"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

quarta-feira, 31 de março de 2010

Rede Globo invade terreno público com aval do governo tucano

De acordo com a denúncia levantada pela Rede Record, a emissora da família Marinho anexou a sua sede um terreno de quase 12 mil metros quadrados pertencente ao governo do estado. O governo do PSDB não só autorizou a invasão como agora irá financiar uma escola para a Rede Globo


No último domingo, 28, a Rede Record voltou a denunciar a invasão de um terreno público feito pela Rede Globo. O anúncio trouxe a tona o acordo criminoso entre a emissora e o governo de José Serra (PSDB).

O terreno, localizada no Brooklin, em uma das regiões mais valorizadas em São Paulo, fica ao lado da sede da Rede Globo na zona Sul da capital. A emissora, sem nenhuma licitação ou autorização, simplesmente anexou o terreno que pertencia ao governo sob a desculpa de que estava “conservando a área”. A desculpa é mais um descaramento da emissora. É óbvio que não se tratava de preservar a área, mas de tomá-la para uso privado, tanto é assim que o terreno foi cercado e a população impedida de entrar no local que antes era uma pracinha de uso público.

De acordo com as denúncias, “[O] terreno de 11.618 metros quadrados, anexo a sede da Rede Globo na zona Sul de São Paulo, foi ocupado ilegalmente pela emissora (Globo) durante 11 anos. O local onde se localizava o terreno era em uma praça avaliada em mais de R$ 11 milhões de reais. O local funcionava como pista de cooper para os funcionários da emissora. A área estava cercada como propriedade particular, onde ninguém podia entrar. O terreno que foi ocupado ilegalmente pela emissora pertence ao Governo do Estado de São Paulo, (especificamente a secretaria de Planejamento e Economia) e não a Globo”

A invasão ocorreu com o total apoio do governo, que em nenhum momento, em 11 anos de posse ilegal, procurou rever o terreno, uma prática corriqueira quando se trata de ocupações realizas pela população, a exemplo das ocupações realizado pelos sem-terra, onde a burguesia não só determina a reintegração de pose, como a faz com uma violência brutal. O cinismo do governo do PSDB é tamanho que diante da denúncia, o governo ao invés de rever a posse do terreno, anunciou que irá fechar uma parceria com a Globo para a construção de uma Escola Técnica Estadual (Etec), que não por acaso ter´um curso de áudiovisual e terá o nome de “Escola Roberto Marinho”. Ou seja, o governo não só autorizou a invasão como agora irá financiar uma escola para a Rede Globo.

Essa não é a primeira vez que os empresários tomam posse de forma ilegal das terras do Estado, pelo contrário. Essas invasões são corriqueiras e ocorrem com o total aval dos governos e da Justiça burguesa. Um exemplo emblemático é o da Curtale, uma das maiores empresas produtoras de suco de laranja do mundo possuindo 30% do mercado mundial. A empresa se apossou de mais de 2,7 mil hectares pertencentes à União. O que chamou a atenção nesse caso foi a enorme campanha da burguesia contra os sem-terra que organizaram uma ocupação na fazenda tomada pela empresa. Os jornais burgueses publicaram dezenas de matérias para incriminar a ocupação realizada pelos trabalhadores, acusando-os de “Vandalismo sem limites”. Ou seja, quando se trata de uma ocupação realizada pelos sem-terra, o que se vê é toda uma ofensiva da direita contra os trabalhadores do campo, entretanto quando os invasores são a Rede Globo ou a Cutrale, a medida é não apenas justificada como apoiada pelos governos e imprensa capitalistas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Brasil é o país mais desigual da América Latina, diz ONU


O Brasil é o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda, mostra um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo ONU-Habitat (Programa de Assentamentos Humanos da ONU) no Rio de Janeiro.

Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira.

O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo. Segundo o documento, divulgado durante o quinto Fórum Urbano Mundial da ONU, os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região.

Os 20% mais pobres, por sua vez, recebem apenas 3,5% da renda, o que faz da América Latina a região mais desigual do mundo.

"O país com menor desigualdade de renda na América Latina é mais desigual do que qualquer país da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico] e inclusive do que qualquer país do Leste Europeu", diz o relatório.

O México é o segundo país mais desigual da América Latina, já que os 10% mais ricos da população recebem 42,2% da renda, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,3%.

Na Argentina, em terceiro lugar, 41,7% da renda está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres têm apenas 1,1%.

A Venezuela é o quarto país mais desigual da região, já que os 10% mais ricos têm 36,8% da renda e os 30% mais ricos controlam 65,1% dos recursos, enquanto os 10% mais pobres sobrevivem com apenas 0,9% da riqueza.

No caso da Colômbia, 49,1% da renda do país vai parar no bolso dos 10% mais ricos, contra 0,9% que fica do lado dos mais pobres.

No Chile, 42,5% da renda local está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto 1,5% dos recursos vai para os mais pobres.

Os países menos desiguais da região são Nicarágua, Panamá e Paraguai. Mesmo assim, nos três, a disparidade entre ricos e pobres continuam abismais, já que os 10% mais ricos consomem mais de 40% dos recursos.

Também segundo este relatório, a urbanização não contribuiu para diminuir a pobreza na América Latina, já que o número de pessoas na miséria aumentou muito nas últimas décadas.

Em 1970, havia 41 milhões de pobres nas cidades da região, 25% da população da época. Em 2007, os pobres em áreas urbanas eram 127 milhões, 29% da população urbana.

No entanto, o ONU-Habitat alertou no relatório que "é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre".

Assim, a pobreza rural no Brasil alcança 50,1% da população; na Colômbia, 50,5%; no México, 40,1%; e no Peru, 69,3%. A grande exceção é o Chile, com um índice de pobreza rural de 12,3%, número inferior inclusive ao das zonas urbanas.

sábado, 13 de março de 2010

Professores paulistas em greve

É hora de superar a política falida da diretoria da Apeoesp e derrotar Serra

Reunidos na Praça da República, ontem sexta-feira, 05 de março, mais de 5 mil professores do estado de São Paulo decretaram greve a partir do último dia 8 de março e deliberaram realizar nova assembléia para sexta-feira, 12 de março,no vão do MASP, na Av. Paulista.

A decretação da greve foi unanime. A diretoria composta pelo bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) não teve mais como segurar a mobilização dos professores, diante da revolta generalizada da categoria com as últimas medidas do governo Serra (milhares de demissões de ACT´s com a “provinha”, congelamento dos salários sob o disfarce de exame, .

A greve de agora,representa a retomada das mobilizações da categoria, em 2007 e 2009, ambas traídas pelo diretoria, que acertou com o governo o fim da greve antes de consultar a categoria (2007), desviou a luta para a corrupta Assembléia Legislativa – para fazer campanha de do ex-presidente da Apeoesp, Roberto Felício (PT) e outros deputados ligados ao nado dos quatro. Em todas situações, a diretoria mentiu descaradamente para a categoria, dizendo que estava conseguindo vitórias, enquanto os professores acumulávamos derrotas e mais derrotas.

No ano passado, a greve foi abortada um dia após o anúncio da paralisação, ao invés de fortalecer o movimento e impor uma derrota ao governo Serra derrubando o PLC 19 e PLC20 ,que instituía, entre outras coisas, a famigerada provinha dos ACT’s. A burocracia do bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) tratou de acabar com o movimento e levar a luta dos professores para a ALESP.



Derrotar a burocracia, para derrotar Serra



Outro golpe usado pela diretoria, nos últimos anos foi se aliar às direções ultrapelegas e patronais (pró-Serra) de entidades como o CPP, Afuse, Apase, Udemo, Apampesp etc. Diante da sua fraqueza e dos demais, a burocracia da Apeoesp tratou de se juntar com outros pelegos para bloquear a mobilização da categoria, ajudando – de fato – os governos tucanos a atacar os professores, funcionários e o ensino público.

