"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

quinta-feira, 31 de março de 2011

Mini-ditador proíbe o PCO de fazer campanha contra o aumento da passagem e as enchentes


Há mais de um mês o Partido da Causa Operária (PCO) vem realizando uma importante atividade de agitação e propaganda na cidade de São Paulo. Diariamente, os militantes do partido montam uma banca na Praça do Patriarca, localizada na região central da cidade, e realizam uma campanha política, distribuindo boletins, colhendo assinaturas, e divulgando o jornal Causa Operária e outros materiais do partido aos trabalhadores que circulam pelo local.

Nas últimas semanas, a campanha realizada pelos militantes do PCO era contra o aumento da passagem e pelo “Fora Kassab”. A campanha denuncia todas as políticas do mini-ditador que colocaram a maior cidade do país em uma situação caótica, como pode ser visto nas enchentes do início do ano. Além disso, a atividade também servia como forma de convocar a população para os atos contra o aumento da passagem do ônibus que estão ocorrendo toda semana em São Paulo.

A atividade política realizada pelo PCO ganhou grande apoio da população, o que pode ser visto no grande número de jornais Causa Operária adquiridos pelos trabalhadores e estudantes, em manifestações de apoio das pessoas que passavam pelo local e nas quase dez mil assinaturas contra o aumento da passagem recolhidas nessas poucos dias de campanha.

Para impedir que a campanha do PCO progredisse e ganhasse uma adesão ainda maior dos milhares de trabalhadores que passam pela Praça do Patriarca todos os dias, o mini-ditador de São Paulo, Gilberto Kassab, decidiu reprimir a atividade política do partido.

Na tarde desta quarta-feira, 30 de março, por volta das 14 horas a prefeitura impediu de forma ilegal que a atividade política do PCO, um direito constitucional, tivesse prosseguimento. Três guarda civis metropolitanos (GCM), oito agentes da prefeitura e dois coordenadores da subprefeitura da Sé agiram de forma truculenta contra os militantes do partido que estavam no local, apreendendo boa parte dos materiais distribuídos à população e a estrutura usada na atividade, como um banner. Entre os materiais apreendidos estavam centenas de boletins que divulgavam a campanha pelo “Fora Kassab” e o ato contra o aumento da passagem ocorrido na noite de quarta-feira .

Os agentes da prefeitura e os policiais foram diretamente até a banca do PCO que era usada na atividade. O que não deixa dúvida que foi uma ação repressiva direcionada a por fim a uma atividade contra Kassab, pois não se tratava das fiscalizações contra camelôs que normalmente ocorrem naquela região. Foi uma típica medida ditatorial de um governo de direita contra a atividade política revolucionária de um partido operário.

A operação e a forma com que os guardas agiram contra as pessoas que realizavam a campanha foram retratadas por um dos militantes do PCO presentes no local, o estudante André Sarmento. “Os agentes da subprefeitura da Sé chegaram informando que tinham ordens superiores para realizar a apreensão do material. Não houve qualquer diálogo. Eu e outros companheiros tentamos explicar que aquilo era parte da atividade do PCO, e como tal era legal. Tentamos negociar e evitar que o banner fosse aprendido. Pedimos tempo para entrar em contato com o nosso departamento jurídico, mas eles não aceitaram.

“Empurraram um dos nossos militantes e começaram a desmontar o material à força, danificando o mesmo. Pedimos uma declaração sobre os motivos da apreensão, mas eles se negaram a apresentar qualquer documento. Nos deram apenas três lacres de identificação, um procedimento padrão na apreensão realizada por estes agentes e jogaram o material em um caminhão baú.

“Eles também disseram que estávamos proibidos de panfletar no local e que nossa atividade contrariava a Lei Cidade Limpa”, afirmou.

Kassab é ditadura

Proibir qualquer pessoa de distribuir panfletos e de divulgar suas idéias é um atentado contra as liberdades democráticas mais elementares. Reprimir um partido político, impedindo-o de distribuir boletins e de divulgar seu órgão de imprensa em um local público, como é o caso da atividade na Praça do Patriarca é completamente antidemocrático. Neste caso, o ex-político do DEM mostra que é um típico herdeiro da ditadura militar.

Essa atitude de Kassab é mais uma tentativa de aumentar a repressão e fazer os órgãos de repressão perseguirem e prenderem qualquer opositor dos ditadores que comandam o governo.

Outro fato relevante é que um dos pretextos para ação, conforme relatou um dos guardas municipais aos militantes do PCO, era a Lei Cidade Limpa. Em primeiro lugar, a ação é completamente ilegal e contraria a Constituição que prevê a liberdade de expressão e de divulgação de idéias. A utilização da Lei Cidade Limpa para reprimir uma atividade política de uma organização operária prova o que estamos falando dela desde que foi aprovada, no final de 2006: trata-se de um pretexto para reprimir. A defesa de uma cidade mais bonita, além de uma idéia absurda, não passa de uma forma de convencer uma parcela conservadora da pequena burguesia a ser conivente com essa política repressiva.

Diante desta agressão política, o Partido da Causa Operária tomará todas as medidas legais contra a prefeitura, a Guarda Civil Metropolitana e todos os órgãos responsáveis, entrando com um processo por violação de direitos constitucionais contra eles.

Além de todas as medidas legais cabíveis, o PCO ampliará sua campanha de denúncias contra as medidas ditatoriais de Gilberto Kassab à frente da prefeitura de São Paulo. A campanha pelo “Fora Kassab” é um dos meios de levar esta luta adiante.

Chamamos toda a população e as organizações operárias e democráticas a repudiarem este ataque ao PCO e a se incorporarem nesta luta contra o mini-ditador que governa a cidade de São Paulo.


Professores completam três semanas de greve em Honduras

A greve dos professores de Honduras contra uma lei de descentralização educativa e por mais duas reivindicações completou nesta quarta-feira (30) três semanas. Os grevistas realizaram novos protestos na capital Tegucigalpa e em outras localidades.

terça-feira, 29 de março de 2011

Líbia - Qual o destino da guerra civil?



Na segunda-feira, as forças revolucionárias líbias afirmaram ter tomado Sirte, cidade natal de Muamar Kadafi e importante centro político regional que, além de sediar os eventos e acordos comerciais do regime com o imperialismo, possui também grandes depósitos de armas.

A cidade é tida como um dos principais redutos tribais do País, situada a cerca de 450 quilômetros ao leste de Trípoli.

A agência estatal líbia “Jana” informou que a invasão foi precedida de intenso bombardeio, que facilitou o avanço dos milicianos.

Enquanto as bombas lançadas pelo imperialismo sobre o país ainda matam civis e danificam instalações estratégicas do regime de Kadafi, os governos que estão à frente da coalizão discutem os próximos passos da “estabilização”.

Uma reunião marcada para esta terça-feira, dia 29, pretende discutir o “futuro pós-Kadafi” da Líbia, de acordo com uma nota publicada pelo governo norte-americano.

“Acreditamos que seja muito importante definir um objetivo, uma visão de futuro”, declarou o conselheiro de Segurança Nacional do presidente Barack Obama, Denis McDough. O representante do governo norte-americano completou, “não vamos liderar a reunião, que será dirigida pelo Reino Unido, mas esperamos que se definam o objetivo politico final e que aqueles líbios podem esperar”.

O fim da primeira etapa das operações militares - dos bombardeios em larga escala - e a entrega do comando das operações à OTAN no final da última semana, marcam a transição que o imperialismo espera conseguir conduzir no próximo período.

Com todas as opções na mesa, os representantes dos governos imperialistas à frente da invasão da Líbia não descartaram ainda a possibilidade de realizar um acordo com Kadafi, promover uma reorganização do regime mantendo-o à frente do país e forçando uma política de “coabitação” com a oposição de Bengazi.

A partilha da Líbia, um desdobramento possível da intervenção militar capitaneada pelo imperialismo norte-americano, representa uma ameaça ainda maior para a revolução do que para o próprio regime de Kadafi.

domingo, 27 de março de 2011

Operários de novas obras do PAC ameaçam entrar em greve

Assim como ocorreu nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimentos) da hidrelétrica de Jirau e de Santo Antônio nas semanas anteriores, os trabalhadores da Transnordestina e da transposição do rio São Francisco podem entrar em greve nesta semana. Eles reivindicam aumento de 20%, elevação no valor da hora-extra de 60% para 80%, pagamento de adicionais de periculosidade e de insalubridade e folga de campo a cada 90 dias para os que atuem longe de casa.

Foi enviada uma pauta de reivindicações no dia 28 do mês passado e até agora não houve resposta das construtoras responsáveis pelas obras.

Outro problema levantado pelos trabalhadores é a isonomia salarial entre as diversas regiões do Norte e Nordeste. Os trabalhadores recebem salários diferentes para a mesma função em regiões diferentes.

