"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou" Henry Ward Beecher

"Quando os jovens de uma nação são conservadores, o sino de seu funeral já tocou"
Henry Ward Beecher

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estudantes mostram sua força na greve contra a reforma de Sarkozy


A participação de estudantes nas greves dos trabalhadores franceses aumenta a cada dia. Segundo os dados dos sindicatos e da polícia francesa, 500 instituições de ensinos foram paralisadas, entre escolas e universidades, nesta quinta-feira.

Ontem, 8.000 estudantes marcharam em protestos somente na Universidade de Rennes, mostrando a força do movimento estudantil e sua importância como um indicativo da radicalização do movimento dos trabalhadores.

Na cidade de Toulouse, milhares de estudantes marcharam junto com funcionários públicos de companhias aéreas como Airbus e a Air France.

Já na cidade de Montpellier foram cerca de 3.000 estudantes. Em Marselha, os protestos se espalharam por várias outras localidades. As escolas foram bloqueadas por secundaristas com barragens que impediam a entrada de quem não fosse estudante ou simpático à greve.

Na comuna francesa de Montreuil, houve reação violenta da polícia. Um estudante de apenas 16 anos foi ferido no rosto após ter sido atingido por um tiro de bala de borracha. A violência da polícia em Montreuil foi condenada pelo próprio prefeito, que acabou prendendo alguns policiais que agiram violentamente contra os estudantes.

A participação de estudantes nas greves acontece em várias localidades na França, o número total de estudantes que saíram às ruas nesta quinta-feira foi estimado em 50 mil.

Segundo alguns analistas, a entrada dos estudantes seria um ponto de mudança na qualidade da greve. Além disso, a participação dos estudantes na mobilização nacional contra a reforma das aposentadorias pode exercer grande influência na opinião de uma parcela dos trabalhadores que ainda estão em uma posição neutra e que podem aderir à greve.

A participação dos estudantes, das escolas e universidades, em solidariedade com a classe operária francesa é um sinal do profundo desgaste do governo Sarkozy e do seu virtual fracasso na tentativa de impor uma derrota aos trabalhadores.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Fome na América Latina não diminui em 2010


Dados divulgados hoje pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) mostraram que, com relação à diminuição da fome, a América Latina e o Caribe são a única região no mundo onde as estatísticas permanecem inalteradas em comparação com o pico registrado em 2009. Ou seja, a população pobre continua passando fome. Segundo os dados da FAO serão cerca de 52,5 milhões de pessoas desnutridas na região.

Os próprios dados do estudo da FAO apontam que o aumento dos preços dos alimentos internacionais a partir de 2006 e a crise financeira e econômica em 2009 são os principais fatores que explicam não só a não diminuição como o aumento do quadro na região nos últimos anos. “Embora a América Latina seja classificada para enfrentá-la, a crise econômica foi mais profunda do que inicialmente previsto e teve graves conseqüências no emprego e na renda das famílias mais vulneráveis, o que prolongou a crise alimentícia” disse o representante regional da FAO, José Graziano (Agência EFE, 13/10).

Os efeitos da crise são tão graves que parte da população que se encontravam na linha da pobreza, depois da crise foram considerados miserável e o estudo aponta como principal responsável os próprios governos e a falta de recursos financeiros investidos nesta área.

Os relatórios dos órgãos internacionais não deixam mentir o que a população trabalhadora bem sabe, mas que os governos e a mídia tentam esconder: enquanto milhões foram dados para os banqueiros e empresários, a população trabalhadora ficou e continuará na miséria.

domingo, 10 de outubro de 2010

Uruguai realiza primeira greve geral sob governo Mujica

O Uruguai viveu um dia de greve geral no último dia 7 de outubro. Trabalhadores das empresas públicas, dos bancos, indústrias, educação e saúde paralisaram quase totalmente suas funções por 24 horas. Já a paralisação no transporte foi parcial, enquanto que no comércio teve pouca adesão. A adesão ao protesto foi considerada grande, sobretudo em Montevidéu, capital do país.

A greve foi a primeira paralisação geral contra o governo de Frente Ampla encabeçado por Mujica, e foi produto da intransigência do governo na aplicação da “Reforma de Estado”, que inclui a Lei Orçamentária e o rebaixamento dos salários. A Reforma de Estado significa um ataque às conquistas históricas dos trabalhadores, onde se pretende liquidar a estabilidade no emprego e sucatear serviços públicos.

A Izquierda Unida de los Trabajadores, organização simpatizante da LIT-QI, deu todo seu apoio à greve e defendeu como bandeira o aumento geral do salário mínimo e das aposentadorias, além de chamar a luta contra a Reforma de Estado. Também chamou a construção de uma nova direção sindical para os trabalhadores.

A trava das direções
O protesto é sem dúvida alguma um passo adiante para um setor dos trabalhadores que vinham reivindicando a necessidade de unificar todas as lutas em uma só, reunindo assim os trabalhadores do setor público e privado.

No entanto, a direção majoritária do sindicalismo uruguaio tentou fazer de tudo para impedir que o protesto se enfrentasse diretamente com o governo. Por isso, a greve se realizou sob a vazia palavra de ordem de “redistribuição de riquezas”, sem atacar o plano econômico aplicado pelo governo em prol dos empresários – responsável pela concentração de renda no país. Tampouco se realizou a greve geral em um marco de plano de lutas nacional, que pudesse dar continuidade a luta dos trabalhadores.

O setor majoritário da na direção da PIT-CNT (Central Sindical uruguaia) buscou de todas as formas desmontar a greve na direção da central. Chegou a sair em defesa explicita de Mujica e da Frente Ampla, inclusive na imprensa uruguaia.

Contudo, diante do aumento crescente das lutas dos trabalhadores do país, expresso em inumeráveis conflitos, greves, ocupações etc., os sindicalistas pró-governo foram forçados a chamar a greve, mesmo que ainda tentasse salvar as aparências do governo.

No entanto, o próprio processo de luta dos trabalhadores dirá se a greve geral do dia 7 será apenas um abrir de válvula para a crescente insatisfação social (manobra realizada pelo sindicalismo governista) ou se será um ponto de inflexão para as lutas operárias no Uruguai.

A continuidade da luta é fundamental. Por isso, como afirma aIzquierda Unida de los Trabajadores, “é uma tarefa importante construir uma nova direção que consulte a base de forma permanente e leve adiante as medidas que forem decidas pelos trabalhadores.” .

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

43,6 milhões na pobreza - Um em cada sete norte-americanos são pobres

A crise que abala os EUA desde 2008 não pára de se aprofundar. Um sinal deste agravamento da crise é o aumento sistemático do número de pobres no país que tem aumentado aos piores níveis em mais de 50 anos.

O governo realizou um senso no ano passado e divulgou o resultado apresentando os dados com 43,6 milhões de pobres, no ano anterior o número era de 39,8 milhões de pobres, 13,2% da população. Segundo o último levantamento, são 14,3% de pobres nos Estados Unidos. De acordo com o censo, um em cada sete norte-americanos está na pobreza. No caso das crianças o número é maior, uma em cada cinco crianças.

A população dos EUA ficou assim em grande parte por causa da ajuda bilionária que o governo deu aos banqueiros falidos.

Sem perspectiva de melhora, ao contrário, o governo dos EUA se vê em uma situação crescente e desesperadora. Recentemente anunciou investimento de 50 bilhões de dólares para tentar gerar novos empregos.

O maior medo de Obama é o crescimento da insatisfação dos trabalhadores norte-americanos, que podem levar o país a uma crise política sem precedentes.

Há um crescimento constante da pobreza, de 2008 para este ano subiu de 37,8 milhões de pobres para 43,6 milhões. O número de pobres nos Estados Unidos aumentou 5,8 milhões em pouco menos de dois anos.

O levantamento usa como critério para classificar abaixo da linha da pobreza renda anual de US$ 11,2 mil dólares para solteiros e US$ 21,8 mil dólares para famílias de quatro pessoas. Este valor é o mesmo que uma renda mensal inferior a 466 dólares por pessoa.