Diante da experiência das ultimas traições, fica claro que para fazer vitoriosa a mobilização, a categoria não deve depositar se quer uma gota de confiança na diretoria do bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) e assumir o comando da mobilização, lançando mão da criação de comandos de greve de base (sem a burocracia fura-greve), elegendo um comando estadual de base na assembléia estadual para negociar com o ogverno e prestar contas diante da categoria, enfim, fortalecendo a organização independente da categoria em um poderoso movimento estadual de oposição, com reuniões e boletins regulares e tudo mais que for necessário para construir uma direção alternativa para as lutas dos professores.

Nesse momento, fica evidente que não há uma verdadeira ação da direção para impulsionar a greve, o milionário orçamento de mais de R$ 50 milhões da Apeoesp não é usada para uma verdadeira campanha contra o governo Serra e a favor das reivindicações da categoria. Campanha mesmo só a favor dos deputados e dirigentes da burocracia.

Diante dessa situação, a categoria deve repetir 2005, quando – poucos meses antes do tucano Alckmin se afastar para concorrer à presidência da república, mais de 30 mil professores tomaram a av. Paulista impondo uma derrota ao governo - que teve que voltar atrás na demissão de 120 mil ACT’s - e conquistando (mesmo com o corpo mole da diretoria) o maior reajuste salarial de todo o período tucano (15% de reposição e 15% de gratificações).

Contra a política de colaboração da burocracia com o governo tucano, adotar outro caminho: o da organização independente da burocracia e o da mobilização.

Ocupar a Paulista. Parar o “coração” de São Paulo, pelo tempo que seja necessário, até que o governador-candidato tucano atenda nossas reivindicações.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A crise européia - Grécia: quem vai pagar?

Após ter aprovado as medidas que promovem cortes de salários e benefícios contra os trabalhadores no início deste mês, o primeiro-ministro George Papandreu recorreu à Alemanha e outros países da União Européia para cobrar a ajuda financeira prometida pelo bloco


A burguesia européia tem se mostrado desconfiada e ainda vê a crise econômica grega como algo extremamente perigoso para os seus próprios bolsos, mesmo que não tenham dado um centavo até agora para o colapso do país.

A população trabalhadora grega, que já estava insatisfeita com a política do governo, intensificou as greves e manifestações em todo o país, com destaque a capital de Atenas onde até mesmo o ministério das Finanças foi ocupado pelos trabalhadores.

Apesar de toda a crise interna que está se formando na Grécia por causa do plano, o primeiro-ministro grego não adiou sua viagem para mostrar ao bloco que as novas medidas e ainda mais duras seriam capazes de levar o país à meta de reduzir 4% do déficit ainda este ano.



O fim dos “bailouts”?



No encontro do dia 6 em Luxemburgo entre George Papandreu e os outros líderes europeus, os representantes do bloco afirmaram que a Grécia terá o apoio político que precisar, mas não houve nenhuma proposta concreta de ajuda financeira.

O único país que ofereceu ajuda financeira, mas ainda assim com desconfiança e receoso dos resultados do plano aplicado pelo governo grego, foi a França.

Após o encontro onde o primeiro-ministro grego não conseguiu a ajuda que esperava mesmo depois de colocar os trabalhadores gregos contra a parede como o bloco havia pedido, Papandreu resolveu viajar por diversos países para tentar, nas relações diretas com cada governo, levantar fundos extras para estancar a sangria econômica da Grécia.

O primeiro país visitado por George Papandreu foi a França. Após a reunião entre o primeiro-ministro e o presidente francês Nicolas Sarkozy, o segundo afirmou que a Grécia pode contar com o apoio dos principais agentes da União Européia, além disso, Sarkozy declarou que tanto a França como a Alemanha e o Banco Central Europeu (BCE) estão unidos para lutar contra a especulação que tem sofrido a Grécia” (El País, 7/3/2010)

O presidente francês disse também que a Grécia não precisa de uma ajuda especial, mas mesmo assim o presidente anunciou que estão preparando medidas para socorrer a Grécia caso seja necessário, porém não detalhou o plano para não dar vantagem aos especuladores.

Já o primeiro-ministro George Papandreu disse em uma coletiva de imprensa na França que a especulação não se dirige só contra Grécia, mas também contra todos os países do euro.

Depois de passar pela França, o primeiro-ministro viajou para os Estados Unidos onde se reuniu com a secretária de Estado, Hillary Clinton na segunda-feira (dia 8) e iria se encontrar com o presidente norte-americano, Barack Obama na terça-feira. O intuito da viagem é pedir o apoio dos EUA para brecar a especulação no mercado.

Durante o encontro Hillary elogiou o plano contra os trabalhadores gregos e disse que Papandreu tem dirigido bem e agido rápido para conter a crise.

A secretária declarou em uma coletiva de imprensa que os EUA não ajudarão a Grécia financeiramente, pois nem o primeiro-ministro e muito menos o governo grego fizeram tal solicitação. O que, segundo ela, demonstra a capacidade do governo grego de se reerguer sem ajuda internacional.

Apesar da afirmação um tanto quanto exagerada, Clinton não se declarou a respeito do plano de contenção da especulação, o que demonstra não haver interesse na proposta. Na realidade, o que o imperialismo norte-americano deseja é forçar os países da Europa Ocidental a pagar pela crise grega.

O primeiro-ministro grego disse que é necessário conter os especuladores que atualmente aumentaram injustamente seus custos de financiamento para a Grécia.

Além disso, Papandreu afirmou que o país já detém uma crise muito alta e, portanto, fica inviável sustentar as taxas que estão sendo duas vezes maiores do que as oferecidas pela Alemanha, por exemplo.

Em outro discurso realizado na última terça-feira, dia 9, o primeiro-ministro grego pediu regras mais rígidas para CDS (credit default swaps, os títulos emitidos sobre a dívida que originou a crise) e para que o G20 imponha limites e mantenha os especuladores na linha.

Caso o presidente Barack Obama e os outros líderes do G20 não aceitem a iniciativa, a Europa irá agir isoladamente, comentou um jornal alemão.

Enquanto a questão não é resolvida e os especuladores continuam a cobrar os preços que querem, a Grécia segue em uma condição onde um empréstimo para aliviar um pouco os efeitos da crise pode ser algo arriscado demais tanto para a Grécia, que estará se endividando ainda mais para pagar suas dívidas, quanto para os demais países europeus, que também estão com suas economias fragilizadas pela crise e correm o risco de não ter de volta o dinheiro investido.

Além disso, a Grécia pensou em recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas o restante do bloco europeu se voltou contra a idéia, pois acreditam que o país deve resolver a crise sozinho.

Outro problema é que apesar de o primeiro-ministro não ter pedido abertamente uma ajuda financeira à Alemanha, o que todos esperavam é que isso fosse ocorrer no último encontro em Luxemburgo, mas não houve e isso porque muitos membros do governo alemão são contrários à ajuda.

A nova etapa da crise capitalista mundial está expondo o limite dos governos burgueses que tentaram cobrir os primeiros buracos do sistema financeiro e dos governos mais abalados pela crise com uma enorme injeção de dinheiro público.

Não parece mais ser uma opção realizar operações de resgate bilionárias, como as que salvaram os maiores bancos de investimentos e grandes companhias como a General Motors, e inclusive países inteiros no Leste Europeu. Na segunda onda da crise, os governos vão tentar forçar os trabalhadores a pagar pelos lucros exorbitantes que banqueiros e especuladores obtiveram nos últimos anos à custa das suas próprias condições de vida.

O desfecho da crise será dado pela intervenção da própria classe operária que já se levantou no país exigindo que os verdadeiros responsáveis paguem por ela.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dívida pública mundial chega a 85% do PIB

O endividamento da economia mundial afetada profundamente os grandes países imperialistas e arrasta com eles a economia de continentes como o europeu


Não houve um terremoto nos Estados Unidos, Europa ou no Japão como aconteceu no Haiti e mais recentemente no Chile, mas a situação destes países imperialistas, pelo menos no que diz respeito à economia, é tão devastador quanto.