Foi dado o prazo até a próxima semana para que seja dada uma resposta senão os trabalhadores podem entrar em greve

O exemplo foi dado pelos trabalhadores de outras obras do PAC como a hidrelétrica de Jirau e a usina Santo Antônio, em Rondônia, a usina São Domingos, no Mato Grosso do Sul, a petroquímica de Suape e a refinaria Abreu e Lima (controladas pela Petrobrás), em Pernambuco, que paralisaram, muitas inclusive, manifestações violentas contra o descaso e os maus tratos das construtoras. Ainda ameaçam parar as atividades os operários das obras do “Minha Casa, Minha Vida”, no Maranhão.

Estima-se, que, em todas as obras do PAC, cerca de 80 mil trabalhadores estejam em greve.

A reivindicação de todas as greves e revoltas são muito parecidas: atrasos nos pagamentos das empresas terceirizadas, maus tratos e não pagamento de horas-extras.

Jirau

Na hidrelétrica de Jirau, os cerca de 30.000 operários queimaram carros, alojamentos e ônibus em retaliação contra as péssimas condições de trabalho na usina. Já houve denúncias de trabalho escravo e em dois anos, já foram cerca de 330 autos de infração, além de mortes no local de trabalho não apuradas.

Santo Antônio

Com medo de que acontecesse o mesmo que em Jirau, a construtora responsável pela obra da usina Santo Antônio deu vários dias de folga para os seus cerca de 15 mil trabalhadores. No ano anterior, nesta usina, os trabalhadores descontentes queimaram vários veículos, assim como em Jirau neste mês.

Usina de São Domingos

Depois das manifestações de Jirau e Santo Antônio, os trabalhadores desta usina, situada no limite dos municípios de Água Clara e Ribas do Rio Pardo, se revoltaram e incendiaram os seis pavilhões usados como alojamento, o centro ecumênico, o refeitório, a guarita e uma sala de informática.

O responsável pelo que está acontecendo com os operários nas obras do PAC, as principais obras do governo do PT, é o próprio governo federal. O governo contrata empresas financiadas por programas do próprio governo para que estas explorem os trabalhadores de uma maneira totalmente desumana, pois existem até denúncias de trabalho escravo nestas obras e agressão de chefes aos operários.

Muitas das empresas terceirizam os serviços, contratando empreiteiras menores conhecidas por não pagarem seus funcionários e por utilizarem trabalho escravo.

Estas obras e a exploração dos trabalhadores tendem a aumentar, pois com as construções que envolvem a Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016, estima-se que as obras do PAC abarquem cerca de um milhão de trabalhadores.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Aumento do petróleo afeta indústrias e pode fazer preços dispararem


Nos primeiros meses de 2011 houve um aumento generalizado de preços que está produzindo um aumento de custo para a produção nas indústrias brasileiras. Este aumento deve-se à elevação dos preços das commodites tanto agrícolas como minerais que tiveram um reajuste de 20% em média nos últimos meses.

Este efeito está sendo provocado principalmente pela crise do petróleo decorrente dos países árabes, pois com o aumento do combustível, conseqüentemente seus derivados.

Entre os setores mais afetados por esta alta nos custos estão os fabricantes de eletrodomésticos, veículos, eletroportáteis e máquinas. Outro fator que interfere no repasse destes custos pelas empresas brasileiras é o preço baixo dos produtos importados que tanto no mercado nacional como internacional competem com os produtos brasileiros. Um exemplo pode ser dado pelos produtos chineses que são vendidos no mercado exterior e mesmo no mercado brasileiro a preços baixíssimos.

Segundo um empresário da indústria de resinas plástica, "desde 2008, antes da crise, não tínhamos tantos aumentos de custos simultaneamente" (O Estado de S. Paulo, 21/3/2011). Somente o setor de resinas plásticas teve aumento de 20%, somente em março.

Outras matérias-primas que tiveram aumentos foram o cobre que tem aumento acumulado de 25% nos últimos cinco meses. O alumínio e o aço tiveram seus preços reajustados em 10%.

A nafta (base para a produção de plástico para as indústrias plásticas e petroquímicas), por exemplo, deve ter um aumento de pelo menos 6% no próximo mês. Atualmente a tonelada desta matéria-prima custa 750 dólares, mas há estimativas de que pode chegar a 900 dólares.

Um dos fatores que fazem os custos se elevarem rapidamente é o fato de que as matérias-primas estão concentradas em poucos fabricantes criando um verdadeiro cartel que controla os reajustes.. O setor de materiais plásticos e derivados do petróleo estão sendo afetados pelo aumento do combustível causado pelo agravamento da crise na Líbia e em todo o mundo árabe.

Com os preços das matérias-primas em alta, os principais ramos da indústria brasileira serão afetados, como as siderúrgicas, a indústria automobilística e demais que dependem do aço, alumínio e etc.
Este cenário para a política brasileira é desastroso. É o caminho para o aumento da inflação e diretamente o ataque às condições de vida da população trabalhadora e pobre brasileira.

Inflação e estagnação da indústria

O efeito provocado pela elevação dos custos das matérias-primas, principalmente dos derivados do petróleo, já está produzindo um efeito nocivo para a indústria brasileira. As fábricas estão cortando os custos para não ter que repassar os preços e entre os cortes estão demissões e aumento das compras de matérias-primas no exterior ao invés do mercado interno. Desta forma está se produzindo uma paralisação gradativa da produção brasileira o que vai levar a estagnação ainda maior da indústria no Brasil.

Este efeito já está em andamento, tanto que no ano passado as empresas compraram 40,4% a mais de insumos para a produção do mercado externo. E ao mesmo tempo a produção na indústria brasileira cresceu apenas 11,4%.

Os repasses destes aumentos dos preços ao consumidor ainda não foram feitos, mas é uma questão de tempo, pois as empresas não terão como baixar tanto os custos como pretendem. Desta forma o ônus da crise vai ficar com os trabalhadores na forma de uma alta da inflação sobre o consumo.


terça-feira, 22 de março de 2011

Portugal à beira da falência

O governo “socialista” português esgotou as tentativas de sair de sua crise econômica. Mesmo com os planos de “austeridade”, que levaram milhares ao desemprego e promoveram uma baixa de salários em todo o funcionalismo público, o governo não conseguiu conter o aprofundamento da crise.
O governo de Sócrates pretende solicitar ajuda financeira externa, tanto para o FMI como para a União Européia (UE) e aplicar mais um plano de austeridade. A liquidação do país já está em curso.

O governo de Sócrates em Portugal confirma novas medidas de austeridade

O governo português enviou carta a Bruxelas (Sede da Comunidade Econômica Europeia) expondo as novas políticas de austeridade através do chamado Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV.

Essas medidas incluem o recuo no compromisso de aumentar o salário mínimo para 500 euros, conforme tinha sido acordado desde 2006, e que agora “dependerá da situação econômica”; a diminuição dos subsídios para o desemprego (que, anteriormente, aumentavam conforme a idade e a carreira do beneficiário); o relaxamento das compensações em caso de demissão; o aumento da flexibilidade laboral e a diminuição de direitos trabalhistas em relação às horas extras, duração da jornada de trabalho e o trabalho aos finais de semana.

Além disso, o novo pacote de “austeridade” deve conter também um aumento de impostos e novos cortes para as pensões acima de 1.500 euros. Sócrates pretende impor também novos limites para deduções no imposto de renda para pessoas físicas e jurídicas e aumentar o IVA (Imposto ao Valor Agregado), que no caso dos alimentos passará de 13% para 23%, e dos produtos taxados em 6% passará para 13%.

300 mil nas ruas

A subordinação do governo do Partido Socialista às exigências da cúpula da União Europeia gerou a maior onda de manifestações desde a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974.

Em 14 de março, aconteceu mais uma manifestação da chamada “Geração à Rasca”, inicialmente convocada por jovens, mas que teve a adesão de cerca de trezentas mil pessoas, inclusive muitos idosos, somente em Lisboa.
Os manifestantes carregaram faixas com palavras de ordem pedindo uma mudança de política para reverter o aumento do desemprego, as precárias condições de trabalho e a queda acentuada nos padrões de vida do povo português.

Em 15 de março, a greve dos metroviários em Lisboa paralisou o serviço durante a manhã. Também neste mês aconteceu a maior greve dos professores em Portugal pelo pagamento de horas extras, pois elas passaram a ser contadas a partir da 35 horas, sendo que segundo o artigo 77 do Estatuto de Carreira Docente deveriam ser contadas a partir de 22 ou 25 horas.

No mesmo caminho do colapso econômico e fiscal português está outro país com um potencial de crise muitas vezes maior: a Espanha. Ambos os países apresentam um quadro semelhante, combinando elementos “explosivos” em uma crise política: a recessão, o desemprego e a tentativa dos governos de fazer a população pagar pelos estragos causados por banqueiros e empresários que levaram as economias nacionais à bancarrota. O iminente colapso econômico na península Ibérica pode desencadear uma nova onda de crise e choque nos bancos e governos dos demais países-membros da União Europeia, bem como a reação da classe operária dos países afundados na crise criada pelo imperialismo mundial.


segunda-feira, 21 de março de 2011

Um plano para explorar ainda mais o Brasil


O “acordo” de Obama

Durante os dias que antecederam a visita de Barack Obama ao Brasil, a imprensa capitalista fez uma ampla campanha a favor da política externa norte-americana em relação ao Brasil. O mesmo elogio foi feito à política externa de Dilma. A apreciação dos porta-vozes da burguesia brasileira em relação à nova presidenta se deve ao fato de que em pouco mais de dois meses de mandato, Dilma demonstrou ter uma política ainda mais pró-imperialista do que Lula.

