"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Evo Morales enfrenta a primeira greve geral de trabalhadores



Mais uma vez a Bolívia vive uma jornada de intensas lutas. Mas agora não estamos falando das mobilizações da ultra-direita no Leste do país, defendendo a “autonomia” ou massacrando camponeses, como ocorreu em Pando. Ou das mobilizações camponesas em apoio a Evo Morales e sua Constituição. Estamos falando da combativa e histórica classe trabalhadora da Bolívia, que desperta como um leão adormecido, após cinco anos de expectativa e paciência com o governo de Evo Morales.

Como não acontecia há muitos anos, a classe operária boliviana, sobretudo os trabalhadores das fábricas e os professores estão protagonizando mobilizações radicalizadas, contrárias às políticas anti-operárias do governo. Nas últimas semanas, as principais cidades do país foram palco de marchas e protestos de diferentes setores de trabalhadores, em rejeição ao miserável aumento salarial de 5% e à proposta de Código de Trabalho apresentada pelo governo. Essas mobilizações se expandiram como um rastilho de pólvora.

Nos cinco anos à frente da administração do país, Evo procurou desmontar o processo revolucionário aberto em 2003. Como dirigente indígena, com autoridade e apoio nos movimentos sociais, Evo Morales logrou desviar a revolução pela via de sucessivos processos eleitorais. Em outubro de 2008 pactuou com a burguesia empresarial e rural, uma nova constituição. Quando pressionado, o governo realizou mornas nacionalizações (com suculentas indenizações às multinacionais), aumentou os rendimentos do Estado, mas este não foi revertido em melhores salários e condições de vida para os trabalhadores.

Mas, para além do discurso de que se está conduzindo “um processo de mudança” e uma revolução democrática e cultural, a Bolívia continua sendo um país capitalista semi-colonial. Hoje a Petrobrás controla 60% da produção de gás, e as empresas privadas multinacionais controlam quase 70% da exploração de minérios no país.

A realidade é que o processo de mudança anunciado pelo governo não passa de uma grande farsa que já começa a ser percebida por vários setores sociais. O desgaste e retrocesso do MAS em importantes cidades, nas eleições de 4 de Abril, foram uma clara demonstração de que a lua de mel entre o governo, a classe operária e os movimentos sociais está acabando.

Os recursos naturais continuam nas mãos das empresas estrangeiras, e nestes cinco anos as condições de vida da classe operária boliviana seguem piorando. O salário mínimo é um os mais baixos da América Latina, não atingindo os 100 dólares (647 bolivianos). Cerca de 31,4% dos trabalhadores bolivianos ganham menos de um salário mínimo. O aumento de 5% equivale a 32 bolivianos; estudos indicam que o salário mínimo básico deveria ser de 1800 bolivianos. O desemprego, nas principais cidades, atingiu 11% em 2009. Hoje o trabalho informal no país chega a 62%.

A explosão de raiva dos trabalhadores das fábricas, em protesto ao aumento salarial de 5%, contagiou outros setores. Este setor, que faz pouco tempo, era uma das principais bases de apoio do governo no movimento operário, agora está na vanguarda das lutas contra as medidas do governo.

As mobilizações enfrentam três grandes inimigos: o governo, os empresários que apóiam a proposta do mesmo governo, e a direção da COB. O acordo entre empresários e governo, em torno do aumento de 5%, demonstra de qual lado está Evo Morales. Ambos afirmam que um aumento maior significaria inflação, mas na verdade, os 5% é uma forma de preservar os interesses dos empresários.

O governo tem dinheiro suficiente para atender às reivindicações dos trabalhadores. Mas não lhe interessa melhorar as condições de vida da classe operária e também não lhe interessa enfrentar os empresários. Hoje as reservas da Bolívia atingem os 8 bilhões de dólares, no entanto este dinheiro é mantido nos grandes bancos estrangeiros, como uma forma de gerar segurança jurídica aos investimentos privados, e financiar os mega-projetos do IIRSA.

Ademais, os deputados e senadores do novo “Estado Plurinacional” recebem cerca de 15 mil bolivianos por três semanas de trabalho, enquanto a maioria dos trabalhadores não recebe este montante em um ano de trabalho duro nas fábricas. Este não é o processo de mudança que reivindicaram os trabalhadores em 2003.

A direção da COB paga o preço por trair os trabalhadores

Cedo ou tarde os trabalhadores reconhecem os traidores e burocratas em seu seio. Chegou a vez de Pedro Montes, atual presidente da COB. Nos últimos dois anos, a COB passou a ser um braço do governo no movimento operário, e um obstáculo às lutas. Em todos os atos oficiais estava Pedro Montes ao lado de Evo Morales, enquanto as reivindicações dos trabalhadores eram postergadas. A COB negociava com o governo cargos, sedes sindicais e carros, à custa de subordinar-se às suas medidas.

Mais recentemente, Pedro Montes calou-se diante do nefasto Código de Trabalho do governo e do aumento salarial de 5%; isso foi a gota d’água que fez transbordar o copo. Nas últimas mobilizações, era comum encontrar um trabalhador com um cartaz que dizia “Fora Pedro Montes da COB” ou “Pedro Montes Traidor”.

27 de abril: cerca de 14 dirigentes operários entram em greve de fome no Escritório da Federação dos Operários de La Paz. O objetivo era pressionar o governo por um aumento salarial de 12%.

29 de abril: massiva mobilização dos operários nas ruas da cidade de La Paz, onde exigiam a renúncia da Ministra de Trabalho, Carmen Trujillo. Os trabalhadores carregavam cartazes denunciando Pedro Montes, dirigente da COB, como traidor por ter negociado com o governo o aumento de 5%. Dezenas de balões foram lançados ao Ministério de Trabalho. Os operários e a COD (NdT: Central Operária Departamental) de La Paz ignoram Pedro Montes e convocam uma marcha para o 1º de maio, sem a presença da COB.

No mesmo dia, realiza-se uma reunião ampliada nacional da Central Operária Boliviana. Pressionado pela mobilização e pela greve de fome dos operários, a direção da COB retrocede, e convoca uma marcha unitária para o 1º de maio; além disso, a plenária ampliada, contra a posição do dirigente da COB, define uma greve nacional para 04 de maio, em rejeição aos 5%.

30 de abril: No departamento de Oruro, à cabeça da Central Operária Departamental, dirigida por Jaime Solares, os trabalhadores, de maneira antecipada, realizam uma marcha pelo 1º de maio. É visível o descontentamento da classe operária de Oruro com o governo; também se ignora a Pedro Montes.

1º de maio: Pela primeira vez, em cinco anos, Evo Morales não participa dos atos do 1º de maio. Diferente do ano passado, os trabalhadores não estavam dispostos a marchar lado a lado com o governo. Temendo a reação dos operários, Pedro Montes, dirigente da COB, não participa do 1º de maio de La Paz (Vai para Huanuni, alegando problemas pessoais).

Na concentração do ato, os fabris realizam um comício. Ramiro Condori, fala em nome da COB, mas a massa operária, com apitos, não permite que ele continue sua intervenção. A marcha se divide. Por um lado estão a direção da COB, a FSTMB e outros setores sindicais ligados ao governo. Do outro estão os operários, as organizações e partidos de esquerda. Era visível a superioridade numérica da marcha dos operários comparada à marcha da COB, mas também por sua radicalização.

4 de maio: Os dias que antecederam à greve foram de intensas discussões entre os trabalhadores e o governo. Os ministros acusavam os trabalhadores de estarem contra com o “processo de mudança” e de haver infiltrados da direita nas mobilizações. A raiva dos trabalhadores aumentava ainda mais com as declarações e acusações oficialistas. A COB, para evitar a greve e maiores confrontos com o governo, buscava a negociação pelos bastidores. Mas o governo mantém-se irredutível no aumento de 5%. A primeira greve geral dos trabalhadores, durante os cinco anos do governo de Evo Morales, foi contundente, apesar do freio da COB.

As escolas e a maioria de fábricas de La Paz, Oruro e Cochabamba pararam. A partir das 11 da manhã, os operários e professores protagonizaram bloqueios e marchas por toda a cidade. Pela tarde, diferentes setores sociais, sem a presença da COB, realizaram uma grande marcha. Ao dar-se conta de que a greve foi de massas em diferentes setores, o governo partiu para reprimir os bloqueios. Os polícias, encapuzados, em motocicletas lançavam gás lacrimogêneo para dispersar a mobilização, que ainda assim continuava. Ao final da tarde os operários dirigiram-se aos escritórios do Ministério de Trabalho e tentaram ocupá-lo. O confronto teve como saldo a prisão de 15 trabalhadores e dois feridos.

Continuar a mobilização e exigir à COB uma Greve Geral por tempo indeterminado

Após a vitoriosa greve geral, é necessário continuar com as mobilizações para fazer retroceder o governo. Só com a unidade do conjunto da classe operária boliviana, podemos atingir a vitória nesta luta. Os setores combativos devem exigir à COB, uma Greve Geral por tempo indeterminado como única forma de impor os 12% de aumento.

O governo e a burocracia da COB tentam dividir os trabalhadores. Na marcha do 1º de maio os dirigentes da FSTMB lançaram cartuchos de dinamite contra os operários. Os mineiros devem passar por cima de suas direções e se unirem à luta.

Diante da cooptação da maioria das direções sindicais, a classe operária boliviana deve dar os primeiros passos na construção de uma nova alternativa de direção à COB, que esteja à altura de suas necessidades e não subordinada ao governo. Para isso os trabalhadores devem exigir a imediata convocação do congresso da COB, para tirar Pedro Montes e a burocracia oficialista.

· Continuar com a mobilização rumo a uma Greve Geral por tempo indeterminado, para derrotar o aumento salarial de 5%!
· Pela imediata liberdade dos 15 trabalhadores presos na greve!
· Derrotar o nefasto código de trabalho do governo!
· Exigir a imediata aprovação de uma nova lei de pensões solidária, com idade de 55 anos, contribuição tripartite e sob o controle dos trabalhadores!

domingo, 16 de maio de 2010

Crise política e econômica - Cortes por toda a Europa e mobilização na Tailândia


A política de cortes nos gastos públicos está se alastrando por toda a Europa. Depois da Grécia adotar as tais medidas de “austeridade fiscal” agora é a vez da Espanha, Portugal, Reino Unido e França anunciarem políticas semelhantes que colocam em evidência o caráter absolutamente geral desta nova etapa da crise capitalista mundial. Já na Tailândia novos confrontos entre os camisas vermelhas e o exército reacendem a crise no País



Na última semana a Comissão Européia reunida com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os 16 países da zona do euro aprovaram a criação de um novo pacote para todo o continente europeu.

Este novo pacote, na verdade um megapacote de quase um trilhão de dólares tem como objetivo conter a crise generalizada dos estados falidos da zona do euro. Segundo o ministro das Finanças da Inglaterra, Alistar Darlin, o mais importante, independente do método, é manter a estabilidade da economia européia, ou seja, em linguagem, normal, evitar a falência em cadeia dos estados europeus: “no que diz respeito à Europa, há uma proposta separada para disponibilizar ajuda para os membros do grupo do euro como existe para países de fora da zona, como a Hungria e a Romênia. Faremos o que for necessário para garantir a estabilidade” (BBC 10/5/2010).

O valor total do pacote será de 750 bilhões de euros ou o mesmo que 975 bilhões de dólares que servirá como um mecanismo para financiar as dívidas dos países.