Estes países estão sob os escombros da maior crise capitalista da história e novos “tremores”, a exemplo do houve no Haiti e no Chile, não param de acontecer.

Um dos mais abalados, sem dúvida, são os Estados Unidos. A crise econômica que provocou demissões, fechamento de fábricas, queda na produção, exportação etc. Fez com que a arrecadação de impostos do País caísse de 18,1% do PIB em 2008 para 14,8% em 2009.

Outro efeito causado pela crise foi o aumento dos gastos do governo que saiu em socorro de bancos, empresas e todo o tipo de instituição financeira que estivesse em dificuldades financeiras ou mesmo sob ameaça de a qualquer momento deixar de existir. Os gastos passaram de 20,7% em 2008 para 24,7% no ano passado.

Com menor arrecadação e maior volume de gastos os Estados Unidos tiveram um déficit fiscal de 10% do PIB. A dívida pública foi para 84,8% em 2009, endividamento maior de 2,9% em relação a 2008.

Crise generalizada

A política de financiamento dos capitalistas adotada pelos Estados Unidos foi a regra geral nos outros países imperialistas e conseqüentemente os efeitos da recessão também atingiu estas economias.

Uma das mais atingidas é a Europa. A arrecadação de impostos despencou de 30,9 para 29,2% do PIB. Em toda a Europa a queda foi de 8%. Uma das situações mais graves da Europa é a zona do euro. Os 16 países que tem como moeda única o euro. Países do porte da Itália e Espanha estão profundamente endividados. O mais afetado até o momento é a Grécia que tem um déficit público de 12,7% do PIB, mas o endividamento é geral. A Alemanha e a Grã-Bretanha também estão em condições semelhantes com baixíssima produção, dívida pública nas alturas e desemprego recorde com milhões de trabalhadores sem emprego. A União Européia tem uma dívida pública de 78,2% do PIB.

No Japão, o endividamento do País fez com que a dívida pública chegasse a 218,6% do PIB em 2009. É uma crise sem precedentes na segunda maior economia mundial.

A queda na arrecadação também afetou a economia brasileira. O déficit fiscal do Brasil aumentou entre 2008 e 2009, passou de 1,9% do PIB para 3,3% do PIB, respectivamente. A dívida pública brasileira foi de 68,5% do PIB no ano passado.

Em conjunto os países também estão seriamente afetados. O G-20, grupo dos vinte países mais ricos do mundo, teve um déficit fiscal de 7,9% em 2009, depois de ter registrado 1% de déficit um ano antes. A dívida geral de todos os países somada passou de 62% do PIB em 2008 para 85% do PIB no ano passado.

Efeito cascata

Com dívidas deste tamanho os países vão perder ainda mais, pois os investidores que compram ações dos títulos das dívidas destes países tendem a vender estes títulos e partir para outro investimento mais rentável, pois existe uma grande desconfiança de que a dívida não será quitada. É uma “bola de neve” que está crescendo e pode colocar em risco um continente inteiro como o europeu. Os países menores como Grécia e Portugal dependem dos grandes, com Alemanha e França para se recuperarem, mas como estes países estão profundamente afetados pela crise não terão dinheiro para “salvar” da falência total estes países menores.

A resposta da burguesia já foi dada, o corte de gastos públicos, salários, aumento da aposentadoria etc., ou seja, o ônus vai recair novamente sobre os trabalhadores. A resposta dos trabalhadores também já foi dada, greves, mobilizações e protestos cada vez mais regulares e maiores para garantir suas reivindicações.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Queda do comercio mundial, recorde de desemprego no mundo e greves, mostram o aprofundamento da crise

200 milhões de desempregados


A situação geral por que passa a economia mundial, principalmente a economia da Europa, revela a grande realidade, a crise econômica não acabou, e está entrando em um novo estágio. Agora depois do assalto feito a todos os trabalhadores, com o uso de dinheiro publico e as demissões em massa, os trabalhadores perderam a boa, e greves se espalham por toda a Europa, por sinal uma das maiores acontece justamente hoje na Grécia, com mais de 2 milhões de trabalhadores paralisados.

Outro resultado que mostra o nível da crise é o resultado divulgado hoje pela Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o comércio mundial chegou em seu nível mais critico desde a segunda guerra mundial, com uma queda de 12%. Já o número de desempregado no mundo segundo Organização Internacional para o Trabalho (OIT) ultrapassa a escala de 200 milhões.

Esses dados mostram que o movimento operário entrará em um novo momento, terão que enfrentar a burguesia para poderem ter seus direitos preservados, e pela magnitude que a própria burguesia da ao fato, os trabalhador caminhará para um momento revolucionário.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Repressão e Resseção: Governos contra o povo e nova etapa da crise capitalista na Europa

Na última semana, mesmo durante o carnaval, os governos burgueses intensificaram a repressão contra os trabalhadores e a população pobre com dezenas de prisões. Na Europa, a crise de endividamento da economia grega e de outros países da zona do euro mostra um agravamento de grandes proporções da crise econômica mundial


A repressão contra a população e os trabalhadores continua. Nem mesmo durante o carnaval os governos burgueses deram um alívio para a população. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se concentram o maior número de pessoas que comemoram o carnaval, houve uma ofensiva dos governos de Gilberto Kassab (DEM) e José Serra (PSDB) em São Paulo e Sérgio Cabral e Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro.

A perseguição cotidiana feita nestas grandes metrópoles nos bairros das periferias e morros cariocas foi intensificada durante o período de festas de carnaval.

O governo Cabral aumentou a operação “Choque de Ordem” e prendeu dezenas de pessoas na última semana. O nível de repressão é tão ridículo que mais de uma centena de pessoas foram presas simplesmente porque urinaram na rua. O número é absurdo, antes mesmo da segunda-feira dia 15, quase 150 pessoas já haviam sido detidas por urinar na rua.

Não bastasse sofrer uma repressão de grandes proporções todos os dias, com invasões constantes da polícia, força militar etc. nos morros cariocas, a população ainda foi completamente perseguida durante o feriado de carnaval.

Em São Paulo, foi o prefeito Gilberto Kassab que se prontificou em aumentar a repressão contra a população. A ordem era prender quem fosse pego jogando lixo na rua. Em dois dias, cinco pessoas foram presas na zona norte da cidade. A Polícia Militar atuou conjuntamente com as subprefeituras.

Já no estado de São Paulo foi o governador José Serra que preparou uma verdadeira operação militar para reprimir o povo. Foram utilizados 82 mil policiais e quase 30 mil veículos na Operação Carnaval 2010. Em pouco mais de um dia de operação foram feitas 3.600 ocorrências pela polícia. Destas quase 300 pessoas foram presas, sendo que 159 eram adolescentes.

A polícia ainda revistou 29.373 veículos, 14.397 motos e 76.253 pessoas em todo o estado.

Repressão organizada

Existe uma ofensiva milimetricamente organizada pelos governos municipais, estaduais e federais para promover uma repressão em todos os âmbitos contra os trabalhadores e a população pobre. Muitos desses casos foram amplamente denunciados por meio deste jornal e refletem uma orientação clara para impedir qualquer ação organizada ou não da população.

As medidas são inúmeras, vão desde punir por urinar e jogar lixo na rua, o toque de recolher no interior de São Paulo, a lei antifumo em lugares fechados que se iniciou em São Paulo e agora está sendo implantada em outras cidades e capitais, a lei seca etc.

Em São Paulo há toda uma ofensiva constante contra a população. Em dezembro, uma manifestação organizada pelos trabalhadores ambulantes da rua 25 de março, no centro de São Paulo, foi reprimida pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana.

Houve ainda a prisão de sete integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra que foram presos por ocupar a fazenda grilada pela empresa Cutrale.

A repressão a estes atos cotidianos da população, até mesmo banais, tem o objetivo de criar um clima de repressão generalizada para inibir quaisquer manifestações, protestos contra estes mesmos governos. Protestos que tendem a se generalizar, pois com a crise econômica estes governos vão atacar ainda mais as condições de vida do povo.