Diante deste quadro Obama desconversou e disse que vai reverter a situação, “Mesmo antes da recessão, a renda da classe média estava estagnada e o número de pessoas vivendo na pobreza nos Estados Unidos era inaceitavelmente alto. Os números de hoje deixam claro que nosso trabalho está apenas começando" (EFE, 16/9/2010).

Um dos grandes fatores do aumento da pobreza nos Estados Unidos, sem dúvida é o crescimento da taxa de desemprego que subiu 5,8% desde o final de 2007, início oficial da crise econômica. A taxa atualmente está em 9,6% da população economicamente ativa, equivalente a quase 15 milhões de desempregados. Foram 8,8 milhões de pessoas que ficaram sem emprego neste período.

A queda nas condições de vida das famílias norte-americanas é generalizada. Os salários foram desvalorizados em 3,6%. A renda média caiu 1.900 dólares, de uma renda anual de 52.200 dólares para 50.300. Esta é a renda mais baixa em 10 anos. Outros fatores que demonstram como há uma diminuição sistemática na renda dos norte-americanos é o aumento de pessoas sem planos de saúde privados. São 15,4% sem planos privados, um total de 46,3 milhões de pessoas.

A recessão atacou principalmente a população latino americana que concentra mais de 44 milhões de pessoas nos Estados Unidos. De 2007 a 2010 a pobreza entre os latinos subiu de 21,5% para 25,3%. A maior percentagem está entre os negros, 25,8% na linha de pobreza que estava em 24,7% no ano passado. A população asiática teve aumento de 10,2% para 12,5% de pobres. E os brancos foram os menos afetados, a pobreza subiu de 8,2% para 9,4%.

O número de pobres poderia ter sido ainda maior, mas o seguro desemprego tirou da linha da pobreza, três milhões de famílias que recebem o benefício.

Estes dados não deixam dúvida de que há um forte da recessão nos Estados Unidos que se reflete neste nível de pobreza bastante acentuado para um País que é a maior economia do mundo. É a prova de que a crise capitalista esta fazendo ruir o capitalismo nos principais países imperialistas.


sábado, 2 de outubro de 2010

Mais bancários aderem a greve que já atinge um terço das agências

A greve nacional dos bancários que teve início após a aprovação em assembléia realizada na última terça-feira (28), depois de a categoria não concordar com a proposta da Federação Nacional dos Bancos.

Enquanto as reivindicações da categoria não são atendidas a greve acabou se ampliando e nesta sexta-feira atingiu, 6.215 agências em 26 Estados e no Distrito Federal.

Com isso a paralisação já corresponde a cerca de 31,4% da categoria, mostrando que houve uma ampliação significativa em apenas 3 dias.

Segundo o presidente da Contraf, a greve cresceu em resposta ao silêncio dos bancos. Disse ainda que os trabalhadores estão revoltados com o desrespeito dos bancos que tiveram uma ampliação de 32% nos lucros somente no primeiro semestre deste ano.

Diante da situação a assembléia desta terça-feira determinou que greve será por tempo indeterminado.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

As diferentes faces dos ‘planos de austeridade’ na Europa

A corrida para promover cortes no orçamento dos 16 países da zona do euro está marcada por um objetivo comum a todos eles: reduzir o déficit orçamentário a 3% do PIB até 2013.
França
O governo Sarkozy pretende reduzir em 45 bilhões de euros os gastos dos próximos três anos com medidas de ajuste fiscal e a retirada de fundos destinados ao “estímulo” da economia. As reformas da previdência e tributária são duas das principais medidas tomadas, com a elevação da idade mínima para aposentadoria de 60 para 62 anos e maior tempo de trabalho para a conceção do benefício.
Os sindicatos realizaram duas ondas de greve nacionais em setembro, tendo envolvido pelo menos 1,1 milhão de pessoas na primeira delas.

Espanha
O governo Zapatero aprovou um orçamento de austeridade para 2011 que inclui o aumento de impostos sobre os mais ricos e cortes de 8% dos gastos públicos. O aumento de impostos, no entanto, dificilmente atingirá mais de 200 mil pessoas. O governo espanhol anunciou que pretende reduzir o déficit de 11,1% para 6% até o próximo ano.
Os funcionários públicos já enfrentam um corte de 5% em seus salários e passarão o próximo ano sem reajuste. Outros ataques, como a suspensão do pagamento de auxílio-maternidade, no valor de 2,5 mil euros, foram desferidos contra a população trabalhadora. O desemprego beira os 20%, tendo mais que dobrado desde 2007.
Grécia
Os trabalhadores do serviço público grego também estão na mira dos cortes do orçamento estatal planejados para reduzir o déficit de 13,6% do PIB. O governo espera cortar 30 bilhões de euros do orçamento em três anos com a suspensão do pagamento de bônus e o congelamento de salários e aposentadorias dos funcionários públicos por pelo menos três anos. O aumento de impostos sobre o consumo (de 19% para 23%) e sobre os combustíveis, álcool e tabaco (em 10%) também fazem parte do pacote.
Na Grécia, as medidas já desencadearam um onda de greves e conflitos entre manifestantes e a polícia nas ruas de Atenas, no que foi um prenúncio das mobilizações deste mês em todo o continente.
Romênia
A medida proposta pelo governo romeno foi um corte radical de 25% nos salários e 15% nas aposentadorias em julho, para reduzir o déficit orçamentário nacional.
A economia encolheu mais de 7% no ano passado e precisou da ajuda do FMI para conseguir liquidar sua folha de pagamento.
Tendo se tornado dependente do estímulo financeiro dado pelo FMI, o governo anunciou que pretende implementar novas medidas de “austeridade” para se tornar apto a receber a próxima parcela de 20 bilhões de euros do empréstimo feito pelo FMI.
Os protestos forçaram o ministro do Interior, Vasile Blaga, a renunciar depois de uma greve massiva de funcionários públicos e policiais contra o corte de 25% em seus salários.
Itália
O pacote de austeridade do governo Berlusconi consiste da redução de 24 bilhões de euros do orçamento entre 2011 e 2012 - cerca de 1,6% do PIB italiano.
Apenas os gastos destinados às municipalidades e governos regionais foram reduzidos em 13 bilhões de euros.
O governo já prometeu, inclusive, suspender qualquer reajuste salarial para o setor público nos próximos três anos, bem como reduzir as contratações para uma média de um novo contratado para cada cinco demitidos.
Os trabalhadores que atingirem a idade mínima para aposentadoria em 2011 terão de esperar pelo menos seis meses para poder gozar de seus benefícios.
Reino Unido
O plano de austeridade do novo governo de coalizão britânico pretende economizar 7,2 bilhões de euros do orçamento em 2010-2011, como um primeiro passo para reduzir os mais de 180,9 bilhões de euros em déficit, mais de 11% do PIB.
O governo Cameron espera conseguir uma grande economia, num primeiro momento, atrasando ou suspendendo contratos e projetos do governo envolvendo consultorias e empreiteiras, bem como a redução de gastos com viagens de empregados do setor público.
Ainda que num primeiro momento esteja procurando uma rota alternativa, o plano de austeridade conduzirá ao choque inevitável entre o governo e o poderoso movimento operário britânico.
Alemanha
O governo Merkel propôs um plano para reduzir o déficit orçamentário em 80 bilhões de euros, equivalentes a 3% do PIB, até 2014. O crescimento do déficit projetado para este ano o levaria a 5%. A economia, como nos demais países, será feita sobre a base da retirada de benefícios pagos a famílias trabalhadoras, o fechamento de 10 mil postos de trabalho no setor público nos próximos quatro anos e a sobretaxação da energia nuclear.
República da Irlanda
Recordista no número de planos de austeridade apresentados no último ano - três - o governo irlandês começou reduzindo os gastos previstos para 2010 em 4 bilhões de euros e cortando os pagamentos de todos os funcionários públicos em 5%, além de reduzir os benefícios sociais em 760 milhões de euros.
A taxação das emissões de gás carbônico foi adotada e estabelecida em 15 euros por tonelada de CO2 produzido.
Com um déficit de 12% do PIB, o governo irlandês espera controlá-lo por etapas até chegar a 2,9% em 2014.
As medidas de austeridade já levaram ao encolhimento da economia no segundo trimestre deste ano. O PIB caiu de 1,2%.
Portugal
O governo Sócrates anunciou a intenção de reduzir o déficit orçamentário para 7,3% neste ano e 4,6% em 2011.
Também adotou o corte de 5% dos salários de funcionários públicos e o aumento de impostos sobre os cidadãos com renda superior a 150 mil euros, que devem enfrentar uma taxação de 45% até 2013.
Outras medidas incluem o corte de gastos militares em 40% até 2013 e o adiamento da instalação de duas linhas de trem de alta velocidade ligando a capital, Lisboa, à Cidade do Porto.
Holanda
O governo anunciou um corte de 3,2 bilhões de euros para 2011, dando a entender, no entanto, que a cifra final pode ser muito maior ainda.
Os principais cortes se concentram nos serviços prestados à população, como a assistência médica, e na redução do número de funcionários públicos. A crise econômica desencadeou uma crise política no país que aguarda a definição sobre a composição do governo há meses.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Europa - Greve e protestos contra as medidas de austeridade sacodem o velho continente

