"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

domingo, 10 de abril de 2011

Índios sofrem atentado no Mato Grosso do Sul após ocupar fazenda

O estado do Mato Grosso do Sul está se tornando palco de intensas lutas dos povos indígenas e também um centro de torturas e assassinatos contras esses povos.

A luta dos índios terenas, na região de Miranda no Mato Grosso do Sul, pela demarcação de suas terras em meio a latifúndios está incomodando muito os políticos e latifundiários da região.

Já houve casos de torturas com participação da polícia e da Funai, desocupações sem mandato da Justiça e até mesmo desocupações feitas pelos próprios jagunços contratados pelos latifundiários, onde não houve nenhuma reação das autoridades competentes para investigar os casos. Os índios também foram despejados violentamente em 2010 pela polícia com bombas de gás e balas de borracha nessa mesma fazenda ocupada.

Para forçar a demarcação de suas terras, os terenas iniciaram uma onda de ocupações de fazendas que estão localizadas dentro de suas terras, mas que por força da Justiça não foram desapropriadas, pois são propriedades de pessoas influentes no meio político.

Nesta semana os índios ocuparam duas fazendas, Charqueada e Petrópolis, essa última de propriedade do ex-governador do Estado Pedro Pedrossian (dono de uma longa lista de partidos burgueses pelos quais passou: PSD, ARENA, PDS, PTB, PDT, PST, PMDB e atualmente PMN). Os conflitos na fazenda Petrópolis estão cada vez mais intensos. Os indígenas vinham denunciando que havia jagunços armados ameaçando os índios da ocupação. No início da noite de terça-feira, dia 5, o acampamento sofreu ataques de um grupo fortemente armado que realizou disparos em direção aos acampados. Ameaçados pelos jagunços e pela polícia os terenas se retiraram da fazenda temendo que as coisas piorassem.

Os índios lutam contra os latifundiários, o Estado burguês e até mesmo os órgão criados para seu benefício como a Funai.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, conhecido latifundiário mato-grossense e radicalmente contrário aos movimentos de luta pela terra, suspendeu o processo administrativo de demarcação das terras indígenas para beneficiar os latifundiários da região e, em especial, o ex-governador do Estado Pedro Pedrossian.

As entidades sindicais, organizações operárias e populares da cidade e do campo devem apoiar não somente com denúncias ou manifestos os índios, mas também contribuir materialmente com a autodefesa dos índios ameaçados.

É preciso denunciar o massacre e a tortura contra os indígenas no Mato Grosso do Sul promovidos com o apoio e subserviência dos governos estaduais e federal.

Todo apoio à luta dos índios e pela imediata implementação de sua reserva indígena com expropriação do latifúndio.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Movimentos sociais se movem muito devagar

Alguma coisa mudou radicalmente no âmbito dos movimentos sociais, no Brasil, a partir do ano de 2003. Aquele era o ano em que assumia o governo uma figura muito esperada por parte da esquerda: Luis Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores. Em todo o país, na quarta tentativa de Lula para assumir a presidência, o lema era de que a esperança havia, enfim, vencido o medo, e grande parte das gentes esperava significativas mudanças na vida daqueles que durante anos a fio haviam lutado para garantir um governo de esquerda no Brasil. Essa esperança trazia no seu bojo o desejo de transformações que dessem vazão a demanda popular construída ao longo dos governos de Sarney, Collor, Itamar, e FHC. Mas, com poucos meses de governo, o presidente Luis Inácio deu início a um processo de divisão e desagregação dos movimentos sociais que, hoje, passados oito anos, se configura num quadro de completa desmobilização, apatia e cooptação. Ao iniciar o terceiro mandato petista, em 2011, o que se tem de movimento social combativo no Brasil não passa de lutas pontuais, sem maiores articulações e quase sem chance de vitória.

Tudo isso não aconteceu por acaso, foi cirurgicamente constituído pelo governo hegemonizado pelo PT. Ou seja, Luis Inácio, sendo da esquerda, conseguiu fazer o que ninguém antes havia logrado: praticamente esfacelar o movimento popular. Um dos primeiros atos do governo Lula foi a realização do que ficou conhecido como a “contra-reforma da Previdência”. Apesar de, durante o mandato de Fernando Henrique, o PT ter sido o partido mais importante na luta contra as medidas de mudança na Previdência, foi Lula quem conseguiu colocar em prática quase tudo o que as grandes corporações de previdência privada desejavam há tempos. A proposta de reforma tinha no seu conteúdo o aumento da idade para aposentadoria, o fim da aposentadoria por tempo de serviço, o fim da aposentadoria integral e entrada da previdência privada na vida dos brasileiros como única forma de garantir um salário viável quando chegasse a hora de se aposentar. No geral, isso significava um duro golpe nos trabalhadores.

Foi aí que começou a divisão. Parte dos sindicatos e partidos de esquerda decidiu apoiar o governo as sua proposta de mudança na Previdência. Alguns deles de boa fé, acreditando que seria impossível ao PT apresentar qualquer proposta que viesse trazer prejuízo aos trabalhadores. Outra parte já estava cooptada com cargos no governo, servindo como espaço de abafamento das lutas. Apenas uma pequena parte do mundo sindical decidiu se insurgir contra a medida. Foi, então, deflagrada uma greve, que teve a participação da maioria dos trabalhadores do serviço público, naquela contra-reforma os mais atingidos. Mas, mesmo dentro das entidades dos trabalhadores do serviço público houve divisão, o que acabou enfraquecendo o movimento. Tudo isso mostrou o quanto o movimento sindical estava fraco, despreparado, incapaz de dar respostas eficazes ao ataque governista.

A greve contra a reforma previdenciária durou três meses e terminou com um saldo melancólico. O governo do PT, nascido das lutas sindicais e populares, sabia muito bem como fazer para destruir a unidade dos trabalhadores e decidiu oferecer ganhos salariais separadamente para as categorias em luta. O resultado foi a completa desagregação.

Algumas lideranças insistiam em defender a proposta governamental, acreditando que era o melhor para o Brasil, e outras aproveitaram para garantir melhorias financeiras para suas bases. Assim, ao final da luta, a reforma passou e algumas categorias de trabalhadores conseguiram aumentos significativos. Durante esse processo muitas lideranças sindicais não conseguiram informar com clareza que a reforma proposta aniquilaria esses aumentos quando a aposentadoria chegasse. Todo esse despreparo juntou-se ao desinteresse da maioria dos trabalhadores para um tema que consideravam muito longínquo, como a aposentadoria. Boa parte deles preferiu render-se ao aceno de ganhos salariais e a greve que iniciara como uma luta contra a reforma acabou com a apresentação de tabelas de reajustes financeiros.

Não bastasse isso, a reforma garantiu a entrada definitiva dos fundos de pensão, obrigando os trabalhadores que ganhavam mais de 2.300 reais a optar por esta alternativa de risco. Sim, de risco, porque os fundos de pensão recolhem dinheiro dos trabalhadores e jogam com ele na bolsa de valores, o que significa que ao final de uma vida de trabalho a pessoa pode tanto ter o seu dinheiro, como não ter. Esse risco nunca foi bem trabalhado por parte das lideranças sindicais, um pouco pelo já citado despreparo, e outro pouco pela cooptação como se pode observar na declaração da diretora executiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Denise Motta, durante uma plenária de servidores federais em Brasília: "Uma greve pela retirada da reforma tem poucas chances de ser vitoriosa".

Mais tarde, em 2005, toda essa operação de aprovação da reforma da Previdência estourou como o escândalo do “mensalão”, no qual ficou comprovado que o governo havia comprado o voto de boa parte dos parlamentares para que fossem favoráveis à reforma. Também mais tarde foram os parceiros político de Lula os que assumiram o comando das empresas de fundo de pensão, como denuncia o jornalista Ranier Bragon: “O DNA político dos 43 dirigentes dos grandes fundos de pensão estatais brasileiros mostra uma forte relação com partidos políticos, notadamente o PT, sendo que um dos elementos dessa ligação pode ser medido objetivamente: 56% desses diretores fizeram doações financeiras a candidatos nas últimas quatro eleições. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, foi o destinatário de quase um terço delas. Sete dos dez diretores dos maiores fundos são do PT” (http://www.conjur.com.br/2009-mar-08/pt-diretores-10-maiores-fundos-pens...).

Logo, estava tudo muito claro. A batalha da Previdência inaugurava um novo tempo no Brasil, no qual a esquerda haveria de se ver bastante despreparada para agir. Em praticamente todos os sindicatos e movimentos populares a reforma da Previdência cobrou seu preço. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, um dos mais importantes e fortes espaços de luta do país, não tomou partido, mantendo-se neutro nesse debate. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) preferiu apoiar o governo, os trabalhadores das empresas privadas foram instados a ficar contra os trabalhadores públicos, numa batalha intraclasse e a pequena parcela da esquerda combativa que conduziu a greve de 2003 teve de conviver com as acusações de que estava fazendo o jogo da direito, que lutava por privilégios, que estava tentando desestabilizar o governo popular.

