"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Falência de lojas varejistas na Inglaterra vai demitir mais de 30.000

As duas maiores lojas de departamentos britânicas, a MFI e a Woolworths, esta com mais de 100 anos de existência, abriram falência e vão cortar mais de 30.000 empregos

A recessão na Europa que tem provocado um crescimento quase que ínfimo do PIB (Produto Interno Bruto) da região, próximo a zero, que está provocando uma diminuição bastante grande do consumo em praticamente todos os 27 países que compõem a União Européia (UE).

A crise atingiu agora duas das maiores e mais populares redes varejistas da Grã-Bretanha, a MFI e Woolworths. As redes entraram em colapso terminal na última quinta-feira, dia 27, quando foram colocadas sob gestão judicial, pois não possuem mais condições financeiras de se manterem.
Por serem redes bastante populares, a falência destas lojas expõe a queda vertiginosa do consumo na Inglaterra.
Estas são duas tradicionais redes varejistas da Inglaterra. A MFI é uma similar da loja brasileira Casas Bahia, vende móveis e artigos para casa. Com a queda no crédito, muitos produtos, principalmente os mais caros, deixaram de ser vendidos por falta de financiamento. A rede conta com cerca de 1.500 funcionários que vão perder o emprego devido à falência.
Já a Woolworths vende praticamente qualquer artigo, utensílios de cozinha, brinquedos etc. uma espécie de hipermercado. Tem mais de 100 anos de existência e pode fechar 800 lojas e demitir 30.000 funcionários.
A falência da Woolworths e da MFI é um processo de longa data, pois as redes já estavam apresentando prejuízos. A Woolworths, por exemplo, teve, no primeiro semestre, dívidas de mais de 400 milhões de euros e perdas de 120 milhões de euros no primeiro semestre deste ano.
Estas duas seriam apenas as primeiras de uma série de lojas de consumo popular que devem fechar na Grã-Bretanha. Outras já apresentaram prejuízos este ano e devem seguir pelo mesmo caminho da falência, como a Kingfisher, proprietária de duas redes varejistas francesas, a Brico Dépôt e a Castorama, prejuízo de 20% nos lucros, há também o prejuízo de 29,8 milhões de libras das redes PC World e Currys que vendem produtos eletrônicos.
A situação das redes é tão grave que o governo anunciou medidas para aliviar o caixa das empresas, como por exemplo, o corte no imposto sobre valor agregado, conhecido como TVA, que reduziu de 17,5% para 15%, mas que só entrará em vigor em uma semana.
Depois de arrasar o setor financeiro, a crise se espalha, com velocidade, no setor de consumo popular que é base da economia industrial. Isso vai acarretar mais falências, fechamento de fábricas, desemprego etc.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Operação Satiagraha: o novo “mensalão” - Aprofundamento da crise institucional do Estado burguês

Por trás de um dos maiores casos de corrupção da história do País, envolvendo juízes do STF, a Polícia Federal, deputados, os órgãos de inteligência e uma campanha de desinformação da imprensa está uma disputa entre setores dos capitalistas da telefonia e o agravamento da crise do regime político

O caso Satiagraha ou a "Crise dos Grampos" é uma das maiores crises institucionais do governo Lula, sendo esta a pauta principal dos jornais da burguesia em suas últimas edições tratando a crise política nacional. Esta, no entanto, ocorre em meio a uma campanha de desinformação da imprensa burguesa sobre qual é o fundo da crise, apegando-se a fatos secundários, e que se desenvolve claramente como uma disputa de interesses que permeia a Justiça e outras instituições e órgãos do governo. A imprensa burguesa procura colocar uma cortina de fumaça para impedir que venham à tona claramente quais são as duas alas em concorrência e a profundidade que a disputa tem no interior das instituições do Estado.
A imprensa capitalista, cujo papel fundamental é expressar os interesses de seus financiadores, os grandes empresários e bancos, tem sido, logicamente uma ferramenta desta disputa desenfreada assim como ocorre com todos os escândalos de corrupção.
A briga se dá fundamentalmente entre os setores empresariais da telefonia, do qual faz parte o banqueiro Daniel Dantas, sócio majoritário da então Brasil Telecom, fundida agora por um decreto assinado por Lula no último dia 14 com a empresa de telefonia Oi.
Dantas foi preso em uma operação teatral da Polícia Federal em junho, ao lado de outro banqueiro, Naji Nahas, e tubarão da especulação, e ao ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PP). Os banqueiros foram acusados na operação por evasão de divisas e formação de quadrilha. A partir desta prisão, amplamente noticiada na imprensa que estava no local no momento das prisões, uma cena previamente preparada, veio à tona uma intrincada rede de ligações do empresário com o governo e os mais altos escalões do estado, em particular os ministros do STF, assim como ficou claro uma ala que por meio da Polícia Federal e órgãos que participaram da operação, como a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) realiza uma pressão contra a ala do banqueiro Dantas.


Quem são os capitalistas que estão na briga pelas agências de telefonia

A fusão da Brasil Telecom com a Oi, fundando a BrOi, um negócio de R$ 13 bilhões, coloca em pólos opostos empresas de telefonia internacional e nacional que participaram da imensa privatização do setor no governo FHC e durante o governo Lula. A disputa em curso atualmente partiu da entrega generalizada de um dos mais importantes serviços públicos à população para capitalistas em sua maioria internacionais. As empresas buscam superar a dispersão do mercado e criar grandes monopólios para melhor explorar o setor, o que acarretará enorme prejuízo para toda a população.
A fusão da BrT com a Oi concorre com os interesses de empresas européias. De um lado está a espanhola Telefonica e a Telecom Itália contrárias ao acordo por liderarem o mercado da telefonia. A Telefonica dominou as privatizações na parte mais importante do País, como São Paulo e a Telecom Itália, mais conhecida como TIM que conseguiu do ex-ministro Luiz Gushiken as licenças para atuar no Brasil, mesmo sofrendo inúmeros processos por corrupção na Europa.
A BrOi, portanto, disputa um dos maiores monopólios do País, o monopólio dos capitalistas internacionais sobre a telefonia em um país de cerca de 200 milhões de habitantes, um enorme mercado, em um período de grande crise econômica.
Segundo os últimos números da Agência Nacional de Telefonia (Anatel) sobre a dominação dos grupos no setor, a participação da Oi no mercado de telefonia móvel atingiu 15,24% em junho.
A líder no setor, a Vivo, da espanhola Telefonica e da Portugal Telecom, terminou o mês de junho com 30,36% de participação no mercado de telefonia móvel. Esta acaba de comprar a Telemig Celular. A segunda maior líder é a TIM, da Telecom Itália, que tinha 25,4% do mercado em junho. A terceira é a Claro, da empresa mexicana América Móvil, com 24,87%. A Oi, que tem como sócios inúmeras holdings nacionais e estrangeiras inclusive o próprio BNDES, só chega em quarto lugar com 15,24% em junho e a Brasil Telecom possui 3,77%.
O império de Daniel Dantas foi formado a partir dos governos Collor, Itamar Franco, Lula e FHC com os quais o banqueiro está profundamente envolvido. Por isto este teria tanta influência entre as figuras de cúpula do estado, sendo um dos grupos que dominam o poder político em décadas no país.
Não obstante tenham sido feitos empréstimos gigantescos tanto pelo BNDES como pelo Banco do Brasil para favorecer o negócio. O Banco do Brasil doou à BrOi mais de R$ 4 bilhões, um recorde, e o BNDES, cerca de R$ 2,5 bilhões.
Dantas ficou conhecido inclusive como o segundo homem do "mensalão", acusado de ser o principal financiador das contas de Marcos Valério que distribuía verbas para vários partidos teve origem no PFL, onde era homem próximo de Antônio Carlos Magalhães e chegando a ser conselheiro do partido e do governo federal.
As investigações da CPI dos Correios mostraram que o banco Opportunity, que controla cerca de R$ 20 bilhões, foi uma das principais fontes de recursos do "mensalão" e que Daniel Dantas como gestor da Brasil Telecom, que possuía a Telemig e a Amazônia Telecom, teria injetado R$ 127 milhões nas contas de Marcos Valério, por meio da empresa DNA Propaganda.
Dantas chegou a ser indicado para ministro da Fazenda no governo Fernando Collor no qual se enriqueceu enormemente, investindo em café, soja e exportação.
Este fundou o banco Opportunity que começou a operar em 1996 e enriqueceu de fato controlando fundos de pensão públicos e fundos de pensão de sócios estrangeiros da Telecom Itália e do grupo canadense TIW com os quais concorre. As divergências teriam começado em 1999 com a Telecom Itália que via os negócios de Daniel Dantas como um prejuízo.
Em 1998, durante o governo do PSDB, Dantas foi homem-chave na privatização de empresas do Sistema Telebrás.
Dantas também tinha sócios internacionais e é acusado de pagar propina à Anatel para se favorecer na aquisição de empresas.


A crise institucional no governo dos capitalistas

A crise política da Satiagraha se transforma em uma aberta crise institucional, ou seja, na crise entre as instituições do regime político, tais como a Justiça, os órgãos de inteligência do governo, a Câmara dos deputados e o Senado. A crise entre os poderes e dentro dos podres, crise das ferramentas de poder do Estado, se dá de acordo com as ligações de figuras do alto escalão do governo com a manipulação operada nas negociações para a privatização do setor telefônico.
Esta crise partiu da própria cúpula do governo Lula. Alas do governo ligadas à telefonia se digladiaram, sendo fator importante na eclosão da crise.
Luiz Eduardo Greenhalg, ex-deputado petista participou do lobby de Daniel Dantas pela fusão da Brasil Telecom com a Oi, sendo um dos principais assessores de Daniel Dantas previamente à crise, uma figura importante na influência das negociações do setor de telefonia para favorecer a diretoria de Dantas. Este, como sócio majoritário, recebeu com a venda e a fusão mais de R$ 1 bilhão.
Ainda na cúpula do governo, no campo oposto dos capitalistas telefônicos, estava Luiz Gushiken, ex -ministro das Comunicações do governo Lula da ala que favoreceu a entrada da Telecom Itália no Brasil, empresa de telefonia acusada na Itália de inúmeros esquemas de corrupção. Este incentivou as investigações contra a Kroll, empresa norte-americana contratada por Daniel Dantas para atuar contra outras empresas de telefonia.
Outra figura, no caso da disputa da telefonia que apareceu durante a Operação Satiagraha como defensor de uma das alas foi Gilmar Mendes, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), que deu habeas corpus por duas vezes em favor de Daniel Dantas preso pela Polícia Federal, entrando em conflito aberto com esta instituição.
Gilmar Mendes foi uma figura indicada em 2002 pelo governo FHC e possui profundas ligações com o PSDB, do governo que entregou à Brasil Telecom e outras empresas de telefonia uma imensa fatia do bolo com a privatização.
Durante o período como ministro do STF, assumiu o cargo de vice-presidente no mandato da ministra Ellen Gracie. Antes de assumir como presidente do STF determinou o arquivamento de duas ações de improbidade administrativa contra dois dos ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan e José Serra. Mendes foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo FHC, entre 1996 e 2000, e advogado-geral da União, entre 2000 e 2002.
O STF, que vem sendo cada vez mais exposto na imprensa sofre inclusive com disputas entre a Polícia Federal, a Abin e outras instâncias da Justiça. Mendes sofreu ultimamente protestos de membros da Polícia Federal, do presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT), de diversos juízes, da OAB, entre outras instituições.
O STF tem a função de trava de segurança em favor do regime político diante da crise do Congresso, e de ferramenta que quase restritamente age com fins de evitar crises políticas, deixando impune um número imenso de parlamentares corruptos, legislando em questões polêmicas como no caso do aborto e das células tronco, além de outros que ameacem a ordem do Estado burguês.
A crise, no entanto, expõe o tráfico de influência no mais alto escalão do governo e faz com que o STF perca força e abra caminho para uma crise que pode ter inúmeros desdobramentos.
Ficou claro também a participação direta do governo Lula por meio da Abin, ex-órgão de inteligência da ditadura militar no escândalo e a favor de uma das alas das máfias capitalistas.
O diretor interino da Abin, indicado por Lula para substituir Paulo Lacerda, como tentativa de abafar a crise dos grampos é Wilson Trezza, ex-funcionário de FHC no Ministério da Educação e secretário de Previdência Complementar também naquele governo. Este foi funcionário do banqueiro Daniel Dantas. Entre fevereiro de 2002 e março de 2003, foi diretor de Seguridade da Fundação Brtprev, ligada à empresa Brasil Telecom.
Não por coincidência, a tentativa de ataque de uma das alas da burguesia parece resultar em favor do próprio banqueiro Daniel Dantas que reforça suas ligações com a cúpula do Estado e acaba voltando-se contra uma ala da Polícia Federal. Este foi o caso do comandante da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz, que comandou a prisão de Daniel Dantas.
Este foi retirado do cargo de maior importância da Polícia federal. Foi informado pelo diretor de inteligência da PF que será desligado da divisão, a mais importante da Polícia Federal no setor de inteligência.
Protógenes comandou a operação pelos meios mais espúrios possíveis, claramente financiado por parcela das telefônicas estrangeiras, e utilizando uma verba próxima de R$ 466 mil na mais cara operação da história da Polícia Federal, na qual este utilizou nada menos que 80 arapongas da Abin. Este agora leva um troco do governo e da ala de Dantas.