A tentativa de impor os custos da crise capitalista aos trabalhadores está fracassando na Europa. Nesta semana, manifestações contra os planos de austeridade tomaram conta de cinco países e a primeira greve geral em oito anos eclodiu na Espanha.

Muitos dos governos do bloco de 27 países - a União Européia - impuseram cortes drásticos aos salários, aposentadorias e seguro-desemprego na tentativa de conter a espiral crescente de débitos orçamentários. Em contrapartida, a consciência de que os trabalhadores serão as maiores vítimas da crise financeira criada por banqueiros e especuladores do mercado financeiro vai impulsionando uma gigantesca luta social.


As mais altas taxas de desemprego em 10 anos são o principal combustível da crise na Grécia e na Irlanda. Na Espanha, o desemprego dobrou em apenas três anos, expondo o colapso da economia após a catástrofe do mercado imobiliário e as sucessivas demonstrações de que os bancos se tornaram incapazes de recuperar sua lucratividade. Especialistas do mercado financeiro afirmam que, seguindo o ritmo atual, as taxas de lucro de 2007 só seriam retomadas a partir de 2016.


Somadas às manifestações e protestos na França, contra o aumento da idade mínima para a aposentadoria - medida tomada pelo governo Sarkozy para, à sua maneira, impor um plano de austeridade - as manifestações desta semana são a demonstração de que o movimento operário está despertando do torpor provocado pela oferta de crédito barato ao consumidor e controle da inflação às custas da superexploração da mão de obra em países como a China ou a Índia.

Onda de protestos

Em Bruxelas (Bélgica), sede da União Européia, milhares de pessoas organizadas pelos sindicatos tomaram as ruas sob a palavra de ordem de “não à austeridade, prioridade para os empregos e crescimento”.


Num esforço para conter a radicalização do movimento operário europeu, as direções sindicais apontam para a colaboração com os governos dos países na mira dos planos de austeridade. “Nunca é tarde demais (para se repensar os planos de austeridade) porque as medidas ainda estão sendo elaboradas”, disse o dirigente do sindicato francês Force Ouvrière à BBC.

No entanto, as dificuldades para conter o avanço da radicalização dos trabalhadores vem fazendo com que as direções sindicais sejam arrastadas pela onda de protestos.


Os sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral de 24 horas que paralisou a capital, Madri, nesta quarta-feira (dia 29). Protestos massivos ocorreram em toda a cidade próximos aos terminais de ônibus e metrô. Os piquetes se espalharam na tentativa de fechar todas as lojas e bancos, juntamente com o sistema de transporte público.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Bancários entram em greve por tempo indeterminado

Na noite dessa terça-feira, aproximadamente 1.700 bancários de São Paulo, Osasco e região deflagraram greve por tempo indeterminado. A decisão foi unânime.

Em uma das assembleias mais cheias do último período, a categoria entrou em greve por 11% de reajuste salarial.

Na última quarta-feira, dia 22, em uma rodada de negociação do comando nacional dos bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), os banqueiros proporam um reajuste miserável de 4,29%, que prevê apenas a reposição da inflação dos últimos meses e não um aumento real dos salários, o que foi amplamente rejeitado pela categoria.

Os bancários exigem reajuste salarial de 11%, melhoria na participação nos lucros e resultados, vale-refeição, vale-alimentação, auxílio-creche, pisos salariais maiores, auxílio-educação para todos e melhores condições de saúde.

O total de bancários no país são 460 mil, sendo 130 mil apenas na base do sindicato de São Paulo. A greve também foi aprovada pelos bancários de Brasília nessa terça-feira.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Trabalhadores intensificam mobilizações

Os dados do PIB revelam que a economia brasileira se expandiu 8,9% no primeiro semestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado, puxada, sobretudo, pelo crescimento da indústria, da agropecuária e dos gastos do governo. Este crescimento no semestre projeta um crescimento do PIB acima de 7% em 2010, uma das taxas mais elevadas do mundo, só abaixo das projeções de crescimento para as economias de China e Índia.

Diante destes resultados, importantes categorias estão em plena campanha salarial neste segundo semestre. Ao todo, são mais de cem categorias, entre as quais, metalúrgicos, químicos, comerciários, petroleiros e bancários. Estas campanhas são praticamente unificadas, uma vez que as pautas convergem em diversos pontos, inclusive o percentual de aumento real, acima da reposição da inflação, que está sendo reivindicada. Os bancários se organizam já há alguns anos num comando unificando nacional, que negocia com os representantes dos bancos. Os petroleiros negociam praticamente com uma única empresa, a Petrobras, e também fazem uma campanha unificada.

Este ano, algumas categorias estão se aproximando para reforçarem suas jornadas reivindicatórias. É o caso da Força Sindical e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), cujas Federações e sindicatos filiados – dos setores da indústria, comércio e serviços no Estado de São Paulo – realizaram manifestações unitárias para a entrega das pautas de reivindicação à Fiesp (Federação das Indústrias) e à Fecomercio (Federação patronal do comércio). As dezenas de Sindicatos envolvidos representam cerca de 2 milhões de trabalhadores no setor metalúrgico, indústria alimentícia, químico, padeiros, aeroviários, gráficos, de laticínios, têxteis e do comércio da Capital e várias regiões do Interior. Os dirigentes sindicais manifestaram que irão atuar conjuntamente nas negociações de cada categoria, o que inclui apoio para realização de greves.

Os percentuais reivindicados para aumento dos salários também se elevaram. No ano passado, a maioria das categorias obteve aumentos entre 1,5% e 2% acima da inflação. As reivindicações este ano partem de 5% e muitas chegam a 11% de aumento real. Os petroleiros, por exemplo, reivindicam aumento real de 10%. Já os bancários, que haviam obtido pouco mais de 1% em 2009, reivindicam 5% além da reposição da inflação.

Para subsidiar as ações unitárias das Centrais Sindicais, o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) elaborou estudo destacando, além da conjuntura favorável às negociações coletivas, desafios que o Movimento Sindical pode buscar enfrentar com sucesso em tempos de crescimento econômico. No centro da disputa, a redução da desigualdade de renda e o aumento da participação dos salários na renda nacional.

Segundo dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas Contas Nacionais, a participação da parcela salarial na renda nacional em 2008 era estimada em apenas 43,6%, enquanto nos países centrais do capitalismo estava acima dos 60% (68,1% nos EUA; 75,9% na Coréia do Sul; 64,9% na Alemanha).

A disputa pela renda nacional se desenrola em diversos planos. Na esfera do Estado, a reforma tributária e a redução das taxas de juros fixadas pelo Governo através do Banco Central são necessárias para diminuir as vantagens do capital em relação aos trabalhadores. Destaca-se também a necessidade de manter a valorização do salário mínimo. Segundo o DIEESE, em agosto, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 2.023,89, ou seja, 3,97 vezes o mínimo em vigor, de R$ 510,00.