Ainda assim, as entidades que atuaram na greve contra a reforma da Previdência entenderam que era preciso encontrar uma forma de articulação nacional para dar vazão às lutas que se anunciavam. A CUT estava cooptada e mais tarde, em 2007, isso se concretizou com a indicação do seu presidente, Luis Marinho, para assumir o Ministério do Trabalho e Emprego. Então começou um processo de construção do que ficou conhecido como Coordenação Nacional de Lutas, a CONLUTAS. Esta coordenação realizou encontros nacionais e apontou novas estratégias para a defesa dos trabalhadores. Durante a greve, tudo funcionou muito bem, mas, tão logo o movimento paredista acabou, mesmo esta coordenação começou a dar sinais de esfacelamento, o que também denotou o despreparo teórico e político por parte das lideranças sindicais. A direção, hegemonizada pelo Partido Socialista dos Trabalhadores do Brasil (PSTU), encontrava franca oposição por parte de outras forças e mesmo dentro deste incipiente espaço de luta criado com a greve, a divisão igualmente se formou. O final do ano de 2003 foi profundamente confuso para os trabalhadores e não havia sindicato ou movimento combativo que não estivesse tremendamente cindido.

O governo atacou com mais um golpe certeiro a luta sindical. Criou, ainda em 2003, o Fórum Nacional do Trabalho e Emprego, um espaço que se dispôs a reunir trabalhadores, governo e patrões, no melhor estilo da conciliação de classe. A idéia era discutir conjuntamente as estratégias para uma convivência pacífica entre capital e trabalho, forçando a criação de uma reforma sindical. Mais uma porta para a cooptação, uma vez que os representantes dos trabalhadores foram indicados pelo governo. Não bastasse isso, ainda havia as diárias e ajudas de custo, que tornavam o Fórum muito mais atrativo, fazendo com que os membros representantes dos trabalhadores não abrissem mão da participação. Além disso, a proposta de reforma que foi sendo gestada no FNTE acabou atrelando fortemente o mundo sindical ao Estado, a ponto de as Centrais Sindicais serem legalizadas, tendo de cumprir uma série de requisitos para garantir a representação dos trabalhadores. Ou seja, o Estado e os patrões definiram juntos as regras para a organização dos trabalhadores, coisa que em governos anteriores teria posto o movimento sindical inteiro na rua. Mas, no governo Lula, apenas algumas entidades ligadas a CONLUTAS bradaram contra isso.

A reforma sindical também provocou mudanças radicais na vida dos trabalhadores. De repente, a luta sindical combativa, que era quase uma muralha homogênea articulada pela CUT, cindiu-se em várias centrais. Cada partido decidiu criar a sua central e em poucos anos o Partido dos Trabalhadores hegemonizava a CUT, o Partido Comunista do Brasil, a CTB, o Partido Socialista dos Trabalhadores Brasileiros, a Conlutas e o Partido do Socialismo e da Liberdade, junto com algumas tendências do PT atuava na Intersindical, isso sem contar as centrais atreladas a partidos de direita, que, nesta conjuntura atuaram também apoiando o governo de Luis Inácio. Em 2010, Conlutas e Intersindical ainda tentaram um congresso que unificasse as forças mais à esquerda, mas tudo acabou em nada, com mais uma tremenda divisão num congresso melancólico.

Ainda no bojo das reformas, ou contra-reformas, o governo decidiu atacar a universidade e, com isso, acertar de morte um dos movimentos mais fortes no país: o dos docentes e dos técnico-administrativos, todos trabalhadores das universidades. A proposta de reforma era o desmonte da educação superior pública, com a privatização avançando pela beiradas. Criou também o Programa Universidade para Todos (Prouni), uma proposta que garantia renúncia fiscal para as universidades privadas, caso elas oferecessem bolsas de estudo a jovens oriundos do ensino público. Essa política serviu como uma grande alavanca de propaganda do governo que ganhou a mente das famílias empobrecidas que agora poderiam ter um filho na faculdade. Mas, para se ter uma idéia, só no ano de 2010, segundo o Ministério da Educação, o Prouni concedeu 241.273 bolsas de estudos para estudantes empobrecidos, e apenas metade delas foram integrais, o que significa que mais de 100 mil estudantes ainda tiveram que encontrar formas de viabilizar o pagamento das mensalidades.

Com estas bolsas o governo deixou de arrecadar em impostos (renúncia fiscal das universidades privadas) apenas 105 milhões de reais, “um custo muito baixo”, segundo os administradores do programa. Por outro lado, com as verbas disponibilizadas para a iniciativa privada, as universidades públicas poderiam suprir uma demanda de mais de 400 mil vagas, todas públicas, verdadeiramente sem custos para os estudantes. Mas, essa reivindicação não conseguiu se concretizar. Assim, o governo enfraqueceu as Instituições Federais de Ensino e salvou da ruína as universidades privadas que estavam em grave crise. A proposta de garantir educação de segunda classe para os pobres venceu, com a manutenção da lógica de desmonte nas universidades públicas. Coisa que pareceria impensável num governo do PT. A destruição que isso provocou no movimento dos trabalhadores se refletiu no sindicato nacional dos professores, que acabou dividido em duas instituições distintas, e o dos técnico-administrativos gravemente esfacelado no seu interior, a ponto de entre os trabalhadores nascer a cisão entre os governistas e os não-governistas. Um massacre na luta. As disputas internas paralisaram o movimento e muito pouco se conseguiu avançar no campo geral das lutas.

No campo popular esta divisão também acabou se explicitando. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, por exemplo, ficou no silêncio por um longo tempo, em apoio ao governo Lula. Durante as primeiras reformas, que arrasaram a vida sindical e a educação, não houve muito apoio, a não ser de algumas lideranças isoladas. Só bem mais tarde, já no segundo mandato petista que o MST começou a fazer críticas, até porque o governo de Luis Inácio avançou muito pouco na questão da reforma agrária. Em contrapartida, a ligação com o agronegócio se fez de forma muito sólida e se consolidou na liberação dos transgênicos, reivindicação antiga dos mega fazendeiros. Já no campo das desapropriações de terra para os trabalhadores os números foram bem menores do que os do governo de FHC. O governo diz em seus relatórios que aumentou em 120% as desapropriações de terra, mas, conforme estudo do geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, professor da Universidade de São Paulo (http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/50480_INCRA+INFLA+NUMEROS+DE+RE... ), desse total, 26,6% já estava nas mãos de famílias que produziam, só não tinham o título, 38,6% era de terrenos abandonados, ocupados por famílias. Assim, apenas um terço deste total seria de assentamentos novos. Ainda observando os números vê-se que seguiu de forma sistemática a violência no campo, outra grande demanda do movimento. Segundo a CPT, as tentativas de assassinato passaram de 44, em 2008, para 62, em 2009; as ameaças de morte, de 90, foram para 143; o número de presos nos conflitos de terra aumentou de 168 para 204. O ano de 2008 registrou 9.077 famílias despejadas, subindo para 12.388 em 2009. Também aumentou o número de famílias ameaçadas por pistoleiros, de 6.963 para 9.031. Esses dados fizeram o MST começar a esboçar uma reação, mas nada muito contundente.

Assim, ao longo dos oito anos do governo Lula, conseguiu-se o que a direita brasileira não lograra em décadas: dividir e enfraquecer a luta popular. As demais batalhas que se viram no país, como a que exigia a não transposição do Rio São Francisco, ou a construção da Barragem de Belo Monte, foram e seguem sendo lutas quase isoladas, muito pouco divulgadas e sem uma articulação nacional. Como as centrais sindicais estão esfaceladas e, na maioria, atreladas ao governo, não há um movimento que informe e organize a resistência em todos os estados do país. As lutas acabam sendo pontuais e envolvendo apenas as pessoas que circulam na região onde acontecem os fatos. Tudo fica desagregado, logo, sem força.

No norte do país, o movimento indígena também tenta desesperadamente avançar nas suas demandas, contra a usina de Belo Monte, pela demarcação de terras, contra a invasão de terras já demarcadas, mas, igualmente, acaba fazendo uma luta isolada, sem ressonância nas demais categorias. As lutas populares acontecem premidas pela conjuntura e sem encontrar uma articulação nacional que provoque a solidariedade de classe.

Outras importantes lutas também aconteceram, com destaque nacional. Em lugares como São Paulo o movimento de famílias sem-teto foi bastante forte durante o governo de Lula, com muitas ações e grande resistência. Também o movimento pelo transporte público mobilizou grandes multidões em Florianópolis, Salvador e São Paulo. Mas, como lutas conjunturais e isoladas, não conseguiram articulação necessária para incendiar o país inteiro, ainda que o temas como transporte e moradia sejam muito sensíveis na população.

A Central de Movimentos Populares, que também teve importância capital na articulação das lutas durante o governo de FHC, e que, junto com o Jubileu Sul, organizou nacionalmente a luta contra a dívida externa, arrefeceu, e tampouco conseguiu juntar os movimentos em lutas nacionais durante o governo Lula. Hoje, o governo federal fala em fim da dívida externa e até chegou a emprestar dinheiro para o FMI. Por outro lado, conforme relatório do Ministério da Fazenda (http://www.tesouro.fazenda.gov.br/hp/relatorios_divida_publica.asp), o país tem uma dívida interna de um trilhão e 628 bilhões de reais por conta de praticar as mais altas taxas de juros do mundo. Poucas são as entidades que falam sobre isso e propõem lutas contra essa sangria da economia nacional. Tampouco se consegue atingir a opinião pública com essas informações, que no geral só circulam em fóruns particularizados. Atualmente, no Brasil, dentro deste universo de dívida, os Bancos detêm 35,4%, num total de 536 bilhões, sendo os fundos de pensão os que vêm logo atrás com 31,3%. Uma bola de neve que cresce dia-a-dia, sem que os movimentos consigam eficácia na denúncia dos malefícios que advém desta situação.