Satiagraha: "mensalão" 2?

A operação Satiagraha remonta às últimas crises institucionais do governo como o próprio caso do "mensalão". Dantas é uma figura que pode ser considerado um dos maiores financiadores do chamado valerioduto, do empresário mineiro Marcos Valério.
O "mensalão", que envolveu todos os partidos e especialmente o PT e o PSDB parece ser por onde passa ainda a crise institucional do governo. O PSDB ficou conhecido por ter relações com Marcos Valério, que em Minas Gerais financiou o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo em eleições mesmo anteriores à na qual foi conhecido o mensalão do PT.
Para a indicação do cargo de diretoria da Anatel foi aprovado o nome de Emília Maria Silva Ribeiro, do PMDB, esta que aprovou a alteração nas leis de outorga do setor de telefonia, lei esta que foi apenas referendada por Lula. Esta lei favoreceu a que empresas com domínios de certas regiões do País possam se fundir, o que abre um precedente para uma luta ainda mais encarniçada no setor.
O PT, PSDB e o PMDB entraram em um acordo comum para indicar a diretora.
Não por acaso, um dos diretores da Brasil Telecom também era Carlos Jereissati, irmão do senador Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB
A crise política está vinculada, portanto, uma tentativa da burguesia de transformar o PT e o PSDB em partidos de proa do regime por meio de um mar de corrupção e financiamentos ilícitos, crise esta que mostrou ter acabado com a derrocada da tentativa de estabelecer uma melhoria no quadro partidário da burguesia.
Ao contrário, a crise política se desenvolve cada vez mais em uma crise institucional mais profunda.


Uma radiografia da podridão do regime político burguês

O grande mérito da crise está em que oferece uma radiografia do corpo em decomposição do regime político da burguesia, das suas instituições e dos partidos políticos burgueses.
Todas as personagens da política burguesa, de Lula e do STF até o desastrado sherloque Protógenes, aparecem claramente como atores em defesa de um poder detrás do Estado, de uma iminência parda que são os grandes monopólios capitalistas. Revela o balcão de negócios e de corrupão que é o funcionamento deste estado nos diversos níveis e faz cair por terra a farsa, alimentada até mesmo pela esquerda, da "neutralidade" e "insenção" destas instituições.
A discussão desta crise é de fundamental importância no interior da classe operária para educá-la sobre o verdadeiro caráter do regime político burguês e da sua decomposição interna.
É preciso levantar claramente a reivindicação do afastamento de todos os envolvidos dos cargos públicos de ambos os bandos e condenação dos criminosos de terno e gravata que dirigem estas enormes empresas e corrompem os funcionários do governo para colocar o estado a serviço dos seus interesses particulares em detrimento da esmagadora maioria da população.


Divisão da burguesia e crise política do governo

A briga entre setores da Polícia Federal, a Abin e os tribunais federais depois da Operação Satiagraha expôs claramente uma crise institucional como já dissemos, trazendo à tona a podridão do regime apoiado nos piores parasitas, dos bancos e monopólios nacionais e estrangeiros, especuladores que vivem de migrar de mercado em mercado.
A interligação do PT, do PSDB e do PMDB entre todas as operações que se deram neste caso, onde ficou comprovado o tráfico de influência de Daniel Dantas, bem como dos juízes do STF e o Congresso Nacional, sendo este um apadrinhado do governo FHC e financiador do "mensalão", já é uma política de crise dos partidos burgueses no último período.
O plano de uma máquina imensa de corrupção eleitoral usado tanto por petistas como por tucanos não mostra apenas as relações sólidas destes partidos com os maiores parasitas.
Tratou-se de uma tentativa de erguer partidos que tentassem concentrar o poder político com força suficiente para centralizar a burguesia em torno de seus interesses. A tentativa cada vez mais desesperada de os governos manterem sugando as contas públicas o Estado só demonstra a incapacidade da burguesia de controlar a sua crise partidária e o caráter completamente corrupto do regime político burguês.
O maior exemplo disto é que o plano de reformas no funcionamento do regime político bem como os esforços para evitar uma crise parlamentar foram por água abaixo. A crise institucional atual passa por esta crise.
A falência generalizada dos partidos burgueses tradicionais e da política dita neoliberal, fez com que setores da burguesia empreendessem um grande esforço para criar novos mecanismos políticos para controlar a situação.
O caso do "mensalão" foi uma tentativa frustrada de transformação do PT em um partido que mantivesse a estabilidade da burguesia nacional através de um financiamento sem par na história partidária de eleições por meios corruptos. Esta manobra não foi apenas mal sucedida como a abertura da maior era de crises políticas de corrupção do período dito democrático no País e senão da história.
Da mesma forma a tentativa de criar um bipartidarismo nacional mais estável como sonhava a burguesia brasileira afundou, já que o que se viu pelos próprios resultados eleitorais com a falência completa da direita.
A derrota do neoliberalismo do governo tucano, graças às imediatas contra-indicações das privatizações em massa fez com que o governo Lula assumisse como o único governo capaz de levar à frente as reformas necessárias para a burguesia. A completa divisão da burguesia e falência do quadro político tradicional fez necessária no País para a burguesia o apoio a um governo de frente-popular, com fachada de esquerda e acordos com banqueiros e empresários, utilizando-se do controle do movimento operário nos sindicatos para conter a luta operária.
As crises freqüentes entre setores da burguesia como foi o próprio caso do "mensalão" e da Satiagraha, mostram que a unidade do bloco burguês que domina o estado tende a ingressar em um período de crise e divisão, impulsionado pela crise capitalista.


A esquerda da frente popular: ajudando a jogar a cortina de fumaça para defender o regime

Se a política da burguesia busca evitar uma eclosão da crise para manter seu roubo da população, a falsa esquerda que tenta amenizar esta crise não cumpre senão o mesmo papel, com o agravante de que esta tenta aparecer com autoridade de suposta oposição à esquerda do governo.
A esquerda parlamentar da frente popular, que em sua política tem se mostrado uma verdadeira direita, como é o caso do Psol, diante de uma crise desta importância se coloca inteiramente em defesa não só do regime como de uma das alas em luta.
O Psol vem defendendo o delegado Protógenes Queiroz, mandante da operação Satiagraha como indivíduo progressista e paladino da ética, exaltando que este sofreria uma perseguição interna na Polícia Federal, que seria um indivíduo isolado e que aí residiria toda a contradição do regime político: entre a corrupção e a ética.
No caso do Psol, o ocultamento da crise chega a níveis extremos. Este ignora que a operação de Protógenes foi a mais dispendiosa da história das operações da Polícia, com gastos de R$ 466 mil, em média dez vezes mais que as operações do mesmo porte.
Esta política além de típica dos direitistas, que apelam moralmente para o combate à corrupção nos restritos objetos da justiça burguesa como forma de demagogia de direita para envolver a classe média na ausência de qualquer defesa das suas reivindicações reais, políticas e econômicas, e utilizando esta para defender um endurecimento da lei burguesa, também é uma política de completo alinhamento com o regime, apoiando um dos lados das máfias capitalistas, e não apenas isto, defendendo todos os mecanismos policiais e de inteligência que sobreviveram como um resquício da ditadura militar no País, que promovem a maior ditadura de escutas telefônicas da história, o que é uma ditadura militar ampliada.
Confirma-se outra tese do PCO de que a esquerda da frente popular foi desde o início, com o surgimento do novo partido e do Psol, uma tentativa de criar um step para a crise.
Este plano, no entanto, está paralisado graças a sua própria falência já que o Psol se transforma já em uma ferramenta de direita para políticos burgueses de carreira fugidos dos partidos em crise, e não em mecanismo de controle e de inserção dentre a classe operária.
As eleições marcaram um esgotamento do Psol como partido capaz de canalizar as expectativa da militância progressista nas organizações de massa, evidenciando o seu caráter profundamente direitista, inclusive recebendo dinheiro do grande capital. Este fato é outro sinal da desagregação interna da burguesia.


O papel da classe operária

A crise da frente popular, do governo Lula, que ainda possui pela frente um longo caminho até que sature totalmente seu papel de principal mecanismo de controle da classe trabalhadora, o que vem se dando com a retomada gradual das mobilizações operárias, com um aumento do número de greves. Sua saturação só poderá ser fruto da mobilização independente dos trabalhadores que se avizinha com a crise.
No entanto, mesmo com uma razoável calmaria das mobilizações, o que se mantém apesar de sua que se avizinha uma imensa crise e já se ameaçam no país com inúmeras demissões (vide as montadoras), o regime político capitalista nacional. Há importantes sinais de que a divisão interna da burguesia tende a se precipitar, o que acontecerá sob a pressão das massas.
Esta não é uma crise de passagem mas, como mostra a própria crise econômica, é apenas o começo da crise. A luta econômica e política entre os capitalistas e a classe trabalhadora em meio à crise estará totalmente atrelada à luta política e a necessidade colocar abaixo todo o regime político.

sábado, 29 de novembro de 2008

José Saramago diz que Bíblia é um "desastre", cheia de "maus conselhos".