No plano das negociações coletivas, as principais reivindicações concentram-se na redução da jornada de trabalho para 40 horas; na elevação dos pisos salariais das categorias, contribuindo para elevar a taxa mínima de exploração e elevar a pirâmide salarial no país; e na incorporação dos ganhos de produtividade aos salários – nos últimos 10 anos, os níveis de produção da indústria brasileira acumularam elevação de 26,4%. Enquanto isso, o volume de horas pagas mostrou crescimento bem mais modesto (2,9%) e o Custo Unitário do Trabalho, que indica o crescimento do custo salarial em relação aos ganhos de produtividade, ficou praticamente estável (-0,1%) para o mesmo período. Como resultado desta diferença entre o aumento da produção e das horas pagas entre 2001 e 2010, verifica-se que a produtividade física na indústria cresceu nada menos que 22,8%. Ou seja, existe muita riqueza gerada pelos trabalhadores que está sendo apropriada exclusivamente pelo capital.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Assembléia da categoria aprova indicativo de greve para esse o dia 29 de setembro

Os banqueiros que são inimigos históricos dos trabalhadores, após lucrarem como nunca no atual governo e estarem nadando em dinheiro se recusam a atender as reivindicações, já rebaixadas, da categoria, dentre elas o reajuste de 11% reivindicado pela burocracia sindical do PT/Articulação.

Nesta quarta-feira, dia 22, houve mais uma rodada de negociação do comando nacional dos bancários e a Fenaban, que propôs apenas a reposição da inflação do período (4,29%) de reajuste salarial. Segundo os banqueiros “o reajuste de 11% é exageradamente alto”. Todo mundo sabe que os banqueiros estão nadando em dinheiro. Os lucros dos banqueiros perto dos índices da campanha salarial dos bancários apontam a farsa da campanha salarial organizada pela burocracia sindical do PT/Articulação.

A proposta da burocracia se resume a um reajuste miserável de 11% (que representaria a reposição da inflação oficial mais 6% de aumento real) além de uma PLR nos mesmos moldes que a do ano passado.

Para garantir que a campanha ocorra bem para os banqueiros, a burocracia sindical transformou a campanha salarial em mero ritual burocrático e exclui a maioria da categoria de participar efetivamente da campanha salarial. Diante da crise que atinge a categoria com demissões e perdas salariais, os bancários ficam reféns da burocracia sindical à frente dos aparelhos sindicais das federações e confederações dos trabalhadores bancários.

Estes aparelhos burocráticos, que estão na contramão da luta dos trabalhadores, apresentam uma pauta que não corresponde aos reais interesses da categoria, apresentando a pauta salarial cheia de fórmulas abstratas e manobras distracionistas que visam a dividir a categoria.

Contra esta política, é preciso impulsionar a partir dos locais de trabalho, em total independência da burocracia, uma verdadeira mobilização pela reposição integral das perdas salariais, pelo aumento real de salário, isonomia de tratamento etc.

domingo, 26 de setembro de 2010

Quinta greve geral francesa - Trabalhadores se levantam contra os cortes

Na última semana, trabalhadores franceses voltaram a se manifestar contra o plano de Reforma da Previdência implantada pelo governo Sarkozy.

No inicio do mês de setembro, dia sete,já havia ocorrido uma greve geral de trabalhadores franceses que reuniu mais de 2,5 milhões em mais de 200 localidades por toda a França.

A greve do último dia 23, convocada pelos sindicatos franceses, reuniu quase três milhões de pessoas, segundo organizações sindicais, que marcharam ao longo de Paris e de dezenas de outras cidadesdo país. Foram cerca de 230 protestos espalhados por toda a França contra o aumento da idade para a aposentadoria que hoje é de 62 anos. Esta foi a quinta greve geral francesa somente este ano e a segunda em menos de quinze dias.

O governo quis enfraquecer a greve dizendo que esta manifestação foi muito menor que a anterior, não chegando nem mesmo a reunir um milhão de pessoas. Segundo o ministério do Interior da França, a manifestação tinha pouco mais de 400 mil pessoas. Nem mesmo a polícia foi tão a fundo na intenção de deturpar os fatos. Segundo os órgãos de repressão franceses a greve reuniu 1,1 milhão de pessoas.

A intenção do governo Sarkozy é clara, impedir que estas manifestações se tornem cada vez maiores. Vale lembrar que em 2002, manifestações muito semelhantes a estas impediram a aprovação de um plano de reforma da previdência praticamente idêntico ao atual.

Sarkozy fez declarações de que não irá voltar atrás no plano de austeridade, dizendo cinicamente que as manifestações não são expressão da vontade da maioria dos franceses. E que, portanto, a maioria dos franceses estaria a favor das medidas.

A mentira do governo é tão evidente que somente em Paris foram mais de 300 mil pessoas nas ruas.

Segundo um trabalhador francês: "Aos meus 55 anos não tenho vergonha de estar na rua porque o governo da França não nos escuta. Os jovens e os empregados ainda não fizeram nada. Espero que o governo reaja diante das pensões que estão ameaçadas ou condenadas. Contra grande manifestação. A França está zangada" (EFE, 23/9/2010).

O principal setor mobilizado foi o de transportes. Foram 49% dos ferroviários que aderiram à paralisação. Ficaram paralisados também os metroviários, os aeroportos, os professores e todo o funcionalismo que trabalha nas escolas.

Os trabalhadores das refinarias de petróleo também aderiram à greve, quase que 100%.

O governo Sarkozy está aplicando uma política sem freios contra os trabalhadores. Atacando diretamente a aposentadoria e cortes em direitos trabalhistas seu governo já está enfrentando resistência que deve se intensificar nas próximas semanas. Estas manifestações também levantaram outras questões sobre a política do governo francês, como a expulsão dos ciganos turcos.

Os sindicatos já anunciaram duas novas datas para colocar ainda mais pessoas nas ruas contra Sarkozy. As duas datas são no dia dois de outubro, onde serão realizadas manifestações diversas por todo o País e no dia 12 de outubro, data da nova greve geral.

A resistência dos trabalhadores franceses, um exemplo para o restante dos trabalhadores europeus e também os de todo o mundo, não tem data para acabar. Essas mobilizações são um sinal da guinada à esquerda que os trabalhadores em todo o mundo estão dando. Na Europa, em particular, esta ascensão vai reunir milhões de trabalhadores de diversas nacionalidades e impulsionar a luta contra o colonialismo francês em regiões como a América Latina.

Burguesia dividida com o “Ficha Limpa”

Também no dia 23, mas agora no Brasil, outro acontecimento político demonstrou a instabilidade da burguesia nas eleições. Uma votação no STF (Superior Tribunal Federal) a respeito da validade ou não do “Ficha Limpa”, principal projeto da burguesia utilizado para “moralizar” as eleições acabou em empate.

A votação se estendeu além da meia-noite quando a sessão foi suspensa devido o resultado de cinco votos a favor e cinco votos contrários.

A votação se dividiu da seguinte forma, favoráveis à validade da Lei, e pelo impedimento da candidatura de Joaquim Roriz (PSC) ao governo do Distrito Federal, o relator do processo no STF Ayres Britto, o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, Cármem Lúcia, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie. Já contrários à aplicação da Lei foram Cezar Peluso, presidente do Supremo, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Marco Aurélio e Dias Toffoli. Defenderam a aplicação da lei em 2010, porque estaria ferindo o princípio da retroatividade, e até mesmo porque a lei não cumpriu todo tramite legislativo, já que foi alterada no Senado e voltou para a Câmara Federal para ser referendada.

O empate foi minimamente proposital para evitar o pior, ou seja, revelar a enorme crise que existe no judiciário a respeito desta lei que já foi amplamente criticada, sendo este jornal pioneiro nessa crítica,feita também por uma série de juristas e especialistas da área que acusam a Lei “Ficha Limpa” de inconstitucional.