De longe, esta é a maior intervenção estatal realizada na história da Europa. Segundo economistas, "essa é a maior tentativa já realizada pelo BCE de dar suporte à Europa e pode marcar um ponto de virada na crise de confiança que atingiu a periferia da zona do euro nas últimas semanas" (Reuters, 10/5/2010).

Este montante será divido entre a Comissão Européia que vai pagar 60 bilhões de euros, isto inclui ajuda de todos os países europeus, os 16 países da zona do euro vão desembolsar outros 440 bilhões de euros e o FMI 250 bilhões de euros.

O requisito básico para que os países sejam beneficiados com o pacote aprovado é se enquadrarem nas “regras” impostas pela Comissão Européia que visa implantar de maneira agressiva a política de cortes nos gastos públicos ou chamado plano de austeridade fiscal, isto é, um ataque em profundidade contra as condições de vida das massas. Esta exigência é para que os déficits públicos dos países sejam reduzidos até 2013 a 3% do PIB (Produto Interno Bruto) e para isso vão apertar o cerco contra os trabalhadores.

Na última semana, três países da zona do euro aprovaram estes planos,Grécia, Espanha e Portugal. As medidas vão atacar diretamente os trabalhadores promovendo o corte e congelamento de salários, demissões, aumento e criação de impostos, aumento da idade para aposentadoria etc.

São todas medidas que vão fazer os países economizar à custa da expropriação e maior exploração da classe operária européia para sustentar o lucro dos capitalistas. Todos estes países tem déficits públicos acima de 9% chegando a ter até 13,7% como é o caso da Grécia. Os cortes servem para diminuir a dívida nos próximo três anos.

As bolsas não reagiram muito bem à adesão da Espanha e Portugal ao plano de austeridade. Na Espanha, as ações dos principais bancos despencaram, o Santander teve queda de 9,8%, o BBVA caiu 8,4% e na França o Société Générale desvalorizou 8,6%.

Na última sexta-feira, dia 14, todas as bolsas européias caíram, em Frankfurt a perda foi de 3,12%, em Paris, 4,59%, em Madri a bolsa despencou 6,64%, pior resultado em dois anos. Em Londres a perda também foi grande, baixa de 3,14%. Na bolsa de Atenas a queda foi de 3,41% e Lisboa as perdas foram de 4,27%.

A crise, bem como a solução inevitável, encontrada para evitar o colapso geral jogaram um balde de água fria nas otimistas expectativas alardeadas desde o final do ano passado. Segundo um analista da CMC Markets, "Persiste uma verdadeira preocupação de que, com o pacote de ajuda europeu anunciado no início da semana, as perspectivas de crescimento para a Europa caiam num buraco negro, com os governos do continente cortando gastos e elevando impostos para recolocar sob controle seus enormes déficits". Ou seja, não há esperanças nem mesmo para os economistas burgueses de que mesmo as medidas de cortes vão efetivamente solver a crise.

Na realidade, a eficácia dos pacotes de austeridade não pode ser estabelecida sobre uma base exclusivamente econômica. O decisivo é a luta de classes. A reação das massas, em particular da classe operária, aos ataques dos seus governos imperialistas impõe um limite infranqueável a uma política de “recuperação” baseada nesse mesmo ataque.

A implantação deste pacote tem o claro objetivo de tentar impedir o agravamento da crise na zona do euro, pois o endividamento da Grécia, Espanha e Portugal coloca em risco a própria existência do euro. Há ainda os países fora desta região, como a Grã-Bretanha que também se está endividado o que pode causar um colapso em toda a Europa.

Ainda dentro da zona do euro, a França, um dos principais países imperialistas da região já anunciou redução de gastos públicos para 2011. O primeiro-ministro francês, François Fillon, disse que os gastos públicos serão integralmente congelados durante nos próximos três anos. E esta decisão será tomada independente da inflação do País.

Obviamente que o governo Sarkozy apresentou estes cortes como algo diferente do plano de austeridade adotado pela Grécia dizendo que na França os cortes serão mais “brandos”. Mas o fato é que o ataque se dirige, assim como no caso grego, aos trabalhadores e que nada impede que de cortes mínimos o plano passe para uma contenção generalizada com demissões, aumento de aposentadoria e outras perdas de benefícios trabalhistas.

Estes exemplos indicam que há uma política internacional de ataque às condições de vida dos trabalhadores e as massas exploradas de toda a Europa. É mais um aprofundamento da crise capitalista que para sustentar os parasitas financeiros precisa cada vez mais atacar a classe operária. Por outro lado os trabalhadores da Espanha, Portugal e Grécia já estão se organizando para promover novas paralisações.

Os sindicatos gregos convocaram uma nova greve geral no País para ainda este mês. Será quinta paralisação este ano. A greve geral está sendo convocada para o dia 20 de maio. Em Portugal, os sindicatos estão convocando uma paralisação para o dia 29 de maio onde uma greve geral será proposta. Já na Espanha foi anunciada uma greve geral para o próximo dia 2 de junho.

Reino Unido: crise política e econômica

O impasse da formação do novo governo inglês foi “solucionado” na última semana. O ex-primeiro-ministro do Partido Trabalhista Gordon Brown renunciou e possibilitou a aliança entre os Conservadores e os Liberal-democratas.

Com esta renúncia ficou claro que os Trabalhistas aliados aos Liberal-democratas teriam grandes dificuldades em governar. Além disso, o desgaste do Partido Trabalhista nos últimos 13 anos apenas iria se aprofundar ainda mais caso compusessem uma aliança com os Liberal-democratas. Outro fator é que o Partido Liberal-democrata, “o fiel da balança”, não seria tão beneficiado com uma aliança com os Trabalhistas, pois não obteriam a maioria absoluta do Congresso, 326 cadeiras, apenas teriam um número pouco maior que o dos Conservadores. Na realidade, a opção mostra o esgotamento do governo trabalhista, responsável pela continuidade da política neoliberal em novas condições e pela política imperialista no Iraque.

A renúncia de Brown para que a formação de um novo governo fosse agilizada também foi uma saída para evitar que o regime político britânico, bastante debilitado, sofresse um desgaste ainda maior.

De qualquer forma mesmo este novo governo expressa uma crise profunda no regime bi-partidário da Grã-Bretanha, pois nem o partido Trabalhista e nem o partido Conservador conseguiram a maioria nas eleições para governar e isso coloca em risco o regime político. Para governar foi necessário se aliar aos Liberal-democratas, mas esta aliança e a composição deste governo são mais instáveis que o regime estabelecido até então. Caso esta aliança não se concretizasse estava em risco a paralisação do próprio Parlamento britânico.

Para o partido Trabalhista, a derrota nas eleições e o fracasso na aliança com os Liberal-democratas na formação do novo governo, o que forçou a renúncia de Gordon Brown, demonstra o completo esgotamento da política do “novo trabalhismo” de Tony Blair e talvez o mais relevante, a incapacidade dos Trabalhistas em levar adiante a contenção das massas britânicas.

O Partido Trabalhista vai tentar no próximo período recuperar o “terreno perdido” sobre as massas britânicas, principalmente os votos para tentar se eleger nas próximas eleições, mas para isso precisarão apagar, não se sabe como, os anos de apoio à política imperialista norte-americana no Afeganistão, Iraque etc. e os inúmeros ataques contra os trabalhadores que resultaram na derrota nas últimas eleições.

O novo governo de coalizão na Grã Bretanha já se reuniu e declarou que a política principal será adotar o corte de gastos públicos para a diminuição do déficit do País que é maior que 11% do PIB. Como medida inicial, declarou o corte de 5% dos salários de todos os ministros do governo e do seu próprio salário. Uma medida demagógica e pouco efetiva já que em um ano o corte será de 8 mil libras no salário do novo primeiro-ministro David Cameron. Mas já é um sinal de que os próximos serão os salários dos trabalhadores que serão atacados.

Estes ataques e a composição bastante debilitada do governo entre Conservadores e Liberal-democratas coloca novas perspectivas para o desenvolvimento das mobilizações operárias no Reino Unido.

Reabert a a crise na Tailândia

A tensão na Tailândia iniciada no mês passado com as enormes mobilizações populares voltou à tona na última semana. O período de negociação entre os camisas vermelhas e o governo não durou muito tempo. Quando tudo parecia caminhar para um acordo novos confrontos entre o exército e a população agravaram a situação política no País.

As negociações caminhavam para o restabelecimento da “ordem” com eleições que seriam realizadas em 14 de novembro, as forças armadas voltariam a ter o controle da situação e o parlamento seria dissolvido.

Um dos motivos que desencadearam o desacordo foi uma reivindicação de punição dos assassinatos de mais de 25 pessoas no dia 10 de abril que também deixou 800 feridos. Os manifestantes pedem a punição do número dois do governo, Suthep Thaugsuban. Esta reivindicação foi a discórdia, pois o primeiro-ministro Abhist se recusou a aceitar a exigência e recuou nas negociações reabrindo a crise no País. A direção do movimento de oposição tentou evitar a apresentação desta reivindicação, mas a pressão popular foi tanta que não foi possível não apresentá-la.

Com a decisão de Abhist em não negociar mais, os camisas vermelhas permaneceram no centro de Bangcoc e a crise foi novamente reaberta. Mesmo sob ameaças do corte de energia elétrica, água e alimentos em toda a capital, os camisas vermelhas reagiram dizendo que só sairiam mortos.

O primeiro-ministro Abhist então organizou uma operação para retirar à força os camisas vermelhas do centro da capital tailandesa. Na última quinta-feira, dia 13, foi iniciada uma operação militar que fechou quatro estações do metrô e todo o perímetro central que está ocupado pelos manifestantes. Mais de 5.000 famílias foram atacadas pelo exército.

Cerca de 50 tanques de guerra estão sendo usados na operação militar e a comunicação foi cortada com o auxílio das operadoras de celular. Foi também implantado o estado de exceção em pelo menos 15 províncias tailandesas para facilitar a repressão sobre os camisas vermelhas.

Deste confronto inicial houve uma morte e pelos menos 12 feridos, um deles foi Seh Daeng, líder estrategista militar dos camisas vermelhas. Ele foi atingido por um franco atirador com um tiro na cabeça e até o fechamento desta edição estava em estado grave, com poucas chances de sobreviver. Cinicamente as autoridades militares da Tailândia negaram a autoria do tiro.

Até o fechamento desta edição o conflito estava em andamento.

sábado, 15 de maio de 2010

Estelionato eleitoral - O pacote econômico da burguesia contra a população


Um novo anúncio feito por articuladores da candidatura de José Serra (PSDB) de que por trás de sua candidatura está um “pacotaço” contra os trabalhadores, joga luz novamente sobre quais são os planos da burguesia contra os trabalhadores diante da crise



No dia 26 de abril a agência Reuters noticiou algo que até então permanecia oculto ou tratava-se apenas de especulação de analistas políticos da imprensa burguesa.

Interlocutores do candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, revelaram que este possui um pacote econômico para as eleições. Estas medidas seriam colocadas em prática assim que assumisse a presidência.

"Ele vai entrar com medidas fiscais e até renegociação de alguns contratos. As despesas da máquina pública estão sob um controle muito frouxo (...) "chegou a dizer um destes interlocutores, sem se identificar, à agência.

Os representantes de Serra disseram também que o papel dos bancos públicos seria “relativizado”, pois “a decisão de fortalecer essas instituições financeiras funcionou naquele período. Agora, porém, contribuem para aumentar a pressão inflacionária ao aquecer em demasia a atividade”.

Segundo a agência “há simpatia na equipe de Serra para que Banco do Brasil, Banco Central e Tesouro Nacional (visando compor o Fundo Soberano) comprem dólares além do fluxo excedente para evitar uma apreciação expressiva do real”

"Ele amaria ser o pai da reforma tributária, mas só tentaria se tivesse controle total do processo."