Uma olhada no boletim da dívida produzido pela Auditoria Cidadã da Dívida deixa muito claro o que causa ao país esta política: do orçamento geral da União executado em 2009, num total de 1,068 trilhão de reais, 35,57% foram para pagamento de juros e amortização da dívida, logo dinheiro praticamente morto. Se considerarmos que outros 25,91% vão para a Previdência e 11,06% seguem para Estados e municípios, o que sobra é muito pouco para investimento real.

Agora, em 2011, a presidenta Dilma Roussef, também do PT, inicia seu mandato com a reestruturação ortodoxa de todo o pessoal da área econômica. As mesmas figuras que atuaram na política conservadora, as mesmas propostas de juros altos e superávit a custa do sacrifício popular. Não bastasse isso já anunciou para este ano um corte de 50 bilhões no orçamento do país e todos sabem onde isso vai bater: cortes na saúde, na educação, na segurança, na política de moradia, na cultura, na ciência e tecnologia. Ou seja, de novo, os mais pobres seguirão pagando a conta para que os mais ricos sigam tendo lucros astronômicos. Projetos como o Bolsa Família, que garante renda mínima (140 reais) a quase 12 milhões de famílias, são importantes, mas não passam de paliativos. Não há, no governo petista, qualquer proposta de emancipação real dos mais pobres. Ainda assim, no início deste ano, com tantas medidas de recessão, ainda são poucos os movimentos de luta. Se algo se move no Brasil, são pequenos e pontuais movimentos que ainda não conseguiram uma articulação capaz de dar conta de uma luta unificada neste país continente de mais de 8.511.965 km2 de comprimento.

Para alguns analistas como o professor de Economia da UFSC, Nildo Ouriques, será preciso que a crise se instale com mais concretude para que os movimentos sociais iniciem um processo unificado de luta efetiva nas ruas. Mas, mesmo que isso aconteça, sem uma proposta nacional e revolucionária que possa organizar essas lutas, as ações seguirão sendo pontuais e inócuas do ponto de vista da transformação. Por enquanto ainda não se vislumbra no horizonte a possibilidade de uma ação coordenada nacionalmente. Falta preparo aos dirigentes e falta um projeto unificador para que os trabalhadores do Brasil, os movimentos sociais e os sindicatos possam entrar finalmente no rol das grandes transformações que já se constroem em outros países da América Latina.

Condecorada pelos golpistas - Dilma e militares fazem acordo para não abrir os arquivos da ditadura

Poucos dias depois do aniversário de 47 anos do golpe de Estado de 1964, Dilma Rousseff foi condecorada pelos militares. A presidenta recebeu a insígnia de Grã-mestra da Ordem do Mérito da Defesa, com as ordens do mérito militar - a mais elevada condecoração do Exército. A homenagem dos militares à presidenta ocorreu em Brasília, no dia 5 de abril, durante uma solenidade de promoção de oficiais das Forças Armadas.

Nos dias que antecederam a data do golpe militar, 31 de março, uma nova discussão veio à tona entre os militares e o governo. O aniversário do golpe que derrubou João Goulart foi retirado das datas comemorativas das Forças Armadas Brasileiras. Um dos eventos que foram cancelados em razão disto foi a palestra do ex-diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia, o general do Exército Augusto Heleno. O tema da palestra era “A contrarevolução que salvou o Brasil”, uma clara manifestação de apoio ao golpe de 1964.

O fato de Dilma ter sido presa durante o regime militar e a possível instalação da Comissão da Verdade para apurar os crimes cometidos contra os opositores da ditadura, já ocorreram este ano várias crises entre os militares e o governo. Por isso, a condecoração de Dilma Rousseff foi assinalada pela imprensa capitalista como uma forma de conciliação entre o governo e os militares.

A condecoração que Dilma Rousseff recebeu dos militares deve ser visto com uma atitude política, e não como uma mera formalidade entre o chefe do executivo e as Forças Armadas.

Por isso, esta condecoração mostra sem sombra de dúvidas que há um acordo entre o governo do PT e os militares. Neste momento, um dos temas mais relevantes para a cúpula das Forças Armadas é a questão da abertura dos arquivos da ditadura. O que incomoda os militares é que se os documentos se tornarem públicos, a população passará a exigir a punição dos torturadores e assassinos daquele período, a revisão da Lei da Anistia etc. Tudo isso impulsionaria ainda mais a tendência já existente dos trabalhadores e da juventude de entrar em luta contra o atual regime político.

Neste sentido, a conciliação do PT com os militares mostra que há um pacto para preservar os interesses das Forças Armadas e indica que não faltarão esforços das duas partes para impedir que a abertura dos arquivos e a punição dos militares aconteçam.

Este acordo significa a manutenção do status quo atual, ou seja, a perpetuação de um regime de aparência democrática, mas que mantém fundamentalmente as mesmas estruturas e características fundamentais da ditadura.

A insígnia de Grã-mestra da Ordem do Mérito da Defesa é entregue para aquelas pessoas que prestaram relevantes serviços às Forças Armadas. O grande serviço Dilma Rousseff tem prestado é a manutenção dos militares de extrema-direita em postos chaves do Estado capitalista, escondendo seus crimes contra o povo brasileiro.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Após recordes de lucros - Bancos demitem trabalhadores

O dinheiro da população distribuído para os banqueiros durante a crise foi enorme e chegou à casa dos bilhões com a criação em 2008 do chamado Fundo Soberano para salvar os bancos falidos, enquanto outros setores da economia e de assistência social da população estavam sendo reduzidos a patamares muito baixos.

Nesse sentido, os bancos nunca lucraram tanto como nesse último período. A política de distribuição de dinheiro da população aos banqueiros e alta taxas de juros, garantiram recordes de lucratividades dos bancos.
Enquanto os bancos lucram, os trabalhadores sofrem cada vez mais com o arrocho salarial, aumento da carga de trabalho, assédio moral e, agora, demissões.

Segundo os sindicatos ligados aos trabalhadores bancários as demissões começam a atingir patamares preocupantes e deixam de ser um número estável e comum. Os bancos estão demitindo mais que o normal e quando verificados revelam que os bancos de menor porte já demitiram 890 trabalhadores.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro os bancos de investimento demitiram 500 pessoas no UBS Pactual, no Crédit Suisse, no Citibank, no Itaú BBA, no Goldman Sachs, no Société Générale, no Merrill Lynch e no JPMorgan.
O HSBC fechou um centro administrativo no Rio com 200 pessoas e outras 60 demissões ocorreram no HSBC em São Paulo.

Os maiores bancos do país também estão no mesmo caminho das demissões. Após a compra do Banco Real, o Santander demitiu mais de 400 trabalhadores. O caso do Santander é o mais graves entre os bancos, pois há denúncias dos trabalhadores de um plano para demitir milhares de bancários em 2011, para reduzir os gastos e manter a taxa de lucro.

Depois de explorarem ao máximo os trabalhadores, e com o aprofundamento da crise o setor começam as demissões para manterem seus lucros.
Os bancos contam com o apoio irrestrito dos governos de FHC a Lula, situação essa que impulsionou a lucratividade dos bancos de maneira nunca antes vista no país.

Com a evolução e agravamento da crise capitalista, a farra dos bancos revela o esgotamento desse modelo parasitário. Com a crise do crédito, o fantasma da inflação e da desaceleração das economias mundiais o setor começa a demitir para continuar lucrando.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

WikiLeaks revela - A imprensa burguesa foi financiada pelo imperialismo para difamar o governo do Irã


Alguns dias atrás publicamos neste jornal o artigo "Imprensa brasileira ou agência noticiosa do imperialismo norte americano?", onde mostramos que as notícias publicadas pelos principais jornais, revistas e canais de televisão brasileiros não passavam de releases do Departamento de Estado Norte-Americano. Uma das denúncias feitas foi sobre o posicionamento da imprensa quanto ao voto do governo Dilma na ONU contra o Irã.
O artigo dizia: “São milhares os exemplos, mas recentemente dois fatos se destacaram: a visita de Obama ao Brasil e o voto do governo Dilma na ONU contra o Irã (...)

“O mesmo se deu com o recente caso do Irã. O representante brasileiro na ONU votou, sabidamente por acordo com os Estados Unidos, por enviar um relator para observar a situação dos direitos humanos no Irã. Quanto cinismo! Justamente o país que montou a maior rede de violação dos direitos humanos, com um sistema internacional de tortura, que já existiu.
“Em todas as situações, a imprensa se coloca incondicionalmente a favor dos Estados Unidos, assim como critica implacavelmente todos os seus opositores, mesmo os mais frouxos, como Hugo Chávez” (Causa Operária Online, 28/3/2011).