Um dos principais objetivos da visita de Barack Obama era promover uma abertura maior mercado brasileiro para os capitalistas norte-americanos. Com a ajuda do governo Dilma Rousseff, o imperialismo teve grande êxito. O encontro entre os dois presidentes definiu uma série de tratados que facilitam a compra de produtos norte-americanos pelos consumidores brasileiros.

No entanto, as imposições dos Estados Unidos não pararam por aí. Outro acordo prevê que empresas norte-americanas participarão das principais obras para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Tanto em um evento esportivo como no outro, serão gastos bilhões do orçamento público para favorecer os capitalistas. Uma participação decisiva de capitalistas norte-americanos nestas obras significa que bilhões do orçamento brasileiro serão transferidos para os grandes monopólios do país mais rico do mundo.

Há poucos dias, Dilma já havia nomeado Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, como presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO). Na ocasião denunciamos isso tinha como objetivo colocar as obras destes eventos nas mãos dos banqueiros. A nomeação de um homem de confiança do sistema financeiro internacional para coordenar as obras das Olimpíadas era a preparação para entregar bilhões nas mãos do imperialismo.

Outro tema tratado na visita de Obama foi uma possível compra de caças F-18 da empresa Boeing pelo exército brasileiro. A compra desses caças prevê uma cooperação militar do Brasil com os EUA e tem a desvantagem de não existir a transferência de tecnologia, o que aprofunda a dominação sofrida pelo país.

Um dos argumentos usados pelo governo e a direita para defenderem os planos de Obama era que o governo dos Estados Unidos se dispunha a estabelecer uma nova relação com o Brasil, o que era chamado cinicamente de uma “relação entre iguais”. Na verdade, os acordos firmados apenas aprofundam a desigualdade e a dominação que existe entre esses dois países. Por estes e outros motivos é preciso denunciar os planos do imperialismo norte-americano para explorar ainda mais o Brasil. Da mesma forma, é preciso denunciar a submissão do governo do PT em relação ao imperialismo.


sábado, 19 de março de 2011

Todos às manifestações contra Obama

O presidente dos Estados Unidos irá desembarcar neste final de semana no Brasil. Na manhã do dia 18 de março, ele chega pela manhã em Brasília. Uma hora depois, se reunirá com Dilma Rousseff. Obama possui uma série de compromissos na cidade durante o dia, como um encontro com empresários norte-americanos e brasileiros para discutir acordos bilaterais entre os dois países. No dia seguinte, Obama irá ao Rio de Janeiro onde visitará alguns morros, fará um discurso à população brasileira, além de outros compromissos.

O principal objetivo de Obama é realizar um acordo com o governo brasileiro para favorecer os grandes monopólios norte-americanos. Além dos inúmeros acordos bilaterais, há também um acordo que prevê uma participação maior dos capitalistas norte-americanos na exploração de uma das maiores riquezas do Brasil, a, recém descoberta, camada pré-sal. Neste sentido, a visita de Obama, ao contrário do que tenta fazer crer a imprensa e o governo, tem um caráter de aprofundar as relações que fazem do Brasil uma semi-colônia norte-americana.

Por isso, pelas duas cidades brasileiras em que Obama irá passar haverá protestos contra sua presença. Os atos têm como objetivo denunciar estes acordos e as implicações da política imperialista para a classe operária brasileira.

No dia 19, sábado, o protesto será em Brasília. Ele começará às 9 horas na Praça dos Três Poderes; no dia 20, domingo, o protesto será no Rio de Janeiro e começará às 10 horas, no Largo do Machado.

Os protestos devem se dirigir contra a presença de Obama e a política do governo Dilma de aplicar os planos pró-imperialistas no Brasil. É preciso denunciar estes acordos realizados entre os dois governos e lutar contra a política de rapina do imperialismo que quer explorar ainda mais o pré-sal. Esse é o principal objetivo de Obama nesta primeira visita ao Brasil.


O petróleo é nosso! Fora Yankkes!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Trabalhadores do Frigorífico Minerva entram em greve

Nos últimos anos os frigoríficos no Brasil vêm recebendo rios de dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Entre 2008 e 2010, ele investiu cerca de R$ 10 bilhões em grandes frigoríficos, como JBS, Bertin (que se fundiram) e Marfrig.

Enquanto são distribuídos rios de dinheiro aos capitalistas, os trabalhadores estão cada vez mais na miséria.

Nessa situação, os trabalhadores de um dos maiores frigoríficos do país, o frigorífico Minerva, da unidade localizada em Batayporã, entraram em greve por tempo indeterminado.

O frigorífico Minerva está sediado na cidade de Barretos e é composto por sete complexos industriais e possui mais de sete mil empregados.

Os cerca de 780 trabalhadores da unidade decidiram em assembléia a greve e todas as atividades do frigorífico estão paralisadas.

Os trabalhadores reivindicam aumento salarial e de benefícios, pois a empresa oferece uma miséria aos trabalhadores.

A categoria rejeitou oferta da empresa de um piso de R$ 585 e cesta básica de R$ 89. Uma proposta muito rebaixada quando vemos o dinheiro recebido pelos empresários do governo.

A categoria reivindica um piso salarial de R$ 646 e uma cesta de alimentos avaliada em R$ 150, mas aceitaria uma de, pelo menos, R$ 100.

Os trabalhadores não devem aceitar uma proposta miserável, devem lutar até o fim por suas reivindicações.


segunda-feira, 14 de março de 2011

Documento revela articulação pró-imperialista do PSDB e da Folha de S. Paulo


Há poucos dias atrás, o site Wikileaks revelou um telegrama de Arturo Valenzuela, subsecretário do governo-norte-americano para assuntos do Hemisfério Norte, onde ele relatava conversas que teve com José Serra. Segundo relatos de Valenzuela, Serra se comprometeu a ter uma política externa alinhada com o imperialismo caso ganhasse a eleição presidencial. O encontro entre Serra e Valenzuela ocorreu no final de 2009 em São Paulo.

Mais recentemente, outro telegrama do subsecretário enviado a embaixada norte-americana tornou-se público. Novamente o tema era a política externa dos EUA. Desta vez, além do PSDB, o jornal Folha de S. Paulo também está envolvido.

Em reunião promovida por Valenzuela, estiveram presentes uma série de pessoas ligadas ao PSDB e oombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva. O PSDB estava representado por figuras como Celso Lafer e José Goldemberg, dois ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso. Também estava na reunião o cientista político Bolivar Lamounier.

O principal tema da conversa foi a política externa de Lula, que na época se aproximou do governo iraniano de Mahmoud Ahmadinejad. A posição do governo provocou, ainda que de forma limitada, um atrito entre a política externa brasileira e o imperialismo. Na época, o Brasil se opôs a chantagem do governo Obama e as sanções contra o Irã defendidas pelos Estados Unidos e outros países por causa do programa nuclear do país muçulmano.

Conforme relata Valenzuela em seu telegrama datado de 29 de dezembro, todos os presentes, sem exceção, se posicionaram contra a política externa do governo brasileiro e defenderam que o correto seria uma postura de alinhamento com Obama. Vale destacar, que um dos participantes, José Goldemberg, foi um dos principais críticos da defesa brasileira do governo de Teerã.

Esta reunião ocorreu apenas alguns dias depois de Hillary Clinton dar um ultimato ao Brasil e a todos os países latino-americanos sobre as conseqüências do apoio a Ahmadinejad.

Manipulação da imprensa e a campanha da direita

A importância do documento está em que ele revela como são articuladas as campanhas em defesa do imperialismo. Políticos, especialista em determinados assuntos e a imprensa agem de acordo com as ordens e interesses da Casa Branca. Bastou o governo brasileiro adotar uma postura que não estava completamente alinhada ao governo dos EUA para que fosse feita toda uma articulação contrária.

Este é o sentido destas reuniões extra-oficiais de Valenzuela com diversos membros da oposição e da imprensa brasileira. Foi esta mesma articulação que apoiou abertamente a campanha de José Serra à presidência em 2010, com destaque para a cooperação do jornal Folha de São Paulo ao candidato tucano.

Da mesma forma, a Folha de S. Paulo foi um dos principais porta-vozes de Serra e do PSDB na campanha que estes fizeram contra o Irã e a favor das sanções imperialistas. Um exemplo foi uma matéria intitulada “Serra chama Ahmadinejad de ditador e o compara a Hitler e Stálin”. Nela, podemos ler o seguinte: “O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, classificou como "ditador" o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, durante entrevista coletiva após sabatina com empresários na CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“Para o tucano, o iraniano faz parte do "grupo de ditadores da década de 30, como Hitler e Stalin” “(Folha.com 25/5/2010).