Durante a sabatina (Folha de São Paulo), ao ser questionado se a doença mudou a sua percepção de Deus, o escritor perguntou "por que mudaria?", acrescentando que foram os médicos e a sua mulher que o salvaram. Veja o trecho no vídeo a seguir.


"Por que precisamos de Deus? Nós o vimos? A Bíblia demorou 2000 anos para ser escrita e foi redigida por homens", disse o escritor. Para ele, a Bíblia é um "desastre", cheia de "maus conselhos, como incestos, matanças". Ele ainda voltou a criticar a Igreja, afirmando que ela inventou o pecado para controlar o corpo humano. "O sonho da Igreja é transformar todos em eunucos, quer dizer, os homens, porque as mulheres não podem ser eunucas".

A bíblia prega o anti-prazer humano, prega a infelicidade entre os seres humanos, a eunucidade humana...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Conflito Permanente - Sul da Ásia: um dos eixos mais importantes na crise da dominação do imperialismo mundial

A convulsão social e política se estende do Oriente Médio até o cordão de países do Sul da Ásia. Os governos do Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal, Butão, Bangladesh e Mianmar enfrentam seus dias mais difíceis e evidenciam a crise política mundial do imperialismo

A invasão do Afeganistão e depois do Iraque pelo imperialismo norte-americano em 2002-2003 e, em particular, o seu fracasso, desencadeou um processo revolucionário que vem levantando a população de todos os países da região e se expande pelos países do Sul Asiático com extrema velocidade.

A atual crise em países como o Paquistão, tem conexão direta com a desestabilização dos regimes do Oriente Médio, e a situação de guerra civil desencadeada a partir da intervenção dirigida pelos EUA, sendo em certa medida um subproduto desta ação. No entanto, os regimes políticos de todos os países do Sul Asiático possuem um eixo próprio de crise e revelam que é impossível sustentar o mito de que a democracia se estabeleceu como regime de paz, estabilidade e prosperidade.

Os governos dos países que constituem o Sul Asiático são todos regimes autoritários e alinhados com o imperialismo norte-americano. A situação social na maioria destes países é calamitosa.

A história de crise de cada país se confunde com a do vizinho e estão entrelaçadas por disputas territoriais e pela divisão imposta de fora, na sua maioria, pelo imperialismo britânico que, para conter a crise que levou à desagregação de sua dominação sobre o baixo Oriente, impôs a divisão dos países à medida de sua conveniência. Os países mais profundamente dependentes do imperialismo norte-americano, hoje, são os que enfrentam as maiores crises.

O único país islâmico que possui armas nucleares, controlado desde 1999 pelo Exército e o general reformado, Pervez Musharraf, que acaba de deixar o poder, atua como uma espécie de regulador da pressão na região, a serviço do imperialismo norte-americano.

O Paquistão é um produto do separatismo islâmico existente no interior da Índia desde o início do século XX e impulsionado pelo imperialismo para dividir a população local desde o início do século e concretizado após crise da segunda guerra mundial, em 1947, com o fim da dominação britânica e a revolução que levou à independência do país.

Desde a década de 1970, o país viu uma sucessão de golpes que derrubaram sucessivamente o primeiro-ministro, Zulfiqar Ali Bhutto - pai de Benazir Bhutto - derrubado e executado pela brutal ditadura do general Zia ul-Haq em 1978-79. O governo militar só se encerrou dez anos depois em um misterioso acidente aéreo que tirou a vida do general, do embaixador norte-americano e de oficiais de alta patente do exército paquistanês.

A filha de Zulfiqar Bhutto, Benazir Bhutto, assumiu o governo após eleições gerais em 1988. Foi demitida do cargo de primeira ministra dois anos depois, sendo substituída por Nawaz Sharif, que iniciou um programa de liberalização da economia e incorporou a lei islâmica, a Shariah, ao código civil do país.

Pressões dos militares fizeram com que tanto o presidente Khan quanto o premiê Sharif abandonassem o governo em 1993. Eleições gerais trouxeram Benazir Bhutto de volta ao governo. Bhutto foi demitida novamente três anos depois, sob acusações de corrupção. No ano seguinte, Nawaz Sharif volta ao poder após as eleições, até ser derrubado novamente em 1999.

Após os atentados de 11 de setembro nos EUA, o governo paquistanês recebeu como missão - sob ameaça de ser bombardeado caso recusasse - a tarefa de combater a organização das milícias tribais ligadas à Al Qaeda na fronteira com o Afeganistão, a região denominada Uaziristão. A ofensiva, no entanto, apenas intensificou os conflitos entre militantes islâmicos e a população se revoltou contra o governo.

Na fronteira com a Índia, a região da Caxemira é outro foco de conflito e a disputa permanente pela posse da região com seu país vizinho funciona como um regulador da tensão entre os dois países mais importantes da região. O conflito pela Caxemira é, de longe, a maior, em extensão, e mais militarizada disputa territorial do mundo, com regiões controladas de facto pela Índia, China e Paquistão. A disputa se concentra em torno de terras entregues pelo Paquistão à China, contestadas pela Índia, e por uma área cercada e militarizada pela Índia para a construção de uma represa no rio Indo.

Em crise, a ditadura de Musharraf se viu pressionada a ceder o poder a um governo dito democrático, ou que não tenha ligações tão evidentes com aparato repressivo odiado pela população. Os EUA não podem prescindir de um governo estável para controlar a situação no país mais importante no Sul asiático, e o descontentamento crescente da população faz com que qualquer que seja a configuração do governo, o principal obstáculo para a dominação do imperialismo e a desestabilização do país é a profunda revolta popular, cuja base é a miséria da população que o governo procura ocultar com seus índices de crescimento e que a guerrilha talibã tende a expressar. Apoiada na insurgência da população miserável, contida violentamente pelo governo atual e impulsionada pela oposição mulçumana contra o governo, a guerrilha oferece uma perspectiva à população revoltada.

domingo, 23 de novembro de 2008

Brasil: País registra diminuição de 221,4 mil vagas oferecidas no mercado de trabalho


Dados do Ministério do Trabalho e do Emprego apresentam forte queda na criação de vagas de emprego em outubro em relação ao mês de setembro, de 282,8 mil para 61,4 mil vagas

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, apresentou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que mostram uma queda no número de vagas de emprego com carteira assinada em outubro em relação a setembro.
A queda foi muito significativa e é um efeito da crise econômica internacional, que vem causando demissões nas principais economias do mundo. Só na Europa já são cerca de 10 mil novos desempregados por dia.
No mês de setembro, foram criadas 282,8 mil vagas de emprego enquanto que em outubro foram registradas pelo Caged a criação de apenas 61,4 mil vagas. Uma queda de 79%.
A enorme queda é mais uma evidência, que o governo quer esconder insistentemente, de que a crise na economia real já chegou ao Brasil e que a partir de agora as demissões farão parte da rotina dos milhões de trabalhadores brasileiros. Os novos dados coincidem com a recente notícia de que somente em São Paulo foram 10 mil desempregados no mês de outubro.
Apesar disso, o governo ainda tenta passar um artificial ar otimista. No próprio site do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a notícia é dada da seguinte maneira: “Brasil gerou mais de 2,14 milhões de vagas com carteira assinada até outubro” (Portal do Ministério do Trabalho e Emprego, 20/11/08), uma grotesca manipulação da realidade. A justificativa é que a “diminuição do ritmo” – como o governo prefere chamar a queda – é natural nessa época devido a “motivos sazonais”. A desculpa, no entanto, cai por terra, ao observar que em outubro do ano passado foram criadas 205,2 mil vagas.
Todo o malabarismo do governo não é capaz de esconder a onda de desemprego que o País enfrenta e que vai crescer em 2009 com o maior aprofundamento da crise. O governo e os patrões contam com a ajuda de toda a burocracia sindical que a todo o momento divulga em seus órgãos de imprensa a propaganda enganosa do crescimento brasileiro e da imunidade do Brasil diante da crise.
Toda a campanha visa a confundir os trabalhadores para enfraquecer sua luta contra as demissões em massa que virão. Por desde já toda a classe trabalhadora deve se organizar para enfrentar os ataques dos patrões que tentarão fazer os custos da crise cair sobre suas costas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A catástrofe econômica chinesa

Recessão vai fechar 9.000 fábricas e colocar 2,7 milhões na rua

Cerca de 9.000 fábricas do sul da China podem fechar as portas com os efeitos da recessão mundial e provocar a demissão de 2,7 milhões de chineses

A tão propalada força da economia Chinesa, um dos sustentáculos da economia mundial dos últimos anos, que para os especialistas econômicos da burguesia estava firme e forte em meio à recessão mundial, está tão frágil quanto os Estados Unidos e a Europa. A queda no consumo nos principais países do mundo já está afetando, como era de se esperar, a economia chinesa provocando o fechamento de dezenas de fábricas e a demissão de milhares de trabalhadores.
As economias dos países atrasados – ditos emergentes –, como Brasil, China, Índia, Rússia é extremamente dependente das exportações para os países imperialistas e a deflação e a recessão mundial tendema promover uma devastação nas contas destes países e nas suas grandes empresas exportadoras.
A redução nas exportações para países estratégicos como Estados Unidos e os países europeus vai fechar um quinto das fábricas da região Sul da China. Serão 9.000 fábricas que vão fechar as portas nas regiões de Donguan, Cantão e Shenzhen. Estas regiões possuem hoje cerca de 45.000 fábricas que trabalham com artigos para exportação. A maioria destas empresas que irão fechar são empresas estrangeiras que atuam em território chinês.
Segundo levantamento feito pelas próprias empresas, houve queda de 30% na demanda por produtos.
Uma importante fábrica de brinquedos que fornecia para a Disney e a Mattel fechou a fábrica nas últimas semanas, a Smart Union, provocando a demissão de milhares de trabalhadores. O fechamento desta fábrica indica que a crise está atingindo grandes empresas e não somente as pequenas manufaturas, como queriam apresentar os analistas econômicos. Uma importante empresa de metalurgia chinesa, a Mansfield Manufacturing, que fornece produtos para carros, impressoras, aparelhos eletrônicos das marcas Epson, Toshiba, Fuji-Xerox, Canon entre outras está temendo a recessão, pois já teve várias encomendas vindas da Europa e do Japão canceladas. A empresa emprega pelo menos 8.500 trabalhadores.
As estimativas são de que o fechamento destas fábricas provocaria a demissão de quase três milhões de trabalhadores chineses, por volta de 2,7 milhões de demissões. Mas há indícios de que o número de fechamento de fábricas e de postos de trabalho seja maior que este.
Claramente a economia chinesa está sofrendo drasticamente os efeitos da crise, o PIB (Produto Interno Bruto) para este ano já foi estimado em 9%, bem abaixo dos 11,8% de 2007. A queda nas exportações mundialmente vai está afetando em cheio a economia chinesa, pois está depende basicamente deste mercado para sobreviver. Os efeitos da recessão na China tendem a ser mais assustadores que em outros países, pois este é o maior país do mundo com mais de um trilhão de habitantes e uma classe operária gigantesca. A recessão vai demitir centenas de milhares de trabalhadores provocando um confronto direto da classe trabalhadora chinesa colocando em cheque o regime burguês no País.
A China, em função de uma mão-de-obra extremamente barata, beirando o trabalho escravo foi um dos sustentáculos do último período de baixa inflação e altíssima especulação financeira, abrindo caminho para os investimentos especiais que constituem a base de toda a enorme engrenagem financeira internacional. Esta situação chegou ao fim e deverá trazer uma maior aprofundamento da crise mundial capitalista.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O próximo capítulo da crise: recessão geral

Não tardou até que o desmoronamento do sistema financeiro internacional se refletisse na chamada “economia real”, ou seja, afetasse diretamente a produção e o emprego. O mundo está em recessão. E esta é a mais generalizada recessão de todos os tempos.