O último documento secreto que o WikiLeaks revelou sobre o Brasil mostra que nossa análise estava correta, em particular sobre o caso do Irã. De fato, a imprensa não só estava encobrindo as intenções do imperialismo, como é o próprio imperialismo quem articula a publicação destas matérias.

O caso da lei de “Difamação de Religiões”

Para pressionar e intervir no Irã, o governo dos Estados Unidos, com a ajuda do Egito, na época dirigido pelo ditador Hosni Mubarak, consegui aprovar uma resolução na ONU sobre a “Difamação de Religiões”. O objetivo era punir as instituições, sobretudo os governos que difamassem alguma religião.

O intuito do imperialismo não era proteger nenhuma religião, mas criar um pretexto para acusar o Irã de violar os direitos humanos pelos ataques que o governo de Mahmoud Ahmadinejad faz à oposição sunita financiada pela Casa Branca.

No documento do WikiLeaks, a embaixada dos EUA em Brasília revela claramente que comprou matérias nos principais órgãos de imprensa com este fim.

No telegrama pode ser lido o seguinte: “Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da [resolução da ONU sobre a] difamação de religiões. Mas o Brasil é uma sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país.

Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira”. [grifo nosso]

A campanha orquestrada pelo imperialismo

Ao observarmos as revelações feitas pelo WikiLeaks e o noticiário da época em que a ONU aprovou a resolução em questão, dezembro de 2010, veremos que a conclusão que a imprensa nacional está sob as ordens do imperialismo é verdadeira. Em uma matéria que está no site da revista Veja pode ser encontrada uma matéria que segue passo a passo as instruções do embaixador os Estados Unidos de como a imprensa brasileira deve manipular a opinião pública.

Primeiro, a matéria busca respaldo de “intelectuais respeitados”, assim como determina o imperialismo. No texto, Veja se refere à resolução de Difamação de Religiões como “blasfêmia”. No artigo "Leis contra a blasfêmia se tornam instrumento político em países islâmicos", podemos ler o seguinte: “as penas mais severas e a instrumentalização da lei para fins políticos, para aniquilar minorias religiosas e até para justificar ataques terroristas, ocorrem com mais frequência em países islâmicos. “As atuais leis da blasfêmia parecem ser produto das ansiedades modernas sobre o lugar do Islã no mundo e da preocupação dos governos com a insegurança política e a falta de legitimidade”, diz Khaled Abou El Fadl, professor de Direito Islâmico, na Universidade da California, Los Angeles (Ucla) e uma das maiores autoridades do mundo no que se refere à legislação islâmica. “Estas leis são sempre aplicadas em uma perspectiva política contra oponentes políticos. Elas se tornaram claramente ferramentas para o abuso de poder”, completa o especialista...” (Veja.com, 20/2/2011).

O telegrama secreto da embaixada dos Estados Unidos disse que “tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos Estados Unidos e intelectuais respeitados” para que estes defendam a política do governo norte-americano. Este é um exemplo do sucesso do controle do imperialismo sobre aquilo que os brasileiros lêem.

Críticas ao Irã

A matéria também critica abertamente o Irã e usa novamente um “especialista” para tentar convencer a opinião publica do que a revista Veja, ou melhor, o imperialismo defende.

“O Irã tem um Código Penal com uma série de leis abrangentes e vagas. Nele, insultar a religião islâmica pode levar à prisão e até à pena de morte. De acordo com Payan Akhavan, iraniano e professor de Direito Internacional na Universidade McGill no Canadá, o conceito também é instrumentalizado e usado contra minorias religiosas e oponentes do regime.

“O que o governo diz é: ‘nós somos a República Islâmica, nós representamos o Islã e se você nos criticar, estará criticando o Islã. Portanto, estará insultando Deus”, afirma o especialista, que foi um dos primeiros promotores do Tribunal Penal Internacional da ONU, em Haia, e atuou em grandes casos, como o do ex-presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic. “Insultar Deus e o Islã pode levar à pena de morte. Então, se você criticar o supremo líder por corrupção, também estará criticando Deus e pode ser sentenciado à morte. Este é o tipo de construção ideológica.”

Finalmente, temos neste trecho, a odiosa revista Veja fazendo tudo que o governo dos Estados Unidos determinou. Usar um especialista para atacar o Irã por “violar os direitos humanos” e atacar opositores.

O governo Dilma votou na ONU a favor de que o imperialismo possa intervir no Irã. A desculpa é a violação dos direitos humanos. O que é no mínimo ridículo, pois os Estados Unidos são os principais responsáveis pela violação dos direitos fundamentais dos cidadãos, seja com o financiamento de ditaduras, a organização de golpes de militares de direita ou com as torturas praticadas em prisões da CIA espalhadas pelo mundo, como em Guantánamo e Abu Ghraib.

Agora, depois do documento publicado pelo WikiLeaks, fica revelado que matérias com esta da revista Veja servem para dar respaldo à política do imperialismo, enganado a opinião pública.

A defesa dos “direitos humanos” feita pela Veja e suas denúncias contra o governo iraniano não passam de uma propaganda do imperialismo que tem como objetivo intervir no país islâmico para controlá-lo política e economicamente.

É preciso denunciar a imprensa brasileira e mostrar que esta não passa de uma agência noticiosa do imperialismo norte-americano.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Mini-ditador proíbe o PCO de fazer campanha contra o aumento da passagem e as enchentes


Há mais de um mês o Partido da Causa Operária (PCO) vem realizando uma importante atividade de agitação e propaganda na cidade de São Paulo. Diariamente, os militantes do partido montam uma banca na Praça do Patriarca, localizada na região central da cidade, e realizam uma campanha política, distribuindo boletins, colhendo assinaturas, e divulgando o jornal Causa Operária e outros materiais do partido aos trabalhadores que circulam pelo local.

Nas últimas semanas, a campanha realizada pelos militantes do PCO era contra o aumento da passagem e pelo “Fora Kassab”. A campanha denuncia todas as políticas do mini-ditador que colocaram a maior cidade do país em uma situação caótica, como pode ser visto nas enchentes do início do ano. Além disso, a atividade também servia como forma de convocar a população para os atos contra o aumento da passagem do ônibus que estão ocorrendo toda semana em São Paulo.

A atividade política realizada pelo PCO ganhou grande apoio da população, o que pode ser visto no grande número de jornais Causa Operária adquiridos pelos trabalhadores e estudantes, em manifestações de apoio das pessoas que passavam pelo local e nas quase dez mil assinaturas contra o aumento da passagem recolhidas nessas poucos dias de campanha.

Para impedir que a campanha do PCO progredisse e ganhasse uma adesão ainda maior dos milhares de trabalhadores que passam pela Praça do Patriarca todos os dias, o mini-ditador de São Paulo, Gilberto Kassab, decidiu reprimir a atividade política do partido.

Na tarde desta quarta-feira, 30 de março, por volta das 14 horas a prefeitura impediu de forma ilegal que a atividade política do PCO, um direito constitucional, tivesse prosseguimento. Três guarda civis metropolitanos (GCM), oito agentes da prefeitura e dois coordenadores da subprefeitura da Sé agiram de forma truculenta contra os militantes do partido que estavam no local, apreendendo boa parte dos materiais distribuídos à população e a estrutura usada na atividade, como um banner. Entre os materiais apreendidos estavam centenas de boletins que divulgavam a campanha pelo “Fora Kassab” e o ato contra o aumento da passagem ocorrido na noite de quarta-feira .

Os agentes da prefeitura e os policiais foram diretamente até a banca do PCO que era usada na atividade. O que não deixa dúvida que foi uma ação repressiva direcionada a por fim a uma atividade contra Kassab, pois não se tratava das fiscalizações contra camelôs que normalmente ocorrem naquela região. Foi uma típica medida ditatorial de um governo de direita contra a atividade política revolucionária de um partido operário.

A operação e a forma com que os guardas agiram contra as pessoas que realizavam a campanha foram retratadas por um dos militantes do PCO presentes no local, o estudante André Sarmento. “Os agentes da subprefeitura da Sé chegaram informando que tinham ordens superiores para realizar a apreensão do material. Não houve qualquer diálogo. Eu e outros companheiros tentamos explicar que aquilo era parte da atividade do PCO, e como tal era legal. Tentamos negociar e evitar que o banner fosse aprendido. Pedimos tempo para entrar em contato com o nosso departamento jurídico, mas eles não aceitaram.

“Empurraram um dos nossos militantes e começaram a desmontar o material à força, danificando o mesmo. Pedimos uma declaração sobre os motivos da apreensão, mas eles se negaram a apresentar qualquer documento. Nos deram apenas três lacres de identificação, um procedimento padrão na apreensão realizada por estes agentes e jogaram o material em um caminhão baú.

“Eles também disseram que estávamos proibidos de panfletar no local e que nossa atividade contrariava a Lei Cidade Limpa”, afirmou.