Em outra oportunidade, Serra aparece atacando as posições do governo brasileiro em relação ao Irã. A matéria que tem o título “Serra afirma que “troglodita de direita” é quem apóia o presidente do Irã, podemos ler: "Acho troglodita de direita quem apoia [Mahmoud] Ahmadinejad [presidente do Irã], um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores", disse o tucano, em sabatina no R7” (Folha.com, 29/7/2010).

Neste momento, Dilma Rousseff procura uma reaproximação do governo com as posições do imperialismo e já dá sinais evidentes que vai se alinhar com Obama nas tentativas dele de submeter o Irã a sua política. Assim como aconteceu com o PSDB, a nova posição do governo também é fruto da sua subserviência ao imperialismo. Na última segunda-feira, dia 8 de março, o governo brasileiro prestou uma homenagem a uma dissidente do regime iraniano, a opositora ligada ao imperialismo, Shirin Ebadi. A homenagem é uma demonstração clara de que o governo tende a apoiar as chantagens contra o programa nuclear iraniano.

É preciso denunciar e divulgar todos estes documentos que estão se tornando públicos por causa do siteWikileaks. A importância deles é, entre outras coisas, revelar como são promovidas as propagandas em defesa do imperialismo, além dos interesses que existem por detrás de cada medida promovida pelo governo dos EUA e os que se submetem a sua política.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Revolução árabe influencia reivindicações na China

Inspirados pela revolução árabe, muitos chineses convocaram mobilizações em mais de 25 cidades e nas zonas centrais de Pequim e Xangai. A polícia chinesa compareceu em massa aos locais propostos para evitar qualquer tipo da manifestação.

As manifestações se deram contra o aumento dos preços dos alimentos gerado principalmente pela alta de inflação e a diferenças sociais entre trabalhadores e os novos ricos do país.

Alguns manifestantes compareceram ao chamado, mas foram muito poucos, se comparados ao número de policiais em prontidão. Manifestantes com câmeras filmadoras e fotográficas tiveram seus equipamentos aprendidos.

A tensão maior ficou por conta da polícia e dos jornalistas estrangeiros. Muitos deles tiveram seus equipamentos confiscados e alguns acabaram presos como jornalistas e fotógrafos das agências de notícias ZDF, BBC, Associated Press e da rede de televisão alemã ARD.

A polícia reagiu a qualquer tentativa de manifestação rapidamente por ordem do governo. “Um jornal oficial de Pequim reconheceu que o país tem muitos problemas, mas não os quer resolver através de uma revolução.” (Euronews, 27/2/2011)

As tentativas de manifestação na China são o princípio da crise que atravessa o país desde o final de 2009. Ano passado muitas greves eclodiram no país, mas foram rapidamente controladas com um aumento de salários. O governo cedeu a algumas exigências do movimento operário do país para evitar um agravamento dos conflitos violentos.

Impulsionado pela crise capitalista mundial, o movimento operário chinês pouco a pouco vai dando mostras de que está entrando em atividade. A revolução árabe deu um novo impulso às reivindicações por aumento de salários e contra a política de fome imposta pelo governo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Crise rebaixou pela metade salários dos trabalhadores

Os salários dos trabalhadores tiveram queda pela metade nos últimos três anos devido à crise econômica mundial. De acordo com um relatório divulgado na última quarta-feira, dia 15, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), reunida na Suíça, os salários tiveram seu crescimento reduzidos à metade.

A OIT divulgou o Relatório Global sobre Salários 2010/11 - Políticas Salariais em Tempos de Crise. Segundo este relatório, os aumentos dos salários passaram de 2,8% em média, antes da crise, em 2007, para 1,5% em 2008 e 1,6% em 2009.

De acordo com o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, "A crise foi dramática não apenas para milhares de pessoas que perderam seus trabalhos, mas ela também afetou aqueles que mantiveram seus empregos, reduzindo drasticamente seu poder de compra e bem-estar geral" (BBC, 15/12/2010).

O levantamento abrangeu 115 países o que corresponde a 94% da mão de obram mundial que hoje é avaliada em 1,4 bilhão de trabalhadores.

A pesquisa também não apresentou boas perspectivas para o próximo período. Segundo a OIT, apenas pouco mais de 30% dos trabalhadores podem ter seus salários reajustados acima da inflação e outros 18,3% de trabalhadores podem perder seus empregos com o agravamento da crise econômica mundial.

A maioria dos desempregados se concentram entre os mais jovens e entre as mulheres de 18 a 24 anos.

Para o relatório, "A estagnação dos salários foi um importante desencadeador da crise e continua a afetar a recuperação de muitas economias. Antes da crise, alguns países conseguiram manter o consumo das famílias graças ao endividamento. No entanto, ficou demonstrado que esse modelo é insustentável" (idem).

Isto indica que como não é mais possível os governos se endividarem, pois gastaram tudo com os pacotes econômicos, a situação dos trabalhadores e do desemprego tende a ficar ainda pior.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PSDB deixa São Paulo em 7º lugar em educação


Apesar de São Paulo ser o estado do País de maior poder econômico, a política de destruição da educação teve um resultado catastrófico. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa 2009) demonstrou que São Paulo ocupa a 7ª posição no País.

A educação do estado paulista é pior que toda a região Sul, Minas Gerais, Distrito Federal e Espírito Santo.

O PSDB completará duas décadas no governo do estado e foram seguidas medidas para favorecer o ensino privado e acabar com o ensino público.

Há diversos problemas enfrentados pela população com relação à educação, como a enorme evasão escolar associada à falta de investimento do governo na educação, o que impede que exista condições para o jovem manter-se na escola.

Com a situação econômica das famílias, muitos jovens são obrigados a sair da escola para dedicar-se ao trabalho, mas não conseguem conciliar ambos e acabam largando a escola.

Além disso, os programas como o de progressão continuada no sistema de educacional de São Paulo jogou a população em uma espécie de “gueto educacional" para o governo economizar com o estudante, no entanto sem dar as condições de ensino. Muitos saem das escolas sem conseguir escrever ou mesmo compreender um texto. O que demonstra ser esta uma educação completamente fictícia.

Cria-se esse gueto para a população mais pobre e o governo fica livre para financiar o ensino privado.

Desta maneira, restringem o acesso da população do estado mais importante política e culturalmente ao ensino, burlando a própria legislação burguesa.

É preciso que a juventude, secundarista e universitária, lute contra esses governos capitalistas derrotando o plano de entregar todo o país aos capitalistas estrangeiros e instituir um sistema privado de ensino, deixando à margem da educação a esmagadora maioria da população brasileira.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um olhar distorcido da América Latina


Certa vez, um grande estudioso norte-americano das relações entre os Estados Unidos e a América Latina, Donald Marquand Dozer, disse: “Os latino-americanos querem ser os senhores de seus destinos”. Nada mais natural do que sermos senhores de nossos próprios caminhos, erros e acertos, apesar de criticarem nossa busca por independência política e econômica, questionando quais seriam os motivos do subdesenvolvimento da América Latina, e tendo as respostas mais variadas possíveis, mas ainda existem – segundo Darcy Ribeiro em sua obra América Latina: Pátria Grande – muitos, principalmente europeus e norte-americanos, pensando que o nosso atraso é resultado de nossa incompetência. É, segundo Darcy Ribeiro, o velho estereótipo latino-americano, como sendo indolente, de vida fácil, que não aprecia o trabalho. Outra característica deste esteriótipo, é o espírito festeiro e desordeiro, assim como afirma Sérgio Buarque de Holanda, em sua obraRaízes do Brasil, o ideal de uma vida de grande senhor, exclusiva de qualquer esforço, de qualquer preocupação.Mas quem nos coloca tal imagem distorcida dos povos latino-americanos? São os mesmos que nos exploraram e querem colocar sobre nós o fardo do subdesenvolvimento que amargamos e criticam nossa postura de autonomia e independência.

É isso mesmo que ocorre, pois a imagem que muitos estrangeiros têm de nós, brasileiros, é de um povo que gosta de carnaval, de diversão e entretenimento, porém naquela época da dominação estrangeira, não eram os brasileiros que viajavam à Europa, ou mesmo dentro de nosso continente, enquanto os escravos e os índios trabalhavam a duras penas em troca de algumas moedas a fim de viverem um dia a mais.

Eduardo Galeano, em sua célebre obra As veias abertas da América Latina, nos mostra que os europeus, ao chegarem à América, logo buscaram o primeiro local que tivesse alguma riqueza – principalmente metais preciosos – para sugarem. Inicialmente, tentaram escravizar os indígenas, para que estes trabalhassem nas minas ou no campo. Vendo que os indígenas resistiam à dominação, os europeus foram à África, e trouxeram milhões de africanos para cá, e estes aumentaram o número de trabalhadores nas minas e nos grandes latifúndios que surgiam. Formava-se assim o povo latino-americano, uma massa de povos subjugados pelos europeus, que eram escravizados e formavam uma verdadeira massa de indigentes perante os olhos dos colonizadores.