As medidas imediatas deste governo, segundo os interlocutores seriam “desonerar investimento e folha de pagamento”.

Essas medidas anunciadas significam mais ataques às condições de vida da população trabalhadora.

Estelionato eleitoral tucano

Segundo os próprios articuladores da campanha de José Serra está em marcha um estelionato eleitoral do PSDB. O verdadeiro programa de José Serra, que este procura omitir de toda a população é a volta, na mesma medida, dos ataques contra a classe trabalhadora que o governo FHC desferiu durante seus dois mandatos.

A desoneração na folha de pagamento, ou seja, cortes salariais, e a redução da intervenção dos bancos estatais, que teriam que ser substituídas pelo aumento acordos financeiros com bancos internacionais com o FMI, além do aumento dos impostos, chamados de medidas fiscais pelos correligionários de Serra, são escondidos da população, pois estas medidas impopulares foram rejeitadas completamente pela população na derrota eleitoral do PSDB.

O governo de FHC se aproveitou do refluxo da classe operária no final dos anos 80 e na década de 1990 para atacar os trabalhadores e para investir na maior onda de privatizações da história do País.

Da parte de Serra este é um estelionato eleitoral, porque os eleitores votam totalmente iludidos, uma questão gravíssima nas eleições. Trata-se da volta do estelionato eleitoral de governos que foram profundamente rejeitados pela população, como de José Sarney e Fernando Collor. Estes realizaram verdadeiros golpes contra o povo iludindo as massas de que seriam governos que trariam melhorias à população.

Uma eleição de Serra se assemelharia à eleição do governo do PMDB de José Sarney em 1988 (que ganhou as eleições em todos os estados do país exceto no Rio Grande do Sul). Naquele governo, depois do auge do Plano Cruzado criado em 1986, em 1989 a inflação foi a mais alta da história do Brasil.

O Plano Cruzado adotou como medidas o congelamento da taxa de câmbio, a reforma monetária, o congelamento dos salários pela média de seu valor dos últimos seis meses. O Plano Cruzado II, os Planos Bresser e Verão, lançados em seguida, levaram o país a um colapso. Entre fevereiro de 1989 e março de 1990, a inflação chegou a atingir nada menos que 2.751%.

Depois destas medidas o PMDB não se recuperaria até então de sua impopularidade, e foi um governo marcado por inúmeras greves.

Dilma também tem um pacotaço?

O “pacotaço” secreto de Serra teria como objetivo imediato esfriar a economia. O pacote mostra que a burguesia investe em medidas de ataque aos trabalhadores para prevenir-se de um colapso econômico capitalista.

O objetivo seria o de prevenir a crise como a que ocorre em países como Espanha, Portugal e Grécia, com medidas que estes estados procuram adotar contra a classe trabalhadora, impondo retrocessos trabalhistas e de condições de vida da população sem precedentes.

No entanto, resta a pergunta: se José Serra tem este pacote secreto, Dilma Rousseff, candidata do PT, teria seu próprio pacote?

São lançados às vésperas destas eleições e ao final do mandato de Lula diversos ataques, como o anúncio de novas privatizações (Correios, hidrelétricas, portos e aeroportos) e de um acordo militar do Brasil com os EUA. Os candidatos do PT e PSDB declararam juntos que não haverá nem mesmo diálogo com os sem-terra, anunciando que ambos os candidatos irão intensificar ainda mais a ofensiva contra os trabalhadores do campo. Em um evento dos latifundiários, considerada a maior feira agropecuária do País, no início de maio, Dilma Rousseff e José Serra compareceram e receberam uma lista de reivindicações da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), conhecida como a líder dos latifundiários no Congresso Nacional. Na lista está o apoio a medidas em favor dos latifundiários que está sendo votada para a implantação de um novo Código Florestal.

Lula dá o primeiro passo para que os governos continuem tais medidas. Assim, anunciou o que é uma garantia à burguesia de que esta política deverá ser seguida por qualquer um dos candidatos que se elegerem, tanto do PSDB como do PT.

Se ambos os governos anunciam que irão atacar os trabalhadores, Dilma Rousseff também oculta de todos os trabalhadores, que possui um pacote “anticrise” para receber o apoio de uma parcela da burguesia que impulsiona sua candidatura.

Trata-se de um estelionato eleitoral do partido que diz defender os trabalhadores para defender os patrões de um colapso. Este fato deve ser debatido e denunciado a toda a classe trabalhadora, que será a primeira a pagar. Será a classe trabalhadora a ser esfolada ainda mais com estes pacotes econômicos em favor dos capitalistas.

Contra estes ataques, a classe trabalhadora deve levantar seu próprio programa contra a crise e contra os ataques dos governos dos patrões. Nestas eleições e em todos os locais de trabalho, nas universidades e nos bairros deve ser realizada uma ampla campanha contra os governos dos patrões, contra as privatizações, contra os cortes salariais e que tenha em seu centro um programa de necessidades básicas da população. Entre estas devem estar a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem redução dos salários. Não às privatizações! Estatização das empresas entregues aos capitalistas durante os últimos governos; reforma agrária já; punição aos assassinos dos sem-terra!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pelo fim do monopólio da burguesia e de sua imprensa sobre as eleições

O maior monopólio do País, o da imprensa capitalista, garante aos partidos burgueses seu completo controle sobre a máquina eleitoral


Um dos argumentos que o jornal O Estado de S. Paulo defendeu, em artigo publicado no dia 10 de maio contra os partidos “nanicos”, é o de que a propaganda eleitoral custa ao governo, que paga à imprensa burguesa para garantir o horário eleitoral. Para isso condena os partidos que chama de “nanicos” por receberem o que afirmam ser um “subsídio” em forma de renúncia fiscal.

O que esta tribuna reacionária deseja - e reivindica em suas páginas - é a supressão do já ínfimo espaço que têm os partidos sem representação parlamentar, que terão nestas eleições, de um bloco de 25 minutos para a propaganda eleitoral para a presidência, cerca de 38 segundos cada.

Além de não citar sequer o fato de que uma minoria dos partidos burgueses domina completamente o tempo de propaganda eleitoral, O Estado de S. Paulo procura estabelecer que o governo paga caro os monopólios da TV do rádio por usar este tempo diariamente durante a campanha. Este é, na verdade, um acordo nefasto do governo com a imprensa capitalista, já que este paga para que as empresas que deveriam prestar um serviço público, não deixem de perder seus lucros.

Embora o artigo 54 da Constituição proíba parlamentares de terem concessões públicas, somando-se as duas casas da atual legislatura do Congresso até 2006 eram quase 80 parlamentares sendo 28 senadores - mais de um terço dos do Senado e 51 deputados federais os que possuíam empresas televisivas e de rádios em seu nome.

A imprensa burguesa, dominada em maior parte diretamente por estes partidos ou por capitalistas que a apóiam, é a que dá o suporte para manter este monopólio em suas páginas cotidianamente e nas eleições de maneira decisiva, dando ampla cobertura aos partidos burgueses desproporcionalmente, nos debates televisivos suprimindo a participação dos partidos pequenos.

O jornal O Estado de S. Paulo é uma das principais peças da burguesia para dominar o jogo parlamentar, e como não poderia deixar de ser, é instrumento para suas campanhas mais cínicas como pela supressão dos direitos da população.

Por eleições verdadeiramente democráticas

O verdadeiro custo ao Estado, que deveria ser suprimido é o dado aos partidos burgueses e às redes de televisão e rádio capitalistas, como maneira de impedir o golpe que é dado nas eleições contra toda a população.

Permitir o amplo direito de escolha à população e de debate político deveria começar por derrubar todas as concessões do Estado aos partidos burgueses que garantam seu monopólio nas eleições como o fundo partidário e tempos televisivos desiguais, o fim da censura das legendas em debates, o fim do monopólio econômico da burguesia nas eleições e o fim da concessão estatal a toda a imprensa burguesa, com o amplo direito dos trabalhadores e suas organizações de possuírem a concessão estatal para promover seus próprios órgãos de comunicação de massa.

Aos trabalhadores, que são a imensa maioria da população contra os quais é impedido hoje qualquer poder de decisão sobre as eleições para que os juízes biônicos decidam, é preciso defender a supressão dos órgãos biônicos da justiça e que a população decida sobre o funcionamento eleitoral.

sábado, 8 de maio de 2010

Greve geral e manifestações incendeiam Grécia


Gregos realizam maior e mais radicalizada onda de protestos



A quarta greve geral na Grécia este ano paralisou o país e incendiou a capital Atenas nesse dia 5 de maio. A greve paralisou os serviços públicos e os transportes, fechando os aeroportos, o que ocasionou o cancelamento dos vôos no país. Até mesmo setores da imprensa aderiram, paralisando as transmissões de TV e rádio.

Na capital, relatos dão conta que os protestos reuniram de 100 a 200 mil pessoas. Na frente do parlamento, a polícia reprimiu os manifestantes, que tentavam entrar no prédio. Na maior e mais radicalizada onda de protestos desde o início da crise, prédios públicos e bancos foram ocupados e atacados com coquetel molotov. A radicalização dos protestos segue a própria radicalização do pacote de arrocho fiscal do governo, pressionado pela União Europeia para cortar ainda mais as aposentadorias, os salários e gastos sociais.

O presidente do sindicato do funcionalismo público, Spyros Papaspyros, declarou à imprensa que “essa manifestação é duas vezes maior que a maior já vista na Grécia reunindo funcionários públicos”. A polícia grega permaneceu sob estado de “alerta geral”, ou seja, mobilizou praticamente todo o seu efetivo para conter os protestos.

Uma jornalista da revista Alana, Matou Papadimitri, que acompanhou os protestos, relatou o clima da manifestação: “a sensação é que todo o centro de Atenas era uma grande manifestação, super densa, quase claustrofóbica. Ali estavam os sindicatos oficiais, os sindicatos de base, professores, estudantes, funcionários, empregados privados, partidos e grupos políticos de esquerda, libertários, anarquistas, etc. Também havia gente que nunca havia saído às ruas para se manifestar”.

A jornalista relata ainda que, apesar da grande quantidade de gás lacrimogêneo lançado pela polícia, os manifestantes não se intimidaram e gritavam com todas as suas forças: “ladrões, mentirosos”; “que se queime o bordel do Parlamento”; “Fora todos”; “Que paguem os responsáveis”.

Reação
Durante os protestos, o governo e parte da imprensa anunciaram com alarde que três pessoas haviam morrido, vítimas de asfixia supostamente causado por um incêndio provocado por coquetéis molotovs lançados ao banco em que trabalhavam. Foi o que bastou para que o primeiro ministro Papandreous criminalizasse os protestos e os manifestantes.

Já os governos da Europa acompanham com bastante atenção o que se desenrola nas ruas da Grécia. O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da Europa, Olli Rehh, afirmou que “é absolutamente essencial conter o fogo na Grécia para que ele não se torne um incêndio e uma ameaça à estabilidade financeira da União Europeia e à sua economia como um todo” .

As vítimas fatais eram funcionárias do Marfin Bank, uma das maiores redes bancárias do país. Outro jornalista grego, Dimitris Pantoulas, afirmou que, segundo informações de rádios locais. “os empregados do banco denunciaram que os gerentes do banco não só não permitiram que saíssem da sucursal antes da marcha como, inclusive, trancaram as portas com chave para que ninguém pudesse sair nem entrar”. Ou seja, direta e indiretamente, os responsáveis pelas mortes foram o governo e os bancos, os responsáveis pela crise.