O adiamento da votação só está prorrogando a decisão que pode ser favorável ao cancelamento da lei, pois o desempate seria do presidente do STF, Cesar Peluzo que já votou individualmente contrário à aplicação da Lei. Há ainda a possibilidade de esperar que Lula indique novo juiz para o STF depois da saída de Eros Grau e que este vote desempatando, ou então o STF poderia adotar a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que foi contrário ao pedido do recurso de invalidação da Lei “Ficha Limpa”.

Este é mais um sinal da falência do regime político brasileiro que está caindo de podre. Este empate no STF na validação ou não do “Ficha Limpa” revela que há uma divisão interna na própria burguesia, que se atrita cada vez mais acentuadamente frente o agravamento da crise capitalista.

Debate entre a esquerda nas eleições

Na última semana também ocorreu outro grande acontecimento relacionado com as eleições. No dia 21, terça-feira, aconteceu o debate entre os presidenciáveis de esquerda. O debate foi realizado com os candidatos à Presidência do PCO, Rui Costa Pimenta, do PCB, Ivan Pinheiro e PSTU, Zé Maria. Foi mediado por Nilton Viana, editor-chefe do jornal Brasil de Fato e foi transmitido ao vivo pela internet pelas páginas dos partidos e do jornal na internet. Houve também a transmissão por meio de dezenas de rádios comunitárias e independentes

O debate foi um êxito tanto do ponto de vista político como do ponto de vista de público. Foram mais de 2, 5 mil acessos simultâneos e mais de 7 mil visitas que chegaram a congestionar a transmissão impossibilitando algumas pessoas de assistirem. O chat organizado para receber comentários e perguntas de internautas recebeu cerca de 5, 5 mil visitas no pico e em diversas universidades e sindicatos foram organizados grupos para assistir o debate em tv’s e telões. Extima-se que o acesso à transmissão do debate nos sites dos partidos e do JornalBrasil de Fato tenha ultrapassado 20 mil visitas.

Houve também a participação de jornalistas, inclusive de órgãos internacionais, que fizeram perguntas aos candidatos.

Do ponto de vista político a atividade foi extremamente bem sucedida. O objetivo de denunciar o sistema eleitoral totalmente antidemocrático foi alcançado. Foi um debate unitário dos partidos que atuam nos movimentos operários, estudantis e sociais. A atividade colocou em discussão a necessidade e as tendências deunidade daesquerda diante das necessidades da luta dos explorados.

Outro ponto que este debate colocou em pauta foi a necessidade de criação de sistema alternativo de comunicação para se contrapor ao monopólio dos grandes meios de comunicação que está a serviço dos capitalistas, dos latifundiários, dos políticos burgueses. Estes meios de comunicação só mostram os três principais candidatos, escondendo da população os demais partidos e candidatos. Para que governem sempre os mesmos.

Manifestação e repressão

Ainda na última semana , na quinta-feira , dia 23, os estudantes da Universidade Católica de Brasília (UCB) foram reprimidos pela polícia Federal por protestarem contra a direção da faculdade.

O protesto foi organizado contra o debate presidencial que a direção da faculdade, juntamente com a CNBB (Confederação dos Bispos do Brasil) e o canal de televisão, Rede Vida iriam realizar na faculdade. Os estudantes com o DCE (Diretório Central dos Estudantes) tinham organizado um debate paralelo bem próximo ao debate “oficial”.

Mas mesmo antes do início dos debates, a direção da UCB acionou a polícia federal que chegou reprimindo os estudantes que estavam organizando o debate paralelo. A polícia sitiou a faculdade e permitiu apenas a entrada de estudantes devidamente identificados. A polícia inclusive fechou o DCE para impedir o acesso dos estudantes ao próprio espaço estudantil.

O fato marca a crescente ditadura das reitorias das universidades e a defesa, neste caso, da igreja, das instituições políticas da burguesia para manter a mesma estrutura política retrógrada, antidemocrática e antipopular de opressão da maioria da população.


sábado, 25 de setembro de 2010

EUA, Europa e Japão... por todos os lados a crise que se anunciava como superada vai dando sinais de enorme vitalidade

No último 22, foi divulgado resultado da pesquisa Bloomberg Global Poll, realizada pela Bloomberg, cujo objetivo era traçar um mapa de atuação dos investidores em todo o mundo.

O resultado do estudo, que surpreendeu a muitos, indicou que no mês de setembro, os investidores vêem maiores perspectivas de investimento no Brasil, Índia e China do que nos Estados Unidos, maior potência capitalista do globo.

Tais números confirmam a completa paralisia da economia dos EUA, e sua incapacidade de contornar o avanço da crise econômica internacional.

Não apenas isso, revela também que a atual política praticada pelo governo Lula e demais países do BRIC, tem como objetivo primordial abrir, custe o que custar, novas oportunidades de negócios para capitalistas estrangeiros, os quais movimentam seus capitais em função de condições de maior lucratividade na jogatina financeira instalada no mercado mundial.

A pesquisa se baseou nas respostas de 1.408 investidores, analistas e corretores de bolsa.

Um dos entrevistados, Eric Kraus, estrategista da Otkritie Broquerage House em Moscou, afirmou ser da opinião que a economia dos Estados Unidos "é obviamente insustentável, e a tentativa coordenada de pôr fim às dúvidas vem tendo cada vez menos resultado no exterior". E completou ainda, "pode-se retardar, mas não impedir as conseqüências de uma bolha de crédito de muitas décadas."

Outro dos entrevistados, o trader Thomas Knudsen, funcionário da OW Supply & Trading em Copenhague, mais iludido, mas ainda assim realista diante da situação atual, considera que "os Estados Unidos entrarão nos trilhos, mas não nos próximos 6 a 12 meses".

Um dos depoimentos mais significativos, no entanto, veio do presidente da Selzer & Co. J. Ann Selzer, que considera que atualmente "existem nuvens negras no céu, mas o pior ainda está longe".

27 bilhões em fuga na Zona do euro

Para comprovar as tendências totalmente desfavoráveis para a economia capitalista mundial, o Banco Central Europeu anunciou novos números sobre a economia dos países mais ricos do velho continente.

Segundo o novo relatório, os investidores retiraram um montante de cerca de 27,4 bilhões de euros dos mercados de ações na zona do euro.

A cifra é um retrato das expectativas atuais de todo um grupo de poderosos capitalistas que já não acreditam mais na possibilidade de qualquer recuperação no curto prazo. O receio de uma iminente nova onda de quebras na Europa se reflete na transferência de recursos dos países da zona do euro para outros mercados potencialmente mais lucrativos neste momento. Esses abutres financeiros parasitaram os bancos centrais europeus e, agora, sugado o sangue da vítima, preparam-se para correr.

Banco Central japonês vai intervir para desvalorizar iene

O governo japonês anunciou que está seriamente preocupado com a valorização da moeda japonesa frente ao dólar. A cotação do iene está a mais alta dos últimos 15 anos, segundo dados do próprio Ministério das Finanças.

Um dólar chegou a ser cotado em 84,36 ienes, o maior valor desde 1995. Esta alta sem controle do iene coloca em risco as exportações japonesas para os Estados Unidos, principal comprador dos produtos japoneses. O mercado norte-americano compra quase 30% da produção japonesa. As exportações são a principal fonte de renda do Japão que com a crise econômica dependem ainda mais deste setor.

O Banco Central japonês vai intervir diretamente no cambio para controlar a valorização da moeda japonesa. Os detalhes sobre esta intervenção não foram divulgados, mas espera-se que o valor caia, pois a alta desenfreada do iene pode colocar a economia do País em um estado de recessão profunda.

Reino Unido tem mais de 3% de inflação em agosto

Segundo o Banco da Inglaterra, a inflação da economia inglesa manteve-se inalterada no mês de agosto. Os preços subiram 0,5% segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor). No mês de agosto, a inflação registrou 3,1%, valor alto para os padrões britânicos. Os analistas esperavam uma inflação de 2% para o mês passado.