Assim, o tempo passou, os europeus sugaram quase tudo o que puderam, deixaram nossas montanhas, nosso vales e nossas terras secos, com poucos recursos. Observando que a política colonial mercantilista já não tinha como funcionar, os europeus resolveram literalmente dizer aos povos latino-americanos “sejam livres”, pois assim poderiam inserir este continente no mapa das grandes empresas que surgiam após a Revolução Industrial. Mais uma vez, ficamos para trás. Formavam-se, neste momentos os Estados Nacionais latino-americanos, que logo ao se tornarem independentes, contrairam dívidas milionárias, e que continuam pagando até hoje. A independência veio, mas a que preço? Na verdade esta independência, ocorreu de fato junto às elites latifundiárias do emaranhado de países que surgiam. Para a massa de indigentes, de escravos, esta independência nunca houve. Perguntemos a um trabalhador boliviano de uma mina, que pode morrer a qualquer momento devido aos gases tóxicos que inala diariamente, e que ganha umas míseras moedas que não lhe servem nem para uma refeição digna, se ele se considera livre? Nem precisamos ir tão longe, aqui mesmo no Brasil, perguntemos a um cidadão que mora em uma favela assentada sob um antigo aterro sanitário, que corre risco de morrer, tanto por deslizamentos quanto por balas perdidas que são disparadas aos montes em um cenário calamitoso, se ele se considera livre?

Com a globalização, as diferenças entre os países do centro e os países periféricos se acentuaram ainda mais, e, como esse fato é resultado de um processo histórico, que nos levou a essa realidade de dependência, é muito difícil imaginar quando, todos nós latino-americanos, poderemos ter igualdade de condições para desenvolver todas as nossas potencialidades.

De fato, o que pretendo esclarecer, é que não devemos levar em conta a visão pessimista e negativa “vinda de fora”. Pois como é possível o mesmo local que derramava ouro e prata aos montes e enriquecia a crescente burguesia europeia, ser o local onde vivem hoje milhões de pessoas pobres, sem esperança, e que, em alguns casos, acabam recebendo a culpa disso tudo sobre si? O grande desafio está lançado, mudar a nossa visão acerca dos motivos de nossa pobreza, para assim, depois de esclarecido tudo, reunir forças para modificar em certa medida este cenário de diferenças gritantes entre a parte rica e a massa de desvalidos e miseráveis da população latino-americana.

Bancos norte-americanos querem que a população pague pela crise

Em meio à crise econômica atual, que já dura quase três anos, os banqueiros, acionistas e investidores continuaram lucrando enquanto que os trabalhadores ficaram com todo o ônus da crise.

Segundo um levantamento da agência financeira Bloomberg, os principais bancos norte-americanos vão terminar este ano com os melhores resultados de toda a história no que diz respeito ao setor de investimentos.

Estes bancos, até pouco tempo atrás, estavam em péssima situação, como o Goldman Sachs, Bank of America, Morgan Stanley, JP Morgan e Citigroup.

Alguns destes bancos faliram, tendo que ser resgatados às pressas pelo setor público dos Estados Unidos para não colocarem a economia do País a baixo. Mas, curiosamente, seus altos executivos não foram pedir auxílio-desemprego, pelo contrário, continuaram recebendo fortunas em dividendos.

Toda esta manobra foi possível graças ao bom e velho caixa público. Com a injeção de bilhões de dólares de dinheiro público nestes bancos, os acionistas e executivos mantiveram seus negócios na ativa enquanto que milhares de trabalhadores desta área foram demitidos. Quem tinha dinheiro investido nestes bancos falidos foram salvos pelo dinheiro público que os governos despejaram nestas instituições. Muitas até faliram, mas os bônus e pagamentos extras destes credores, executivos etc, não parou de ser pago.

O governo norte-americano, por exemplo, estatizou algumas destas instituições financeiras para garantir o dinheiro em caixa ou a liquidez. O governo ainda comprou os títulos podres elevando a um patamar ações que sequer seriam vendidas novamente. 

Se de um lado o dinheiro entrou fácil para salvar empresários e investidores que podiam perder tudo do dia para noite, do outro lado os trabalhadores e a população pobre em geral iniciaram uma queda vertiginosa nas condições de vida, na renda etc.

Os cortes foram implacáveis; seguro-desemprego, saúde, educação, programas sociais que beneficiavam famílias que tinham filhos, idosos etc.

A crise, que é produto direto da atuação da burguesia no mercado financeiro foi transferida para os trabalhadores e a população pobre que está tendo que pagar uma dívida que sequer foi ela quem criou.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Revolta da Chibata: Há exatos 100 anos um marinheiro negro colocava de joelhos a República Velha

Em 15 de novembro de 1910 tomara posse no governo federal, cuja sede era então a cidade do Rio de Janeiro, que contava com pouco mais de um milhão de habitantes, o marechal Hermes da Fonseca, substituindo Nilo Peçanha. A vitória de Hermes da Fonseca representou o predomínio dos setores mais reacionários sobre o Estado contra o candidato democrático da classe média e de setores da burguesia.

O Brasil era considerado a terceira potência naval do mundo, sendo sua esquadra formada por dois encouraçados, o Minas Gerais - um dos mais modernos do mundo - e o São Paulo, dois cruzadores e outras embarcações num total de 24. O poderio militar naval brasileiro e sua superioridade em relação aos demais países da região chegou a obrigar que o país se desfizesse de um encouraçado, o Rio de Janeiro, por pressões diplomáticas da Argentina e de outros países.

No Brasil da República Velha, mais ainda do que hoje, a Marinha constituía-se na força mais reacionária e mais aristocrática do que o Exército, dominado pela tradicional camarilha reacionária, mas ainda impregnado de toda a luta democrática que ia desde a Abolição até a proclamação da República e os primeiros anos dos governos republicanos.

Seguindo um ilegal costume da oficialidade da Marinha e do Batalhão Naval, no dia 22 de novembro, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes, foi condenado a 250 chibatadas.

A chibata havia sido abolida na Armada pelo terceiro decreto do primeiro governo republicano do País, em 16 de novembro de 1890, mas continuava em vigor na prática, a critério dos oficiais. Centenas de marujos, de expressiva maioria negra, continuavam tendo seus corpos retalhados por oficiais brancos.

Conforme o relato do 2º sargento Eurico Fogo, uma das vítimas da chibata, publicado no livro de Edmar Morel, A revolta da Chibata, "o bandido (carrasco que aplicava a pena, NR) apanhava uma corda mediana, de linho, atravessava-a de pequenas agulhas de aço, das mais resistentes e, para inchar a corda, punha-a de molho com o fim de aparecer apenas as pontas das agulhas. A guarnição formava e vinha o marinheiro faltoso algemado. O comandante, depois do toque de silêncio, lia a proclamação. Tiravam as algemas do infeliz e o suspendiam nu da cintura para cima no pé de carneiro, ferro que se prendia ao balaustrada do navio. E, então, Alipío, mestre do trágico cerimonial, começava a aplicar os golpes. O sangue escorria. O paciente gemia, suplicava, mas o facínora prosseguia carniceiramente o seu mister degradante. Os tambores batiam com furor, sufocavam os gritos (...) A marinhada, possuída de repulsa e de profunda indignação concentrada, murmurava: - Isto vai acabar!".

O marinheiro Marcelino recebeu as 250 chibatas assistidas por toda a tripulação do navio. Mesmo depois de desmaiado o flagelo continuou.

Naquela mesma noite, às 22 horas, a bordo do Minas Gerais, primeiro e, depois do São Paulo e do cruzador Bahia, centenas de marinheiros se amotinaram, destituíram seus comandantes e toda a oficialidade. Tudo conforme haviam arquitetado os líderes da revolta, à frente dos quais se encontrava João Cândido, marinheiro negro do Minas Gerais.

A revolta

Em um relato objetivo, João Cândido resume assim os acontecimentos: "Pensamos no dia 15 de novembro. Acontece que caiu forte temporal sobre a parada militar e o desfile naval. A marujada ficou cansada e muitos rapazes tiveram permissão para ir a terra. Ficou combinado então que a revolta seria entre 25 e 26. Mas o castigo de 250 chibatas do Marcelino Rodrigues precipitou tudo. O Comitê Geral resolveu, por unanimidade, deflagrar o movimento no dia 22. O sinal seria a chamada da corneta das 22 horas. O Minas Gerais, por ser muito grande tinha todos os toques de comando repetidos na proa e popa. Naquela noite o clarim não pediria silêncio e sim combate. Cada um assumiu seu posto e os oficiais de há muito já estavam presos em seus camarotes. Não houve afobação. Cada canhão ficou guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra todo aquele que tentasse impedir o levante.

