um belíssimo artigo de Guido Oldrini, “Em busca das raízes da ontologia (marxista) de Lukács”[2], do qual empresto a tese: até Marx todas as ontologias tinham que ser conservadoras porque partiam de uma concepção da essência humana enquanto eterna, historicamente imutável. Ao Marx descobrir que a essência humana é o conjunto das relações sociais e que, portanto, tal essência é parte integrante, movida e movente, da história, abriu caminho para uma crítica ontológica do mundo capitalista. Lukács, então, ao recuperar o pensamento marxiano, propõe-se a demonstrar como e em que medida ele é uma ontologia do ser social, isto é, uma investigação acerca do que o ser social é e de por que ele não é de outro modo.
Assim como Marx inaugura uma nova concepção de mundo ao colocar o homem como o único e exclusivo demiurgo da história, também, segundo Lukács, teria fundado uma nova ontologia. Nesta, a grande descoberta de Marx teria sido a distinção entre a essência e o fenômeno, não pelo quantum de ser de cada um, mas sim por uma articulação qualitativamente distinta com a continuidade. A essência seria a concentração dos elementos de continuidade e, o fenomênico, seria a dos elementos de singularidade. Deste modo, a essência passa a ser parte movida e movente dos processos e, obviamente, a essência humana é tão histórica quanto qualquer outra dimensão da existência humana.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Questões psicológicas, econômicas e políticas motivaram Rússia.
O ressentimento com a desintegração da União Soviética, a construção de um oleoduto na Geórgia - que fez com que a Rússia deixasse de ser a única rota do gás e do petróleo da Ásia Central à Europa-- e a vontade de conter a influência dos EUA na região são os motivos apontados por Marshall Goldman, PhD em estudos da Rússia pela Universidade Harvard, para a ofensiva russa na Geórgia.
A crise começou na noite da quinta-feira (7), quando a Geórgia, aliado próximo de Washington, enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, uma região que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a secessão do pequeno território e tem forças de paz na região, respondeu rapidamente enviando tropas ao país vizinho, dando início a um conflito entre os dois países que já fez quase cem mil refugiados, segundo as Nações Unidas.
Para Goldman, os georgianos entraram em guerra com a Rússia pois "são guerreiros, sempre foram". Segundo o professor de economia russa no Wellesley College, o Cáucaso "é uma região violenta, os russos tiveram grande dificuldade em dominá-los no século 19".
O especialista afirmou em entrevista à Folha Online, na última sexta-feira (8), que a Ossétia, com população entre 75 mil a cem mil habitantes, não tem condições de se manter como um país independente. "Eles podem ser independentes na superfície, mas com certeza não na prática."
Entrevista:
Folha Online - Por que a Rússia interfere com tanta força na Ossétia do Sul? Quais são seu principais interesses?
Marshall Goldman - É uma questão psicológica, material e política. No âmbito psicológico, os russos são muito ressentidos pela forma com que sentem que foram tratados no começo dos anos 90, quando a economia estava mal e o país estava basicamente se desintegrando.
Eles sentem que perderam status, deixaram de ser uma superpotência, que foram humilhados pelo mundo de fora. Como disse a governadora de São Petesburgo, Valentina Matvnyeko "estamos cansados de ouvir o que devemos fazer, não temos mais que ouvir".
É uma tentativa de parar com o que os russos vêem como a desintegração de seu país, a erosão da sua força e a divisão de uma parte da Rússia depois da outra. Eles estão tentando agora trazer de volta algumas das propriedades e territórios que perderam. Essa é uma forma de fazê-lo --com os ossetianos e abkazianos dizendo que querem fazer parte da Rússia. É parte de um esforço para recriar uma "Grande Rússia".
Folha Online - Então o sr. crê que a Rússia tentaria reunificar esses dois territórios...
Goldman - Com certeza.
Folha Online - Não é apenas ajudá-los a se tornarem independentes.
Goldman - Não. Eles podem ser independentes na superfície, mas com certeza não na prática. Há uma inconsistência aqui. Quando os ossetianos dizem que querem se separar da Geórgia, os russos dizem que eles têm todo o direito de fazê-lo e os apóiam. Mas quando a Thetchênia tenta fazer o mesmo e se separar da Rússia, eles dizem que não pode.
É tudo parte do esforço russo --reprimir o separatismo na Tchetchênia, trazer de volta esses outros países sob a influência russa. Essa é a parte psicológica.
A parte política é a de que a Rússia vê os EUA e a Europa ocidental tentando levar adiante essa separação (da Rússia) e de cercar a Rússia, vindo pelo seu quintal. Certamente é o que está acontecendo, como vêem, no Cáucaso, nos Estados Bálticos que se uniram à Otan, no Leste Europeu, com a Romênia, Bulgária e Hungria, todas se tornando parte da União Européia e da Otan. Novamente é a questão de o país ter se desintegrado e de querer restabelecê-lo.
No âmbito econômico, eles querem aquela riqueza em particular. A Geórgia está vivendo um rápido crescimento econômico, mas há outro aspecto econômico. A Geórgia facilitou a construção de um oleoduto e de um gasoduto através de seu território que liga o Azerbaijão à Turquia, permitindo que o petróleo e o gás da Ásia Central não passem pela Rússia em seu caminho para a Europa.
Os países da Ásia Central tinham de passar pela Rússia, e os russos podiam controlar (o fluxo de combustível) e cobrar impostos sem ter de se preocupar com concorrência.
Agora, Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão podem exportar seu petróleo e gás através do Azerbaijão, Geórgia e Turquia. Isso os deixa livres e eles podem diminuir seu preço. A Geórgia tem claramente sido um alvo há algum tempo desde que os russos estão preocupados com essa questão.
Folha Online - O sr. disse que a Geórgia vem tendo um grande crescimento econômico. A região da Ossétia do Sul também participa desse crescimento?
Goldman - Creio que não. Certamente a região não participa do que está ocorrendo na Geórgia, há muita instabilidade. Mas o resto da Geórgia tem crescido 7%, 8%, o que é uma surpresa, considerando tudo o que está ocorrendo lá. O país tem recebido muitos investimentos de locais como o Cazaquistão. É uma área que está crescendo muito.
Folha Online - O sr. vê uma relação entre a declaração de independência de Kosovo e o recrudescimento dos movimentos separatistas na Geórgia?
Goldman - Sim. E, de novo, é uma inconsistência. Eles (russos) dizem que não querem que Kosovo se separe da Sérvia, que se deve preservar a integridade da Sérvia pois é um enclave cristão ortodoxo, muito próximo da Rússia. Mas se a Geórgia diz que não quer que a Ossétia se separe, eles dizem "bem, vocês deveriam deixar". Não é uma política consistente.
Folha Online - Por que a Geórgia iria lutar contra a Rússia, quando ela sabe que não pode vencer?
Goldman - Porque os georgianos são guerreiros, eles sempre foram. É uma região violenta, os russos tiveram grande dificuldade em dominá-los no século 19. A região é montanhosa, e isso foi antes das armas modernas. Mas as montanhas continuarão lá, a Geórgia suspeita que irá receber apoio do Ocidente, e é um jogo de blefe.
Folha Online - Como o sr. crê que o Ocidente irá reagir a uma guerra entre os dois?
Goldman - Acho que a maioria das pessoas no Ocidente pensa "deixe que eles se matem, não ligamos", mas haverá alguns que dirão que a Rússia é a agressora e tentarão conseguir apoio à Geórgia. E a Rússia está confiante novamente, eles sentem que podem fazer o que podem. Também haverá gente no Ocidente dizendo "se não fizermos algo agora, o próximo será a Ucrânia, e eles tentaram recriar a União Soviética". Pelo o que está ocorrendo no Iraque e no Afeganistão, não será fácil mobilizar apoio ocidental. Então não creio que haverá muita reação do Ocidente, e acho que os russos estão contando com isso.