O que vem a seguir
Assim como a União Europeia pressiona a Grécia para impor um brutal ajuste fiscal aos trabalhadores, vai pressionar agora para que o país reprima exemplarmente a onda de protestos que se generaliza cada vez mais. Mais do que a crise, o que a UE teme realmente que se espalhe é a resistência.

O conflito social na Grécia, porém, se aprofunda cada vez mais. À radicalização do pacote de arrocho segue uma radicalização das paralisações e protestos, que vão ganhando cada vez mais apoio popular.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tailândia - A crise está encerrada?


Uma complexa operação foi montada na Tailândia para acabar com a crise revolucionária que tomou conta do país


Nesta segunda-feira o governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva fez uma proposta para acabar com os conflitos que se seguiam na Tailândia há quase dois meses. O acordo proposto pelo governo possuía cinco pontos: O respeito à monarquia; Reforma nacional que resolva as injustiças sociais e econômicas; Garantia de uma comunicação social livre, mas “responsável”; Investigação sobre os incidentes do dia 10 de abril e da invasão do Hospital de Chulalongkorn e Revisão da Constituição de modo a que seja aceite por todas as partes

Os lideres dos “camisas vermelhas” que fazem parte da UDD (Frente Unida para a Democracia contra a Ditadura) assinaram positivamente a favor do governo, apenas com algumas ressalvas que compõem mais quatro pontos:A definição da data das eleições e a dissolução do parlamento; Prova real da sinceridade do governo em querer acabar com todas as ameaças; Nenhuma anistia no que respeita as acusações de que os seus líderes são terroristas e promovem um movimento anti-monarquia, pois querem fazer a sua defesa em tribunal; O Governo deve parar de envolver a monarquia em questões políticas.

Comparando as duas reivindicações de trégua, é visível a capitulação dos líderes da UDD, que tem uma proposta mais rebaixada que a primeira. O acordo aceito pela UDD e colocam todos os trabalhadores que aderiram ao movimento nas mãos do governo para serem julgados.

O movimento não foi derrotado nos enfretamentos com a polícia e o exército. Aceitar as acusações de terrorismo por parte do governo é uma traição sem tamanho contra o movimento.

Aceitar a negociação com o governo de Abhisit já é uma capitulação. Pois este estava para ser derrubado pela mobilização, que desencadeou uma crise em todo aparelho governamental que ia do exército a aliados do próprio governo.

Os trabalhadores foram traídos vergonhosamente, e a direção da UDD pode pagar caro por isso.

Apesar de a UDD entregar a mobilização, ouve uma crise interna muito grande dentro do exército.

A intenção de Abhisit não era negociar. Para ele, o exército usaria de todo o poder militar para acabar com os “camisas vermelhas”. Seu desejo era promover o confronto e esmagar as manifestações.

O general Anupong, chefe do exército, resistiu às ordens de Abhisit de atacar os “camisas vermelhas” naquelas circunstâncias. Muitos dos soldados, vindo de regiões pobres, poderiam aderir o movimento dos “camisas vermelhas”. No geral, o corpo militar, em sua maioria, concordava com Anupong, procurando promover um acordo político para solucionar a crise.

Sem força no exército, e com a pressão dos “camisas vermelhas”, Abhisit foi obrigado e fazer a proposta para a UDD. O primeiro ponto da proposta da UDD foi atendido: as eleições serão no dia 14 de novembro, e a dissolução do parlamento em setembro. Mas esta era também uma intenção do exército, e não houve nenhuma polêmica quanto a esse ponto.

As duas alas da burguesia em disputa se enfraqueceram, mas evitaram a revolução.

Resta saber se a crise da Tailândia, que já dura anos, será encerrada facilmente. O acordo ainda não superou a crise que existe. Apaziguou, por hora, o conflito, mas a miséria real dos camponeses, e suas reivindicações que não foram atendidas podem levar a uma retomada das mobilizações e à reabertura da crise revolucionária no país.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Grécia: terceira greve geral do ano e cinco dias de protestos


Para aprovar o pacote de 110 bilhões de euros no último domingo em uma tentativa de salvar o sistema financeiro do país, o governo grego teve que se comprometer a colocar em prática uma série de ataques contra os trabalhadores. A resposta está sendo dada pela classe operária nas ruas

O pacote que foi aprovado no último domingo será um empréstimo de 110 bilhões de euros, divididos entre a União Européia e o Fundo Monetário Internacional. Para isso o governo grego teve que se comprometer a reduzir seu déficit a menos de 3% do PIB até 2014, diante dos atuais 13,6. A “solução” encontrada pela burguesia européia foi o corte de 30 bilhões de euros nos próximos três anos afetando empregos, salários, condições de trabalho e vida das massas populares do país.

Os 30 bilhões de euros que o governo pretende conseguir serão retirados principalmente através do corte de benefícios dos trabalhadores e de impostos que passarão por reajustes.

O plano de austeridade contra os trabalhadores inclui cortes e congelamentos de salários até 2013, flexibilização das leis trabalhistas, eliminação do bônus dado aos trabalhadores do setor público, aumento da idade para a aposentadoria e redução dos investimentos públicos.

Diante das medidas extremamente repressivas que o governo pretende impor, os trabalhadores gregos organizaram nesta quarta-feira, dia 5, a terceira greve geral deste ano, onde mais setores se incorporaram e em uma das manifestações realizadas no centro de Atenas, participaram mais de 100 mil trabalhadores.

Desde terça-feira, dia 4, alguns setores já haviam entrado em greve a partir do meio-dia, foi o caso dos professores e dos funcionários públicos. Na quarta-feira entraram em greve os trabalhadores dos transportes e os funcionários de empresas privadas.

Com os setores que aderiram à greve, a Grécia ficou sem meios de transportes incluindo aviões. Os transportes como ônibus, trens e táxis só foram usados para levar os grevistas para a manifestação no centro de Atenas. Escolas, universidades e o comércio foram fechados, o único setor que se manteve em fucionamento, porém apenas em caráter de urgência, são os hospitais. A imprensa também foi paralisada, onde a maioria dos operários aderiu ao movimento..

A greve engloba várias organizações, mas só as duas maiores centrais sindicais já somam mais da metade dos trabalhadores do país. A Adedy, uma delas, possui 375.000 afiliados e a Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos (GSEE), um milhão de afiliados.

Ainda na terça-feira, dia 4, militantes do Partido Comunista Grego (KKE), em um grupo de cerca de 200 pessoas invadiram a Acrópole de Atenas e penduraram no monumento uma faixa em inglês e outra em grego com os seguintes dizeres: "Povos da Europa, levantem-se".

O chamado poderia até soar exagerado em outras épocas, mas não na que estamos vivendo atualmente, pois outros países também estão prestes entrar na mesma situação, como é o caso de Espanha e Portugal.

Além disso, para tentar tirar a Europa da crise, outros países pretendem aderir a planos similares ao aplicado pelo governo grego, o que significa que, de um modo geral, todos os trabalhadores europeus passarão por cortes, demissões entre outras coisas.

A Grécia ao que parece está sendo usada como exemplo, e para muitos líderes europeus o resultado tem sido preocupante, pois há sim a possibilidade de trabalhadores de outros países se levantarem, o que levará a uma situação incontrolável para os governos europeus.

O plano de austeridade irá ainda passar pelo parlamento grego que dará uma resposta nesta quinta-feira, dia 6. Além disso, o próprio auxílio à Grécia em que a União Européia ficou responsável por 80 bilhões de euros terá que ser aprovado.

A Alemanha que possui a economia mais forte no bloco ficou responsável pelo maior empréstimo, que será no valor de 22.400 bilhões de euros. Por conta disso, a chanceler Angela Merkel pretendia conseguir a aprovação no Parlamento ainda nesta quarta-feira, enfrentando inclusive a oposição que critica a chanceler por achar que a mesma agiu de forma muito lenta e deu pouca atenção para o problema.

Para convencer até mesmo seus opositores Merkel procurou ser clara em relação a gravidade da crise e em sua intervenção no Parlamento, “o futuro da Europa e da Alemanha estão em jogo, estamos em uma encruzilhada”. (El País, 5/5/2010)

Além de Merkel outros governos e investidores estão preocupados com o que tem acontecido na Grécia. Chris Lowe da FTN Financial disse à BBC que a comunidade financeira está chocada com os violentos protestos.

Ele disse ainda que “se os gregos estão chateados, então talvez a gente precise se preocupar com os portugueses, os espanhóis e os italianos que também poderão ficar chateados com os cortes que vão ter que enfrentar”. (BBC, 5/5/2010)

Os confrontos na Grécia estão mais radicais, pois os manifestantes estão tentando invadir o parlamento para evitar a votação do plano e mostrar ao governo que não vão aceitar as medidas.

Por conta disso, os manifestantes que se aproximavam nesta última terça-feira do local onde fica o parlamento, foram recebidos pela polícia de choque e o confronto mais violento desde o início da crise ocorreu o que resultou na morte de três pessoas, inúmeros feridos e presos, prédios como o ministério da agricultura e bancos foram queimados em uma demonstração de revolta contra o governo e os responsáveis pela crise.A intensa luta travada pelas massas trabalhadoras na Grécia contra o governo e a consipiração da cúpula da União Européia é um sinal do colapso da tentativa de evitar o aprofundamento da crise econômica em todo o continente. Mais grave ainda, a luta é uma demonstração de que o plano de “salvamento” da economia grega fracassou antes mesmo de ter sido colocado em prática. Os trabalhadores gregos e as massas operárias em toda a Europa deixaram claro que não vão aceitar que os capitalistas joguem sobre suas costas todo o peso da crise que criaram. O próximo período será, sem dúvidas, de grandes lutas e intensa mobilização das massas não só na Grécia, mas em toda a Europa. A ação dos trabalhadores gregos aponta as tendências revolucionárias presentes no conflito atual.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A sacralização da política e a profanação da religião*

“Toda concepción religiosa del mundo implica la distinción entre lo sagrado y lo profano”, afirma Caillois (1996:11). Do ponto de vista religioso, sagrado e profano são opostos. Porém, tal oposição não ocorre de uma maneira dicotômica na qual os pólos se excluem; sagrado e profano se relacionam, se complementam. A religião diz respeito ao sagrado e pressupõe uma atitude que “impone al fiel um particular sentimiento de respeto que inmuniza su fé contra el espíritu de libre exame, la sustrae a la polémica y coloca fuera y más allá de la razón” (id.:12).


A relação entre o sagrado e o profano é mediada pelo ritual. As instituições religiosas são responsáveis por esta mediação; é preponderantemente nelas e através delas que os fiéis adentram no mundo sagrado. A experiência do sagrado pressupõe o culto, personagens específicos imbuídos de sacralidade, determinados lugares e tempo. No mundo moderno, as igrejas concentram estas características e se confirmam como instituições que administram os bens simbólicos religiosos, isto é, o sagrado. É no espaço e tempo destas instituições, com seus cultos específicos, pastores, sacerdotes etc., isto é, indivíduos legitimados pela instituição, que os fiéis vivenciam o sagrado.

A experiência do sagrado pressupõe a elevação do eu para além do mundo profano. Os homens e mulheres, numa mescla de terror, submissão e esperança, reconhecem no sagrado uma força superior capaz de lhes socorrer. As concepções de mundo predominantes se alimentam deste teor religioso: o sucesso e o fracasso, a bonança e as calamidades, a vida e morte, se vinculam aos fundamentos referentes ao sagrado. Este surge como o refúgio humano à realidade opressiva e miserável do mundo profano. Em sua angústia existencial, homens e mulheres buscam o conforto do sagrado e, ao mesmo tempo, o temem. Os humanos vivem simultaneamente entre o terror da punição – de arder no mármore do inferno – e a esperança de que a divindade o recompense – na terra e no céu.