"Às 22h50m, quando cessou a luta no convés, mandei disparar um tiro de canhão, sinal combinado para chamar à fala os navios comprometidos. Quem primeiro respondeu foi o São Paulo, seguido do Bahia. O Deodoro a princípio ficou mudo. Ordenei que todos os holofotes iluminassem o arsenal da marinha, as praias e as fortalezas. Expedi um rádio para o Catete (sede do governo, NR), informando que a esquadra estava levantada para acabar com os castigos corporais. Os mortos na luta foram guardados numa improvisada câmara mortuária e, no outro dia, de manhã cedo, enviei os cadáveres para a terra. O resto foi rotina de um navio em guerra".

Ultimato

A mensagem enviada pelo rádio do Minas Gerais foi um ultimato dos marinheiros ao regime político, de modo seco e direto: "Não queremos a volta da chibata. Por isso, pedimos ao presidente da República, ao ministro da Marinha, queremos resposta já e já. Caso não tenhamos, bombardearemos a cidade e navios que não se revoltarem". Dezenas de oficiais foram mortos outros detidos ou ainda desembarcados. Muitos marinheiros também tombaram. Uma após outra, quase todas as embarcações, as quais foram sendo assumidas pelos marujos e João Cândido, juntamente com outros líderes, assumiu o comando de toda a Armada. Pela primeira vez na história da humanidade um marinheiro foi comandante de toda uma esquadra. Na manhã do dia seguinte chegaram ao cais da Baía de Guanabara, dentre outros os corpos do capitão-de-mar e guerra Batista Neves, comandante do Minas Gerais e do capitão-tenente, José Cláudio da Silva. A população, informada pelos jornais da revolta, tinha por ela grande simpatia e dirigiu-se às praias e ao alto dos morros para acompanhar os acontecimentos. No mastro dos navios, os revoltosos hastearam bandeiras vermelhas.

Governo refém

Alguns integrantes do governo, como o prefeito, Gal. Bento Ribeiro, e o chefe da polícia, Belisário Távora, chegaram a defender pela imprensa a resistência, o não estabelecimento de nenhuma negociação com os revoltosos e, casos estes não se rendessem, "mandar torpedear os navios". As ameaças da direita do regime, se bem expressassem a vontade dos senhores do país, não eram acompanhadas da necessária coragem para enfrentar, não marinheiros desarmados e subjugados pelo terror da disciplina militar, mas em posse dos navios de guerra e dispostos a lutar.

A revolta, no entanto, dispunha de informantes no interior das corporações de terra, em particular dentre os rádio-telegrafistas, responsáveis por enviar a mensagem do comando às embarcações e unidades. João Cândido foi informado dos planos da marinha e tomou providências como o afastamento dos navios da costa durante a noite, para que não pudessem ser alvos dos canhões das fortalezas.

A vitória dos marinheiros

Os revoltosos dispõem de enorme poder bélico (de fato, capaz de arrasar com a cidade antes que sejam dominados) e o governo não dispõe de apoio político popular para ações mais ousadas devido à crise do regime.

Nas negociações entre os revoltosos e os representantes do governo e parlamentares, os últimos prometem apenas elaborar a lei que já existia proibindo a chibata, pôr em discussão as demais melhorias reivindicadas pelos marinheiros e assegurar-lhes a anistia contra a “insubordinação” e mortes de oficiais ocorridas.

Após intensa discussão no Congresso Nacional, o projeto é submetido a votação, usando-se inclusive da fraude de anunciar que os marinheiros haviam suspendido a revolta declarando-se arrependidos e suplicando a anistia. Tudo isso, como explica Edmar Morel, "foi forjado para facilitar a tarefa do Senado Federal que precisava de uma saída honrosa". Três horas após ser aprovado no Senado, o projeto foi aprovado por larga maioria na Câmara dos Deputados, demonstrando uma vez mais como uma verdadeira pressão sobre o parlamento (não os lobbies que a burocracia sindical e a esquerda petista apreciam tanto) é capaz de fazer para superar a proverbial lerdeza e má-vontade dos deputados e senadores em atender as reivindicações populares.

O Comitê Geral, dirigido por João Cândido, diante da aprovação da anistia e do fim da chibata, resolve em 25 de novembro terminar a revolta e depor as armas dos mais de três mil marujos sob seu comando. A oligarquia da República Velha e a burguesia haviam capitulado diante da exigência armada dos marinheiros.

Alguns setores dos revoltosos se opõem ao acordo, considerando-o insuficiente, como aconteceu com a tripulação do Deodoro. Seu comandante rebelde, o marinheiro José Alves de Souza redige um protesto criticando João Cândido, com o qual tenta chamar as demais embarcações a permanecerem em revolta. José Alves declara: "Não devemos ter pressa da anistia. Esperemos por alguns dias. Não dizem que nosso soldo será discutido no Congresso? Pois aguardemos a sua discussão. Nós temos forças. O povo está conosco. Ele há de nos ajudar a forçar o governo a dar tudo o que desejamos".

A posição de recuo de João Cândido triunfa, no entanto, e no dia 26 as embarcações começam a atracar no cais e o comando das embarcações é novamente entregue ao Ministério da Marinha.

Um exemplo de luta

Superando, por força das condições miseráveis que lhes eram impostas, o profundo atraso cultural em que viviam os milhares de marinheiros liderados pelo negro João Cândido, então com trinta anos, foram os protagonistas de um dos mais extraordinários episódios, dentre muitos outros dos quais a história do Brasil está repleta, que exemplificam a coragem, a determinação e a capacidade das massas exploradas do país, em particular do seu proletariado, de se insurgirem contra a exploração, a opressão e a tirania dos exploradores e seus governos.

Os limites naturais, estabelecidos pela inexperiência política de João Cândido, bem como de toda a nascente classe operária brasileira não lhe tira em nada o mérito desta luta heróica. A falta de experiência levou-os a conferir crédito às promessas dos setores da oligarquia no governo, bem como à farsa da anistia realizado no Congresso, que não impediu que as forças militares pusessem em marcha o processo de perseguição e vingança que consumiu a vida de centenas de marinheiros de forma cruel e sanguinária.

João Cândido e o centenário da Revolta da Chibata são um exemplo para a classe operária e todos os explorados, em geral, e para os trabalhadores e a juventude negra, em particular, de quais são os métodos e o caminho para se conseguir a emancipação diante da opressão capitalista: a organização independente dos explorados, a luta com seus próprios métodos e instrumentos de luta por suas reivindicações e mesmo a sua derrota após a vitória ilustram a necessidade de liquidar com o governo e o regime político da burguesia para ver essas reivindicações fundamentais atendidas.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Transnacionais avançam sobre Moçambique

Os megaprojetos de mineração de Moma e Moatize, no norte e centro de Moçambique, foram implantados com muitos erros, absolutamente evitáveis. O governo moçambicano mostrou falta de transparência e, inclusive, não levou a cabo um diálogo com as mineradoras e com as comunidades afetadas.

Por outro lado, as mineradoras não estão cumprindo com o acordado nos contratos com o governo e as promessas feitas às comunidades afetadas.

Estas são parte das conclusões a que chega um relatório de monitoria das atividades mineradoras em Moçambique, apresentado esta segunda-feira (15) em Maputo, elaborado pelo Centro Moçambicano de Integridade Pública, uma entidade da sociedade civil que promove a integridade, a transparência e a boa governabilidade na esfera pública em Moçambique.

Os megaprojetos em questão dedicam-se à exploração de areias pesadas, desenvolvida pela multinacional irlandesa Kenmare – em Moma, província de Nampula, norte de Moçambique – e a extração de carvão mineral, desenvolvida pela brasileira Vale do Rio Doce e pela australiana Riversdale Mining – em Moatize, província de Tete, centro de Moçambique.

Os recursos da extração destes minerais são, na sua totalidade, para a exportação.

Quem representa as comunidades

A empresa Kenmare (que explora areias pesadas em Moma) criou a chamada “Kenmare Moma Associação de Desenvolvimento” KMAD, financiada majoritariamente pela própria empresa, para cuidar do relacionamento entre a empresa e as pessoas que vivem dentro do raio de dez quilômetros do lugar onde foi instalada a mineradora.

Esta associação que desempenha a função de “defensora dos interesses da Comunidade”, diz estar investindo, anualmente, entre 350 e 400 mil dólares para o desenvolvimento de diversos projetos. No entanto, o Secretário Permanente do Distrito de Moma, citado no relatório, afirma que “é uma grande mentira, porque investimentos sociais dessa dimensão nunca passariam despercebidos num distrito muito pobre como este nosso [Moma] (…), se fosse verdade este distrito já estaria com outro visual, mas nada se vê (...)”.

A KMAD diz desenvolver projetos de produção de ovos, frangos e hortaliças, mas o comprador principal é a própria Kenmare, que os oferece aos seus trabalhadores.

Dividir para reinar

Este é o termo utilizado no relatório para se referir aos reassentamentos realizados pela empresa Vale. De novembro de 2009 a abril de 2010, a Vale “arrancou” cerca de 760 famílias camponesas das suas comunidades para dar lugar a aberturas das minas de carvão.