Folha Online - Como uma guerra pode influenciar os planos da Geórgia de fazer parte da Otan?
Goldman - Haverá gente que hesitará. Os alemães, (a chanceler) Angela Merkel hesitou um pouco sobre convidar a Ucrânia e a Geórgia a fazer parte da Otan. E isso já é uma conseqüência de a Alemanha ser muito dependente do gás russo, mais 40% do gás natural consumido no país vem da Rússia.
Folha Online - A Ossétia do Sul poderia se manter como um país independente?
Goldman - Não. É muito pequeno, e eles não têm recursos suficientes para isso.
Folha Online - O sr vê alguma razão especial para o conflito piorar agora, ou é só o inevitável?
Goldman - Eles iam nessa direção, mas é um momento oportuno. O mundo está distraído pela Olimpíada. Não sei se isso fazia parte da estratégia ou se é coincidência, mas o momento é muito bom.
Tirem suas próprias conclusões...
A crise começou na noite da quinta-feira (7), quando a Geórgia, aliado próximo de Washington, enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, uma região que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a secessão do pequeno território e tem forças de paz na região, respondeu rapidamente enviando tropas ao país vizinho, dando início a um conflito entre os dois países que já fez quase cem mil refugiados, segundo as Nações Unidas.
Para Goldman, os georgianos entraram em guerra com a Rússia pois "são guerreiros, sempre foram". Segundo o professor de economia russa no Wellesley College, o Cáucaso "é uma região violenta, os russos tiveram grande dificuldade em dominá-los no século 19".
O especialista afirmou em entrevista à Folha Online, na última sexta-feira (8), que a Ossétia, com população entre 75 mil a cem mil habitantes, não tem condições de se manter como um país independente. "Eles podem ser independentes na superfície, mas com certeza não na prática."
Entrevista:
Folha Online - Por que a Rússia interfere com tanta força na Ossétia do Sul? Quais são seu principais interesses?
Marshall Goldman - É uma questão psicológica, material e política. No âmbito psicológico, os russos são muito ressentidos pela forma com que sentem que foram tratados no começo dos anos 90, quando a economia estava mal e o país estava basicamente se desintegrando.
Eles sentem que perderam status, deixaram de ser uma superpotência, que foram humilhados pelo mundo de fora. Como disse a governadora de São Petesburgo, Valentina Matvnyeko "estamos cansados de ouvir o que devemos fazer, não temos mais que ouvir".
É uma tentativa de parar com o que os russos vêem como a desintegração de seu país, a erosão da sua força e a divisão de uma parte da Rússia depois da outra. Eles estão tentando agora trazer de volta algumas das propriedades e territórios que perderam. Essa é uma forma de fazê-lo --com os ossetianos e abkazianos dizendo que querem fazer parte da Rússia. É parte de um esforço para recriar uma "Grande Rússia".
Folha Online - Então o sr. crê que a Rússia tentaria reunificar esses dois territórios...
Goldman - Com certeza.
Folha Online - Não é apenas ajudá-los a se tornarem independentes.
Goldman - Não. Eles podem ser independentes na superfície, mas com certeza não na prática. Há uma inconsistência aqui. Quando os ossetianos dizem que querem se separar da Geórgia, os russos dizem que eles têm todo o direito de fazê-lo e os apóiam. Mas quando a Thetchênia tenta fazer o mesmo e se separar da Rússia, eles dizem que não pode.
É tudo parte do esforço russo --reprimir o separatismo na Tchetchênia, trazer de volta esses outros países sob a influência russa. Essa é a parte psicológica.
A parte política é a de que a Rússia vê os EUA e a Europa ocidental tentando levar adiante essa separação (da Rússia) e de cercar a Rússia, vindo pelo seu quintal. Certamente é o que está acontecendo, como vêem, no Cáucaso, nos Estados Bálticos que se uniram à Otan, no Leste Europeu, com a Romênia, Bulgária e Hungria, todas se tornando parte da União Européia e da Otan. Novamente é a questão de o país ter se desintegrado e de querer restabelecê-lo.
No âmbito econômico, eles querem aquela riqueza em particular. A Geórgia está vivendo um rápido crescimento econômico, mas há outro aspecto econômico. A Geórgia facilitou a construção de um oleoduto e de um gasoduto através de seu território que liga o Azerbaijão à Turquia, permitindo que o petróleo e o gás da Ásia Central não passem pela Rússia em seu caminho para a Europa.
Os países da Ásia Central tinham de passar pela Rússia, e os russos podiam controlar (o fluxo de combustível) e cobrar impostos sem ter de se preocupar com concorrência.
Agora, Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão podem exportar seu petróleo e gás através do Azerbaijão, Geórgia e Turquia. Isso os deixa livres e eles podem diminuir seu preço. A Geórgia tem claramente sido um alvo há algum tempo desde que os russos estão preocupados com essa questão.
Folha Online - O sr. disse que a Geórgia vem tendo um grande crescimento econômico. A região da Ossétia do Sul também participa desse crescimento?
Goldman - Creio que não. Certamente a região não participa do que está ocorrendo na Geórgia, há muita instabilidade. Mas o resto da Geórgia tem crescido 7%, 8%, o que é uma surpresa, considerando tudo o que está ocorrendo lá. O país tem recebido muitos investimentos de locais como o Cazaquistão. É uma área que está crescendo muito.
Folha Online - O sr. vê uma relação entre a declaração de independência de Kosovo e o recrudescimento dos movimentos separatistas na Geórgia?
Goldman - Sim. E, de novo, é uma inconsistência. Eles (russos) dizem que não querem que Kosovo se separe da Sérvia, que se deve preservar a integridade da Sérvia pois é um enclave cristão ortodoxo, muito próximo da Rússia. Mas se a Geórgia diz que não quer que a Ossétia se separe, eles dizem "bem, vocês deveriam deixar". Não é uma política consistente.
Folha Online - Por que a Geórgia iria lutar contra a Rússia, quando ela sabe que não pode vencer?
Goldman - Porque os georgianos são guerreiros, eles sempre foram. É uma região violenta, os russos tiveram grande dificuldade em dominá-los no século 19. A região é montanhosa, e isso foi antes das armas modernas. Mas as montanhas continuarão lá, a Geórgia suspeita que irá receber apoio do Ocidente, e é um jogo de blefe.
Folha Online - Como o sr. crê que o Ocidente irá reagir a uma guerra entre os dois?
Goldman - Acho que a maioria das pessoas no Ocidente pensa "deixe que eles se matem, não ligamos", mas haverá alguns que dirão que a Rússia é a agressora e tentarão conseguir apoio à Geórgia. E a Rússia está confiante novamente, eles sentem que podem fazer o que podem. Também haverá gente no Ocidente dizendo "se não fizermos algo agora, o próximo será a Ucrânia, e eles tentaram recriar a União Soviética". Pelo o que está ocorrendo no Iraque e no Afeganistão, não será fácil mobilizar apoio ocidental. Então não creio que haverá muita reação do Ocidente, e acho que os russos estão contando com isso.
Folha Online - Como uma guerra pode influenciar os planos da Geórgia de fazer parte da Otan?
Goldman - Haverá gente que hesitará. Os alemães, (a chanceler) Angela Merkel hesitou um pouco sobre convidar a Ucrânia e a Geórgia a fazer parte da Otan. E isso já é uma conseqüência de a Alemanha ser muito dependente do gás russo, mais 40% do gás natural consumido no país vem da Rússia.
Folha Online - A Ossétia do Sul poderia se manter como um país independente?