Kassab é ditadura

Proibir qualquer pessoa de distribuir panfletos e de divulgar suas idéias é um atentado contra as liberdades democráticas mais elementares. Reprimir um partido político, impedindo-o de distribuir boletins e de divulgar seu órgão de imprensa em um local público, como é o caso da atividade na Praça do Patriarca é completamente antidemocrático. Neste caso, o ex-político do DEM mostra que é um típico herdeiro da ditadura militar.

Essa atitude de Kassab é mais uma tentativa de aumentar a repressão e fazer os órgãos de repressão perseguirem e prenderem qualquer opositor dos ditadores que comandam o governo.

Outro fato relevante é que um dos pretextos para ação, conforme relatou um dos guardas municipais aos militantes do PCO, era a Lei Cidade Limpa. Em primeiro lugar, a ação é completamente ilegal e contraria a Constituição que prevê a liberdade de expressão e de divulgação de idéias. A utilização da Lei Cidade Limpa para reprimir uma atividade política de uma organização operária prova o que estamos falando dela desde que foi aprovada, no final de 2006: trata-se de um pretexto para reprimir. A defesa de uma cidade mais bonita, além de uma idéia absurda, não passa de uma forma de convencer uma parcela conservadora da pequena burguesia a ser conivente com essa política repressiva.

Diante desta agressão política, o Partido da Causa Operária tomará todas as medidas legais contra a prefeitura, a Guarda Civil Metropolitana e todos os órgãos responsáveis, entrando com um processo por violação de direitos constitucionais contra eles.

Além de todas as medidas legais cabíveis, o PCO ampliará sua campanha de denúncias contra as medidas ditatoriais de Gilberto Kassab à frente da prefeitura de São Paulo. A campanha pelo “Fora Kassab” é um dos meios de levar esta luta adiante.

Chamamos toda a população e as organizações operárias e democráticas a repudiarem este ataque ao PCO e a se incorporarem nesta luta contra o mini-ditador que governa a cidade de São Paulo.


Professores completam três semanas de greve em Honduras

A greve dos professores de Honduras contra uma lei de descentralização educativa e por mais duas reivindicações completou nesta quarta-feira (30) três semanas. Os grevistas realizaram novos protestos na capital Tegucigalpa e em outras localidades.

terça-feira, 29 de março de 2011

Líbia - Qual o destino da guerra civil?



Na segunda-feira, as forças revolucionárias líbias afirmaram ter tomado Sirte, cidade natal de Muamar Kadafi e importante centro político regional que, além de sediar os eventos e acordos comerciais do regime com o imperialismo, possui também grandes depósitos de armas.

A cidade é tida como um dos principais redutos tribais do País, situada a cerca de 450 quilômetros ao leste de Trípoli.

A agência estatal líbia “Jana” informou que a invasão foi precedida de intenso bombardeio, que facilitou o avanço dos milicianos.

Enquanto as bombas lançadas pelo imperialismo sobre o país ainda matam civis e danificam instalações estratégicas do regime de Kadafi, os governos que estão à frente da coalizão discutem os próximos passos da “estabilização”.

Uma reunião marcada para esta terça-feira, dia 29, pretende discutir o “futuro pós-Kadafi” da Líbia, de acordo com uma nota publicada pelo governo norte-americano.

“Acreditamos que seja muito importante definir um objetivo, uma visão de futuro”, declarou o conselheiro de Segurança Nacional do presidente Barack Obama, Denis McDough. O representante do governo norte-americano completou, “não vamos liderar a reunião, que será dirigida pelo Reino Unido, mas esperamos que se definam o objetivo politico final e que aqueles líbios podem esperar”.

O fim da primeira etapa das operações militares - dos bombardeios em larga escala - e a entrega do comando das operações à OTAN no final da última semana, marcam a transição que o imperialismo espera conseguir conduzir no próximo período.

Com todas as opções na mesa, os representantes dos governos imperialistas à frente da invasão da Líbia não descartaram ainda a possibilidade de realizar um acordo com Kadafi, promover uma reorganização do regime mantendo-o à frente do país e forçando uma política de “coabitação” com a oposição de Bengazi.

A partilha da Líbia, um desdobramento possível da intervenção militar capitaneada pelo imperialismo norte-americano, representa uma ameaça ainda maior para a revolução do que para o próprio regime de Kadafi.

domingo, 27 de março de 2011

Operários de novas obras do PAC ameaçam entrar em greve

Assim como ocorreu nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimentos) da hidrelétrica de Jirau e de Santo Antônio nas semanas anteriores, os trabalhadores da Transnordestina e da transposição do rio São Francisco podem entrar em greve nesta semana. Eles reivindicam aumento de 20%, elevação no valor da hora-extra de 60% para 80%, pagamento de adicionais de periculosidade e de insalubridade e folga de campo a cada 90 dias para os que atuem longe de casa.

Foi enviada uma pauta de reivindicações no dia 28 do mês passado e até agora não houve resposta das construtoras responsáveis pelas obras.

Outro problema levantado pelos trabalhadores é a isonomia salarial entre as diversas regiões do Norte e Nordeste. Os trabalhadores recebem salários diferentes para a mesma função em regiões diferentes.

Foi dado o prazo até a próxima semana para que seja dada uma resposta senão os trabalhadores podem entrar em greve

O exemplo foi dado pelos trabalhadores de outras obras do PAC como a hidrelétrica de Jirau e a usina Santo Antônio, em Rondônia, a usina São Domingos, no Mato Grosso do Sul, a petroquímica de Suape e a refinaria Abreu e Lima (controladas pela Petrobrás), em Pernambuco, que paralisaram, muitas inclusive, manifestações violentas contra o descaso e os maus tratos das construtoras. Ainda ameaçam parar as atividades os operários das obras do “Minha Casa, Minha Vida”, no Maranhão.

Estima-se, que, em todas as obras do PAC, cerca de 80 mil trabalhadores estejam em greve.

A reivindicação de todas as greves e revoltas são muito parecidas: atrasos nos pagamentos das empresas terceirizadas, maus tratos e não pagamento de horas-extras.

Jirau

Na hidrelétrica de Jirau, os cerca de 30.000 operários queimaram carros, alojamentos e ônibus em retaliação contra as péssimas condições de trabalho na usina. Já houve denúncias de trabalho escravo e em dois anos, já foram cerca de 330 autos de infração, além de mortes no local de trabalho não apuradas.

Santo Antônio

Com medo de que acontecesse o mesmo que em Jirau, a construtora responsável pela obra da usina Santo Antônio deu vários dias de folga para os seus cerca de 15 mil trabalhadores. No ano anterior, nesta usina, os trabalhadores descontentes queimaram vários veículos, assim como em Jirau neste mês.

Usina de São Domingos

Depois das manifestações de Jirau e Santo Antônio, os trabalhadores desta usina, situada no limite dos municípios de Água Clara e Ribas do Rio Pardo, se revoltaram e incendiaram os seis pavilhões usados como alojamento, o centro ecumênico, o refeitório, a guarita e uma sala de informática.

O responsável pelo que está acontecendo com os operários nas obras do PAC, as principais obras do governo do PT, é o próprio governo federal. O governo contrata empresas financiadas por programas do próprio governo para que estas explorem os trabalhadores de uma maneira totalmente desumana, pois existem até denúncias de trabalho escravo nestas obras e agressão de chefes aos operários.

Muitas das empresas terceirizam os serviços, contratando empreiteiras menores conhecidas por não pagarem seus funcionários e por utilizarem trabalho escravo.

Estas obras e a exploração dos trabalhadores tendem a aumentar, pois com as construções que envolvem a Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016, estima-se que as obras do PAC abarquem cerca de um milhão de trabalhadores.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Aumento do petróleo afeta indústrias e pode fazer preços dispararem


Nos primeiros meses de 2011 houve um aumento generalizado de preços que está produzindo um aumento de custo para a produção nas indústrias brasileiras. Este aumento deve-se à elevação dos preços das commodites tanto agrícolas como minerais que tiveram um reajuste de 20% em média nos últimos meses.

Este efeito está sendo provocado principalmente pela crise do petróleo decorrente dos países árabes, pois com o aumento do combustível, conseqüentemente seus derivados.

Entre os setores mais afetados por esta alta nos custos estão os fabricantes de eletrodomésticos, veículos, eletroportáteis e máquinas. Outro fator que interfere no repasse destes custos pelas empresas brasileiras é o preço baixo dos produtos importados que tanto no mercado nacional como internacional competem com os produtos brasileiros. Um exemplo pode ser dado pelos produtos chineses que são vendidos no mercado exterior e mesmo no mercado brasileiro a preços baixíssimos.

Segundo um empresário da indústria de resinas plástica, "desde 2008, antes da crise, não tínhamos tantos aumentos de custos simultaneamente" (O Estado de S. Paulo, 21/3/2011). Somente o setor de resinas plásticas teve aumento de 20%, somente em março.

Outras matérias-primas que tiveram aumentos foram o cobre que tem aumento acumulado de 25% nos últimos cinco meses. O alumínio e o aço tiveram seus preços reajustados em 10%.

A nafta (base para a produção de plástico para as indústrias plásticas e petroquímicas), por exemplo, deve ter um aumento de pelo menos 6% no próximo mês. Atualmente a tonelada desta matéria-prima custa 750 dólares, mas há estimativas de que pode chegar a 900 dólares.