O anúncio da situação falimentar da gigante automobilística norte-americana General Motors, acompanhado do fechamento de unidades de outra gigante, a Ford, além de demissões em outras empresas ao redor do mundo como a japonesa Nissan, deram um sinal claro do esgotamento cada vez mais próximo de todo um ramo da economia.
A GM reivindica algo entre 25 e 50 bilhões de dólares para cobrir o buraco em seu caixa e manter-se em níveis “normais” de operação. Os argumentos contrários a um plano de resgate patrocinado pelo governo norte-americano apareceram ao longo da semana na imprensa especializada. O próprio presidente eleito Barack Obama reuniu-se com George W. Bush a fim de encontrar uma solução para a falência e a conseqüente demissão em massa na empresa.
A falência das três grandes companhias norte-americanas, GM, Ford e Chrysler poria de imediato entre dois e três milhões de trabalhadores na rua, e outros um milhão nas indústrias que estão associadas às montadoras, como autopeças e serviços.
O ocorrido na última semana na Espanha, onde 1.680 trabalhadores foram demitidos da Nissan e em uma manifestação à frente à sede comercial da empresa em Barcelona investiram agressivamente contra o edifício, sendo dispersados pela burocracia sindical enquanto a polícia de choque se manteve dentro do prédio durante toda a manifestação, deu uma mostra do tipo de perigo que os Democratas norte-americanos querem evitar: as demissões e a falência das montadoras colocam em pauta a ocupação das fábricas e o controle operário da produção.


A crise em Detroit


As vendas das montadoras norte-americanas vêm caindo sistematicamente. Perderam 30% em relação ao ano passado em 12 meses consecutivos de queda. A GM teve queda de 45% nas suas vendas, a Chrysler perdeu 35% e a Ford 30%.
Esta última entregou na sexta-feira, dia 7, os números do seu mais recente balanço. São mais de três bilhões de dólares perdidos nas operações do terceiro trimestre deste ano. A GM conseguiu ser ainda pior, perdendo 4,2 bilhões no mesmo período.
Os preços das ações de cada uma das duas companhias também despencaram ao longo do último ano. A GM perdeu 82% do seu valor, enquanto a Ford caiu 70% em 2008.
As comparações entre a situação atual e a crise por que passaram as empresas trinta anos atrás surgiram em praticamente todos os jornais econômicos. A Chrysler foi posta de joelhos pela crise do petróleo no final dos anos 70, quando produzia carros com alto consumo de combustível. Recebeu do governo 1,5 bilhão de dólares, cortou empregos e deu prejuízo a investidores.
A perda de valor das empresas é, na realidade, um ajuste inevitável entre o capital fictício que se criou e a realidade.
Os argumentos contrários a um resgate giram em torno à máxima “Detroit não é Wall Street”, cunhada pelo periódico britânico Financial Times, daqueles que defendem que apenas os banqueiros e especuladores deveriam receber dinheiro do governo por ter uma importância para o funcionamento geral do sistema financeiro, ou mais especificamente, porque poderiam derrubar todo o sistema com a sua queda.
As companhias automobilísticas já são pesadamente subsidiadas há muito pelo governo norte-americano. Com tarifas pesadas impostas à importação de veículos estrangeiros – particularmente os japoneses – subsídios bilionários dados diretamente às empresas norte-americanas, isenções fiscais etc. e apesar de todo o esforço a indústria norte-americana está perdendo espaço (de 41% do mercado em 1985 para 25% hoje). No mesmo período, as ações da GM despencaram e as da Honda e da Toyota subiram 600% e 800% respectivamente.
Atrelada diretamente às oscilações do dólar e dos preços do petróleo, a GM viu uma breve recuperação entre 1997 e 2000, quando o dólar estava caro e os combustíveis baratos.
A situação atual, em meio à maior crise financeira e a incerteza que tomou conta dos mercados internacionalmente, lança sobre as montadoras o temor da falência, enquanto o governo tem muito pouco a fazer. Um subsídio bilionário dado diretamente à produção, ou um empréstimo feito a seus ramos financeiros, todas as medidas que possam ter que consumir os recursos do governo têm sobre si um freio imposto pelo temor de estar colocando o dinheiro em um saco sem fundo.


Desemprego em massa


Como dissemos acima, o receio do governo norte-americano não é propriamente lidar com a falência das três grandes companhias de Detroit que, embora possam representar uma perda considerável para a economia norte-americana – são responsáveis por cerca de 4% do PIB – têm à espera de sua falência outras tantas empresas estrangeiras ansiosas por tomar conta do mercado.
Não será a falta de carros com a “tradição” e o “estilo” norte-americanos o maior dos problemas a ser enfrentado em meio à crise, mas a onda de protestos e manifestações contra as demissões causadas pelas falências que o governo tenta evitar.


A economia européia vem a baixo


Com a economia da Zona do Euro tendo oficialmente entrado em recessão na última semana, com o PIB de 15 países tendo encolhido 0,2% no terceiro trimestre, repetindo o trimestre anterior em função do aperto de crédito, a redução do consumo, investimentos e exportações, o temor de falências e demissões se espalha por praticamente todo o mundo capitalista desenvolvido.
Segundo o Valor Econômico, “a Alemanha, que não teve uma bolha imobiliária e cujos consumidores não exageraram nos gastos a crédito, está se transformando numa das maiores vítimas da desaceleração mundial. Sua economia, a quarta maior do mundo, teve uma contração maior que a esperada, de 0,5%, no terceiro trimestre, depois de uma queda de 0,4% no segundo. As encomendas industriais estão em queda livre, e pesquisas com as empresas mostram que o problema mal começou: o país está diante do que pode ser a sua mais longa recessão desde a fundação da República Federal da Alemanha, em 1948”.
A Alemanha é o país central da economia européia em seu conjunto e vai, com certeza, arrastar os demais países da região, como já se vem aunciando.
Uma avaliação OCDE revela que as 30 economias mais industrializadas do mundo terão crescimento negativo no conjunto.
A recente crise financeira, empurrando para o precipício as empresas e empreendimentos da chamada “economia real”, já deixou mais sombrias as perspectivas para o próximo período. Nos EUA, as montadoras prevêm o fechamento de fábricas, como duas unidades da GM e a demissão de cerca de três mil funcionários. A Ford norte-americana terá demitido ao menos 700 funcionários até o final deste ano.
Na Europa, segundo a própria imprensa capitalista, particularmente no Reino Unido, o nível de desemprego da população é o maior em 16 anos. Somente neste ano, 1,8 milhão de pessoas perderam seus empregos. A taxa cresce a um ritmo de 10 mil novos desempregados por dia. Os anúncios de novas demissões sucedem uns aos outros. Empresas como a British Telecom, Continental, Opel e BMW já anunciaram novas demissões, férias coletivas e o fechamento de fábricas no velho continente até o final do ano. Calcula-se que desemprego dos maiores países industrializados atingirá a marca de 250 milhões de desocupados.
Entre agosto e outubro, o desemprego cresceu sobre uma base de 1,5 mil postos de trabalho fechados por dia. Os números são semelhantes na França, com 1,2 mil demitidos por dia. A Espanha teve 192 mil novos desempregados apenas em outubro. Uma estimativa da Organização Internacional do Trabalho concluiu que pelo menos 20 milhões de pessoas serão diretamente atingidas pela crise até o final do ano que vem. A recessão está varrendo 10 mil postos de trabalho por dia na Europa!
Em oposição aos beatos do capitalismo que diziam que a crise não tinha importância ou era passageira, o mundo revela todo o enorme ataque capitalista às condições de vida das massas e isso nos principais países capitalistas do mundo.
As taxas de desemprego atingem 5,8% no Reino Unido, 7,5% na Zona do Euro e uma perspectiva de que atinja a marca dos 9% em 2009.
No Brasil, a onda de choque desencadeada pela crise nos EUA e na Europa atingiu a indústria paulista causando 10 mil demissões em outubro. A FIESP estimou uma retração de 0,41% nas contratações no último mês, o pior resultado desde 2003. As demissões em outubro contrastam com a situação recorrente de aumento da produção às vésperas das vendas de natal e seguem uma tendência que já se manifestava em setembro.
Como era inevitável, também a General Motors do Brasil fechará postos de trabalho em função da crise que já tomou conta da matriz em Detroit. O Programa de Demissões Voluntárias (PDV) foi anunciado na primeira semana de novembro na unidade de São José dos Campos e em São Caetano do Sul (SP). Sem divulgar, no entanto, quantos pretende demitir, a GM de São José, por exemplo, conta com 9,4 mil funcionários e já teve neste ano três períodos de férias coletivas.
Outras indústrias também já sinalizaram com o fechamento de unidades e possivelmente demissões como “solução” para a crise. O setor de celulose e papel, representado no Brasil por empresas como a Aracruz, Votorantim e Klabin, abaladas pela variação do dólar – a Aracruz perdeu R$ 2 bilhões, a Klabin, mais de R$ 250 milhões – já anunciaram a redução de suas operações e o cancelamento de planos de expansão.


Nova etapa da crise?


Tendo passado pela maior onda de falências de bancos e empresas do sistema financeiro dos últimos tempos, a crise do crédito e o início da recessão e seus impactos sobre a economia real, alguns economistas e políticos burgueses avaliam que o mundo está se aproximando de uma nova etapa da crise, a “terceira etapa” como chamaram, aquela na qual a crise econômica se transforma em crise social.
O receio de que a rapidamente crescente onda de demissões, aliada à incapacidade de sustentação da economia por parte dos bancos centrais, se transforme em cataclismo social se justifica por si próprio. Que capitalista vai querer lidar com multidões enfurecidas pelas demissões, a recessão e uma perspectiva de miséria iminente diante da crise?
Diante da nova etapa, em que a produção começa a ser afetada drasticamente pela crise, o que fica expresso através das inúmeras falências, reestruturações e demissões que tomam conta do panorama, a política dos governos capitalistas continua a mesma: investimento estatal para financiar os prejuízos. Os governos de dois dos três estados mais desenvolvidos do Brasil, em total sintonia com o governo federal, anunciaram uma ajuda financeira de R$ 5,5 bilhões às montadoras.
Os cofres públicos estarão à disposição das multinacionais em meio à crise, mas não há qualquer alternativa capitalista para a população trabalhadora e o crescente desemprego.
A crise avançou de um ramo a outro no mercado financeiro, afetou os bancos e a disponibilidade de crédito comprometendo o funcionamento das empresas e negócios da “economia real”, como previmos inúmeras vezes. Estamos diante do seu desenvolvimento lógico: falências, fábricas fechando, demissões e uma situação de profunda recessão tomando conta da economia mundial. Trata-se de um colapso generalizado que vai atingir todos os ramos da economia capitalista em todos os países.
É importante acrescentar que esta nova onda da crise está atingindo uma economia mundial que não cresce de fato há 30 anos, economias debilitadas pela crise prolongada e massas de trabalhadores que perderam muito nestes 30 anos, como se pode ver pelo brutal agravamento da situação social nos EUA e vários outros exemplos.