Goldman - Não. É muito pequeno, e eles não têm recursos suficientes para isso.
Folha Online - O sr vê alguma razão especial para o conflito piorar agora, ou é só o inevitável?
Goldman - Eles iam nessa direção, mas é um momento oportuno. O mundo está distraído pela Olimpíada. Não sei se isso fazia parte da estratégia ou se é coincidência, mas o momento é muito bom.
Tirem suas próprias conclusões...
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FERNANDO SERPONE - Folha Online 14-08-08
sábado, 9 de agosto de 2008
Cientista sugere comer canguru para reduzir emissões de gases-estufa.
Um cientista australiano pediu a consumidores e produtores de carne que substituam produtos bovinos e suínos por derivados do canguru para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa.
O pesquisador George Wilson, da agência de proteção de vida selvagem da Austrália, sublinhou que o gás metano produzido durante a digestão de vacas, cordeiros e porcos é um potente agente da mudança climática quando lançado na atmosfera --até mais que os tradicionais vilões, monóxido ou dióxido de carbono.
Por outro lado, cangurus, que têm um sistema digestivo diferente, praticamente não produzem metano, disse o cientista.
Em um país onde bovinos e caprinos são responsáveis por 11% das emissões de carbono, e que já cria cerca de 30 milhões de cangurus em fazendas, mudar os hábitos alimentares para evitar os danos da "criação tradicional de animais" pode perfeitamente se tornar uma preocupação, ele argumentou.
"Cangurus são adaptados ao ambiente australiano. Se forem criados em quantidade suficiente, seria muito sensato fazer mais uso deles do que já fazemos hoje", disse.
"Deveríamos nos preocupar mais com o dano ambiental causado pela criação tradicional de animais, que é profundo no caso da Austrália."
Agora quem vai pagar o pato são os cangurus!!!
O pesquisador George Wilson, da agência de proteção de vida selvagem da Austrália, sublinhou que o gás metano produzido durante a digestão de vacas, cordeiros e porcos é um potente agente da mudança climática quando lançado na atmosfera --até mais que os tradicionais vilões, monóxido ou dióxido de carbono.
Por outro lado, cangurus, que têm um sistema digestivo diferente, praticamente não produzem metano, disse o cientista.
Em um país onde bovinos e caprinos são responsáveis por 11% das emissões de carbono, e que já cria cerca de 30 milhões de cangurus em fazendas, mudar os hábitos alimentares para evitar os danos da "criação tradicional de animais" pode perfeitamente se tornar uma preocupação, ele argumentou.
"Cangurus são adaptados ao ambiente australiano. Se forem criados em quantidade suficiente, seria muito sensato fazer mais uso deles do que já fazemos hoje", disse.
"Deveríamos nos preocupar mais com o dano ambiental causado pela criação tradicional de animais, que é profundo no caso da Austrália."
Agora quem vai pagar o pato são os cangurus!!!
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Folha de São Paulo - 09-08-08
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Ciência, Tecnologia e Forças Produtivas: Emancipação ou Dominação?
A questão do desenvolvimento e do progresso da história atrelado ao processo científico, tecnológico e das forças produtivas que dão materialidade a existência da vida social, sempre nos inquieta sobre o papel e sua função nesse desenvolvimento.
No século XVIII, os ludistas inspirados na falsa idéia do papel dos meios de produção que no capitalismo foram apropriados pela classe burguesa num processo histórico ocasionado pelo mercantilismo, pelo desenvolvimento da manufatura, junto com a revolução industrial que revolucionou tal desenvolvimento, achavam que estes eram os responsáveis pela causa do desemprego, da exploração e da alta taxa do tempo de trabalho necessário no interior das fábricas e com seu pensamento imediato da realidade social, resolveram quebrar as máquinas em que achavam as culpadas pelos seus problemas.
Para Marx a resposta para tal atitude se verifica em “É preciso tempo e experiência até que o trabalhador distinga a maquinaria de sua aplicação capitalista e, daí, aprenda a transferir seus ataques do próprio meio de produção para a sua forma social de exploração”. [1]
A máquina é resultado do desenvolvimento da manufatura que posteriormente com o aparecimento da grande indústria foi apropriada da por uma classe social em ascensão, a classe burguesa, que quebrou as amarras da sociedade feudal e privatizou os meios de produção em benefício próprio.
Os meios de produção, o desenvolvimento tecnológico, e o avanço da ciência moderna trazem para o homem moderno, várias questões a serem discutidas neste início deste século. O uso de tais recursos pelo Capital principalmente da ciência, são utilizados por ele para se converter em mais capital, mas a ciência em si, não se converte em um problema, pois o problema esta na relação social entre o desenvolvimento da ciência, a e de quem se utiliza dela, pois o capital precisa dela para acumular mais capital, necessário a existência da própria sociedade capitalista.
O Capital faz uso da ciência e da tecnologia nas forças produtivas, para aumentar seu capital, portanto não é a máquina em si que esta no centro da discussão, mas de que como o capital a coloca no sistema capitalista. A utilização dessas técnicas é determinada de acordo com o grau de desenvolvimento das forças produtivas, e de acordo com cada determinação histórica do modo de produção capitalista.
Muito se discuti hoje a desqualificação do trabalhador. Vê se nos grandes meios de comunicação, por idéias elitistas e liberais, a falsa idéia de que o trabalhador está desqualificado e precisa-se qualificar para arrumarem emprego, mas podemos observar na análise feita por Marx no “O Capital” de que a máquina em si simplifica o trabalho, o homogeneíza a produção social, deixando o trabalho mais simples, uniformizando-o, fazendo com que o trabalhador vire um “apêndice da máquina” e não ao contrário.
O trabalhador cede lugar à máquina, mas este, não deixa de ser fundamental no capitalismo, ele deixa de ser a categoria central e agora a máquina que se torna central, no processo de trabalho é a máquina que detêm a aplicação técnica e da ciência. Mas o que dá materialidade a sociedade é o trabalho, que se constitui no dado ontológico da vida social. Este trabalho é posto em prática pelo trabalhador em contato com a máquina. O trabalho perde a centralidade no processo, mas não o fundamento da materialidade social, a ontologia do ser.
No século XVIII, os ludistas inspirados na falsa idéia do papel dos meios de produção que no capitalismo foram apropriados pela classe burguesa num processo histórico ocasionado pelo mercantilismo, pelo desenvolvimento da manufatura, junto com a revolução industrial que revolucionou tal desenvolvimento, achavam que estes eram os responsáveis pela causa do desemprego, da exploração e da alta taxa do tempo de trabalho necessário no interior das fábricas e com seu pensamento imediato da realidade social, resolveram quebrar as máquinas em que achavam as culpadas pelos seus problemas.
Para Marx a resposta para tal atitude se verifica em “É preciso tempo e experiência até que o trabalhador distinga a maquinaria de sua aplicação capitalista e, daí, aprenda a transferir seus ataques do próprio meio de produção para a sua forma social de exploração”. [1]
A máquina é resultado do desenvolvimento da manufatura que posteriormente com o aparecimento da grande indústria foi apropriada da por uma classe social em ascensão, a classe burguesa, que quebrou as amarras da sociedade feudal e privatizou os meios de produção em benefício próprio.
Os meios de produção, o desenvolvimento tecnológico, e o avanço da ciência moderna trazem para o homem moderno, várias questões a serem discutidas neste início deste século. O uso de tais recursos pelo Capital principalmente da ciência, são utilizados por ele para se converter em mais capital, mas a ciência em si, não se converte em um problema, pois o problema esta na relação social entre o desenvolvimento da ciência, a e de quem se utiliza dela, pois o capital precisa dela para acumular mais capital, necessário a existência da própria sociedade capitalista.