A política diz respeito ao mundo profano, ao mundo comum. A modernidade afirmou categoricamente a sua autonomia diante da religião. Se no mundo medieval a religiosidade, instituições religiosas e organização política e social se confundiam, isto é, poder espiritual e poder temporal se mesclavam e determinavam os destinos dos indivíduos, a modernidade significa a possibilidade de separação entre Igreja e Estado e, neste sentido, da relativa autonomia de ambos na sociedade. A crescente secularização consolidou este processo. Contudo, à maneira da relação entre o sagrado e o profano, também a secularização não expressa uma contradição absoluta com a religião. Esta permanece forte e influente, seus preceitos morais e religiosos, bem como o poder dos sacerdotes e da organização, não podem ser simplesmente descartados pelo poder do Estado. De certa forma, o poder espiritual também se reveste de poder temporal, na medida em que tem influência real sobre o mundo da política.

Se o mundo profano (comum) se vincula à política e as igrejas são, por excelência, os espaços de manifestação do sagrado, não há um muro intransponível entre eles. Com efeito, o mundo profano da política se reveste, em determinados casos, de sacralidade; e, por sua vez, o mundo sagrado vinculado às instituições religiosas revela, sob certas circunstâncias, manifestações profanas. Observe-se, por exemplo, como a política gera os “profetas” prenhes de carisma e, à maneira religiosa, constitui um grupo de seguidores (“discípulos”). Observemos ainda como, em certos contextos históricos, ideologias seculares se manifestam religiosamente, com a presença de determinados “ritos” e o culto à personalidade. A razão produziu um novo crente que tem fé na ciência e também uma nova crença amparada na esperança utópica da construção do paraíso na terra. Eis uma das funções principais das ideologias seculares críticas à sociedade moderna capitalista.

Se a religião reflete os desejos humanos de uma sociedade essencialmente justa, realizável apenas no nível do “céu”, isto é, post mortem – e, neste sentido, toma como inevitável a miserabilidade da vida terrena e a condição humana falível e imperfeita –, a ideologia política sacralizada inverte os pólos e afirma a possibilidade da utopia social no plano terreno, ou seja, a construção do paraíso na terra. Os crentes perseguem o paraíso como algo impossível de ser atingido no plano da vida material; os utopistas buscam o possível onde afirmam o inexistente.

Mas, para que tenha efeito prático, as utopias necessitam se manifestar enquanto ideologias capazes de influenciar e de serem “encarnadas” pelas massas e, talvez o mais importante, precisam ser eficazes na produção de novos crentes. Se a religião pressupõe a fé; a ideologia também não pode prescindir da crença no impossível, no devir longínquo e na possibilidade de que o vir-a-ser deixe de ser apenas uma promessa para se tornar realidade. Portanto, a ideologia também se reveste de sacralidade e religiosidade: tem os seus profetas, seus seguidores e as instituições onde se manifestam os rituais e realizam os cultos.

Se as religiões, como escreve Berger (1985:46), têm como função legitimar e manter o mundo social e historicamente construído; e, se esta legitimação consiste em “conceber a ordem institucional como refletindo diretamente ou manifestando a estrutura divina do cosmo”; as ideologias seculares têm dupla função: manter e transformar a sociedade existente. Para que efetivem essas funções, isto é, na medida em que as idéias se apoderam das mentes e se traduzem em manifestações reais e práticas, estas ideologias também precisam se revestir de aspectos religiosos. Assim, por exemplo, as ideologias conservadoras se alimentam de valores morais vinculados à tradição, aos costumes e à religião. Já as ideologias críticas, por sua vez, também não podem simplesmente desconsiderar estes fatores. Para serem eficazes precisam convencer e arrebanhar seguidores. Seu caráter, porém, não será definido pela religiosidade e sacralidade, mas por um apego cientificista. A ideologia, então, fundamentará a sua utopia em argumentos pretensamente científicos, sem, no entanto, abrir mão de slogans e mensagens nada científicas, pois exigem, como toda religião, a crença. O fanático fundamentalista religioso não difere muito do fanatismo militante vinculado a ideologias seculares. Se o primeiro acredita em Deus, o segundo acredita na inexorabilidade da história e também cultua os seus ídolos.

Os crentes de determinados movimentos e instituições religiosas vêem o mundo com desconfiança e, invariavelmente, buscam se afastar das coisas mundanas. “É do mundo”, dizem. O afastamento das coisas do mundo é uma das manifestações de resistência à secularização. Eles buscam o sagrado, vinculam-se a este na esperança de que a divindade os socorram e os libertem das iniqüidades humanas. Na verdade, dilaceram-se diante do dilema de cultuar o sagrado e negar o profano, como se estes expressassem uma relação de pólos excludentes. Ao “fugirem” do mundo, negam a condição humana que lhes é inerente. E, no entanto, têm que se haver cotidianamente com esta condição. Assim, procuram trazer o sagrado para o seu dia-a-dia. É como se o sagrado rompesse os muros dos templos: profano e sagrado passam a conviver nos mesmos espaços-tempos. Isto, porém, não significa a perda do específico, isto é, do tempo e espaço consagrados ao culto. Como não é possível negar plenamente a condição humana e a realidade social, os crentes deste tipo intensificam os vínculos com o sagrado e, assim, tendem a alimentar o sectarismo, o espírito de seita e o fanatismo – um dos efeitos deletérios deste procedimento é a intolerância religiosa.

Ao contrário dos “crentes religiosos”, os “crentes seculares” de determinadas ideologias se apegam freneticamente ao mundo. Para estes o mundo real é a medida de todas as coisas. Tudo o que não pode ser explicado sob este prisma não merece consideração. Deste ponto de vista, a religião expressa alienação, ópio, distanciamento do real. São herdeiros da “crítica óbvia” do século XIX”.[1] Escapa-lhes a compreensão sobre os porquês de homens e mulheres buscarem o transcendente. No extremo oposto, negam as necessidades espirituais, a existência da divindade, e ao negarem confirmam-no; não compreendem a religião como parte da condição humana.[2] A ironia é que fazem isto reafirmando religiosamente as suas “crenças” e, na suprema necessidade de se afirmarem, e também ao seu projeto utópico de sociedade, terminam por repetir os mesmos procedimentos dos que criticam. São igualmente intolerantes.

A concepção religiosa dos “crentes em ideologias seculares” é sociologicamente determinista – mas do que isso, é mecanicista, pois imaginam que a religião é apenas reflexo das estruturas econômicas. Sacrifica-se a dialética no altar da crítica à religião. Trata-se de um pensamento tosco e reducionista. Esquece-se, como afirma Berger, “que a mesma atividade que produz a sociedade também produz a religião, sendo que a relação entre os dois produtos é sempre dialética” (id.: 61).

Se a religião é o ópio do povo e fator de legitimação da ordem social vigente, e se esta repousa numa dada estrutura econômica, então, é lícito supor que, na perspectiva do reducionismo economicista, o ser humano superará a religião quando a estrutura, as “condições objetivas”, se transformar e possibilitar a superação do reino da necessidade. Este é um argumento que desconsidera a psique e os dilemas da condição humana que transcendem os aspectos materiais. Por outro lado, seja na perspectiva religiosa, seja na secular, os mesmos fatores que legitimam o status quo – religião e ideologia – também podem questioná-lo. Se isto fica evidente no que diz respeito às ideologias críticas à sociedade capitalista, parece escapar à compreensão de alguns dos que se debruçam sobre o fenômeno religioso. Observe-se que a mensagem religiosa pode ser conformista, mas também pode representar a promessa de construção de uma sociedade mais justa e igualitária espelhada nas palavras do livro sagrado. A leitura crítica da bíblia e sua aplicação prática pelos que abraçaram a Teologia da Libertação é um exemplo.

A religião, para além de considerações críticas, cumpre ainda um papel importante na medida em que contribui para que os indivíduos se sintam minimamente seguros no mundo. Não é por acaso que a secularização não conseguiu suprimir os sentimentos religiosos e em lugar do desencanto religioso vemos, nos tempos atuais, a busca crescente da religião. Talvez isto se explique pela necessidade de segurança ontológica. Como escreve Berger: “A religião serve, assim, para manter a realidade daquele mundo socialmente construído no qual os homens existem nas suas vidas cotidianas” (Id.: 55).

É interessante observar que as ideologias também cumprem esta função. Os homens e mulheres adeptos de determinadas ideologias apegam-se, à maneira religiosa, em certezas e verdades que, a depender do grau de adesão e das características destas, não admite a dúvida. E, tal qual o religioso crítico em sua instituição, os que ousarem questionar as certezas compartilhadas fervorosamente serão expurgados como hereges. Um bom exemplo deste procedimento é a crise, até mesmo existencial, em que mergulham os adeptos de determinadas ideologias quando estas perdem as suas referências e desabam como castelos de areia (atente-se para eventos históricos como a queda do muro de Berlim e a desintegração da URSS).

Concluindo estas reflexões, afirmo a hipótese de que a separação sagrado/profano, religião/política, Igreja/Estado, não é tão absoluta como poderíamos imaginar. A relação entre estes pares não é dicotômica e excludente. Mais do que complementares, parece-me que o melhor método para compreender estes fenômenos é aquele que nos permita observar as contradições e o movimento dialético com parte de uma totalidade resultante da práxis humana. Os homens e mulheres historicamente determinados produzem a vida material, mas também ideologias e a religião. E estas são tão necessárias para a vida cotidiana como o pão que os alimentam e os bens materiais que tornam as suas vidas mais suportáveis. Dessa forma, é possível avançar na direção do aprofundamento de outra hipótese: a de que as ideologias seculares, para serem eficazes, também atuam à maneira religiosa, com seus cultos, mitos, templos, livros sagrados, sacerdotes, profetas e discípulos.



Referências bibliográficas

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CAILLOIS, R. El hombre e el sagrado. México: FCE, 1996.

CROATO, J. S. As linguagens da experiência religiosas. São Paulo: Paulinas, 2001.

__________. Os Deuses da Opressão. In: VV. AA. A luta dos deuses. São Paulo: Paulinas, 1985, pp. 39-57.

DOUGLAS, M. Pureza e Perigo. Lisboa: Edições 70, s.d.

ELIADE, M. “O Nascimento do Cristianismo”. In: ELIADE, M. História das Crenças e das Idéias Religiosas: De Gautama Buda ao Triunfo do Cristianismo. Tomo II. Rio de Janeiro: Zahar Editores, pp. 97-129.

__________. Aspectos do Mito. Lisboa: Edições 70, 1986.

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MARTELLI, S. A religião na sociedade pós-moderna: entre secularização e dessecularização. São Paulo: Paulinas, 1995.

PAIM, A., PROTA, L e RODRIGUEZ, R. V. Curso de Humanidades 4 – Religião (Guia de Estudos). Londrina: Editora UEL; Instituto de Humanidades, 1997.

PONDÉ, L. F. “Religião como crítica: a hipótese de Deus”. In: CULT. “Cristianismo e Modernidade”. Edição especial, nº 64, Ano VI, Editora 7, pp. 07-19.

RIVIÈRE, C. Os ritos profanos. Petrópolis: Vozes, 1997.

ROSSI, Luiz Alexandre Solano. “Mitos: ferramentas que proporcionam investigações sociológicas”, mimeo.