Nos últimos meses foram inúmeros os protestos realizados pela população contra estes governos, devido às péssimas condições de vida que estes estão impondo para os trabalhadores e a população em geral. E todos estes protestos foram atacados violentamente pela polícia.

Os casos de repressão são inúmeros. A população dos bairros da Zona Leste, que protestou contra o descaso da prefeitura que provocou alagamentos em diversos bairros desta região, também foi reprimida. Em um protesto realizado em frente à prefeitura, os manifestantes foram duramente reprimidos com cassetetes, balas de borracha e gás de pimenta.

Há também o caso dos estudantes que foram reprimidos e presos pela polícia de Serra quando protestavam na posse do reitor-interventor da USP João Grandino Rodas no último dia 25 de janeiro.

No Rio de Janeiro, a polícia também impediu o protesto da população da favela do Pavão-Pavãozinho. Foram realizados dois protestos contra as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) instaladas nos morros cariocas.

Em um balanço divulgado por um órgão oficial do governo do Rio de Janeiro é possível constatar como a repressão contra a população pobre aumentou.

Segundo o relatório, o número de prisões em geral teve alta de 22% e o cumprimento destas prisões também teve alta de 10% em 2009.

Um dos dados mais assustadores é o número de mortes. Foram 5.794 assassinatos cometidos pela PM no período de janeiro a junho de 2009. Um crescimento de 12% no número de mortes em comparação com 2008 e uma média assustadora de quase 500 mortes por mês ou mais de 15 por dia.

Decomposição do regime burguês

As medidas repressivas são uma clara reação da burguesia à decomposição política de seus governos e de sua política que estão cada vez mais impopulares. É uma tentativa de conter as manifestações e protestos. Cria-se um clima repressivo, praticamente uma ditadura, para impor para os trabalhadores, a juventude e a população pobre em geral, medidas de exceção que podem parecer banais, como a lei antifumo ou a lei seca, mas que tem como objetivo final impedir o protesto organizado contra estes governos.

Desta forma também conseguem manter o esquema de corrupção e desvio de verbas públicas para os capitalistas e grandes grupos econômicos, como a máfia dos transportes e máfia do lixo. Quanto maior o massacre da população, maior é a transferência de dinheiro para os capitalistas.

A população deve rejeitar qualquer medida ditatorial contra suas condições básicas de vida. É necessário que a população organize manifestações e protestos para exigir o fim da repressão e o atendimento imediato de suas necessidades básicas



A crise na Grécia e em toda a Europa



Depois de esbanjar trilhões de dólares para socorrer bancos, empresas, instituições financeiras falidas e apresentar como resultado o “fim da crise” e a recuperação econômica, os governos burgueses estão agora amargando um endividamento gigantesco de suas economias em uma proporção que vai agravar ainda mais a situação da crise econômica mundial.

A situação mais crítica encontra-se na Europa, especificamente, n a Grécia que apresentou sua dívida pública muito acima do exigido pela zona do euro em 2009. A dívida da economia grega atingiu 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) e está provocando um desespero generalizado tanto no mercado financeiro quanto em toda a Europa, pois este resultado pode levar à falência o bloco de 16 países que compõem a zona do euro.

O problema em si não é o fato da dívida pública grega estar acima dos 3% exigidos pela zona do euro, mas o fato de que a Grécia não tem condições para cobrir esta dívida que tende a aumentar em 2009.

Crise em toda a Europa

O pior ainda estar por vir, pois a Grécia não é o único País que se encontra nesta situação, pelo menos outros quatro países da zona do euro estão em situação semelhante. Estes países receberam a denominação de PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). O caso é muito semelhante à Grécia. Em todos estes países a dívida pública já ultrapassou os 3% do PIB. O endividamento deve-se basicamente aos inúmeros pacotes econômicos e às economias internas destes países que estão progressivamente se deteriorando.

Em todos estes países, o mercado consumidor interno está estagnado, com altas taxas de desemprego. Na Espanha, por exemplo, a taxa de desemprego está em quase 20% e, em Portugal, já são mais de 10% de desempregados. As exportações também são outro fator de crise, estão em queda constante há vários meses

Outro importante país da zona do euro que também está caminhando para o aprofundamento da recessão é a Alemanha. O país, que é o maior exportador da Europa, apresentou uma queda grande no PIB em 2009. A baixa foi de -5% no ano passado. Este resultado é uma demonstração de que não basta dizer que a crise não existe e apresentar resultados parciais positivos, como os PIB do segundo e terceiro trimestre de 0,4% e 0,7% respectivamente, para dizer que o fim da crise está próximo.

O próprio governo Alemão foi obrigado a admitir que "o consumo interno e o nível de investimentos caíram e frearam o crescimento econômico” (BBC Brasil, 12/12/2010).

Na Alemanha, as exportações, principal carro-chefe da economia alemã, também despencaram bruscamente em 2009 fazendo com que o País perdesse o posto de principal exportador mundial para a economia chinesa. A Alemanha teve perdas de 18,7% nas exportações em 2009 e 17,2% nas importações, ou seja, vendeu e comprou menos. Efeito direto de um menor ritmo da produção industrial.

Para deixar a situação ainda mais agravada, além da Alemanha, outro país imperialista também está profundamente endividado. O Reino Unido está com um déficit fiscal próximo ao déficit grego. Segundo o jornal The Times a economia britânica está com uma dívida pública de 12,8% do PIB. Esta crise na economia britânica agrava enormemente a crise em toda Europa. O Reino Unido não faz parte da zona do euro e, portanto, coloca em risco também as economias européias e outras que não fazem parte do bloco que utilizam o euro, mas estão vinculadas ao sistema financeiro do imperialismo britânico.

Apertando o cerco

O endividamento dos países é resultado direto do financiamento dos bancos centrais e cofres públicos da crise para os capitalistas, banqueiros, empresários etc. A crise foi contida em certa medida pelos pacotes econômicos que esvaziaram os cofres e fizeram com que os países apertassem o cerco contra os trabalhadores com demissões, corte de benefícios trabalhistas, corte de verbas públicas etc., por um lado, e, por outro, com subsídios para empresas e outras vantagens para os empregadores.

Com este endividamento acentuado, os governos burgueses vão apertar ainda mais o cerco aos trabalhadores. A União Européia já está preparando uma série de medidas de contenção de gastos para serem aplicadas nos países com a crise mais agravada, como a Grécia.

Neste caso, o plano é reduzir a déficit público dos atuais 12,7% para 2,8% até o final de 2012. Para atingir este objetivo a União Européia está se reunindo para estabelecer as medidas, mas algumas já foram indicadas como: reformas no sistema de pensões, administração pública, reformas no sistema de saúde, empresas, emprego, mercado, redução de salários, medidas de intervenção política, setor financeiro e bancário.

Através dessa pequena amostra é possível concluir que a redução do déficit público às custas de um ataque ainda maior às condições de vida dos trabalhadores.

A União Européia quer que tudo seja implementado em um regime de metas com datas e prazos.

A “ajuda” da União Européia à economia grega, provavelmente, deverá se estender para os outros países em crise. Como já foi gasto muito dinheiro até agora com pacotes econômicos, não haverá dinheiro para salvar os países, por isso o aperto no bolso dos trabalhadores.

O financiamento estatal que existia para segurar a economia privada dos países para que estes não fossem à falência está acabando.

A tendência geral é que a crise se intensifique nos demais países europeus, levando a um colapso econômico generalizado em toda a Europa.

Respostas dos trabalhadores

Estas medidas de contenção do endividamento da Grécia que será implantada pela União Européia e pelo primeiro ministro grego, George Papandreu, vão receber um forte oposição por parte dos trabalhadores gregos que já estão cansados das reformas feitas pelo governo.

Os trabalhadores gregos já estão se organizando para impedir mais este ataque contra seus salários. Na última semana os trabalhadores do setor público já iniciaram uma greve. Outra greve de trabalhadores do setor privado já está sendo preparada.