O Capital faz uso da ciência e da tecnologia nas forças produtivas, para aumentar seu capital, portanto não é a máquina em si que esta no centro da discussão, mas de que como o capital a coloca no sistema capitalista. A utilização dessas técnicas é determinada de acordo com o grau de desenvolvimento das forças produtivas, e de acordo com cada determinação histórica do modo de produção capitalista.
Muito se discuti hoje a desqualificação do trabalhador. Vê se nos grandes meios de comunicação, por idéias elitistas e liberais, a falsa idéia de que o trabalhador está desqualificado e precisa-se qualificar para arrumarem emprego, mas podemos observar na análise feita por Marx no “O Capital” de que a máquina em si simplifica o trabalho, o homogeneíza a produção social, deixando o trabalho mais simples, uniformizando-o, fazendo com que o trabalhador vire um “apêndice da máquina” e não ao contrário.
O trabalhador cede lugar à máquina, mas este, não deixa de ser fundamental no capitalismo, ele deixa de ser a categoria central e agora a máquina que se torna central, no processo de trabalho é a máquina que detêm a aplicação técnica e da ciência. Mas o que dá materialidade a sociedade é o trabalho, que se constitui no dado ontológico da vida social. Este trabalho é posto em prática pelo trabalhador em contato com a máquina. O trabalho perde a centralidade no processo, mas não o fundamento da materialidade social, a ontologia do ser.
Bibliografia:
Marx, K. O Capital - Capitulo XIIII - Maquinaria e Grande Indústria, Livro II, Tomo II, Seção IV. Os Economistas. Abril Cultural, 1988.
Marx, K. O Capital Volume VI Inédito. Resultado do Processo de Produção Imediata. Ed. Centauro, 2004.
Marx, K. O Capital - Capitulo XIIII - Maquinaria e Grande Indústria, Livro II, Tomo II, Seção IV. Os Economistas. Abril Cultural, 1988.
Marx, K. O Capital Volume VI Inédito. Resultado do Processo de Produção Imediata. Ed. Centauro, 2004.
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Gustavo Ramires Fernandes
sexta-feira, 4 de julho de 2008
França: lutas sociais anticapitalistas no maio de 1968.

Paris, 10 de maio de 1968. No Quartier Latin (Bairro Latino), alguns milhares de estudantes iniciariam ao fim do dia uma marcha de protesto contra as prisões de vários colegas pertencentes ao grupo Enragés, da Universidade de Nanterre. Pelas ruas do bairro, o grafite “É proibido proibir – Lei de 10/05/1968” prenunciava umas das mais importantes sentenças da comuna estudantil que ali estava para nascer. Ao fim do dia mais de vinte mil estudantes põem-se em marcha pela Rua Gay Lussac para logo se defrontarem com a polícia (CRS – Corpo Republicano de Segurança), estabelecendo-se naquela noite um dos confrontos mais violentos da história da república francesa. As barricadas erguidas com carros e o confronto generalizado dos estudantes com a polícia colocavam nas ruas de Paris o fantasma dos acontecimentos da Comuna de Paris (1871).
Na “noite das barricadas” da comuna estudantil do Quartier Latin inaugurou-se aquela que seria uma expressão emblemática dos grandes conflitos sociais do século XX. No quadro histórico das lutas sociais anticapitalistas os acontecimentos do Maio de 1968 representaram efetivamente a generalização da grande recusa por parte dos estudantes e dos trabalhadores ao modelo social do capitalismo tecnocrático que o mundo via organizar-se na transição da sociedade fordista ao modelo societário da acumulação flexível da sociedade (pós-fordista) toyotista centrada em práticas organizacionais crescentemente tecnocráticas. Das barricadas da comuna estudantil acendeu-se um estopim de protestos generalizados que levou em menos de três semanas a uma greve geral por todo o país o espantoso número de mais de dez milhões de trabalhadores paralisando praticamente todos os setores produtivos da sociedade. Nunca uma potência capitalista estivera sob ameaça tão grave de destruição de suas instituições políticas. Estudantes e trabalhadores em voz uníssona recusaram-se durante mais de um mês a qualquer diálogo com as representações políticas tradicionais nas negociações entre capital e trabalho no capitalismo. Estudantes e trabalhadores generalizaram aquilo que Karl Marx definia como o “poder social”, com a grande recusa do movimento social as instituições capitalistas desabavam a olhos vistos na sua completa vacuidade de sentido histórico. Nem partidos, nem sindicatos, nem o parlamento ou qualquer outra agência governamental podia assumir-se como porta – voz da colossal manifestação social que varria as ruas do país. Da comuna de estudantes e trabalhadores definiram-se práticas sociais de novo tipo, de uma solidariedade radical nunca antes vista nessa proporção e magnitude na história das lutas anti-capitalistas do século XX.
O Maio de 1968 representa hoje, quarenta anos depois não apenas a insatisfação de estudantes e trabalhadores com as formas societárias crescentemente burocráticas do capitalismo de então, o Maio de 1968 representa fundamentalmente as possibilidades societárias da autogestão generalizada. Representa, portanto, a luta pela supressão das práticas institucionais do modo de produção capitalista pela organização social de práticas institucionais de novo tipo, centradas na solidariedade dos trabalhadores, o poder político de novo tipo nascido nessas práticas de recusa definindo-se como poder social. O Maio de 1968 apontou como realidade concreta a sociedade comunista. Esse é o real sentido histórico do Maio de 1968, não uma manifestação estudantil que explodia contra as expressões formais da imaginação e da consciência alienada de estudantes e trabalhadores na sociedade capitalista. Não foi apenas uma “recusa” ou o “é proibido proibir” reclamado contra as instituições da repressão social, o efetivo sentido histórico dos acontecimentos do Maio de 1968 deu-se pelas práticas cotidianas da auto-organização dos trabalhadores e estudantes franceses como a negação absoluta do capitalismo e a afirmação da materialidade concreta da ordem comunista. Como afirmou Maurice Brinton (do grupo inglês conselhista Solidarity, que acompanhou os fatos acontecidos nos primeiros dias da comuna estudantil), daqueles acontecimentos as pessoas souberam que a revolução era possível mesmo sob as condições violentamente repressivas do capitalismo burocrático moderno.
Um dos grandes mitos revolucionários do Século XX originou-se das práticas políticas bolcheviques lideradas por Lênin na Revolução Russa de 1917: o mito da vanguarda e liderança do Partido Comunista na condução do processo revolucionário. Contudo, outras formas de organização revolucionária nasceram no processo da Revolução Russa, como aquelas preconizadas pelo Grupo Verdade Operária (Rabotchaya Volia) ao qual estava vinculado o grande intelectual marxista russo Alexander Bogdanov, que se suicidou em 1928. Bogdanov e o Grupo Verdade Operária lutaram dentro dos acontecimentos da Revolução Russa por uma outra prática revolucionária: o autonomismo conselhista, isto é, uma forma de gestão social pautada pela democracia direta, cujas representações haveriam de se realizar sob o poder direto delegado e não sob o poder delegado de representação tal como nas democracias das sociedades capitalistas.