Este é um reflexo direto da crise econômica que provocou uma queda na produção industrial de toda a zona do euro.

Com este resultado haverá um agravamento natural da produção industrial inglesa que já está bastante debilitada devido aos efeitos da crise.

O Reino Unido tem mais de 2,5 milhões de desempregados e um custo altíssimo com o pagamento de seguro-desemprego para cerca de 1,5 milhão e meio de trabalhadores. A tendência é que a crise se agrave ainda mais no País arrastando toda a economia européia.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mobilizações alertam para despejos

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizaram, nesta quarta-feira (22), uma manifestação nas rodovias Régis Bittencourt, Raposo Tavares e no Rodoanel em São Paulo (SP).

As ações fazem parte da Jornada de Lutas Nacional contra Despejos, realizada desde segunda-feira (20) pela Resistência Urbana - Frente Nacional de Movimentos, que reúne organizações sociais urbanas de todo o país.

O objetivo das mobilizações, segundo o integrante do MTST André Mineiro, é denunciar os frequentes e massivos despejos que estão ocorrendo nas grandes cidades brasileiras.

A principal motivação das remoções, destaca o militante, é a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente. Com o intuito de "embelezar" as cidades, tem-se gerado uma forte especulação imobiliária, responsável por expulsar comunidades pobres em direção às periferias.

"As cidades mais prejudicadas em geral são as metrópoles. Em São Paulo aconteceram alguns despejos em Paraisópolis [zona sul], onde teve uma campanha bem forte de mobilização dos moradores. Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas isso deve ficar mais forte nos próximos anos", afirma.

Nesta quinta-feira (23), os movimentos entregarão uma carta ao Ministério das Cidades, onde pedem, dentre outras medidas, a paralisação imediata dos despejos e garantias de moradia para famílias de baixa renda.

"A ideia dessa Jornada é justamente abrir um canal de negociação nacional para que, de alguma forma, pare esse processo de despejo", explica Mineiro.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Eleições expõem profunda crise da direita brasileira


O resultado praticamente certo da eleição da candidata do PT, Dilma Rousseff, já no primeiro turno é uma expressão da verdadeira falência da direita brasileira, em especial o PSDB, seu último sustentáculo.

A queda de José Serra, do PSDB, nas pesquisas, revela que este partido está caminhando para o mesmo destino de outras legendas da direita brasileira, como o próprio DEM.

Este resultado expõe ao mesmo tempo uma guinada da situação política para a esquerda e indica uma retomada da mobilização dos trabalhadores.

Desenvolvimento da crise

Esta crise não surgiu do nada. Desde o fim da ditadura militar a direita vem perdendo apoio da população e tendo que se camuflar para sobreviver. O primeiro a passar por “transformações” foi a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o principal partido do regime militar. A Arena passou por diversas modificações, o que originou o já falecido PFL e agora o decadente DEM.

Estas mudanças apenas garantiram uma sobrevida a este partido, pois desde o fim da ditadura não conseguiu mais assumir o governo. Foi gradativamente sendo colocado para escanteio no quadro político nacional.

Outro partido da direita que demonstra extrema debilidade é o PMDB, oposição oficial à ditadura militar. Seu apoio no meio da população inexiste e está no cenário político nacional graças às recentes alianças feitas com o PT que proporcionaram sua participação em diversos cargos do governo. O PMDB está de “pé” unicamente em função do apoio do PT, que deu a esse partido posições fundamentais no governo Lula, aliança que culminou com o PMDB ganhando a candidatura à vice-presidência.

E por fim, a crise do PSDB que foi uma dissidência “à esquerda” do PMDB e que se consolidou como ponto de apoio da direita no Brasil.

PSDB em declínio

Estas eleições estão sepultando qualquer tentativa do PSDB de se reerguer. O fracasso da candidatura de José Serra não é um caso isolado no partido. As pesquisas apontam que a base aliada da oposição burguesa está na frente em menos da metade dos estados que a base aliada de Dilma.

A direita vem há pelo menos quatro anos tentando garantir uma vantagem sobre o PT por meio das denúncias de corrupção na base do governo Lula. A ofensiva também se deu com o ataque a diversos direitos da população, como a sistemática perseguição aos trabalhadores do campo, pesquisas de células-tronco, campanha contra as cotas para negros no ensino superior e a perseguição às mulheres relacionada com o aborto.

Mas todos estes “esforços” da direita não foram suficientes. As pesquisas foram intencionalmente manipuladas para dar uma vantagem inicial para Serra, mesmo antes da campanha eleitoral, mas bastou iniciar a campanha e ficou evidente que o PSDB não tem apoio nenhum entre a população.

Outra artimanha da direita foi tentar colocar a candidata do PV, Marina Silva, como uma espécie de opção aos descontentes com Lula e o PT, mas a tentativa fracassou miseravelmente. E até mesmo o candidato do Psol, Plínio de Arruda Sampaio recebeu um pequeno espaço na imprensa burguesa para fazer contraponto à candidatura de Dilma, mas em nada mudou o quadro eleitoral.

Estes recursos da direita para tentar ganhar vantagem nas eleições também revelam que está em marcha uma tendência generalizada da população à esquerda.

Sinais da decadência do PSDB podem ser facilmente identificados na própria campanha eleitoral de Serra na televisão. Da figura notoriamente arrogante e antipática, o candidato do PSDB tenta aparecer agora como simpático e amigo do povo nos programas da TV. Tem sistematicamente aparecido em casas pobres, conversando com famílias etc. Serra chegou a elogiar Lula e dizer que vai manter diversos projetos, entre eles o Bolsa Família. Nas últimas semanas está fazendo promessas sobre aumento para aposentados e aumento do salário mínimo com valor um pouco maior que oferecido pelo PT.

Até mesmo a imprensa burguesa, grande apoiadora do PSDB, foi obrigada a fazer críticas a este partido, numa tentativa de compreender e influir sobre a questão.

A declaração da imprensa de que o PSDB precisa ser reformulado é um reconhecimento do seu fracasso, que é um fracasso de toda a direita e, portanto, das representações oficiais e tradicionais da burguesia.

Em uma matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, declarações de lideranças do PSDB demonstram a decadência do partido. Foi dito que o partido não tem militantes nos estados e que há muito não agrega novos integrantes, na verdade erdendo quadros.

O PSDB deve traçar o mesmo caminho que o DEM, antigo PFL, traçou, mudando de nome e tentando aparecer como um novo partido, “reformulado” etc. Que a fórmula não funcionou pode ser vista no fato de que hoje o DEM está à beira do colapso.

A derrocada do PSDB vai implicar ainda na instabilidade do regime político, pois este partido tem um papel fundamental, juntamente com o PT, na manutenção da estabilidade política no País.

Perdendo aliados

Com a crise, o PSDB está perdendo diversos aliados. O primeiro a anunciar que vai deixar o partido é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Kassab declarou que vai deixar o DEM e provavelmente deva entrar no PMDB. A saída do prefeito indica não só a perda do PSDB de um de seus aliados como também o declínio do próprio DEM. E no geral a derrocada de toda a direita.

Kassab disse que pretende esperar o resultado das eleições para decidir seu destino. Espera que o DEM eleja pelo menos 51 deputados, caso contrário, a saída será certa. Mas estimativas apontam que o DEM deva perder pelo menos 20 deputados de um total de 56 que possui atualmente.

Há ainda boatos que dizem que Aécio Neves pretende deixar o PSDB. O fato não foi confirmado, mas são mais indícios de crise no PSDB.

O papel do PT

O que também fica evidente na derrocada do PSDB é o apoio disfarçado de oposição que sempre recebeu do PT. O PT foi o principal sustentáculo dos oito anos do governo FHC. Foi por meio de Lula, do PT e da CUT que o PSDB promoveu a venda do País com as inúmeras privatizações, como a Petrobrás, a telefonia etc.