Com estas medidas a burguesia européia pode desencadear um movimento amplo não somente na Grécia, mas em toda a Europa.Os trabalhadores devem exigir da burguesia que a crise não recaia sobre a classe operária, mas sobre os verdadeiros culpados, os capitalistas, banqueiros e parasitas financeiros.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Voltaremos em breve!


Em motivo de minha viagem para a Bolívia, Peru e ao Chile, este blog estará inativo até 1º de Fevereiro!

Boas férias a todos os trabalhadores ao redor do mundo! Uní-vos!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Trabalhadores perdem 13 bilhões em salários em um ano

A farsa do fim da crise econômica cai por terra com a divulgação de uma pesquisa que mostra que nos últimos 12 meses os salários pagos para os trabalhadores diminuíram em R$ 13 bilhões


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), divulgou levantamento em que revela o verdadeiro estrago feito pela crise econômica mundial na vida dos trabalhadores brasileiros. Segundo a FIESP, os trabalhadores da indústria tiveram perda de cerca de R$ 13 bilhões nos salários nos últimos doze meses.

A pesquisa constatou que no período de outubro de 2008 a setembro de 2009 as indústrias diminuíram o valor gasto com salários. A massa salarial caiu neste período 5,3%, prova mais que concreta de que a crise afetou em cheio o País.

Mesmo com toda a propaganda do governo de novas contratações o fato é que muitos postos de trabalho foram fechados e o salário dos novos contratados é menor que o dos trabalhadores demitidos.

O valor gasto pelas indústrias nestes 12 meses caiu de R$ 190 bilhões para R$ 177 billhões, ou seja, R$ 13 bilhões que as indústrias deixaram de gastar e que refletem diretamente no próprio desenvolvimento da economia brasileira.

Estes R$ 13 bilhões que deixaram de circular no mercado é maior que o valor que vai ser pago em décimo terceiro agora no final do ano. O valor em 13º a ser pago vai ser de R$ 12,1 bilhões.

Arrocho salarial

Outro fator que reduziu o valor do pagamento de salários foram os diversos acordos entre patrões e sindicatos, como medida do governo de evitar greves e de fato um enfrentamento, para que o prejuízo da crise ficasse com os patrões e não com os trabalhadores. Destes acordos contra o interesse da classe operária houve a redução da jornada de trabalho com redução salarial, redução de benefícios, menor produção, férias coletivas não remuneradas etc.

No mesmo período a produção industrial caiu 8% e o emprego caiu 4,1%. Estes resultados que refletem sem nenhuma dúvida como a recessão afetou a economia brasileira e por trás da aparente recuperação e retomada do emprego como o governo e a imprensa burguesa tem anunciado por todos os lados, a recessão produziu cortes de empregos, redução salarial, perdas de direitos trabalhistas, não pagamento de horas extras etc.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Arruda, DEM, Roriz, Câmara Distrital - Fora todos!



Nesta quinta feira o governador do Distrito federal José Roberto Arruda (DEM) pediu desfiliação ao DEM depois que veio à tona esquema de distribuição de verba pública entre deputados distritais, empresários e os seus assessores


Arruda anunciou em discurso sua desfiliação ao DEM nesta quinta-feira (10) depois que perdeu no Tribunal Superior Eleitoral a possibilidade de intervenção no próprio partido para recorrer contra a desfiliação.

Outros envolvidos, porém, não serão punidos pelo próprio DEM como o vice-governador e empresário do grupo de Arruda, maior empreiteiro de Brasília e principal financiador do esquema, Paulo Octávio. "Não tem um diálogo, não tem um vídeo recebendo recursos", afirmou o deputado do DEM do Rio, Rodrigo Maia em referência a Paulo Octávio (Jornal do Brasil, 11/12/2009).

“O líder do partido no Senado, senador Agripino Maia (DEM-RN), foi além e disse que Paulo Octávio tem condições, inclusive, de continuar conduzindo o diretório regional do DEM” (Idem).

Paulo Octávio foi denunciado pelo próprio ex-secretário de Arruda, Durval Barbosa como integrante do “mensalão do DEM”, segundo ao qual cabia uma fatia de 30% na partilha das propinas arrecadadas de empresários que prestam serviços ao governo.

A manobra da burguesia já está estabelecida. Foi dado destaque à desfiliação ao DEM e ao fato de que Arruda não poderá concorrer às próximas eleições para garantir que o governo do DEM chegue ao fim do mandato oficial abrindo o espaço para o governo da oligarquia de Roriz (PSC, ex-PMDB), que estava por trás de todas as acusações contra Arruda. A acordo de bastidores é reafirmar um governo da direita corrupta contra o outro, pois a derrota eleitoral do DEM e do grupo de Arruda já está praticamente consumada. É uma manobra para, na disputa entre as maiores máfias políticas do Distrito Federal, estabelecer que no pior dos casos para o DEM sai Arruda, político profissional do partido, e fica o Paulo Octávio, o homem-chave do “mensalão” do DEM, que será lançado pelo DEM ao governo do DF.

Do PT ao DEM são todos mensalões

Os esquemas de corrupção denunciados nos últimos de todas as alas parlamentares da burguesia, como o “mensalão” dos Correios do PT, o “mensalão” mineiro do PSDB, o “mensalão” do DEM, mostram que a corrupção é apenas o meio pelo qual a facções da burguesia governam. Todas as câmaras distritais, assembléias a Câmara, o Senado funcionam através da propina paga aos administradores dos negócios dos exploradores do povo.

É necessário levantar uma ampla campanha popular pelo “Fora todos eles!” contra os governos da burguesia.

Este amplo chamado deve ser feito também às organizações operárias para que estas não deixem que sua mobilização seja utilizada por qualquer uma das alas da burguesia. É necessário exigir o completo rompimento com a política atrelamento das mobilizações aos interesses de uma ou outra ala da burguesia, que neste caso se trata da oligarquia de Roriz.

Nos protestos realizados em Brasília, como na ocupação da Câmara Distrital e na manifestação de rua no dia 9, a direção que procurava controlar os atos formada por partidos da Frente Popular, do PT, do PCdoB, Psol e PSTU procuravam fazer com que uma campanha eleitoral e que se juntava à reivindicação de ética e contra a corrupção que saio típicas campanhas da direita ou de propaganda de uma das alas burguesas na disputa, prevalecessem.

Apesar das reivindicações atreladas à burguesia da direção dos atos, este saiu completamente do controle destas direções e terminou em um enfrentamento de manifestantes com a polícia, expressando uma revolta popular, que foi duramente reprimida pela polícia.

É preciso repudiar o acordo das máfias políticas que controlam Brasília e todo o País e reivindicar o “Fora Todos eles!”. Pelo atendimento imediato das reivindicações populares. Pelo fim dos governos das máfias capitalistas. Por um governo dos trabalhadores!

Formar comitês de mobilização pelo “Fora Todos!”, independentes dos partidos do “mensalão”.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Bolha financeira pode explodir logo na Ásia


Bilhões em dinheiro público no mercado financeiro asiático estão criando nova bolha financeira na Ásia e deve levar economia mundial a novo furacão econômico

O tão anunciado “fim da crise” econômica pode provocar mais recessão, anunciou o Banco Mundial. Na última quarta-feira, dia 11, o Banco Mundial, anunciou que os trilhões de dólares gastos pelos governos estão criando uma bolha financeira de grandes proporções que podem colocar a economia mundial a pique.

Segundo o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, é na Ásia que este fenômeno se concentra, "na Ásia oriental, a recuperação do crescimento começa de uma forma forte e há muita liquidez, surge o risco de que seja preciso enfrentar bolhas financeiras em alguns mercados" (EFE, 11/11/2009).

Estas bolhas estariam sendo criadas com o aumento da liquidez nos países asiáticos em particular. Nestes países, com destaque para a China, foram implantados pacotes que visavam aumentar projetos de infraestrutura com a injeção de bilhões de dólares, aumentando assim a liquidez dos mercados.