Um programa revolucionário diante da crise


Os militantes e organizações do movimento operário e o proletariado em geral devem levantar um programa econômico e político como resposta de classe e revolucionária à crise. Não se trata apenas de lutar por medidas de defesa parcial dos salários ou do emprego, dos quais não se deve abrir mão em nenhuma circunstância, mas colocar esta luta como parte de um programa econômico radical, profundo, que impeça a destruição operada pela ditadura dos banqueiros e aponte uma verdadeira saída para os trabalhadores em todas as questões centrais levantadas pela crise neste momento, um programa de reivindicações transitórias cujo sentido é colocar em pauta a luta pelo governo operário em todos os países e não obter reformas sociais.
Diante dos argumentos insistentes dos capitalistas de que “não há outra solução” e que “todos” (na realidade, a classe operária) devem se sacrificar para salvar o “bem comum” (na verdade, a propriedade capitalista), a classe operária deve lutar para impedir que o peso da crise caia sobre seus ombros na forma do desemprego, do arrocho salarial, da miséria e da fome como querem os que ganharam durante tanto tempo com a sua exploração e, ao contrário, para que sejam os próprios capitalistas que paguem pela sua própria crise.
Os capitalistas devem pagar pela crise que eles mesmos criaram. Neste sentido, a classe operária precisa de um programa que, entre outras coisas, promova o confisco do sistema financeiro privado e a criação de um banco estatal único que coloque sob o controle dos trabalhadores o acesso ao crédito. Da mesma forma, apenas a estatização do comércio exterior e a centralização do câmbio pode por um fim à especulação com a moeda estrangeira e garantir que os subsídios hoje dados aos exportadores possam ser revertidos ao atendimento de necessidades populares como saúde, educação, aposentadoria etc.
Os trabalhadores não devem se intimidar diante da pressão por maior produtividade e das demissões provocadas pela crise financeira. Diante da ameaça do desemprego em massa e das “falências” arquitetadas para preservar as propriedades dos empresários e banqueiros, os trabalhadores devem lutar pela redução da jornada de trabalho e a criação de milhares de novos empregos públicos para atender à demanda da população por serviços essenciais.
Contra as demissões em massa, ocupar as fábricas e colocar a produção sob o controle da classe operária.
É preciso levantar, contra o desemprego e a miséria da superexploração em meio à crise, a palavra-de-ordem de escala móvel das horas de trabalho, ou seja, garantir emprego para todos, aliada à redução da jornada para 35 horas semanais em todos os ramos da produção, com o dia de trabalho de, no máximo, sete horas, sem redução dos salários; eliminar os bancos de horas, os contratos temporários e a terceirização. Embora a economia neste momento caminhe claramente para uma deflação, é preciso diante da instabilidade geral levantar a reivindicação de escala móvel de salários.
A crise econômica tem como conseqüências inevitáveis a inflação, a alta dos preços, que deve ser combatida com a exigência de que os patrões paguem as perdas através de uma escala móvel de salários, reajustados automaticamente de acordo com a inflação. O salário mínimo deve ser o suficiente para atender às necessidades básicas de uma família trabalhadora e não deve ser inferior a R$ 2.500,00.
É preciso colocar na ordem do dia, também, como uma questão central, a expropriação do latifúndio a uma reforma agrária real com a distribuição geral da terra e confisco das grandes empresas agrárias.
Em meio às turbulências que tomaram conta da economia mundial nestes últimos anos, o governo Lula arquitetou, como fiel representante dos interesses do capital estrangeiro no País, um plano para a entrega das riquezas naturais como o petróleo e os recursos da Amazônia às empresas estrangeiras. Estes não devem ter outro destino que não seja a garantia do desenvolvimento nacional e o atendimento das necessidades do povo brasileiro. É preciso estatizar todo o petróleo nacional em todas as etapas de sua produção sob o controle dos trabalhadores, cancelando os leilões e os contratos para exploração das reservas nacionais pelos abutres estrangeiros. Assim como a Cia. Vale do Rio Doce, a Petrobrás deve ser reestatizada e reorganizada de acordo com os interesses da classe operária. São ramos fundamentais da economia do país que devem ser voltados a atender as necessidades do seu desenvolvimento.
Estas medidas, aliadas à suspensão de qualquer pagamento das dívidas externa e interna, o fim das privatizações e o cancelamento das já realizadas sem indenização colocarão um fim à sustentação do parasitismo das economias imperialistas sobre o País e abrirão um caminho para o desenvolvimento, até então bloqueado, da economia nacional.
Somente um governo dos trabalhadores da cidade e do campo pode colocar em funcionamento este programa. Somente a mobilização massiva, consciente de amplos setores da classe operária e dos demais explorados pode sustentar este governo em oposição aos governos dos exploradores do povo nas mãos das organizações e partidos oportunistas da esquerda burguesa e pequeno-burguesa.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mega protesto em Roma contra o governo Berlusconi

Centenas de milhares de pessoas protestaram em Roma contra o governo direitista de Silvio Berlusconi.

O Circus Maximus, no centro de Roma, foi ocupado pela manifestação organizada pelo Partido Democrata no último sábado. Walter Veltroni, líder da oposição qualificada pela imprensa burguesa internacional como sendo de “centro-esquerda” ao governo, assumiu a dianteira no ataque ao governo durante a manifestação, em um discurso no qual criticou a política do governo do social ao econômico.
A manifestação não se dirigia exclusivamente contra nenhuma política do governo. A oposição pretende descontar o revés obtido nas últimas eleições na qual foi esmagada pela maioria formada pela coalizão entre o partido de Berlusconi e os dois principais partidos da direita no Parlamento.
O eixo central da intervenção de Veltroni se dirigiu a criticar o caráter direitista do governo, que segundo o líder do Partido Democrata estaria transformando a Itália “mais fascista” sob o governo Berlusconi.
Veltroni criticou a política segregacionista do governo, que pretende expulsar imigrantes e discriminar as crianças estrangeiras nas escolas. “A Itália, senhor presidente do Conselho de Ministros, é um país antifascista", disse.
A política econômica do governo também foi escrutinizada pela liderança da oposição burguesa: “Há uma crise. Certamente chegará aos Estados Unidos, mas ninguém tem álibi nem desculpa. Principalmente a direita", a qual Veltroni condenou por que esta considera "qualquer regra um obstáculo". "O governo de Berlusconi é totalmente inadequado para enfrentar a crise econômica porque se ocupa apenas de dar conforto aos mais poderosos", disse (EFE, 25/10/2008).
A recente avalanche de medidas direitistas, que ressaltaram o caráter fascista e racista do imperialismo em crise, como as medidas contra a entrada de imigrantes no país, parece ter atingido uma barreira com a resistência da população organizada no protesto no último dia 25.
Reunindo pessoas vindas de todo o país, a oposição chegou a anunciar que teria trazido 2,5 milhões de pessoas. Estimativas da polícia local apontam que 200 mil pessoas teriam se reunido.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Camponeses são atacados por pistoleiros no Município de Redenção

Pistoleiros invadem, torturam e incendeiam barracos de trabalhadores da LCP

O ataque ocorreu no dia 16 de outubro, por volta das sete horas da manhã, quando dez homens encapuzados chegaram o Acampamento Sardinha, organizado na Fazenda Vaca Branca, conhecida também por Fazenda Santa Maria, no Município de Redenção Sul do Pará.
Oito deles entraram no acampamento armados, humilhando os trabalhadores com coronhadas e chutes, e ameaçando de morte os líderes do acampamento. Eles estavam encapuzados e fortemente armados, com pistolas, revolveres e espingardas, dispararam vários tiros, e incendiaram os barracos com tudo o que tinham dentro, inclusive mantimentos e expulsaram as 27 famílias ali presentes. Um dos barracos abrigava três crianças, a mais velha de quatro anos de idade, que foram tiradas às pressas de dentro antes que se queimassem.
Apavoradas, as famílias se refugiaram na cidade de Redenção, na casa de familiares e amigos.
O crime foi comunicado à DECA (Delegacia de Conflitos Agrários), que limitou-se a registrá-lo como ameaça, quando está configurado o porte ilegal de arma, disparos de arma de fogo, incêndio e formação de quadrilha ou bando.
Suspeita-se que o crime tenha sido encomendado pela a fazendeira Maria de Fátima Gomes Ferreira Marques, que já obteve na justiça uma decisão liminar de manutenção de posse, desde o dia 17 de setembro do ano passado.
O Acampamento é formado por aproximadamente 70 famílias que há mais de um ano ocupam a área e esperam por regularização das terras por parte do governo.

Mais trabalhadores enfrentando trabalhadores.

domingo, 19 de outubro de 2008

Fim da farsa - Brasil é um dos mais afetados pela crise financeira.

Ao contrário da "ilha da fantasia" criada pelo governo Lula que apresenta o Brasil a parte da crise financeira, uma pesquisa da BBC coloca o País entre os mais afetados pela crise mundial.

O Brasil não está nem um pouco imune aos efeitos da crise financeira mundial. Muito pelo contrário, é um dos mais afetados, segundo uma pesquisa divulgada pela rede de notícias BBC. Nesta pesquisa, são relacionados os principais países que estão sendo afetados pela hecatombe financeira que tomou conta do mundo há mais de um ano. O Brasil aparece ao lado dos imperialistas, Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Japão etc. A conclusão da pesquisa é óbvia, o Brasil está seriamente ligado às principais economias do mundo e possui um mercado financeiro bastante desenvolvido que não tem como ficar isolado da crise financeira que afeta primordialmente os Estados Unidos e a Europa.
Outros fatores devem ser levados em consideração. A economia brasileira se sustenta na venda de commodities, as quais serão profundamente afetadas pela recessão geral, como já se pode ver na queda dos preços do petróleo que os especuladores abandonam celeremente em busca de outras fontes de lucratividade.
A maioria das empresas e bancos brasileiros está envidada em dólar e, por isso, a escalada incontível do dólar elevará estas dívidas ao ponto de impossibilitar seu pagamento. A subida do dólar, que o governo Lula faz esforços frenéticos para conter, é o resultado inevitável da fuga do capital especulativo, mas também da fuga do capital das próprias empresas brasileiras, que buscam refúgio no exterior ou em outros ativos fora do mercado financeiro.
A situação social do Brasil, elogiada pelos governos, é de uma desigualdade social terrível, ou seja, extremamente vulnerável a qualquer abalo econômico, como, por exemplo, a inflação, tornando o país uma bomba relógio. Este dado também é uma herança dos anos anteriores da crise, onde o povo pagou para empresas falidas não falirem.A situação brasileira é, ao contrário do que apregoa o governo, extremante crítica e exige um programa de emergência para enfrentá-la.