Um dos fatores que fazem os custos se elevarem rapidamente é o fato de que as matérias-primas estão concentradas em poucos fabricantes criando um verdadeiro cartel que controla os reajustes.. O setor de materiais plásticos e derivados do petróleo estão sendo afetados pelo aumento do combustível causado pelo agravamento da crise na Líbia e em todo o mundo árabe.

Com os preços das matérias-primas em alta, os principais ramos da indústria brasileira serão afetados, como as siderúrgicas, a indústria automobilística e demais que dependem do aço, alumínio e etc.
Este cenário para a política brasileira é desastroso. É o caminho para o aumento da inflação e diretamente o ataque às condições de vida da população trabalhadora e pobre brasileira.

Inflação e estagnação da indústria

O efeito provocado pela elevação dos custos das matérias-primas, principalmente dos derivados do petróleo, já está produzindo um efeito nocivo para a indústria brasileira. As fábricas estão cortando os custos para não ter que repassar os preços e entre os cortes estão demissões e aumento das compras de matérias-primas no exterior ao invés do mercado interno. Desta forma está se produzindo uma paralisação gradativa da produção brasileira o que vai levar a estagnação ainda maior da indústria no Brasil.

Este efeito já está em andamento, tanto que no ano passado as empresas compraram 40,4% a mais de insumos para a produção do mercado externo. E ao mesmo tempo a produção na indústria brasileira cresceu apenas 11,4%.

Os repasses destes aumentos dos preços ao consumidor ainda não foram feitos, mas é uma questão de tempo, pois as empresas não terão como baixar tanto os custos como pretendem. Desta forma o ônus da crise vai ficar com os trabalhadores na forma de uma alta da inflação sobre o consumo.


terça-feira, 22 de março de 2011

Portugal à beira da falência

O governo “socialista” português esgotou as tentativas de sair de sua crise econômica. Mesmo com os planos de “austeridade”, que levaram milhares ao desemprego e promoveram uma baixa de salários em todo o funcionalismo público, o governo não conseguiu conter o aprofundamento da crise.
O governo de Sócrates pretende solicitar ajuda financeira externa, tanto para o FMI como para a União Européia (UE) e aplicar mais um plano de austeridade. A liquidação do país já está em curso.

O governo de Sócrates em Portugal confirma novas medidas de austeridade

O governo português enviou carta a Bruxelas (Sede da Comunidade Econômica Europeia) expondo as novas políticas de austeridade através do chamado Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV.

Essas medidas incluem o recuo no compromisso de aumentar o salário mínimo para 500 euros, conforme tinha sido acordado desde 2006, e que agora “dependerá da situação econômica”; a diminuição dos subsídios para o desemprego (que, anteriormente, aumentavam conforme a idade e a carreira do beneficiário); o relaxamento das compensações em caso de demissão; o aumento da flexibilidade laboral e a diminuição de direitos trabalhistas em relação às horas extras, duração da jornada de trabalho e o trabalho aos finais de semana.

Além disso, o novo pacote de “austeridade” deve conter também um aumento de impostos e novos cortes para as pensões acima de 1.500 euros. Sócrates pretende impor também novos limites para deduções no imposto de renda para pessoas físicas e jurídicas e aumentar o IVA (Imposto ao Valor Agregado), que no caso dos alimentos passará de 13% para 23%, e dos produtos taxados em 6% passará para 13%.

300 mil nas ruas

A subordinação do governo do Partido Socialista às exigências da cúpula da União Europeia gerou a maior onda de manifestações desde a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974.

Em 14 de março, aconteceu mais uma manifestação da chamada “Geração à Rasca”, inicialmente convocada por jovens, mas que teve a adesão de cerca de trezentas mil pessoas, inclusive muitos idosos, somente em Lisboa.
Os manifestantes carregaram faixas com palavras de ordem pedindo uma mudança de política para reverter o aumento do desemprego, as precárias condições de trabalho e a queda acentuada nos padrões de vida do povo português.

Em 15 de março, a greve dos metroviários em Lisboa paralisou o serviço durante a manhã. Também neste mês aconteceu a maior greve dos professores em Portugal pelo pagamento de horas extras, pois elas passaram a ser contadas a partir da 35 horas, sendo que segundo o artigo 77 do Estatuto de Carreira Docente deveriam ser contadas a partir de 22 ou 25 horas.

No mesmo caminho do colapso econômico e fiscal português está outro país com um potencial de crise muitas vezes maior: a Espanha. Ambos os países apresentam um quadro semelhante, combinando elementos “explosivos” em uma crise política: a recessão, o desemprego e a tentativa dos governos de fazer a população pagar pelos estragos causados por banqueiros e empresários que levaram as economias nacionais à bancarrota. O iminente colapso econômico na península Ibérica pode desencadear uma nova onda de crise e choque nos bancos e governos dos demais países-membros da União Europeia, bem como a reação da classe operária dos países afundados na crise criada pelo imperialismo mundial.


segunda-feira, 21 de março de 2011

Um plano para explorar ainda mais o Brasil


O “acordo” de Obama

Durante os dias que antecederam a visita de Barack Obama ao Brasil, a imprensa capitalista fez uma ampla campanha a favor da política externa norte-americana em relação ao Brasil. O mesmo elogio foi feito à política externa de Dilma. A apreciação dos porta-vozes da burguesia brasileira em relação à nova presidenta se deve ao fato de que em pouco mais de dois meses de mandato, Dilma demonstrou ter uma política ainda mais pró-imperialista do que Lula.

Um dos principais objetivos da visita de Barack Obama era promover uma abertura maior mercado brasileiro para os capitalistas norte-americanos. Com a ajuda do governo Dilma Rousseff, o imperialismo teve grande êxito. O encontro entre os dois presidentes definiu uma série de tratados que facilitam a compra de produtos norte-americanos pelos consumidores brasileiros.

No entanto, as imposições dos Estados Unidos não pararam por aí. Outro acordo prevê que empresas norte-americanas participarão das principais obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Tanto em um evento esportivo como no outro, serão gastos bilhões do orçamento público para favorecer os capitalistas. Uma participação decisiva de capitalistas norte-americanos nestas obras significa que bilhões do orçamento brasileiro serão transferidos para os grandes monopólios do país mais rico do mundo.

Há poucos dias, Dilma já havia nomeado Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, como presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO). Na ocasião denunciamos isso tinha como objetivo colocar as obras destes eventos nas mãos dos banqueiros. A nomeação de um homem de confiança do sistema financeiro internacional para coordenar as obras das Olimpíadas era a preparação para entregar bilhões nas mãos do imperialismo.

Outro tema tratado na visita de Obama foi uma possível compra de caças F-18 da empresa Boeing pelo exército brasileiro. A compra desses caças prevê uma cooperação militar do Brasil com os EUA e tem a desvantagem de não existir a transferência de tecnologia, o que aprofunda a dominação sofrida pelo país.

Um dos argumentos usados pelo governo e a direita para defenderem os planos de Obama era que o governo dos Estados Unidos se dispunha a estabelecer uma nova relação com o Brasil, o que era chamado cinicamente de uma “relação entre iguais”. Na verdade, os acordos firmados apenas aprofundam a desigualdade e a dominação que existe entre esses dois países. Por estes e outros motivos é preciso denunciar os planos do imperialismo norte-americano para explorar ainda mais o Brasil. Da mesma forma, é preciso denunciar a submissão do governo do PT em relação ao imperialismo.


sábado, 19 de março de 2011

Todos às manifestações contra Obama

O presidente dos Estados Unidos irá desembarcar neste final de semana no Brasil. Na manhã do dia 18 de março, ele chega pela manhã em Brasília. Uma hora depois, se reunirá com Dilma Rousseff. Obama possui uma série de compromissos na cidade durante o dia, como um encontro com empresários norte-americanos e brasileiros para discutir acordos bilaterais entre os dois países. No dia seguinte, Obama irá ao Rio de Janeiro onde visitará alguns morros, fará um discurso à população brasileira, além de outros compromissos.

O principal objetivo de Obama é realizar um acordo com o governo brasileiro para favorecer os grandes monopólios norte-americanos. Além dos inúmeros acordos bilaterais, há também um acordo que prevê uma participação maior dos capitalistas norte-americanos na exploração de uma das maiores riquezas do Brasil, a, recém descoberta, camada pré-sal. Neste sentido, a visita de Obama, ao contrário do que tenta fazer crer a imprensa e o governo, tem um caráter de aprofundar as relações que fazem do Brasil uma semi-colônia norte-americana.

Por isso, pelas duas cidades brasileiras em que Obama irá passar haverá protestos contra sua presença. Os atos têm como objetivo denunciar estes acordos e as implicações da política imperialista para a classe operária brasileira.

No dia 19, sábado, o protesto será em Brasília. Ele começará às 9 horas na Praça dos Três Poderes; no dia 20, domingo, o protesto será no Rio de Janeiro e começará às 10 horas, no Largo do Machado.

Os protestos devem se dirigir contra a presença de Obama e a política do governo Dilma de aplicar os planos pró-imperialistas no Brasil. É preciso denunciar estes acordos realizados entre os dois governos e lutar contra a política de rapina do imperialismo que quer explorar ainda mais o pré-sal. Esse é o principal objetivo de Obama nesta primeira visita ao Brasil.