Foi no governo FHC, também com a ajuda do PT, que o movimento operário foi totalmente esmagado. Um local onde o apoio do PT para manter o PSDB é no estado de São Paulo, onde há 16 anos quem está a frente do governo é este partido. O acordo entre PT e PSDB é de longa data. Enquanto o PT fica com os cargos ao Senado, o PSDB fica com o governo. Após as eleições, o PT aparece como oposição ao PSDB, mas sem grandes enfrentamentos, pelo contrário, tenta evitar ao máximo qualquer choque verdadeiro entre a classe operária e o governo tucano. Um exemplo bastante recente foi a greve dos professores estaduais do ano passado, quando a direção do sindicato, comandada pelo PT, tentou a todo custo acabar com a greve evitando o desgaste total do governo Serra.

Mesmo com a vitória, mais uma vez do PSDB em São Paulo, a crise tende a se acentuar e em breve será inviável para o PSDB governar o estado.

A crise do PSDB reflete a crise geral dos partidos do regime. Ao mesmo tempo há uma tendência bastante acentuada da classe operária à esquerda. Esta tendência se reflete na candidatura de Dilma Rousseff e nas lutas recentes. Mas isto não significa que haverá um apoio dos trabalhadores ao governo, pelo contrário, a cobrança será ainda maior. O enfraquecimento do PSDB vai gerar uma onda de mobilizações dos diversos setores contra o governo, desenvolvendo a luta dos trabalhadores.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Metalúrgicos de Volks, Toyota e Mercedes decidem manter greve

Trabalhadores de fábricas da Toyota, Mercedes Benz e Volkswagen decidiram em assembleias nesta segunda-feira continuar a greve iniciada na semana passada.

Na Volks em São José dos Pinhais, no Paraná a paralização atinge 5,6 mil trabalhadores, sendo 4.000 diretos e 1.600 terceirizados. Na Toyota, em Indaiatuba, a fábrica emprega cerca de 2.100 trabalhadores, também paralisados.

Em Campinas, cerca de mil trabalhadores da Mercedes-Benz entraram hoje no terceiro dia de greve. Os funcionários da montadora recusaram a proposta patronal de reajuste salarial de 10,5%, pois reivindicam 17,45%.

Nas reuniões entre o sindicato dos metalúrgicos e a Mercedes, não houve avanços econômicos nas propostas apresentadas. Na Toyota, ainda não houve reunião, de acordo com a entidade.

Na Volks, a "greve picoca", como foi batizada pelos trabalhadores, vai ser deflagrada todos os dias, a partir de hoje, paralisando um, dois ou todos os três turnos de produção da fábrica.

Os trabalhadores da fábrica exigiam o mesmo acordo fechado com a Renault, com R$ 4.200 de abono, 10% de aumento no piso e 10,08% de aumento salarial, sendo 5,55% de aumento real e 4,29% referentes à inflação acumulada nos últimos 12 meses, segundo o INPC.

Até hoje, cerca de 820 carros deixaram de ser produzidos na unidade que fabrica os modelos Golf, Fox, Cross Fox e Fox Europa.

Na Volvo em Curitiba, os cerca de 2700 metalúrgicos aprovaram nesta manhã acordo para reajuste de 10,08% (5,55% de aumento real e mais 4,29% referente à inflação), R$ 4.200,00 de abono e um reajuste de 233% no vale-mercado.

Ontem (19), os metalúrgicos do ABC, que trabalham nas montadoras Ford, Scania, Mercedes-Benz e Volkswagen conquistaram o maior aumento salarial da história da categoria: 9% da data-base mais 1,66% de correção da tabela salarial, num total de 10,8%, mais R$ 2.200 de abono. O índice total será pago integralmente na data base, em 1º de setembro, e o abono quitado totalmente em 20 de outubro.

Na semana passada, os metalúrgicos da GM em São José dos Campos e São Caetano já haviam aprovado um reajuste salarial de 9%, retroativo a 1º de setembro. O acordo também prevê abono de R$ 2.200. O teto para aplicação do reajuste é R$ 7.630. Os salários acima desse patamar contarão terão um valor adicional fixo de R$ 686.

sábado, 18 de setembro de 2010

PCdoB trai novamente a greve nacional

Durante os dias 14, 15 e 16 de setembro ocorreram várias assembleias, conforme deliberado no último Consin (Conselho de Sindicatos da Fentect), para decidir sobre a greve da categoria.

A deliberação aprovada no Consin foi uma derrota para o bloco traidor – PT e PCdoB – que compõe a maioria da federação. Os traidores queriam acabar com a proposta de greve que eles mesmos haviam deliberado no Conrep farsa que realizaram em julho. Ali, precisaram lançar mão da polícia e de capangas para não serem completamente derrotados, já que tinham minoria de delegados. Por isso, precisaram de um Conrep farsa para elaborar um calendário para enganar a categoria, que está cada vez mais se chocando com os interesses patronais dessa burocracia.

Os traidores sabem que a greve e a campanha salarial é a vontade dos trabalhadores, que rejeitaram amplamente o acordo bianual. Esse é o seu maior medo.

O PCdoB, nos sindicatos de São Paulo e do Rio de Janeiro (os dois maiores em nível nacional), desesperado com a tendência de mobilização da categoria, vem fazendo assembleias fantasmas, com 30 pessoas, para não correr o risco de ser atropelado pelos trabalhadores nesses sindicatos que são decisivos para a greve nacional da categoria.

Diante da derrota no Consin e confrontados com a pressão dos trabalhadores, a crise do PCdoB/CTB se aprofundou. No Rio de Janeiro, se recusou aa realizar assembleia e em São Paulo tiveram que lançar mão do velho esquema das assembleias regadas a carne e chope distribuídos aos “flanelinhas” do sindicato.

Como já era de se esperar, a assembleia realizada pelo Sintect-SP não foi convocada entre os trabalhadores, que sequer sabiam de sua existência, muito menos dos seus motivos. Essa é a única chance do PCdoB S.A. de não ser atropelado pela categoria.

A cada traição, a crise do PCdoB se agrava em São Paulo.

É necessário organizar nas bases dos setores oposições independentes da burocracia e dos patrões da ECT, para garantir a campanha salarial em 2010 e a mobilização e a greve da categoria. A corrente Ecetistas em Luta convoca os trabalhadores de São Paulo a seguir o exemplo dos companheiros de Minas Gerais e Espírito Santo e iniciar a greve por 35% de reajuste, contra os miseráveis 80 centavos que a empresa e os sindicalistas traidores deram para a categoria.

A vontade dos trabalhadores é a campanha salarial, a luta contra o excesso de trabalho nos setores e a luta contra a privatização dos Correios.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Reação à crise: os trabalhadores franceses mostram o caminho

Na última terça-feira, dia 7, mais de dois milhões e meio de trabalhadores franceses se manifestaram nas ruas de Paris e em outras cidades francesas contra o governo de Nicolas Sarkozy.

A manifestação foi convocada pelos sindicatos como greve geral realizou mais de 200 protestos por toda a França. A principal reivindicação era o fim da Reforma da Previdência que o governo francês quer implementar no País para atender os interesses capitalistas diante da crise econômica. A greve afetou significativamente os sistemas de transportes, aeroportos, os hospitais, escolas e correios do setor público, mas o setor privado também se mobilizou, funcionários de bancos e empresas petrolíferas também paralisaram as atividades.

Com esta reforma, Sarkozy está colocando na prática o plano de austeridade fiscal que é uma exigência da União Européia para os países europeus em crise. É a conhecida política do corte de gastos públicos para colocar todo o ônus da crise econômica sobre as costas dos trabalhadores e conseqüentemente aliviar os prejuízos dos banqueiros e especuladores.

Esta reforma, que está para ser aprovada pelo governo francês, possui mais de 700 emendas e vai principalmente aumentar o tempo mínimo para a aposentadoria. A proposta é de que seja feita a elevação da idade mínima passe dos atuais 60 anos para 62 anos, isso nos casos de trabalhadores que completaram a idade mínima de trabalho. Atualmente a legislação francesa exige que os trabalhadores tenham trabalhado no mínimo 40 anos para se aposentar ou então tenham atingido 65 anos de idade. Neste caso, a idade para se aposentar passará de 65 anos para 67 anos e o tempo de trabalho para 41,5 anos.