O autonomismo conselhista foi o mote central das lutas no Maio de 1968. Das práticas políticas de novo tipo o movimento social dos estudantes e trabalhadores lutava pela não separação entre a representação política e as demandas sociais postuladas. Na autogestão conselhista desenhada por aquela experiência o poder procurava realizar-se como ato da sociedade e não como ato político separado da sociedade. Desse modo, as lutas sociais anticapitalistas traziam à sociedade francesa o legado conselhista que sempre fora derrotado historicamente pelos partidos políticos que se diziam representantes políticos da revolução junto ao Estado, como o caso de Lênin, frente à condução político – burocrática da Revolução Russa, mas agora com uma diferença radical: as práticas do espontaneísmo autonomista dos estudantes e dos trabalhadores franceses generalizaram-se como expressão integral do cotidiano das lutas na sua expressão diária de resistência ao confronto com a repressão policial e na organização da greve geral que diariamente atingia a integralidade do setor produtivo do país. Nesse sentido, o autonomismo conselhista nascido da organização diária dos estudantes e trabalhadores recusava não apenas as instituições da sociedade capitalista como recusava também aqueles que historicamente sempre se afirmaram como os “organizadores” da revolução: os sindicatos, os partidos comunistas e todas as demais frações partidárias da “extrema” esquerda (no caso em questão, principalmente os grupos trotskistas e os maoístas, por exemplo). Ângelo Quattrocchi que testemunhou os acontecimentos conta-nos que na noite de 10 de maio, quando o Bairro Latino preparava-se para a grande batalha com a polícia, os jovens trotskistas da LCR (Liga Comunista Revolucionária), saíram em passeata propondo aos estudantes que fossem para casa, “deixando a revolução por conta dos trabalhadores”. O autor afirma ainda que as lideranças desse mesmo grupo, dias depois proibiriam os seus militantes de participar dos debates que se travavam no soviete estudantil da Sorbonne.
Mas se a esquerda tradicional e mesmo os grupos mais extremistas do dirigismo das vanguardas revolucionárias não conseguiam impedir o avanço do movimento global dos fatos desencadeados pelos estudantes e trabalhadores, foi essa mesma esquerda a principal responsável pelas negociações políticas junto ao governo que levaram ao fim dos acontecimentos. Afirma Robert Kurz que o Partido Comunista Francês (PCF) foi o grande responsável pelo “estrangulamento” do movimento para a via parlamentar com a ajuda dos sindicatos sob seu controle. O destino da grande experiência revolucionária que se desenhava nos acontecimentos derrotou-se quando sobre esse movimento social viu o PCF junto ao governo De Gaulle acertar no dia 25 de maio um aumento de 35% do salário mínimo, passando de 384 francos a 520 francos, aumento esse concedido um dia após os trabalhadores e os estudantes terem invadido a Bolsa de Valores e vários distritos policiais estando já Paris completamente paralisada em todos os seus serviços urbanos. Noutras cidades, como Nantes, também os camponeses já se aliavam aos trabalhadores urbanos na greve geral e entravam na cidade dirigindo seus tratores em ato de manifesta solidariedade.
O componente nacionalista francês do gaullismo levara a França quando da organização da Quinta República (1958) ao esforço de consolidação de sua condição de potência nuclear. O presidente Charles De Gaulle acreditava firmemente no poder militar como termo de negociação internacional. De nítida inspiração fascista (o ideário fascista de Charles Maurras tinha forte presença junto ao gaullismo) essa variável nacionalista da Quinta República francesa sugeria à organização social da produção a institucionalização crescente das práticas tecnocráticas de gestão, só assim se garantiria a condição de potência diante de uma colossal reformulação administrativa do capitalismo francês. A Universidade foi a porta de entrada dessa racionalização tecnocrática. O Maio de 1968 encurralou esse projeto por algum tempo, levando inclusive De Gaulle pela segunda vez, na sua trajetória política (a primeira fora na Segunda Guerra Mundial, quando de Londres organizava as forças de resistência em França contra a ocupação alemã e contra o governo Vichy, colaboracionista com o Reich hitlerista), a sugerir uma ofensiva militar organizada fora do país (com tropas francesas estacionadas em Baden-Baden, na Alemanha) contra os estudantes e trabalhadores que paralisavam o país, ofensiva que não foi levada a seu termo dado o refluxo do movimento social logo após os acordos salariais com o governo mediados pelo PCF em fins do mês de maio.
Os fatos que marcam o Maio de 1968 como um dos mais radicais experimentos revolucionários do século XX estão diretamente relacionados à crise da Universidade francesa, nesse sentido, a separação dos atores sociais envolvidos (estudantes e trabalhadores) aparece aqui como meramente formal, isto porque, a crise da Universidade em França afirmava diretamente a condição proletarizante a que estavam envolvidos os estudantes. Tom Nairn diz que de fins da década de 1950 aos fatos da comuna estudantil de maio de 1968 o número de estudantes universitários franceses saltara de 170 mil para mais de seiscentos mil, crescimento esse que não teve o mesmo acompanhamento na construção de novos prédios e outras instalações que pudessem acomodar esse crescimento numérico de estudantes. Só em Paris, essa massa estudantil chegava a 182 mil pessoas. Nairn conclui que como corolário desse crescimento esses estudantes praticamente ficavam impedidos de ter acesso a condições de estudo e manutenção adequada de sua sobrevivência. Diante de uma sociedade altamente burocrática, a tendência que o modelo capitalista francês sugeria era a da “industrialização da universidade”, termo expresso pelas reformas educacionais encaminhadas pelo regime gaullista no período. A proletarização da universidade empurrava o movimento estudantil às interfaces do mundo do trabalho, mas para organizá-lo na posição de novos quadros da tecnocracia. O movimento estudantil organizar-se-á contra essa condição de dirigentes subalternizados desse capitalismo tecnocrático ou “neocapitalismo esclarecido” (Tom Nairn).
Dessa realidade institucional em que se encontravam os estudantes, conforme Maurice Brinton, afirmaram-se desde inícios do ano de 1968 duas propostas originadas da universidade francesa aos órgãos governamentais. A primeira, era a dos professores e de uma parte do movimento estudantil, para esses, a universidade estava desadaptada às condições estruturais do modelo capitalista tecnocrático e exigiam assim reformas na educação, aumentos no orçamento para a educação e que os universitários pudessem formar-se com emprego assegurado. A segunda proposição que vinha dos estudantes “rebeldes”, conforme Brinton, não era exatamente uma proposta, mas a manifestação da recusa, estes rejeitavam integralmente a própria sociedade moderna, a constatação da alienação era a condição da própria revolta contra a falta de significado da vida no capitalismo burocrático. Evidentemente que é na insatisfação generalizada dos estudantes que encontramos o sentido concreto das jornadas estudantis. Cabe ressalvar, contudo, que essa insatisfação com a própria condição de estudante afirmando-se como quadro gestor do capitalismo já tinha profundas raízes no movimento estudantil através da atuação do grupo situacionista que tinha em Guy Debord e Raoul Vaneigem suas expressões teóricas mais destacadas. Dos estudantes que foram presos e punidos com sanções disciplinares na Universidade de Nanterre pertencentes ao grupo dos Enragés, sete deles tinham vínculos com o movimento situacionista. Conforme Dumontier, os Enragés organizados como grupo em Nanterre, em janeiro de 1968 estiveram envolvidos com a ocupação da sede administrativa da universidade no mês de março e por causa disso um de seus membros Gerard Bigorgne foi expulso de todas as universidades francesas por um período de cinco anos.