STENMARK, M. “Racionalidade e compromisso religioso”. Numen: revista de estudos e pesquisa da religião. Juiz de Fora, v. 2, nº. 2, pp. 11-27.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Polícia usa gás lacrimogêneo contra protesto de trabalhadores na Turquia


Vários pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira após confronto entre a polícia e trabalhadores da tabacaria Tekel, que protestam contra reduções salariais e reduções da jornada de trabalho em Ancara, na Turquia.

Segundo as redes de televisão turcas, a polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar os milhares de trabalhadores do Monopólio do Tabaco e do Álcool (Tekel) que estavam concentrados em diversos lugares do centro da capital Turca.


Burhan Ozbilici/AP

Polícia usa gás de pimenta para conter trabalhadores que protestavam contra reduções salariais em Ancara, na Turquia

"A polícia usou gás lacrimogêneo, jatos de pressão de água e cassetetes para dispersar os trabalhadores que responderam com pedras. Entre seis e sete pessoas ficaram feridas, afetadas pelo gás lacrimogêneo lançado diretamente sobre seus olhos", disse um dos manifestantes que participa do protesto.

Ainda na madrugada desta segunda-feira, as forças de segurança bloquearam as estradas que dão acesso a Ancara para tentar impedir a chegada dos manifestantes que vieram de ônibus de diversas Províncias do país.

Mas os trabalhadores burlaram os controles ao se dirigir a pé para a cidade e depois tentaram se concentrar em frente à sede da federação de sindicatos Turk-IS.

A eles somaram-se grupos de estudantes e membros de diversos sindicatos e associações, assim como de partidos de esquerda, que apoiam as suas reivindicações.

Alguns deputados da oposição, que estavam em um grupo de manifestantes que tinha bloqueado o tráfego de uma das principais ruas da cidade, também foram atingido pelo gás lacrimogêneo.

Os protestos se dirigem contra o governo pelas medidas adotadas para reduzir os salários e a jornada depois da privatização da Tekel.

Em janeiro mais de 25 mil pessoas --trabalhadores e suas famílias-- em 600 ônibus foram a Ancara e acamparam em barracas durante dois meses e meio. Agora, 29 dias depois, milhares deles voltam à capital para uma ação de 24 horas.

Os trabalhadores pretendiam se reunir em frente à federação dos sindicatos, mas a polícia não permitiu e fez com que os protestos ficassem distribuídos pela cidade.

O líder dos trabalhadores da Tekel, Mustafa Turkel, afirmou que o protesto de hoje é uma ação de um só dia e que ninguém pode impedir que os manifestantes cheguem à sede da Turk-IS.

"A tensão aumenta. Está acontecendo algo único na história do mundo. Trabalhadores são proibidos de ir a sua federação, mas está claro o que faremos: iremos lá", disse Turkel.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Rede Globo invade terreno público com aval do governo tucano

De acordo com a denúncia levantada pela Rede Record, a emissora da família Marinho anexou a sua sede um terreno de quase 12 mil metros quadrados pertencente ao governo do estado. O governo do PSDB não só autorizou a invasão como agora irá financiar uma escola para a Rede Globo


No último domingo, 28, a Rede Record voltou a denunciar a invasão de um terreno público feito pela Rede Globo. O anúncio trouxe a tona o acordo criminoso entre a emissora e o governo de José Serra (PSDB).

O terreno, localizada no Brooklin, em uma das regiões mais valorizadas em São Paulo, fica ao lado da sede da Rede Globo na zona Sul da capital. A emissora, sem nenhuma licitação ou autorização, simplesmente anexou o terreno que pertencia ao governo sob a desculpa de que estava “conservando a área”. A desculpa é mais um descaramento da emissora. É óbvio que não se tratava de preservar a área, mas de tomá-la para uso privado, tanto é assim que o terreno foi cercado e a população impedida de entrar no local que antes era uma pracinha de uso público.

De acordo com as denúncias, “[O] terreno de 11.618 metros quadrados, anexo a sede da Rede Globo na zona Sul de São Paulo, foi ocupado ilegalmente pela emissora (Globo) durante 11 anos. O local onde se localizava o terreno era em uma praça avaliada em mais de R$ 11 milhões de reais. O local funcionava como pista de cooper para os funcionários da emissora. A área estava cercada como propriedade particular, onde ninguém podia entrar. O terreno que foi ocupado ilegalmente pela emissora pertence ao Governo do Estado de São Paulo, (especificamente a secretaria de Planejamento e Economia) e não a Globo”

A invasão ocorreu com o total apoio do governo, que em nenhum momento, em 11 anos de posse ilegal, procurou rever o terreno, uma prática corriqueira quando se trata de ocupações realizas pela população, a exemplo das ocupações realizado pelos sem-terra, onde a burguesia não só determina a reintegração de pose, como a faz com uma violência brutal. O cinismo do governo do PSDB é tamanho que diante da denúncia, o governo ao invés de rever a posse do terreno, anunciou que irá fechar uma parceria com a Globo para a construção de uma Escola Técnica Estadual (Etec), que não por acaso ter´um curso de áudiovisual e terá o nome de “Escola Roberto Marinho”. Ou seja, o governo não só autorizou a invasão como agora irá financiar uma escola para a Rede Globo.

Essa não é a primeira vez que os empresários tomam posse de forma ilegal das terras do Estado, pelo contrário. Essas invasões são corriqueiras e ocorrem com o total aval dos governos e da Justiça burguesa. Um exemplo emblemático é o da Curtale, uma das maiores empresas produtoras de suco de laranja do mundo possuindo 30% do mercado mundial. A empresa se apossou de mais de 2,7 mil hectares pertencentes à União. O que chamou a atenção nesse caso foi a enorme campanha da burguesia contra os sem-terra que organizaram uma ocupação na fazenda tomada pela empresa. Os jornais burgueses publicaram dezenas de matérias para incriminar a ocupação realizada pelos trabalhadores, acusando-os de “Vandalismo sem limites”. Ou seja, quando se trata de uma ocupação realizada pelos sem-terra, o que se vê é toda uma ofensiva da direita contra os trabalhadores do campo, entretanto quando os invasores são a Rede Globo ou a Cutrale, a medida é não apenas justificada como apoiada pelos governos e imprensa capitalistas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Brasil é o país mais desigual da América Latina, diz ONU


O Brasil é o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda, mostra um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo ONU-Habitat (Programa de Assentamentos Humanos da ONU) no Rio de Janeiro.

Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira.

O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo. Segundo o documento, divulgado durante o quinto Fórum Urbano Mundial da ONU, os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região.

Os 20% mais pobres, por sua vez, recebem apenas 3,5% da renda, o que faz da América Latina a região mais desigual do mundo.

"O país com menor desigualdade de renda na América Latina é mais desigual do que qualquer país da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico] e inclusive do que qualquer país do Leste Europeu", diz o relatório.

O México é o segundo país mais desigual da América Latina, já que os 10% mais ricos da população recebem 42,2% da renda, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,3%.

Na Argentina, em terceiro lugar, 41,7% da renda está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres têm apenas 1,1%.

A Venezuela é o quarto país mais desigual da região, já que os 10% mais ricos têm 36,8% da renda e os 30% mais ricos controlam 65,1% dos recursos, enquanto os 10% mais pobres sobrevivem com apenas 0,9% da riqueza.

No caso da Colômbia, 49,1% da renda do país vai parar no bolso dos 10% mais ricos, contra 0,9% que fica do lado dos mais pobres.

No Chile, 42,5% da renda local está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto 1,5% dos recursos vai para os mais pobres.

Os países menos desiguais da região são Nicarágua, Panamá e Paraguai. Mesmo assim, nos três, a disparidade entre ricos e pobres continuam abismais, já que os 10% mais ricos consomem mais de 40% dos recursos.

Também segundo este relatório, a urbanização não contribuiu para diminuir a pobreza na América Latina, já que o número de pessoas na miséria aumentou muito nas últimas décadas.

Em 1970, havia 41 milhões de pobres nas cidades da região, 25% da população da época. Em 2007, os pobres em áreas urbanas eram 127 milhões, 29% da população urbana.

No entanto, o ONU-Habitat alertou no relatório que "é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre".

Assim, a pobreza rural no Brasil alcança 50,1% da população; na Colômbia, 50,5%; no México, 40,1%; e no Peru, 69,3%. A grande exceção é o Chile, com um índice de pobreza rural de 12,3%, número inferior inclusive ao das zonas urbanas.

sábado, 13 de março de 2010

Professores paulistas em greve

É hora de superar a política falida da diretoria da Apeoesp e derrotar Serra

Reunidos na Praça da República, ontem sexta-feira, 05 de março, mais de 5 mil professores do estado de São Paulo decretaram greve a partir do último dia 8 de março e deliberaram realizar nova assembléia para sexta-feira, 12 de março,no vão do MASP, na Av. Paulista.

A decretação da greve foi unanime. A diretoria composta pelo bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) não teve mais como segurar a mobilização dos professores, diante da revolta generalizada da categoria com as últimas medidas do governo Serra (milhares de demissões de ACT´s com a “provinha”, congelamento dos salários sob o disfarce de exame, .

A greve de agora,representa a retomada das mobilizações da categoria, em 2007 e 2009, ambas traídas pelo diretoria, que acertou com o governo o fim da greve antes de consultar a categoria (2007), desviou a luta para a corrupta Assembléia Legislativa – para fazer campanha de do ex-presidente da Apeoesp, Roberto Felício (PT) e outros deputados ligados ao nado dos quatro. Em todas situações, a diretoria mentiu descaradamente para a categoria, dizendo que estava conseguindo vitórias, enquanto os professores acumulávamos derrotas e mais derrotas.

No ano passado, a greve foi abortada um dia após o anúncio da paralisação, ao invés de fortalecer o movimento e impor uma derrota ao governo Serra derrubando o PLC 19 e PLC20 ,que instituía, entre outras coisas, a famigerada provinha dos ACT’s. A burocracia do bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) tratou de acabar com o movimento e levar a luta dos professores para a ALESP.



Derrotar a burocracia, para derrotar Serra



Outro golpe usado pela diretoria, nos últimos anos foi se aliar às direções ultrapelegas e patronais (pró-Serra) de entidades como o CPP, Afuse, Apase, Udemo, Apampesp etc. Diante da sua fraqueza e dos demais, a burocracia da Apeoesp tratou de se juntar com outros pelegos para bloquear a mobilização da categoria, ajudando – de fato – os governos tucanos a atacar os professores, funcionários e o ensino público.

Diante da experiência das ultimas traições, fica claro que para fazer vitoriosa a mobilização, a categoria não deve depositar se quer uma gota de confiança na diretoria do bando dos quatro (PT-PCdoB-PSTU-PSOL) e assumir o comando da mobilização, lançando mão da criação de comandos de greve de base (sem a burocracia fura-greve), elegendo um comando estadual de base na assembléia estadual para negociar com o ogverno e prestar contas diante da categoria, enfim, fortalecendo a organização independente da categoria em um poderoso movimento estadual de oposição, com reuniões e boletins regulares e tudo mais que for necessário para construir uma direção alternativa para as lutas dos professores.

Nesse momento, fica evidente que não há uma verdadeira ação da direção para impulsionar a greve, o milionário orçamento de mais de R$ 50 milhões da Apeoesp não é usada para uma verdadeira campanha contra o governo Serra e a favor das reivindicações da categoria. Campanha mesmo só a favor dos deputados e dirigentes da burocracia.