Os países asiáticos despejaram dezenas de bilhões de dólares em seus mercados financeiros para conter o avanço da crise e assim promoveram uma recuperação momentânea nestes mercados, elevando as ações de empresas das bolsas asiáticas. Esta elevação nitidamente foi induzida, criando uma bolha financeira, que agora, segundo o Banco Mundial, pode explodir.

O ex-presidente do Fed, Federal Reserve, banco central norte-americano, Laurence Meyer, lamentou o fato dizendo, "Mesmo quem diz que deveríamos responder diretamente (e murchar as bolhas) não tem nenhuma idéia sobre como fazer isso. É fácil adotar uma posição filosófica, mas é difícil se tornar prático e operacional em relação a isso." (The Wall Street Journal, 11/11/2009).

Esta nova bolha econômica pode elevar ainda mais o grau de devastação econômica, não somente na Ásia, mas em todo o mundo. E colocar por terra qualquer teoria de “fim da crise”, quando na verdade ela não pára de se desenvolver.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Enquanto reprime sem-terra, burguesia quer anistiar latifundiários

O projeto que está para ser votado na câmera pretende isentar os proprietários de áreas desmatadas ilegalmente de pagar multas. O projeto é uma clara defesa dos interesses dos ruralistas e revela o cinismo da burguesia

Enquanto a direita organiza uma das mais violentas repressões e ditadura contra os trabalhadores sem-terra, acusando-os de “vândalos”, “criminosos” e “corruptos”, chegando ao cúmulo de pedir a abertura de uma CPI para averiguar as contas de um movimento social que sobrevive de ocupações de terras, a bancada ruralista está tentando legalizar o desmatamento de floresta, isentando proprietários de áreas desmatadas ilegalmente (até 2006) de pagar multas.

A medida revela todo o cinismo da burguesia que se utiliza do discurso “ecológico” e “ambientalista” para promover o massacre dos sem-terra, enquanto autoriza na prática o desmatamento ilegal, impondo um dos maiores ataques contra a preservação ambiental através da privatização das matas e florestas.

De acordo com o texto, que está para ser votado pela Câmara e se apresenta como um substitutivo ao Projeto de Lei 6424/05, os proprietários ou ocupantes ilegais que promoveram o desmatamento ilegal até 2006 estarão completamente isentos de pagar multas e de replantar a floresta degradada, o que significa dizer que os latifundiários que degradaram mais de 35 milhões hectares, área equivalente a nove vezes o estado do Rio de Janeiro ou 18 vezes a área de Sergipe, serão anistiados de qualquer punição.

Além disso, o novo projeto também “assegura a manutenção e a consolidação das atividades agropecuárias existentes em áreas que foram desmatadas até 31 de julho de 2006 (...) Repassa para os Estados a competência de definir os percentuais de reserva legal e de áreas de proteção permanente (APPs). O objetivo é permitir a exploração econômica das partes das propriedades rurais destinadas à preservação ambiental (...). O projeto conta ainda com uma mudança no inciso I, do art. 16 do Código Florestal, que reduz “a área de reserva legal, na região da Amazônia Legal, de 80% para 50%, voltando, assim, a ter o limite que vigorava antes da expedição da Medida Provisória n° 2.166-67/2001” (Último Segundo, 28/10/2009).

Como se vê o objetivo do projeto, encabeçado pelo DEM e PSDB, ou seja, pelos próprios ruralistas, é autorizar não apenas o desmatamento ilegal como a exploração desenfreada do latifúndio, um primeiro passo para a privatização das florestas.

Essa política criminosa, bem como a perseguição aos sem-terra, está sendo defendido por todos os setores da burguesia, desde a bancada ruralista, até os aliados do governo. A medida é um ataque contra a população e em especial contra os sem-terra, já que o projeto é na verdade um aval para que o latifúndio amplie a exploração e conseqüentemente a repressão contra os trabalhadores rurais.


sábado, 24 de outubro de 2009


II SEMINÁRIO DE ESTUDOS MARXISTAS - SESTMARX


De 11 a 14 de Nov 2009
IBILCE/UNESP
São José do Rio Preto

Informações:

sestmarx@yahoo.com.br

www.sestmarx.blogspot.com


A felicidade só existe quando é dividida.

Mil famílias são despejadas de ocupação e acampam na rua


Na última quarta-feira a tropa de choque de Serra reprimiu e arrancou as famílias que ocupavam um terreno na zona Leste de São Paulo



Nesta semana, a polícia selvagem de Serra desocupou terreno ocupado por famílias de sem-teto. Durante todo o dia a polícia cercou o terreno e ameaçou os ocupantes.

Sem nenhuma alternativa, ficaram na rua. Montaram os barracos nas ruas de suas antigas casas. As famílias fazem parte das organizações populares Moradia Terra de Nossa Gente (MMTNG) e Movimento Sem-Teto pela Reforma Urbana (MSTRU), ligados à Frente de Luta por Moradia (FLM).

De forma truculenta, a polícia sequer deixou que fossem retirados os móveis das famílias do local.

Quase que como um deboche, foi oferecido um depósito para que as famílias deixem seus pertences, com o valor do aluguel de R$ 50 diários. E ainda será necessário pedido judicial para depois reaver o que é deles.

As cerca de mil famílias estavam vivendo na ocupação Alto Alegre, distrito de Vila Prudente, Zona Leste da Capital. A Justiça burguesa estava ameaçando o despejo desde o dia 14 de outubro.

Foi realizada uma reunião com uma comissão da ocupação e o governo garantiu a prorrogação do prazo até que, pelo menos, fosse garantido o atendimento emergencial.

De maneira abrupta o acordo foi rompido e na madrugada do dia 21 as famílias foram agredidas da tropa de choque.

A ocupação ocorreu no dia 13 de abril de 2009 no terreno com 280 mil metros quadrados.

Como uma imensa parcela da população, as famílias se unificam nas péssimas condições de vida. São ex-moradores de rua, de despejos por falta de condições de pagar aluguel, despejos de áreas de manancial ou de ocupações não regularizadas.

Segundo o coordenador da Frente de Lula por Moradia Osmar Borges “Há caso de família inteira que morava dentro de um caminhão velho, abandonado, nas proximidades do acampamento. A cada dia a coordenação recebia novos pedidos de famílias para integrar a ocupação, rodeada por favelas, tamanha é a situação de pobreza que enfrentam na região.”

O terreno é propriedade particular é resultado de grilagem de terra e o proprietário responde processo por crime ambiental por ter desmatado toda a área e ainda possui dívida de mais de R$ 2 milhões com BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

O criminoso governo municipal nas mãos do DEM marcou o cadastro de todas as famílias para o atendimento emergencial de moradia, o que foi adiado e a única coisa que cumpriram foi a violenta retirada dos ocupantes.

É necessário todo o apoio a estas famílias para reocuparem a área e garantirem o direito a moradia.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Abaixo a política de extermínio da população trabalhadora nas favelas

Depois de atacar brutalmente os sem-terra, a direita está fazendo uma ampla investida contra os moradores das favelas. Duas operações nas favelas da zona Norte do Rio deixaram um saldo de pelo menos 16 mortes!

A direita está intensificando a campanha criminosa de repressão da população. Depois de um “misterioso” incêndio, que deixou 300 famílias sem barracos, na favela Diogo Pires, no Jaguaré, zona Oeste de São Paulo, foi a vez dos moradores do Morro dos Macacos e da favela do Jacarezinho, na zona Norte do Rio de Janeiro, sofrerem com a repressão do Estado.

No último domingo, 18, centenas de policiais militares do 6º BPM (Tijuca) deram início a uma assassina operação no Morro dos Macacos que terminou um saldo de pelo menos 12 mortes e centenas de feridos. A operação de guerra foi montada para reprimir e massacrar os trabalhadores com o cínico argumento de que a mesma teria como objetivo caçar os “criminosos” que atiraram contra um helicóptero da PM.