A empresa dividiu as famílias entre rurais e semiurbanas, usando critérios diferenciados para os reassentamentos das mesmas. As famílias consideradas rurais foram reassentadas há cerca de 40 quilômetros da sua comunidade de origem, em Cateme, e as consideradas semiurbanas foram colocadas nas proximidades da vila de Moatize no bairro 25 de Setembro.

Exploração dos recursos nacionais: quem são os verdadeiros beneficiários?

De acordo com o relatório, consta que a Vale pagou pela concessão de Moatize cerca de 120 milhões de dólares, mas, estranhamente, essa verba nunca foi inscrita no Orçamento do Estado Moçambicano. A exploração do carvão de Moatize será efetuada através de mineração a céu aberto, com uma capacidade de cerca de 26 milhões de toneladas de carvão bruto por ano, como referido anteriormente, para exportação.

Tanto em Moma como em Moatize as comunidades afetadas são sempre tratadas como meros objetos dos reassentamentos e que devem, por isso, obedecer aos padrões que as empresas ditam. Os que tentam opor-se ou questionar os termos e mecanismos de compensação são acusados de estar contra o desenvolvimento. Verifica-se, portanto, “a imposição de destinos de reassentamento, falta de diálogo, negociações precárias sobre as compensações, promessas avulsas e descontínuas que nunca se cumprem”, cita o relatório.

Sociedade Civil

Representantes da sociedade civil têm se reunido em diversos espaços, especificamente, seminários e reuniões para debater o caso das famílias atingidas pelas mineradoras, tanto no que se refere às questões do reassentamento, quanto às de precarização do trabalho.

Rui Caetano, da Associação de Apoio e Assistência Jurídica às Comunidades, critica a forma como a Vale está tratando o povo moçambicano. Pare este ativista, o que a Vale está fazendo em Moçambique “é um crime hediondo e uma vergonha para um Estado de direito”.

Autoridades locais impotentes

As autoridades governamentais locais sentem-se impotentes para agir contra as multinacionais porque sabem que as empresas estão ligadas a altos dirigentes do país, em nível central. Por exemplo, cita o documento, “as relações da Vale junto das autoridades moçambicanas são fortes, sendo que Roger Agnelli, o presidente-executivo da empresa, é assessor do Chefe de Estado, Armando Guebuza, para questões de âmbito internacional”. Este fato torna os governantes de nível inferior incapazes de agir por medo de ferir interesses dos chefes de Maputo.

O relatório conclui afirmando que a indústria mineradora constitui uma forma específica e concreta de acumulação capitalista primitiva em Moçambique, sendo levada a cabo sem exigência de preservação ambiental e respectiva fiscalização pelo Estado Moçambicano.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mobilização estudantil na Inglaterra, crise em Mianmar e no Iraque

Sábado, 6 de novembro: catástrofe no Haiti

No sábado, dia seis, um dos principais fatos que marcaram o dia foi mais uma catástrofe que assolou a população haitiana. De acordo com as autoridades haitianas, a passagem do Furacão Tomas provocou a morte de pelo menos 20 pessoas, 36 feridas e cerca de 6 mil famílias desabrigadas.
Segundo a Defesa Civil, a região Sudeste do Haiti, localizada no departamento de Grand’Anse, foi a mais atingida, registrando a morte de sete pessoas e o desaparecimento de outras sete pessoas. Ao todo 857 casas foram destruídas e outras cinco mil ficaram danificadas. Entre os desabrigados, há pelo menos seis mil famílias que estão sem lugar para onde ir.
A força do Furacão fez com que várias cidades ficassem bloqueadas durante a semana devido às inundações a aos constantes deslizamentos de terra. Depois de devastar o Haiti, o furacão foi dissipado no Oceano Atlântico.
Os estragos do furacão vão agravar a situação de calamidade pública do País. Uma das conseqüências imediatas dos estragos causados pela passagem do furaçcão é o agravamento da epidemia de cólera devido, a doença já matou mais de 700 pessoas. O furacão aumentou o número de desabrigados no País, que já era muito alto por causa do terremoto que atingiu o Haiti no início do ano. Desta forma, a situação da população haitiana, a mais pobre da América Latina, fica ainda mais grave.

Domingo, 7 de novembro: abrindo caminho para o plano de austeridade

No domingo, dia sete, teve início a visita do papa Joseph Ratzinger na Espanha para pregar contra direitos democráticos, a exemplo do que fez na Inglaterra.
A visita do papa faz parte da jornada internacional de luta contra o direito ao aborto e o casamento gay. Não é por acaso que a visita do papa aconteceu em meio à crise capitalista que abrange toda a Europa e em especial a Espanha. O papa aproveitou para se posicionar contra as recentes leis aprovadas pelo governo espanhol que garantem o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A lei do aborto, por exemplo, foi aprovada na Espanha há menos de seis meses. E reação da direita espanhola ligada à Igreja Católica foi imediata.
A visita do papa também é estratégica para o governo Zapatero conseguir implementar o plano de austeridade com os drásticos cortes no orçamento público. A Igreja Católica é um instrumento fundamental para a aplicação dessa política contra os trabalhadores e a população espanhola. A autoridade da Igreja para conter a crise e a reação popular é fundamental, mais de 70% da população espanhola se declara católica.

Segunda-feira, 8 de novembro: fugindo da ditadura

Na segunda-feira, dia oito, foi anunciado pelas autoridades tailandesas que dezenas de milhares de pessoas saindo de Mianmar cruzaram a fronteira para fugir do país. O motivo da evacuação se deve aos conflitos entre as duas principais alas do regime político birmanês devido às inúmeras denúncias de fraude nas últimas eleições que ocorreram nos dias seis e sete. O resultado das eleições deu mais de 80% das cadeiras parlamentares ao partido da ditadura.
Os conflitos tiveram início com a invasão de um posto de votação em uma delegacia de polícia na cidade de Myawaddy. A invasão foi realizada por uma ala oposicionista do regime atual, a Liga Nacional para a Democracia (LND), que alega fraude nas eleições para manter no poder o partido da ditadura militar.
A pressão popular em Mianmar obrigou este partido a realizar eleições e iniciar um processo de abertura democrática, pois há mais de 20 anos que uma eleição não era realizada no País.
A crise em Mianmar é tanta que o imperialismo se declarou contrário ao atual governo e contra as eleições. O regime político é apoiado pelos chineses e o imperialismo apóia a ala de oposição. Barack Obama chegou a dizer que as eleições “não atenderam aos padrões reconhecidos internacionalmente”. Aparentemente, a política do imperialismo é apoiar o movimento democrático para assim conseguir alguma influência sobre Mianmar.
A demonstração maior de apoio do imperialismo ao movimento democrático birmanês foi a nomeação de Aung San Suu Kyi, líder oposicionista, ao prêmio Nobel da Paz, que está em prisão domiciliar.
Devido à total desmoralização da ditadura birmanesa, o atual partido no poder não consegue mais sustentar o regime político.
Já a China se posicionou favorável ao partido que ganhou as eleições declarando que “Este é um passo fundamental para Mianmar na implementação do cronograma de sete passos na transição para um governo eleito, e portanto é bem-vindo”. A ditadura birmanesa é uma aliada de longa data da w.
Mas, desde as crises em Mianmar em 2007, vem se aprofundando a crise em todo o continente asiático que está sob a influência da China.

Terça-feira, 9 de novembro: crise bancária chega ao Brasil

Na última terça-feira, dia nove, o Banco Central (BC) informou ter encontrado indícios de fraude nas operações com cartões de crédito no banco PanAmericano, por meio de uma subsidiária do banco.
A fraude teria acontecido porque a instituição não repassou às administradoras o pagamento das faturas feitas pelos portadores dos cartões. Dessa operação surgiu um rombo de R$ 2,5 bilhões no banco que faz parte do Grupo Silvio Santos. A parte referente aos cartões soma R$ 400 milhões de rombo.
Os R$ 2,1 bilhões restantes são provenientes das carteiras de financiamento do banco, ou seja, de títulos vendidos que continuaram sendo contabilizados e vendidos a mais de uma instituição.
Após ser denunciada a fraude, o rombo foi coberto com um empréstimo de R$ 2,5 bilhões feito pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao Grupo Silvio Santos.
O Ministério Público Federal declarou que vai averiguar a fraude e tentar incriminar responsáveis. O presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, já indicou ao Silvio Santos vender o PanAmericano para poder pagar as dívidas com o FGC. Mas talvez não seja somente o banco que tenha que ser vendido, mas boa parte do patrimônio do apresentador, entre eles até mesmo o canal de TV SBT.
O rombo no Panamericano, envolvendo títulos do banco é um prenúncio da crise que deve se abater no País, assim como aconteceu nos Estados Unidos com a crise imobiliária. O governo Lula se vangloriou por ter contido de imediato o rombo, por meio do FGC, pois não foi utilizado dinheiro público, já que o fundo é mantido com dinheiro privado. No entanto, à medida que estes casos se multiplicarem os cofres públicos serão os primeiros a serem utilizados.