Mercado financeiro

Diante do fato de o Brasil estar participando da crise, é fácil constatar como isso acontece. Um dos primeiros fatores a serem destacados deve ser o mercado financeiro do Brasil. A Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, é a maior da América Latina e movimenta cerca de 70% de todos os negócios desta região. Com a crise financeira, as ações da Bovespa tiveram queda livre, algumas sendo desvalorizadas mais de 50%. A saída de dólares ultrapassou os US$ 3,5 bilhões até meados de setembro. Esta saída reflete diretamente no funcionamento da Bovespa, pois os recursos estrangeiros correspondem, em média, a 30% de tudo que a bolsa movimenta. Em setembro, por exemplo, os investidores estrangeiros foram responsáveis por 36,6% de tudo o que foi negociado na bolsa paulista.

Queda vertiginosa das commodities

Outro fator que está levando o Brasil para o furacão da crise econômica é a desvalorização dos preços das commodities ou matérias-primas. Isso porque a Bovespa tem um grande número de empresas que trabalham e especulam em torno de commodities. O índice da Bolsa de São Paulo, o Ibovespa, é formado por 48,37% de empresas de matérias-primas agrícolas e metálicas.
Sendo que as empresas de commodities metálicas compõem 42,89% do índice. É praticamente a metade de todos os negócios da Bovespa. Entre as principais, ou mesmo as mais importantes da bolsa brasileira, estão a Vale do Rio Doce, que trabalha, por exemplo, com o minério de ferro, matéria-prima largamente exportada, e a Petrobrás, com o petróleo. Com a desvalorização generalizada das ações destas empresas a bolsa registrou perdas gigantescas no último período, pois as ações da Vale e da Petrobrás correspondem a 33,29% de toda a movimentação do índice Ibovespa. Para se ter uma idéia dos efeitos da crise sobre estas ações, basta saber que nos nove primeiros meses deste ano, os títulos da Vale desvalorizaram 33,74% e os da Petrobrás, 34,45%. O baixo valor das commodites também está afetando a balança comercial do Brasil e que são uma das principais fontes de arrecadação de fundos feita pelo País. Desde o começo do ano, as exportações brasileiras estão em queda, mas apresentam resultados superiores às importações, pois o valor das matérias-primas teve cotação alta durante boa parte do ano. Agora, com a queda brusca dos preços e o agravamento da crise que está diminuindo a produção industrial dos países, como os Estados Unidos e a China, o Brasil exportará menos ainda, com o agravante de que o preço está bem menor.

Empréstimo de dólares

Apesar de não haver crise, como diz o governo Lula, várias medidas já foram tomadas para contê-la. Uma delas é a venda de dólares para o mercado financeiro a fim de impedir a supervalorização da moeda norte-americana que teve um aumento bastante expressivo nas últimas semanas, chegando a valer R$ 2,40. Lula já emprestou, em dólar, mais de US$ 3 bilhões para que o valor da moeda norte-americana baixasse frente ao real, pois assim não afetaria as importações e a alta da inflação. Estes efeitos sentidos estão afetando em cheio a economia brasileira, principalmente no mercado financeiro, mas os problemas também serão direcionados para a indústria, o comércio etc. afetando o desemprego, os aumentos salariais, a inflação, ou seja, o País inteiro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Belinati (PP) e Hauly (PSDB) disputarão o segundo turno para a prefeitura em Londrina. A tendência das pessoas com quem tenho conversado, e cujas opiniões levo em consideração, é de votar em Hauly sob a alegação de que Belinati não pode ganhar (ou seja, porque ele não merece, porque seria um grande retrocesso político, porque ele é um político desonesto, porque ele é populista, por isso, por aquilo ...).
E Hauly merece ganhar a eleição?
Eu não vejo boas razões naqueles que criticam o voto nulo no segundo turno destas eleições municipais em Londrina.
Votar nulo, a meu ver, deve sempre ser uma escolha feita a partir de ponderações circunstanciais. Não julgo razoável a idéia de voto nulo por princípio. Mas também não acho nem um pouco razoável o repúdio por princípio do voto nulo. Quer dizer, tampouco me parece atraente a tese de que sempre se deve escolher o mal menor, pois do contrário estaríamos sendo coniventes com a eleição do mal maior. De fato, toda eleição permite uma possível escala de indesejabilidade dos candidatos. É possível fazer uma lista de defeitos, vamos supor de 15 defeitos, e perceber que o candidato A tem 14 defeitos, o B 12, o C 9. E, assim, deveríamos votar no candidato C.
O problema, evidentemente, está em saber como deve ser composta esta lista. Quais seriam os 15 defeitos listados? Também precisaríamos de gradações dos defeitos em casos de empate (mas isso poderia ser resolvido). Se a tese for de que sempre devo escolher o mal menor numa eleição, o voto nulo, necessariamente, não teria nenhuma procedência. Ora, eu penso que o voto nulo é procedente, pois ele pode significar a atitude de desprezo das supostas diferenças em benefício da tese de que elas não são realmente diferenças geradoras de um relevante desequilíbrio entre os candidatos. É justamente isso que penso de Hauly e Belinati. Há desequilíbrio entre os dois? Certamente. Hauly é um mal menor que Belinati. Já no primeiro turno acreditava que Hauly era um mal menor que todos os demais candidatos. Mas o que há de relevante nesse desequilíbrio? A meu ver, pouca coisa. Trata-se de dois candidatos que, comparados, não apresentam diferenças substantivas.
Se Belinati ganhar não sofreremos imensas dores, do mesmo modo que se Hauly ganhar, não gozaremos de intensos prazeres. Em outras (e menos hedonistas) palavras, os malefícios com Belinati não serão tão consideráveis e os benefícios com Hauly não serão tão expressivos. E notem que eu não me preocupo com coisas inexistentes como, por exemplo, "o bem de Londrina". Interessa-me os malefícios e benefícios à liberdade dos indivíduos. Hauly possui um grande defeito: ele flerta irresponsavelmente com teses hostis à idéia de um autêntico estado laico. Ele é um papa-hóstias e seu conservadorismo religioso é erva daninha na política.
Se, para a infelicidade geral da nação, Belinati e Hauly fossem candidatos à presidência da república, provavelmente votaria em Hauly. A razão é que nesse caso os danos de uma provável eleição de Belinati seriam muito mais sensíveis do que ele sendo eleito prefeito.

Eu votaria nulo até se os 2 tivessem disputando a presidência...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"Consequências da modernidade"!


Hoje vi uma cena lastimável, produzida por essa sociedade "moderna" capitalista!!!
Uma mulher em frente de casa comendo macarrão que estava no lixo...
Isso já virou rotina faz tempo, mas a cada dia que vejo choca e isso não deve ser ignorado.
Até quando isso vai durar???
Até onde essa sociabilidade vai nos levar???
Estamos no fim!!!
A desgraça está feita!!!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Para compreender a crise financeira.

Mercados internacionais de crédito entraram em colapso e há risco real de uma corrida devastadora aos bancos. Por que o pacote de 700 bilhões de dólares, nos EUA, chegou tarde e é inadequado. Quais as causas da crise, e sua relação com o capitalismo financeirizado e as desigualdades. Há alternativas?


Depois de terem vivido uma segunda-feira de pânico, os mercados financeiros operam, hoje, em meio a muito nervosismo. A bolsa de valores de Tóquio caiu mais 3%, apesar de o Banco do Japão injetar mais 10 bilhões de dólares no sistema bancário. Na Europa, há pequena recuperação das bolsas, diante de rumores sobre uma redução coordenada das taxas de juros, pelos bancos centrais. Em contrapartida, anunciou-se que a situação do Royal Bank os Scotland (RBJ) pode ser crítica — e que outros bancos estariam sob forte pressão.

A crise iniciada há pouco mais de um ano, no setor de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos, viveu dois repiques, nos últimos dias. Entre 15 e 16 de setembro, a falência de grandes instituições financeiras norte-americanas [1] deixou claro que a devastação não iria ficar restrita ao setor imobiliário. No início de outubro, começou a disseminar-se a sensação de que o pacote de 700 bilhões de dólares montado pela Casa Branca para tentar o resgate produziria efeitos muito limitados. Concebido segundo a lógica dos próprios mercados (o secretário do Tesouro, Henry Paulson, é um ex-executivo-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs), o conjunto de medidas socorre com dinheiro público as instituições financeiras mais afetadas, mas não assegura que os recursos irriguem a economia, muito menos protege as famílias endividadas.
Deu-se então um colapso nos mercados bancários, que perdura até o momento. Apavoradas com a onda de falências, as instituições financeiras bloquearam a concessão de empréstimos – inclusive entre si mesmas. Este movimento, por sua vez, multiplicou a sensação de insegurança, corroendo o próprio sentido da palavra crédito, base de todo o sistema. A crise alastrou-se dos Estados Unidos para a Europa. Em dois dias, cinco importantes bancos do Velho Continente naufragaram [2].

Muito rapidamente, o terremoto financeiro começou a atingir também a chamada “economia real”. Por falta de financiamento, as vendas de veículos caíram 27% (comparadas com o ano anterior) em setembro, recuando para o nível mais baixo nos últimos 15 anos. Em 3 de outubro, a General Motors brasileira colocou em férias compulsórias os trabalhadores de duas de suas fábricas (que produzem para exportação), num sinal dos enormes riscos de contágio internacional. Diante do risco de recessão profunda, até os preços do petróleo cederam, caindo neste 6/10 a 90 dólares por barril – uma baixa de 10% em apenas uma semana. A tempestade afeta também o setor público. Ao longo da semana, os governantes de diversos condados norte-americanos mostraram-se intranqüilos diante da falta de caixa. O governador da poderosa Califórnia, Arnold Schwazenegger, anunciou em 2 de outubro que não poderia fazer frente ao pagamento de policiais e bombeiros se não obtivesse, do governo federal, um empréstimo imediato de ao menos 7 bilhões de dólares.

Desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas podem sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”.

Nos últimos dias, alastrou-se o pavor de algo nunca visto, desde 1929: desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas poderiam sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”, segundo a descreveu o economista Nouriel Roubini, que se tornou conhecido por prever há meses, com notável precisão, todos os desdobramentos da crise atual.