Diante dessa situação, a categoria deve repetir 2005, quando – poucos meses antes do tucano Alckmin se afastar para concorrer à presidência da república, mais de 30 mil professores tomaram a av. Paulista impondo uma derrota ao governo - que teve que voltar atrás na demissão de 120 mil ACT’s - e conquistando (mesmo com o corpo mole da diretoria) o maior reajuste salarial de todo o período tucano (15% de reposição e 15% de gratificações).

Contra a política de colaboração da burocracia com o governo tucano, adotar outro caminho: o da organização independente da burocracia e o da mobilização.

Ocupar a Paulista. Parar o “coração” de São Paulo, pelo tempo que seja necessário, até que o governador-candidato tucano atenda nossas reivindicações.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A crise européia - Grécia: quem vai pagar?

Após ter aprovado as medidas que promovem cortes de salários e benefícios contra os trabalhadores no início deste mês, o primeiro-ministro George Papandreu recorreu à Alemanha e outros países da União Européia para cobrar a ajuda financeira prometida pelo bloco


A burguesia européia tem se mostrado desconfiada e ainda vê a crise econômica grega como algo extremamente perigoso para os seus próprios bolsos, mesmo que não tenham dado um centavo até agora para o colapso do país.

A população trabalhadora grega, que já estava insatisfeita com a política do governo, intensificou as greves e manifestações em todo o país, com destaque a capital de Atenas onde até mesmo o ministério das Finanças foi ocupado pelos trabalhadores.

Apesar de toda a crise interna que está se formando na Grécia por causa do plano, o primeiro-ministro grego não adiou sua viagem para mostrar ao bloco que as novas medidas e ainda mais duras seriam capazes de levar o país à meta de reduzir 4% do déficit ainda este ano.



O fim dos “bailouts”?



No encontro do dia 6 em Luxemburgo entre George Papandreu e os outros líderes europeus, os representantes do bloco afirmaram que a Grécia terá o apoio político que precisar, mas não houve nenhuma proposta concreta de ajuda financeira.

O único país que ofereceu ajuda financeira, mas ainda assim com desconfiança e receoso dos resultados do plano aplicado pelo governo grego, foi a França.

Após o encontro onde o primeiro-ministro grego não conseguiu a ajuda que esperava mesmo depois de colocar os trabalhadores gregos contra a parede como o bloco havia pedido, Papandreu resolveu viajar por diversos países para tentar, nas relações diretas com cada governo, levantar fundos extras para estancar a sangria econômica da Grécia.

O primeiro país visitado por George Papandreu foi a França. Após a reunião entre o primeiro-ministro e o presidente francês Nicolas Sarkozy, o segundo afirmou que a Grécia pode contar com o apoio dos principais agentes da União Européia, além disso, Sarkozy declarou que tanto a França como a Alemanha e o Banco Central Europeu (BCE) estão unidos para lutar contra a especulação que tem sofrido a Grécia” (El País, 7/3/2010)

O presidente francês disse também que a Grécia não precisa de uma ajuda especial, mas mesmo assim o presidente anunciou que estão preparando medidas para socorrer a Grécia caso seja necessário, porém não detalhou o plano para não dar vantagem aos especuladores.

Já o primeiro-ministro George Papandreu disse em uma coletiva de imprensa na França que a especulação não se dirige só contra Grécia, mas também contra todos os países do euro.

Depois de passar pela França, o primeiro-ministro viajou para os Estados Unidos onde se reuniu com a secretária de Estado, Hillary Clinton na segunda-feira (dia 8) e iria se encontrar com o presidente norte-americano, Barack Obama na terça-feira. O intuito da viagem é pedir o apoio dos EUA para brecar a especulação no mercado.

Durante o encontro Hillary elogiou o plano contra os trabalhadores gregos e disse que Papandreu tem dirigido bem e agido rápido para conter a crise.

A secretária declarou em uma coletiva de imprensa que os EUA não ajudarão a Grécia financeiramente, pois nem o primeiro-ministro e muito menos o governo grego fizeram tal solicitação. O que, segundo ela, demonstra a capacidade do governo grego de se reerguer sem ajuda internacional.

Apesar da afirmação um tanto quanto exagerada, Clinton não se declarou a respeito do plano de contenção da especulação, o que demonstra não haver interesse na proposta. Na realidade, o que o imperialismo norte-americano deseja é forçar os países da Europa Ocidental a pagar pela crise grega.

O primeiro-ministro grego disse que é necessário conter os especuladores que atualmente aumentaram injustamente seus custos de financiamento para a Grécia.

Além disso, Papandreu afirmou que o país já detém uma crise muito alta e, portanto, fica inviável sustentar as taxas que estão sendo duas vezes maiores do que as oferecidas pela Alemanha, por exemplo.

Em outro discurso realizado na última terça-feira, dia 9, o primeiro-ministro grego pediu regras mais rígidas para CDS (credit default swaps, os títulos emitidos sobre a dívida que originou a crise) e para que o G20 imponha limites e mantenha os especuladores na linha.

Caso o presidente Barack Obama e os outros líderes do G20 não aceitem a iniciativa, a Europa irá agir isoladamente, comentou um jornal alemão.

Enquanto a questão não é resolvida e os especuladores continuam a cobrar os preços que querem, a Grécia segue em uma condição onde um empréstimo para aliviar um pouco os efeitos da crise pode ser algo arriscado demais tanto para a Grécia, que estará se endividando ainda mais para pagar suas dívidas, quanto para os demais países europeus, que também estão com suas economias fragilizadas pela crise e correm o risco de não ter de volta o dinheiro investido.

Além disso, a Grécia pensou em recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas o restante do bloco europeu se voltou contra a idéia, pois acreditam que o país deve resolver a crise sozinho.

Outro problema é que apesar de o primeiro-ministro não ter pedido abertamente uma ajuda financeira à Alemanha, o que todos esperavam é que isso fosse ocorrer no último encontro em Luxemburgo, mas não houve e isso porque muitos membros do governo alemão são contrários à ajuda.

A nova etapa da crise capitalista mundial está expondo o limite dos governos burgueses que tentaram cobrir os primeiros buracos do sistema financeiro e dos governos mais abalados pela crise com uma enorme injeção de dinheiro público.

Não parece mais ser uma opção realizar operações de resgate bilionárias, como as que salvaram os maiores bancos de investimentos e grandes companhias como a General Motors, e inclusive países inteiros no Leste Europeu. Na segunda onda da crise, os governos vão tentar forçar os trabalhadores a pagar pelos lucros exorbitantes que banqueiros e especuladores obtiveram nos últimos anos à custa das suas próprias condições de vida.

O desfecho da crise será dado pela intervenção da própria classe operária que já se levantou no país exigindo que os verdadeiros responsáveis paguem por ela.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dívida pública mundial chega a 85% do PIB

O endividamento da economia mundial afetada profundamente os grandes países imperialistas e arrasta com eles a economia de continentes como o europeu


Não houve um terremoto nos Estados Unidos, Europa ou no Japão como aconteceu no Haiti e mais recentemente no Chile, mas a situação destes países imperialistas, pelo menos no que diz respeito à economia, é tão devastador quanto.

Estes países estão sob os escombros da maior crise capitalista da história e novos “tremores”, a exemplo do houve no Haiti e no Chile, não param de acontecer.

Um dos mais abalados, sem dúvida, são os Estados Unidos. A crise econômica que provocou demissões, fechamento de fábricas, queda na produção, exportação etc. Fez com que a arrecadação de impostos do País caísse de 18,1% do PIB em 2008 para 14,8% em 2009.

Outro efeito causado pela crise foi o aumento dos gastos do governo que saiu em socorro de bancos, empresas e todo o tipo de instituição financeira que estivesse em dificuldades financeiras ou mesmo sob ameaça de a qualquer momento deixar de existir. Os gastos passaram de 20,7% em 2008 para 24,7% no ano passado.

Com menor arrecadação e maior volume de gastos os Estados Unidos tiveram um déficit fiscal de 10% do PIB. A dívida pública foi para 84,8% em 2009, endividamento maior de 2,9% em relação a 2008.

Crise generalizada

A política de financiamento dos capitalistas adotada pelos Estados Unidos foi a regra geral nos outros países imperialistas e conseqüentemente os efeitos da recessão também atingiu estas economias.

Uma das mais atingidas é a Europa. A arrecadação de impostos despencou de 30,9 para 29,2% do PIB. Em toda a Europa a queda foi de 8%. Uma das situações mais graves da Europa é a zona do euro. Os 16 países que tem como moeda única o euro. Países do porte da Itália e Espanha estão profundamente endividados. O mais afetado até o momento é a Grécia que tem um déficit público de 12,7% do PIB, mas o endividamento é geral. A Alemanha e a Grã-Bretanha também estão em condições semelhantes com baixíssima produção, dívida pública nas alturas e desemprego recorde com milhões de trabalhadores sem emprego. A União Européia tem uma dívida pública de 78,2% do PIB.

No Japão, o endividamento do País fez com que a dívida pública chegasse a 218,6% do PIB em 2009. É uma crise sem precedentes na segunda maior economia mundial.

A queda na arrecadação também afetou a economia brasileira. O déficit fiscal do Brasil aumentou entre 2008 e 2009, passou de 1,9% do PIB para 3,3% do PIB, respectivamente. A dívida pública brasileira foi de 68,5% do PIB no ano passado.

Em conjunto os países também estão seriamente afetados. O G-20, grupo dos vinte países mais ricos do mundo, teve um déficit fiscal de 7,9% em 2009, depois de ter registrado 1% de déficit um ano antes. A dívida geral de todos os países somada passou de 62% do PIB em 2008 para 85% do PIB no ano passado.

Efeito cascata

Com dívidas deste tamanho os países vão perder ainda mais, pois os investidores que compram ações dos títulos das dívidas destes países tendem a vender estes títulos e partir para outro investimento mais rentável, pois existe uma grande desconfiança de que a dívida não será quitada. É uma “bola de neve” que está crescendo e pode colocar em risco um continente inteiro como o europeu. Os países menores como Grécia e Portugal dependem dos grandes, com Alemanha e França para se recuperarem, mas como estes países estão profundamente afetados pela crise não terão dinheiro para “salvar” da falência total estes países menores.

A resposta da burguesia já foi dada, o corte de gastos públicos, salários, aumento da aposentadoria etc., ou seja, o ônus vai recair novamente sobre os trabalhadores. A resposta dos trabalhadores também já foi dada, greves, mobilizações e protestos cada vez mais regulares e maiores para garantir suas reivindicações.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Queda do comercio mundial, recorde de desemprego no mundo e greves, mostram o aprofundamento da crise

200 milhões de desempregados


A situação geral por que passa a economia mundial, principalmente a economia da Europa, revela a grande realidade, a crise econômica não acabou, e está entrando em um novo estágio. Agora depois do assalto feito a todos os trabalhadores, com o uso de dinheiro publico e as demissões em massa, os trabalhadores perderam a boa, e greves se espalham por toda a Europa, por sinal uma das maiores acontece justamente hoje na Grécia, com mais de 2 milhões de trabalhadores paralisados.

Outro resultado que mostra o nível da crise é o resultado divulgado hoje pela Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o comércio mundial chegou em seu nível mais critico desde a segunda guerra mundial, com uma queda de 12%. Já o número de desempregado no mundo segundo Organização Internacional para o Trabalho (OIT) ultrapassa a escala de 200 milhões.