O petróleo é nosso! Fora Yankkes!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Trabalhadores do Frigorífico Minerva entram em greve

Nos últimos anos os frigoríficos no Brasil vêm recebendo rios de dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Entre 2008 e 2010, ele investiu cerca de R$ 10 bilhões em grandes frigoríficos, como JBS, Bertin (que se fundiram) e Marfrig.

Enquanto são distribuídos rios de dinheiro aos capitalistas, os trabalhadores estão cada vez mais na miséria.

Nessa situação, os trabalhadores de um dos maiores frigoríficos do país, o frigorífico Minerva, da unidade localizada em Batayporã, entraram em greve por tempo indeterminado.

O frigorífico Minerva está sediado na cidade de Barretos e é composto por sete complexos industriais e possui mais de sete mil empregados.

Os cerca de 780 trabalhadores da unidade decidiram em assembléia a greve e todas as atividades do frigorífico estão paralisadas.

Os trabalhadores reivindicam aumento salarial e de benefícios, pois a empresa oferece uma miséria aos trabalhadores.

A categoria rejeitou oferta da empresa de um piso de R$ 585 e cesta básica de R$ 89. Uma proposta muito rebaixada quando vemos o dinheiro recebido pelos empresários do governo.

A categoria reivindica um piso salarial de R$ 646 e uma cesta de alimentos avaliada em R$ 150, mas aceitaria uma de, pelo menos, R$ 100.

Os trabalhadores não devem aceitar uma proposta miserável, devem lutar até o fim por suas reivindicações.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Documento revela articulação pró-imperialista do PSDB e da Folha de S. Paulo


Há poucos dias atrás, o site Wikileaks revelou um telegrama de Arturo Valenzuela, subsecretário do governo-norte-americano para assuntos do Hemisfério Norte, onde ele relatava conversas que teve com José Serra. Segundo relatos de Valenzuela, Serra se comprometeu a ter uma política externa alinhada com o imperialismo caso ganhasse a eleição presidencial. O encontro entre Serra e Valenzuela ocorreu no final de 2009 em São Paulo.

Mais recentemente, outro telegrama do subsecretário enviado a embaixada norte-americana tornou-se público. Novamente o tema era a política externa dos EUA. Desta vez, além do PSDB, o jornal Folha de S. Paulo também está envolvido.

Em reunião promovida por Valenzuela, estiveram presentes uma série de pessoas ligadas ao PSDB e oombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva. O PSDB estava representado por figuras como Celso Lafer e José Goldemberg, dois ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso. Também estava na reunião o cientista político Bolivar Lamounier.

O principal tema da conversa foi a política externa de Lula, que na época se aproximou do governo iraniano de Mahmoud Ahmadinejad. A posição do governo provocou, ainda que de forma limitada, um atrito entre a política externa brasileira e o imperialismo. Na época, o Brasil se opôs a chantagem do governo Obama e as sanções contra o Irã defendidas pelos Estados Unidos e outros países por causa do programa nuclear do país muçulmano.

Conforme relata Valenzuela em seu telegrama datado de 29 de dezembro, todos os presentes, sem exceção, se posicionaram contra a política externa do governo brasileiro e defenderam que o correto seria uma postura de alinhamento com Obama. Vale destacar, que um dos participantes, José Goldemberg, foi um dos principais críticos da defesa brasileira do governo de Teerã.

Esta reunião ocorreu apenas alguns dias depois de Hillary Clinton dar um ultimato ao Brasil e a todos os países latino-americanos sobre as conseqüências do apoio a Ahmadinejad.

Manipulação da imprensa e a campanha da direita

A importância do documento está em que ele revela como são articuladas as campanhas em defesa do imperialismo. Políticos, especialista em determinados assuntos e a imprensa agem de acordo com as ordens e interesses da Casa Branca. Bastou o governo brasileiro adotar uma postura que não estava completamente alinhada ao governo dos EUA para que fosse feita toda uma articulação contrária.

Este é o sentido destas reuniões extra-oficiais de Valenzuela com diversos membros da oposição e da imprensa brasileira. Foi esta mesma articulação que apoiou abertamente a campanha de José Serra à presidência em 2010, com destaque para a cooperação do jornal Folha de São Paulo ao candidato tucano.

Da mesma forma, a Folha de S. Paulo foi um dos principais porta-vozes de Serra e do PSDB na campanha que estes fizeram contra o Irã e a favor das sanções imperialistas. Um exemplo foi uma matéria intitulada “Serra chama Ahmadinejad de ditador e o compara a Hitler e Stálin”. Nela, podemos ler o seguinte: “O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, classificou como "ditador" o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, durante entrevista coletiva após sabatina com empresários na CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“Para o tucano, o iraniano faz parte do "grupo de ditadores da década de 30, como Hitler e Stalin” “(Folha.com 25/5/2010).

Em outra oportunidade, Serra aparece atacando as posições do governo brasileiro em relação ao Irã. A matéria que tem o título “Serra afirma que “troglodita de direita” é quem apóia o presidente do Irã, podemos ler: "Acho troglodita de direita quem apoia [Mahmoud] Ahmadinejad [presidente do Irã], um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores", disse o tucano, em sabatina no R7” (Folha.com, 29/7/2010).

Neste momento, Dilma Rousseff procura uma reaproximação do governo com as posições do imperialismo e já dá sinais evidentes que vai se alinhar com Obama nas tentativas dele de submeter o Irã a sua política. Assim como aconteceu com o PSDB, a nova posição do governo também é fruto da sua subserviência ao imperialismo. Na última segunda-feira, dia 8 de março, o governo brasileiro prestou uma homenagem a uma dissidente do regime iraniano, a opositora ligada ao imperialismo, Shirin Ebadi. A homenagem é uma demonstração clara de que o governo tende a apoiar as chantagens contra o programa nuclear iraniano.

É preciso denunciar e divulgar todos estes documentos que estão se tornando públicos por causa do siteWikileaks. A importância deles é, entre outras coisas, revelar como são promovidas as propagandas em defesa do imperialismo, além dos interesses que existem por detrás de cada medida promovida pelo governo dos EUA e os que se submetem a sua política.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Revolução árabe influencia reivindicações na China

Inspirados pela revolução árabe, muitos chineses convocaram mobilizações em mais de 25 cidades e nas zonas centrais de Pequim e Xangai. A polícia chinesa compareceu em massa aos locais propostos para evitar qualquer tipo da manifestação.

As manifestações se deram contra o aumento dos preços dos alimentos gerado principalmente pela alta de inflação e a diferenças sociais entre trabalhadores e os novos ricos do país.

Alguns manifestantes compareceram ao chamado, mas foram muito poucos, se comparados ao número de policiais em prontidão. Manifestantes com câmeras filmadoras e fotográficas tiveram seus equipamentos aprendidos.

A tensão maior ficou por conta da polícia e dos jornalistas estrangeiros. Muitos deles tiveram seus equipamentos confiscados e alguns acabaram presos como jornalistas e fotógrafos das agências de notícias ZDF, BBC, Associated Press e da rede de televisão alemã ARD.

A polícia reagiu a qualquer tentativa de manifestação rapidamente por ordem do governo. “Um jornal oficial de Pequim reconheceu que o país tem muitos problemas, mas não os quer resolver através de uma revolução.” (Euronews, 27/2/2011)

As tentativas de manifestação na China são o princípio da crise que atravessa o país desde o final de 2009. Ano passado muitas greves eclodiram no país, mas foram rapidamente controladas com um aumento de salários. O governo cedeu a algumas exigências do movimento operário do país para evitar um agravamento dos conflitos violentos.

Impulsionado pela crise capitalista mundial, o movimento operário chinês pouco a pouco vai dando mostras de que está entrando em atividade. A revolução árabe deu um novo impulso às reivindicações por aumento de salários e contra a política de fome imposta pelo governo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Crise rebaixou pela metade salários dos trabalhadores

Os salários dos trabalhadores tiveram queda pela metade nos últimos três anos devido à crise econômica mundial. De acordo com um relatório divulgado na última quarta-feira, dia 15, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), reunida na Suíça, os salários tiveram seu crescimento reduzidos à metade.

A OIT divulgou o Relatório Global sobre Salários 2010/11 - Políticas Salariais em Tempos de Crise. Segundo este relatório, os aumentos dos salários passaram de 2,8% em média, antes da crise, em 2007, para 1,5% em 2008 e 1,6% em 2009.

De acordo com o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, "A crise foi dramática não apenas para milhares de pessoas que perderam seus trabalhos, mas ela também afetou aqueles que mantiveram seus empregos, reduzindo drasticamente seu poder de compra e bem-estar geral" (BBC, 15/12/2010).

O levantamento abrangeu 115 países o que corresponde a 94% da mão de obram mundial que hoje é avaliada em 1,4 bilhão de trabalhadores.

A pesquisa também não apresentou boas perspectivas para o próximo período. Segundo a OIT, apenas pouco mais de 30% dos trabalhadores podem ter seus salários reajustados acima da inflação e outros 18,3% de trabalhadores podem perder seus empregos com o agravamento da crise econômica mundial.