Os situacionistas organizavam-se desde 1958 em torno da revista Internacional Situacionista coordenada por Guy Debord. A revista não tinha uma periodicidade regular pelas dificuldades financeiras do grupo. O artista plástico dinamarquês Asger Jorn, que como Debord participara de alguns grupos de vanguarda estética no início da década de 1950 (como o Movimento para uma Bauhaus Imaginista e a Internacional Lettrista) e que se afirmara nos anos sessenta como um dos nomes mais expressivos da “pintura industrial” é que com algumas de suas intervenções artísticas conseguia garantir a editoração de alguns números da revista. Os doze números da revista constituem-se hoje como um dos maiores documentos da cultura política dissidente da década de 1960, com o situacionismo encontramos uma das mais expressivas manifestações políticas do marxismo conselhista do século XX. A proposição política situacionista era radicalmente autonomista–conselhista e esse programa estabeleceu-se definitivamente na história do marxismo contemporâneo com a obra de Guy Debord, especialmente pelo seu livro – A Sociedade do Espetáculo, publicado em novembro de 1967. Seis meses antes dos acontecimentos das barricadas estudantis que desencadeariam os conflitos do Maio de 1968, Debord definia o “proletariado atual” (para a década de 1960), como a imensa maioria dos trabalhadores que perderam todo o poder sobre o uso de sua própria vida e que assim que tomavam conhecimento disso, se redefiniam como proletariado, o negativo em ação nessa sociedade e esse proletariado também se definia pela “extensão da lógica do trabalho fabril” que estaria aplicada à grande parte dos “serviços” e das profissões intelectuais” (Debord, 1997, 81). E como proposição política de práticas superadoras de tais realidades, Debord defenderá no livro em questão aquela que seria a marca institucional e a agenda política do Maio de 1968: o autonomismo dos conselhos operários. A agenda do movimento social insurrecto no Maio de 1968, tinha variáveis de auto-organização resolvidas diretamente nos fatos nascidos no dia a dia das barricadas das lutas anticapitalistas dos estudantes e trabalhadores, mas é inquestionável a presença teórica ou pelo menos a influência política dos situacionistas no cotidiano dessas lutas.
É importante frisar que não foi a fome que levou os estudantes à revolta, o fato é que não havia uma cisão econômica brutal na sociedade, o que levou os estudantes às ruas e às lutas por sua agenda foi a recusa generalizada da sociedade capitalista tecnocrática e ao recusar o modelo capitalista recusavam também os chefes que organizariam em grande parte os fundamentos lógicos – institucionais, principalmente as representações sindicais e os partidos políticos ditos de esquerda. Nos dias seguintes às primeiras lutas estudantis, como um incêndio social os trabalhadores das maiores firmas industriais e comerciais do país paralisam seus trabalhos em favor da greve geral, no dia 13 de maio foi convocada uma greve geral de um dia em solidariedade aos estudantes. Mais de um milhão de pessoas foram às ruas. As principais centrais sindicais tentaram organizar o fim da greve geral já no dia 13, mas nada conseguiram. Na tarde do dia 14, os trabalhadores começavam a ocupar as principais fábricas do país (a primeira fábrica a ser ocupada foi a Sud Aviation, em Nantes, na noite do dia 14). Com as ocupações de fábricas os estudantes que já ocupavam a Sorbonne decidem apoiar as greves operárias. Nesse processo de solidariedades ampliadas, estudantes e trabalhadores uniram-se num só bloco, num só movimento social como nunca se vira na França desde a Comuna de Paris de 1871. Dessas solidariedades as lideranças políticas dos sindicatos e dos partidos políticos, principalmente do PCF foram imediatamente derrotadas.
Enfim, como já afirmado, o maior significado histórico do Maio de 1968 foi a espontaneidade da auto-organização social, termo esse que apresentava ao mundo uma nova prática política: a autogestão social generalizada.
As revoltas acontecidas na periferia de Paris e de outras cidades francesas em outubro e novembro de 2005 não podem ser associadas às experiências das lutas sociais acontecidas no Maio de 68. Primeiro porque não houve um confronto explícito – que denotaria a marca política do poder social contra o poder político do Estado, é certo que quase nove mil carros foram incendiados nas ruas, mas os confrontos com as forças repressivas do Estado estiveram praticamente ausentes. Segundo porque a natureza da revolta determinou-se por questões fundamentalmente racistas do Estado e da sociedade francesa frente aos jovens pobres de origem africana (e de outras regiões do Leste europeu) definidos pelas agências de emprego como CLD (créve-la-delle ou quebra-pedras). Os acontecimentos de 68 demarcaram a luta por uma outra sociedade, a luta contra a inclusão na lógica alienada do capitalismo tecnocrático; os acontecimentos de 2005 caracterizavam a luta contra a exclusão imposta pela sociedade capitalista. Em 1968, estudantes e trabalhadores desenharam as possibilidades da transformação revolucionária comunista, em 2005 os jovens trabalhadores das periferias lutavam por empregos e pela inclusão na sociedade capitalista. Nesse sentido, os dois fatos são diametralmente opostos. Reduzir comparativamente o fenômeno social de 2005 aos acontecimentos do maio de 1968 é um profundo equívoco histórico, já que são fatos diametralmente opostos nos seus significados políticos.
Na “noite das barricadas” da comuna estudantil do Quartier Latin inaugurou-se aquela que seria uma expressão emblemática dos grandes conflitos sociais do século XX. No quadro histórico das lutas sociais anticapitalistas os acontecimentos do Maio de 1968 representaram efetivamente a generalização da grande recusa por parte dos estudantes e dos trabalhadores ao modelo social do capitalismo tecnocrático que o mundo via organizar-se na transição da sociedade fordista ao modelo societário da acumulação flexível da sociedade (pós-fordista) toyotista centrada em práticas organizacionais crescentemente tecnocráticas. Das barricadas da comuna estudantil acendeu-se um estopim de protestos generalizados que levou em menos de três semanas a uma greve geral por todo o país o espantoso número de mais de dez milhões de trabalhadores paralisando praticamente todos os setores produtivos da sociedade. Nunca uma potência capitalista estivera sob ameaça tão grave de destruição de suas instituições políticas. Estudantes e trabalhadores em voz uníssona recusaram-se durante mais de um mês a qualquer diálogo com as representações políticas tradicionais nas negociações entre capital e trabalho no capitalismo. Estudantes e trabalhadores generalizaram aquilo que Karl Marx definia como o “poder social”, com a grande recusa do movimento social as instituições capitalistas desabavam a olhos vistos na sua completa vacuidade de sentido histórico. Nem partidos, nem sindicatos, nem o parlamento ou qualquer outra agência governamental podia assumir-se como porta – voz da colossal manifestação social que varria as ruas do país. Da comuna de estudantes e trabalhadores definiram-se práticas sociais de novo tipo, de uma solidariedade radical nunca antes vista nessa proporção e magnitude na história das lutas anti-capitalistas do século XX.
O Maio de 1968 representa hoje, quarenta anos depois não apenas a insatisfação de estudantes e trabalhadores com as formas societárias crescentemente burocráticas do capitalismo de então, o Maio de 1968 representa fundamentalmente as possibilidades societárias da autogestão generalizada. Representa, portanto, a luta pela supressão das práticas institucionais do modo de produção capitalista pela organização social de práticas institucionais de novo tipo, centradas na solidariedade dos trabalhadores, o poder político de novo tipo nascido nessas práticas de recusa definindo-se como poder social. O Maio de 1968 apontou como realidade concreta a sociedade comunista. Esse é o real sentido histórico do Maio de 1968, não uma manifestação estudantil que explodia contra as expressões formais da imaginação e da consciência alienada de estudantes e trabalhadores na sociedade capitalista. Não foi apenas uma “recusa” ou o “é proibido proibir” reclamado contra as instituições da repressão social, o efetivo sentido histórico dos acontecimentos do Maio de 1968 deu-se pelas práticas cotidianas da auto-organização dos trabalhadores e estudantes franceses como a negação absoluta do capitalismo e a afirmação da materialidade concreta da ordem comunista. Como afirmou Maurice Brinton (do grupo inglês conselhista Solidarity, que acompanhou os fatos acontecidos nos primeiros dias da comuna estudantil), daqueles acontecimentos as pessoas souberam que a revolução era possível mesmo sob as condições violentamente repressivas do capitalismo burocrático moderno.