É obvio que não se trata de uma ação vingativa da PM, mas de uma política geral, que está sendo adotada em vários estados, e que tem como objetivo perseguir a população. O argumento de combate ao crime é uma falácia. Primeiro porque as operações não reduzem em nada a criminalidade nas favelas, muito pelo contrário. E segundo porque quem de fato sofre com as ações são os moradores, que se encontram em meio a um fogo cruzado sem ter a menor condição de se defender. Tanto é assim que durante as operações os números de inocentes que morrem são assustadores, revelando que na prática a burguesia aprovou a pena de morte para inocentes, ou seja, o simples fato de uma pessoa morar em na favela já é o suficiente para a direita considerá-lo como um “criminoso”, “marginal”.

O cinismo da burguesia é tamanho que o próprio comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, confirmou que a operação no Morro dos Macacos deixou muito mais inocentes mortos do que foi divulgado pela imprensa capitalista. "Pessoas engajadas no confronto podem ter sido classificadas equivocadamente como criminosas. (...) Essas coisas são esclarecidas com tempo. Num primeiro momento, vamos coletando as informações possíveis. Precisamos agora verificar a identidade de cada. Sabendo da identidade, do local de onde partiram, onde residem e suas atividades normais do dia a dia é que vamos saber verdadeiramente a identidade de cada pessoa”, afirmou o comandante (Jornal do Brasil, 18/10/2009). A declaração do comandante da PM também deixa clara a forma de atuar da polícia: atirar primeiro para depois saber de quem se trata.

Como se vê a polícia não sabe sequer quem são as pessoas em quem atira, ela simplesmente dispara contra toda e qualquer morador da favela, sem que essa mantenha qualquer relação com o tráfico, o que demonstra o cinismo diante do argumento de que as operações servem para combater o crime. A população também precisa ter claro que mesmo que se tratasse de traficantes a polícia não poderia simplesmente chegar atirando, o que na prática significa impor a pena de morte, sem que ao menos a pessoa tenha direito a qualquer julgamento e seja verificada sua verdadeira culpa, como manda a própria constituição. Com esse pretexto, a polícia adquire carta branca para fazer o que bem entender nas favelas e os que mais sofrem com essa política são os trabalhadores.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Brown libera mais US$ 80 bilhões para bancos britânicos

Sob a benção da União Européia, capitalistas autorizam o governo Gordon Brown desembolsar 79 bilhões de dólares para os bancos falidos com a crise

Em reunião realizada na última segunda-feira, dia 12, a Comissão Européia, decidiu que o Reino Unido está autorizado a continuar financiando a crise econômica para ajudar os bancos falidos.

A decisão foi tomada em conjunto, pois em reunião anterior havia sido determinado que os países começassem, aos poucos, a diminuir o repasse de verbas para bancos e instituições financeiras, porque, pelo menos em tese a economia estaria se recuperando.

Os bancos britânicos estão recebendo intensivamente ajuda do Tesouro britânico desde outubro de 2008, ou seja, há um ano, quando a recessão agravou-se em todo o mundo.

A medida aprovada pela União Européia vai permitir que os bancos e instituições financeiras inglesas recebam o dinheiro público dos cofres do governo britânico até 31 de dezembro de 2009. Este prazo seria para que se normalizasse a condição financeira dos bancos, algo pouco provável.

Esta é a segunda vez que a União Européia concede uma prorrogação para o Reino Unido. Em abril deste ano, já havia feito uma prorrogação de seis meses que se mostrou insuficiente para conter o avanço da recessão. Tanto que a farsa do “fim da crise” nem sequer é mencionada.

A nova bolada que sairá dos cofres ingleses vai ser de no mínimo 79 bilhões de dólares, uma espécie de recapitalização dos bancos, injeção de liquidez para evitar futuras falências.

A decisão da União Européia demonstra como a recessão ainda afeta a economia da Europa e em particular o Reino Unido. Nenhum sinal de recuperação e muito menos “fim da crise”.


sábado, 26 de setembro de 2009

Os aliados do imperialismo norte-americano se dividem

Na última semana, o comando militar italiano questionou a liderança espanhola nas regiões controladas pela OTAN no Afeganistão

A disputa entre os dois governos foi evidenciada em um artigo apócrifo publicado no jornal Il Foglio, do grupo de Berlusconi, segundo retrata o diário espanhol El País: “em uma crítica tão furiosa quanto bem documentada – até o ponto de que os meios diplomáticos espanhóis não duvidam que não passe da opinião do Ministério da Defesa italiano ventilada pelo jornal – o artigo assegurava que “o comando italiano [no Afeganistão] teve que combater em diversas batalhas neste verão sem poder contar com os 780 militares espanhóis, que aumentaram para 1.250 em função das eleições, devido às rígidas limitações impostas pelo governo Zapatero, que impedem que os espanhóis participem de atividades ofensivas, inclusive ao lado dos afegãos, e permitem o uso das armas apenas em autodefesa.
“A escassa combatividade dos espanhóis favoreceu a ofensiva talibã”.
O artigo publicado em resposta no El País continuou expondo as acusações feitas pela imprensa italiana.
A Espanha, que detém o Comando Regional Oeste no Afeganistão, e o general nº 2 na OTAN, está em disputa com a Itália pelo posto. Diante do maior número de tropas e aeronaves de combate empregadas pelos italianos na operação, o governo espanhol concedeu, após ter sido pressionado, o comando das operações a generais italianos.
O ataque recente do Talibã, que matou seis soldados italianos, agravou a crise. Soldados espanhóis também foram mortos recentemente levando os aliados do imperialismo norte-americano a reconsiderar sua participação. A sua participação no Afeganistão coloca em jogo a própria estabilidade dos dois países.
A crise aberta em torno à questão de quem deve comandar os contingentes da OTAN reflete a crise do plano do imperialismo norte-americano para controlar o Afeganistão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Desemprego continua crescendo


Com aumento de vagas de emprego em agosto, o governo Lula oculta que este ano foram demitidos mais de um milhão de trabalhadores devido à crise econômica




O governo Lula anunciou na última quinta-feira, dia 17, que houve um recorde na criação de empregos no mês de agosto. Foram 242.126 vagas que estão sendo apresentadas como um avanço inquestionável na economia brasileira, um claro sinal de recuperação da crise.
Lula declarou, "Vocês devem imaginar que estou muito feliz por nós termos batido recorde no mês de agosto. Isso significa que nós podemos continuar crescendo em setembro. Isso é muito bom e tudo indica que a gente pode ultrapassar 1 milhão de empregos criados num único ano, justamente em que a gente estava em uma crise profunda. Acho isso extraordinário” (Último Segundo, 17/9/2009).
O cinismo típico de Lula serve para esconder a realidade por trás das estatísticas. Enquanto são anunciados 242 mil vagas criadas em agosto, fica oculto que os postos de emprego foram criados sobre a base de baixa produção e estoques quase escassos. A indústria criou neste mês 66,6 mil postos, mas tem no acumulado de janeiro a agosto um saldo negativo de mais de 60 mil vagas.
Na comparação com os anos de 2007 e 2008, este ano vai deixa de criar 600 mil vagas. Desde o início de 2009 foram perdidos mais de um milhão de empregos. Segundo um analista econômico, ''O problema hoje é que há muita gente desempregada e dificilmente será possível vencer o estoque de desempregados neste ano'' (O Estado de S. Paulo, 17/9/2009). Não somente este ano, mas nos próximos anos. O desemprego é um dos piores efeitos causados pela crise. A maioria dos empregos perdidos não são recuperados, são postos de trabalho extintos.
A tentativa do governo em apresentar estes dados como uma super recuperação a crise não revela os milhões de desempregados e os que mesmo empregados estão recebendo arrocho salarial, aumento no custo de vida etc.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Burguesia amplia repressão contra população

Como parte da campanha de repressão e perseguição contra a população os governos ampliaram a vigilância em torno da lei do silêncio, que em pouco mais de oito meses já multou 64% a mais do que todo o ano de 2008