Os primeiros sinais deste enorme desastre já estão visíveis. Em 2 de outubro, o Banco Central (BC) da Irlanda sentiu-se forçado a tranqüilizar o público, anunciando aumento no seguro estatal sobre 100% dos depósitos confiados a seis bancos. Na noite de domingo, foi a vez de o governo alemão tomar atitude semelhante. Mas as medidas foram tomadas de modo descoordenado, porque terminou sem resultados concretos, no fim-de-semana, uma reunião dos “quatro grandes” europeus [3], convocada pelo presidente francês, para buscar ações comuns contra a crise. Teme-se, por isso, que as iniciativas da Irlanda e Alemanha provoquem pressão contra os bancos dos demais países europeus, onde não há a mesma garantia. Além disso, suspeita-se que as autoridades estejam passando um cheque sem fundos. Na Irlanda, o valor total do seguro oferecido pelo BC equivale a mais do dobro do PIB do país...
Também neste caso, os riscos de contágio internacional são enormes. Roubini chama atenção, em especial, para as linhas de crédito no valor de quase 1 trilhão de dólares entre os bancos norte-americanos e instituições de outros países. É por meio deste canal, hoje bloqueado, que o risco de quebradeira bancária se espalha pelo mundo. Mesmo em países menos próximos do epicentro da crise, como o Brasil, as conseqüências já são sentidas. Na semana passada, o Banco Central viu-se obrigado a estimular os grandes bancos, por meio de duas resoluções sucessivas, a comprar as carteiras de crédito dos médios e pequenos – que já enfrentam dificuldades para captar recursos.
Em conseqüência de tantas tensões, as bolsas de valores da Ásia e Europa estão viveram, na segunda-feira (6/10) um dia de quedas abruptas. Na primeira sessão após a aprovação do pacote de resgate norte-americano, Tóquio perdeu 4,2% e Hong Kong, 3,4%. Quedas entre 7% e 9% ocorreram também em Londres, Paris e Frankfurt. Em Moscou, a bolsa despencou 19%. Em todos estes casos, as quedas foram puxadas pelo desabamento das ações de bancos importantes. Em São Paulo, os negócios foram interrompidos duas vezes, quando quedas drásticas acionaram as regras que mandam suspender os negócios em caso de instabilidade extrema. Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar chegou a R$ 2,20.

Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados
A esta altura, todas as análises sérias coincidem em que não é possível prever nem a duração, nem a profundidade, nem as conseqüências da crise. Nos próximos meses, vai se abrir um período de fortes turbulências: econômicas, sociais e políticas. As montanhas de dinheiro despejadas pelos bancos centrais sepultaram, em poucas semanas, um dogma cultuado pelos teóricos neoliberais durante três décadas. Como argumentar, agora, que os mercados são capazes de se auto-regular, e que toda intervenção estatal sobre eles é contra-producente?
Mas, há uma imensa distância entre a queda do dogma e a construção de políticas de sentido inverso. Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados.

O pacote de 700 bilhões de dólares costurado pela Casa Branca é o exemplo mais acabado deste viés. Nouriel Roubini considerou-o não apenas “injusto”, mas também “ineficaz e ineficiente”. Injusto porque socializa prejuízos, oferecendo dinheiro às instituições financeiras (ao permitir que o Estado assuma seus “títulos podres”) sem assumir, em troca, parte de seu capital. Ineficaz porque, ao não oferecer ajuda às famílias endividadas — e ameaçadas de perder seus imóveis —, deixa intocada a causa do problema (o empobrecimento e perda de capacidade aquisitiva da população), atuando apenas sobre seus efeitos superficiais. Ineficiente porque nada assegura (como estão demonstrando os fatos dos últimos dias) que os bancos, recapitalizados em meio à crise, disponham-se a reabrir as torneiras de crédito que poderiam irrigar a economia. Num artigo para o Financial Times (reproduzido pela Folha de São Paulo), até mesmo o mega-investidor George Soros defendeu ponto-de-vista muito semelhantes, e chegou a desenhar as bases de um plano alternativo.

Outras análises vão além. Num texto publicado há alguns meses no Le Monde Diplomatique, o economista francês François Chesnais chama atenção para algo mais profundo por trás da financeirização e do culto à auto-suficiência dos mercados. Ele mostra que as décadas neoliberais foram marcadas por um enorme aumento na acumulação capitalista e nas desigualdades internacionais. Fenômenos como a automação, a deslocalização das empresas (para países e regiões onde os salários e direitos sociais são mais deprimidos) e a emergência da China e Índia como grandes centros produtivos rebaixaram o poder relativo de compra dos salários. O movimento aprofundou-se quando o mundo empresarial passou a ser regido pela chamada “ditadura dos acionistas”, que leva os administradores a perseguir taxas de lucros cada vez mais altas. O resultado é um enorme abismo entre a a capacidade de produção da economia e o poder de compra das sociedades. Na base da crise financeira estaria, portanto, uma crise de superprodução semelhante às que foram estudadas por Marx, no século retrasado. Ao liquidar os mecanismos de regulação dos mercados e redistribuição de renda introduzidos após a crise de 1929, o capitalismo neoliberal teria reinvocado o fantasma.
Wallerstein vê nos sistemas públicos de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se todos tivermos direito a uma vida digna, quem se preocupará em acumular dinheiro?

Marx via nas crises financeiras os momentos dramáticos em que o proletariado reuniria forças para conquistar o poder e iniciar a construção do socialismo. Tal perspectiva parece distante, 125 anos após sua morte. A China, que se converteu na grande fábrica do mundo, é governada por um partido comunista*. Mas, longe de ameaçarem o capitalismo, tanto os dirigentes quanto o proletariado chinês empenham-se em conquistar um lugar ao sol, na luta por poder e riqueza que a lógica do sistema estimula permanentemente.

Ao invés de disputar poder e riqueza com os capitalistas, não será possível desafiar sua lógica? O sociólogo Immanuel Wallerstein, uma espécie de profeta do declínio norte-americano, defendeu esta hipótese corajosamente no Fórum Social Mundial de 2003 - quando George Bush preparava-se para invadir o Iraque e muitos acreditavam na perenidade do poder imperial dos EUA. Em outro artigo, publicado recentemente no Le Monde Diplomatique Brasil, Wallerstein sugere que a crise tornará o futuro imediato turbulento e perigoso. Mas destaca que certas conquistas sociais das últimas décadas criaram uma perspectiva de democracia ampliada, algo que pode servir de inspiração para caminhar politicamente em meio às tempestades. Refere-se à noção segundo a qual os direitos sociais são um valor mais importante que os lucros e a acumulação privada de riquezas. Vê nos sistemas públicos (e, em muitos países, igualitários) de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se a lógica da garantia universal a uma vida digna puder ser ampliada incessantemente; se todos tivermos direito, por exemplo, a viajar pelo mundo, a sermos produtores culturais independentes e a terapias (anti-)psicanalíticas, quem se preocupará em acumular dinheiro?

O neoliberalismo foi possível porque, no pós-II Guerra, certos pensadores atreveram-se a desafiar os paradigmas reinantes e a pensar uma contra-utopia. Num tempo em que o capitalismo, sob ameaça, estava disposto a fazer grandes concessões, intelectuais como o austríaco Friederich Hayek articularam, na chamada Sociedade Mont Pelerin, a reafirmação dos valores do sistema [4]. Seus objetivos parecem hoje desprezíveis, mas sua coragem foi admirável. Eles demonstraram que há espaço, em todas as épocas, para enfrentar as certezas em vigor e pensar futuros alternativos. Não será o momento de construir um novo pós-capitalismo?*

[1] Em 12/9, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, depois que as autoridades monetárias recusaram-se a resgatá-lo. No mesmo dia, o Merrill Lynch anunciou sua venda para o Bank of America. Em 15/9, a mega-seguradora AIG (a maior do mundo, até há alguns meses) anunciou que estava insolvente, sendo nacionalizada no dia seguinte com aporte estatal de US$ 85 bilhões
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2] O Fortis foi semi-nacionalizado pelos governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. O Dexia recebeu uma injeção de 6,4 bilhões de euros, patrocinada pelos governos da França e Bélgica. O Reino Unido nacionalizou o Bradford & Bingley (especialista em hipotecas), vendendo parte de seus ativos para o espanhol Santander. O Hypo Real Estate segundo maior banco hipotecário alemão entrou numa operação de resgate cujo custo podia chegar a 50 bilhões de euros, mas cujo sucesso ainda não estava assegurado, em 5/9. A Islândia nacionalizou o Glitnir, seu terceiro maior banco
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3] Alemanha, França, Reino Unido e Itália, os membros europeus do G-8
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4] Sobre a contra-utopia hayekiana, ler, no Le Monde Diplomatique, “Pensando o Impensável” , de Serge Halimi

*Partido Comunista o cacete!!! Se fosse comunista teria destruído o Estado chinês num processo gradual, pelo contrário, o fortaleceu, e se fosse pelo menos uma tentativa de ações comunistas não aceitaria jornadas de trabalho de 16 horas como acontece com a classe trabalhadora na China e outros problemas mais.

*Sociedade Pós-capitalista????? aiaiai!!
ai forçou!!!!
Ou se constrói outra sociabilidade econômica que não seja a do Capital, ou reforme essas relações econômicas??? Mas uma sociedade pós-capitalisa??? "ta de brincadeira!!!" Como diria um famoso locutor esportivo! rs...
Eu prefiro a primeira opção!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O presidente mais odiado da história dos EUA.


A cinco semanas das eleições, Bush terminará seu mandato com uma marca recorde. Será o presidente norte-americano mais impopular da história dos EUA. Nem mesmo o fracasso no Iraque foi capaz de tamanha revolta contra o governo.


Uma pesquisa realizada conjuntamente entre a rede de TV ABC e o jornal The Washington Post mostram que 70% dos entrevistados não acreditam no presidente, enquanto que apenas 26% o apóiam. Bush está na frente de Harry Truman (67% em 1952) e Richard Nixon (66% em 1974) em termos de rejeição.

Uma semana de crise financeira foi suficiente para derrubar os oito anos de Bush no poder. Nem mesmo o fracasso da ocupação do Iraque foi capaz de tamanho nível de rejeição, uma verdadeira insurgência da população norte-americana contra o pacote de resgate dos bancos falidos. Bush é o principal incentivador do uso do dinheiro público para salvar os maiores magnatas que a humanidade já conheceu. A proposta é tão impopular que causou uma divisão no próprio Partido Republicano, que rejeitou no começo da semana o pacote de US$ 700 bilhões que seriam injetados no mercado financeiro. O maior saque da história seria aplicado para salvar bancos que não têm mais nenhum valor.

O repúdio contra Bush não vêm só dos eleitores, mas também dos governos europeus. A União Européia (UE) defende "um novo New Deal a serviço do desenvolvimento, e não da especulação". O bloco exige também a punição aos responsáveis pelo colapso. "Os líderes mundiais envolvidos na crise têm de dar uma resposta: quem é responsável pelo desastre? E assumir as suas responsabilidades". Uma indireta para Bush? Com certeza.

O colapso financeiro expôs sem nenhum mistério o verdadeiro funcionamento do regime capitalista. Não precisa ser economista ou especialista em algum assunto financeiro para entender que os grandes banqueiros e investidores criaram um governo paralelo mais poderoso do que qualquer Força Militar. Além do mais, esta folia financeira está mergulhada em todo tipo de crime. O FBI (Federal Bureau of Investigation) disse estar investigando 26 bancos envolvidos com corrupção, dentre eles Fannie Mae, Freddie Mac, AIG e Lehman Brothers. Todos falidos.

A maior crise financeira desde a Grande Depressão está levando não só os maiores bancos de investimento à falência, mas o próprio regime político. Mais de três trilhões de dólares evaporaram em apenas uma semana de crise. Estima-se que o roubo causado pelo estouro da bolha financeira ultrapasse os US$ 14 trilhões. Bush quer que o contribuinte norte-americano salve uma corja de parasitas responsáveis pela quebra do capitalismo. Como classifica o economista Paul Krugman, o pacote significa "cash for trash" (dinheiro por lixo).