Um dos grandes mitos revolucionários do Século XX originou-se das práticas políticas bolcheviques lideradas por Lênin na Revolução Russa de 1917: o mito da vanguarda e liderança do Partido Comunista na condução do processo revolucionário. Contudo, outras formas de organização revolucionária nasceram no processo da Revolução Russa, como aquelas preconizadas pelo Grupo Verdade Operária (Rabotchaya Volia) ao qual estava vinculado o grande intelectual marxista russo Alexander Bogdanov, que se suicidou em 1928. Bogdanov e o Grupo Verdade Operária lutaram dentro dos acontecimentos da Revolução Russa por uma outra prática revolucionária: o autonomismo conselhista, isto é, uma forma de gestão social pautada pela democracia direta, cujas representações haveriam de se realizar sob o poder direto delegado e não sob o poder delegado de representação tal como nas democracias das sociedades capitalistas.
O autonomismo conselhista foi o mote central das lutas no Maio de 1968. Das práticas políticas de novo tipo o movimento social dos estudantes e trabalhadores lutava pela não separação entre a representação política e as demandas sociais postuladas. Na autogestão conselhista desenhada por aquela experiência o poder procurava realizar-se como ato da sociedade e não como ato político separado da sociedade. Desse modo, as lutas sociais anticapitalistas traziam à sociedade francesa o legado conselhista que sempre fora derrotado historicamente pelos partidos políticos que se diziam representantes políticos da revolução junto ao Estado, como o caso de Lênin, frente à condução político – burocrática da Revolução Russa, mas agora com uma diferença radical: as práticas do espontaneísmo autonomista dos estudantes e dos trabalhadores franceses generalizaram-se como expressão integral do cotidiano das lutas na sua expressão diária de resistência ao confronto com a repressão policial e na organização da greve geral que diariamente atingia a integralidade do setor produtivo do país. Nesse sentido, o autonomismo conselhista nascido da organização diária dos estudantes e trabalhadores recusava não apenas as instituições da sociedade capitalista como recusava também aqueles que historicamente sempre se afirmaram como os “organizadores” da revolução: os sindicatos, os partidos comunistas e todas as demais frações partidárias da “extrema” esquerda (no caso em questão, principalmente os grupos trotskistas e os maoístas, por exemplo). Ângelo Quattrocchi que testemunhou os acontecimentos conta-nos que na noite de 10 de maio, quando o Bairro Latino preparava-se para a grande batalha com a polícia, os jovens trotskistas da LCR (Liga Comunista Revolucionária), saíram em passeata propondo aos estudantes que fossem para casa, “deixando a revolução por conta dos trabalhadores”. O autor afirma ainda que as lideranças desse mesmo grupo, dias depois proibiriam os seus militantes de participar dos debates que se travavam no soviete estudantil da Sorbonne.
Mas se a esquerda tradicional e mesmo os grupos mais extremistas do dirigismo das vanguardas revolucionárias não conseguiam impedir o avanço do movimento global dos fatos desencadeados pelos estudantes e trabalhadores, foi essa mesma esquerda a principal responsável pelas negociações políticas junto ao governo que levaram ao fim dos acontecimentos. Afirma Robert Kurz que o Partido Comunista Francês (PCF) foi o grande responsável pelo “estrangulamento” do movimento para a via parlamentar com a ajuda dos sindicatos sob seu controle. O destino da grande experiência revolucionária que se desenhava nos acontecimentos derrotou-se quando sobre esse movimento social viu o PCF junto ao governo De Gaulle acertar no dia 25 de maio um aumento de 35% do salário mínimo, passando de 384 francos a 520 francos, aumento esse concedido um dia após os trabalhadores e os estudantes terem invadido a Bolsa de Valores e vários distritos policiais estando já Paris completamente paralisada em todos os seus serviços urbanos. Noutras cidades, como Nantes, também os camponeses já se aliavam aos trabalhadores urbanos na greve geral e entravam na cidade dirigindo seus tratores em ato de manifesta solidariedade.
O componente nacionalista francês do gaullismo levara a França quando da organização da Quinta República (1958) ao esforço de consolidação de sua condição de potência nuclear. O presidente Charles De Gaulle acreditava firmemente no poder militar como termo de negociação internacional. De nítida inspiração fascista (o ideário fascista de Charles Maurras tinha forte presença junto ao gaullismo) essa variável nacionalista da Quinta República francesa sugeria à organização social da produção a institucionalização crescente das práticas tecnocráticas de gestão, só assim se garantiria a condição de potência diante de uma colossal reformulação administrativa do capitalismo francês. A Universidade foi a porta de entrada dessa racionalização tecnocrática. O Maio de 1968 encurralou esse projeto por algum tempo, levando inclusive De Gaulle pela segunda vez, na sua trajetória política (a primeira fora na Segunda Guerra Mundial, quando de Londres organizava as forças de resistência em França contra a ocupação alemã e contra o governo Vichy, colaboracionista com o Reich hitlerista), a sugerir uma ofensiva militar organizada fora do país (com tropas francesas estacionadas em Baden-Baden, na Alemanha) contra os estudantes e trabalhadores que paralisavam o país, ofensiva que não foi levada a seu termo dado o refluxo do movimento social logo após os acordos salariais com o governo mediados pelo PCF em fins do mês de maio.
Os fatos que marcam o Maio de 1968 como um dos mais radicais experimentos revolucionários do século XX estão diretamente relacionados à crise da Universidade francesa, nesse sentido, a separação dos atores sociais envolvidos (estudantes e trabalhadores) aparece aqui como meramente formal, isto porque, a crise da Universidade em França afirmava diretamente a condição proletarizante a que estavam envolvidos os estudantes. Tom Nairn diz que de fins da década de 1950 aos fatos da comuna estudantil de maio de 1968 o número de estudantes universitários franceses saltara de 170 mil para mais de seiscentos mil, crescimento esse que não teve o mesmo acompanhamento na construção de novos prédios e outras instalações que pudessem acomodar esse crescimento numérico de estudantes. Só em Paris, essa massa estudantil chegava a 182 mil pessoas. Nairn conclui que como corolário desse crescimento esses estudantes praticamente ficavam impedidos de ter acesso a condições de estudo e manutenção adequada de sua sobrevivência. Diante de uma sociedade altamente burocrática, a tendência que o modelo capitalista francês sugeria era a da “industrialização da universidade”, termo expresso pelas reformas educacionais encaminhadas pelo regime gaullista no período. A proletarização da universidade empurrava o movimento estudantil às interfaces do mundo do trabalho, mas para organizá-lo na posição de novos quadros da tecnocracia. O movimento estudantil organizar-se-á contra essa condição de dirigentes subalternizados desse capitalismo tecnocrático ou “neocapitalismo esclarecido” (Tom Nairn).
Dessa realidade institucional em que se encontravam os estudantes, conforme Maurice Brinton, afirmaram-se desde inícios do ano de 1968 duas propostas originadas da universidade francesa aos órgãos governamentais. A primeira, era a dos professores e de uma parte do movimento estudantil, para esses, a universidade estava desadaptada às condições estruturais do modelo capitalista tecnocrático e exigiam assim reformas na educação, aumentos no orçamento para a educação e que os universitários pudessem formar-se com emprego assegurado. A segunda proposição que vinha dos estudantes “rebeldes”, conforme Brinton, não era exatamente uma proposta, mas a manifestação da recusa, estes rejeitavam integralmente a própria sociedade moderna, a constatação da alienação era a condição da própria revolta contra a falta de significado da vida no capitalismo burocrático. Evidentemente que é na insatisfação generalizada dos estudantes que encontramos o sentido concreto das jornadas estudantis. Cabe ressalvar, contudo, que essa insatisfação com a própria condição de estudante afirmando-se como quadro gestor do capitalismo já tinha profundas raízes no movimento estudantil através da atuação do grupo situacionista que tinha em Guy Debord e Raoul Vaneigem suas expressões teóricas mais destacadas. Dos estudantes que foram presos e punidos com sanções disciplinares na Universidade de Nanterre pertencentes ao grupo dos Enragés, sete deles tinham vínculos com o movimento situacionista. Conforme Dumontier, os Enragés organizados como grupo em Nanterre, em janeiro de 1968 estiveram envolvidos com a ocupação da sede administrativa da universidade no mês de março e por causa disso um de seus membros Gerard Bigorgne foi expulso de todas as universidades francesas por um período de cinco anos.