As medidas repressivas adotadas pelos governo burgueses na tentativa de controlar a população estão se espalhando e se intensificando. Medidas como o toque de recolher, a lei seca, a lei antifumo, cidade limpa etc., estão sendo aprovadas aos montes e tem como intuito manter os trabalhadores afundados em proibições e restrições.
Depois de ter adotado a lei do silêncio, mais conhecida como a lei do Psiu, uma medida extremamente repressiva que procura impedir a população de falar, o governo de São Paulo também resolveu intensificar a vigilância em torno da medida. Segundo os dados da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras em pouco mais de sete meses, entre janeiro e julho deste ano, as multas para as pessoas que infligiram a lei, ou seja, para as pessoas que falaram, bateu o recorde com o aumento de 64% com relação a todo o ano de 2008.
O Programa Municipal de Silêncio Urbano (Psiu) foi implementado em 2005 para proibir todo e qualquer ruído após a meia-noite, uma medida inclusive inconstitucional, já que as pessoas não podem ser proibidas de falar seja em que horário ou lugar for. Os principais alvos da lei são os bares e restaurantes que permanecem abertos após a meia-noite. Esses estabelecimentos acumularam mais de 417 multas apenas nos primeiros meses do ano. Na pratica a medida tenta impedir o funcionamento desses estabelecimentos após o horário estipulado pela lei, já que é impossível manter bares e restaurantes abertos sem que as pessoas possam fazer barulho, ou seja, sem que os fregueses possam conversar, tão pouco ouvir música.
Assim como o toque de recolher, a lei do silêncio, da mordaça, esta é uma tentativa de impedir as pessoas de sair de suas casas, uma primeiro passo para determinar a prisão domiciliar da população. “O Psiu fiscaliza o ruído extra de outros estabelecimentos que funcionam a qualquer hora do dia. Nessa categoria, foram 154 multados por barulho excessivo. A média mensal de 2009 está em 22 barulhentos autuados e também indica tendência de aumento. Em 2008, foram 18 penalizados por mês nesta categoria”, informou a Secretaria (Estadão, 14/9/2009).
A medida, apesar de ser extremamente repressiva, é apresentada para a população como sendo algo benéfico inclusive para a saúde, uma vez que teoricamente iria acabar com o barulho. Esses argumentos são típicos dos governos burgueses que sempre utilizam essas artimanhas para persegue a população. A lei do silêncio não tem nada a ver com tentar “cuidar” da saúde da população, mas em impor uma verdadeira ditadura, mantendo a população afundadas em proibições. Ou seja, as pessoas não podem fazer mais nada. Não podem sair de casa, conversar ou participar de cultos religiosos, protestar, dirigir (já que o trânsito também será alvo da lei), freqüentar bares, beber, fumar, dançar etc. As milhares de proibições impostas pela burguesia criam um ambiente onde tudo é proibido. A população não deve aceitar essas medidas repressivas, pelo contrário, está na ordem do dia organizar uma ampla campanha contra todas as leis que estão sendo adotadas no intuito de perseguir os trabalhadores.

sábado, 5 de setembro de 2009

Governo Lula quer entregar o petróleo do pré-sal às “big oil”




No mesmo dia em que a CPI da Petrobrás foi instalada, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), deu uma declaração sobre o novo modelo de exploração do petróleo encontrado na chamada camada pré-sal, que pode transformar o Brasil num dos maiores produtores mundiais. O marco regulatório apresentado pelo ministro estabelece o sistema de partilha da produção no pré-sal e em outras grandes reservas de petróleo. Isto é, o sistema de leilão das reservas não será mais utilizado nestas áreas, e a empresa vencedora da licitação será aquela que oferecer o maior retorno em petróleo ao país.Para administrar essas reservas e fazer a sociedade com as empresas selecionadas, o governo vai criar uma nova estatal de petróleo e um fundo social gerido pelo Ministério da Fazenda. O ministro afirmou, ainda, que a nova estatal utilizará o modelo adotado na Noruega, com poucos funcionários e sem nenhum parque produtivo. A ideia é, portanto, montar apenas um escritório de gerenciamento, e não uma empresa de produção de petróleo. A produção será feita pelas multinacionais do setor – conhecidas como “big oil” – que vencerem a licitação ou pela Petrobras, mesmo sendo ela que durante décadas tenha feito as pesquisas e as prospecções na área, com recursos próprios, para descobrir os campos localizados a 7 mil metros abaixo do nível do mar.O pré-salO petróleo pré-sal está localizado no mar, de Santos até Santa Catarina, sob lâminas de água de 3 mil metros e abaixo de uma espessa camada de sal. Acumulações idênticas ao do pré-sal do litoral do Brasil podem ser encontradas do outro lado do Atlântico, no litoral da África. Os pré-sal – petróleo não-convencional – são as últimas fronteiras petrolíferas descobertas no planeta Terra.Hoje, a produção mundial de petróleo está entre 82 e 85 milhões de barris de petróleo por dia, em campos que já começam a dar sinais de esgotamento. Em 2025, esta produção cairá para 49 milhões de barris. Porém, com um crescimento econômico mundial médio de 2% anuais, seriam necessários 120 milhões de barris em 2025. Com a queda irreversível das atuais reservas, a descoberta do pré-sal aumenta a cobiça das multinacionais e do imperialismo norte-americano, que vê nestas reservas uma fonte de energia barata e que pode manter o atual nível de consumo do petróleo e, portanto, seus lucros. Afinal, o pré-sal do Brasil tem acumulações entre 90 e 150 bilhões de barris, o que pode colocá-lo como o segundo maior produtor mundial, depois da Arábia Saudita.O modelo da NoruegaO modelo anunciado pelo ministro Lobão vai levar-nos ao mesmo destino da Noruega, onde o petróleo do Mar do Norte, utilizado pelos Estados Unidos e Inglaterra, está sendo esgotado rapidamente. No Mar do Norte, as reservas gigantes foram destruídas em apenas 30 anos e agora só restam 17 bilhões de barris de petróleo para serem extraídos.Para convencer os brasileiros das vantagens do novo modelo, o governo e dirigentes sindicais como o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes, têm afirmado que a Noruega tem hoje um dos melhores níveis de vida do mundo, com previdência social para todos e sem desconto nos salários. Mas se esquecem de dizer que a população da Noruega é de apenas 4,7 milhões de habitantes, contra 190 milhões no Brasil. Isto é, a mesma renda obtida do petróleo seria distribuída para uma população 40 vezes maior. Sem contar que os governos brasileiros têm priorizado sempre o pagamento da dívida pública e a manutenção de reservas para propiciar a remessa dos lucros das multinacionais ao exterior, ao invés de investir nas necessidades da população.O governo Lula entrega nossa soberaniaA mudança do sistema de leilões de nossas reservas para partilha pelo governo Lula, bem como a criação de uma nova estatal do petróleo, servem apenas para aprofundar a submissão do país às multinacionais e ao imperialismo. Se nos leilões as empresas que ofereciam mais dinheiro tornavam-se proprietárias do subsolo, agora serão as que oferecerem mais petróleo. Muda apenas a forma de pagamento, mas o Brasil continuará entregando suas riquezas.A nova estatal ficará com os novos megacampos e à Petrobras sobrará apenas a exploração dos atuais campos, com apenas 9,3 bilhões de barris restantes. Esta operação servirá para a desvalorização de uma estatal produtiva e lucrativa, facilitando sua privatização.É por isso que a Frente Nacional dos Petroleiros, na primeira declaração após sua fundação, afirmou que “esta proposta vai contra todas as reivindicações dos movimentos sociais brasileiros que lutam para que todo o petróleo seja nosso, de todo povo brasileiro, e que a Petrobrás seja reestatizada tornando-se totalmente estatal (100%), que todos os leilões sejam anulados e as áreas já hoje entregues às multinacionais petroleiras sejam devolvidas ao Estado”.Apenas a manutenção e intensificação da campanha “Todo petróleo tem que ser nosso” e um posicionamento claro por parte das entidades participantes contra as propostas do governo Lula pode fazer com que os trabalhadores e o povo brasileiro coloquem-se decididamente contra mais esse ataque à nossa soberania nacional.