A maioria dos desempregados se concentram entre os mais jovens e entre as mulheres de 18 a 24 anos.

Para o relatório, "A estagnação dos salários foi um importante desencadeador da crise e continua a afetar a recuperação de muitas economias. Antes da crise, alguns países conseguiram manter o consumo das famílias graças ao endividamento. No entanto, ficou demonstrado que esse modelo é insustentável" (idem).

Isto indica que como não é mais possível os governos se endividarem, pois gastaram tudo com os pacotes econômicos, a situação dos trabalhadores e do desemprego tende a ficar ainda pior.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PSDB deixa São Paulo em 7º lugar em educação


Apesar de São Paulo ser o estado do País de maior poder econômico, a política de destruição da educação teve um resultado catastrófico. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2009) demonstrou que São Paulo ocupa a 7ª posição no País.

A educação do estado paulista é pior que toda a região Sul, Minas Gerais, Distrito Federal e Espírito Santo.

O PSDB completará duas décadas no governo do estado e foram seguidas medidas para favorecer o ensino privado e acabar com o ensino público.

Há diversos problemas enfrentados pela população com relação à educação, como a enorme evasão escolar associada à falta de investimento do governo na educação, o que impede que exista condições para o jovem manter-se na escola.

Com a situação econômica das famílias, muitos jovens são obrigados a sair da escola para dedicar-se ao trabalho, mas não conseguem conciliar ambos e acabam largando a escola.

Além disso, os programas como o de progressão continuada no sistema de educacional de São Paulo jogou a população em uma espécie de “gueto educacional" para o governo economizar com o estudante, no entanto sem dar as condições de ensino. Muitos saem das escolas sem conseguir escrever ou mesmo compreender um texto. O que demonstra ser esta uma educação completamente fictícia.

Cria-se esse gueto para a população mais pobre e o governo fica livre para financiar o ensino privado.

Desta maneira, restringem o acesso da população do estado mais importante política e culturalmente ao ensino, burlando a própria legislação burguesa.

É preciso que a juventude, secundarista e universitária, lute contra esses governos capitalistas derrotando o plano de entregar todo o país aos capitalistas estrangeiros e instituir um sistema privado de ensino, deixando à margem da educação a esmagadora maioria da população brasileira.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um olhar distorcido da América Latina


Certa vez, um grande estudioso norte-americano das relações entre os Estados Unidos e a América Latina, Donald Marquand Dozer, disse: “Os latino-americanos querem ser os senhores de seus destinos”. Nada mais natural do que sermos senhores de nossos próprios caminhos, erros e acertos, apesar de criticarem nossa busca por independência política e econômica, questionando quais seriam os motivos do subdesenvolvimento da América Latina, e tendo as respostas mais variadas possíveis, mas ainda existem – segundo Darcy Ribeiro em sua obra América Latina: Pátria Grande – muitos, principalmente europeus e norte-americanos, pensando que o nosso atraso é resultado de nossa incompetência. É, segundo Darcy Ribeiro, o velho estereótipo latino-americano, como sendo indolente, de vida fácil, que não aprecia o trabalho. Outra característica deste esteriótipo, é o espírito festeiro e desordeiro, assim como afirma Sérgio Buarque de Holanda, em sua obraRaízes do Brasil, o ideal de uma vida de grande senhor, exclusiva de qualquer esforço, de qualquer preocupação.Mas quem nos coloca tal imagem distorcida dos povos latino-americanos? São os mesmos que nos exploraram e querem colocar sobre nós o fardo do subdesenvolvimento que amargamos e criticam nossa postura de autonomia e independência.

É isso mesmo que ocorre, pois a imagem que muitos estrangeiros têm de nós, brasileiros, é de um povo que gosta de carnaval, de diversão e entretenimento, porém naquela época da dominação estrangeira, não eram os brasileiros que viajavam à Europa, ou mesmo dentro de nosso continente, enquanto os escravos e os índios trabalhavam a duras penas em troca de algumas moedas a fim de viverem um dia a mais.

Eduardo Galeano, em sua célebre obra As veias abertas da América Latina, nos mostra que os europeus, ao chegarem à América, logo buscaram o primeiro local que tivesse alguma riqueza – principalmente metais preciosos – para sugarem. Inicialmente, tentaram escravizar os indígenas, para que estes trabalhassem nas minas ou no campo. Vendo que os indígenas resistiam à dominação, os europeus foram à África, e trouxeram milhões de africanos para cá, e estes aumentaram o número de trabalhadores nas minas e nos grandes latifúndios que surgiam. Formava-se assim o povo latino-americano, uma massa de povos subjugados pelos europeus, que eram escravizados e formavam uma verdadeira massa de indigentes perante os olhos dos colonizadores.

Assim, o tempo passou, os europeus sugaram quase tudo o que puderam, deixaram nossas montanhas, nosso vales e nossas terras secos, com poucos recursos. Observando que a política colonial mercantilista já não tinha como funcionar, os europeus resolveram literalmente dizer aos povos latino-americanos “sejam livres”, pois assim poderiam inserir este continente no mapa das grandes empresas que surgiam após a Revolução Industrial. Mais uma vez, ficamos para trás. Formavam-se, neste momentos os Estados Nacionais latino-americanos, que logo ao se tornarem independentes, contrairam dívidas milionárias, e que continuam pagando até hoje. A independência veio, mas a que preço? Na verdade esta independência, ocorreu de fato junto às elites latifundiárias do emaranhado de países que surgiam. Para a massa de indigentes, de escravos, esta independência nunca houve. Perguntemos a um trabalhador boliviano de uma mina, que pode morrer a qualquer momento devido aos gases tóxicos que inala diariamente, e que ganha umas míseras moedas que não lhe servem nem para uma refeição digna, se ele se considera livre? Nem precisamos ir tão longe, aqui mesmo no Brasil, perguntemos a um cidadão que mora em uma favela assentada sob um antigo aterro sanitário, que corre risco de morrer, tanto por deslizamentos quanto por balas perdidas que são disparadas aos montes em um cenário calamitoso, se ele se considera livre?

Com a globalização, as diferenças entre os países do centro e os países periféricos se acentuaram ainda mais, e, como esse fato é resultado de um processo histórico, que nos levou a essa realidade de dependência, é muito difícil imaginar quando, todos nós latino-americanos, poderemos ter igualdade de condições para desenvolver todas as nossas potencialidades.

De fato, o que pretendo esclarecer, é que não devemos levar em conta a visão pessimista e negativa “vinda de fora”. Pois como é possível o mesmo local que derramava ouro e prata aos montes e enriquecia a crescente burguesia europeia, ser o local onde vivem hoje milhões de pessoas pobres, sem esperança, e que, em alguns casos, acabam recebendo a culpa disso tudo sobre si? O grande desafio está lançado, mudar a nossa visão acerca dos motivos de nossa pobreza, para assim, depois de esclarecido tudo, reunir forças para modificar em certa medida este cenário de diferenças gritantes entre a parte rica e a massa de desvalidos e miseráveis da população latino-americana.

Bancos norte-americanos querem que a população pague pela crise

Em meio à crise econômica atual, que já dura quase três anos, os banqueiros, acionistas e investidores continuaram lucrando enquanto que os trabalhadores ficaram com todo o ônus da crise.

Segundo um levantamento da agência financeira Bloomberg, os principais bancos norte-americanos vão terminar este ano com os melhores resultados de toda a história no que diz respeito ao setor de investimentos.

Estes bancos, até pouco tempo atrás, estavam em péssima situação, como o Goldman Sachs, Bank of America, Morgan Stanley, JP Morgan e Citigroup.

Alguns destes bancos faliram, tendo que ser resgatados às pressas pelo setor público dos Estados Unidos para não colocarem a economia do País a baixo. Mas, curiosamente, seus altos executivos não foram pedir auxílio-desemprego, pelo contrário, continuaram recebendo fortunas em dividendos.

Toda esta manobra foi possível graças ao bom e velho caixa público. Com a injeção de bilhões de dólares de dinheiro público nestes bancos, os acionistas e executivos mantiveram seus negócios na ativa enquanto que milhares de trabalhadores desta área foram demitidos. Quem tinha dinheiro investido nestes bancos falidos foram salvos pelo dinheiro público que os governos despejaram nestas instituições. Muitas até faliram, mas os bônus e pagamentos extras destes credores, executivos etc, não parou de ser pago.

O governo norte-americano, por exemplo, estatizou algumas destas instituições financeiras para garantir o dinheiro em caixa ou a liquidez. O governo ainda comprou os títulos podres elevando a um patamar ações que sequer seriam vendidas novamente. 

Se de um lado o dinheiro entrou fácil para salvar empresários e investidores que podiam perder tudo do dia para noite, do outro lado os trabalhadores e a população pobre em geral iniciaram uma queda vertiginosa nas condições de vida, na renda etc.

Os cortes foram implacáveis; seguro-desemprego, saúde, educação, programas sociais que beneficiavam famílias que tinham filhos, idosos etc.

A crise, que é produto direto da atuação da burguesia no mercado financeiro foi transferida para os trabalhadores e a população pobre que está tendo que pagar uma dívida que sequer foi ela quem criou.