Os situacionistas organizavam-se desde 1958 em torno da revista Internacional Situacionista coordenada por Guy Debord. A revista não tinha uma periodicidade regular pelas dificuldades financeiras do grupo. O artista plástico dinamarquês Asger Jorn, que como Debord participara de alguns grupos de vanguarda estética no início da década de 1950 (como o Movimento para uma Bauhaus Imaginista e a Internacional Lettrista) e que se afirmara nos anos sessenta como um dos nomes mais expressivos da “pintura industrial” é que com algumas de suas intervenções artísticas conseguia garantir a editoração de alguns números da revista. Os doze números da revista constituem-se hoje como um dos maiores documentos da cultura política dissidente da década de 1960, com o situacionismo encontramos uma das mais expressivas manifestações políticas do marxismo conselhista do século XX. A proposição política situacionista era radicalmente autonomista–conselhista e esse programa estabeleceu-se definitivamente na história do marxismo contemporâneo com a obra de Guy Debord, especialmente pelo seu livro – A Sociedade do Espetáculo, publicado em novembro de 1967. Seis meses antes dos acontecimentos das barricadas estudantis que desencadeariam os conflitos do Maio de 1968, Debord definia o “proletariado atual” (para a década de 1960), como a imensa maioria dos trabalhadores que perderam todo o poder sobre o uso de sua própria vida e que assim que tomavam conhecimento disso, se redefiniam como proletariado, o negativo em ação nessa sociedade e esse proletariado também se definia pela “extensão da lógica do trabalho fabril” que estaria aplicada à grande parte dos “serviços” e das profissões intelectuais” (Debord, 1997, 81). E como proposição política de práticas superadoras de tais realidades, Debord defenderá no livro em questão aquela que seria a marca institucional e a agenda política do Maio de 1968: o autonomismo dos conselhos operários. A agenda do movimento social insurrecto no Maio de 1968, tinha variáveis de auto-organização resolvidas diretamente nos fatos nascidos no dia a dia das barricadas das lutas anticapitalistas dos estudantes e trabalhadores, mas é inquestionável a presença teórica ou pelo menos a influência política dos situacionistas no cotidiano dessas lutas.
É importante frisar que não foi a fome que levou os estudantes à revolta, o fato é que não havia uma cisão econômica brutal na sociedade, o que levou os estudantes às ruas e às lutas por sua agenda foi a recusa generalizada da sociedade capitalista tecnocrática e ao recusar o modelo capitalista recusavam também os chefes que organizariam em grande parte os fundamentos lógicos – institucionais, principalmente as representações sindicais e os partidos políticos ditos de esquerda. Nos dias seguintes às primeiras lutas estudantis, como um incêndio social os trabalhadores das maiores firmas industriais e comerciais do país paralisam seus trabalhos em favor da greve geral, no dia 13 de maio foi convocada uma greve geral de um dia em solidariedade aos estudantes. Mais de um milhão de pessoas foram às ruas. As principais centrais sindicais tentaram organizar o fim da greve geral já no dia 13, mas nada conseguiram. Na tarde do dia 14, os trabalhadores começavam a ocupar as principais fábricas do país (a primeira fábrica a ser ocupada foi a Sud Aviation, em Nantes, na noite do dia 14). Com as ocupações de fábricas os estudantes que já ocupavam a Sorbonne decidem apoiar as greves operárias. Nesse processo de solidariedades ampliadas, estudantes e trabalhadores uniram-se num só bloco, num só movimento social como nunca se vira na França desde a Comuna de Paris de 1871. Dessas solidariedades as lideranças políticas dos sindicatos e dos partidos políticos, principalmente do PCF foram imediatamente derrotadas.
Enfim, como já afirmado, o maior significado histórico do Maio de 1968 foi a espontaneidade da auto-organização social, termo esse que apresentava ao mundo uma nova prática política: a autogestão social generalizada.
As revoltas acontecidas na periferia de Paris e de outras cidades francesas em outubro e novembro de 2005 não podem ser associadas às experiências das lutas sociais acontecidas no Maio de 68. Primeiro porque não houve um confronto explícito – que denotaria a marca política do poder social contra o poder político do Estado, é certo que quase nove mil carros foram incendiados nas ruas, mas os confrontos com as forças repressivas do Estado estiveram praticamente ausentes. Segundo porque a natureza da revolta determinou-se por questões fundamentalmente racistas do Estado e da sociedade francesa frente aos jovens pobres de origem africana (e de outras regiões do Leste europeu) definidos pelas agências de emprego como CLD (créve-la-delle ou quebra-pedras). Os acontecimentos de 68 demarcaram a luta por uma outra sociedade, a luta contra a inclusão na lógica alienada do capitalismo tecnocrático; os acontecimentos de 2005 caracterizavam a luta contra a exclusão imposta pela sociedade capitalista. Em 1968, estudantes e trabalhadores desenharam as possibilidades da transformação revolucionária comunista, em 2005 os jovens trabalhadores das periferias lutavam por empregos e pela inclusão na sociedade capitalista. Nesse sentido, os dois fatos são diametralmente opostos. Reduzir comparativamente o fenômeno social de 2005 aos acontecimentos do maio de 1968 é um profundo equívoco histórico, já que são fatos diametralmente opostos nos seus significados políticos.
Referências:
Debord, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
Dumontier, Pascal. Lês Situationnistes et Mai 68 – theorie et pratique de la revolution (1966 – 1972). Paris: Éditions Ivrea, 1995.
Gombin, Richard. As Origens do Esquerdismo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1972.
INTERNATIONALE SITUATIONNISTE 1958 – 1969 (texte integral des 12 numéros de la revue). Paris: Librairie Arthème Fayard, 1997.
Lefebvre, Henri et alli. A Irrupção – a revolta dos jovens na sociedade industrial: causas e efeitos. São Paulo: Editora Documentos, 1968.
Quattrocchi, Ângelo & Nairn, Tom. O Começo do Fim: França, Maio de 68. Rio de Janeiro: Record, 1998.
SOLIDARITY (Maurice Brinton). Paris: Maio 68. São Paulo: Conrad Editora do Brasil (ebooklibris – www.baderna.org)
Debord, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
Dumontier, Pascal. Lês Situationnistes et Mai 68 – theorie et pratique de la revolution (1966 – 1972). Paris: Éditions Ivrea, 1995.
Gombin, Richard. As Origens do Esquerdismo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1972.
INTERNATIONALE SITUATIONNISTE 1958 – 1969 (texte integral des 12 numéros de la revue). Paris: Librairie Arthème Fayard, 1997.
Lefebvre, Henri et alli. A Irrupção – a revolta dos jovens na sociedade industrial: causas e efeitos. São Paulo: Editora Documentos, 1968.
Quattrocchi, Ângelo & Nairn, Tom. O Começo do Fim: França, Maio de 68. Rio de Janeiro: Record, 1998.
SOLIDARITY (Maurice Brinton). Paris: Maio 68. São Paulo: Conrad Editora do Brasil (ebooklibris – www.baderna.org)
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