Está em marcha um dos maiores confiscos da classe operária mundial. Sarkozy quer que os trabalhadores franceses, além da exploração cotidiana, ainda dediquem mais dois anos de trabalho, de maneira compulsória, para que os capitalistas falidos com a crise não tenham ainda mais prejuízo.

A insensibilidade do governo francês ao apelo dos trabalhadores é gritante. Para justificar esta medida, Sarkozy declarou da maneira mais cínica possível que o aumento da aposentadoria estava acontecendo, pois segundo pesquisas recentes a expectativa de vida dos franceses aumentou. Este é um recado que diz para a classe operária que ela não deve fazer mais nada da vida a não ser trabalhar para sustentar os parasitas da burocracia estatal e os capitalistas, banqueiros etc.

O governo francês quer criar um fundo com a aposentadoria dos trabalhadores para que possa ser usado quando for necessário para socorrer os capitalistas.

Na última sexta-feira, mesmo após a greve geral, Nicolas Sarkozy conseguiu a aprovação do projeto na Câmara de Deputados, onde tem a maioria, 314 deputados, do total de 577. Segundo o projeto a medida vai entrar em vigor apenas em 2018, mas na verdade vai ser uma implantação gradativa.

Já a partir do próximo ano, no dia 30 de junho, a aposentadoria aos 60 anos não será mais permitida.

Outra justificativa para o projeto é o déficit da Previdência que tem um rombo de 32 bilhões de euros, uma desculpa para não explicar onde está o dinheiro que foi transferido dos trabalhadores para o fundo de previdência.

A França, que era conhecida como o país com menor idade para se aposentar, tendo cerca de 15 milhões de aposentados, segue os exemplos da Grécia e demais países que aderiram aos planos de austeridade fiscal e ataca os direitos dos trabalhadores.

Resposta à altura

Os trabalhadores franceses mostraram o caminho que deve ser seguido diante desta enorme ofensiva do governo francês contra o direito dos trabalhadores. A greve geral paralisou mais de 30% do serviço público da França.

Mas esta não será uma medida isolada, pois já foram convocadas outras manifestações. Mesmo antes da aprovação do projeto na sexta-feira dia 10, seis das oito principais centrais sindicais já haviam se reunido para programar outras mobilizações. Está marcado para o próximo dia 23 de setembro mais uma greve geral que deve, diante da aprovação do projeto, reunir muito mais pessoas contra a medida.

Esta é apenas uma das inúmeras medidas do plano de cortes de gastos públicos que o governo francês irá aplicar para conter a crise à base do ataque aos direitos dos trabalhadores.

O exemplo dos trabalhadores franceses deve ser seguido em todos os países em que os capitalistas e banqueiros estão aplicando os cortes nos gastos públicos e promovendo um enorme confisco dos trabalhadores.

A crise francesa, já prenunciada com os recentes levantes de imigrantes nas periferias de Paris, por causa do assassinato de dois jovens negros por policiais, é um sinal de que tende a se aprofundar e que os trabalhadores estão dispostos a um confronto direto com os governos. Existe uma tendência geral de guinada à esquerda das massas.

Pagando para não ver

Outro sinal de desestabilização da burguesia mundial na última semana, foi o megapacote apresentado pelo presidente norte-americano como medida de conter a crise interna do País.

Obama apresentou um plano de 50 bilhões de dólares para, em tese, promover um grande projeto de infraestrutura que vai abranger a construção de aeroportos, estradas, ferrovias etc.

Na última semana Obama fez um verdadeiro tour pelos Estados Unidos, indo estrategicamente nas principais áreas afetadas pela crise econômica para apresentar este novo pacote, em uma destas ocasiões apresentou o projeto, "Ao longo dos próximos seis anos, vamos reconstruir 150 mil milhas (241 mil quilômetros) de nossas estradas. Isso é o suficiente para dar seis voltas ao mundo. É muita estrada. Vamos estender e manter 4 mil milhas (6.400 quilômetros) de nossas ferrovias - o suficiente para cobrir (o país) de costa a costa. Vamos restaurar 150 milhas (241 quilômetros) de vias de acesso e avançar no controle de tráfego aéreo de última geração, para reduzir o tempo de viagem e as demoras para os viajantes norte-americanos. Acho que todo mundo pode concordar com isso" (Monitor Mercantil, 6/9/2010). Com esta declaração fica visível que a intenção do projeto é recuperar a imagem de progresso e crescimento econômico que há muito está estagnada nos Estados Unidos.

Este é na verdade um plano emergencial de contenção de prejuízos políticos que o governo teve devido o avanço inegável da recessão no País. Obama quer ao mesmo tempo dar a entender que pretende solucionar o problema da crise econômica e amenizar o impacto dos mais de 14 milhões de desempregados que o País tem hoje. Um outro fator são as eleições parlamentares que ocorrem no início de novembro, onde o governo corre o risco de ficar em minoria na Câmara de deputados.

Obama declarou que se for necessário irá reduzir orçamento de algumas áreas para que o pacote seja viabilizado.

O projeto ainda precisa ser aprovado pelos deputados, mas com as eleições em andamento talvez seja postergado. O fato é que não é por acaso que Obama pretende gastar 50 bilhões de dólares com os pobres e desempregados. Este é um sinal de que a crise econômica norte-americana está caminhando não para a recuperação como governo e analistas econômicos tentam apresentar, mas para uma enorme depressão.

E as conseqüências desta depressão no atual quadro econômico dos Estados Unidos tende a colocar a administração Obama em um sério risco de extinção, pois os trabalhadores devem se mobilizar contra esta situação e pressionar ainda mais o governo.

Afeganistão, a bola da vez

Depois do anúncio do fim da guerra do Iraque com a retirada das tropas do País, as atenções se voltaram para outro problema político do governo norte-americano, o Afeganistão.

Na última semana ficou patente o fracasso iminente do exército norte-americano no País. Um dos membros do talibã, Omar, denunciou que a coalizão entre Estados Unidos e OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) estão perdendo vergonhosamente a guerra.

Omar declarou que, “a vitória da nossa nação islâmica sobre os infiéis invasores é agora iminente e a força propulsora atrás disso é a fé na ajuda de Allah e na unidade entre nós. (...) outras forças estrangeiras que vieram aqui para ocupar nosso país estão agora sob pressão dos seus povos, por causa do crescente e pesado gasto militar, das baixas e da falta de frutos da guerra”.

O membro do talibã ainda atacou os Estados Unidos dizendo a eles, “Vocês testaram toda a nossa força, para manter sua ocupação sobre o país independente e islâmico do Afeganistão, mas não conseguiram nada, exceto uma derrota frustrante".

O fracasso dos Estados Unidos no Iraque é muito semelhante ao Afeganistão. É um fracasso em todas as frentes, desde a militar até a política.

O fracasso também se demonstrou por meio das eleições fajutas que o governo norte-americano tentou fazer no País para criar a ilusão de que estava caminhando para a democracia, para a estabilidade. As eleições foram um fracasso com inúmeras fraudes e pouquíssima participação popular.

Por fim os Estados Unidos partiram para o suborno puro e simples e neste ponto também fracassaram. A idéia de cooptar lideranças talibãs e também militantes por meio de suborno não foi bem sucedida e ao invés de diminuir o número de militantes pelo contrário aumentou.

Devido à guerra, o país está extremamente pobre, sem condições de vida, sem emprego etc. Esta situação facilitou a adesão da população aos talibãs e não o contrário.

O plano de cooptação estava previsto em 250 milhões de dólares, mas devido à crise econômica o governo não conseguiu investir quase nada.

Apesar de um enorme contingente armado, somente a OTAN tem cerca de 150 mil soldados ocupando o Afeganistão, os Estados Unidos está se vendo em uma situação semelhante ao que aconteceu no Iraque, obrigado a retirar as tropas com muita cautela para evitar o pior, pois a situação no país é insustentável.