Esses dados mostram que o movimento operário entrará em um novo momento, terão que enfrentar a burguesia para poderem ter seus direitos preservados, e pela magnitude que a própria burguesia da ao fato, os trabalhador caminhará para um momento revolucionário.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Repressão e Resseção: Governos contra o povo e nova etapa da crise capitalista na Europa

Na última semana, mesmo durante o carnaval, os governos burgueses intensificaram a repressão contra os trabalhadores e a população pobre com dezenas de prisões. Na Europa, a crise de endividamento da economia grega e de outros países da zona do euro mostra um agravamento de grandes proporções da crise econômica mundial


A repressão contra a população e os trabalhadores continua. Nem mesmo durante o carnaval os governos burgueses deram um alívio para a população. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se concentram o maior número de pessoas que comemoram o carnaval, houve uma ofensiva dos governos de Gilberto Kassab (DEM) e José Serra (PSDB) em São Paulo e Sérgio Cabral e Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro.

A perseguição cotidiana feita nestas grandes metrópoles nos bairros das periferias e morros cariocas foi intensificada durante o período de festas de carnaval.

O governo Cabral aumentou a operação “Choque de Ordem” e prendeu dezenas de pessoas na última semana. O nível de repressão é tão ridículo que mais de uma centena de pessoas foram presas simplesmente porque urinaram na rua. O número é absurdo, antes mesmo da segunda-feira dia 15, quase 150 pessoas já haviam sido detidas por urinar na rua.

Não bastasse sofrer uma repressão de grandes proporções todos os dias, com invasões constantes da polícia, força militar etc. nos morros cariocas, a população ainda foi completamente perseguida durante o feriado de carnaval.

Em São Paulo, foi o prefeito Gilberto Kassab que se prontificou em aumentar a repressão contra a população. A ordem era prender quem fosse pego jogando lixo na rua. Em dois dias, cinco pessoas foram presas na zona norte da cidade. A Polícia Militar atuou conjuntamente com as subprefeituras.

Já no estado de São Paulo foi o governador José Serra que preparou uma verdadeira operação militar para reprimir o povo. Foram utilizados 82 mil policiais e quase 30 mil veículos na Operação Carnaval 2010. Em pouco mais de um dia de operação foram feitas 3.600 ocorrências pela polícia. Destas quase 300 pessoas foram presas, sendo que 159 eram adolescentes.

A polícia ainda revistou 29.373 veículos, 14.397 motos e 76.253 pessoas em todo o estado.

Repressão organizada

Existe uma ofensiva milimetricamente organizada pelos governos municipais, estaduais e federais para promover uma repressão em todos os âmbitos contra os trabalhadores e a população pobre. Muitos desses casos foram amplamente denunciados por meio deste jornal e refletem uma orientação clara para impedir qualquer ação organizada ou não da população.

As medidas são inúmeras, vão desde punir por urinar e jogar lixo na rua, o toque de recolher no interior de São Paulo, a lei antifumo em lugares fechados que se iniciou em São Paulo e agora está sendo implantada em outras cidades e capitais, a lei seca etc.

Em São Paulo há toda uma ofensiva constante contra a população. Em dezembro, uma manifestação organizada pelos trabalhadores ambulantes da rua 25 de março, no centro de São Paulo, foi reprimida pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana.

Houve ainda a prisão de sete integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra que foram presos por ocupar a fazenda grilada pela empresa Cutrale.

A repressão a estes atos cotidianos da população, até mesmo banais, tem o objetivo de criar um clima de repressão generalizada para inibir quaisquer manifestações, protestos contra estes mesmos governos. Protestos que tendem a se generalizar, pois com a crise econômica estes governos vão atacar ainda mais as condições de vida do povo.

Nos últimos meses foram inúmeros os protestos realizados pela população contra estes governos, devido às péssimas condições de vida que estes estão impondo para os trabalhadores e a população em geral. E todos estes protestos foram atacados violentamente pela polícia.

Os casos de repressão são inúmeros. A população dos bairros da Zona Leste, que protestou contra o descaso da prefeitura que provocou alagamentos em diversos bairros desta região, também foi reprimida. Em um protesto realizado em frente à prefeitura, os manifestantes foram duramente reprimidos com cassetetes, balas de borracha e gás de pimenta.

Há também o caso dos estudantes que foram reprimidos e presos pela polícia de Serra quando protestavam na posse do reitor-interventor da USP João Grandino Rodas no último dia 25 de janeiro.

No Rio de Janeiro, a polícia também impediu o protesto da população da favela do Pavão-Pavãozinho. Foram realizados dois protestos contra as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) instaladas nos morros cariocas.

Em um balanço divulgado por um órgão oficial do governo do Rio de Janeiro é possível constatar como a repressão contra a população pobre aumentou.

Segundo o relatório, o número de prisões em geral teve alta de 22% e o cumprimento destas prisões também teve alta de 10% em 2009.

Um dos dados mais assustadores é o número de mortes. Foram 5.794 assassinatos cometidos pela PM no período de janeiro a junho de 2009. Um crescimento de 12% no número de mortes em comparação com 2008 e uma média assustadora de quase 500 mortes por mês ou mais de 15 por dia.

Decomposição do regime burguês

As medidas repressivas são uma clara reação da burguesia à decomposição política de seus governos e de sua política que estão cada vez mais impopulares. É uma tentativa de conter as manifestações e protestos. Cria-se um clima repressivo, praticamente uma ditadura, para impor para os trabalhadores, a juventude e a população pobre em geral, medidas de exceção que podem parecer banais, como a lei antifumo ou a lei seca, mas que tem como objetivo final impedir o protesto organizado contra estes governos.

Desta forma também conseguem manter o esquema de corrupção e desvio de verbas públicas para os capitalistas e grandes grupos econômicos, como a máfia dos transportes e máfia do lixo. Quanto maior o massacre da população, maior é a transferência de dinheiro para os capitalistas.

A população deve rejeitar qualquer medida ditatorial contra suas condições básicas de vida. É necessário que a população organize manifestações e protestos para exigir o fim da repressão e o atendimento imediato de suas necessidades básicas



A crise na Grécia e em toda a Europa



Depois de esbanjar trilhões de dólares para socorrer bancos, empresas, instituições financeiras falidas e apresentar como resultado o “fim da crise” e a recuperação econômica, os governos burgueses estão agora amargando um endividamento gigantesco de suas economias em uma proporção que vai agravar ainda mais a situação da crise econômica mundial.

A situação mais crítica encontra-se na Europa, especificamente, n a Grécia que apresentou sua dívida pública muito acima do exigido pela zona do euro em 2009. A dívida da economia grega atingiu 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) e está provocando um desespero generalizado tanto no mercado financeiro quanto em toda a Europa, pois este resultado pode levar à falência o bloco de 16 países que compõem a zona do euro.

O problema em si não é o fato da dívida pública grega estar acima dos 3% exigidos pela zona do euro, mas o fato de que a Grécia não tem condições para cobrir esta dívida que tende a aumentar em 2009.

Crise em toda a Europa

O pior ainda estar por vir, pois a Grécia não é o único País que se encontra nesta situação, pelo menos outros quatro países da zona do euro estão em situação semelhante. Estes países receberam a denominação de PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). O caso é muito semelhante à Grécia. Em todos estes países a dívida pública já ultrapassou os 3% do PIB. O endividamento deve-se basicamente aos inúmeros pacotes econômicos e às economias internas destes países que estão progressivamente se deteriorando.

Em todos estes países, o mercado consumidor interno está estagnado, com altas taxas de desemprego. Na Espanha, por exemplo, a taxa de desemprego está em quase 20% e, em Portugal, já são mais de 10% de desempregados. As exportações também são outro fator de crise, estão em queda constante há vários meses

Outro importante país da zona do euro que também está caminhando para o aprofundamento da recessão é a Alemanha. O país, que é o maior exportador da Europa, apresentou uma queda grande no PIB em 2009. A baixa foi de -5% no ano passado. Este resultado é uma demonstração de que não basta dizer que a crise não existe e apresentar resultados parciais positivos, como os PIB do segundo e terceiro trimestre de 0,4% e 0,7% respectivamente, para dizer que o fim da crise está próximo.

O próprio governo Alemão foi obrigado a admitir que "o consumo interno e o nível de investimentos caíram e frearam o crescimento econômico” (BBC Brasil, 12/12/2010).

Na Alemanha, as exportações, principal carro-chefe da economia alemã, também despencaram bruscamente em 2009 fazendo com que o País perdesse o posto de principal exportador mundial para a economia chinesa. A Alemanha teve perdas de 18,7% nas exportações em 2009 e 17,2% nas importações, ou seja, vendeu e comprou menos. Efeito direto de um menor ritmo da produção industrial.

Para deixar a situação ainda mais agravada, além da Alemanha, outro país imperialista também está profundamente endividado. O Reino Unido está com um déficit fiscal próximo ao déficit grego. Segundo o jornal The Times a economia britânica está com uma dívida pública de 12,8% do PIB. Esta crise na economia britânica agrava enormemente a crise em toda Europa. O Reino Unido não faz parte da zona do euro e, portanto, coloca em risco também as economias européias e outras que não fazem parte do bloco que utilizam o euro, mas estão vinculadas ao sistema financeiro do imperialismo britânico.

Apertando o cerco

O endividamento dos países é resultado direto do financiamento dos bancos centrais e cofres públicos da crise para os capitalistas, banqueiros, empresários etc. A crise foi contida em certa medida pelos pacotes econômicos que esvaziaram os cofres e fizeram com que os países apertassem o cerco contra os trabalhadores com demissões, corte de benefícios trabalhistas, corte de verbas públicas etc., por um lado, e, por outro, com subsídios para empresas e outras vantagens para os empregadores.

Com este endividamento acentuado, os governos burgueses vão apertar ainda mais o cerco aos trabalhadores. A União Européia já está preparando uma série de medidas de contenção de gastos para serem aplicadas nos países com a crise mais agravada, como a Grécia.

Neste caso, o plano é reduzir a déficit público dos atuais 12,7% para 2,8% até o final de 2012. Para atingir este objetivo a União Européia está se reunindo para estabelecer as medidas, mas algumas já foram indicadas como: reformas no sistema de pensões, administração pública, reformas no sistema de saúde, empresas, emprego, mercado, redução de salários, medidas de intervenção política, setor financeiro e bancário.

Através dessa pequena amostra é possível concluir que a redução do déficit público às custas de um ataque ainda maior às condições de vida dos trabalhadores.

A União Européia quer que tudo seja implementado em um regime de metas com datas e prazos.

A “ajuda” da União Européia à economia grega, provavelmente, deverá se estender para os outros países em crise. Como já foi gasto muito dinheiro até agora com pacotes econômicos, não haverá dinheiro para salvar os países, por isso o aperto no bolso dos trabalhadores.

O financiamento estatal que existia para segurar a economia privada dos países para que estes não fossem à falência está acabando.

A tendência geral é que a crise se intensifique nos demais países europeus, levando a um colapso econômico generalizado em toda a Europa.

Respostas dos trabalhadores

Estas medidas de contenção do endividamento da Grécia que será implantada pela União Européia e pelo primeiro ministro grego, George Papandreu, vão receber um forte oposição por parte dos trabalhadores gregos que já estão cansados das reformas feitas pelo governo.

Os trabalhadores gregos já estão se organizando para impedir mais este ataque contra seus salários. Na última semana os trabalhadores do setor público já iniciaram uma greve. Outra greve de trabalhadores do setor privado já está sendo preparada.

Com estas medidas a burguesia européia pode desencadear um movimento amplo não somente na Grécia, mas em toda a Europa.Os trabalhadores devem exigir da burguesia que a crise não recaia sobre a classe operária, mas sobre os verdadeiros culpados, os capitalistas, banqueiros e parasitas financeiros.