Quarta-feira, 10 de novembro: luta contra o ensino privado

Na quarta-feira, dia 10, foi a vez dos estudantes ingleses protestarem contra o plano de austeridade inglês e os ataques à educação. Cerca de 50 mil estudantes universitários protestaram nas ruas de Londres contra projeto de aumento das mensalidades no Reino Unido.
A manifestação foi extremamente radicalizada, os estudantes ocuparam a sede do Partido Conservador em protesto à propaganda feita pelo partido, durante as últimas eleições, em que prometeu que as mensalidades não seriam aumentadas.
Os estudantes entraram na sede do partido, expulsaram os mais de 200 funcionários e iniciaram uma série de fogueiras no interior do prédio.
Este foi o maior protesto realizado no Reino Unido contra os planos de austeridades que foram anunciados há algumas semanas. O governo britânico pretende triplicar o valor das mensalidades cobradas aos estudantes.
Com o protesto, os estudantes aproveitaram a ocasião para destacar que o primeiro-ministro David Cameron e outros membros do governo estudaram nas universidades como Oxford e Cambridge, na época em que a educação universitária era gratuita no País. A cobrança de mensalidades foi introduzida pelo primeiro-ministro Tony Blair em 1997 logo após sua eleição.

Quinta-feira, 11 de novembro: governo frágil

Na quinta-feira, dia 11, Nouri Maliki foi indicado ao cargo de primeiro-ministro do Iraque por Jalal Talabani, atual presidente eleito em março.
A escolha foi feita após meses de impasse das inúmeras divergências existentes entre os partido no Parlamento iraquiano. Para conseguir entrar em um acordo, o novo governo teve que fazer inúmeras promessas para as facções que compõem a câmara legislativa iraquiana.
O Iraque vive um estado de crise constante por meio das pressões exercidas pelo Irã que tem maioria xiita e pela maioria sunita da Arábia Saudita, ou seja, apesar das tentativas de unificação do país há uma forte tendência de desagregação, de divisão que existe desde a invasão norte-americana.
Com a indicação de Maliki para o cargo de primeiro-ministro, o Irã será favorecido, pois o governo tem maioria xiita. Com esta situação, o imperialismo tem seus planos de estabilização do regime iraquiano comprometidos, pois o impasse político no Iraque permanece, ainda mais agora com este governo que está mais próximo do Irã.

Sexta-feira, 12 de novembro: acordo prévio

A reunião com os líderes do G20 que se estendeu durante quase toda a semana passada para discutir a questão cambial entre os países imperialistas e os países atrasados, que compõem o chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), terminou na última sexta-feira, dia 12, sem nada muito concreto.
Foi realizado um acordo prévio em torno de um compromisso para que os países fiquem em estado de alerta e evitem dar sinais para investidores de que a crise é maior do que parece.
Os detalhes do acordo não foram estabelecidos, isso somente ocorrerá na próxima reunião da cúpula do G-20 que acontecerá no primeiro semestre de 2011.
O principal assunto tratado no encontro, sem dúvida, foi o mega pacote que o governo dos Estados Unidos despejou no mercado financeiro norte-americano. A bolha imobiliária na Irlanda que produziu uma dívida de 159 bilhões de dólares também foi um dos assuntos mais comentados.
A respeito das taxas de câmbio dos países, foi acordado que os países irão evitar desvalorizações que sejam utilizadas com fins competitivos, como acontece com o câmbio chinês, que está extremamente desvalorizado afetando as exportações de diversos países, em especial dos Estados Unidos.
A respeito das taxas de cambio chinesas, Barack Obama declarou que, “As taxas de câmbio precisam refletir realidades econômicas. As economias emergentes precisam permitir que suas moedas sejam conduzidas pelo mercado”.
Por fim, não houve nenhum avanço na regulação das taxas de câmbio, ficando apenas a cargo do “bom senso” dos países em regularizar a situação, mas pelo visto não haverá nenhuma mudança do quadro atual.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A prefeitura está atacando a saúde para privatizar o serviço

A prefeitura de Belo Horizonte está fazendo a propaganda em seu portal na internet sobre o que ela chama de “Atendimento humanizado” do programa “Posso ajudar?”. Tudo é muito bonito para a matéria divulgada no site da prefeitura. Segundo ela, o programa estaria funcionando em 147 Centros de Saúde, oito Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e seis Unidades de Referência Secundárias.

O maravilhoso programa social, como quer fazer acreditar a prefeitura, tem a proposta de qualificar a recepção aos pacientes do SU-BH e tornar mais “acolhedor” o ambiente e o atendimento aos pacientes.

O servidor da saúde de Belo Horizonte e a população, no entanto, sabem como funciona a realidade do serviço de saúde da prefeitura. Por trás da maravilha que a prefeitura quer apresentar, o que existe é um serviço constantemente atacado.

A prefeitura de Belo Horizonte, da gestão PSB/PT/PSDB, não é segredo para ninguém, está implantando um plano para privatizar a rede pública de saúde. Os trabalhadores da saúde estão sofrendo na pele as metas de atendimento e a carga de trabalho que só aumenta.

Para colocar em prática o programa “Posso te ajudar?”, a prefeitura está usando estudantes como estagiários. Tudo para não precisar contratar mais servidores e poder pagar baixos salários para os estudantes. Segundo o secretário de Saúde Marcelo Teixeira “a importância do trabalho desenvolvido pelos estagiários, enfatizando que o papel deles é facilitar o fluxo e organizar o acesso dos cidadãos.” Os planos da prefeitura é usar os estagiários para fazer o trabalho dos servidores.

Longe de ser a maravilha como quer passar a prefeitura, o ambiente nas unidades de saúde é cada vez pior para os servidores e conseqüentemente para a população. Os servidores estão sendo atacados com as metas de atendimento. Para dar conta das metas, nas unidades de saúde que quase sempre estão lotadas, os servidores estão desenvolvendo doenças ocupacionais físicas e psicológicas.

Além disso, para poder cumprir as metas exigidas pelas chefias, o serviço acaba sendo sucateado e o atendimento aos pacientes se torna cada vez pior. Isso sem contar a epidemia de dengue, que até outubro já havia infectado 67 mil pessoas na cidade.

Todos os ataques à rede de saúde e a aos trabalhadores fazem parte dos planos de privatização. Os capitalistas estão de olho nos lucros que provêm desse serviço, que faz parte da necessidade básica de toda a população.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dinheiro só para os capitalistas

O governo do Reino Unido vai exigir que desempregados que recebem seguro-desemprego trabalhem para o garantir benefício.

A última do governo britânico, depois de anunciar um corte de mais de 80 bilhões de euros, ou 130 bilhões de dólares, nos gastos públicos, é obrigar os desempregados que estão recebendo seguro-desemprego a fazer trabalhos comunitários.

O governo britânico quer que trabalhadores desempregados há mais de um ano sejam obrigados a prestar serviços comunitários sob pena de perder o direito aos benefícios.

O ministro do Trabalho e Aposentadoria do Reino Unido, Iain Duncan Smith, quer que beneficiários do seguro-desemprego por longos períodos dediquem um mês de sua mão-de-obra a tarefas como jardinagem, coleta de lixo e reparos em escolas.

As propostas são parte do pacote de reformas no sistema de bem-estar social da Grã-Bretanha promovidas pelo governo de coalizão conservadores-liberal-democratas.

Cerca de cinco mil de pessoas são beneficiadas pelo seguro-desemprego na Grã-Bretanha, onde o número de famílias sem trabalho é um das maiores da Europa.

A desculpa do governo para impedir que os desempregados recebam a ajuda governamental é a de que os desempregados realizam “bicos” que não são declarados ao governo e ao mesmo tempo recebem o seguro-desemprego.

Segundo o ministro, "uma coisa que podemos fazer é mobilizar as pessoas para realizar uma ou duas semanas de trabalho manual, para dar-lhes um senso de que estão trabalhando, mas também quando suspeitarmos de que essas pessoas estão fazendo outros trabalhos” (BBC, 7/11/2010).

Smith ainda ressaltou que a " mensagem é que elas se mexam, ou vai ser difícil." (idem).

Os que não aceitarem o esquema ou demonstrarem “má vontade” em realizar os trabalhos terão como punição a perda dos benefícios por até três meses.

A medida recebeu críticas até mesmo de um representante da Igreja anglicana que disse que "quem já está batalhando para encontrar trabalho e um futuro seguro vai ser, eu acho, empurrado ainda mais para baixo, em uma espiral de incerteza, até de desespero." (idem).

Esta medida tem um claro objetivo: reduzir ainda mais os gastos públicos. O governo britânico, sob o pretexto de moralizar a distribuição de seguro-desemprego, quer diminuir o pagamento por meio das punições e também fazer com que os trabalhadores façam serviços públicos no lugar de pessoas que foram ou serão demitidas em breve.

A medida também é escandalosa ao exigir que trabalhadores desempregados devido aos efeitos da crise econômica e que recebem 65 libras esterlinas semanais, sejam atacados e chamados de vagabundos e aproveitadores do governo enquanto que o governo já despejou bilhões de dinheiro público nos cofres dos banqueiros falidos com a crise.