Bush é a personificação da crise do capitalismo. Seu fracasso é fruto de uma longa política voltada aos interesses das grandes companhias petrolíferas e dos banqueiros. Assim que o mercado caiu, Bush se espatifou junto com ele.

domingo, 14 de setembro de 2008

1º SESTMARX - UNESP de 25 a 27 de Setembro - SJ do Rio Preto-SP


1º SESTMARX - Seminário de Estudos Marxistas

UNESP de 25 a 27 de Setembro - SJ do Rio Preto-SP

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

De acordo com povo Truká, a impunidade tem sido grande aliada dos assassinos das lideranças indígenas.

Mozeni Araújo, liderança do povo Truká foi assassinado com tiros na cabeça, na cidade de Cabrobó, localizada a 586 quilômetros de Recife (PE), dia 23 de agosto. Mozeni, que era candidato a vereador, estava em frente ao comitê eleitoral separando alguns cartazes de sua candidatura quando, no momento em que contornava o carro de um amigo, foi surpreendido pelo assassino, Maurício Ricardo Alexandre da Silva. Seu filho adolescente, amigos e militantes, estavam presentes no local.
Pretinha Truká, outra liderança do povo indígena, relatou que o “desconhecido” havia adentrado no Comitê da candidatura de Mozeni por volta das 10h da manhã, pedindo auxílio para obtenção de documentos. Às 16h30 ele retornou e executou o indígena.
O pistoleiro afirmou ao delegado local que o motivo do assassinato foi vingança de um conflito de terras, ocorrido em 1999. O povo Truká não acredita nisso. Segundo Pretinha, ninguém da tribo havia presenciado nenhum tipo de discussão entre Mozeni e Maurício na época. “Ao final, esperamos que ele possa confessar quem foi o mandante para nós conhecermos, de fato, quem são nossos inimigos”, enfatiza a indígena.
Os Truká já levantaram algumas hipóteses que poderiam ter motivado o assassinato. Uma delas está relacionada a plantações ilegais de maconha na região. Outra, seria a candidatura de Mozeni a vereador. “Imagina uma liderança indígena como vereador da cidade (Cabrobó)”, comenta Pretinha Truká.

Uma, duas, três mortes..
Mozenir Araújo foi vereador e atualmente era militante do Partido dos Trabalhadores (PT) e candidato a vereador, com boas chances de se eleger. Também era uma das lideranças na luta pela retomada do território dos Truká, a partir de meados da década de 1990. Desde então, a violência contra o povo indígena foi se intensificando.
Na lista dos agressores, estão fazendeiros, pistoleiros e até policiais militares. Esses últimos estão impunes. Em 30 de junho de 2005, homens à paisana e armados invadiram um galpão onde se realizava uma festa da comunidade, e dispararam contra Adenílson dos Santos, 38, e seu filho Jorge, de 17 anos. Os dois morreram e um outro indígena, de 26 anos, foi baleado. Mozeni era a testemunha principal do caso. “Por várias vezes (Mozeni) denunciou publicamente os criminosos, que até o momento permanecem impunes e ainda estão na ativa”, conta Pretinha.

Reunião dolorosa
Na quarta-feira, dia 27 de agosto, as lideranças indígenas dos Truká realizaram a primeira reunião após o assassinato de Mozeni. “Uma reunião de dor”, lembra Pretinha. A impunidade dos assassinos de 2005 e atual assassinato fez com que os indígenas discutissem uma estratégia própria de segurança, baseada na auto-proteção da tribo. “Quem será amanhã? Vamos pedir proteção à polícia? À Justiça? Decidimos que um deve cuidar do outro”, conta Pretinha sobre o que foi discutido na reunião.
Um Missa de Sétimo Dia será celebrada na Casa de Nossa Rainha dos Anjos no dia 29 de agosto, às 16h. A capela está localizada na Ilha de Assunção, território Truká, no Rio São Francisco. As terras indígenas correspondem a 6.500 hectares, e estão em processo de identificação pela Funai. Segundo o órgão, os Truká terão toda a assessoria jurídica necessária para o caso de Mozeni.

domingo, 24 de agosto de 2008

O trabalho continua vivo

Os avanços tecnológicos, científicos e informacionais têm operado grandes mudanças no processo de produção e reprodução da vida, mormente, no mundo do trabalho. Os debates sobre o papel e o lugar da categoria trabalho têm levado um conjunto variado de autores a concluir pelo fim da sua centralidade na estruturação social e na geração da riqueza. Nesta entrevista, o professor Sérgio Lessa, da Universidade Federal de Alagoas, conferencista no Ciclo de Debates “Mundo do trabalho e ser social”, realizado na Unijuí (RS), recorta essa temática pelo sentido inverso. Um dos mais destacados estudiosos de Lukács no Brasil, Lessa critica o que aponta como teorias conservadoras dos autores que orquestram o dobre de sinos do fim do trabalho. Retomando a tese marxiana da inteligibilidade do mundo pela unidade dialética das valências trabalho e ser social, diante do avanço prático-teórico do trabalho morto, Lessa reafirma o trabalho vivo.

O seu livro Mundo dos homens: trabalho e ser social (Ed. Boitempo), dedicado ao estudo do pensamento do último Lukács[1], inicia com um capítulo sobre a centralidade do trabalho hoje, tema ao qual o senhor vem se dedicando há vários anos. O senhor poderia resumir alguns dos seus argumentos a favor dessa tese?
Do ponto de vista mais imediato, da vida cotidiana da maior parte das pessoas, o argumento mais visível é o desemprego. O desemprego é a afirmação da centralidade do trabalho pela sua face mais negativa possível, pela sua carência. O peso objetivo, social e também subjetivo do desemprego é uma evidência bastante forte de que o trabalho continua sendo a categoria central do mundo dos homens.
Os argumentos teóricos que sustentam e demonstram a validade desta percepção mais imediata estão aglutinados ao redor da tese marxiana de que são os seres humanos os únicos responsáveis pela sua história. Até Marx, a história era concebida como resultado de uma essência dada de uma vez para todo o sempre. Seria esta essência e não os seres humanos a responsável pelo nosso destino e, ao mesmo tempo, esta essência sempre comparece como o limite máximo do desenvolvimento histórico possível. Foi assim com Aristóteles, com Tomás de Aquino e com a natureza humana tal como concebida pelos modernos.
A descoberta do trabalho como a categoria fundante do mundo dos homens (e, correlativamente, da economia como momento predominante na reprodução social), por Marx, possibilitou a compreensão de que o demiurgo da história somos nós mesmos, a humanidade. E foi a partir deste contexto que o trabalho foi afirmado como ontologicamente central ao ser social.
Vários autores, mesmo alguns que vieram do marxismo, vêm elaborando novas teorias em torno da tese da diminuição numérica da classe operária fabril clássica em favor do crescimento do terceiro setor da economia, o de serviços, o que configuraria o que eles chamam de “sociedade pós-industrial”. Qual a sua opinião sobre essas leituras?
Na enorme maioria das vezes, independente da intenção do autor, são teorias que se prestam ao triste papel de elogiar a crise em que vivemos como as dores inevitáveis de transição para um novo período de prosperidade e felicidade. Desde Daniel Bell – que foi um marxista na juventude, mas mudou de lado depois –, a formulação mais famosa, até as muitas variações desta tese, como Adam Schaff com A sociedade informática, Lojkine, com A revolução informacional, Negri e Hardt, com o comunismo do trabalho imaterial – todas estas teses, cada uma a seu modo, procuram convencer o leitor de que estaríamos próximos a uma nova etapa histórica, que deixaria as mazelas do capitalismo no passado.
Por isso, tais teorias são sempre conservadoras e sempre trazem, a tiracolo da sua tese principal, a afirmação da superação das categorias marxianas para pensarmos o mundo em que vivemos. Não creio que tais teorias tenham muito a nos dizer acerca do presente. Suas teses têm sido sistematicamente negadas pelo desenvolvimento histórico e não trazem contribuições que os revolucionários possam aproveitar.
No seu mais recente livro, Para além de Marx? (Ed. Xamã), título contraposto ao de um ensaio de Antonio Negri, Marx além de Marx, o senhor polemiza contra a teoria do trabalho imaterial desse filósofo italiano, hoje bastante em voga. Seria possível resumir o essencial de sua crítica a esse pensador?
A tese central do livro é de que os autores que se reúnem ao redor da tese do trabalho imaterial (Negri é o mais conhecido deles) elaboraram uma fantástica fantasia (se me permitem) acerca do mundo em que vivemos, e que ela não passa de mais uma justificativa, sempre conservadora, evidente, da crise estrutural do capital.
Estou convencido de que, na maior parte das vezes, basta expor as teses desses autores para que caiam em descrédito imediato: a categoria central da história, desde o século XVI, seria “o tempo pelo amor por se constituir”. Seria esta a categoria central no desenvolvimento histórico do que estamos acostumados a conhecer como modo de produção capitalista. O desenvolvimento do “amor pelo tempo” teria levado os operários a abandonarem as fábricas e a estabelecerem, nos interstícios do capital, o comunismo. Viveríamos, assim, em um misto de comunismo e capitalismo! Evidentemente, para poder afirmar esta tese, devem abandonar por completo o marxismo e elaborar toda uma teoria da história que, segundo bem disse Gorz, não passa de um “delírio”.
Especialmente no terreno da Filosofia, sobretudo após Kant, existe uma grande resistência à lida positiva com o termo ontologia, por ensejar quase sempre a algo metafísico. Por qual razão o senhor pensa que Lukács, um filósofo materialista, escolheu, na contramão disso, justamente esse termo para intitular a sua obra derradeira, Para uma ontologia do ser social?
Porque ele descobriu, a partir de Hartmann, que a ontologia não é necessariamente metafísica e, portanto, conservadora. Há um belíssimo artigo de Guido Oldrini, “Em busca das raízes da ontologia (marxista) de Lukács”[2], do qual empresto a tese: até Marx todas as ontologias tinham que ser conservadoras porque partiam de uma concepção da essência humana enquanto eterna, historicamente imutável. Ao Marx descobrir que a essência humana é o conjunto das relações sociais e que, portanto, tal essência é parte integrante, movida e movente, da história, abriu caminho para uma crítica ontológica do mundo capitalista. Lukács, então, ao recuperar o pensamento marxiano, propõe-se a demonstrar como e em que medida ele é uma ontologia do ser social, isto é, uma investigação acerca do que o ser social é e de por que ele não é de outro modo.
Assim como Marx inaugura uma nova concepção de mundo ao colocar o homem como o único e exclusivo demiurgo da história, também, segundo Lukács, teria fundado uma nova ontologia. Nesta, a grande descoberta de Marx teria sido a distinção entre a essência e o fenômeno, não pelo quantum de ser de cada um, mas sim por uma articulação qualitativamente distinta com a continuidade. A essência seria a concentração dos elementos de continuidade e, o fenomênico, seria a dos elementos de singularidade. Deste modo, a essência passa a ser parte movida e movente dos processos e, obviamente, a essência humana é tão histórica quanto qualquer outra dimensão da existência humana.